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	<title>Arquivos Elvira Vigna &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>No palimpsesto de Elvira Vigna, eles não conhecem Courbet</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jul 2022 15:02:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Enzo Caramori &#8220;Nenhuma de nós de fato com uma existência separada. Só traços sobrepostos, confusos, não claros. Como se estivéssemos, todas nós, num palimpsesto.&#8221; Em uma sala, num outro universo que não é, naquele momento, o Rio de Janeiro que estardalhaça do lado de fora, ela está furiosa. Em silêncio, mas nunca quieta. Cautelosamente desajeitada. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/como-se-estivessemos-em-palimpsesto-de-putas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "No palimpsesto de Elvira Vigna, eles não conhecem Courbet"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28137" aria-describedby="caption-attachment-28137" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS.png" class="size-full wp-image-28137" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/CAPA_WORDPESS_PALIMPSESTO_DE_PUTAS-768x404.png 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28137" class="wp-caption-text">O livro Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, leitura do Clube do Livro do Persona em Maio, publicado pela editora Companhia das Letras, não é sobre garotas de programa, mas sim sobre relações interpessoais e suas tensões (Foto: Companhia das Letras/ Arte: Bruno Alvarenga)</figcaption></figure>
<p><b>Enzo Caramori</b></p>
<blockquote><p>&#8220;Nenhuma de nós de fato com uma existência separada. Só traços sobrepostos, confusos, não claros. Como se estivéssemos, todas nós, num palimpsesto.&#8221;</p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Em uma sala, num outro universo que não é, naquele momento, o Rio de Janeiro que estardalhaça do lado de fora, ela está furiosa. Em silêncio, mas nunca quieta. Cautelosamente desajeitada. Uísque caubói, também raivoso, em um copo plástico. Escuta um homem, que nem conhece direito, narrar seus encontros com putas. Mulheres sem nomes</span><span style="font-weight: 400">, pois são tantas que, no fim, se juntam até se tornarem um único ser com várias cabeças e braços. Rasura. Na verdade, são as estórias que se juntam incessantemente até formarem, gota a gota, gigantes estruturas, como aquelas pedras, em cavernas. Gota a gota. Rígidas. Estalagmites. Que prendem, nos espaços vazios e ocos, o que realmente se quer dizer. E não foi dito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">E é isso – o que não foi dito –&nbsp; que mais pulsa na escrita visceral de Elvira Vigna no brutal </span><span style="font-weight: 400"><i><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535927399/como-se-estivessemos-em-palimpsesto-de-putas">Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</a></i></span><span style="font-weight: 400"> (2016), um de seus últimos livros publicados </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/muito-a-dizer/">em vida</a></span><span style="font-weight: 400">. Em uma crueza avassaladora, que partilha de um humor </span><span style="font-weight: 400"><i>blasé</i></span><span style="font-weight: 400"> e de uma catártica raiva feminina, a</span><span style="font-weight: 400"> autora não traz suas discussões necessariamente na superfície de seu enredo e no desenrolar de suas personagens, mas sim em uma psicologia que está atrás dos eventos narrativos – localizada no que realmente move os acontecimentos – </span><span style="font-weight: 400">criando uma </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www1.folha.uol.com.br/paywall/login.shtml?https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/01/1853553-elvira-vigna-rasga-ferocidade-em-romance.shtml">dualidade</a></span><span style="font-weight: 400"> acerca do que se diz mas, não necessariamente, é o que </span><span style="font-weight: 400"><i>quer</i></span><span style="font-weight: 400"> ser dito. Nessa narrativa, a única verdade está naquilo que é engolido pela língua e reside no escuro. Na ausência. No negativo.</span></p>
<p><span id="more-28106"></span></p>
<figure id="attachment_28107" aria-describedby="caption-attachment-28107" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-scaled.jpg" class="size-full wp-image-28107" alt="foto em preto e branco. A escritora Elvira Vigna, vestindo uma jaqueta escura, um colete preto e uma camisa branca, posa quase que em perfil, com a cabeça levemente levantada para o canto superior esquerdo. Seus cabelos, grisalhos, estão soltos" width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-scaled.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-28107" class="wp-caption-text">A incômoda e gutural escrita da autora se envereda em uma narrativa de embates entre as tensões da insurgência da emancipação feminina com a misoginia das tradições masculinas (Foto: Todavia)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Tradutora, artista plástica, escritora e jornalista, Elvira Vigna prova-se, em um rápido olhar biográfico, uma transeunte entre as mais diversas maneiras de construção da expressão. </span><span style="font-weight: 400">Formada em Literatura pela Universidade de Nancy, na França, e mestre em Teoria da Significação pela</span><span style="font-weight: 400"> Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a carioca é vencedora, por sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://eraoutravez.blogfolha.uol.com.br/2018/12/15/livros-infantis-mostram-a-literatura-transgressora-de-elvira-vigna/">Literatura infantojuvenil</a></span><span style="font-weight: 400">, do Prêmio Jabuti e, por seus romances, do Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, e do </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.itaucultural.org.br/conheca-os-vencedores-do-oceanos-premio-de-literatura-em-lingua-portuguesa#:~:text=O%20primeiro%20colocado,artista%20Regina%20Silveira.">prêmio Oceanos</a></span><span style="font-weight: 400">. Em sua releitura dos contos de Franz Kafka, ilustrada por seus próprios desenhos e destinada ao público jovem, teve publicado postumamente </span><span style="font-weight: 400"><i>Kafkianas </i></span><span style="font-weight: 400">(2018)</span><span style="font-weight: 400"><i>, </i></span><span style="font-weight: 400">que levou o prêmio da Biblioteca Nacional, em 2019.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400">&#8220;Eu não penso em impactos. Eu faço uma linha.&#8221;</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400">Em sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.bpp.pr.gov.br/Candido/Pagina/Um-Escritor-na-Biblioteca-Elvira-Vigna#:~:text=Prefiro%20romances.%20N%C3%A3o,fa%C3%A7o%20uma%20linha.">prosa de fôlego</a></span><span style="font-weight: 400">, a autora abandona o romance convencional com um fluxo de escrita que, nesse livro, beira o que seria uma epopeia com ecos </span><span style="font-weight: 400"><i>beckettianos</i></span><span style="font-weight: 400">, negando uma temporalidade única de eventos. Com uma estrutura </span><span style="font-weight: 400">anárquica, em que os parágrafos são desmembrados em uma leitura crua e cheia de contrastes, o leitor vai se deparar, no primeiro momento, com algo que parece mais um amontoado de mantras, com frases desprovidas de pleno sentido e que flutuam nos blocos do texto. T</span><span style="font-weight: 400">udo em seu universo literário deve se misturar para uma compreensão de suas longas significações, que exigem um papel ativo de montagem de quem as lê. Não se esmiúça a Literatura de Vigna, só é possível entendê-la por suas totalidades.</span></p>
<p><figure id="attachment_28108" aria-describedby="caption-attachment-28108" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3-1.jpg" class="wp-image-28108" alt="a escritora Elvira Vigna olha, em um retrato em preto e branco, à câmera. Com os cabelos soltos, um pouco acima da altura dos ombros, ela usa um vestido preto de gola aberta." width="800" height="1146"><figcaption id="caption-attachment-28108" class="wp-caption-text">Nas histórias de Elvira Vigna, como afirmado pela própria, ‘‘(&#8230;) tudo é real. Eu não invento uma vírgula’’ [Foto: Renato Parada]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400">Nesse texto, essa é uma linha que tece inúmeros enfrentamentos que, em suas tramas, vão deixando espaços vazios, os quais justamente fazem a narradora construir essa estória. Nos ares do que se pensa ser o fim dos anos 80 e início da década de 90, ela, sem nome, é uma </span><span style="font-weight: 400"><i>designer</i></span><span style="font-weight: 400"> desempregada que se encontra, em um prédio de uma </span><span style="font-weight: 400"><a href="http://elvira.vigna.com.br/vigna-e-as-vaginas-alienigenas/#:~:text=Elvira%20Vigna%20(2011,neg%C3%B3cios%20da%20editora%3A">editora beirando a falência</a></span><span style="font-weight: 400">, com João, </span><span style="font-weight: 400">um ex-funcionário da Xerox </span><span style="font-weight: 400">responsável pela informatização dos sistemas da empresa. Nesses encontros, ele discorre, no que quase são confissões, atravessadas por diversas digressões, sobre seus encontros com prostitutas, enquanto, no silêncio, o qual sua ouvinte mais se fixa, lida com a separação de sua mulher, Lola. No entanto, o que move esse homem a contar essas histórias é um mistério.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Talvez, em primeiro lugar, o reconhecimento, na aparência da narradora, de uma falta de feminilidade que seria cúmplice de sua </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/acida-e-sulfurica/">masculinidade exibicionista</a></span><span style="font-weight: 400"> e de seu orgulho em contornar o que, no sexo com prostitutas, seria uma simples relação de trabalho, algo </span><span style="font-weight: 400"><i>significativo. </i></span><span style="font-weight: 400">Mas, na monotonia desses falatórios, a narradora, entediada, dá largada a um jogo de preencher as lacunas dessas histórias com as mais mirabolantes teorias que, nunca realmente expostas para João, são uma maneira silenciosa, compartilhada apenas com o leitor, de contestação e de, essencialmente, tirar o sarro. Nessa ironia, tudo que ela pretende é desmobilizá-lo enquanto sujeito que controla a narrativa desses encontros e desses mundos.</span></p>
<figure id="attachment_28109" aria-describedby="caption-attachment-28109" style="width: 583px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem4.jpg" class="size-full wp-image-28109" alt="um desenho em preto e branco, retratando uma pessoa, com uma toalha amarrada na cintura, olhando, pela janela, uma cidade, com seus prédios" width="583" height="838" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem4.jpg 583w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem4-557x800.jpg 557w" sizes="auto, (max-width: 583px) 85vw, 583px" /><figcaption id="caption-attachment-28109" class="wp-caption-text">A corporeidade, o estranho e o avesso atravessam a expressão de Vigna mesmo em seus desenhos, como nas ilustrações de Kafkianas (Foto: Elvira Vigna)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400">Lola, Mariana, Lurien. As outras personagens que a </span><span style="font-weight: 400"><i>designer</i></span><span style="font-weight: 400"> posiciona em seu entendimento logo são tiradas de uma planicidade para serem preenchidas de humanidade. Desde a desorganização da figura submissa de Lola até quando presencia o desmontar íntimo e brutal de Mariana, sua colega de quarto e trabalhadora do sexo, ela acessa toda a subjetividade negada pelo homem que tanto escuta. No exercício dessa história, no ressoar de </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.quatrocincoum.com.br/br/resenhas/literatura-em-lingua-francesa/a-solidao-da-escrita">Marguerite Duras</a></span><span style="font-weight: 400">, </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://elvira.vigna.com.br/suplemento-pernambuco-3/#:~:text=Seus%20personagens%20e,da%20mesma%20diretora).">Sofia Coppola</a></span><span style="font-weight: 400">, e </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.letras.mus.br/pj-harvey/17590/traducao.html">PJ Harvey</a></span><span style="font-weight: 400">, se desafia até mesmo a Literatura, na qual as prostitutas sempre ocuparam um imaginário exoticizado e atravessado por </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.instagram.com/p/CbYiO4FuLv5/?utm_source=ig_web_copy_link">olhares masculinos</a></span><span style="font-weight: 400"> acerca de suas trajetórias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Esse livro conta, na montagem de seu infindável palimpsesto, trajetórias de personagens sem rumo, distantes de suas casas, descendo e subindo </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.gazetasp.com.br/noticias/memoria-a-historia-da-augusta-uma-das-ruas-mais-famosas-de-sao-paulo/1091906/">ruas augustas</a></span><span style="font-weight: 400">. Homens cheios de si que, em suas idas aos bares e baladas, querem o escuro dos asfaltos e recebem as lufadas das luzes coloridas da cidade. Nas mãos em cinturas de mulheres que limitam seus movimentos, por segurança, encontram o poder de serem si mesmos, mesmo imaginando, naquele momento, serem outros.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Como se estivéssemos em palimpsesto de putas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/azQFN4LCqjM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400">Envoltos nos braços das trabalhadoras do sexo, João e seus amigos, mesmo que tentem esconder, estão desesperados. Nas trepadas, com seus </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://artebrasileiros.com.br/cultura/ira-de-vigna/">vergonhosos silêncios</a></span><span style="font-weight: 400">, falam muito mais do que nos relatos egocêntricos que tanto proclamam. No universo de </span><span style="font-weight: 400"><i>Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</i></span><span style="font-weight: 400">, que também é o mesmo que existe fora das duzentas e poucas páginas do livro, figuras como João querem transgressões. Anseiam pela chance de, em uma noite, conseguir ocupar outro mundo que não seja a pacata vida cotidiana que eles mesmos impõem, em seus falatórios sobre a tradição, à moral e, claro, os bons costumes.&nbsp;</span></p>
<p><span style="font-weight: 400">Toda essa caça pelo profano, pelo escuro, pela sarjeta, pelo seio que não é o de sua mãe e nem o de sua mulher, mas sim do corpo que carrega opressões de toda a História, é, no fim, uma busca pelo divino. Como dito em alto e bom tom, pela poeta </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/O-obsceno-sim-de-Hilda-Hilst">Hilda Hilst</a></span><span style="font-weight: 400">, </span><span style="font-weight: 400"><i>‘‘a natureza do obsceno é a vontade de converter’’</i></span><span style="font-weight: 400">. Nas voltas dessas empreitadas, esses homens querem seus espaços de segurança e moralidade, numa nostalgia da santidade suscitada por seus encontros. Tanto que, no fim, </span><span style="font-weight: 400"><i>“há algo de Jesus Cristo em toda prostituta”</i></span><span style="font-weight: 400">, como colocado pela escritora e ativista travesti </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://buzzfeed.com.br/post/dando-o-truque-pra-falar-de-sexo">Amara Moira</a></span><span style="font-weight: 400">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Hilda Hilst TV Cultura" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/5yeFhO4G2OQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400">Para a narradora é claro: esses homens não conhecem </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://s2.glbimg.com/HpnOaX3Qn1I-_cX0IqAN2ofkHXQ=/0x0:2250x1497/1008x0/smart/filters:strip_icc()/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_59edd422c0c84a879bd37670ae4f538a/internal_photos/bs/2018/9/e/gMGZXtQPGlWONZsHQZXA/000-19e36c.jpg">Courbet</a></span><span style="font-weight: 400">. </span><span style="font-weight: 400"><a href="https://www.pariscityvision.com/pt/paris/museus-de-paris/museu-de-orsay/origem-do-mundo">Não sabem as origens desses mundos</a></span><span style="font-weight: 400"> que tanto pensam dominar. Pois, em </span><span style="font-weight: 400"><i>Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, </i></span><span style="font-weight: 400">quem monta o mundo é o afago de uma puta. É a manutenção do lar por uma esposa. É a escuta rebelde, cheia de atrito, de uma jovem em um escritório quase abandonado em um prédio na Rua Marquês de Olinda, no Botafogo. Tudo que o patriarcado assume como seus feitos só existe pois essas mulheres, que, nessa discursividade masculina, são todas as mesmas, estão submetidas a uma compulsória escuta. Mas, em um ponto dessa narrativa, construído em um gigante </span><span style="font-weight: 400"><i>crescendo,</i></span><span style="font-weight: 400"> um som surdo toma os ouvidos. E as mulheres gritam. É onde a história termina. Mas não acaba.</span></p>
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		<title>Estante do Persona – Maio de 2022</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jun 2022 19:52:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>“a vida é crua, não, moço?” &#8211; Hilda Hilst Depois de um mês de Abril marcado pelas muitas reflexões que a vida, obra e morte de Lygia Fagundes Telles nos provocaram, o Clube do Livro do Persona sabia que o mês de Maio era de seguir adiante no processo de explorar os substantivos femininos expressos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/estante-do-persona-maio-de-2022/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Estante do Persona – Maio de 2022"</span></a></p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27805" aria-describedby="caption-attachment-27805" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27805" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/estante-wp.jpg" alt="" width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/estante-wp.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/estante-wp-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/estante-wp-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27805" class="wp-caption-text">Em maio, o Clube do Livro do Persona ferveu no Rio de Janeiro de Lola e João, o centro narrativo de Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, a última obra de Elvira Vigna publicada em vida (Foto: Reprodução/Arte: Nathália Mendes/Texto de Abertura: Raquel Dutra)</figcaption></figure>
<blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">“a vida é crua, não, moço?”</span></p>
</blockquote>
<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">&#8211; Hilda Hilst</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de um mês de Abril marcado pelas muitas reflexões que a vida, obra e morte de </span><a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos provocaram, o </span><b>Clube do Livro do Persona</b><span style="font-weight: 400;"> sabia que o mês de Maio era de seguir adiante no processo de explorar os substantivos femininos expressos na Literatura brasileira. E como a única regra continua sendo não fugir da complexidade natural que acompanha esse universo, a escolha da vez foi a última obra que Elvira Vigna publicou em vida: </span><i><span style="font-weight: 400;">Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-27788"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro de 2016 finalizou com louvor um aspecto da trajetória da também jornalista, ilustradora, crítica e artista plástica, que passou a existir em 1988 como escritora através de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sete anos e um dia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Nas seis obras sequentes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Coisas que os homens não entendem </span></i><span style="font-weight: 400;">(2002) e</span><i><span style="font-weight: 400;"> Deixei ele lá e vim</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006) destacam </span><a href="https://paiolliterario.com.br/elvira-vigna/"><span style="font-weight: 400;">a essência de Elvira Vigna</span></a><span style="font-weight: 400;">: com muita subjetividade, minimalismo, significação e teor político, ela cria uma Literatura experimental em contextos marginalizados para refletir sobre a experiência das mulheres na sociedade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A construção é justamente o que desenvolve </span><a href="https://livrada.com.br/2013/03/11/elvira-vigna-nada-a-dizer/"><i><span style="font-weight: 400;">Nada a dizer</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010), sua obra mais aclamada e vencedora do Prêmio da Academia Brasileira de Letras de Ficção. Apresentando uma história de adultério narrada pela mulher traída, Elvira Vigna questiona as relações afetivas no mundo atual, numa determinação que dialoga com a própria Dama da Literatura Brasileira e, mais diretamente, com a poesia visceral de sua amiga de vida, </span><a href="http://www.aescotilha.com.br/literatura/ponto-virgula/cartas-de-um-sedutor-hilda-hilst-resenha/"><span style="font-weight: 400;">Hilda Hilst</span></a><span style="font-weight: 400;">, e a vencedora do Prêmio Camões de 2021, </span><a href="https://twitter.com/personaunesp/status/1451639528716898306"><span style="font-weight: 400;">Paulina Chiziane</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, o terreno era preparado para o livro de 2016, que apesar de tudo não definiu o fim de Elvira Vigna. Da autora falecida em </span><a href="http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/07/1899964-morre-a-escritora-elvira-vigna-em-sao-paulo-aos-69-anos.shtml"><span style="font-weight: 400;">julho de 2017</span></a><span style="font-weight: 400;">, em decorrência de um carcinoma que debilitou a sua saúde durante os 5 anos anteriores, foi lançada a obra póstuma </span><a href="https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ActaSciLangCult/article/view/57089"><i><span style="font-weight: 400;">Kafkianas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2018), coletânea de contos muito bem apresentados pelo título. Mas antes de encerrar suas atividades em vida, ela intensificou sua voracidade em encarar a sociedade brasileira contemporânea pelas óticas de gênero.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</span></i><span style="font-weight: 400;"> leva a Literatura de Vigna de volta aos seus níveis compulsivamente radicais, já experimentados pelos seus leitores nas citadas obras anteriores. Fervendo em assimilações, assim como os personagens do livro borbulham no Rio de Janeiro que uma polida cultura brasileira não é </span><a href="https://valkirias.com.br/a-vida-e-a-obra-de-elvira-vigna/"><span style="font-weight: 400;">capaz de enxergar</span></a><span style="font-weight: 400;">, o nosso Clube do Livro se inspirou para mais uma edição do </span><b>Estante do Persona</b><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a conclusão é de que nada é como Elvira Vigna em ebulição com as suas próprias palavras.</span></p>
<h3>Livro do Mês</h3>
<figure id="attachment_27789" aria-describedby="caption-attachment-27789" style="width: 670px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27789 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-670x1024.jpg" alt="Capa do livro Como se estivéssemos em palimpsesto de putas, da autora Elvira Vigna. A capa é roxa e tem o nome da autora, Elvira Vigna, escrito em fonte preta no canto superior esquerdo. Ao centro da capa e alinhado à direita, lemos em branco o nome do livro, Como se estivéssemos em palimpsesto de putas. Na parte de baixo e centralizado em preto está o logo da editora Companhia das Letras." width="670" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-670x1024.jpg 670w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-523x800.jpg 523w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-768x1174.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-1005x1536.jpg 1005w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-1340x2048.jpg 1340w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1-1200x1834.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/elvira-1.jpg 1675w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27789" class="wp-caption-text">Elvira Vigna recebeu o Prêmio Jabuti duas vezes: um na categoria Livro Infantil, em 1980, e novamente em 2013, na categoria Ilustração (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Elvira Vigna &#8211; Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (216 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois estranhos se encontram num verão escaldante no Rio de Janeiro. É assim que Elvira Vigna dá partida ao último livro que escreveu e publicou enquanto ainda era viva. Na trama, a narradora se intriga pelas histórias de João, um sujeito diminuto que passou a existência completa entre lençóis, puteiros e quartos de hotel com prostitutas. Tudo isso enquanto sua esposa, Lola, aturava mentiras e explicações vazias. Ao longo das mais de duzentas páginas, que emocionalmente se quadruplicam, a escritora rasga as entranhas da condição humana, se deliciando com </span><a href="https://www.blogletras.com/2019/06/como-se-estivessemos-em-palimpsesto-de.html"><span style="font-weight: 400;">questões de moralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, amor, sexo e controle.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O palimpsesto, um papiro ou pergaminho cujo texto primitivo foi raspado, para dar lugar a outro, recebe em seu tratamento a metamorfose da história em sua completude. João escreve e reescreve sua jornada com as mulheres a quem pagou por sexo, sempre em uma busca faminta pelo papel de alfa da alcateia. Através de períodos curtos, indagações pontiagudas e o uso mais do que eficiente de repetições, </span><a href="https://artebrasileiros.com.br/cultura/ira-de-vigna/"><span style="font-weight: 400;">Elvira Vigna nos coloca todos dentro do palimpsesto</span></a><span style="font-weight: 400;">, tornando impossível a ação de nos mantermos em silêncio quando confrontados com tais temas, tal entrega e tal formatação. Sinestésica, a escrita é quente, fumegante, borbulhante, e ai de quem temer se queimar. </span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Como se estivéssemos em palimpsesto de putas - Clube do Livro Maio 2022" style="border-radius: 12px" width="100%" height="380" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/playlist/3tcPs0uaXuoaU3VIjs7WfY?si=13a1c8aa8a9e4c7f&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
<hr />
<h3>Dicas do Mês</h3>
<figure id="attachment_27790" aria-describedby="caption-attachment-27790" style="width: 714px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27790 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/it--714x1024.jpg" alt="Capa do livro It: A Coisa, do autor Stephen King. A capa tem fundo branco e mostra o desenho de um palhaço no topo, centralizado. O cabelo da figura é formado por duas manchas redondas que imitam sangue, enquanto seus olhos, sobrancelhas e nariz vermelhos são desenhados. Abaixo, lemos em preto “A Coisa”, e em vermelho “IT”. O nome do autor aparece em preto e letras grandes, STEPHEN KING. No canto inferior esquerdo, vemos em preto o logo da editora Suma. " width="714" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/it--714x1024.jpg 714w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/it--557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/it--768x1102.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/it-.jpg 800w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27790" class="wp-caption-text">Mergulhando no mais profano do terror, It: A Coisa foi traduzido por Regiane Winarski e ganhou uma adaptação cinematográfica dirigida por Andy Muschietti (Foto: Suma)</figcaption></figure>
<p><b>Stephen King &#8211; It: A Coisa (1104 páginas, Suma)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um palhaço sanguinário aterroriza uma pequena cidade no interior dos Estados Unidos desde que o mundo é mundo. Através de uma influência maléfica, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-it-a-coisa-de-stephen-king/"><span style="font-weight: 400;">Pennywise</span></a><span style="font-weight: 400;"> trucida crianças, adultos, idosos, sonhos e promessas. Isso é, até que um grupo de amigos, o Clube dos Perdedores, topa com a criatura. A partir da investida contra a fera nos anos 50, o grupo é marcado para sempre, compartilhando um trauma que psicólogo nenhum ajudará a curar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">27 anos depois de expurgarem o que achavam ser o vestígio final da Coisa, eles se reencontram. Um golpe derradeiro não é apenas necessário, mas vital e, através de </span><a href="https://personaunesp.com.br/it-capitulo-dois-critica/"><span style="font-weight: 400;">mais de mil e cem páginas</span></a><span style="font-weight: 400;">, o Mestre do Terror Stephen King nos detalha as minúcias de Derry, partindo dos tubos desgastados que filtram o esgoto até cada uma das personalidades que habitam o fatídico local. Extenso ao ponto de se tornar, estranhamente, uma leitura de conforto,</span><i><span style="font-weight: 400;"> It: A Coisa</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é apenas o maior livro do Rei, em adição ele também é o melhor. </span><b>&#8211; Vitor Evangelista</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27794" aria-describedby="caption-attachment-27794" style="width: 657px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27794 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-657x1024.png" alt="" width="657" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-657x1024.png 657w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-513x800.png 513w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-768x1198.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-985x1536.png 985w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-1313x2048.png 1313w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1-1200x1871.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/consumidos-1.png 1773w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27794" class="wp-caption-text">Com tradução de Cássio de Arantes Leite, o violento livro de David Cronenberg se inicia na tela de um computador e termina numa conversa no Skype (Foto: Alfaguara)</figcaption></figure>
<p><b>David Cronenberg &#8211; Consumidos (304 páginas, Alfaguara)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/david-cronenberg-diz-querer-cometer-mais-crimes-em-proximos-filmes-em-cannes.shtml"><span style="font-weight: 400;">David Cronenberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> não é exatamente pouco conhecido – muito pelo contrário. Na verdade, talvez possa causar certa estranheza ler o nome do renomado cineasta canadense na capa de um livro; mas, ao decorrer da leitura, </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-david-cronenberg-e-a-literatura/"><i><span style="font-weight: 400;">Consumidos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2014) se prova o melhor do universo do autor. Sua estreia como escritor – e, até o momento, seu único romance – traz muito do universo retratado em seus filmes, principalmente </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fUuMgD9Ej_M&amp;ab_channel=CinemasNOS"><i><span style="font-weight: 400;">Crash</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1996), adaptação do livro homônimo de J.G. Ballard, com quem Cronenberg divide muitas semelhanças estéticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No romance, Cronenberg narra a história de Naomi e Nathan, um casal de jornalistas que, buscando uma reportagem, acabam submersos em uma trama global envolvendo sexo e morte. Ela investiga o assassinato – seguido de um suposto ato de canibalismo – de uma filósofa; ele, vai à Budapeste fotografar um cirurgião que trabalha com um método pouco convencional de combate ao câncer. Trazendo ressonâncias à já citada obra de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535910803/crash"><span style="font-weight: 400;">Ballard</span></a><span style="font-weight: 400;">, os dois jornalistas mantêm uma fixação por tecnologia, pela competição e quaisquer experiências que os façam escapar do cotidiano. Aos poucos, se dão conta que os fios de suas histórias investigativas interligam-se, aguçando </span><i><span style="font-weight: 400;">Consumidos </span></i><span style="font-weight: 400;">em um maravilhoso cenário especulativo. </span><b>&#8211; Bruno Andrade</b></p>
<hr />
<figure id="attachment_27796" aria-describedby="caption-attachment-27796" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27796 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-681x1024.jpg" alt="Capa do livro A Relíquia, do autor Eça de Queirós. Na imagem, uma coroa de espinhos na cor preta estampa grande parte da arte de capa. Na parte superior, o nome da Editora Fora Do Ar em tinta preta, assim como o seu logo que leva o desenho em contorno de uma nave alienígena abduzindo um ser humano. Na parte inferior, o nome do autor Eça de Queirós e o título da obra A Relíquia, ambos em tinta preta." width="681" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-681x1024.jpg 681w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-532x800.jpg 532w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-768x1155.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-1021x1536.jpg 1021w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-1362x2048.jpg 1362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1-1200x1805.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/A-Reliquia-1-1.jpg 1518w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27796" class="wp-caption-text">A Relíquia é um romance realista fantástico publicado em 1887 (Foto: Fora do Ar)</figcaption></figure>
<p><b>Eça de Queirós &#8211; A Relíquia (344 páginas, Fora do Ar)</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">&#8220;Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia&#8221;</span></i><span style="font-weight: 400;">, a epígrafe de </span><a href="https://domtotal.com/noticia/1485142/2020/11/no-aniversario-de-175-anos-de-eca-de-queiroz-relembre-os-maiores-classicos-do-autor/"><i><span style="font-weight: 400;">A Relíquia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, livro clássico do escritor português </span><a href="https://setemargens.com/eca-de-queiros-1845-1900/"><span style="font-weight: 400;">Eça de Queirós</span></a><span style="font-weight: 400;">, representa com perfeição o cruzamento entre o real e o imaginário que se estende durante a narrativa da obra. Dono de uma sensibilidade singular, Queirós consegue transitar com fluidez pelo concreto e pelo fantasioso. Assim, os devaneios complementam perfeitamente os momentos brutais da trama, sem deixar espaço para uma leitura confusa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Teodorico Raposo, mais conhecido como Raposão, é o protagonista e o narrador de seu livro de memórias, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Relíquia</span></i><span style="font-weight: 400;">. Malicioso e dissimulado em seus escritos, ele conta para o leitor sobre a difícil empreitada de enganar a sua tia beata, Dona Maria do Patrocínio, e, desse modo, poder desfrutar de suas aventuras amorosas, além de se consagrar como herdeiro universal da fortuna de Titi. Dividido em duas personas distintas: um sobrinho religioso e um conquistador nato de mulheres; a obra de Eça de Queirós é tão interessante quanto sarcástica em relação ao </span><a href="https://www.dn.pt/cultura/1871-o-ano-em-que-eca-de-queiros-se-tornou-um-caso-serio-14203680.html"><span style="font-weight: 400;">contexto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em que foi publicada. </span><b>&#8211; Nathalia Tetzner</b></p>
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<figure id="attachment_27797" aria-describedby="caption-attachment-27797" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27797 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Um artista do mundo flutuante. Na imagem aparece um fundo azul com pequenos desenhos em preto, que representam uma paisagem com pequenos montes, um lago e uma ponte. Em laranja, na ponte há um homem que observa o horizonte e no céu nove lanternas japonesas flutuam e refletem sua luz na água. Grafados na cor branca, aparecem o nome do autor na porção superior, e o nome do livro na parte inferior. Por fim, o logo da editora está estampado em preto após o título da obra." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Um-artista-do-mundo-flutuante-1.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27797" class="wp-caption-text">Entre altivez e culpa, Um artista do mundo flutuante reconstrói um Japão pós-guerra com palavras cativantes (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><strong>Kazuo Ishiguro &#8211; Um artista do mundo flutuante (232 páginas, Companhia das Letras)</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito pelo ganhador do </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/kazuo-ishiguro-ganha-o-premio-nobel-de-literatura-2017.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Nobel de Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> de 2017, Kazuo Ishiguro, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um artista do mundo flutuante </span></i><span style="font-weight: 400;">é um romance traduzido no Brasil por José Rubens Siqueira. No livro, somos apresentados a vida e incertezas do narrador e protagonista, Masuji Ono. Após a Segunda Guerra Mundial, Masuji está aposentado e é um artista de grande renome na região. Preso a uma mentalidade um tanto tradicionalista, o pintor se choca com os pensamentos das filhas e pessoas da nova geração depois da perturbada abertura do Oriente ao mundo ocidental. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do texto, Ono viaja entre suas memórias e reflete sobre os caminhos que o levaram a ser artista, trazendo à tona a ideia do “mundo flutuante” em que os bares e a vida farrista aconteciam. Esse universo da noite e o professor que o ensinou sobre ele, fazem parte do início do protagonista como pintor, entretanto, adquirir um estilo próprio e ideais </span><a href="https://stringfixer.com/pt/Japanese_propaganda_during_World_War_II"><span style="font-weight: 400;">políticos</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a arte mudam sua maneira de agir e geram consequências refletidas no presente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na obra de </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/07/cultura/1512672547_398506.html"><span style="font-weight: 400;">Kazuo</span></a><span style="font-weight: 400;">, as recordações são usadas como forma de resistir às mudanças, mas também são responsáveis por reconstruir o país antes das ruínas, assim como, ilustrar a influência estadunidense no comportamento dos japoneses. </span><i><span style="font-weight: 400;">Um artista do mundo flutuante </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma leitura fluida e rica em detalhes, sua narrativa comove e encanta com delicadeza. </span><b>&#8211; Jamily Rigonatto</b></p>
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<figure id="attachment_27798" aria-describedby="caption-attachment-27798" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27798 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-683x1024.jpg" alt="capa do livro Garota, mulher, outras, de Bernadine Evaristo. A imagem da capa é uma ilustração realista de uma mulher negra, de cabelos curtos, vestindo uma blusa gola alta acinzentada e estampada, em um fundo esverdeado de folhagens. No canto superior esquerdo está o logo da editora Companhia das Letras. Deslocado mais para a direita, encontra-se o título do livro e, abaixo, ao centro, um comentário do jornal The Sunday Times." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/outras.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27798" class="wp-caption-text">A partir de uma escrita que explora as fronteiras líricas entre diferentes gêneros literários, Garota, mulher, outras é um retrato polifônico da negritude diaspórica na Inglaterra (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Bernardine Evaristo &#8211; Garota, mulher, outras</b><b> (</b><b>496 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Construído em uma estrutura que se assemelha, tanto na forma de quebra dos parágrafos e frases quanto no modo narrativo, a um </span><i><span style="font-weight: 400;">poemance, </span></i><span style="font-weight: 400;">ou seja, uma mistura da forma poemática com o romance, o livro </span><a href="https://www.theguardian.com/books/2019/oct/15/booker-winners-bernardine-evaristo-margaret-atwood-rule-breaking"><span style="font-weight: 400;">da vencedora do </span><i><span style="font-weight: 400;">Booker Prize</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> Bernardine Evaristo não conseguiria usar tradicionais estruturas para contar as histórias de suas personagens que, pensando no modelo clássico e europeu de um livro, nunca estiveram impressas de modo tão íntimo e verdadeiro, sendo, na realidade, sempre projetadas a uma </span><a href="https://blogdaboitempo.com.br/2016/04/07/categoria-do-outro-o-olhar-de-beauvoir-e-grada-kilomba-sobre-ser-mulher/"><span style="font-weight: 400;">categoria do “Outro”</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde os caminhos no processo diaspórico para a Inglaterra, vindas de países como Gana e Nigéria, até no pensar da juventude acerca de gênero e sexualidade, em um cenário socialmente barulhento – Londres em meio às negociações do </span><i><span style="font-weight: 400;">Brexit</span></i><span style="font-weight: 400;"> – a narrativa de <a href="https://www.companhiadasletras.com.br/livro/9788535933819/garota-mulher-outras"><em>Garota, mulher, outras</em></a> consegue enclausurar, em seu processo puramente polifônico, o passado, o presente e o futuro das subjetividades retratadas sem necessariamente delimitá-las a cada tempo, mas sim criando novas noções de identidade que transpassam tais noções, unidas nessa busca, constante no livro, pela ancestralidade. Trazendo a realidade de mulheres e pessoas divergentes de gênero e sexualidade para suas páginas, Evaristo inaugura novos imaginários e possibilidades na estrutura do romance. &#8211; </span><b>Enzo Caramori</b></p>
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<figure id="attachment_27799" aria-describedby="caption-attachment-27799" style="width: 712px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27799 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-712x1024.jpg" alt="Capa do livro Daisy Jones &amp; The Six. No centro, está escrito o título do livro em letras garrafais brancas. Do lado esquerdo inferior, está escrito &quot;Uma história de amor e música&quot; em letra branca pequena. A imagem de fundo é o rosto de uma mulher, com tons rosa, azul, amarelo e vermelho. No centro inferior, está o nome de Taylor Jenkins Reid em letras brancas. No centro superior, está escrito &quot;Devorei o livro em um dia e me apaixonei por Daisy e pela banda&quot; em letras brancas e &quot;Reese Whiterspoon&quot; em letras rosa." width="712" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-712x1024.jpg 712w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-557x800.jpg 557w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-768x1104.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-1069x1536.jpg 1069w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-1425x2048.jpg 1425w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones-1200x1725.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/daisyjones.jpg 1781w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27799" class="wp-caption-text">A série sobre Daisy Jones &amp; The Six será protagonizada por Sam Claflin e Riley Keough, que é neta de Elvis e Priscilla Presley (Foto: Paralela)</figcaption></figure>
<p><b>Taylor Jenkins Reid &#8211; Daisy Jones &amp; The Six (360 páginas, Paralela)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como se a euforia pelos anos 70 já não fosse suficiente no imaginário popular, a autora Taylor Jenkins Reid decidiu materializá-la nas páginas de seu próprio livro. </span><a href="https://personaunesp.com.br/daisy-jones-and-the-six-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Daisy Jones &amp; The Six</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> revive um dos períodos mais efervescentes para a música, especialmente na cidade de Los Angeles, a partir da história da banda que dá nome à obra. O único detalhe, que já é marca registrada da escritora, é que eles nunca existiram na realidade. Por meio de uma narrativa que facilmente se confundiria com o roteiro de um documentário, somos conduzidos às memórias dos integrantes do grupo musical, que relatam os primórdios de suas aventuras durante uma entrevista. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Da mesma mente que nos trouxe a notável </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-sete-maridos-de-evelyn-hugo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Evelyn Hugo</span></a><span style="font-weight: 400;">, Taylor Jenkins Reid agora volta os holofotes para Daisy Jones, cantora em ascensão da época, que teve seu caminho cruzado com a banda The Six, e, assim, iniciaram sua carreira de sucesso. Juntos, Daisy, Billy, Graham, Karen, Warren, Pete e Eddie mergulham nas psicodelias que viveram no auge dos anos 70, em meio a muito amor, drogas e </span><i><span style="font-weight: 400;">rock ’n’ roll</span></i><span style="font-weight: 400;">. Hipnotizante até o último segundo, a única frustração que <em>Daisy Jones &amp; The Six</em> traz é o fato de podermos apenas imaginar como seriam as músicas da banda. Mas, não por muito tempo, já que o livro conquistou os olhares de Reese Whiterspoon, o que rendeu a produção de uma série em 12 episódios para o </span><i><span style="font-weight: 400;">Amazon Prime Video</span></i><span style="font-weight: 400;">, com as </span><a href="https://cinepop.com.br/daisy-jones-and-the-six-terminam-as-gravacoes-da-nova-serie-estrelada-por-riley-keough-344007/"><span style="font-weight: 400;">gravações já encerradas</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span><b>&#8211; Vitória Silva</b></p>
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<figure id="attachment_27800" aria-describedby="caption-attachment-27800" style="width: 683px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27800 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-683x1024.jpg" alt="Capa do livro Terras do Sem-Fim. Ao centro, e ao fundo, vê-se um homem guiando um carro de bois. Um pouco abaixo vê-se o reflexo desse homem no rio. Ao lados há árvores e pastagem. Ao centro lê-se em branco “JORGE AMADO” acima do D, lê-se na vertical e em amarelo “TERRAS DO SEM-FIM”. No canto inferior esquerdo está a logo da Companhia das Letras. A capa é inteiramente na cor marrom esverdeado." width="683" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-683x1024.jpg 683w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-768x1152.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-1024x1536.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-1366x2048.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL-1200x1799.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/91HXPQo6MDL.jpg 1654w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27800" class="wp-caption-text">A terra adubada com sangue (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Jorge Amado &#8211; Terras do Sem-Fim (280 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Escrito por Jorge Amado durante seu exílio na Argentina, </span><i><span style="font-weight: 400;">Terras do Sem-Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> vasculha as consequências que a exploração do cacau trouxe para a região de Ilhéus, no sul da Bahia. A trama sobre jagunços traz a história de disputa de terras por duas grandes famílias. Junto com </span><i><span style="font-weight: 400;">Cacau</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">São Jorge dos Ilhéus</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">Gabriela, cravo e canela</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Tocaia Grande</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Terras do Sem-Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> compõe a fase de </span><a href="https://www.companhiadasletras.com.br/autor.php?codigo=02516"><span style="font-weight: 400;">livros amadianos</span></a><span style="font-weight: 400;"> dedicados à rica e sangrenta história da região cacaueira da Bahia. Essa obra trabalha memórias da infância do próprio autor, ao mesmo tempo em que denuncia a violência e a exploração que marcaram o período. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um clássico na Literatura nacional, </span><i><span style="font-weight: 400;">Terras do Sem-Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> mantém a fluidez das obras de Jorge Amado, fazendo com que a leitura de cada página seja um deleite e um exercício do estudo da História. A habilidade do escritor em apresentar cenários e personagens permite que o enredo tenha um desenvolvimento excepcional ao mesclar dois pontos de vista. A violência é marcante, mas necessária: </span><a href="https://memoriaglobo.globo.com/entretenimento/novelas/terras-do-sem-fim/"><i><span style="font-weight: 400;">Terras do Sem-Fim</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é feito para agradar</span></a><span style="font-weight: 400;">, e sim para expor a guerra política que torna o local sujo e manchado a sangue pelas injustiças sociais e disputas de terra. Os personagens marcantes ditam o ritmo crescente da narrativa, marcando o livro na biografia de Amado. </span><b>&#8211; Ana Júlia Trevisan</b></p>
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<figure id="attachment_27823" aria-describedby="caption-attachment-27823" style="width: 676px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27823 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-676x1024.jpg" alt="Capa do livro Parque Industrial, de Pagu. A imagem é uma ilustração chapada de uma indústria e usa apenas a cor preta, sob um fundo azul celeste. No canto superior direito, está escrito o nome da autora em letra de forma. Na lateral esquerda do livro, se estendendo para a linha inferior, está escrito o título, na mesma estilização." width="676" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-676x1024.jpg 676w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-528x800.jpg 528w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-768x1163.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-1014x1536.jpg 1014w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-1352x2048.jpg 1352w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL-1200x1817.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/61RDLeRGfTL.jpg 1466w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27823" class="wp-caption-text">Aos 100 anos do Modernismo no Brasil, a principal obra de um dos principais nomes do período retornou às livrarias em nova edição publicada pela Companhia das Letras (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pagu &#8211; Parque Industrial (111 páginas, Companhia das Letras)</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem tomou a linguagem contemporânea de Elvira Vigna como um dos aspectos mais fortes de sua obra, é inevitável reconhecer seu diálogo com a sinceridade visceral de Pagu. Separadas por mais de 80 anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Como se estivéssemos em palimpsesto de putas</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i><span style="font-weight: 400;"> se convergem no objetivo de relatar as dinâmicas das relações vivenciadas por mulheres, em contextos marginalizados e marcados pela violência em suas mais diversas formas. Mas ao contrário do fervor naturalista do Rio de Janeiro dos anos 2010, o primeiro livro de Patrícia Galvão está na mecânica industrial da São Paulo da década de 30, se concretizando como o primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">romance proletário</span></i><span style="font-weight: 400;"> brasileiro e manifestando a ânsia de revolução cultural da </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-mulheres-da-semana-de-22-artigo/"><span style="font-weight: 400;">modernista</span></a><span style="font-weight: 400;"> por trás do pseudônimo de Mara Lobo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto realiza nada menos do que os desejos de Pagu, o livro atinge bem mais do que suas ambições aos apenas 22 anos de idade. Como um </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/parque-industrial-pagu/"><span style="font-weight: 400;">marco absoluto</span></a><span style="font-weight: 400;"> na Literatura brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Parque Industrial</span></i><span style="font-weight: 400;"> retrata a industrialização que definiu o século XX no país, iniciada na capital paulista repleta de promessas, e desenvolvida irregularmente pelo resto do território nacional com muitas consequências &#8211; principalmente para quem sempre ocupa o centro e margem da sociedade: as mulheres. Assim, a autora &#8211; e seus personagens &#8211; não tem tempo para meias palavras nem caprichos estéticos, atribuindo à sua obra um caráter urgente, que captura recortes das vidas fragmentadas pelas máquinas capitalistas, e que, 90 anos depois de sua primeira publicação, diz tanto sobre </span><a href="https://personaunesp.com.br/1922-2022-o-que-e-ser-moderno-no-brasil-artigo/"><span style="font-weight: 400;">o Brasil de hoje</span></a><span style="font-weight: 400;"> quanto suas conterrâneas contemporâneas. </span><b>&#8211; Raquel Dutra</b></p>
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