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	<title>Arquivos Cinema. Mostra de Cinema em São Paulo &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Nova ’78 chega como eco distante do grito que um dia moveu William S. Burroughs</title>
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		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 14:05:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Dragoneti Assistido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Nova ’78 é uma viagem fragmentada ao coração da contracultura dos anos 1970. Dirigido por Aaron Brookner e Rodrigo Areias, o documentário parte de imagens até então inéditas, gravadas pelo tio de Aaron, Howard Brookner, da Nova Convention (1978), evento que celebrou o &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/nova78-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Nova ’78 chega como eco distante do grito que um dia moveu William S. Burroughs"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36075" aria-describedby="caption-attachment-36075" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-36075" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/nova1.jpg" alt=" Cena do documentário Nova ’78. William S. Burroughs, um homem branco, idoso, de sobretudo claro e óculos, caminha por uma rua de Nova York na década de 1970, cercado por carros antigos e placas de postos de gasolina." width="512" height="250" /><figcaption id="caption-attachment-36075" class="wp-caption-text">O documentário foi exibido no 78º Festival de Cinema de Locarno (Foto: Pinball London)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Dragoneti</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assistido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><i><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova ’78</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma viagem fragmentada ao coração da contracultura dos anos 1970. Dirigido por Aaron Brookner e Rodrigo Areias, o documentário parte de imagens até então inéditas, gravadas pelo tio de Aaron, Howard Brookner, da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova Convention (1978)</span></i><span style="font-weight: 400;">, evento que celebrou o retorno do multiartista </span><a href="https://revistacontinente.com.br/secoes/arquivo/william-burroughs--o-malvado-favorito-da-contracultura"><span style="font-weight: 400;">William S. Burroughs</span></a><span style="font-weight: 400;"> (1914-1997) aos Estados Unidos e reuniu nomes de diferentes vertentes da Arte, como Patti Smith, Frank Zappa, Laurie Anderson, Allen Ginsberg e </span><a href="https://personaunesp.com.br/nirvana-samsung-philip-glass-ibirapuera/"><span style="font-weight: 400;">Philip Glass</span></a><span style="font-weight: 400;">. O resultado é uma cápsula de tempo que tenta reconstituir um encontro histórico, mas que – ao emergir mais de quarenta anos depois – carrega o peso de chegar </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-laura/?fbclid=PAb21jcANtnUhleHRuA2FlbQIxMQABpxVZFo8LBOJ3U0bE097a0eZiQawNERLKUulMfdqKG-AbW7WZ1Fzyf-w2N0WY_aem_W4AhkKxE23oBylUV7hciug"><span style="font-weight: 400;">tarde demais</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-36074"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Burroughs, o objeto de estudo do documentário e um espírito inquieto da </span><a href="https://www.nypl.org/blog/2017/03/02/where-start-beat-generation"><i><span style="font-weight: 400;">beat generation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, é mostrado aqui como alguém que inspira e, ao mesmo tempo, escapa. O filme o observa de perto, cercado de amigos e admiradores, mas raramente o alcança por completo. É como se a câmera de Brookner o reverenciasse demais para interrogá-lo. Há uma clara admiração, em certos momentos excessiva, que dilui a espontaneidade do encontro. Burroughs está disposto a falar, porém discorre com certas reservas. O escritor sem filtros parece sempre um pouco deslocado, como se faltasse a intimidade necessária para se abrir por inteiro. Ainda assim, é impossível não sentir o magnetismo que o cercava. Sua </span><a href="https://bravo.abril.com.br/cinema-tv/como-luca-guadagnino-transpos-o-livro-queer-para-as-telas/"><span style="font-weight: 400;">homossexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> assumida, sua ironia afiada e sua presença poderosa fascinam o espectador.</span></p>
<figure id="attachment_36076" aria-describedby="caption-attachment-36076" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36076" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/nova2.jpg" alt="Cena do documentário Nova ’78. William S. Burroughs, de costas, é visto em silhueta, de chapéu e óculos, com as luzes do palco ao fundo criando um contraste entre sombra e brilho" width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36076" class="wp-caption-text">O longa faz parte da seção Foco Reino Unido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (Foto: Pinball London)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O que se desenrola nas imagens da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova Convention</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato de artistas tentando entender um mundo à beira do colapso. Falava-se sobre preconceito, </span><a href="https://www.artforum.com/features/abstract-expressionism-weapon-of-the-cold-war-214234/"><span style="font-weight: 400;">liberdade criativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, tecnologia e política internacional com uma lucidez que impressiona. Enquanto alguns ironizavam a exploração espacial como símbolo do avanço humano quando a própria Terra continuava ruindo, havia aqueles que alertavam contra o fundamentalismo religioso, a perseguição a minorias e a censura moral. Essas pautas, todas alarmadas </span><a href="https://epoca.globo.com/vida/noticia/2014/02/william-burroughs-o-escritor-que-binventou-o-heavy-metalb.html"><span style="font-weight: 400;">por Burroughs</span></a><span style="font-weight: 400;">, permanecem desconfortavelmente atuais e, paradoxalmente, é esse mesmo anacronismo que enfraquece o impacto da produção. O que seria revolucionário em 1978 soa, em 2025, como um eco tardio de uma rebeldia já absorvida pela história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Brookner e Areias partem de um material monumental, tendo mais de quarenta horas de gravações </span><i><span style="font-weight: 400;">16mm</span></i><span style="font-weight: 400;">, entre bastidores e performances nas mãos. A </span><a href="https://www.sescsp.org.br/editorial/colecao-restaurados-o-resgate-da-memoria-na-restauracao-cinematografica/"><span style="font-weight: 400;">restauração</span></a><span style="font-weight: 400;"> dessas imagens, feita entre 2012 e 2024, é um feito técnico, mas também afetivo, notável, para aqueles que conviveram com Burroughs. Entretanto, na tentativa de preservar o espírito da </span><a href="https://www.thecollector.com/hippie-counterculture-movement-1960s-1970s/"><span style="font-weight: 400;">época</span></a><span style="font-weight: 400;">, os diretores se prendem demais à forma bruta. A montagem é caótica e propositalmente livre, refletindo o improviso da própria convenção. Essa escolha, porém, acaba sacrificando a emoção em nome da fidelidade estética. A dupla optou por uma experiência mais arqueológica do que cinematográfica, em que o registro vale bem mais do que o gesto criativo.</span></p>
<figure id="attachment_36077" aria-describedby="caption-attachment-36077" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36077" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/nova3.jpg" alt="Cena do documentário Nova ’78. William S. Burroughs, um homem branco, idoso, de estatura média, sentado em uma cadeira no canto de um quarto simples e desorganizado, cercado por roupas, caixas e equipamentos." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36077" class="wp-caption-text">O documentário conta com sessões presenciais em São Paulo e online pelo SpcinePlay (Foto: Pinball London)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo assim, há momentos em que </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova ’78</span></i><span style="font-weight: 400;"> encontra força na imperfeição. Quando </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/6-musicas-para-entender-carreira-de-patti-smith-madrinha-do-punk/"><span style="font-weight: 400;">Patti Smith</span></a><span style="font-weight: 400;"> surge em cena ou </span><a href="https://jacobin.com.br/2021/04/quando-acabaremos-com-a-guerra-humana/"><span style="font-weight: 400;">Ginsberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> fala sobre sexualidade e política, há uma energia viva entoada nos gritos da platéia que parece rasgar o tempo. São fragmentos que lembram por que aquela geração acreditava tanto no poder transformador da arte. Ao mesmo tempo, é impossível não sentir uma certa melancolia, pois a esperança que havia em 1978, de um mundo mais livre, mais consciente e menos hipócrita, foi se diluindo no cinismo dos anos seguintes, refletindo hoje muitos dos mesmo problemas que os </span><a href="https://www.visualcapitalist.com/which-generation-influence-u-s-politics/"><i><span style="font-weight: 400;">Baby Boomers</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> costumavam denunciar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A força simbólica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Nova ’78</span></i><span style="font-weight: 400;"> está justamente em revelar esse fracasso. O filme não oferece respostas, porque a ele nada foi perguntado, entretanto algumas questões surgem naturalmente ao final do </span><a href="https://mostra.org/filmes?tags=document%C3%A1rio"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;">: </span><i><span style="font-weight: 400;">“O que significa ser livre em um mundo que continua a punir a diferença?” </span></i><span style="font-weight: 400;">Com seu olhar tão sereno que chega a  transparecer descrença, Burroughs parece sugerir que a verdadeira revolução talvez nunca tenha acontecido. </span><a href="https://www.britannica.com/art/Beat-movement"><span style="font-weight: 400;">Sua própria vida</span></a><span style="font-weight: 400;">, marcada por vícios, amores e exílios, é um testemunho de que liberdade e autodestruição caminham lado a lado.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Nova 78" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ThRFmwUsJc0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Procura de Martina busca a memória coletiva</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 16:06:38 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem A Procura de Martina, exibido na seção Mostra Brasil da 48ª Mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-procura-de-martina-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Procura de Martina busca a memória coletiva"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34449" aria-describedby="caption-attachment-34449" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34449" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-1.jpg" alt=" Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um casaco de frio bege de lona sintética. Ela está em frente a uma foto em preto e branco. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34449" class="wp-caption-text">Pertencente à seção Mostra Brasil da 48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Procura de Martina faz um manifesto (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b><b><br />
</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;">Desde seu surgimento, a humanidade tenta se fazer eterna de alguma maneira. De registros em paredes de cavernas a imagens perfeitamente impressas em papel filme, o objetivo é tentar manter um dos bens imateriais mais importantes vivo: a memória. No longa-metragem</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Procura de Martina</span></i><span style="font-weight: 400;">, exibido na seção Mostra Brasil da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/48a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">48ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo,</span></a><span style="font-weight: 400;"> isso é amplificado com uma viagem particular pela lembrança que se universaliza para milhares de outras pessoas.</span></p>
<p><span id="more-34445"></span><span style="font-weight: 400;">Protagonizado por Martina (Mercedes Morán), o filme conta a história da viúva que carrega uma cicatriz traumática: a perda de uma filha durante a </span><a href="https://memoriasdaditadura.org.br/ditadura-na-argentina/"><span style="font-weight: 400;">Ditadura Argentina</span></a><span style="font-weight: 400;">. A jovem militante foi assassinada, mas antes, teve um filho dentro de um cativeiro. O bebê foi levado pelos militares e criado em uma das famílias, perdendo qualquer chance de laço afetivo com a família biológica. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Com esse fio solto desatando as pontas de sua história, a personagem viveu uma vida de </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;"> acompanhados pelo desejo de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/especiais/maes-da-praca-de-maio-na-argentina-42-anos-de-maternidade-politica"><span style="font-weight: 400;">encontrar o neto</span></a><span style="font-weight: 400;">. No entanto, a narrativa caminha como a vida, em linhas tortas, e a mulher só recebe notícias do possível paradeiro do familiar quando trava uma luta interna com sua própria identidade ao receber um diagnóstico de Alzheimer. Apostando na última chance, Martina parte para o Brasil para tentar materializar o encontro.</span></p>
<figure id="attachment_34448" aria-describedby="caption-attachment-34448" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34448" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/a-procura-de-martina-2.jpg" alt="Cena do filme A procura de Martina. Na imagem está a mãe adotiva do neto de Martina. Ela é uma mulher com mais de cinquenta anos, de pele branca e marcas de expressão no rosto. Ela está com uma touca e um avental de cozinheira em frente a uma parede cor de rosa pálido." width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34448" class="wp-caption-text">Antes da Mostra, o filme foi apresentado no Festival do Rio (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Colaboração entre Brasil e Uruguai, a obra assinada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tn80vgkTPg"><span style="font-weight: 400;">Márcia Faria </span></a><span style="font-weight: 400;">é sensível ao nível máximo, com diversos momentos contemplativos em que a escolha são imagens que expressam mais elementos que as próprias falas emitidas pelo elenco. Ao encarar o Rio de Janeiro com seus próprios olhos, Martina exala esperança ao mesmo tempo em que o temor se faz palpável. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">A falta de diálogos deixa uma sensação mista. Em partes, o telespectador sente um certo buraco, com a falta de contexto sobre o momento temporal, história e retratos escolhidos pela narrativa. De outro ponto de vista, isso cria uma sensação de reconhecimento quanto aos relatos, afinal, o cenário de viver uma ditadura com repressão, assassinatos e movimentação social, infelizmente, não é exclusividade de um país da </span><a href="https://www.politize.com.br/operacao-condor/"><span style="font-weight: 400;">América Latina</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio disso, o Alzheimer se insere de forma pontual no roteiro de Gabriela Amaral Almeida e Márcia Faria. A doença degenerativa é tratada com delicadeza e um visível estudo acerca dos comportamentos que rodeiam pessoas afetadas por ela. Em um enredo tão focado no resgate como é </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=mlZKmh20CMc"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, fica impossível não ser tomado pela angústia que envolve a fragilidade da lembrança; o quanto, por mais tentativas que tenham, é impossível assegurar a integridade do testemunho. </span></p>
<figure id="attachment_34446" aria-describedby="caption-attachment-34446" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34446" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f01cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem, está Martina, uma mulher branca de cabelos castanhos curtos. Ela tem mais de 60 anos e aparenta marcas de expressão no canto dos olhos e no entorno da boca. Usa um óculos dourado com um cordão também dourado e veste um vestido azul com gola detalhada em branco. Ela está olhando de perfil para o horizonte. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34446" class="wp-caption-text">Martina é uma das “Avós da Praça de Maio”, uma instituição que busca encontrar crianças sequestradas na Ditadura Argentina (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa situação quase irônica acompanha a totalidade da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MzTinmUBNNs"><span style="font-weight: 400;">produção</span></a><span style="font-weight: 400;"> que, muitas vezes, se calça em contrapontos. Extremos que se complementam tomam posse da sequência de acontecimentos, à exemplo de: juventude e velhice; presente e passado; esperança e desilusão… Efeitos tão inerentes à existência que, quando colocados em tela, expõem uma estranheza rotineira. Assim, frequentemente, a obra causa a sensação de algo já visto antes; parece não haver tanta novidade.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se isso pudesse ser lido como uma crítica. Pelo menos não uma direcionada ao produto cinematográfico. A realidade é única: catástrofes, vidas perdidas, rivalidade sem humanidade e tudo mais que define uma ditadura se normalizaram no que é chamado sociedade contemporânea. Tal denúncia acaba presente nas entrelinhas desta e de </span><a href="http://personaunesp.com.br/colonia-critica/"><span style="font-weight: 400;">outras produções</span></a><span style="font-weight: 400;"> que trazem o tema à tona. </span><span style="font-weight: 400;"></p>
<p></span></p>
<figure id="attachment_34447" aria-describedby="caption-attachment-34447" style="width: 574px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34447" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/11/aprocur_f04cor_2024113107.jpg" alt="Cena do filme A Procura de Martina. Na imagem estão Matina e sua amiga. As duas são mulheres com mais de 60 anos, brancas e com cabelos castanhos. Elas estão na piscina com toucas de natação fazendo hidroginástica. " width="574" height="324" /><figcaption id="caption-attachment-34447" class="wp-caption-text">As ditaduras foram um fenômeno que se espalhou por diversos países da América Latina, deixando milhares de vítimas por todo o continente (Foto: Bretz Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Cabe desmembrar elogios a dois aspectos da obra: atuação e cinematografia. Com Morán em primeiro plano, uma extensão de emoções, fisionomia e gestos estampam a tela de uma maneira extremamente singular. A atriz emociona no silêncio e faz qualquer</span><i><span style="font-weight: 400;"> frame</span></i><span style="font-weight: 400;"> valer a pena. As companheiras de cenas, Adriana Aizemberg e </span><a href="https://personaunesp.com.br/ainda-estou-aqui-critica/"><span style="font-weight: 400;">Carla Ribas</span></a><span style="font-weight: 400;">, também exalam momentos marcantes, seja com a comicidade de uma ou com a dramaticidade da outra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já na Fotografia, coordenada por </span><a href="https://abcine.org.br/socios/leo-bittencourt/"><span style="font-weight: 400;">Léo Bittencourt,</span></a><span style="font-weight: 400;"> as cenas são leves e trazem um jogo de luz muito interessante para representar aspectos mais emocionais da produção. Os planos focados nas feições valorizam o ponto subjetivo e o caráter humano do longa, estabelecendo uma conexão entre personagens e público. Além disso, algo na captação torna o registro atemporal, como se pudesse ser descrito como passado, presente e futuro. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Ao final, sobram questionamentos sobre como um filme tão familiar rememora uma ferida de décadas. Cabe questionar a nós mesmos enquanto pessoas em que momento uma dor tão imensurável se tornou parte do simples cotidiano, capaz de se camuflar no dia a dia. Em meio a fragmentos de uma vida que representa muitas, </span><a href="https://48.mostra.org/filmes/48a-a-procura-de-martina"><i><span style="font-weight: 400;">A Procura de Martina</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não é uma jornada solo.  </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
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