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	<title>Arquivos Davi Marcelgo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Davi Marcelgo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Avatar: Fogo e Cinzas não precisa de permissão para existir</title>
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		<pubDate>Mon, 22 Dec 2025 17:54:29 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Se James Cameron fosse ao médico, o profissional indicaria que ele não fizesse ego search no Google ou em redes sociais, pois ele esbarraria com duas possibilidades: as publicações que fazem a ingrata equivalência de roteiro versus visual e aquelas que especulam se o longa vai se pagar. Poucos críticos e entusiastas de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/avatar-fogo-e-cinzas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Avatar: Fogo e Cinzas não precisa de permissão para existir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36656" aria-describedby="caption-attachment-36656" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36656" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-10-800x450.jpg" alt="Cena do filme Avatar: Fogo e Cinzas. Na imagem, Neytiri está furiosa, apontando um arco e flecha para um adversário. Ela possui pele azul escuro, mas está utilizando maquiagem de guerra, que consiste em faixas uniformes nas cores branca, amarela e verde. Neytiri usa tranças escuras na cabeça e alargadores nas orelhas. A iluminação é noturna com luminosidade laranja, causada pela presença de fogo no ambiente. O fundo está desfocado. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-10-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-10-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-10-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-10-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-10-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image1-10.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36656" class="wp-caption-text">Este é o terceiro capítulo da longa história arquitetada por James Cameron (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se </span><a href="https://ovicio.com.br/james-cameron-nega-retorno-de-schwarzenegger-em-reboot-de-o-exterminador-do-futuro-e-mais/"><span style="font-weight: 400;">James Cameron</span></a><span style="font-weight: 400;"> fosse ao médico, o profissional indicaria que ele não fizesse </span><i><span style="font-weight: 400;">ego search </span></i><span style="font-weight: 400;">no </span><i><span style="font-weight: 400;">Google</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou em redes sociais, pois ele esbarraria com duas possibilidades: as publicações que fazem a ingrata equivalência de roteiro versus visual e aquelas que especulam se o longa vai se </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/12/18/nem-us-5-bilhoes-bastam-james-cameron-diz-que-avatar-ainda-precisa-se-provar-em-fogo-e-cinzas.ghtml"><span style="font-weight: 400;">pagar</span></a><span style="font-weight: 400;">. Poucos críticos e entusiastas de Cinema querem comentar sobre o filme fora destes escopos. O cineasta não tem que provar para ninguém, exceto aos acionistas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, o porquê de precisar filmar o próximo conto de Pandora. Para além disso, qual é a de </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: Fogo e Cinzas</span></i><span style="font-weight: 400;">? </span><span id="more-36646"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira parte da franquia se distancia de seu antecessor, </span><a href="https://personaunesp.com.br/avatar-o-caminho-da-agua-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Caminho da Água</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022), ao deixar de lado a contemplação do ecossistema e a fusão de gêneros narrativos. Ao introduzir o clã </span><i><span style="font-weight: 400;">Metkayina</span></i><span style="font-weight: 400;">, Cameron dedicou longas sequências desbravando cada centímetro da cultura daqueles seres que vivem com o mar, enquanto apresentava novos conflitos e personagens por meio da ficção científica, do drama familiar e de pequenos lastros de </span><a href="https://personaunesp.com.br/30-anos-curtindo-a-vida-adoidado-carreira-vitoriosa-john-hughes/"><span style="font-weight: 400;">John Hughes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, no enredo da nova história, apesar de a tribo do fogo ser novidade, o diretor não repete o que fez antes. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: Fogo e Cinzas </span></i><span style="font-weight: 400;">é um filme denso – uma espécie de cura aos protagonistas – em que muitos eventos acontecem ao mesmo tempo e a trama avança, maximizando os problemas. Sully (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ate-o-ultimo-homem/"><span style="font-weight: 400;">Sam Worthington</span></a><span style="font-weight: 400;">) toma uma decisão para ajudar a família a lidar com a morte de Neteyam (Jamie Flatters) e, a partir disso, consequências são desencadeadas. O roteiro (de Cameron, </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/filmes/planeta-dos-macacos-o-confronto/"><span style="font-weight: 400;">Amanda Silver</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Rick Jaffa) tenciona questões passadas, como a insubordinação de Lo&#8217;ak (Britain Dalton), para erradicar, no clímax, todos os fantasmas que assombram essa família. Neste ponto, o longa se assemelha ao segundo: a batalha é no mesmo cenário e contra os mesmos adversários. Ali, esses personagens têm a chance de fazer diferente – e isso é feito.</span></p>
<figure id="attachment_36657" aria-describedby="caption-attachment-36657" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36657" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-800x424.jpg" alt="Cena do filme Avatar: Fogo e Cinzas. Na imagem, Varang mantém Spider como refém. Ela aponta uma lâmina para o pescoço do rapaz com uma mão enquanto segura os cabelos dele com a outra. Ela é uma alienígena, de pele azul, adorno vermelho de penas na cabeça, tintura branca e vermelha no rosto e braços. Spider é um garoto na faixa dos 20 anos, de pele clara e cabelos loiros trançados. Eles estão na floresta, é noite e em volta deles há outros aliens. " width="800" height="424" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-800x424.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-1024x543.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-768x407.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-1536x814.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5-1200x636.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image3-5.jpg 1620w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36657" class="wp-caption-text">A paixão de Cameron por Spider (à direita) é uma das características mais interessantes da trilogia: o personagem mais ridículo possui a linha de diálogo mais tocante de Fogo e Cinzas (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Este capítulo é sobre as oportunidades que surgem para deixar o passado. Sully confronta seu nêmesis, Quaritch (</span><a href="https://ovicio.com.br/stephen-lang-quer-concluir-a-trilogia-de-o-homem-nas-trevas/"><span style="font-weight: 400;">Stephen Lang</span></a><span style="font-weight: 400;">), com a proposta de aventurar-se em Pandora e abandonar o posto de coronel. Diante disso, o vilão perde a dicotomia estabelecida principalmente na história de 2009 (homem X natureza) e passa a ter acenos de empatia e carinho, somando novas camadas a ele, que vai se apropriar do local, de seu modo, é claro. O trio de roteiristas aproveitou a brecha para se redimir do que foi feito com Neytiri (</span><a href="https://personaunesp.com.br/guardioes-da-galaxia-vol-2-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Zoë Saldaña</span></a><span style="font-weight: 400;">) em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Caminho da Água</span></i><span style="font-weight: 400;">, lá a protagonista foi ofuscada pelas peripécias dos filhos e o arco de Quaritch.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No lançamento, ela retorna ao seu posto, tendo sua própria jornada e vários momentos de agência no enredo, tanto que a adição ao time de vilões, Varang (Oona Chaplin), foi feita especialmente para que existisse um desafio para Neytiri. Até terciários têm espaço para as novas narrativas, como o caçador de baleias interpretado por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=n9JAmp053A4"><span style="font-weight: 400;">Brendan Cowell</span></a><span style="font-weight: 400;">, que teve seu braço arrancado em um embate contra as criaturas colossais em 2022 – ele continua no exercício, utilizando uma prótese mecânica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É notório que “conexão” é uma palavra presente nas tramas e no visual de </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar</span></i><span style="font-weight: 400;">, repare que o principal elo dos alienígenas com seu ambiente é o </span><i><span style="font-weight: 400;">kuru</span></i><span style="font-weight: 400;"> na trança de seus cabelos. Cameron, portanto, constrói rimas para diferenciar os vínculos da humanidade e do povo Na&#8217;vi; eles se unem fisicamente com seres aquáticos rumo à batalha e os terráqueos entram em cápsulas submarinas – o espectador também se conecta com o artificial: as imagens digitais e plásticas. Ainda existe uma temática de </span><a href="https://cinepop.com.br/os-10-anos-de-vingadores-era-de-ultron-a-aventura-mais-polemica-do-grupo-651557/"><span style="font-weight: 400;">aço contra madeira</span></a><span style="font-weight: 400;"> (isso fica claro na diferença gritante entre o cinza da base militar e o verde dos </span><i><span style="font-weight: 400;">habitats</span></i><span style="font-weight: 400;"> naturais), porém a produção aprofunda essa noção.</span></p>
<figure id="attachment_36658" aria-describedby="caption-attachment-36658" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36658" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-6-800x335.jpg" alt="Cena do filme Avatar: Fogo e Cinzas. Na imagem, a personagem Varang está de costas para a câmera, mas de frente para uma grande fogueira. Seu corpo todo está coberto por sombras. Ela está com os braços abertos e segura uma lâmina vermelha em cada mão. Em sua cabeça, ela veste um adorno vermelho. Em volta da chama, há membros de sua aldeia. " width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-6-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-6-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-6-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-6-1536x644.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-6-1200x503.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/12/image2-6.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36658" class="wp-caption-text">Em 2022, O Caminho da Água inundou o pálido Cinema de Hollywood com vibrantes tons azuis. Em 2025, Fogo e Cinzas devolve sexo e drogas à castidade (Foto: Disney)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sendo assim, há outra pessoa interessada em conexão: James Cameron. A franquia </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar </span></i><span style="font-weight: 400;">pretende imergir o público naquele universo, seja com o </span><i><span style="font-weight: 400;">3D </span></i><span style="font-weight: 400;">ou com o melodrama. Isso faz parte do texto e da forma. O canadense usa planos fechados em seus personagens diversas vezes para captar a </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/o-que-pensa-james-cameron-sobre-uso-de-atores-feitos-por-ia/"><i><span style="font-weight: 400;">performanc</span></i><span style="font-weight: 400;">e dos atores</span></a><span style="font-weight: 400;">, engrandecer a tecnologia de captação de movimento e para envolver o espectador. Cenários monumentais existem em qualquer </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbuster </span></i><span style="font-weight: 400;">– o trailer de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mortal Kombat 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> antes da sessão começar é um exemplo –, mas poucos sabem filmar essas locações falsas como o diretor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Titanic</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1997). A geografia dos espaços sempre está presente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os sons das ondas no horizonte, a influência do solo na luta, as árvores como esconderijos, a semelhança entre criaturas para gerar tensão e a potência dos tiros de armas para reforçar que aquele instrumento é uma novidade sedutora ao Povo das Cinzas demonstram o rigor na cenografia. Este trabalho pode passar despercebido para quem fica esperando um roteiro inovador ao invés de pensar na forma como os eventos acontecem e para aqueles que discutem se </span><i><span style="font-weight: 400;">Avatar: Fogo e Cinzas</span></i><span style="font-weight: 400;"> vale a pena ser visto. Torcer para que um filme encha os bolsos da </span><a href="https://g1.globo.com/economia/noticia/2019/03/20/disney-conclui-compra-da-21st-century-fox-por-us-71-bilhoes.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é uma posição desconfortável, mas se essa for a única forma de James Cameron manter uma das únicas franquias interessantes e sem ramificações da contemporaneidade, então que seja. </span></p>
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		<title>Sepideh Farsi comprova a existência de um filme antiguerra em Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</title>
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		<pubDate>Wed, 26 Nov 2025 13:00:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Em uma aula no segundo ano da graduação, minha professora de Jornalismo Textual disse que os materiais utilizados durante uma entrevista são fundamentais para o afastamento ou a aproximação entre repórter e personagem. Uma câmera, um notebook ou qualquer outro aparelho distante da realidade documentada pode ser um instrumento de poder. Em Guarde &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/guarde-o-coracao-na-palma-da-mao-e-caminhe-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sepideh Farsi comprova a existência de um filme antiguerra em Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36446" aria-describedby="caption-attachment-36446" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-800x533.jpg" alt="Cena do filme Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe.Na imagem, há um celular em chamada de vídeo com Fatima Hassouna. O celular está apoiado em uma mesa de madeira e atrás dele há uma outra tela, logada em um e-mail. Hassouna é uma mulher palestina, na faixa dos 25 anos. Ela usa óculos arredondados, o lenço de sua cultura chamado de hijab, na cor verde, e uma roupa estampada. Ela está sorrindo. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-18.jpg 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36446" class="wp-caption-text">O documentário foi exibido no Festival do Rio (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma aula no segundo ano da graduação, minha professora de Jornalismo Textual disse que os materiais utilizados durante uma entrevista são fundamentais para o afastamento ou a aproximação entre repórter e personagem. Uma câmera, um </span><i><span style="font-weight: 400;">notebook </span></i><span style="font-weight: 400;">ou qualquer outro aparelho distante da realidade documentada pode ser um instrumento de poder. Em </span><a href="https://revistaogrito.com/o-agente-secreto-recebe-duas-indicacoes-ao-gotham-awards-importante-premiacao-pre-oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a diretora iraniana Sepideh Farsi constrói afinidade com Fatima Hassouna, fotojornalista da Palestina, para saber seu ponto de vista sobre os ataques de Israel na Faixa de Gaza. </span><span id="more-36444"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa aproximação não tem a ver com qual aparato tecnológico Farsi usa para filmar sua personagem, que logo se tornaria amiga, mas com o fato de que ambas as mulheres são do Oriente Médio e possuem países atravessados por períodos históricos violentos. O que vai coincidir com a fala da minha professora é que as condições em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/yalla-parkour-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gaza</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Hassouna se encontram aludem a uma carência de liberdade, alimentos, moradia, limitações de deslocamento e outras mazelas que ferem os direitos humanos, portanto o documentário também está desprovido de qualquer enfeite ou equipamentos robustos: para gravar, basta um aparelho celular captando outro dispositivo móvel. Essa conversa guiada pelo telefone, sem uma equipe presente em um </span><i><span style="font-weight: 400;">set</span></i><span style="font-weight: 400;">, estimula o encontro.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O último filme da cineasta foi uma animação, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Siren</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2021), que aborda a guerra Irã-Iraque. A disparidade entre essa forma de contar uma história e a de seu lançamento revela um traquejo diverso em fazer Cinema por gêneros, processos e formatos diferentes. </span><i><span style="font-weight: 400;">Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i><span style="font-weight: 400;"> se adapta à realidade, para além de uma barreira geográfica provocada por uma guerra, e confronta o pensamento de </span><a href="https://personaunesp.com.br/nouvelle-vague-critica/"><span style="font-weight: 400;">François Truffaut</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a não existência de um “</span><a href="https://www.bbc.com/culture/article/20140710-can-a-film-be-truly-anti-war"><i><span style="font-weight: 400;">filme antiguerra</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_36442" aria-describedby="caption-attachment-36442" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36442" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-800x450.jpg" alt="Cena do filme Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe.Na imagem, Fatima Hassouna está no canto direito, sentada em uma cadeira. O ambiente é o interior de um prédio, que foi destruído por bombardeios. Há vários escombros no chão. Hassouna é uma mulher palestina, na faixa dos 25 anos, ela usa uma roupa inteira preta, mochila preta nas costas e está sentada com as pernas cruzadas. Nos pés, usa um tênis branco. Suas mãos estão apoiadas no joelho e em uma delas há uma câmera. Na cabeça, usa um lenço de sua cultura chamado de hijab, na cor branca e estampado. Hassouna olha para a frente, encarando a câmera. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-19.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36442" class="wp-caption-text">O filme foi indicado para o Gotham Awards 2025 na categoria de Melhor Documentário (Foto: Filmes do Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para o francês, as obras que abordam a guerra, a relação dos soldados e tudo o que há de violento nesse universo, de alguma forma, criam prazer naquelas imagens. De fato, isto acontece. Vejamos </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/oscar-1917-positiva"><i><span style="font-weight: 400;">1917</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), que ao pretender gravar em plano sequência, cria uma mística em torno da batalha, fazendo um espetáculo – por mais crítico ao confronto que ele queira ser. Sepideh Farsi não faz um documentário que ovaciona os atentados e os </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/autoridades-da-onu-acusam-israel-de-atos-genocidas-e-crimes-sexuais-em-gaza/"><span style="font-weight: 400;">crimes cometidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> por Israel, tampouco eles são exibidos. Tudo o que cruza o cotidiano de Fatima Hassouna, ou seja, sua ótica e seu mundo – isto é confirmado quando a diretora utiliza fotografias feitas pela fotojornalista para compor as cenas – é o que será visto sobre o conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, a cineasta não vai reduzir Hassouna a uma vítima ou uma pessoa que só convive com a destruição. A amizade delas será tema central e, o que elas possuem em comum, a família da palestina, seu apreço por fotos, entre outras características do que compõe ser uma pessoa, são temas fundamentais tanto para a aproximação de entrevistador e entrevistado, quanto para o espectador se conectar com a personagem. Por exemplo, após Farsi elogiar os olhos da amiga, ela não aparece mais usando óculos nas chamadas de vídeo. Assim, sem precisar mostrar corpos mortos, a oscilação da conexão, a dificuldade em entrar em contato, o barulho constante de hélices de helicóptero e o rosto abatido pela fome e tristeza, identificados por haver acesso ao jeito de </span><a href="https://operamundi.uol.com.br/guerra-israel-x-palestina/mais-de-350-artistas-do-cinema-mundial-condenam-genocidio-em-gaza-as-vesperas-de-cannes/"><span style="font-weight: 400;">Fatima Hassouna</span></a><span style="font-weight: 400;">, são maneiras do público perceber e compreender os enfrentamentos da cidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Fatima Hassouna </span><a href="https://oglobo.globo.com/mundo/noticia/2025/04/19/saiba-quem-era-fotografa-morta-pouco-apos-filme-em-que-atuou-ser-selecionado-para-festival-em-cannes.ghtml"><span style="font-weight: 400;">foi morta</span></a><span style="font-weight: 400;">, junto à família, em um ataque coordenado por Israel no dia 16 de abril de 2025, um dia após ser informada por Farsi de que o documentário tinha sido selecionado para o Festival de Cannes. Elas planejavam ir juntas para a França. Este último contato foi inserido no corte final. O assassinato de Hassouna só é mencionado no longa em seu desfecho, fazendo com que</span><i><span style="font-weight: 400;"> Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe</span></i><span style="font-weight: 400;"> não manifeste uma romantização de um final trágico, mas a transformação em objeto de denúncia e memória da amiga por meio das características já mencionadas anteriormente. O sorriso quase inabalável da fotojornalista ficou eternizado nas imagens caseiras de Farsi. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Guarde o Coração na Palma da Mão e Caminhe | Trailer Nacional" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/KIZ957T49AU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Um garoto com uma câmera, em Yalla Parkour</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Nov 2025 13:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2024]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Ahmed Matar]]></category>
		<category><![CDATA[Areeb Zuaiter]]></category>
		<category><![CDATA[Davi Marcelgo]]></category>
		<category><![CDATA[Phil Jandaly]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo  Em 1929, quando o cineasta Dziga Vertov criou um dos mais emblemáticos filmes da história, Um Homem com uma Câmera, ele não apenas fundamentou a montagem como uma das principais linguagens do Cinema, mas documentou aquele período da União Soviética. Os avanços da tecnologia, a desigualdade social, os meios de transporte, rituais da &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/yalla-parkour-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Um garoto com uma câmera, em Yalla Parkour"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36305" aria-describedby="caption-attachment-36305" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36305" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-800x386.jpg" alt="Cena do filme Yalla Parkour Na imagem, um garoto está de costas para a câmera, de ponta-cabeça na beirada de um topo de um prédio. Ele se apoia com as mãos e deixa as pernas abertas, em posição de V. No fundo, está a cidade de Gaza, com vários prédios e um céu azul com nuvens claras no horizonte. O garoto palestino veste uma camisa azul clara, tênis e calça moletom cinza. " width="800" height="386" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-800x386.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-1024x494.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-768x370.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-1536x741.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8-1200x579.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-8.jpg 1677w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36305" class="wp-caption-text">O documentário foi exibido no Festival de Berlim (Foto: Kinana Films)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1929, quando o cineasta Dziga Vertov criou um dos mais emblemáticos filmes da história, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-homem-da-camera/"><i><span style="font-weight: 400;">Um Homem com uma Câmera</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele não apenas fundamentou a montagem como uma das principais linguagens do Cinema, mas documentou aquele período da União Soviética. Os avanços da tecnologia, a desigualdade social, os meios de transporte, rituais da época, tudo é registrado a partir daquele indivíduo que perambulou pela cidade e privilegiou seu olhar para reunir vários acontecimentos e relacioná-los. Enquanto Vertov brinca de mágico por meio da sequência das imagens, a diretora Areeb Zuaiter (e o garoto </span><a href="https://www.instagram.com/matargaza/"><span style="font-weight: 400;">Ahmed Matar</span></a><span style="font-weight: 400;">), em <i>Yalla Parkour, </i>imprime Gaza por outro tipo de encantamento</span><span style="font-weight: 400;">.</span><span id="more-36304"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Concorrente na seção Competição Novos Diretores da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra de Cinema Internacional de São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o documentário usa imagens de arquivos gravados por Matar e seus amigos na adolescência, praticando </span><i><span style="font-weight: 400;">parkour </span></i><span style="font-weight: 400;">na cidade palestina. Entre praias e solos arenosos, o grupo se arrisca em escombros de ataques e estruturas de prédios abandonados ou inacabados. O menino, que durante uma conversa com Zuaiter diz ser </span><i><span style="font-weight: 400;">filmmaker</span></i><span style="font-weight: 400;">, tinha como objetivo ficar conhecido pelos vídeos, porém, ao criar o diário coletivo naquela paisagem, fazendo aquele esporte, o sentido foi reformulado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim que descobriu os vídeos na internet, a diretora, também de origem palestina, se conectou com o sorriso no rosto daquelas crianças, pois elas a fizeram lembrar do sorriso de sua falecida mãe. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=h6lEZSse4ks"><span style="font-weight: 400;">Zuaiter</span></a><span style="font-weight: 400;"> vai conduzir o filme por essa ideia de pertencimento e memórias, criando, pela montagem, um sentido íntimo. Entretanto, essa pessoalidade não é a única (nova) forma de enxergar cada vídeo que saiu do celular da galera do </span><a href="https://super.abril.com.br/historia/o-que-e-parkour/"><i><span style="font-weight: 400;">parkour</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_36306" aria-describedby="caption-attachment-36306" style="width: 620px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36306" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-10.jpg" alt="Cena do filme Yalla Parkour Na imagem, três garotos caminham no topo de uma estrutura de um aeroporto abandonado. O céu está nublado e não dá para identificar os garotos, pois a câmera está bem afastada. O edifício não possui portas ou janelas, apenas sua estrutura crua. " width="620" height="336" /><figcaption id="caption-attachment-36306" class="wp-caption-text">Yalla Parkour participou do festival suíço Visions du Réel (Foto: Kinana Films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ahmed Matar vai, indiretamente, registrar a realidade de </span><a href="https://www.monitordooriente.com/20251106-palestina-36-e-uma-obra-prima-sobre-a-revolta-arabe-de-1936/"><span style="font-weight: 400;">Gaza</span></a><span style="font-weight: 400;">. Os sons das explosões, os prédios destruídos e os lugares fantasmas. Essas gravações vão exercer o papel das câmeras no século XXI, sobretudo em sua segunda década, o de vigilância e de denúncia. Embora as imagens impressionem, seja pela decadência dos edifícios ou pelas manobras perigosas que os meninos fazem, elas são potencializadas pela montagem de Phil Jandaly e a narrativa de Areeb Zuaiter, o que vai aproximá-los do longa de 1929. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Cinema, principalmente em seus primeiros anos, foi encarado como uma forma de captar o momento, reproduzindo o real, assim como a famosa projeção de </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/turismo/fx02029819.htm"><i><span style="font-weight: 400;">A chegada do trem na estação</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1896), dos irmãos Lumière. Conforme o método foi se desenvolvendo como Arte, percebeu-se o potencial de criar histórias e manipulá-las por meio da ordem em que as cenas aparecem. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Yalla Parkour</span></i><span style="font-weight: 400;">, nas falas da cineasta ou na intercalação das acrobacias com os retratos da mãe, as produções do grupo passarão a projetar outros sentidos, como o de encontrar beleza na guerra e de ocupar os lugares desabitados, afinal, aqueles escombros abrigaram por muito tempo sorrisos e firmaram lembranças. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, há dois cineastas no filme: o da velha-guarda e o discípulo de Vertov, sendo a existência do primeiro apenas possível pela popularização dos aparelhos móveis. Porém, só a partir disso a diretora pode exercer suas habilidades como</span><a href="https://personaunesp.com.br/os-fabelmans-critica/"> <i><span style="font-weight: 400;">filmmaker</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de algo mais simples, que veio antes, mas conectado, como ela e Matar estiveram durante os anos que mantiveram contato por ligações. Se o diretor polonês recorta a realidade e engana o público, em cenas que não se passam no mesmo lugar, apesar de parecer, a mágica de Zuaiter é assumir que está em uma localidade e uma posição diferente de seu personagem, relacionando imagens do passado e presente para gerar sentidos, em um movimento de expressão da identidade palestina, que se conecta com gerações distantes da dela. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="&quot;Yalla Parkour&quot; | Trailer | Berlinale 2025" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/hc03KEoFQTY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O passado é uma roupa que O Homem de Ouro sabe vestir</title>
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		<pubDate>Thu, 13 Nov 2025 18:44:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[Fernando Young]]></category>
		<category><![CDATA[Luisa Arraes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Mariel Mariscot foi um policial corrupto e uma celebridade dos anos 1960 e 1970 no Rio de Janeiro. Ele se envolveu com tráfico de drogas, assassinato, extorsão e outros golpes, exterminando bandidos e pessoas pobres. Fez parte da organização Scuderie Le Cocq, um ‘esquadrão da morte’ responsável por vários atentados durante suas décadas &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-homem-de-ouro-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O passado é uma roupa que O Homem de Ouro sabe vestir"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36298" aria-describedby="caption-attachment-36298" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36298" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-9.jpg" alt="Cena do filme Homem de OuroNa imagem, três homens brancos estão no centro, de frente, apontando uma pistola. O homem do meio é o mais alto, tem cabelos escuros na altura do pescoço e usa um bigode bem grosso. Ele está de cara fechada, franzindo a testa. Veste uma camiseta gola V na cor branca, com duas faixas horizontais na cor preta no peito. A calça bege está apertada com um cinto preto, um par de luvas está enfiado na cintura. Ele segura a arma com a mão esquerda. Do seu lado direito, há um homem de cabelos curtos, lisos e loiros, que veste paletó cinza, terno e calça azul. No rosto, ele usa um óculos escuro no modelo aviador, além de um cavanhaque branco. Empunha a pistola na mão direita, onde há um anel dourado no dedo mindinho. A outra mão está apoiada na cintura. Já do lado esquerdo, está um homem com um cabelo escuro também um pouco mais longo. Ele usa bigode e óculos escuros, está vestindo uma jaqueta preta de couro e calça marrom. A arma também está em sua mão direita. O céu está nublado e o cenário é um porto, há uma embarcação laranja atrás deles, do lado esquerdo, enquanto do direito uma parede de tijolos cinzas. " width="574" height="383" /><figcaption id="caption-attachment-36298" class="wp-caption-text">Mauro Lima, de Meu Nome Não É Johnny (2008), vê no Rio de Janeiro um cenário para figuras emblemáticas (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><a href="https://blogs.oglobo.globo.com/blog-do-acervo/post/mariel-mariscot-o-homem-de-ouro-da-policia-que-foi-morto-tentando-ser-banqueiro-do-jogo-do-bicho.html#:~:text=No%20dia%208%20de%20outubro,homens%20diante%20de%20seu%20carro."><span style="font-weight: 400;">Mariel Mariscot</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi um policial corrupto e uma celebridade dos anos 1960 e 1970 no Rio de Janeiro. Ele se envolveu com tráfico de drogas, assassinato, extorsão e outros golpes, exterminando bandidos e pessoas pobres. Fez parte da organização </span><i><span style="font-weight: 400;">Scuderie Le Cocq</span></i><span style="font-weight: 400;">, um ‘esquadrão da morte’ responsável por vários atentados durante suas décadas de atividade. Mariscot ganhou fama, frequentava lugares finos e se relacionou com personalidades célebres, atrizes e modelos. Para retratar essa história complexa e violenta, em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Ouro</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/meu-nome-nao-e-johnny"><span style="font-weight: 400;">Mauro Lima</span></a><span style="font-weight: 400;"> (diretor), Valéria Costa (diretora de Arte) e Fernando Young (diretor de Fotografia) mergulham nos signos que tornaram o criminoso um ímã para a sociedade burguesa brasileira.</span><span id="more-36297"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme, que faz parte da seção Mostra Brasil na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, vai construir a persona do fluminense por meio de um estilo pomposo e rico, uma ideia de um passado chique e elegante – mas cunhado em corrupção e sangue. A partir da aparência de Mariscot, interpretado por Renato Góes, homem alto, branco e forte, o padrão de beleza embutido pela indústria cultural americana no Brasil vai servir como uma forma de convencimento para legitimar as ações do policial contra vítimas de estaturas menores, mulheres ou pessoas de pele negra. Lima e </span><a href="https://abcine.org.br/entrevistas/fernando-young-chacrinha-o-velho-guerreiro/"><span style="font-weight: 400;">Young</span></a><span style="font-weight: 400;"> vão enquadrar Góes como se estivessem esculpindo </span><i><span style="font-weight: 400;">David</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Michelangelo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um personagem que domina tanto a cena quanto a lei do Rio de Janeiro. A câmera fica hipnotizada por cada pose, cada figurino vestido por ele, que transmite não apenas ares de galã, como também cria uma atmosfera que embeleza a década em que a história acontece. Em uma cena, o protagonista faz sexo com uma mulher desconhecida, e enquanto está na cama com ela, o marido entra no quarto, porém o que acontece em seguida não é a dinâmica de costume. O homem se junta à dupla, fazendo um ménage. O corpo e a feição de </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/o-homem-de-ouro-a-controversa-jornada-de-mariel-mariscot-chega-as-telonas.phtml"><span style="font-weight: 400;">Mariscot</span></a><span style="font-weight: 400;"> convidam qualquer um a se despir (em vários sentidos). </span></p>
<figure id="attachment_36299" aria-describedby="caption-attachment-36299" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36299" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7.jpg" alt="Cena do filme Homem de OuroNa imagem, a personagem Darlene está sentada em um sofá, rindo, enquanto segura um copo de vidro contendo bebida alcoólica na mão esquerda e cigarro na mão direita, que está levantada na altura de sua cabeça. Do lado esquerdo da imagem, de costas e desfocado está o personagem Mariel Mariscot, com o braço apoiado nas costas do sofá. Ele usa um relógio dourado no braço. Darlene veste uma blusa preta com várias pedras enfileiradas na vertical, que se estendem do pescoço, na gola, até a barra da roupa. Ela também usa anéis e pulseira. O cenário é uma sala de uma casa. Darlene é uma mulher branca, na faixa dos 30 anos, de cabelos loiros e lisos na altura do ombro. " width="770" height="514" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36299" class="wp-caption-text">O Homem de Ouro fez parte da seleção do Festival do Rio 2025 (Foto: Downtown Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O passado é embargado por figuras históricas e célebres, como a atriz Darlene Glória (</span><a href="https://personaunesp.com.br/amor-e-sorte-critica/"><span style="font-weight: 400;">Luisa Arraes</span></a><span style="font-weight: 400;">), que vive com amigos gringos, é artista de rádio, teatro e Cinema; canta e dança, além de ser rodeada por itens de pluma e cor de ouro: vestidos, anéis e outras joias. Contudo, o </span><i><span style="font-weight: 400;">glamour </span></i><span style="font-weight: 400;">apenas enfeita o estilo de vida destrutivo da </span><a href="https://extra.globo.com/famosos/musa-de-arnaldo-jabor-darlene-gloria-de-78-anos-vive-isolada-em-teresopolis-recusa-convites-para-voltar-atuar-25405566.html"><span style="font-weight: 400;">estrela</span></a><span style="font-weight: 400;">, que possui um comportamento agressivo e abusa de drogas lícitas e ilícitas. As contradições entre aparências e a realidade argumentam a hipocrisia da elite e da classe média carioca, o que envolve policiais, políticos e outros poderosos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, os ilustres hotéis e as badaladas casas de </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> ficam afastadas da violência exercida por Mariscot e o </span><a href="https://comissaodaverdade.al.sp.gov.br/relatorio/tomo-i/parte-i-cap2.html"><span style="font-weight: 400;">esquadrão da morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Elas ocorrem em ruas residenciais ou em um porto de barcos, afastado da população. Esses locais são destituídos de graciosidade. Desta forma, a direção de Mauro Lima consegue causar impacto com os disparos de tiros e com o espaço cru, direto, que não precisa esconder a corrupção que habita ali, se afastando da romantização e exaltação da brutalidade. A pergunta que cada cena indaga ao espectador é: mesmo com toda pompa, o que esse passado reluz é ouro? </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-tropa-de-elite/"><i><span style="font-weight: 400;">Tropa de Elite</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2007), a produção de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Homem de Ouro </span></i><span style="font-weight: 400;">consegue articular suas ideias sem se contradizer. Apesar da beleza embutida nos personagens e nos cenários, há sempre uma podridão presente e pessoas que saem machucadas. A trama de Mariscot não finaliza com ele no topo, mas em declínio. Existe uma união entre os segmentos de cada linguagem do Cinema para transmitirem os significados que Mauro Lima deseja: o passado vendido pelos saudosistas da Ditadura Militar Brasileira como melhor que o presente e dos falsos ouros que compõem a história brasileira.   </span></p>
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		<title>Persona Entrevista: Cristiano Burlan</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Nov 2025 13:00:15 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>                Em estreia na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o diretor de Nosferatu revela as características decoloniais de seu vampiro Davi Marcelgo Um navio chega ao litoral do Brasil. Os contêineres substituem as silhuetas imensas dos altos prédios no horizonte. Em seguida, o título Nosferatu surge &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-cristiano-burlan/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Cristiano Burlan"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">                Em estreia na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, o diretor de <i>Nosferatu </i>revela as características decoloniais de seu vampiro</span></p>
<figure id="attachment_36205" aria-describedby="caption-attachment-36205" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-800x450.jpg" alt="Arte do Persona Entrevista. Na ilustração, no canto direito, há um quadrado com uma fotografia do diretor Cristiano Burlan. Ele está de frente, veste um casaco preto com botões. Ele é um homem branco de cabelos e barbas grisalhos. No canto esquerdo, há a logo do Persona, um olho com um ícone de play na íris., que é da cor azul-piscina. Abaixo, está escrito em branco &quot;Persona&quot;, seguido de &quot;Entrevista&quot;. Mais para baixo, para a direita, está a logo da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. No canto inferior esquerdo, está escrito o nome do cineasta &quot;Cristiano Burlan&quot;. O fundo da imagem tem a arte do festival, assinado por Valter Hugo Mãe. Várias bolas brancas e ondas azuis." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36205" class="wp-caption-text">Helena Ignez e Jean-Claude Bernardet estrelam o filme (Arte: Arthur Caires/Fotografia: Zé Carlos Barretta/Folhapress)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um navio chega ao litoral do Brasil. Os contêineres substituem as silhuetas imensas dos altos prédios no horizonte. Em seguida, o título </span><a href="https://mostra.org/filmes/nosferatu"><i><span style="font-weight: 400;">Nosferatu</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">surge no casco da embarcação em uma tipografia de pichação na cor vermelha. O transporte que se confunde com a cidade nas imagens em branco e preto de Cristiano Burlan transmite uma mensagem de integração. Seria o vampiro incorporado a uma metrópole brasileira ou o país condicionado ao colonialismo das produções </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianas</span></i><span style="font-weight: 400;">? Quem chega de navio a um país suga, como um parasita, a identidade daquele território ou ele é sufocado pelo que já habita ali? </span><span id="more-36204"></span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Nosferatu</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Cristiano Burlan, compõe a seção Mostra Brasil na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, onde teve duas sessões, uma no CineSesc e outra no Reserva Cultural, estabelecimentos na região da Avenida Paulista. O longa parece romper com a imaculada imagem do monstro eterno, que busca pelo amor. Assim que atraca no porto, a criatura que levou a Alemanha do século XIX ao pânico, no </span><a href="https://personaunesp.com.br/os-melhores-filmes-de-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> encabeçado por Robert Eggers, não tem poder algum em terras brasileiras: ele é enforcado e ameaçado por uma mulher, é zombado e ainda alvo de um bloquinho de Carnaval. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cristiano Burlan se une à musa do Cinema Marginal, Helena Ignez, para fazer o mesmo que o movimento captado por Rogério Sganzerla: romper com uma lógica. Se o responsável por </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-o-bandido-da-luz-vermelha/"><i><span style="font-weight: 400;">O Bandido da Luz Vermelha</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1968) se rebelou contra o Cinema Novo e o estrangeiro para pensar em uma linguagem brasileira, o gaúcho vai seguir pelo mesmo caminho, mas transgredindo com as adaptações da obra de Bram Stoker feitas fora das fronteiras do Brasil. O cineasta conversou com o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">Persona Entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> e deu alguns detalhes sobre quais diálogos seu filme quer desenterrar. </span></p>
<figure id="attachment_36206" aria-describedby="caption-attachment-36206" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36206" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-6.jpg" alt="Cena do filme NosferatuNa imagem, em preto e branco, Nosferatu está de frente para a câmera, mas atrás de uma janela manchada. Ele é uma criatura de pele clara, cabeça sem cabelo, lábios escuros e olhos sombreados. Está vestindo uma roupa que cobre todo seu corpo, na cor preta. A janela é dividida de forma quadricular, em quatro partes menores. " width="770" height="514" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-6.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-6-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36206" class="wp-caption-text">Rodrigo Sanches, que já trabalhou com Burlan em outros filmes, dá vida ao Nosferatu (Foto: Bela Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sempre que um filme de Terror brasileiro adapta um material estrangeiro há um fantasma em torno dele: o da “brasilidade”. Para você, é importante incorporar essa “brasilidade” ou não faz sentido? </b></p>
<p><b>Cristiano Burlan: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Claro, porque não teria sentido fazer uma adaptação ainda mais neste momento. Quando forças de opressão renascem, os filmes de vampiro começam a ser refeitos, é um espírito do tempo. Com certeza não é uma adaptação literal de uma ideia colonialista do que é vampiro, o nosso filme tá muito mais perto do </span></i><a href="https://www.planocritico.com/critica-nosferato-no-brasil/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Nosferato do Ivan Cardoso</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e de um gênero [terrir] que já foi muito trabalhado no Brasil; e a uma pergunta que a gente fez: quais seriam os nossos monstros de hoje em dia? Muito mais isso do que tentar adaptar, até porque os recursos eram muito parcos e nem sei se saberia fazer filme de vampiro nesses conceitos”. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Burlan complementa dizendo o que quer provocar a partir da sua ideia de como seria um vampiro em Santos ou São Paulo, “</span><strong><i>Não é esse gênero de Terror americano que provoca sustos</i></strong><span style="font-weight: 400;">”. O roteiro assinado por Cristiano Burlan, </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mestre/emily-hozokawa-"><span style="font-weight: 400;">Emily Hozokawa</span></a><span style="font-weight: 400;">, Fernanda Farias e Rodrigo Sanches vai interceder na atmosfera do Terror através de diálogos que mastigam a vivência das mulheres em uma sociedade patriarcal e temas que percorrem a mortalidade e a eternidade. Essa consciência de afastamento perante a tudo aquilo que é produzido na cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> dominante dos Estados Unidos está explícito no longa e na fala de Burlan, quando destaca que a falta de recursos está ligada à estética do Cinema brasileiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele conta que gosta de quebrar cânones ao mesmo tempo que os respeita. Isto fica evidente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosferatu </span></i><span style="font-weight: 400;">pela presença de Helena Ignez e do crítico e teórico </span><a href="https://revistapesquisa.fapesp.br/personalidade-do-cinema-jean-claude-bernardet-morre-aos-88-anos/"><span style="font-weight: 400;">Jean-Claude Bernardet</span></a><span style="font-weight: 400;">, que morreu em julho de 2025. Em determinado trecho, a personagem da ícone diz para o de Bernardet que eles serão ‘eternos’, e em outro Burlan recria a emblemática cena de</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Família do Barulho</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1970), de </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitu-e-o-capitulo-critica/"><span style="font-weight: 400;">Júlio Bressane</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que a Prostituta (Helena Ignez) cospe sangue pela boca. Ao mesmo tempo, ela, como vampira, morde o pescoço do crítico – que ultraje! – e brinca, além de homenagear, na apresentação do elenco e equipe antes do filme ser exibido, dizendo que “</span><strong><i>Eu sou uma vampira! E tive o privilégio de morder quem? Jean-Claude Bernardet</i></strong><span style="font-weight: 400;">”. Ela finaliza sua fala pedindo por uma salva de palmas ao amigo. </span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;"> “Eu gosto de trabalhar esses cânones com respeito, mas não com muito respeito<i>, porque essas vozes [coloniais], essas falas, nos chegam até hoje, depois de tanto tempo</i>” </span></p></blockquote>
<p><b>Como é trabalhar com a Helena Ignez e o Jean-Claude Bernardet, grandes ícones do cinema brasileiro? De que forma você os trata pela imagem?</b></p>
<p><b>Cristiano Burlan: </b><i><span style="font-weight: 400;">“A </span></i><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2023/02/helena-ignez-reafirma-sua-liberdade-aos-83-em-filme-sobre-poder-do-orgasmo.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">Helena</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, antes de mais nada, é minha vizinha e minha amiga, não é só uma das maiores atrizes do Cinema brasileiro. Sempre que eu penso em um filme, ela é uma das primeiras pessoas que penso; ligo pra ela, nem pergunta se tem roteiro ou dinheiro, ela topa, ela não hesita. E o Cinema Brasileiro perdeu um intelectual, crítico, provocador, ensaísta, todo mundo conhece a história dele [Jean-Claude Bernardet]. Eu perdi um amigo que morava do outro lado da rua. Eu acho que foi a última cena dele feita no Cinema, se não estou enganado, e Helena vampiriza ele. O que fica é a saudade e a cena desse encontro de dois titãs, mas antes de serem essas pessoas históricas, não eram museus ambulantes, eram meus amigos que topavam minhas loucuras”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cineasta dedicou a sessão no CineSesc ao amigo antes de cada um dos membros da equipe que estavam na sala se apresentarem. Da produção executiva à maquiagem e caracterização, mais de dez membros se juntaram na frente da tela para falarem suas responsabilidades na obra, o que corrobora com essa ideia de um Cinema anti-americano que concentra suas produções no domínio de uma marca ou de um nome só, sendo que essa, especialmente essa Arte, é feita e vista de forma </span><a href="https://rebeca.emnuvens.com.br/1/article/view/1080"><span style="font-weight: 400;">coletiva</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, antes do filme começar, Rodrigo Sanches (que vive Nosferatu na pele) agradeceu à entrega da equipe para realizar o projeto: “</span><strong><i>Fizemos esse filme com pouquíssimos recursos e se não fossem essas pessoas, a gente não teria feito o que fez</i></strong><span style="font-weight: 400;">”. O artista finalizou o discurso convidando a plateia para uma festa no </span><a href="https://www.instagram.com/cemiteriodeautomoveis/"><span style="font-weight: 400;">Teatro Cemitério de Automóveis</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_36207" aria-describedby="caption-attachment-36207" style="width: 763px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36207" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-4.jpg" alt="Cena do filme NosferatuNa imagem, em preto e branco, estão Helena Ignez, de vampira, e Jean-Claude Bernardet. Ela, no canto direito da foto, está abraçando o homem por trás, segurando em seu ombro com a mão esquerda. Ela está rindo, mostrando as presas dos dentes. Helena Ignez é uma mulher branca de cabelos longos, na faixa dos 80 anos. Veste uma roupa preta. Jean-Claude está de perfil, usa óculos escuros e uma corrente prateada no pescoço. Está vestindo uma regata. Ele está com a boca aberta em expressão de desespero. Jean-Claude é um homem branco, de barba e cabelos brancos, na faixa dos 85 anos. Atrás da dupla há um espelho. " width="763" height="430" /><figcaption id="caption-attachment-36207" class="wp-caption-text">Nosferatu é composto por vários monólogos (Foto: Bela Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Por que Nosferatu? Por que não Frankenstein ou outros monstros?</b><b><br />
</b><b><br />
</b><b>Cristiano Burlan: </b><i><span style="font-weight: 400;">“Ah, porque a gente [brasileiros] gosta de esculachar! O Cinema Brasileiro, que é latino-americano, esqueceu que nossa estética está diretamente ligada à falta de recursos. Não ter recursos não significa fazer filmes menores, não estou apregoando ao ato de fazer filme sem dinheiro, tem que ter recurso. Mas quando não tem, né. E também com esses cânones, eu gosto. Eu adaptei </span></i><a href="https://meioamargo.com/critica-ulisses-cristiano-burlan-2024/"><i><span style="font-weight: 400;">Ulisses</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, agora vou fazer O Falso, que é uma personagem faustina que vive no jardim romano. Eu gosto de trabalhar esses cânones com respeito, mas não com muito respeito, porque essas vozes [coloniais], essas falas nos chegam até hoje, depois de tanto tempo”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o </span><i><span style="font-weight: 400;">Nosferatu </span></i><span style="font-weight: 400;">de Burlan não apavora ninguém, tem motivo: sua fé na sagacidade do Brasil. Ele finaliza dizendo que “</span><strong><i>Não vi todos os filmes do Cinema Brasileiro, é um termo muito amplo, mas o Cinema da </i><a href="https://unicamp.br/unicamp/radio/drops-de-leitura/2022/07/22/boca-do-lixo-cinema-e-classes-populares/"><i>Boca do Lixo</i></a><i>, o Cinema Paulista tem essa capacidade de não se levar muito a sério e dar risada das coisas, com seriedade, mas com leveza também, eu tenho um pouco disso</i></strong><span style="font-weight: 400;">.”</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer Nosferatu" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/4VRm07E76-s?start=7&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>X-Slasher degusta Bauru até o último pedaço</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2025 13:00:36 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[2025]]></category>
		<category><![CDATA[Angélica Spadari]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Elm Street, Woodsboro e Nova York são algumas cidades, fictícias ou não, que protagonizaram clássicos do slasher americano. A forma como a população se comporta e os lugares que os jovens frequentam são aspectos importantes na trama destes filmes, sobretudo porque a tranquilidade dos subúrbios americanos ou o julgamento de um município interiorano &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/x-slasher-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "X-Slasher degusta Bauru até o último pedaço"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36146" aria-describedby="caption-attachment-36146" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36146" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-2-800x450.jpg" alt="Cena do filme X-SlasherNa imagem, a mão de uma mulher branca folheia um livro de invocação. Na página direita, há um sanduíche com mãos, olhos de pepino e pés de tomate desenhado dentro de um losango, com várias escrituras. Enquanto na esquerda, está o mesmo lanche, mas desmontado. A iluminação é escura e amarela. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-2.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36146" class="wp-caption-text">O filme foi produzido por meio da Lei Paulo Gustavo (Foto: Leticia Bonatelli)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><a href="https://personaunesp.com.br/novo-pesadelo-o-retorno-de-freddy-krueger-30-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Elm Street</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Woodsboro</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/panico-6-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Nova York</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> são algumas cidades, fictícias ou não, que protagonizaram clássicos do </span><i><span style="font-weight: 400;">slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> americano. A forma como a </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-sei-o-que-voces-fizeram-no-verao-passado-critica/"><span style="font-weight: 400;">população se comporta</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os lugares que os jovens frequentam são aspectos importantes na trama destes filmes, sobretudo porque a tranquilidade dos subúrbios americanos ou o julgamento de um município interiorano são elementos que o Terror deturpa e radicaliza para tensionar os personagens e o público. Em </span><a href="https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2025/10/31/x-slasher-lanche-bauru-e-protagonista-de-curta-de-terror-que-concorre-para-ser-exibido-na-ccxp.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">X-Slasher</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2025), dirigido por Leticia Bonatelli, os sangues nas pontas de faca desembarcam em Bauru (São Paulo), sendo o ambiente crucial para a história que quer contar. </span><span id="more-36145"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre os corpos que ficam pelo caminho, a dupla de roteiristas Gabriel Arruda e Letícia Bonatelli escolhe pontos familiares da cidade como cenários, que além de estabelecer um laço com os conterrâneos, cria um subtexto que defende a identidade do local, ao passo que discute o quão letal o interior pode ser à juventude. Não à toa, o responsável por assassinar quem ousa falar mal do lanche bauru é a representação do alimento: o mascote </span><a href="https://socialbauru.com.br/criador-renova-bauruzinho-em-diferentes-atividades/"><span style="font-weight: 400;">Bauruzinho</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse sentido, o curta-metragem posiciona a história de quatro amigos desrespeitosos com a cidade, que, por meio dos diálogos, entende-se que vieram de outras regiões para Bauru. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para aqueles oriundos da capital, o abismo da cultura alimentar e do tamanho da fronteira são questões limitantes para o cotidiano, porém, quando abrem a boca, o que sai é um terrível </span><a href="https://www.gepec.ufscar.br/publicacoes/publicacoes-seminarios-do-gepec/seminarios-de-2013/3-educacao-do-campo-formacao-e-trabalho-docente/c16-os-caipiras-e-suas-representacoes.pdf"><span style="font-weight: 400;">desdém</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela localidade. Ainda assim, tanto para quem nasce quanto para quem vem de fora, a experiência de morar em um município com pouco mais de 300 mil habitantes (isso quando não tem menos de 20 mil) sufoca, principalmente os </span><a href="https://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2021/06/28/solidao-e-medo-influenciadora-e-psicologa-falam-sobre-como-e-ser-lgbtqia-no-interior-da-paraiba.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">queers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e os rebeldes que rompem com a tradição da família e da população. É o urbano se materializando como o símbolo clássico daquela terra para matar quem ousa sair da linha.</span></p>
<figure id="attachment_36147" aria-describedby="caption-attachment-36147" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36147" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme X-SlasherNa imagem, há um lanche no chão na parte inferior e uma mão estendida na parte superior, saindo de dentro de uma geladeira. A mão está escorrendo sangue, que cai no lanche e no chão. O eletrodoméstico é branco, assim como o piso no chão. O cenário é noturno. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-1.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36147" class="wp-caption-text">O curta estreou na Mostra Loco de Ouro 2025 (Foto: Leticia Bonatelli)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A influência do meio está, inclusive, na Direção de Arte de Gab Garcia e no trabalho artístico de Angélica Spadari para dar vida ao cartão postal, ambos esbanjam um caráter de </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/521229/critica-a-bolha-assassina-1988-o-trash-divertido-dos-anos-1980-classico/"><span style="font-weight: 400;">filme B</span></a><span style="font-weight: 400;">, no sangue que parece ketchup (o que combina com uma história sobre lanche) ou na aparência do Bauruzinho. Essa característica garante o aspecto grotesco das cenas dos personagens comendo e alude ao Cinema feito com poucos recursos, que recorre à jocosidade para não ser encapsulado em termos como ‘mal feito’. Efetivamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">X-Slasher</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa como uma obra que só poderia ser feita através da estética </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jD50ashsBE4&amp;t=995s"><i><span style="font-weight: 400;">made in brazil</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O curta vai incorporar o famoso caso do </span><a href="https://g1.globo.com/VCnoG1/0,,MUL1063609-8491,00.html"><span style="font-weight: 400;">furto do Bauruzinho</span></a><span style="font-weight: 400;">, que aconteceu em 2008, quando uma república de estudantes levou para casa a estátua do ícone. Antes, o boneco estava fixado na Praça Vitória Régia, localizada na principal avenida do município. Porém, enquanto os jovens cineastas tentam retomar a identidade cultural da cidade, transformando o personagem em efígie do Terror, a realidade parece querer esquecer o sanduíche que leva seu nome. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No artigo </span><a href="https://periodicos.ufms.br/index.php/cadec/article/view/4534"><i><span style="font-weight: 400;">O SUPLÍCIO DO BAURUZINHO: cultura local, identidade e mídia</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2017), os autores Claudio Bertolli Filho e Ana Carolina Biscalquini Talamoni vão apontar que o símbolo representado pelo sanduíche foi esquecido pela mídia local, pela população e pelos representantes governamentais, que inclusive achavam o monumento de ‘mau gosto’. Filho e Biscalquini vão concluir dizendo que o Bauruzinho foi “</span><i><span style="font-weight: 400;">confinado a um canto raramente visitado da rodoviária local</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_36148" aria-describedby="caption-attachment-36148" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36148" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-800x450.jpg" alt="Fotografia do boneco BauruzinhoNa imagem, o boneco Bauruzinho está fixado em uma plataforma, dentro da rodoviária da cidade de Bauru. Ele é um sanduíche com olhos de pepino (na cor verde e branca), com uma carne saindo da boca, como se fosse uma língua, braços amarelos abertos, com as mãos possuindo quatro dedos, pernas amarelas e pés vermelhos, de tomate. Através dele há várias árvores e grama. Atrás, um portão de grade. Ao fundo, está a cidade, nublada. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1.jpg 984w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36148" class="wp-caption-text">Boneco real do Bauruzinho (Foto: Carlos Hinke)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O visual do Baurzinho e a escolha em trazer para a ficção essa preciosidade na história de Bauru residem no aspecto de conexão e memória com a cultura da cidade, mas de certa forma também contribuem para esse aspecto de vulgaridade das manifestações artísticas e culturais presentes nas ruas e no imaginário coletivo brasileiro, seja a </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/veja-gente/a-instigante-briga-entre-carreta-furacao-e-cpm-22-postura-desrespeitosa/"><span style="font-weight: 400;">Carreta Furacão</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou o </span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2025/07/31/qual-novela-tinha-o-cadeirudo-personagem-iconico-assombrava-mulheres.htm"><span style="font-weight: 400;">Cadeirudo</span></a><span style="font-weight: 400;">, da novela </span><i><span style="font-weight: 400;">A Indomada</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1997). Como também para a narrativa absurda, afinal, o crime parece fantasia. Estes exageros, que surgem nas camadas populares, nunca precisaram de pompa ou grandes orçamentos para serem queridos e lembrados, assim como o Bauruzinho – apesar de sua criação ter sido fruto da iniciativa da elite e empresários locais, sua estética passa longe dos grandes salões. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez, para uma parcela da população, o verdadeiro horror, o assassino genuíno, seja ‘</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2025/10/conjunto-habitacional-em-diadema-passa-por-refavelizacao-e-gera-debate-sobre-urbanismo.shtml"><span style="font-weight: 400;">manchar</span></a><span style="font-weight: 400;">’ a estética arquitetônica e plástica minimalista e limpa. Felizmente, a cineasta Leticia Bonatelli e toda a produção compreendem o apelo social do Bauruzinho e replicam a identidade brasileira em seu filme B, que não poderia ser outro. O artigo afirma que “</span><i><span style="font-weight: 400;">Se ainda hoje é lembrado, isto se deve aos universitários de Bauru que invocam o Bauruzinho em seus trabalhos escolares ou em suas brincadeiras</span></i><span style="font-weight: 400;">” e parece que a realidade não mudou, afinal o curta é um </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DQPJbAnEemn/"><span style="font-weight: 400;">projeto</span></a><span style="font-weight: 400;"> de quem já ocupou as cadeiras de discentes da graduação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Bauru surge, então, como um cenário extremamente importante para a narrativa, tanto internamente quanto externamente. Com seus 30 minutos de duração, o curta-metragem reacende a </span><a href="https://revistaforum.com.br/cultura/2025/10/29/agente-secreto-filme-fala-sobre-afetos-memoria-cinema-190892.html"><span style="font-weight: 400;">memória</span></a><span style="font-weight: 400;"> local, mesmo que para isto precise usar do Terror e sua capacidade de abominar até os ingênuos. A partir de agora, o Bauruzinho pode descer do pequeno palco dedicado a ele na rodoviária e passar a dividir, ao lado do </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghostface</span></i><span style="font-weight: 400;">, Jason e </span><a href="https://diariodopara.com.br/videolocadora/a-sintese-do-horror-no-brasil-a-meia-noite-levarei-sua-alma-completa-60-anos/"><span style="font-weight: 400;">Zé do Caixão</span></a><span style="font-weight: 400;">, o panteão das figuras aterrorizantes. Seja para trucidar adolescentes ou qualquer um que atreva-se a desrespeitar a característica local, o sanduíche estará à espreita, pronto para golpear. </span></p>
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		<title>Persona Entrevista: Noá Bonoba</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Nov 2025 13:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Atriz e protagonista de Morte e Vida Madalena fala sobre sentimentos e diversidade na produção cinematográfica Davi Marcelgo Antes da última sessão de Morte e Vida Madalena (2025) na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo começar, Noá Bonoba, a atriz que interpreta a personagem título, advertiu a plateia: “É um filme muito divertido, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-noa-bonoba/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Noá Bonoba"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><span style="font-weight: 400;">Atriz e protagonista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte e Vida Madalena </span></i><span style="font-weight: 400;">fala sobre sentimentos e diversidade na produção cinematográfica</span></p>
<figure id="attachment_36160" aria-describedby="caption-attachment-36160" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36160" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-800x450.jpg" alt="Arte do Persona EntrevistaNa ilustração, no canto direito, há um quadrado com uma fotografia da atriz Noá Bonoba. Ela está de perfil, veste uma roupa vermelha com botões. Ela é uma travesti de cabelos cacheados e alaranjados. No canto esquerdo, há a logo do Persona, um olho com um ícone de play na íris., que é da cor azul-piscina. Abaixo, está escrito em branco &quot;Persona&quot;, seguido de &quot;Entrevista&quot;. Mais para baixo, para a direita, está a logo da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo. No canto inferior esquerdo, está escrito o nome da atriz &quot;Noá Bonoba&quot;. O fundo da imagem tem a arte do festival, assinado por Valter Hugo Mãe. Várias bolas brancas e ondas azuis. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/Persona-Entrevista-Mostra-2025.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36160" class="wp-caption-text">A dramaturga dedicou a obra a  todas as profissionais trans do audiovisual e para as que “trabalham com atuação nesse país”. (Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes da última sessão de </span><a href="https://mostra.org/filmes/morte-e-vida-madalena"><i><span style="font-weight: 400;">Morte e Vida Madalena</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025) na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> começar, Noá Bonoba, a atriz que interpreta a personagem título, advertiu a plateia: “</span><b><i>É um filme muito divertido, muito engraçado</i></b><span style="font-weight: 400;">”, mas… dava para confiar? Afinal, dificilmente uma profissional vai criticar seu trabalho, quanto mais dentro de um dos principais festivais do Brasil. Entre situações inusitadas e expressões hilárias, quem ignorou o aviso de Bonoba teve uma grata surpresa, o filme é o superlativo de divertido. </span><span id="more-36151"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No decorrer de tantas desventuras que a cidade de São Paulo pode propiciar, principalmente em um domingo, com a Avenida Paulista fechada para os carros e aberta para os pedestres, a rotina exaustiva de pegar metrôs e trens para chegar ao estabelecimento desejado foi presenteada com o leve suspiro do longa dirigido e escrito por </span><a href="https://cineset.com.br/critica-inferninho-pedro-diogenes-guto-parente/"><span style="font-weight: 400;">Guto Parente</span></a><span style="font-weight: 400;">. Contudo, o público do Espaço Petrobras de Cinema não foi o único agraciado, enquanto apresentava a sessão, a atriz revelou que recebeu o papel como um presente. “</span><b><i>É muito raro ainda que nós, pessoas trans, recebamos papéis complexos, então sou muito grata por essa personagem</i></b><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aquele dia parecia aniversário de debutante, onde todo mundo sai com um mimo em mãos. A aniversariante por ter as festas dos sonhos, os pais por conquistarem o sorriso da filha e os convidados por encherem a barriga sem terem gasto 10% do valor daquela comemoração. Na trama de </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte e Vida Madalena</span></i><span style="font-weight: 400;">, após o falecimento do pai (</span><a href="https://personaunesp.com.br/marte-um-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carlos Francisco</span></a><span style="font-weight: 400;">), Madalena (Noá Bonoba), grávida, recebe a oferta de produzir e dirigir o roteiro deixado por ele. Porém, antes de aceitar seu destino, ela vai encarar a responsabilidade como a peça </span><a href="https://personaunesp.com.br/20-anos-atras-star-wars-episodio-iii-a-vinganca-dos-sith-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Édipo Rei</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Neste </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/persona-entrevista/"><span style="font-weight: 400;">Persona Entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;">, a dramaturga, pesquisadora e artista Noá Bonoba comenta a animosidade do público e a sua visão sobre o cenário cinematográfico.</span></p>
<figure id="attachment_36153" aria-describedby="caption-attachment-36153" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36153" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Morte e Vida Madalena Na imagem, Madalena aponta uma arma para sua frente, o objeto não está enquadrado na cena. A personagem está com o braço esquerdo estendido, usa uma camisa de botões que está aberta, na cor azul em degradê com o branco. Veste uma peça branca por baixo e um colar grosso com discos enfileirados que parece ser feito do material sisal. Madalena é travesti e possui cabelos cacheados na cor castanha, que estão presos. O fundo é um cenário de set de filmagens, uma parede rochosa na cor marrom. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-1.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36153" class="wp-caption-text">O longa compõe a seção Mostra Brasil da 49ª Mostra SP (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Em relação ao seu sentimento sobre a sessão do filme de hoje, o público foi muito receptivo, teve muitas risadas em vários momentos. É um filme de riso, mas também de emoção. Como você está se sentindo?</b></p>
<p><b>Noá Bonoba: “</b><i><span style="font-weight: 400;">Hoje eu fiquei bem emocionada, bateu diferente. Eu sempre fico, né? É um </span></i><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2025/09/7248303-morte-e-vida-madalena-critica-da-comedia-que-abriu-a-mostra-competitiva.html"><i><span style="font-weight: 400;">filme</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> que tem arrancado muitas risadas e tem emocionado muito por onde passa, e hoje eu fiquei especialmente emocionada. Tô muito feliz.”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto falava, alguém que tinha acabado de assistir passou pela atriz e disse algum elogio, que ela respondeu rapidamente com um afetuoso “</span><strong><i>Obrigada</i></strong><span style="font-weight: 400;">”. Antes da entrevista, ela tirou fotos com algumas amigas que vieram prestigiá-la e com outras pessoas que testemunharam a exibição. </span><a href="https://amarello.com.br/2022/12/arte/madalena-e-o-ato-de-sentir-o-inominavel/"><span style="font-weight: 400;">Bonoba</span></a><span style="font-weight: 400;"> ficou sentada na frente, em uma das fileiras do canto esquerdo da sala de cinema, separada do resto dos espectadores que se concentraram nas poltronas do centro e do lado direito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por preferência, orientação da Mostra ou por qualquer outro motivo, esse afastamento garantiu uma espécie de mágica, com toda a atenção voltada para a tela, sem o compromisso de quem assiste querer agradar a estrela. De fato, as emoções criadas ali eram genuínas. Contudo, a partir do momento em que o encantamento cessou, os olhos se voltaram à profissional e, quando estava saindo da sessão, ainda dentro da </span><a href="https://agenciagov.ebc.com.br/noticias/202501/petrobras-inicia-parceria-com-um-dos-cinemas-de-rua-mais-tradicionais-de-sao-paulo"><span style="font-weight: 400;">sala 1</span></a><span style="font-weight: 400;">, foi abordada por um admirador que comentava suas impressões sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">Morte e Vida Madalena. </span></i><span style="font-weight: 400;">O deslocamento dela na apresentação não condiz nada com toda a atenção que teve com cada um que a parou pelo caminho da saída.</span></p>
<figure id="attachment_36154" aria-describedby="caption-attachment-36154" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36154" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-800x432.jpg" alt="Cena do filme Morte e Vida Madalena Na imagem, Madalena está de perfil, olhando para o lado esquerdo. Ela veste uma camisa azul marinho, uma bolsa marrom com a alça apoiada no ombro direito e um colar grosso com discos enfileirados que parece ser feito do material sisal. Na mão esquerda, que segura a bolsa, há um anel com uma pedra vermelha no dedo do meio. Ao fundo, árvores e galhos. Madalena é travesti e possui cabelos cacheados na cor castanha, que estão presos, há um óculos de sol apoiado em sua cabeça. " width="800" height="432" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-800x432.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-1024x554.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-768x415.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-1536x830.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2-1200x649.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-2.jpg 1998w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36154" class="wp-caption-text">Morte e Vida Madalena foi um dos selecionados do Festival de Brasília (Foto: Embaúba Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Retomando sua fala no começo da sessão, você diz que é raro ter papéis de personagens complexas atribuídos às mulheres trans. Para você, o que é uma personagem complexa? Como você enxerga os papéis de mulheres trans e travestis no Cinema? </b></p>
<p><b>Noá Bonoba: </b><i><span style="font-weight: 400;">“O </span></i><a href="https://www.casaum.org/entenda-o-que-e-o-transfake-e-conheca-14-artistas-trans-para-acompanhar-e-celebrar/"><i><span style="font-weight: 400;">Cinema cisgênero</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, principalmente, ainda está trabalhando com a transgeneridade em uma zona muito rasa. Ainda ficamos muito restritas a fazer apenas personagens trans. Então, o que acontece nesse filme [Morte e Vida Madalena] para mim é algo muito raro, que eu espero que aconteça cada vez mais, que as pessoas entendam que a gente pode interpretar qualquer tipo de personagem, independente do gênero. Enfim, o que eu acho que esse papel me oferta é a possibilidade de ser atriz de fato, de eu poder explorar as várias zonas da minha profissão e da minha capacidade enquanto atriz. É uma personagem [Madalena] que, além de ser complexa, ela passeia do drama à comédia, ao mistério, é uma personagem maravilhosa.” </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, Madalena é uma protagonista complexa, que está grávida, mas não limitada ao papel de futura mãe ou vulnerável. Ela também é filha, produtora de Cinema e amiga. Um ser humano com memórias boas e dolorosas da infância, que voltam para assombrar sua travessia de morte para vida. </span><a href="https://midianinja.org/reflexoes-sobre-morte-e-vida-madalena-de-guto-parente-e-o-espaco-da-comedia-nos-festivais/"><span style="font-weight: 400;">Guto Parente</span></a><span style="font-weight: 400;"> considera esses dois extremos como ritos de passagem para criar Arte. Existe mágica nas roupas herdadas do pai e na imensidão do céu que se confunde com uma camisa degradê azul e branca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para assumir seu destino, Madalena será banhada pelas cinzas de seu criador, porém isto não é um ato consciente. É o vento quem encharca seu rosto com o pó que deveria ser levado pela brisa, com um passado que insiste em permanecer para existir um futuro, este representado pelo bebê que logo nascerá. São diferentes formas de sentir a vida: em uma criança que nasce no Cinema e um idoso velado no mesmo local. A </span><a href="https://arteref.com/cinema/a-setima-arte-por-que-o-cinema-tem-este-nome/"><span style="font-weight: 400;">Sétima Arte</span></a><span style="font-weight: 400;"> é encarada como um espaço de decidir quem é lembrado na tela, quais vidas são registradas e por quem serão – e qual memória será narrada. </span></p>
<figure id="attachment_36155" aria-describedby="caption-attachment-36155" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36155" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-3-800x594.jpg" alt="Fotografia da cerimônia de encerramento da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São PauloNa imagem, em uma tela projetada, há o encarte da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, que anuncia o filme Morte e Vida Madalena como o vencedor do Prêmio Prisma Queer Especial do Júri. No canto esquerdo, em um retângulo preto, está a logo da Mostra no topo, seguido abaixo do nome da categoria e do filme. Abaixo do título do filme está escrito “De Guto Parente”. Ao lado desse retângulo, está uma fotografia do filme, a mesma foto, anterior a esta, que está presente neste texto. O fundo da imagem é azul. Abaixo da tela, em um palco, estão 4 pessoas, duas mulheres e dois homens. " width="800" height="594" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-3-800x594.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-3-768x570.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-3.jpg 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36155" class="wp-caption-text">Filme de Guto Parente foi o vencedor do Prêmio Prisma Queer Especial do Júri na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Guilherme Moraes)</figcaption></figure>
<p><b>As personagens que estão à frente e atrás das câmeras são diversas: mulheres negras, homens negros e mulheres trans. Qual tipo de vida este filme traz para o Cinema neste sentido de diversidade?</b></p>
<p><b>Noá Bonoba: </b><i><span style="font-weight: 400;">“O filme coloca essa diversidade no corpo da produção. Para além da produção, da equipe técnica ser diversa, que corresponde a uma série de dissidências, o filme [que está sendo produzido na ficção] que se vê na tela também é de uma equipe diversa. E eu desejo que isso aconteça cada vez mais, que as pessoas trans, dissidentes, habitem os </span></i><a href="https://igualize.com/11-filmes-para-entender-diferentes-vivencias-de-pessoas-trans/"><i><span style="font-weight: 400;">universos dos filmes</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, que a gente possa ver no escopo do coletivo mesmo essas pessoas, porque a gente existe nesses universos. Fazer filme, fazer Cinema não pode estar descolado dessas importâncias, essas pessoas precisam estar nos sets, na gerência como cabeças de equipe; no filme, a gente tem uma travesti fazendo a Direção de Fotografia. Também precisamos estar fazendo nossos próprios filmes.” </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Madalena é uma mulher cis, interpretada por uma travesti, que vai de encontro com a fala de Bonoba, pois ela é quem gerencia o </span><i><span style="font-weight: 400;">set </span></i><span style="font-weight: 400;">de seu </span><i><span style="font-weight: 400;">sci-fi</span></i><span style="font-weight: 400;">, tomando as principais decisões ao lado das colegas que chefiam outros departamentos de uma produção cinematográfica. Fora da ficção, quem assina a produção é Ticiana Augusto Lima e Taís Augusto a Direção de Arte. Ao lado de Noá Bonoba, juntam-se ao elenco </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/linga-acacio-entrevista-estranho-caminho/"><span style="font-weight: 400;">Linga Acácio</span></a><span style="font-weight: 400;">, Jenniffer Joingley, Tavinho Teixeira e Honório Félix. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Morte e Vida Madalena </span></i><span style="font-weight: 400;">passeou por alguns festivais, como a </span><a href="https://cinebh.com.br/filme/morte-e-vida-madalena/"><span style="font-weight: 400;">19ª CineBH</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o francês </span><i><span style="font-weight: 400;">FIDMarseille</span></i><span style="font-weight: 400;">, e ainda não tem data definida para chegar aos cinemas comerciais do Brasil, mas tudo indica que seja em 2026. Na prática, você nem vai precisar consultar o calendário, pois quando passar na frente de uma sala e ouvir altas gargalhadas, pode ir de olhos fechados, será este filme que estará em cartaz.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="MORTE E VIDA MADALENA • Official Teaser" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/PBVMucE3gmI?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Vampiros ladram, mas não mordem em Love Kills</title>
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		<pubDate>Sat, 01 Nov 2025 20:14:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Existem filmes que transformam cidades em personagens ou fazem delas elementos importantes para a trama. Na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, por exemplo, o longa A Árvore do Conhecimento (2025) usa as transformações de Lisboa como ponto de partida de sua história. Já Baby (2024) faz das ruas da capital &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/love-kills-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Vampiros ladram, mas não mordem em Love Kills"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36116" aria-describedby="caption-attachment-36116" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36116" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-9-800x324.jpg" alt="Cena do filme Love Kills.Na imagem, com cores em tons de verde neon, a personagem Helena está com as duas mãos nas bochechas com expressão de prazer. Ela é uma vampira e se delicia com sangue na boca, que está aberta, mostrando as presas. Ela está de olhos fechados e a fotografia fecha o plano em seu rosto. Ao fundo, em desfoque, há uma parede laranja. Helena é uma mulher negra, na faixa dos 35 anos, de cabelos dread na cor preta. Suas unhas estão pintadas em tom escuro. " width="800" height="324" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-9-800x324.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-9-1024x414.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-9-768x311.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-9-1200x486.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-9.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36116" class="wp-caption-text">Love Kills foi exibido no Festival do Rio 2025 (Foto: Filmland Internacional)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem filmes que transformam cidades em personagens ou fazem delas elementos importantes para a trama. Na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, o longa </span><a href="https://mostra.org/filmes/a-arvore-do-conhecimento"><i><span style="font-weight: 400;">A Árvore do Conhecimento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025) usa as transformações de Lisboa como ponto de partida de sua história. Já </span><a href="https://personaunesp.com.br/baby-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Baby</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2024) faz das ruas da capital paulista um local de refúgio e identidade. Essa característica não está presente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Love Kills</span></i><span style="font-weight: 400;">, apesar de a diretora Luiza Schelling transformar a terra da garoa em sua Transilvânia, ela pode ser substituída por qualquer outro cenário. A produção faz parte da seção Mostra Brasil do evento e reproduz a linguagem e a gramática de países externos. </span><span id="more-36115"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama de vampirismo é inspirada no </span><a href="https://deliriumnerd.com/2020/03/20/love-kills-resenha-danilo-beyruth-darkside-books/"><span style="font-weight: 400;">quadrinho</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mesmo nome, escrito por Danilo Beyruth (</span><a href="https://www.planocritico.com/lista-graphic-msp-as-historias-ranqueadas/"><span style="font-weight: 400;">Astronauta MSP</span></a><span style="font-weight: 400;">), e é persuadida por produções estrangeiras do subgênero, seja pelas roupas de couro (</span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/522290/critica-blade-o-cacador-de-vampiros-1998-nem-so-de-sangue-vive-o-vampiro-classico/"><i><span style="font-weight: 400;">Blade: O Caçador de Vampiros</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, 1998) ou  inspirações no enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Drácula de Bram Stoker </span></i><span style="font-weight: 400;">(1897). Tentar se desvincular de uma obra inaugural como o livro do final do século XIX não é só exaustivo, como faz parte da Arte o diálogo com influências externas. Porém, repetir os padrões estilísticos do Cinema Hollywoodiano em um longa brasileiro é, no mínimo, castrador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Helena (</span><a href="https://personaunesp.com.br/3-nacional-netflix-critica/"><span style="font-weight: 400;">Thais Lago</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Marcos (</span><a href="https://personaunesp.com.br/de-volta-aos-15-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Gabriel Stauffer</span></a><span style="font-weight: 400;">) transitam nas noites de São Paulo, entre covis e escadarias onde o abandono estatal e a dependência por drogas são codificados como elementos de Terror, mas superficiais. A morte de pessoas em situação de rua, servidas de alimento para os vampiros, remete à alegoria dos ricos que sugam as classes mais vulneráveis. Contudo a temática está mais apoiada ao clichê dessa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ZMm-M3Y1ISI"><span style="font-weight: 400;">metáfora</span></a><span style="font-weight: 400;"> no imaginário do público do que um compromisso no enredo, que dá preferência à fantasia e ao amor, fazendo com que esse plano de fundo da cidade de pedra seja puramente estético – o que não seria um problema, se a direção de Schelling não estivesse tão apegada aos vícios americanos. A título de comparação, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Boas Maneiras</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017) consegue incorporar a natureza folclórica do lobisomem, contada de forma oral por gerações, por meio de paisagens pintadas e estilo artificial, o que proporciona elementos do Brasil.</span></p>
<figure id="attachment_36117" aria-describedby="caption-attachment-36117" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36117" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-10.jpg" alt="Cena do filme Love Kills.Na imagem, o personagem Marcos está de costas para a câmera, mas com o rosto virado para ela. Ele empunha um machado na mão direita. À sua frente, há muito fogo e fumaça, fazendo com a fotografia tenha bastante sombra, impossibilitando a identificação das cores de roupas do personagem, por exemplo. Marcos está vestindo calças e uma jaqueta, ele possui cabelo encaracolado. É um homem branco na faixa dos 35 anos. " width="770" height="514" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-10.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-10-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36117" class="wp-caption-text">Love Kills marca a estreia na direção de Luiza Schelling, que trabalhou durante anos na produção (Foto: Filmland Internacional)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os personagens lutam com uma coreografia e encenação bastante formulaica, ora por planos abertos no escuro, ora por uma câmera estática que se fixa nos golpes. São socos que quebram a barreira do som, arremessam adversários para longe e fazem eles gemer durante o combate. Quando os poderes de levitação entram em cena, a situação piora, e os figurinos de couro remetem aos </span><i><span style="font-weight: 400;">X-men</span></i><span style="font-weight: 400;">, de </span><a href="https://personaunesp.com.br/bohemian-rapsody-aniversario-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Bryan Singer</span></a><span style="font-weight: 400;">, e ao principal produto midiático brasileiro oriundo dos heróis da </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">: a novela </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Mutantes: Caminhos do Coração</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2008-2009). Essa semelhança não atribui uma carga cômica ou </span><a href="https://personaunesp.com.br/darkman-vinganca-sem-rosto-35-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas de um simulacro mal feito das batalhas travadas nos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma briga difícil de se imaginar acontecendo nas ruas paulistanas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da boa iluminação e da fotografia de <a href="https://personaunesp.com.br/durval-discos-critica/">Jacob Solitrenick</a>, que traz ares góticos em suas composições, </span><i><span style="font-weight: 400;">Love Kills</span></i><span style="font-weight: 400;"> não transmite a paixão ardente que os protagonistas tanto verbalizam ou que a cena de abertura consegue transmitir, momento que, inclusive, lembra a </span><a href="https://www.facebook.com/amantescinema/posts/a-cena-de-abertura-de-blade-1998-nunca-foi-igualada/1114029467034895/"><span style="font-weight: 400;">primeira sequência</span></a><span style="font-weight: 400;"> de ação em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blade</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambas são ambientadas em uma balada, filmadas com tesão e que ejaculam sangue, ao passo que a roupa de Helena, amarrada com um laço atrás, dá indícios de uma abordagem </span><a href="https://claudia.abril.com.br/amor-e-sexo/bdsm-como-praticar-o-sadomasoquismo-de-forma-saudavel/"><i><span style="font-weight: 400;">BDSM</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar disso, o estilo quente só retorna ao final da trama e as roupas coladas ficam sem apelo, engolidas pela escuridão noturna, sendo difícil apreciar os estilos dos vampiros.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tem alguma coisa que </span><i><span style="font-weight: 400;">Love Kills</span></i><span style="font-weight: 400;"> remete de São Paulo, talvez seja essa ideia de uma cidade frívola, sem amor, que já foi desmentida por meio de produções que inundaram o cotidiano com esse sentimento poderoso. É uma representação bem morna sobre o desejo dos dráculas, que em uma abordagem contida, lembra muito mais a fase casta da </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;"> atual do que uma identidade brasileira. Com certeza a capital paulista não habita uma profecia de filme de aventura, em que um ser poderoso está vindo e é preciso agir, antes que seja tarde demais. Afinal, que tipo de história esse </span><a href="https://cinepop.com.br/10-curiosidades-de-a-mumia-aventura-classica-dos-anos-90-446525/"><i><span style="font-weight: 400;">plot</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> te lembra? </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="LOVE KILLS - TRAILER (ENGLISH SUB)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/nElKNbZrQXU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>IA é o novo crucifixo para matar o Dracula</title>
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		<pubDate>Thu, 30 Oct 2025 13:00:13 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Tanto já foi feito com o Drácula e suas variações na mídia, que talvez haja um esgotamento criativo. Nos brinquedos, Monster High criou sua Draculaura; na literatura, Stephenie Meyer fez adolescentes suspirarem com seu Edward e só na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo há três filmes que adaptam histórias de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/dracula-critica-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "IA é o novo crucifixo para matar o Dracula"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36063" aria-describedby="caption-attachment-36063" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36063" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-8-800x420.jpg" alt="Cena do filme DraculaNa imagem, um dos personagens que representa o Dracula ao longo do filme, aparece com uma expressão de prazer, enquanto recebe um sexo oral. Ele está com os olhos fechados e a boca ensanguentada e aberta, mostrando os dentes afiados. Seus cabelos são na altura do pescoço. Também usa um bigode. Dracula está vestindo uma camisa de botões branca, gravata borboleta da mesma cor e uma capa preta com gola alta. Na cabeça, ele usa um chapéu vermelho com adorno. Na ponta, é vermelho, enquanto a borda é enfeitada por pérolas. No centro, há uma estrela dourada de 8 pontas com uma pedra vermelha e quadrada no centro, em volta dela há outras pedras redondas douradas, mas menores. Acima da estrela, há um pentágono preto com cinco pedras redondas na cor branca, assim como uma pena branca anexada. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-8-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-8-1024x537.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-8-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-8-1536x806.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-8-1200x629.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-8.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36063" class="wp-caption-text">Além de Dracula, a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo possui mais um filme do diretor romeno em sua programação: Kontinental ‘25 (Foto: RT Features)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Tanto já foi feito com o Drácula e suas variações na mídia, que talvez haja um esgotamento criativo. Nos brinquedos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Monster High</span></i><span style="font-weight: 400;"> criou sua Draculaura; na literatura, </span><a href="https://personaunesp.com.br/sol-da-meia-noite-critica/"><span style="font-weight: 400;">Stephenie Meyer</span></a><span style="font-weight: 400;"> fez adolescentes suspirarem com seu Edward e só na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;"> há três filmes que adaptam histórias de vampiro: </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/nosferatu-brasileiro-trailer"><i><span style="font-weight: 400;">Nosferatu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Love Kills</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Dracula</span></i><span style="font-weight: 400;">. Este último é dirigido por Radu Jude, diretor romeno que tem em sua carreira obras ácidas, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Má Sorte no Sexo ou Pornô Acidental </span></i><span style="font-weight: 400;">(2021). Ao ser o primeiro cineasta da Romênia (país de origem do mito) a adaptar a história para as grandes salas, Jude encara o dilema de produzir mais uma história sobre Vlad III, mas encontra uma saída rápida: a Inteligência Artificial. </span><span id="more-36062"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa, que faz parte da </span><a href="https://mostra.org/filmes/dracula"><span style="font-weight: 400;">Seção Perspectiva Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> no festival, usa a ferramenta contra si mesma: o que é regurgitado pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">software </span></i><span style="font-weight: 400;">se torna instrumento para zombaria e crítica. A premissa consiste em um </span><i><span style="font-weight: 400;">filmmaker </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><a href="https://www.instagram.com/adonistanta/"><span style="font-weight: 400;">Adonis Tanta</span></a><span style="font-weight: 400;">) que pede à IA fictícia uma série de histórias sobre o Dracula, o resultado é uma antologia obscena, esquisita e por muitas vezes desinteressante, uma ode ao mau gosto. Entre os gêneros e temáticas exercidas na obra, há uma sátira envolvendo um vampiro capitalista, comédias falocêntricas, outra burlesca e pequenos comerciais que tiram sarro da obra de </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/filmes/nosferatu-1922-polemica-plagio-conheca-a-historia"><span style="font-weight: 400;">F. W. Murnau</span></a><span style="font-weight: 400;"> – um </span><a href="https://tangerina.uol.com.br/filmes-series/monty-phyton-50-anos-influencia-animacoes/"><i><span style="font-weight: 400;">Monty Python</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> desregulado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto a IA faz seu medíocre trabalho, Jude e o elenco fazem outro tão porco quanto. Mecânico, desengonçado e monstruoso, como se estivesse sendo feito 100% pelo artificial. Em certos momentos, enquanto os atores no primeiro plano dão continuidade à trama, os do segundo plano ficam sem ter o que fazer: fingem uma conversa qualquer ou repetem o mesmo movimento, quantos minutos forem necessários. </span><a href="https://fotografia.folha.uol.com.br/galerias/1846815507795230-veja-cenas-de-dracula-filme-de-radu-jude"><span style="font-weight: 400;">Algumas cenas</span></a><span style="font-weight: 400;"> reservam o amadorismo consigo, quando as lâmpadas do estúdio ficam dentro do quadro ou a câmera quebra a magia do Cinema ao deixar escapar a aparição de automóveis em um conto situado muito antes da invenção dos veículos. </span></p>
<figure id="attachment_36064" aria-describedby="caption-attachment-36064" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36064" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-8-800x533.jpg" alt="Cena do filme DraculaNa imagem, dois personagens conversam, à direita um padre e à esquerda um rapaz. Eles estão em uma ponte, de costas para a cidade. O cenário possui um rio cor marrom, gramado e casas romenas. O padre segura uma cruz com a mão direita e um pequeno baú com a esquerda, apoiado no corpo. Sua túnica é preta e possui várias faixas com cruz. Na cabeça, ele usa um chapéu religioso na cor preta. Ele possui o tom de pele claro e barba grisalha. É um homem mais velho. Já o rapaz, mais novo, veste um terno cinza, suéter azul marinho por cima de uma camisa branca e gravata por dentro. Além de um chapéu de palha com uma faixa laranja em volta. O homem também tem pele clara e barba. O dia está claro, com sol e céu azul. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-8-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-8-1024x682.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-8-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-8-1536x1023.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-8-1200x800.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-8.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36064" class="wp-caption-text">Rodrigo Teixeira, um dos maiores produtores brasileiros, assina a produção de Dracula (Foto: RT Features)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Radu Jude usa o personagem cineasta para interagir com o dispositivo e conversar com o público, demonstrando </span><a href="https://personaunesp.com.br/ironico-autoconsciente-como-panico-mudou-para-sempre-genero-terror/"><span style="font-weight: 400;">autoconsciência</span></a><span style="font-weight: 400;"> em seu humor. Entre tantas histórias amarradas, há uma que adapta o primeiro romance vampiresco feito na Romênia, ciente de sua natureza excessiva, tanto que a IA vai alertar seu usuário de que esta durará em média 50 minutos. Com a tragédia anunciada, Jude persiste na adaptação desastrosa, que serviu de exemplo no parágrafo acima. A peça é tão enfadonha que usa um narrador para explicar o que está acontecendo em tela ou falar algo que não encaixa com o que está sendo mostrado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há figurantes feitos de papelão em um bar e </span><a href="https://entresinopses.com.br/o-que-e-erro-de-continuidade-saiba-como-acontece/"><span style="font-weight: 400;">erros de continuidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, tudo para causar incômodo e transmitir a ideia de incoerência dos simuladores de inteligência. A incapacidade de criar sentimentos surge em uma história sobre amor que não tem nenhuma ligação com o conde Vlad III e, acima de tudo, não esboça amor algum. Os personagens se comportam mecanicamente e o enredo simula uma paixão não correspondida que se desenvolve do mesmo jeito que imagens geradas pelo computador se movimentam.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por meio do estranho, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dracula </span></i><span style="font-weight: 400;">olha para tudo que já foi feito sobre o mito romeno e o reproduz pela lógica da ferramenta plagiadora, evidenciando na forma, todo conteúdo ordinário que ela faz. É a Arte em sua capacidade provocativa e </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/exposicao-incomoda-em-paris-revela-o-horror-na-relacao-entre-nazismo-e-arte/"><span style="font-weight: 400;">desconfortável</span></a><span style="font-weight: 400;">, não no sentido de lhe tirar de ideias consoladoras, mas tensionando o físico por meio do tédio e da estupidez, sendo difícil continuar na poltrona enquanto aquelas imagens grotescas continuam a rolar e… deveríamos? </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Radu Jude&#039;s Dracula - Exclusive Trailer (2025) Adonis Tanța, Oana Maria Zaharia" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/EccSOu3u75s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Amy Berg tenta castrar um Deus em It’s Never Over, Jeff Buckley</title>
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		<pubDate>Wed, 29 Oct 2025 18:44:05 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Como alguém pode ser capaz de decidir os rumos de um projeto mesmo após morrer? It’s Never Over, Jeff Buckley, documentário que deixou o público com os olhos marejados ao final de sua primeira sessão na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, é uma produção que se curva ao olhar que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ts-never-over-jeff-buckley-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Amy Berg tenta castrar um Deus em It’s Never Over, Jeff Buckley"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36044" aria-describedby="caption-attachment-36044" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-7-800x531.jpg" alt="Cena do filme It’s Never Over, Jeff BuckleyNa imagem, em preto e branco, está o cantor Jeff Buckley com sua mãe Mary Guibert. Ele, no canto esquerdo, está com o rosto próximo de sua mãe, braços abaixados e sorriso forçado, posando para a foto. Seus cabelos lisos estão penteados para cima e parecem molhados. Ele está sem camisa. O cantor possui pele clara e barba por fazer. Já Mary está com uma das mãos apoiada no ombro do filho e repousa a cabeça em cima. Ela está com um sorriso largo e usa uma flor presa no cabelo, acima da orelha esquerda. Nos dedos, usa um anel. Ela veste uma roupa estampada, possui pele clara e cabelos na altura do pescoço." width="800" height="531" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-7-800x531.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-7-1024x680.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-7-768x510.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-7-1536x1020.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-7-1200x797.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-7.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36044" class="wp-caption-text">O documentário foi exibido no Festival de Sundance (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como alguém pode ser capaz de decidir os rumos de um projeto mesmo após morrer? </span><i><span style="font-weight: 400;">It’s Never Over, Jeff Buckley</span></i><span style="font-weight: 400;">, documentário que deixou o público com os olhos marejados ao final de sua primeira sessão na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, é uma produção que se curva ao olhar que o compositor possuía em relação à Arte. Buckley foi uma das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vLHcHWDvgfQ"><span style="font-weight: 400;">vozes mais exponenciais</span></a><span style="font-weight: 400;"> da década de 1990 nos Estados Unidos, além de compositor e guitarrista, portanto, se a direção de Amy Berg utlizasse apenas as imagens hinóticas do cantor performando, seria compreensível e não menos interessante. Porém, ela se concentra nas influências pessoais que migraram para o único disco do americano, sobretudo as mulheres que conviveram com ele. </span><span id="more-36043"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa guinada ao micro universo é habitual quando há o desejo de aproximar um ícone do público, a dessacralização em detrimento da humanização. Com Buckley é bem difícil, toda vez que ele abre a boca ou dedilha as cordas de uma guitarra, o espectador é arremessado para a miserável condição de mortal. Mas a indicada ao </span><a href="https://www.oscars.org/oscars/ceremonies/2007"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> em 2007</span></a><span style="font-weight: 400;">, Amy Berg, se esforça e não desiste de injetar mais sentimentalismo ao lirismo do músico, costurando passagens de sua vida com as canções, ressignificando-as. Ela poderia apostar todas as fichas no talento do biografado e, infelizmente, no fato de que ele </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrad/fq110631.htm"><span style="font-weight: 400;">morreu em 1997</span></a><span style="font-weight: 400;">, no auge da fama – esse fantasma que ecoa na sala de cinema já é o suficiente para provocar comoção. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A cineasta remove o aspecto de lenda da trajetória de Jeff Buckley, afinal, sua história possui coincidências e margens para especulações. </span><a href="https://oganpazan.com.br/tim-buckley-blue-afternoon/"><span style="font-weight: 400;">Seu pai</span></a><span style="font-weight: 400;"> era cantor e morreu jovem. Ele seguiu carreira na música e também teve uma morte precoce. Um período antes de falecer, a voz de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TDnAzW57yDA"><i><span style="font-weight: 400;">Mojo Pin</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">dizia que viveria pouco tempo e não conseguia enxergar seu futuro. Até a forma como perdeu a vida é peculiar: um afogamento acidental enquanto nadava no Rio Wolf; seu corpo só foi encontrado dias depois. Sua história tem um quê de destino, algo mítico. Entretanto, para Berg isso são apenas detalhes a serem contados, não o foco de seu trabalho. Seu fio condutor é uma máxima do cantor, que dizia sobre a necessidade da Arte se apoiar no </span><a href="https://medium.com/@maribeiro/20-anos-sem-jeff-buckley-seu-legado-na-vida-de-pessoas-comuns-c8e0a9a3539f"><span style="font-weight: 400;">cotidiano</span></a><span style="font-weight: 400;">. Para ele, o estrelato não era a parte mais importante da vida, encarava como uma atividade exaustiva. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Jeff Buckley - Dream Brother (from Live in Chicago)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/3fs9hRUTOnU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Desta forma, ela vai se apoderar das letras e relacionar com passagens da vida do astro sem fazer de modo simplista. Ao invés de somente deixar a música rolando em um videoclipe, a documentarista dá ênfase às estrofes específicas para o que ela quer demonstrar, colocando-as em uma animação de rascunhos em uma folha de papel. Como os versos da canção acima, </span><i><span style="font-weight: 400;">Dream Brother</span></i><span style="font-weight: 400;">, música em que Buckley fala sobre abandono paterno, ou no hino </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=fdXQucDOed8"><i><span style="font-weight: 400;">Lover, You Should’ve Come Over</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, encaixado para sintetizar um rompimento amoroso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">As canções vão aparecendo no longa de forma arbitrária, sem relação com o período em que foram produzidas, mas com uma frase do cantor que diz ter precisado de 27 anos para fazê-las, ou seja, toda sua vida. Berg toma a liberdade de interpretar o mundo do musicista, modificando significados de elementos do cotidiano dele. Por exemplo, Buckley havia criado uma história para a atriz de teatro </span><a href="https://www.acordesdequinta.com/2025/07/o-azul-rodopiante-o-encontro-de-rebecca.html"><span style="font-weight: 400;">Rebecca Moore</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que ele era um peixe espinhoso (apelido que Moore deu a ele por nunca fazer a barba) e ela uma borboleta. O conto consistia em uma tragédia, pois eles não podiam ficar juntos. A diretora vai conceber diversos </span><i><span style="font-weight: 400;">takes </span></i><span style="font-weight: 400;">dos insetos, inclusive na casa do artista, o que vai criar uma outra conotação: ele é quem é a borboleta. Um ser com muita beleza, porém com pouco tempo para viver. </span></p>
<figure id="attachment_36045" aria-describedby="caption-attachment-36045" style="width: 634px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36045" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-7-634x800.jpg" alt="Cena do filme It’s Never Over, Jeff BuckleyA imagem é uma representação visual do desenho que Jeff Buckley fez para uma história sobre um peixe e uma borboleta. Na foto, em um fundo escuro, há uma borboleta na parte inferior e um peixe acima, ambos com traços na cor laranja. A borboleta possui duas bolinhas nas asas, uma no canto superior da asa esquerda e outra no inferior da direita. O peixe tem dois olhos, dois pares de bigodinhos como de gato, um em cada lado do rosto. Do lado do animal e do inseto, há dois corações cada, um em cada lado. Eles não são uniformes, tendo proporções diferentes. A arte lembra a de uma criança. " width="634" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-7-634x800.jpg 634w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-7-812x1024.jpg 812w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-7-768x969.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-7.jpg 830w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36045" class="wp-caption-text">Desenho que Jeff Buckley fez para sua história (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;"><em> It’s Never Over, Jeff Buckley</em>, que faz parte da seção Perspectiva Internacional do festival, começa pela infância de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/7yQtjAjhtNi76KRu05XWFS"><span style="font-weight: 400;">Jeff Buckley</span></a><span style="font-weight: 400;">, pavimentando a relação com sua mãe, a principal responsável por sua criação após o pai abandoná-lo para seguir carreira no </span><a href="https://personaunesp.com.br/ha-5-anos-taylor-swift-transformava-isolamento-em-enredo-e-silencio-em-poesia-com-folklore/"><i><span style="font-weight: 400;">folk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Desta forma, é estabelecido o pilar que sustentará a narrativa: seus pais. De um lado, a ausência esmagadora de Tim Buckley e a negação do artista em ser comparado pela mídia com seu pai. De outro, a simbiose entre mãe e filho e os sacrifícios que ela fez para ficar com a criança: sonhos de ser pianista e atriz deixados para trás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A questão da feminilidade e os papéis sociais das mulheres é um traço importante para Amy Berg, que vai centralizar os relatos em três figuras: sua mãe, </span><a href="https://billboard.com.br/como-a-mae-de-jeff-buckley-frustrou-planos-de-brad-pitt-com-filme/"><span style="font-weight: 400;">Mary Guibert</span></a><span style="font-weight: 400;"> e as ex-namoradas Rebecca Moore e Joan Wasser, pessoas com quem Buckley compartilhou pedaços do mundano. A abertura do documentário traz Rebecca Moore dizendo que tentou se distanciar do estereótipo que recai sobre as mulheres que se relacionam com </span><a href="https://nodeoito.com/mulheres-no-rock/"><span style="font-weight: 400;">astros do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; ela não queria ser a ‘ex’. Apesar da carreira artística, em sua minibio na pesquisa do </span><i><span style="font-weight: 400;">Google </span></i><span style="font-weight: 400;">está “</span><i><span style="font-weight: 400;">ela também é conhecida por alguns como namorada do cantor Jeff Buckley</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse olhar vai ser multifacetado, refletindo em como ‘parecer mulher’ não era uma questão para o artista, que manteve a jaqueta dourada e brilhante na capa e fotografias do álbum mesmo com as alegações da produção de que não pegaria bem. Uma das namoradas vai contar que ele, às vezes, usava os vestidos dela. Isto vai refletir na forma como ele cantava, alcançando </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=bjS7KuAygi8"><span style="font-weight: 400;">notas agudas e suaves</span></a><span style="font-weight: 400;">, um estilo que os vocalistas masculinos da época não faziam.</span></p>
<figure id="attachment_36046" aria-describedby="caption-attachment-36046" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36046" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-800x482.jpg" alt="Cena do filme It’s Never Over, Jeff BuckleyNa imagem, em preto e branco, Jeff Buckley e Rebecca Moore estão abraçados e sérios. Ela, à direita, está sentada no colo do cantor, usando uma camiseta de listras com o colarinho aberto. Possui pele clara, cabelos escuros amarrados e com a franja dividida ao meio. Já Jeff é um homem branco, de cabelos escuros e lisos, penteado de forma arrepiada. Está vestindo uma regata branca com uma faixa preta no ombro. " width="800" height="482" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-800x482.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5-768x463.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-5.jpg 900w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36046" class="wp-caption-text">Rebecca Moore e Jeff Buckley se conheceram em um show de homenagem à Tim Buckley (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para prosseguir com a retirada do divino, a partir dos depoimentos das pessoas próximas, o que inclui colegas de banda e produtores, a persona humana do músico é revelada, distante da dramaticidade da capa do disco </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2024/08/23/30-anos-grace-jeff-buckley/"><i><span style="font-weight: 400;">Grace</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1994). Agora, com Buckley nu, o público é apresentado a uma personalidade ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">golden retriever</span></i><span style="font-weight: 400;">’, à ânsia por vida e até ao caráter que ele tinha de fã em relação a outros artistas. As entrevistas e vídeos de arquivos relatam que o artista pulava de um canto para outro ao ver seus ídolos, subia em um andaime para enxergar melhor um </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">e tinha referências musicais que iam para além de </span><i><span style="font-weight: 400;">Led Zeppelin </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-completo-desconhecido-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bob Dylan</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o mundo apontava que ele seria o novo </span><a href="https://personaunesp.com.br/elvis-critica/"><span style="font-weight: 400;">Elvis Presley</span></a><span style="font-weight: 400;">, o documentário só cita o nome do ‘Rei do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rock</span></i><span style="font-weight: 400;">’ uma vez, quando Buckley diz que o músico paquistanês </span><a href="https://www.nybooks.com/online/2025/06/16/our-nusrat-fateh-ali-khan/"><span style="font-weight: 400;">Nusrat Fateh Ali Khan</span></a><span style="font-weight: 400;"> era o “</span><i><span style="font-weight: 400;">seu Elvis</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Além de mencionar em diversos trechos seu apreço e inspiração por </span><a href="https://www.womenshistory.org/education-resources/biographies/nina-simone"><span style="font-weight: 400;">Nina Simone</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Judy Garland. Ele fazia questão de deixar claras suas influências, além de fazer </span><i><span style="font-weight: 400;">covers </span></i><span style="font-weight: 400;">em seus shows. </span><i><span style="font-weight: 400;">Lilac Wine</span></i><span style="font-weight: 400;">, canção de James Shelton, foi gravada pela cantora de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blues </span></i><span style="font-weight: 400;">em 1966 e depois interpretada por Jeff em seu álbum de 1994.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Amy Berg finaliza </span><a href="https://mostra.org/filmes/its-never-over-jeff-buckley"><i><span style="font-weight: 400;">It’s Never Over, Jeff Buckley</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com a última mensagem do filho para Mary Guibert, que admira tudo que ela fez por ele enquanto mãe. A escolha desta sequência demonstra a compreensão da cineasta em saber como atingir o estômago do fã e espectador, além de ser uma culminação de toda narrativa humana que ela traçou pelos 100 minutos. Seu documentário consegue conciliar os cantos angelicais de um Deus com as memórias e medos de um ser humano, porque se há algo em comum entre o divino e o humano é que ambos podem ser imortalizados, e para Jeff Buckley, isto nunca acaba. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="It&#039;s Never Over, Jeff Buckley - Official Trailer | Directed by Amy Berg" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/DRrcgLRX8Qc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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