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	<title>Arquivos Édipo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Funeral das Rosas: siga por sua conta e risco!</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jun 2022 15:33:02 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Rafael Gonçalo Quando, em meados da década de 1950, a produtora de Cinema japonesa Shochiku (fundada em 1895) reuniu seus jovens diretores e roteiristas, como Nagisa Oshima (O Império dos Sentidos), Yoshishige Yoshida (Eros + Massacre) e Masahiro Shinoda (Duplo Suicídio em Amijima), e deu-lhes a missão de reavivar o interesse do público nos filmes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-funeral-das-rosas-filme-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Funeral das Rosas: siga por sua conta e risco!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27990" aria-describedby="caption-attachment-27990" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27990" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.32.56.jpeg" alt="" width="800" height="579" /><figcaption id="caption-attachment-27990" class="wp-caption-text">Com provocações cômicas, trágicas e surreais, O Funeral das Rosas não é fácil de digerir ou explicar &#8211; e essa é a sua maior qualidade (Foto: Art Theatre Guild)</figcaption></figure>
<p><b>Rafael Gonçalo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando, em meados da década de 1950, a produtora de Cinema japonesa </span><i><span style="font-weight: 400;">Shochiku</span></i><span style="font-weight: 400;"> (fundada em 1895) reuniu seus jovens diretores e roteiristas, como Nagisa Oshima (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Império dos Sentidos</span></i><span style="font-weight: 400;">), Yoshishige Yoshida (</span><i><span style="font-weight: 400;">Eros + Massacre</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Masahiro Shinoda (</span><i><span style="font-weight: 400;">Duplo Suicídio em Amijima</span></i><span style="font-weight: 400;">), e deu-lhes a missão de reavivar o interesse do público nos filmes da empresa, mal poderia imaginar que a sua empreitada comercial abriria uma caixa de Pandora. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague </span></i><span style="font-weight: 400;">Japonesa (ou </span><a href="https://www.queridocinefilo.com/post/nuberu-bagu"><i><span style="font-weight: 400;">Nūberu bāgu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">)</span> <span style="font-weight: 400;">foi um movimento orgânico de cineastas dentro e fora do sistema de estúdios, entre os anos 50 e 70. E de europeu só teve o nome mesmo.</span></p>
<p><span id="more-27988"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como viria a dizer o cineasta Susumu Hani (</span><i><span style="font-weight: 400;">Afurika Monogatari</span></i><span style="font-weight: 400;">), em entrevista à escritora Lúcia Nagib para seu livro Em Torno da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague</span></i><span style="font-weight: 400;"> Japonesa, as influências ocidentais foram “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma boa dinamite</span></i><span style="font-weight: 400;">” para as convenções sociais e artísticas vigentes no Japão da época. Surfando na mesma onda estava também o diretor Toshio Matsumoto, com seu longa de estreia</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q3XhYY9Ll0k"> <i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1969)</span></a><span style="font-weight: 400;">, título relativamente obscuro, que apenas recentemente foi restaurado e pôde ser apreciado em mais telas. É ele que nos traz aqui hoje. </span></p>
<figure id="attachment_27991" aria-describedby="caption-attachment-27991" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27991" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.47.jpeg" alt="Foto do diretor Toshio Matsumoto. Homem japonês de cabelos em corte chanel e óculos estilo aviador. Veste casaco verde escuro. Olha para a frente segurando uma câmera fotográfica modelo polaroid cobrindo totalmente seu olho esquerdo. Em segundo plano há uma parede de tijolos vermelhos. Em terceiro plano uma floresta." width="800" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-27991" class="wp-caption-text">Da graciosa cabeça de Toshio Matsumoto nasceu o roteiro de O Funeral das Rosas (Foto: Postwar Japan Moving Image Archive)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos primeiros minutos da produção, somos levados a pensar que estamos diante de um clássico: fotografia em preto e branco, rostos impecáveis, um clima melodramático iminente… Até que vem o primeiro atropelo. Esse não é um filme comum. Poderíamos, então, tentar dissecá-lo em pelo menos quatro camadas, unidas por uma peça fundamental: Eddie (Eddie… </span><a href="https://www.culturagenial.com/edipo-rei/"><span style="font-weight: 400;">Édipo</span></a><span style="font-weight: 400;">… Soa familiar?). O personagem é interpretado por Shinnosuke “Pîtâ” Ikehata, que talvez você se lembre como o bobo da corte de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ran</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1985), do também diretor japonês Akira Kurosawa. Despretensiosamente, o ator entrega uma atuação tão fluida quanto a sua própria identidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vamos às camadas. A primeira e mais evidente é o melodrama: o jogo de intriga entre Eddie, a “</span><i><span style="font-weight: 400;">mama-san</span></i><span style="font-weight: 400;">” Leda (Osamu Ogasawara) e o amante de ambas, Jimi (Yoshiji Jo), o único ator profissional do elenco que não deixa nada a desejar aos noveleiros (o autor deste texto incluso). Como descobriremos mais tarde, a relação da protagonista com sua mãe (Emiko Azuma, numa interpretação digna de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><i><span style="font-weight: 400;">Hereditário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é a espinha dorsal da história, e compõe a segunda e mais assustadora camada de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Está esquentando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pequeno clube de desajustados do qual Eddie faz parte é a terceira camada da obra, deixando evidente a revolução comportamental que os jovens daquela geração pós-Segunda Guerra estavam promovendo na sociedade japonesa. No plano experimental, temos uma quarta camada, composta por </span><i><span style="font-weight: 400;">frames </span></i><span style="font-weight: 400;">estáticos, imagens em movimento, texto escrito, entrevistas com o elenco e até cenas de bastidores, nos lembrando que, no final das contas, trata-se de um filme. O emprego de um elenco 99% não-treinado rompe com </span><a href="https://www.8milimetros.com.br/o-que-e-quebrar-a-quarta-parede-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">a quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;"> da ficção e nos faz questionar se estaríamos assistindo a um documentário.</span></p>
<figure id="attachment_27992" aria-describedby="caption-attachment-27992" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-27992" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.57.jpeg" alt=" Cena do filme O Funeral das Rosas. A imagem em preto e branco mostra três mãos humanas com as palmas voltadas para frente. Em cada palma há o desenho de uma rosa." width="800" height="612" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.57.jpeg 789w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.57-768x588.jpeg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27992" class="wp-caption-text">Sem dar descanso aos nossos olhos, O Funeral das Rosas se interrompe com tempestades de imagens, aparentemente desconexas, quase como se a verdade do filme estivesse apenas nelas (Foto: Art Theatre Guild)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale ressaltar que essas camadas não estão dispostas em ordem cronológica </span><span style="font-weight: 400;">e você pode, encaixar as peças parecidas na sua cabeça ou simplesmente deixar a vida te levar. De qualquer jeito, você chegará em algum lugar. </span><a href="https://medium.com/vertovina/a-dial%C3%A9tica-da-subvers%C3%A3o-e-percep%C3%A7%C3%A3o-do-surrealismo-japon%C3%AAs-em-shuji-terayama-e-toshio-matsumoto-27cdad82900c"><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> triunfa ao fazer mil questionamentos por minuto: ele é, por excelência, um filme que veio para confundir, não só por estar constantemente nos bombardeando de informações, mas também porque o nosso olhar está carregado de (pré)conceitos sem aplicação aqui. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">japonês difere do que estamos acostumados a assistir enquanto espectadores brasileiros e ocidentais, a nível quase molecular. O que nos separa não é só distância física. Os bares gays (</span><i><span style="font-weight: 400;">gei b</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ā</span></i><span style="font-weight: 400;">) de Tokyo, ponto de encontro entre homens e os </span><i><span style="font-weight: 400;">gay boys</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">gei b</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ōi</span></i><span style="font-weight: 400;">) que lá estão para servi-los e entretê-los, </span><span style="font-weight: 400;">são o pano de fundo. Tudo isso, </span><span style="font-weight: 400;">no melhor estilo das </span><a href="https://mundo-nipo.com/cultura-japonesa/artes/25/08/2015/origem-e-principios-da-cerimonia-do-cha-no-japao/"><span style="font-weight: 400;">casas de chá</span></a><span style="font-weight: 400;"> japonesas e suas </span><a href="https://coisasdojapao.com/2019/02/quem-sao-e-de-onde-surgiram-as-geishas-no-japao/"><i><span style="font-weight: 400;">geishas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, eventualmente prestando serviços como acompanhantes sociais e sexuais, prática muito frequente na época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa mesma influência americana que trouxe a guerra, acompanhou novas noções sobre sexualidade e gênero, dois aspectos que culturalmente andavam separados no país. Na verdade, o que estamos vendo na tela é um choque geracional entre a figura da</span><i><span style="font-weight: 400;"> onnagata </span></i><span style="font-weight: 400;">(papel feminino no </span><a href="https://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/kabuki.html"><span style="font-weight: 400;">teatro </span><i><span style="font-weight: 400;">kabuki</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interpretado por homens) &#8211; representada por Leda -, e uma nova manifestação da performance de gênero, nascida das influências ocidentais &#8211; o </span><i><span style="font-weight: 400;">gei b</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ōi</span></i><span style="font-weight: 400;">, representado por Eddie. </span></p>
<figure id="attachment_27995" aria-describedby="caption-attachment-27995" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27995" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gif_imagem4.gif" alt="Cena do filme O Funeral das Rosas. Imagem em preto e preto e em movimento do rosto da personagem Eddie. A personagem sorri enquanto suavemente acaricia seu pescoço de baixo para cima. Tem os cabelos molhados." width="800" height="560" /><figcaption id="caption-attachment-27995" class="wp-caption-text">Eddie tomando um banho especial para sair com seu gato (GIF: Art Theatre Guild)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é só essa disputa que fica evidente: há também o incômodo de um Japão antes patriota, mas agora fortemente ocidentalizado, que não se reconhece mais no espelho. Aqui, um destaque para a cena de sexo entre Eddie e um soldado norte-americano: além de um primor fotográfico e sensual, o momento revela as </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/segunda-guerra-mundial-na-Asia-no-pacifico.htm"><span style="font-weight: 400;">diferenças inegociáveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os dois.  A todo momento essas peças tentam se juntar, mesmo quando parece não haver sentido entre elas, ficando a impressão de que, ao piscar os olhos, algo de importante se perdeu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tom bastante experimental e amador pode afastar alguns espectadores, os acostumados com uma história mais linear e polida nesse sentido, o que pode ser o “defeito” de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pode-se apenas imaginar o susto que a primeira exibição do filme causou, dificilmente o público havia visto algo parecido e talvez nunca mais viu. Amarrando tudo que se confundia profundamente até aquele momento, como se um trauma na mente do protagonista acabasse de ser resolvido, </span><a href="https://oroteiristainsone.wordpress.com/2017/01/24/a-estrutura-de-tres-atos/"><span style="font-weight: 400;">o último ato</span></a><span style="font-weight: 400;"> da obra</span><span style="font-weight: 400;"> revela a natureza fatal da trama. </span></p>
<p><figure id="attachment_27994" aria-describedby="caption-attachment-27994" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27994 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19-800x450.jpeg" alt="Cena do filme O Funeral das Rosas. Na imagem em preto e branco a personagem Eddie está de pé, recostada sobre um muro. Usa cabelo castanho escuro em corte estilo chanel. Com a mão esquerda segura a alça de uma pequena bolsa. Veste calças estampadas, colete preto com botões grandes sobre camisa branca de mangas bufantes e gola alta. Em segundo plano, dois terços do muro estão cobertos por cinco pôsteres do filme Édipo Rei do diretor italiano Pier Paolo Pasolini de 1967." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27994" class="wp-caption-text">Pistas: Eddie tira uma panca encostado num muro cheio de pôsteres de Édipo Rei (1967) de Pier Paolo Pasolini [Foto: Art Theatre Guild]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O brilhantismo de Matsumoto está em devorar a obra de </span><a href="https://www.todamateria.com.br/edipo-rei/"><span style="font-weight: 400;">Sófocles</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a vomitar na cara do espectador em forma de espetáculo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">homicida e</span> <span style="font-weight: 400;">pornográfico, ao mesmo tempo que não se propõe a ser um estudo de personagem. O que interessa aqui é o choque, como bem explica a frase do cineasta lituano </span><a href="https://jonasmekas.com/bio.php"><span style="font-weight: 400;">Jonas Mekas</span><span style="font-weight: 400;">, </span></a><span style="font-weight: 400;">proferida por Guevara (Toyosaburo Uchiyama) em uma cena que retrata Eddie e seus amigos assistindo a um filme experimental. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as definições de Cinema foram apagadas</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><a href="https://www.otaquest.com/funeral-parade-of-roses-japanese-film-insight-10/"><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> utiliza sexo, violência urbana e as transformações no imaginário japonês do século XX, elementos que consagraram a </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague</span></i><span style="font-weight: 400;"> no país, de uma forma única e transgressora, ao permitir que um grupo de personagens marginais se apoderem da narrativa, como se eles e o próprio  diretor também experimentassem a linguagem audiovisual. Ele não se reduz a pecha de filme </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou documental sobre a vida dos homossexuais e transgêneros nos subúrbios de Tokyo, e rejeita nossa vontade de enxergar com nossos próprios olhos. No alto de seus 53 anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é apenas mais um título parte de um movimento, mas é ponto de virada na história do Cinema. Prossiga por sua conta e risco!</span></p>
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		<title>Bates Motel é bem mais que uma série sobre as consequências de transtornos psiquiátricos</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Oct 2021 17:00:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sabrina G. Ferreira Quem nunca ouviu falar sobre uma história de um filho que tem uma relação complexa, quase incensuosa (ou melhor dizendo, de “estranha proximidade”), com a mãe, que ao perdê-la de forma repentina e trágica, passa a cometer assassinatos ao incorporar a personalidade da mulher? Este é o ponto de partida de Bates &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/bates-motel-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Bates Motel é bem mais que uma série sobre as consequências de transtornos psiquiátricos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_23801" aria-describedby="caption-attachment-23801" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-23801 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos o Motel Bates, pequeno e simples, com paredes feitas com ripas de madeira, uma janela na lateral, com algumas plantas embaixo, e um pouco mais à direita, uma placa escrita “office”, mostrando a direção do escritório dos administradores do local. Há também um pequeno poste de luz próximo à janela, que no momento, está aceso. Do lado esquerdo, há uma escada que sobe para uma pequeno barranco, e direciona para a casa da família Bates, também antiga e simples, toda feita em madeira. Logo mais à frente, há uma placa com os dizeres iluminados em neon na cor azul “Bates Motel”, e abaixo, em laranja está escrito “No Vacancy” (ou, “Sem Vagas”). A imagem é toda em preto e branco, com exceção da placa. O ambiente é ao ar livre, e está de noite." width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/1-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23801" class="wp-caption-text">Vista frontal do “Motel Bates” e ao fundo, a casa da família Bates (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure>
<p><b>Sabrina G. Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quem nunca ouviu falar sobre uma história de um filho que tem uma relação complexa, quase incensuosa (ou melhor dizendo, de “estranha proximidade”), com a mãe, que ao perdê-la de forma repentina e trágica, passa a cometer assassinatos ao incorporar a personalidade da mulher? Este é o ponto de partida de </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel</span></i><span style="font-weight: 400;">, que chama a atenção dos amantes de Terror, principalmente pelo seu nome, que tem como referência uma história contada já a algumas décadas atrás, no clássico filme </span><a href="https://www.dw.com/pt-br/1960-estreia-o-filme-psicose/a-2387031"><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1960), do aclamado diretor </span><a href="https://rollingstone.uol.com.br/noticia/9-filmes-essenciais-para-entender-alfred-hitchcock-o-mestre-do-suspense-lista/"><span style="font-weight: 400;">Alfred Hitchcock</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-23800"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Criada pelo roteirista </span><a href="https://moviefit.me/pt/persons/58890-anthony-cipriano"><span style="font-weight: 400;">Anthony Cipriano</span></a><span style="font-weight: 400;"> (da série </span><a href="https://www.themoviedb.org/tv/10439-the-jersey"><i><span style="font-weight: 400;">The Jersey</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), e produzida por </span><a href="https://variety.com/exec/carlton-cuse/"><span style="font-weight: 400;">Carlton Cuse</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.f5news.com.br/blogs-e-colunas/levando-a-serie/porque-vale-a-pena-ver-ou-rever-uma-dos-maiores-sucessos-de-todos-os-tempos-lost.html"><i><span style="font-weight: 400;">Lost</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), e </span><a href="https://www.goldderby.com/article/2020/kerry-ehrin-the-morning-show-apple-tv-video-interview-transcript/"><span style="font-weight: 400;">Kerry Ehrin</span></a><span style="font-weight: 400;"> (de </span><a href="https://collider.com/when-is-friday-night-lights-streaming-on-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Friday Night Lights</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), a série conta, em cinco temporadas, a história de uma mãe, Norma Bates (interpretada de forma impecável por </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2013/aug/01/vera-farmiga-conjuring-bates-motel-interview"><span style="font-weight: 400;">Vera Farmiga</span></a><span style="font-weight: 400;">), que após a misteriosa morte do marido, muda-se para a pequena cidade de White Pine Bay, em Oregon, levando consigo seu filho adolescente de dezessete anos, Norman Bates (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ryv0jr8_WC0"><span style="font-weight: 400;">Freddie Highmore</span></a><span style="font-weight: 400;">). Com o propósito de conseguir uma forma de sustento, ela adquire um velho e abandonado motel e o casarão ao lado (também antigo, claro!). Outro detalhe é a localização destes imóveis, que ficam em uma estrada remota, de difícil acesso aos motoristas, tornando o motel um local de pouca procura para hospedagem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo no primeiro episódio, somos introduzidos ao protagonista: o jovem Norman Bates; e nos damos conta dos </span><a href="https://institutoexito.net.br/artigo/as-multiplas-personalidades-em-norman-bates"><span style="font-weight: 400;">distúrbios mentais</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o personagem enfrenta. Norman sofre de um transtorno de bipolaridade, que algumas vezes o fazia pensar ser a própria mãe, a tal ponto de se vestir e falar como ela. Nesses momentos de “apagões”, ele podia fazer coisas abomináveis com as pessoas que estivessem próximas a ele, e logo depois, quando voltava a si, não se lembrava de nada que havia acontecido, e ainda culpava a mãe por seus atos maldosos.</span></p>
<figure id="attachment_23802" aria-describedby="caption-attachment-23802" style="width: 615px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23802" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/2-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos Norman Bates, vestindo um roupão de cor verde água estampado. Ele tem cabelos castanhos, repartidos de lado, pele clara e olhos azuis. Está em pé, parado em frente a uma porta de madeira aberta, e está com os braços cruzados em frente ao corpo. Atrás dele, no seu lado esquerdo, há uma cortina de cor bege, e ele está conversando com uma mulher de cabelos longos, que está virada de costas para a câmera, impossibilitando de visualizá-la com mais detalhes. O ambiente é interno, e está de dia." width="615" height="335" /><figcaption id="caption-attachment-23802" class="wp-caption-text">Norman Bates incorporando a personalidade de sua mãe, Norma Bates (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A mãe de Norman, Norma Bates, também sofre de evidentes distúrbios de bipolaridade, com seu humor alternando entre explosões de raiva e momentos de extrema delicadeza. Em alguns episódios, ela se mostra como uma mãe controladora do filho, mas em outros, ela se torna uma espécie de vítima, cujas ações nada mais são do que reflexos de tudo o que ela já passou. Estes elementos se manifestam na personagem de forma a construir uma mulher visivelmente angustiada, que guarda um segredo “a sete chaves”; ou até mesmo como alguém que vive perturbada por seus próprios demônios, pois consciente do </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/norman-bates/"><span style="font-weight: 400;">comportamento psicopata</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu próprio filho, Norma tenta de todas as formas mantê-lo longe das pessoas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, alguns dos principais distúrbios comportamentais presentes nos genes de Noman também são visíveis em sua mãe. Filha de pai abusivo, quando jovem, Norma desenvolveu uma relação semelhante, porém, com seu irmão mais velho, Caleb (</span><a href="https://www.cbs.com/shows/swat/cast/215708/"><span style="font-weight: 400;">Kenny Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">), e isso a atormentou por anos, pois ela teve que conviver com a constante culpa por ter, na época, amado seu irmão de volta. Este relacionamento violento e com abusos psicológicos de Caleb com Norma pode ser interpretado como uma </span><a href="https://segredosdomundo.r7.com/sindrome-de-estocolmo/"><span style="font-weight: 400;">Síndrome de Estocolmo</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Analisando a dependência de Norman com sua mãe, podemos supor que, por não possuir uma figura paterna, o filho cria uma grande conexão com a materna, e da mesma maneira &#8211; como Freud explica -, acaba vinculando a sua libido a ela. Há até mesmo uma suposição de que Norman, quando criança, possa ter sido </span><a href="https://citedatthecrossroads.net/chst332/2014/03/23/what-is-wrong-with-norman-bates/"><span style="font-weight: 400;">abusado pela sua mãe</span></a><span style="font-weight: 400;">, e como consequência, passou a ter sentimentos conflitantes por ela, pois a confusão de sentimentos e a culpa são muito frequentes em crianças e adolescentes que sofrem este tipo de trauma. </span></p>
<figure id="attachment_23803" aria-describedby="caption-attachment-23803" style="width: 1224px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23803" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos Norman Bates deitado em uma cama, com uma coberta e um travesseiro, ambos de cor bege. Ele tem pele clara, olhos azuis, cabelos castanhos e está vestindo uma camisa azul marinho, com listras azuis claras. Apoiada sobre ele, está a sua mãe, Norma Bates. Ela é loira, com cabelos loiros e enrolados, de comprimento até os ombros. Ela está vestindo uma camisa florida, e está com as suas mãos apoiadas sobre o filho. Atrás deles, há uma parede verde clara, uma luminária acesa, e uma prateleira pequena em madeira, com um dinossauro de brinquedo em cima. O ambiente é interno, e está de noite." width="1224" height="760" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1.jpg 1224w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-800x497.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-1024x636.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-768x477.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/3-1-1200x745.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-23803" class="wp-caption-text">Norma Bates consolando seu filho, Norman (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, é válido salientar que além de se tratar de uma série de horror, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz também uma conscientização quanto aos distúrbios mentais em pessoas de uma mesma família, e os possíveis traumas que podem ser ocasionados em indivíduos, ainda em fase de desenvolvimento, vítimas de abusos, físicos e mentais, por exemplo. Na maioria das vezes, </span><a href="https://emais.estadao.com.br/noticias/comportamento,assedio-sexual-pode-influenciar-vitima-a-se-tornar-abusador-entenda,70003184922"><span style="font-weight: 400;">o abusador também já foi um dia abusado</span></a><span style="font-weight: 400;">, igual Norma, que além disso, também não aprendeu, ainda na infância, sobre os limites de intimidade que precisam ser impostos entre familiares, e tem algumas atitudes equivocadas, como dormir na mesma cama do filho de dezoito anos de idade. </span><span style="font-weight: 400;">No caso de Norman, há </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=D5qZKLg_2UU"><span style="font-weight: 400;">uma releitura moderna de Édipo</span></a><span style="font-weight: 400;">, com momentos que alternam entre raiva e uma enorme dependência emocional pela mãe, assim, quando ela inicia um relacionamento amoroso com outro homem, </span><a href="https://cartermatt.com/54208/bates-motel-a-deeper-look-into-norman-bates-and-normas-relationship/"><span style="font-weight: 400;">Norman se sente ameaçado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e manifesta medo em perdê-la. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer das temporadas, vão surgindo outros personagens na trama, como a misteriosa Emma Decody (</span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/films/features/olivia-cooke-interview-house-of-the-dragon-b1822467.html"><span style="font-weight: 400;">Olivia Cooke</span></a><span style="font-weight: 400;">), que, possivelmente, é aquela em que o espectador mais poderá se identificar. No início, Emma era uma amiga próxima de Norman, e  pensamos até mesmo haver uma possível paixão entre os dois. Porém, após ela conhecer o meio-irmão (e primo) de Norman, Dylan (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=l1K6ycSr-U4"><span style="font-weight: 400;">Max Thieriot</span></a><span style="font-weight: 400;">), acaba se apaixonando por ele, e no decorrer das temporadas, acabam tendo </span><a href="https://ew.com/recap/bates-motel-season-5-episode-9/"><span style="font-weight: 400;">uma relação estável</span></a><span style="font-weight: 400;">, formando uma família juntos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo assim, a cada episódio, as “nuances” dos personagens se acentuam ainda mais, principalmente na terceira temporada, que é quando Norman se torna cada vez mais </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1TO12MVSPng"><span style="font-weight: 400;">parecido com a sua versão no filme </span><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma vez que a personalidade de sua mãe passa a aparecer com mais frequência para ele. Desta forma, ele passa a ter a postura de enfrentá-la, ou assumir seus atos, que já não passam mais tão despercebidos para ele, e as máscaras começam a cair para Norman e Norma Bates.</span></p>
<figure id="attachment_23804" aria-describedby="caption-attachment-23804" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-23804" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/4-1.jpg" alt="Cena da série Bates Motel. Na imagem, vemos Norman Bates parado de frente para a câmera. Ele tem pele clara, olhos azuis, cabelos castanhos e está vestindo um paletó de cor grafite, com uma blusa, e ainda por baixo, uma camisa branca. Ele tem uma expressão assustada, com a boca levemente aberta, e em seu rosto, possui ferimentos com sangue. Atrás dele, é possível ver algumas árvores e uma estrada, porém, está fora de foco. O ambiente é externo, e está de noite." width="620" height="413" /><figcaption id="caption-attachment-23804" class="wp-caption-text">Norman Bates em cena trágica da 5ª temporada (Foto: A&amp;E)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enfim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel </span></i><span style="font-weight: 400;">é</span> <span style="font-weight: 400;">uma série obscura, que não começa com um assassinato de uma jovem de cabelos loiros em um banheiro de motel, como no filme dos anos sessenta. A nível de comparação, só temos um vislumbre da personagem principal do longa, </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/com-rihanna-bates-motel-muda-cena-do-chuveiro-de-psicose/"><span style="font-weight: 400;">Marion Crane</span></a><span style="font-weight: 400;"> (desta vez, interpretada por </span><a href="https://www.vulture.com/2017/03/bates-motel-casting-rihanna-marion-crane.html"><span style="font-weight: 400;">Rihanna</span></a><span style="font-weight: 400;">), em dois episódios da última temporada, e até mesmo o desfecho desta personagem na série, felizmente, é outro. Essa é uma história sobre a família Bates, ou seja, Norman e Norma, e nada mais. O que espanta, no entanto, é que ao contrário do que acontece no filme, aqui, criamos uma relação de </span><a href="https://www.salon.com/2013/03/19/we_need_to_talk_about_norman/"><span style="font-weight: 400;">empatia pelo psicopata</span></a><span style="font-weight: 400;">, sentindo muitas vezes compaixão por ele, e passamos a vê-lo como alguém de “bom coração”, mas que sofre de uma doença mental que </span><a href="https://analise-comportamental.webnode.com/news/norman-bates-o-dono-do-bates-motel-analise-psicologica-/"><span style="font-weight: 400;">toma conta dele</span></a><span style="font-weight: 400;"> de forma involuntária. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série, assim como muitas, não é isenta de erros, como por exemplo, quando dá soluções rápidas e fáceis aos problemas que surgem nos episódios, quando poderia trabalhar na construção dos personagens e das situações aos poucos, a longo prazo. Mas de forma geral, no final temos um enredo muito bem construído, com um final surpreendente, e até mesmo aceitável, para a maioria dos personagens. </span><i><span style="font-weight: 400;">Bates Motel</span></i><span style="font-weight: 400;"> explica de forma espetacular a doença de Norman e constrói uma rede em torno dele, </span><a href="https://www.cbr.com/bates-motel-more-disturbing-psycho/"><span style="font-weight: 400;">dando um ressignificado para algo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que foi a muito tempo contado, mas agora, com o jeito crível e detalhado de contar história, com capacidade para conscientizar o espectador, próprio da nossa geração.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/bates-motel-critica/">Bates Motel é bem mais que uma série sobre as consequências de transtornos psiquiátricos</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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