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	<title>Arquivos Editora Penalux &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Entre o vírus e o verme, morre aos poucos um país</title>
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		<pubDate>Wed, 04 Aug 2021 20:04:37 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário Um Brasil à deriva, sem controle sobre a pandemia de covid-19 e diariamente deturpado pelo desgoverno de Jair Bolsonaro: esse é o cenário que ambienta o novo livro de André Plez. Lançado em 2021 pela Editora Penalux, Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas expõe, já na capa, aqueles que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/entre-o-virus-e-o-verme-se-esgueiram-poemas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Entre o vírus e o verme, morre aos poucos um país"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_21869" aria-describedby="caption-attachment-21869" style="width: 1080px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-21869" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-1-3.jpg" alt="Capa do livro Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas. Fotografia quadrada. Ao fundo, uma parede de tijolos expostos, de cor cinza, apoia o livro. Na parte superior da capa, pode-se ler “Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas” em letras tortas, de cor verde claro, com exceção de “vírus” e “verme”, grafados em branco. No centro da capa, sobre um fundo verde escuro, há um losango verde claro com a imagem do novo coronavírus, fazendo alusão à bandeira do Brasil. No canto inferior esquerdo da capa, lê-se “André Plez” em letras brancas. Sob o livro, há um apoio de madeira. " width="1080" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-1-3.jpg 1080w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-1-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-1-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-1-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-1-3-768x768.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21869" class="wp-caption-text">Novo livro de André Plez, Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas aborda temas urgentes com uma lírica que se assume engajada (Foto: Editora Penalux)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um Brasil à deriva, sem controle sobre a pandemia de covid-19 e </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/expresso/2021/07/02/Do-negacionismo-%C3%A0-corrup%C3%A7%C3%A3o-o-que-move-a-indigna%C3%A7%C3%A3o-nacional"><span style="font-weight: 400;">diariamente deturpado pelo desgoverno de Jair Bolsonaro</span></a><span style="font-weight: 400;">: esse é o cenário que ambienta o novo livro de André Plez. Lançado em 2021 pela Editora Penalux, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iEzcBsRGT1s"><i><span style="font-weight: 400;">Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> expõe, já na capa, aqueles que serão dois verdadeiros inimigos do país. É justamente nesse primeiro contato imagético que nos deparamos com uma bandeira nacional sem o clássico céu estrelado, coberto pelo tenebroso novo coronavírus, enquanto vestígios de vermes, metáfora para o abominável Presidente da República, emergem do fundo esverdeado de nosso maior símbolo pátrio.</span></p>
<p><span id="more-21868"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de adentrar os textos, o leitor deve ter consciência de que está diante de uma lírica declaradamente engajada. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Versos em fúria”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como classifica o poeta Marcio Dal Rio no prefácio da obra, não há isenção nessa literatura que denuncia e cutuca nossas feridas mais recentes. Desde </span><i><span style="font-weight: 400;">entre sombras e sóis</span></i><span style="font-weight: 400;">, poema que abre o livro, fixa-se na memória a imagem de um país decadente. </span><i><span style="font-weight: 400;">“Pobre de nós &#8211; os que sonham”</span></i><span style="font-weight: 400;">, lamenta um verso: será preciso conhecer a fundo o momento presente para então </span><i><span style="font-weight: 400;">“resgatar nossa consciência crítica para suportar e combater a opressão que nos cerca”</span></i><span style="font-weight: 400;">, dever defendido por Plez à </span><a href="https://www.recantodasletras.com.br/entrevistas/7285607"><span style="font-weight: 400;">Revista Literária da Lusofonia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se uma das funções da arte é, hoje, a militância, as criações que a assumem ou se destacam pela preocupação estética, ou correm o risco de cair em discursos vazios. No caso da poesia de André Plez, o lapidar cauteloso do texto é nítido. Seja pela estrofe única, sem espaçamento entre palavras, de </span><i><span style="font-weight: 400;">#ELESIM</span></i><span style="font-weight: 400;">, estrutura que explicita que </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KczwxvO3-iE"><span style="font-weight: 400;">os preconceitos de Bolsonaro eram frequentes e óbvios</span></a><span style="font-weight: 400;">, ou pelos flertes com o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iTcrYWFM1_w"><span style="font-weight: 400;">concretismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de alguns poemas sem título, o autor não deixa aspectos formais a desejar. Mesmo em versos livres, tal qual os de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=gnFM8cdJjpk"><i><span style="font-weight: 400;">aspas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, elementos como o diálogo entre gramática e literatura confirmam um poeta consciente do que e de como escreve.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“as aspas sangram</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">como se torturadas fossem</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">em uma cruz pós-calvário</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">que ostenta o nome do salvador</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">para celebrar a tortura”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Preocupado com as atualidades, seria injusto dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas</span></i><span style="font-weight: 400;"> ignora o passado, principalmente os períodos mais recentes. Nos versos de </span><i><span style="font-weight: 400;">2016</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, a indignação com </span><i><span style="font-weight: 400;">“o golpe”</span></i><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">“pariu um golpe maior que o golpe”</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz clara alusão a tudo que Dilma Rousseff, </span><a href="http://personaunesp.com.br/alvorada-critica/"><span style="font-weight: 400;">então presidenta do país</span></a><span style="font-weight: 400;">, enfrentou naquele ano. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">o nove dedos</span></i><span style="font-weight: 400;">, o poeta redime o ex-presidente Lula das </span><a href="https://www.conjur.com.br/2021-jun-21/restam-lula-tres-acoes-tramitacao-justica-federal"><span style="font-weight: 400;">acusações de corrupção que vem sofrendo nos últimos tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa maneira, há em todo o livro a sensação de que os noticiários de ontem e hoje foram poetizados, sempre sob a ótica de posicionamentos críticos, progressistas e transparentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de toda dor, sofrimento e náusea que rondam a obra, a ironia e o humor também encontram, em algumas páginas, espaço como ferramenta de luta. Melhor ilustração disso é o poema </span><i><span style="font-weight: 400;">diálogo sensato</span></i><span style="font-weight: 400;">, que simula uma conversa entre um emissor com noções básicas de ciência, referindo-se à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ambANBIHjCI"><span style="font-weight: 400;">seleção natural de Charles Darwin</span></a><span style="font-weight: 400;">, e um receptor que só entende de</span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><a href="https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/terra-da-gente/noticia/apelido-da-selecao-brasileira-veio-de-ave-de-canto-melodico-e-porte-elegante.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">seleção canarinho</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">. No fim da prosa, o emissor prefere não corrigir o receptor, pois sabe que não o convencerá de algo importante, como tomar vacina. Ele apenas deixa a teoria de Darwin se desenvolver na prática.</span></p>
<figure id="attachment_21870" aria-describedby="caption-attachment-21870" style="width: 840px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-21870 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-4-1016x1024.jpg" alt="Fotografia quadrada, em preto e branco, do escritor André Plez. Ele ocupa quase toda a foto, principalmente o centro e o canto inferior esquerdo. André é um homem branco, de cabelos longos e barba. Ele olha para a câmera com seriedade. Ao fundo, há uma parede onde vemos parte de um retrato de uma menina. " width="840" height="847" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-4-1016x1024.jpg 1016w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-4-794x800.jpg 794w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-4-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-4-768x774.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-4-1525x1536.jpg 1525w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-4-1200x1209.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/07/Imagem-2-4.jpg 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-21870" class="wp-caption-text">Sempre atento ao conteúdo e aos aspectos formais do texto, André Plez é eclético ao juntar versos livres, soneto, poemas de inspiração concreta e outros tipos de escrita em um mesmo livro (Foto: André Plez)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, há momentos no livro em que nos deparamos com episódios que seriam cômicos, quer não fossem trágicos e, até certo ponto, reais. É o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">releitura de Renoir</span></i><span style="font-weight: 400;">, texto que dialoga com o quadro </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/perseguicao-nazista-e-monotonia-quem-sao-meninas-na-tela-rosa-e-azul.phtml"><i><span style="font-weight: 400;">Rosa e azul &#8211; As meninas Cahen d&#8217;Anvers</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do pintor francês Pierre-Auguste Renoir. Nos versos, as principais figuras dessa obra de arte aparecem com vestidos cor-de-rosa, sem espaço para roupas femininas azuis, numa espécie de aceitação das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XneG8mC5CGo"><span style="font-weight: 400;">normas de gênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a ministra da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, Damares Alves, sonhava em impor aos brasileiros em 2019. Diante desse horror, versa o poeta: </span><i><span style="font-weight: 400;">“assim persiste a nova tela/(que exala podridão)/pintada toda de rosa”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode-se imaginar que, diante de um cenário tão caótico, com uma </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/especial/2021/03/10/Pol%C3%ADtica-mortal-o-Brasil-em-afli%C3%A7%C3%A3o-ap%C3%B3s-um-ano-de-pandemia"><span style="font-weight: 400;">nação aflita e desiludida</span></a><span style="font-weight: 400;">, nem mesmo o eu-lírico sai intacto do que registra. Na verdade, pouco a pouco, ele morre. Esmaga-se </span><i><span style="font-weight: 400;">“ante as trevas/de infecundas e malditas palavras/que deve ouvir e relatar e gravar e poetar”</span></i><span style="font-weight: 400;">, como confessa um dos textos sem título, de influência concreta. </span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">Identificados com o desgosto daquele que tudo narra, sofremos um pouco da mesma morte lenta no respiro de cada página virada. Algumas vezes, até criamos nossas próprias obras a partir daquilo que foi escrito. Prova disso são as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Qwkfpi2PJr4"><span style="font-weight: 400;">releituras audiovisuais de trechos do livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> desenvolvidas pelo grupo mocoquense de Cinema e Teatro TPM&amp;Cinema, conterrâneo de André Plez, em um diálogo inevitável entre diferentes expressões artísticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De maneira geral,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Entre o vírus e o verme se esgueiram poemas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um livro de pouca esperança. No entanto, seria um erro afirmar que esse sentimento é totalmente desprezado pelo autor. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">aos idólatras, uma rosa!</span></i><span style="font-weight: 400;">, primeiro sinal mais sólido de que bons tempos um dia retornarão, o poeta faz referência explícita a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=BerOSwF-l20"><span style="font-weight: 400;">Carlos Drummond de Andrade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Isso porque, quando a </span><i><span style="font-weight: 400;">“rosa drummondiana irrompe o asfalto”</span></i><span style="font-weight: 400;">, temos certeza de que</span><i><span style="font-weight: 400;"> “um dia/brindaremos/nossa face/ilesa”</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><a href="https://www.literaturaefechadura.com.br/2021/04/17/o-entre-o-virus-e-o-verme-se-esgueiram-poemas-e-um-retrato-do-pais-do-deus-acima-de-todos-por-marcelo-frota/"><span style="font-weight: 400;">Não sem cicatrizes</span></a><span style="font-weight: 400;">, como também indica esse poema. Ou como lucidamente lembra o penúltimo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marcas</span></i><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“o poema carrega/uma cicatriz/de quem diz”</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; traduzindo uma realidade da obra inteira. Como lição, aprendemos que é preciso enxergar antes de tudo o caos, para que possamos no mínimo desejar mudanças e, assim, alimentar qualquer espírito esperançoso.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“um dia, afinal,</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">seremos nós de novo</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">porém</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">intubados”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem lê esse livro na efervescência dos acontecimentos nacionais certamente não chegará a um fim delimitado. Continuará lendo ou dando espiadas em várias páginas, na tentativa de absorver aos poucos conteúdos densos, de numerosas nuances. Urgente, porque é uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ljP0SJOJMtk"><span style="font-weight: 400;">resposta à barbárie</span></a><span style="font-weight: 400;"> a que assistimos, essa obra afasta toda zona de conforto possível e provoca-nos o </span><i><span style="font-weight: 400;">“nó na garganta”</span></i><span style="font-weight: 400;"> anunciado no poema </span><i><span style="font-weight: 400;">máscara</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode ser que não se torne um clássico, já que a arte enviesada nem sempre é amplamente aceita e compreendida. Pode ser que também seja alertado pelo público por usar, de maneira pejorativa, termos como</span><i><span style="font-weight: 400;"> “demência”</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://jornalismorio.espm.br/destaque/os-impactos-dos-termos-capacitistas/"><span style="font-weight: 400;">vício de linguagem cada vez mais apontado como capacitista</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas uma coisa é certa: estamos diante de um belo e caprichoso documento histórico, que capta muito bem, com exatidão e crítica, o momento que atravessamos hoje.         </span></p>
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