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	<title>Arquivos Circo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Bauru após 24 anos, o Circo Stankowich nos faz querer fugir com ele</title>
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		<pubDate>Fri, 29 Nov 2024 20:05:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Henrique Marinhos Após 24 anos longe de Bauru, o Circo Stankowich fez seu tão esperado retorno, trazendo ao público um espetáculo, no mínimo, deslumbrante. Fundado em 1856, o Stankowich é o circo mais antigo em atividade no Brasil com Arte, risco, beleza e emoção. Mais do que um simples entretenimento, a apresentação em Bauru celebrou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/circo-stankowich-artigo/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Bauru após 24 anos, o Circo Stankowich nos faz querer fugir com ele"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34486" aria-describedby="caption-attachment-34486" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-34486" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x478.jpg" alt="A imagem mostra um grupo de dançarinas vestidas com trajes luxuosos, adornados com penas e brilhos, evocando a estética de carnaval ou festas glamourosas. Elas se apresentam sob a iluminação colorida do palco, com o nome “Stankowich” destacado ao fundo. As poses das dançarinas sugerem um momento dinâmico da coreografia, transmitindo leveza e sincronia" width="800" height="478" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-800x478.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1024x612.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-768x459.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7-1200x717.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image1-7.jpg 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34486" class="wp-caption-text">A proibição do uso de animais em circos no Brasil começou na década de 2000, mudando a dinâmica dos espetáculos (Foto: Henrique Marinhos)</figcaption></figure>
<p><strong>Henrique Marinhos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 24 anos longe de Bauru, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Circo Stankowich</span></i><span style="font-weight: 400;"> fez seu tão esperado retorno, trazendo ao público um espetáculo, no mínimo, deslumbrante. </span><a href="https://sistema.funarte.gov.br/noticias-antigas/?p=98336#:~:text=De%20origem%20romena%20e%20de,maiores%20circos%20da%20Am%C3%A9rica%20Latina."><span style="font-weight: 400;">Fundado em 1856</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Stankowich</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o circo mais antigo em atividade no Brasil com Arte, risco, beleza e emoção. Mais do que um simples entretenimento, a apresentação </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/12899235/"><span style="font-weight: 400;">em Bauru</span></a><span style="font-weight: 400;"> celebrou a história da companhia, que atravessou mudanças sociais, políticas e culturais ao longo de quase dois séculos de existência.</span><span id="more-34485"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A noite começou com uma série de espetáculos dançantes, remetendo aos glamourosos carnavais europeus e ao charme das festas em navios e iates. As dançarinas, trajadas com penas e lantejoulas, iluminaram o </span><a href="https://supercirco.com.br/picadeiro/"><span style="font-weight: 400;">picadeiro</span></a><span style="font-weight: 400;"> com coreografias sincronizadas e contagiantes. Intercaladas com ‘</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">palhaçadas</span></a><span style="font-weight: 400;">’ bem canastronas, os espetáculos trouxeram fontes de água dançantes em uníssono com a Música, que tomaram conta do cenário.</span></p>
<figure id="attachment_34488" aria-describedby="caption-attachment-34488" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-34488 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x800.jpg" alt="Nesta imagem, dois trapezistas executam um ato aéreo desafiador. Um dos artistas, vestido de rosa, estende as mãos para o parceiro, enquanto ambos estão no meio de uma troca no ar, cercados por cabos e iluminação azulada. A foto captura o momento exato em que a confiança e a precisão são essenciais para completar a manobra com segurança." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image3-3.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34488" class="wp-caption-text">O Circo Stankowich possui várias unidades itinerantes, a de Bauru é a Pink (Foto: Circo Stankowich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O flerte do circo com o perigo é uma tradição antiga, mantida viva porque não falha em fascinar. Ao limite da tensão, depois de tanta leveza e deslumbre, os atos que nos presenteiam com frio na barriga começaram com a performance aérea de uma acrobata que, </span><a href="https://www.instagram.com/p/B8SVDBegAYU/?img_index=1"><span style="font-weight: 400;">suspensa pelos cabelos</span></a><span style="font-weight: 400;">, girava incessantemente enquanto manejava fitas coloridas com uma graça quase sobrenatural, como se tivessem a banhado no pó de ‘pirlimpimpim’.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A experiência presencial, aliás, é incomparável – nenhuma tela consegue capturar o momento genuinamente. Prova disso foi o número de </span><a href="https://www.instagram.com/p/C7Mef07uLVQ/?img_index=5"><span style="font-weight: 400;">tecido acrobático</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma exibição de coragem e destreza que fez o público prender a respiração. Sem rede de proteção, a acrobata se contorceu e girou no ar, até culminar em uma queda que parou a meros centímetros do chão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além das acrobacias nos panos, os trapezistas protagonizaram um dos momentos mais emocionantes da noite. Anunciada pelo próprio circo como uma das manobras mais difíceis de serem realizadas, os </span><a href="https://www.instagram.com/p/CTdCYG2pnjI/"><span style="font-weight: 400;">três giros no trapézio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não nos fizeram questionar por um segundo se a afirmação era realmente um fato. Na segunda  tentativa, o público prendeu a respiração ao ver a dificuldade de execução. Com aplausos imediatos, dessa vez, não houve um centímetro na margem de erro.</span></p>
<figure id="attachment_34487" aria-describedby="caption-attachment-34487" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-34487 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x800.jpg" alt="A imagem retrata um dos motociclistas se preparando para o número do Globo da Morte. Ele está equipado com capacete e roupas de proteção, com a estrutura metálica do globo ao fundo. A expressão focada e a postura do piloto refletem a concentração necessária para a execução deste perigoso número, um dos mais esperados do espetáculo." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5-768x767.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/image2-5.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34487" class="wp-caption-text">A família Stankowich está à frente do circo desde sua fundação, em 1856, mantendo a tradição viva por mais de seis gerações (Foto: Circo Stankowich)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No ato final, o espetáculo atingiu seu clímax: o temido </span><a href="https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/2024/10/14/artistas-sofrem-acidente-durante-apresentacao-em-globo-da-morte-em-circo-instalado-em-bauru-video.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Globo da Morte</span></a><span style="font-weight: 400;">. Sob o som pulsante de aplausos e murmúrios nervosos, quatro motociclistas entraram na esfera metálica, desafiando a gravidade em manobras impecavelmente sincronizadas – a única forma de acontecerem. Nesse ponto, qualquer conversa que eles tivessem por baixo do capacete nos intervalos de giros eram especuladas com atenção pela plateia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a mágica do circo não se resume apenas aos números deslumbrantes vistos no picadeiro. Naquele momento de perfeição, pensávamos nos erros, nas quedas e nas frustrações superadas pela trupe ao longo da preparação. A </span><a href="https://www.instagram.com/reel/C5vv9eQrRKJ/"><span style="font-weight: 400;">mágica</span></a><span style="font-weight: 400;"> que vimos no picadeiro não nasce do acaso e ver o resultado final é testemunhar o triunfo desse processo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para muitos dos espectadores naquela noite, assistir a um espetáculo circense pela primeira vez foi uma experiência transformadora. Essa magia nasce da união entre o risco e a beleza, em que cada artista, do motociclista ao mágico ou do trapezista à bailarina, é parte essencial desse universo itinerante. Assim como o circo continua a desafiar a gravidade e o perigo, ele também desafia o tempo, porque o encanto que nos faz querer fugir com ele, esse nunca passa.</span></p>
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		<title>Freaks ensina: quem vê cara, não vê coração</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Mar 2022 16:12:45 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Gatti A padronização da beleza é um fenômeno muito comum e normalizado na sociedade. Ao longo das décadas, o rótulo daquilo que é bonito ou feio vai se alterando, mas sempre continua vigente para julgar quem vai aparecer diante das telas. Se esse cenário já é tão presente nos dias de hoje, imagine ir &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/freaks-90-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Freaks ensina: quem vê cara, não vê coração"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26291" aria-describedby="caption-attachment-26291" style="width: 1677px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26291" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks apresenta um grupo de dez artistas de circo. Com exceção da mulher branca e loira, que usa um longo vestido branco e apresenta um olhar sério, todos os outros apresentam expressões de descontração." width="1677" height="1258" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3.jpg 1677w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3-1536x1152.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-3-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26291" class="wp-caption-text">Ao longo de pouco mais de uma hora de filme, Freaks provoca angústia, revolta e empatia (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Gatti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://claudia.abril.com.br/coluna/ana-claudia-paixao-hollywood-cinema-series/o-algoritmo-de-hollywood-fala-muito-sobre-padroes-inalterados/#:~:text=E%20o%20cen%C3%A1rio%20ainda%20%C3%A9,muda%20sua%20rela%C3%A7%C3%A3o%20com%20elas."><span style="font-weight: 400;">padronização da beleza</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um fenômeno muito comum e normalizado na sociedade. Ao longo das décadas, o rótulo daquilo que é bonito ou feio vai se alterando, mas sempre continua vigente para julgar quem vai aparecer diante das telas. Se esse cenário já é tão presente nos dias de hoje, imagine ir ao cinema há 90 anos e, ao invés de ver pessoas como o rosto entupido de pó de arroz, se deparar com um grupo de artistas com deficiência. Esse é justamente o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;">, um clássico de Tod Browning, que estreou em 1932 com muita polêmica.</span></p>
<p><span id="more-26290"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os eventos conturbados por trás do filme se dão pelo fato da escolha do diretor em escalar </span><a href="https://revistatrip.uol.com.br/trip/precisamos-falar-sobre-capacitismo"><span style="font-weight: 400;">pessoas com deficiência</span></a><span style="font-weight: 400;"> para estrelarem em sua película. Se ainda no século 21, esse grupo social ainda é marginalizado, quase cem anos atrás as circunstâncias eram ainda mais tensas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi rejeitado pela sociedade e se tornou um fracasso de bilheteria, sendo reconhecido apenas durante a década de 1960 no movimento de contracultura dos </span><a href="https://www.pipoca3d.com.br/2019/03/o-que-sao-os-midnight-movies.html"><i><span style="font-weight: 400;">midnight movies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Esse período serviu para reavivar a relevância da narrativa focada em um grupo de artistas de um circo dos horrores.</span></p>
<figure id="attachment_26292" aria-describedby="caption-attachment-26292" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26292" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-3.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks exibe à esquerda um homem anão branco, de cabelos curtos e castanhos, vestindo uma camisa branca e uma calça, agachado embaixo de uma escada e olhando para a no meio da imagem mulher, que é branca, loira e veste um figurino circense preto com uma saia. Sua expressão corporal apresenta desdém ao anão e ao homem à direita, que é branco, de cabelos curtos e penteados e não tem pernas. Ele veste um terno preto e está olhando para a mulher. O fundo da foto exibe trailers de circo bem decorados." width="800" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-26292" class="wp-caption-text">Cleo, uma das poucas personagens sem deficiência, trata seus colegas de trabalho com desdém e antipatia (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme apresenta </span><span style="font-weight: 400;">Cleópatra (Olga Baclanova), uma trapezista que mantém um relacionamento com Hércules (Henry Victor), um homem forte que ganha a vida exibindo os músculos no circo. No entanto, o casal descobre que Hans (</span><a href="https://vaudeville.sites.arizona.edu/node/10"><span style="font-weight: 400;">Harry Earles</span></a><span style="font-weight: 400;">), um dos anões do local, é herdeiro de uma grande fortuna. Nesse momento, a jovem mulher passa a seduzi-lo para roubar todas as suas posses. O plano ardiloso da dupla funciona de início, porém os outros artistas circenses passam a duvidar das intenções de Cleo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro audacioso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> teve como inspiração o conto</span> <a href="http://www.olgabaclanova.com/spurs.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Spurs</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, do escritor estadunidense Tod Robbins. A peça literária apresenta a mesma relação abusiva entre um anão e uma trapezista em um pequeno circo. Desse modo, </span><span style="font-weight: 400;">Willis Goldbeck, Leo Gordon e o próprio Tod Robbins beberam dessa fonte para dar vida ao texto do clássico do horror. Em ambos os casos, o mais inovador da trama é a forma inclusiva de tratar as pessoas com deficiência, deixando essa temática explícita em alguns diálogos presentes ao longo da narrativa.</span></p>
<figure id="attachment_26293" aria-describedby="caption-attachment-26293" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26293" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-4.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks apresenta um homem branco, anão, de cabelos curtos, loiros e penteados, vestindo roupa social. Suas expressões são de tristeza. O fundo da imagem é escuro, dando destaque apenas para a lamparina na extrema direita da foto." width="800" height="599" /><figcaption id="caption-attachment-26293" class="wp-caption-text">“Não percebem que sou um homem com os mesmos sentimentos dos deles” (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe visibilidade aos atores do filme. Durante o processo de seleção do elenco, Browning, que optou por selecionar uma gama de pessoas ligadas diretamente aos espetáculos de circo, rodou os Estados Unidos junto com o diretor de elenco, Ben Piazza, à procura dos intérpretes ideais para a obra. A busca por feiras e circos rendeu frutos, como Schlitzie, um artista com microcefalia que trabalhou sua vida inteira no ramo do entretenimento, </span><span style="font-weight: 400;">Minnie Woolsey, que foi diagnosticada com </span><a href="https://www.portalsaofrancisco.com.br/saude/sindrome-de-seckel"><span style="font-weight: 400;">síndrome de Virchow-Seckel</span></a><span style="font-weight: 400;">, e </span><span style="font-weight: 400;">Prince Randian, que impressionava com a sua mobilidade mesmo tendo nascido sem os braços e as pernas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A representatividade desses artistas com deficiência em </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> os coloca em plano de igualdade aos demais atores do longa, principalmente ao mostrar que o verdadeiro monstro eram aqueles tomados pelo sentimento da ganância. Mas apesar da lição de moral, a situação dos atores e de outras PCD não era nada favorável. Muitos se exibiam nos chamados </span><a href="https://super.abril.com.br/coluna/turma-do-fundao/as-atracoes-humanas-do-8220-circo-dos-horrores-8221/"><i><span style="font-weight: 400;">freak shows</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que tinha como foco chocar a população com imagens consideradas anormais para o padrão da época. O formato bizarro de entretenimento era muito popular nos Estados Unidos e o </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/tradicional-circo-ringling-bros-fecha-apos-146-anos.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Barnum &amp; Bailey’s</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um circo dos horrores fundado por Phineas Barnum, chegou a apresentar milhares de personalidades. Dentre elas estavam as gêmeas siamesas Daisy e Violet, unidas pelo quadril e nádegas, que chegaram a estrelar no clássico de Browning.</span></p>
<figure id="attachment_26294" aria-describedby="caption-attachment-26294" style="width: 628px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26294" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-4.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks mostra um grupo de nove artistas de circo reunidos em volta de uma mesa bem comprida. Alguns dos personagens demonstram expressões de alegria e outros de tristeza. A mesa está coberta por uma toalha de piquenique e muita comida. A cerimônia se localiza em uma das tendas do circo." width="628" height="471" /><figcaption id="caption-attachment-26294" class="wp-caption-text">A festa de noivado de Cleo e Hans foi celebrada como um jantar entre as atrações do circo (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Partindo desse imaginário popular grotesco da forma com que as PCD eram vistas socialmente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> inicia com a reação do público após sair do espetáculo. O </span><a href="https://super.abril.com.br/coluna/turma-do-fundao/12-filmes-perturbadores-de-terror-psicologico/"><span style="font-weight: 400;">horror</span></a><span style="font-weight: 400;"> provocado pela película apela para a imaginação do telespectador, a quem é transmitida uma angústia sobre algo que ainda não foi exibido. Em antítese ao clima provocado de início, a primeira aparição das atrações do circo os exibe como indivíduos carinhosos, meigos e que apresentam comportamentos infantis, o que atenua ainda mais a crítica sobre quem é a aberração da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No entanto, o rico debate presente no longa não foi altamente explorado da forma que devia. A curta duração do filme, que não chega nem a 70 minutos, faz com que alguns diálogos não sejam muito aprofundados. O motivo para isso se deu pelo fato de os produtores estarem receosos pela reação do público diante da ousadia da trama. Mas ainda assim, o roteiro inovador serviu de grande inspiração para diversas obras.</span></p>
<figure id="attachment_26295" aria-describedby="caption-attachment-26295" style="width: 632px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26295" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-5-1.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks exibe à esquerda um homem negro e careca sem braços e pernas, vestindo uma roupa adaptada para o seu corpo em cima de uma mesa. À direita está um homem branco, de cabelos curtos e castanhos, vestindo uma camisa branca, um cinto preto e uma calça cinza. Os dois estão conversando em um dos ambientes do circo." width="632" height="474" /><figcaption id="caption-attachment-26295" class="wp-caption-text">Prince Randian, que interpretou o Torso Vivo em Freaks, chegou a fazer shows exibindo suas habilidades de se movimentar sem os braços e as pernas (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A escritora Katherine Dunn foi inspirada pelo filme para escrever o livro </span><a href="https://www.momentumsaga.com/2018/11/resenha-geek-love-de-katherine-dunn.html"><i><span style="font-weight: 400;">Amor de Monstro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de 1989. A peça literária narra a vida da família Binewski, que ingerem substâncias tóxicas para darem a luz a crianças fora do padrão esperado e, assim, constroem seu </span><i><span style="font-weight: 400;">freak show</span></i><span style="font-weight: 400;"> itinerante. Além dessa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Simpsons</span></i><span style="font-weight: 400;"> já produziram um episódio inspirado pelo filme. O especial</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Casa da Árvore dos Horrores XXIV</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe a história </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks No Geeks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que apresenta o mesmo roteiro do longa de Browning, porém adaptado com a caracterização dos personagens da série.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Igualmente a essas obras, </span><a href="https://personaunesp.com.br/ahs-1984-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">American Horror Story</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> também se influenciou por </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;"> e acabou dedicando uma história da antologia exclusiva ao ambiente circense. A quarta temporada da série, intitulada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Freak Show</span></i><span style="font-weight: 400;">, trouxe todo essa atmosfera tensa desses espetáculos sórdidos, com personagens que remetem diretamente às personalidades do longa, como Pepper (</span><span style="font-weight: 400;">Naomi Grossman</span><span style="font-weight: 400;">) e as gêmeas Bette e Dot Tattler (Sarah Paulson). Além disso, o </span><i><span style="font-weight: 400;">showrunner</span></i><span style="font-weight: 400;">, Ryan Murphy, ainda exaltou a película ao referenciar o desfecho de Cleópatra aos gritos de “um de nós”, entoado por seus colegas de trabalho.</span></p>
<figure id="attachment_26296" aria-describedby="caption-attachment-26296" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-26296" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-6.jpg" alt="Cena em branco e preto do filme freaks mostra uma mulher branca e loira totalmente desfigurada. Ela veste um terno preto e uma gravata borboleta, que cobre parte do seu corpo repleto de penas. O cenário apresenta uma lona de circo ao fundo e um piso de areia." width="800" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-26296" class="wp-caption-text">“Um de nós” (Foto: Metro-Goldwyn-Mayer)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse final surpreendente da personagem em </span><i><span style="font-weight: 400;">Freaks</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor completa sua crítica, questionando a moral e os padrões sociais. A conclusão marcante da obra contribuiu para a consagração da película como um filme </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;"> nas salas de cinema dos </span><i><span style="font-weight: 400;">midnight movies.</span></i><span style="font-weight: 400;"> 90 anos após seu lançamento, fica bem claro que a fama do terror dos anos 1930 veio de sua capacidade de dar visibilidade a artistas de circo marginalizados e, ainda, apresentá-los como forma de crítica social.</span></p>
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		<title>10 anos de O Palhaço: a gente tem que fazer aquilo que a gente sabe fazer</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Dec 2021 22:46:33 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Não é de hoje que a atribuição de que as comédias têm a obrigação moral de nos fazer rir caiu por terra. Diante dessa sentença, podemos citar inúmeros exemplos de produções que ultrapassam tanto o espectro do riso quanto o do choro, caminhando desde a britânica viciada em sexo até o americano bigodudo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-palhaco-10-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "10 anos de O Palhaço: a gente tem que fazer aquilo que a gente sabe fazer"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25422" aria-describedby="caption-attachment-25422" style="width: 652px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25422 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-1-3.jpg" alt="Imagem do filme O Palhaço. Nela, o ator Selton Mello, que interpreta Benjamin, está na parte de trás de uma carreta, ao lado de um ventilador. Ele é um homem branco, de cabelos castanhos ondulados, e veste uma camisa branca, terno e calça cinzas" width="652" height="408" /><figcaption id="caption-attachment-25422" class="wp-caption-text">Dirigido por Selton Mello, a produção chegou aos cinemas no dia 28 de outubro de 2011 (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é de hoje que a atribuição de que as comédias têm a obrigação moral de nos fazer rir caiu por terra. Diante dessa sentença, podemos citar inúmeros exemplos de produções que ultrapassam tanto o espectro do riso quanto o do choro, caminhando desde a <a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-5-anos/">britânica viciada em sexo</a> até o <a href="https://personaunesp.com.br/ted-lasso-2a-temporada-critica/">americano bigodudo que vira treinador de um time da Inglaterra</a>. E, se nem a essas produções é convencionado mais esse papel, quem dirá a um dos personagens principais quando o assunto é provocar riso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de </span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Coringa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a velha história do palhaço infeliz que provoca alegria apenas no público se tornou mais do que batida, talvez até ultrapassada e irremediavelmente rasa. Mas, anos antes da produção de Todd Phillips, o ator Selton Mello trouxe uma fábula semelhante para as telonas. Pela segunda vez no posto de diretor de um longa, ele aproxima essa narrativa conhecida de forma imensurável, não apenas por decidir ambientá-la no estado de Minas Gerais, mas por dar luz a um caminho profundo sobre o próprio eu, originando uma produção que não poderia ter outro nome se não </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span id="more-25417"></span></p>
<figure id="attachment_25419" aria-describedby="caption-attachment-25419" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25419 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-800x536.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, o ator Selton Mello, que interpreta Benjamin, está no gramado em frente a lona de um circo. Ele é um homem branco, de cabelos castanhos ondulados, e usa um chapéu preto, camiseta, casaco e calça listrados, e está com um nariz vermelho de palhaço preso em sua testa." width="800" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-800x536.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-1024x685.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-1536x1028.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5-1200x803.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-5.jpg 1600w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25419" class="wp-caption-text">O filme foi um dos principais vencedores do Grande Prêmio Brasileiro de Cinema em 2012, levando 12 dos 14 troféus Grande Otelo, incluindo Melhor Filme, Melhor Ator e Melhor Direção (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada em 2011, a narrativa acompanha o cotidiano do elenco do Circo Esperança. Entre músicos, malabaristas e mágicos, há como figura central e de grande destaque a dupla de palhaços Puro Sangue e Pangaré, que por acaso também são pai e filho. Por trás das cortinas, assumem a identidade de Valdemar (<a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/08/11/paulo-jose-morre-no-rio.ghtml">Paulo José</a>) e Benjamin (Selton Mello), o primeiro também sendo o dono do circo. Na outra mão, o personagem de Mello é responsável por cuidar de todas as burocracias envolvendo alvarás, pagamentos e até sutiãs arrebentados de integrantes do espetáculo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vivendo não apenas pelo riso do público, o protagonista também existe pela satisfação de seus colegas próximos, enquanto não possui o seu próprio autocontentamento. Aliás, não é digno de ter ao menos uma identidade, sendo obrigado a carregar uma certidão de nascimento acabada para se provar. Somado ao <a href="https://personaunesp.com.br/nomadland-critica/">nomadismo</a> da rotina circense, Benjamin não herda nem mesmo um endereço fixo, e, assim, seu lugar no mundo. E nessa simbologia que nasce a crise existencial que conduz o que poderíamos chamar de Coringa brasileiro &#8211; isso se <a href="https://personaunesp.com.br/critica-bingo/">Daniel Rezende não tivesse representado um paralelo</a> com tanta maestria não muito tempo depois. </span></p>
<figure id="attachment_25420" aria-describedby="caption-attachment-25420" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25420 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-800x535.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, estão, da esquerda para a direita, os atores Thogun, Álamo Facó, Selton Mello e Renato Macedo, com o ator Tony em frente a este último. " width="800" height="535" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-800x535.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-1024x685.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3-5.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25420" class="wp-caption-text">O Palhaço conta com outros nomes de destaque no elenco, como Tonico Pereira, Moacyr Franco, Fabiana Karla e Danton Mello (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os demais personagens do Circo não recebem a devida profundidade ao longo da trama, servindo apenas como alívio cômico dessa dramédia, o que aqui se faz mais do que necessário. Seus arcos são muito bem posicionados para ilustrar a forma como a vida de Benjamin é condicionada a eles, especialmente à figura do pai, com a ideia de ter como <a href="https://www.educamaisbrasil.com.br/enem/sociologia/papel-social#:~:text=Refere%2Dse%20%C3%A0s%20responsabilidades%20atribu%C3%ADdas,pessoa%20que%20ocupa%20certa%20posi%C3%A7%C3%A3o.&amp;text=h%C3%A1%20um%20padr%C3%A3o%20comportamental%20e,deveres%20que%20precisam%20ser%20seguidos.">papel social</a> seguir a profissão do mesmo. Ao passo que até o próprio protagonista não tem uma complexidade sobre sua história pessoal, numa perfeita representação do esvaziamento de sua identidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embalado em sua própria melancolia, Selton Mello conquista o papel da sua carreira em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço</span></i><span style="font-weight: 400;">, em frente e por trás das câmeras. Nascido e criado no meio artístico, o roteiro, coescrito por Marcelo Vindicatto, apoia-se num sarcasmo escancarado, que já fizera o ator ganhar risos do público em vários trabalhos anteriores. A estética agradável e simétrica dos cenários da obra, enlaçada com personagens</span><i><span style="font-weight: 400;"> pra lá</span></i><span style="font-weight: 400;"> de caricatos, seria digna de receber o título de um <a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2021/07/o-estranho-mundo-de-wes-anderson/">filme de Wes Anderson</a> à brasileira, se é que o estadunidense teria a capacidade de dar origem a uma produção tão poética quanto essa. </span></p>
<figure id="attachment_25418" aria-describedby="caption-attachment-25418" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25418 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-800x461.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, está a atriz Larissa Manoela, que interpreta Guilhermina. Guilhermina é uma criança, por volta dos seus 11 anos, ela é uma menina branca, de cabelos castanhos claros e lisos com franja, e veste uma fantasia vermelha, com mangas bufantes e estrelas espalhas, com uma coroa em sua cabeça." width="800" height="461" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-800x461.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-1024x590.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-768x443.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4-1200x692.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-4.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25418" class="wp-caption-text">Além de apresentar performances brilhantes como a do eterno Paulo José, o filme também foi a estreia de Larissa Manoela nas telonas (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em meio a essa atmosfera meio </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/moonrise-kingdom-a-perda-da-inocencia-segundo-wes-anderson/"><i><span style="font-weight: 400;">Moonrise Kingdom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Benjamin se vê como um peão isolado na rotina do seu trabalho, que acaba por ser a mesma da sua casa. Desmotivado e destoando dos demais colegas, parte em uma <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/07/27/opinion/1532693062_745886.html">jornada de autoconhecimento</a> e o encontro da sua motivação, que ele mesmo não faz ideia do que pode ser. Ironicamente, o palhaço viaja para Passos para encontrar seu objetivo, que acaba por ser a mesma cidade de origem do ator que o interpreta, numa espécie de metáfora sobre a sua própria vida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A conquista da liberdade individual e finalmente sua identidade (material e pessoal) parecem ser o início da satisfação completa de Benjamin, mas acabam por tomar o rumo oposto. O automatismo de seu trabalho unido a uma frustração amorosa apenas aprofundam a crise do personagem de Selton Mello, que se vê cada vez mais enclausurado em seu marasmo particular. A necessidade de explorar o mundo fora da bolha circense em que vivia não se torna uma viagem desperdiçada, e sim uma parte essencial para <a href="https://www.youtube.com/watch?v=fUjOfsoBhMY">se encontrar</a>.</span></p>
<figure id="attachment_25421" aria-describedby="caption-attachment-25421" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25421 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-800x536.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme O Palhaço. Nela, o ator Paulo José, que interpreta Valdemar, está se olhando em um espelho. Valdemar é um senhor branco, de cabelos castanhos, com um bigode, ele veste uma camiseta listrada em preto e branco e usa suspensórios coloridos." width="800" height="536" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-800x536.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-1024x685.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-768x514.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-1536x1028.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-2048x1371.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-5-1-1200x803.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25421" class="wp-caption-text">“O gato bebe leite, o rato come queijo e eu sou palhaço” (Foto: Bananeira Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A descoberta de sua individualidade também é transferida ao ventilador, que se torna um grande componente da narrativa. Em uma <a href="https://casperlibero.edu.br/wp-content/uploads/2015/01/Waleska-Pereira-FCL.pdf">crítica subliminar ao sistema capitalista</a>, o roteiro escancara a necessidade que criamos em ter objetos materiais como frutos de conquista em nossas vidas, além da liquidez e razoabilidade das relações modernas, ao ponto de que o mundo das artes torna-se uma redoma de escape da realidade fria e monótona.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">10 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Palhaço</span></i><span style="font-weight: 400;"> continua sendo um passeio necessário sobre autoconhecimento. A dignificação diretamente relacionada ao trabalho e as expectativas criadas pela sociedade, cada vez mais potencializados nos tempos modernos, tornam o filme de Selton Mello uma obra atemporal. Não há cargo, diploma ou medalha que traga satisfação maior do que a beleza de encontrarmos nosso lugar no mundo, aquilo que sabemos e </span><i><span style="font-weight: 400;">queremos</span></i><span style="font-weight: 400;"> fazer. </span></p>
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