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	<title>Arquivos Cinema japonês &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Espaço Mais Profundo em Nós permanece à superfície</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 13:00:26 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz O Espaço Mais Profundo em Nós confirma o olhar de Yasutomo Chikuma para o invisível. Seu cinema se volta ao que não se pode tocar, às zonas de silêncio entre o amor e o luto. Nesta história, apresentada na seção Perspectiva Internacional da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, Kaori (Momoko &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-espaco-mais-profundo-em-nos-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Espaço Mais Profundo em Nós permanece à superfície"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36376" aria-describedby="caption-attachment-36376" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-36376 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-1.png" alt="O rosto de uma jovem é parcialmente iluminado por uma luz verde-azulada que incide lateralmente, criando um contraste suave entre brilho e sombra. Seus cabelos longos caem sobre o rosto, e o olhar baixo sugere introspecção ou melancolia. O fundo é escuro, reforçando a atmosfera etérea e contemplativa da cena." width="512" height="288" /><figcaption id="caption-attachment-36376" class="wp-caption-text">O filme está entre os indicados ao Prêmio NETPAC no Festival Internacional de Cinema de Calcutá (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Diaz</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Espaço Mais Profundo em Nós</span></i><span style="font-weight: 400;"> confirma o olhar de Yasutomo Chikuma para o invisível. Seu cinema se volta ao que não se pode tocar, às zonas de silêncio entre o amor e o luto. Nesta história, apresentada na seção Perspectiva Internacional da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kaori (Momoko Fukuchi), uma mulher </span><a href="https://queer.ig.com.br/2022-04-09/o-que-e-arromantico.html"><span style="font-weight: 400;">arromântica</span></a><span style="font-weight: 400;"> e assexual, compartilha uma vida com Takeru (Kanichiro), um homem em conflito com o próprio corpo e sua permanência no mundo. A relação dos dois é feita de gestos e pausas – uma convivência que não se consome, apenas se sustenta. Quando Takeru morre, o que resta a Kaori é caminhar entre a lembrança e o vazio, acompanhada por Nakano (Ryutaro Nakagawa), o amigo que talvez também tenha amado o mesmo homem.</span></p>
<p><span id="more-36375"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O diretor registra o que acontece dentro da quietude. Seus planos longos e respirações prolongadas, características típicas do </span><a href="https://www.bfi.org.uk/lists/10-great-slow-films"><i><span style="font-weight: 400;">slow cinema</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, criam a sensação de que o tempo se dilata diante de cada movimento. O litoral, local em que a narrativa se desenrola, não funciona como paisagem, mas como projeção do estado interior de Kaori – o movimento das ondas replica o ritmo de sua consciência, sua respiração irregular diante do </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/6-filmes-com-cenas-de-luto-emocionantes-de-harry-potter-adoraveis-mulheres/"><span style="font-weight: 400;">luto</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nesse espaço suspenso, o filme se torna uma escuta do que o silêncio tenta dizer e daquilo que o amor nunca soube nomear.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na cultura japonesa, a morte não é ruptura, mas passagem. Existe o conceito de </span><a href="https://voyapon.com/death-in-japan-spirituality-culture/#htoc-gimu-the-unsolvable-moral-debt"><i><span style="font-weight: 400;">gimu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a dívida moral impagável que os filhos têm para com aqueles que lhes deram a vida – uma gratidão que se estende para além do fim. Os mortos permanecem próximos dos vivos, habitando o </span><a href="https://brasilescola.uol.com.br/religiao/xintoismo.htm"><i><span style="font-weight: 400;">anoyo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o além que se comunica constantemente com este mundo. Para que essa </span><a href="https://funerariasantacasa24h.com.br/funeral-japones/"><span style="font-weight: 400;">travessia</span></a><span style="font-weight: 400;"> ocorra em paz, é preciso resolver tudo: nenhum rancor, nenhuma dúvida, nenhum vínculo mal encerrado. Chikuma filma justamente esse espaço de indefinição, onde Kaori não consegue encerrar Takeru porque o afeto entre eles nunca teve a linguagem do desejo ou da posse. Como pode se despedir de alguém que nunca coube nas categorias tradicionais de amor?</span></p>
<figure id="attachment_36377" aria-describedby="caption-attachment-36377" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36377" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-2.png" alt="Um jovem está sentado ao ar livre, envolto em um casaco branco e cachecol preto, olhando para frente com expressão de tristeza contida. A luz natural do amanhecer ou entardecer banha suavemente seu rosto, enquanto o fundo desfocado revela árvores e um céu pálido, sugerindo um momento de solidão e reflexão." width="700" height="394" /><figcaption id="caption-attachment-36377" class="wp-caption-text">A figura de Takeru representa a impossibilidade de fixação e funciona como ausência estruturante (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A resposta está personificada na protagonista: ela não segue os padrões do conceito amoroso. A </span><a href="https://valkirias.com.br/assexualidade-arromanticidade-e-a-falta-de-representacao-na-cultura-pop/"><span style="font-weight: 400;">assexualidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> no cinema ainda é sub-representada, aparecendo majoritariamente em papéis secundários ou tratada como problema a ser resolvido. Chikuma faz o oposto: coloca Kaori no centro da narrativa, não como ausência, e sim como presença que redefine os termos da relação. Sua assexualidade não é obstáculo ao afeto, é a própria forma dele. O filme reconhece que a cultura possui rituais para esposas, amantes, filhos, porém não para quem habita essas </span><a href="https://revistacult.uol.com.br/home/teoria-queer-e-os-desafios-as-molduras-do-olhar/"><span style="font-weight: 400;">zonas sem nome</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos versos </span><i><span style="font-weight: 400;">“Meu bem, vamos viver a vida / Então vem, senão eu vou perder quem sou”</span></i><span style="font-weight: 400;">, a música </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0KpA8R3NM3N0JB4NAGbAxO?si=b1cfdd561a324af3"><i><span style="font-weight: 400;">Life on Mars?</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, na versão de </span><a href="https://personaunesp.com.br/5-anos-de-marighella-e-a-contestacao-de-uma-narrativa-unica-critica/"><span style="font-weight: 400;">Seu Jorge</span></a><span style="font-weight: 400;">, captura a mesma inquietação do audiovisual: a diferença entre estar vivo e verdadeiramente viver. Kaori não pode performar o luto esperado, porque o vínculo que tinha com Takeru nunca se encaixou nas categorias disponíveis. O que resta, então, é inventar uma linguagem para esse </span><a href="https://abmluto.org.br/sobre-o-sentido-da-existencia-o-luto-e-a-morte/"><span style="font-weight: 400;">vazio</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e é isso que a obra tenta fazer, ainda que nem sempre consiga. Os dois compartilham um afeto que não depende do desejo, mas da permanência. A produção encontra beleza nas pequenas repetições, como o modo como ela segura um copo, o olhar dele perdido no horizonte. Ainda assim, o diretor às vezes se prende à própria delicadeza. A contenção que deveria revelar o mistério acaba domesticando-o, demonstrando que a sutileza se confunde com apagamento, e a introspecção se torna ausência de conflito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há diálogos entre o longa e toda uma indústria que não se contenta com respostas fáceis. A água, elemento recorrente em toda a </span><a href="https://filmow.com/yasutomo-chikuma-a505238/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">filmografia</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Chikuma, carrega aqui um duplo sentido: é refúgio e dissolução, juntamente com a memória e o esquecimento. O diretor a utiliza como símbolo de cadência diante de um fluxo que conecta cada respiração e cada intervalo. Quando Kaori observa o mar, o que se reflete não é a imagem do que perdeu, é a impossibilidade de compreender essa perda. A câmera, atenta e pudorosa, mantém uma </span><a href="https://www.spescoladeteatro.org.br/noticia/o-que-e-distanciamento-no-teatro"><span style="font-weight: 400;">distância</span></a><span style="font-weight: 400;"> que é também ética: filma sem invadir, enquanto olha sem exigir resposta.</span></p>
<figure id="attachment_36378" aria-describedby="caption-attachment-36378" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36378" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-800x391.png" alt="À beira-mar, um homem e uma mulher observam o horizonte em silêncio. Ela está de costas, com uma saia longa e jaqueta clara, enquanto ele, de sobretudo escuro, permanece um pouco afastado. O mar calmo e o céu azul compõem uma paisagem serena, marcada pela distância emocional entre os dois." width="800" height="391" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-800x391.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-1024x500.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-768x375.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-1536x750.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3-1200x586.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/OEspacoEntreNos-3.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36378" class="wp-caption-text">No longa, a paisagem marinha é o espaço entre o que somos e o que perdemos (Foto: MUBI)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, a produção é irrepreensível. A fotografia cria um universo onde tudo parece prestes a se desfazer, contudo há uma distância entre a intenção estética e o impacto emocional – tal qual o aflito entre a estética do belo e o sublime de </span><a href="https://pensamentoextemporaneo.com.br/?p=2544"><span style="font-weight: 400;">Immanuel Kant</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao perseguir a beleza como constância, Chikuma transforma o estranhamento em ornamento. Seu cinema respira, porém sem mudança de ar: o andamento é sempre o mesmo, a emoção permanece contida, até quando o tema exige transbordamento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a chegada de Nakano, a trama se aproxima do ensaio e se afasta do drama. A comunicação dele com Kaori investiga o que restou de Takeru ou o vazio que ele deixou. Os dois voltam às mesmas perguntas: o que significa amar sem possuir? Como guardar alguém que nunca quis ser guardado? No entanto, o roteiro hesita diante da própria ambição. Essas questões se repetem sem ganhar novas camadas, sem que os personagens (ou o longa) se arrisquem a perdê-las de vista. O que deveria ser um aprofundamento vira insistência, e a </span><a href="https://cantodosclassicos.com/20-filmes-minimalistas-que-merecem-sua-atencao/"><span style="font-weight: 400;">densidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> se dilui na repetição.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é um trabalho à altura dos grandes </span><a href="https://japanhousesp.com.br/story/os-encantos-do-cinema-japones-historia-e-perspectivas/"><span style="font-weight: 400;">dramas japoneses</span></a><span style="font-weight: 400;"> recentes, mas possui uma inquietação que o mantém vivo. Apesar da honestidade em sua tentativa de filmar o luto como estado, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Espaço Mais Profundo em Nós</span></i><span style="font-weight: 400;"> propõe investigar o fundo que o Cinema só consegue tocar pela superfície, porém recua diante do próprio abismo – apenas o que resta é a dúvida. O diretor filma o mistério, entretanto não se permite habitá-lo. A obra anuncia um mergulho e permanece à beira. Kaori precisava de uma linguagem para um luto sem categoria, todavia o que o Cinema lhe oferece é apenas </span><a href="https://entretenimento.r7.com/entretetizei/especial-o-aconchego-silencioso-do-cinema-japones-13082025/"><span style="font-weight: 400;">silêncio</span></a><span style="font-weight: 400;"> decorativo. A inquietação está lá, mas também contida, ornamentada, protegida de si mesma. Falta ao filme a coragem de se perder e, justamente, nessa perda que a Sétima Arte encontra o que não se pode nomear.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="【2025年サンパウロ国際映画祭正式出品作品】映画『そこにきみはいて』60秒予告" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1E7yrKhn6TU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A vitória e a derrota, a vida e a guerra, Akira Kurosawa e os 70 anos de Os Sete Samurais</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Oct 2024 17:53:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Existem diretores que não precisam de muito para extrair algo interessante, fazem do simples algo profundo, seja por um movimento de câmera, pela maneira como enquadra uma cena ou até como posiciona seus atores. Esse é o caso de Akira Kurosawa, diretor japonês que, há 70 anos, lançava Os Sete Samurais, um dos &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/os-sete-samurais-70-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A vitória e a derrota, a vida e a guerra, Akira Kurosawa e os 70 anos de Os Sete Samurais"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_34083" aria-describedby="caption-attachment-34083" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-800x463.png" alt="Mais próximo da câmera está Kikuchiyo segurando uma espada sobre o ombro e olhando para algo fora do plano. Ao fundo estão os outros seis samurais olhando na mesma direção." width="800" height="463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-800x463.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3-768x444.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image3.png 994w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34083" class="wp-caption-text">“Aquele que se empenha a resolver as dificuldades resolve-as antes que elas surjam. Aquele que se ultrapassa a vencer os inimigos triunfa antes que as suas ameaças se concretizem” (Foto: Toho films)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem diretores que não precisam de muito para extrair algo interessante, fazem do simples algo profundo, seja por um movimento de câmera, pela maneira como enquadra uma cena ou até como posiciona seus atores. Esse é o caso de Akira Kurosawa, diretor japonês que, há 70 anos, lançava </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wJ1TOratCTo"><i><span style="font-weight: 400;">Os Sete Samurais</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">um dos seus melhores e mais influentes filmes. Na trama, lavradores descobrem que bandidos vão saquear a sua vila e decidem contratar samurais para protegê-la. No entanto, apesar da sua aparente simplicidade, Kurosawa traz profundidade ao analisar os conflitos históricos entre camponeses e guerreiros japoneses, além de meditar sobre</span> <span style="font-weight: 400;">a vida e a guerra.</span></p>
<p><span id="more-34082"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa explora a histórica relação conflituosa causada pela estratificação social do Japão na época retratada, que, com algumas ressalvas, se baseava na</span><a href="https://www.worldhistory.org/trans/pt/2-1438/o-feudalismo-no-japao-medieval/"><span style="font-weight: 400;"> suserania e vassalagem</span></a><span style="font-weight: 400;">, no caso, os camponeses seriam os vassalos e os guerreiros os suseranos. No entanto, o idealizador evita o caminho fácil e moralista de colocar os personagens como representantes de suas classes. Ao invés disso, ele dá personalidade própria para cada um dos samurais e alguns dos principais lavradores, entendendo o contexto histórico e social em que que estão inseridos, mas não limitando-os a isso. A melhor maneira de ilustrar essa ideia é por meio do personagem Kikuchiyo (</span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/fsp/especial/bio/biotosh.htm"><span style="font-weight: 400;">Toshiro Mifune</span></a><span style="font-weight: 400;">), um filho de lavradores que sofreu muito nas mãos dos samurais, porém, mesmo dentro de uma sociedade estratificada, muda o seu destino e se torna um deles.</span></p>
<figure id="attachment_34084" aria-describedby="caption-attachment-34084" style="width: 567px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-34084" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image4.png" alt="Na imagem está Kikuchiyo gritando. A câmera pega apenas a parte acima dos ombros. Ele está com capacete de proteção e parece estar em movimento de ataque." width="567" height="319" /><figcaption id="caption-attachment-34084" class="wp-caption-text">Toshiro Mifune foi um dos atores preferidos de Akira Kurosawa, eles trabalharam juntos em 15 obras (Foto: Toho films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os camponeses traumatizados com os abusos dos guerreiros que passavam pela vila – principalmente as meninas mais novas que os samurais sempre se interessavam –, passam a reagir e matá-los, ficando com suas </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/entenda-como-eram-antigas-armaduras-samurais.phtml"><span style="font-weight: 400;">armas e armaduras</span></a><span style="font-weight: 400;">. Toda essa base dos conflitos é construída por meio de diálogos ao longo do filme, fazendo com que, inicialmente, tenhamos raiva dos lavradores que não recepcionam os samurais por medo deles, mas, conforme a obra avança, uma empatia é construída ao entendermos seus traumas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os samurais, por outro lado, estão longe de serem o que os moradores da vila pensam, pois estes reforçam os valores do </span><a href="https://www.gjjperdizes.com.br/codigo-753#:~:text=O%20Bushido%20"><span style="font-weight: 400;">código de conduta samurai</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao aceitarem o trabalho sem nenhuma pretensão gananciosa, visto que o valor ofertado – três refeições completas durante o tempo em que estiverem no vilarejo – era muito baixo para os riscos que exigia. O interessante dos guerreiros é que cada um deles tem um motivo diferente para aceitar a empreitada, combinando com a sua própria personalidade, seja por querer ajudar os indefesos, para adquirir experiência, melhorar suas técnicas de combate ou, até mesmo, provar que é um samurai, como é o caso de </span><a href="https://www.facebook.com/watch/?v=947849828927882"><span style="font-weight: 400;">Kikuchiyo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_34085" aria-describedby="caption-attachment-34085" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34085" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-800x533.png" alt="A câmera está de lado  em relação aos seis samurais da imagem. Mais próximo da câmera à direita está Kanbê, seguido por Heihachi, Kiûzô e Shichiroji respectivamente, e cada um mais ao fundo na imagem que seu antecessor. Mais próximo da câmera à esquerda está Kikuchiyo, seguido por Okamoto mais ao fundo." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-1024x683.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/image2.png 1170w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34085" class="wp-caption-text">O episódio 4 da primeira temporada de Mandaloriano é muito inspirado no filme de Akira Kurosawa (Foto: Toho films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, o filme passa a obedecer uma lógica própria, sem se guiar, necessariamente, pelas bases históricas, obedecendo mais à coerência dos seus personagens. Estas sete figuras, na verdade se mostram bem arquetípicas; Kanbê (</span><a href="https://www.americancinematheque.com/series/takashi-shimura-an-american-cinematheque-retrospective/"><span style="font-weight: 400;">Takashi Shimura</span></a><span style="font-weight: 400;">) é o líder do grupo, que detém a moral, toma a frente para tudo, gere as pessoas e traça as estratégias; Shichiroji (Daisuke Katō) e Gorobê (Yoshio Inaba) são os homens de confiança do comandante. Esses três homens são a representação da coletividade e do respeito ao trabalho em equipe. Em certo momento Kanbê briga com Kikuchiyo por desrespeitar as ordens gerais, independente do resultado obtido.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> Okamoto (Isao Kimura) e Kikuchiyo refletem sobre a vida de maneiras distintas; o primeiro é jovem em busca de aprendizado e novas experiências; o outro é cheio de mágoa, raiva e busca se provar como um samurai, apesar da origem humilde. Eles são a dualidade entre o que busca conhecer a vida e o que já passou por tudo. Diferente desses, Kiûzô (Seiji Miyaguchi) é calado, independente, habilidoso em conflito e com uma postura que impõe respeito, um </span><i><span style="font-weight: 400;">cowboy </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><a href="https://www.planocritico.com/entenda-melhor-as-eras-cinematograficas-do-western/"><span style="font-weight: 400;">faroeste</span></a><span style="font-weight: 400;"> por essência; Heihachi (Chiaki Minoru) soa como aquele que apenas quer se divertir matando, olhando para o todo, ele parece o mais apagado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao final do filme, Akira Kurosawa volta a trabalhar o </span><a href="https://estadodaarte.estadao.com.br/sete-samurais-pala-walsh-botelho/"><span style="font-weight: 400;">conflito</span></a><span style="font-weight: 400;">, dando um final diferente do que acontecia historicamente, e reflete sobre as </span><a href="http://www.contracampo.com.br/63/ossetesamurais.htm#:~:text=Os%20samurais%20de%20Kurosawa%20s%C3%A3o,lavradores%20a%20que%20prestaram%20ajuda"><span style="font-weight: 400;">derrotas da guerra</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto morreram mais da metade dos samurais sem ganhar nada, a não ser as refeições durante o tempo em que ficaram na vila – não continham tudo que os lavradores produziam –, os camponeses, apesar das perdas, voltam a viver suas vidas normalmente, contagiados por terem vencido a guerra. Apesar de estarem do mesmo lado, Kanbê reforça que eles, os guerreiros, não venceram a batalha, apenas os lavradores.</span></p>
<figure id="attachment_34086" aria-describedby="caption-attachment-34086" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-34086" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-800x590.png" alt="Mais próximo a imagem abaixo estão os samurais Kanbê, Shichiroji e Okamoto, e mais dois lavradores. Mais ao fundo e em foco, estão os túmulos dos samurais mortos, com as espadas destes cravadas onde estão seus corpos." width="800" height="590" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-800x590.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-1024x755.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-768x567.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4-1200x885.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/10/Imagem-4.png 1220w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-34086" class="wp-caption-text">Apesar de ser um dos maiores nomes do Cinema japonês, Akira Kurosawa era considerado muito ‘ocidentalizado’ em sua época (Foto: Toho films)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A produção foi um marco no Cinema mundial, influenciando muito o gênero </span><i><span style="font-weight: 400;">Western</span></i><span style="font-weight: 400;">, que trabalhava com questões como a honra, a coragem e o sacrifício em seus heróis. Além disso, ele influencia diretamente o universo </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Star+wars"><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que é definido como um faroeste no espaço</span><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> mas com sabres de luz ao invés de armas, o que apenas realça essa semelhança com o longa. Existe, até mesmo, um episódio de </span><i><span style="font-weight: 400;">Mandaloriano </span></i><span style="font-weight: 400;">que repete a mesma sinopse, entretanto com outra roupagem, adaptado ao universo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em suma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Sete Samurais </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma obra com um legado extenso, que vai além do Cinema japonês, pois incita o estudo e o novo olhar para a história, cria personagens complexos com características muito cativantes e, sendo muito inspirado pelo livro </span><a href="https://manualdohomemmoderno.com.br/livros/licoes-para-vida-com-arte-da-guerra"><i><span style="font-weight: 400;">A arte da Guerra</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de Sun Tzo, fala sobre a guerra e suas perdas. É um filme histórico de um dos diretores mais marcantes do pós-guerra no Japão, talvez, ele não fosse o melhor exemplo do que era a Sétima Arte japonesa, mas com certeza foi um dos que mais chamou a atenção do mundo para o seu Cinema.</span></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>O Funeral das Rosas: siga por sua conta e risco!</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Jun 2022 15:33:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Rafael Gonçalo Quando, em meados da década de 1950, a produtora de Cinema japonesa Shochiku (fundada em 1895) reuniu seus jovens diretores e roteiristas, como Nagisa Oshima (O Império dos Sentidos), Yoshishige Yoshida (Eros + Massacre) e Masahiro Shinoda (Duplo Suicídio em Amijima), e deu-lhes a missão de reavivar o interesse do público nos filmes &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-funeral-das-rosas-filme-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Funeral das Rosas: siga por sua conta e risco!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27990" aria-describedby="caption-attachment-27990" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27990" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.32.56.jpeg" alt="" width="800" height="579" /><figcaption id="caption-attachment-27990" class="wp-caption-text">Com provocações cômicas, trágicas e surreais, O Funeral das Rosas não é fácil de digerir ou explicar &#8211; e essa é a sua maior qualidade (Foto: Art Theatre Guild)</figcaption></figure>
<p><b>Rafael Gonçalo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando, em meados da década de 1950, a produtora de Cinema japonesa </span><i><span style="font-weight: 400;">Shochiku</span></i><span style="font-weight: 400;"> (fundada em 1895) reuniu seus jovens diretores e roteiristas, como Nagisa Oshima (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Império dos Sentidos</span></i><span style="font-weight: 400;">), Yoshishige Yoshida (</span><i><span style="font-weight: 400;">Eros + Massacre</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Masahiro Shinoda (</span><i><span style="font-weight: 400;">Duplo Suicídio em Amijima</span></i><span style="font-weight: 400;">), e deu-lhes a missão de reavivar o interesse do público nos filmes da empresa, mal poderia imaginar que a sua empreitada comercial abriria uma caixa de Pandora. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague </span></i><span style="font-weight: 400;">Japonesa (ou </span><a href="https://www.queridocinefilo.com/post/nuberu-bagu"><i><span style="font-weight: 400;">Nūberu bāgu</span></i></a><span style="font-weight: 400;">)</span> <span style="font-weight: 400;">foi um movimento orgânico de cineastas dentro e fora do sistema de estúdios, entre os anos 50 e 70. E de europeu só teve o nome mesmo.</span></p>
<p><span id="more-27988"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como viria a dizer o cineasta Susumu Hani (</span><i><span style="font-weight: 400;">Afurika Monogatari</span></i><span style="font-weight: 400;">), em entrevista à escritora Lúcia Nagib para seu livro Em Torno da </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague</span></i><span style="font-weight: 400;"> Japonesa, as influências ocidentais foram “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma boa dinamite</span></i><span style="font-weight: 400;">” para as convenções sociais e artísticas vigentes no Japão da época. Surfando na mesma onda estava também o diretor Toshio Matsumoto, com seu longa de estreia</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Q3XhYY9Ll0k"> <i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1969)</span></a><span style="font-weight: 400;">, título relativamente obscuro, que apenas recentemente foi restaurado e pôde ser apreciado em mais telas. É ele que nos traz aqui hoje. </span></p>
<figure id="attachment_27991" aria-describedby="caption-attachment-27991" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27991" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.47.jpeg" alt="Foto do diretor Toshio Matsumoto. Homem japonês de cabelos em corte chanel e óculos estilo aviador. Veste casaco verde escuro. Olha para a frente segurando uma câmera fotográfica modelo polaroid cobrindo totalmente seu olho esquerdo. Em segundo plano há uma parede de tijolos vermelhos. Em terceiro plano uma floresta." width="800" height="600" /><figcaption id="caption-attachment-27991" class="wp-caption-text">Da graciosa cabeça de Toshio Matsumoto nasceu o roteiro de O Funeral das Rosas (Foto: Postwar Japan Moving Image Archive)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos primeiros minutos da produção, somos levados a pensar que estamos diante de um clássico: fotografia em preto e branco, rostos impecáveis, um clima melodramático iminente… Até que vem o primeiro atropelo. Esse não é um filme comum. Poderíamos, então, tentar dissecá-lo em pelo menos quatro camadas, unidas por uma peça fundamental: Eddie (Eddie… </span><a href="https://www.culturagenial.com/edipo-rei/"><span style="font-weight: 400;">Édipo</span></a><span style="font-weight: 400;">… Soa familiar?). O personagem é interpretado por Shinnosuke “Pîtâ” Ikehata, que talvez você se lembre como o bobo da corte de </span><i><span style="font-weight: 400;">Ran</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1985), do também diretor japonês Akira Kurosawa. Despretensiosamente, o ator entrega uma atuação tão fluida quanto a sua própria identidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Vamos às camadas. A primeira e mais evidente é o melodrama: o jogo de intriga entre Eddie, a “</span><i><span style="font-weight: 400;">mama-san</span></i><span style="font-weight: 400;">” Leda (Osamu Ogasawara) e o amante de ambas, Jimi (Yoshiji Jo), o único ator profissional do elenco que não deixa nada a desejar aos noveleiros (o autor deste texto incluso). Como descobriremos mais tarde, a relação da protagonista com sua mãe (Emiko Azuma, numa interpretação digna de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-hereditario/"><i><span style="font-weight: 400;">Hereditário</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) é a espinha dorsal da história, e compõe a segunda e mais assustadora camada de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Está esquentando.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pequeno clube de desajustados do qual Eddie faz parte é a terceira camada da obra, deixando evidente a revolução comportamental que os jovens daquela geração pós-Segunda Guerra estavam promovendo na sociedade japonesa. No plano experimental, temos uma quarta camada, composta por </span><i><span style="font-weight: 400;">frames </span></i><span style="font-weight: 400;">estáticos, imagens em movimento, texto escrito, entrevistas com o elenco e até cenas de bastidores, nos lembrando que, no final das contas, trata-se de um filme. O emprego de um elenco 99% não-treinado rompe com </span><a href="https://www.8milimetros.com.br/o-que-e-quebrar-a-quarta-parede-no-cinema/"><span style="font-weight: 400;">a quarta parede</span></a><span style="font-weight: 400;"> da ficção e nos faz questionar se estaríamos assistindo a um documentário.</span></p>
<figure id="attachment_27992" aria-describedby="caption-attachment-27992" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27992" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.57.jpeg" alt=" Cena do filme O Funeral das Rosas. A imagem em preto e branco mostra três mãos humanas com as palmas voltadas para frente. Em cada palma há o desenho de uma rosa." width="800" height="612" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.57.jpeg 789w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.33.57-768x588.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27992" class="wp-caption-text">Sem dar descanso aos nossos olhos, O Funeral das Rosas se interrompe com tempestades de imagens, aparentemente desconexas, quase como se a verdade do filme estivesse apenas nelas (Foto: Art Theatre Guild)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Vale ressaltar que essas camadas não estão dispostas em ordem cronológica </span><span style="font-weight: 400;">e você pode, encaixar as peças parecidas na sua cabeça ou simplesmente deixar a vida te levar. De qualquer jeito, você chegará em algum lugar. </span><a href="https://medium.com/vertovina/a-dial%C3%A9tica-da-subvers%C3%A3o-e-percep%C3%A7%C3%A3o-do-surrealismo-japon%C3%AAs-em-shuji-terayama-e-toshio-matsumoto-27cdad82900c"><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> triunfa ao fazer mil questionamentos por minuto: ele é, por excelência, um filme que veio para confundir, não só por estar constantemente nos bombardeando de informações, mas também porque o nosso olhar está carregado de (pré)conceitos sem aplicação aqui. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cinema </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">japonês difere do que estamos acostumados a assistir enquanto espectadores brasileiros e ocidentais, a nível quase molecular. O que nos separa não é só distância física. Os bares gays (</span><i><span style="font-weight: 400;">gei b</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ā</span></i><span style="font-weight: 400;">) de Tokyo, ponto de encontro entre homens e os </span><i><span style="font-weight: 400;">gay boys</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">gei b</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ōi</span></i><span style="font-weight: 400;">) que lá estão para servi-los e entretê-los, </span><span style="font-weight: 400;">são o pano de fundo. Tudo isso, </span><span style="font-weight: 400;">no melhor estilo das </span><a href="https://mundo-nipo.com/cultura-japonesa/artes/25/08/2015/origem-e-principios-da-cerimonia-do-cha-no-japao/"><span style="font-weight: 400;">casas de chá</span></a><span style="font-weight: 400;"> japonesas e suas </span><a href="https://coisasdojapao.com/2019/02/quem-sao-e-de-onde-surgiram-as-geishas-no-japao/"><i><span style="font-weight: 400;">geishas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, eventualmente prestando serviços como acompanhantes sociais e sexuais, prática muito frequente na época.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa mesma influência americana que trouxe a guerra, acompanhou novas noções sobre sexualidade e gênero, dois aspectos que culturalmente andavam separados no país. Na verdade, o que estamos vendo na tela é um choque geracional entre a figura da</span><i><span style="font-weight: 400;"> onnagata </span></i><span style="font-weight: 400;">(papel feminino no </span><a href="https://www.br.emb-japan.go.jp/cultura/kabuki.html"><span style="font-weight: 400;">teatro </span><i><span style="font-weight: 400;">kabuki</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, interpretado por homens) &#8211; representada por Leda -, e uma nova manifestação da performance de gênero, nascida das influências ocidentais &#8211; o </span><i><span style="font-weight: 400;">gei b</span></i><i><span style="font-weight: 400;">ōi</span></i><span style="font-weight: 400;">, representado por Eddie. </span></p>
<figure id="attachment_27995" aria-describedby="caption-attachment-27995" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27995" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/gif_imagem4.gif" alt="Cena do filme O Funeral das Rosas. Imagem em preto e preto e em movimento do rosto da personagem Eddie. A personagem sorri enquanto suavemente acaricia seu pescoço de baixo para cima. Tem os cabelos molhados." width="800" height="560" /><figcaption id="caption-attachment-27995" class="wp-caption-text">Eddie tomando um banho especial para sair com seu gato (GIF: Art Theatre Guild)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é só essa disputa que fica evidente: há também o incômodo de um Japão antes patriota, mas agora fortemente ocidentalizado, que não se reconhece mais no espelho. Aqui, um destaque para a cena de sexo entre Eddie e um soldado norte-americano: além de um primor fotográfico e sensual, o momento revela as </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/historiageral/segunda-guerra-mundial-na-Asia-no-pacifico.htm"><span style="font-weight: 400;">diferenças inegociáveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre os dois.  A todo momento essas peças tentam se juntar, mesmo quando parece não haver sentido entre elas, ficando a impressão de que, ao piscar os olhos, algo de importante se perdeu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O tom bastante experimental e amador pode afastar alguns espectadores, os acostumados com uma história mais linear e polida nesse sentido, o que pode ser o “defeito” de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Pode-se apenas imaginar o susto que a primeira exibição do filme causou, dificilmente o público havia visto algo parecido e talvez nunca mais viu. Amarrando tudo que se confundia profundamente até aquele momento, como se um trauma na mente do protagonista acabasse de ser resolvido, </span><a href="https://oroteiristainsone.wordpress.com/2017/01/24/a-estrutura-de-tres-atos/"><span style="font-weight: 400;">o último ato</span></a><span style="font-weight: 400;"> da obra</span><span style="font-weight: 400;"> revela a natureza fatal da trama. </span></p>
<p><figure id="attachment_27994" aria-describedby="caption-attachment-27994" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27994 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19-800x450.jpeg" alt="Cena do filme O Funeral das Rosas. Na imagem em preto e branco a personagem Eddie está de pé, recostada sobre um muro. Usa cabelo castanho escuro em corte estilo chanel. Com a mão esquerda segura a alça de uma pequena bolsa. Veste calças estampadas, colete preto com botões grandes sobre camisa branca de mangas bufantes e gola alta. Em segundo plano, dois terços do muro estão cobertos por cinco pôsteres do filme Édipo Rei do diretor italiano Pier Paolo Pasolini de 1967." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/WhatsApp-Image-2022-06-26-at-20.34.19.jpeg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27994" class="wp-caption-text">Pistas: Eddie tira uma panca encostado num muro cheio de pôsteres de Édipo Rei (1967) de Pier Paolo Pasolini [Foto: Art Theatre Guild]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O brilhantismo de Matsumoto está em devorar a obra de </span><a href="https://www.todamateria.com.br/edipo-rei/"><span style="font-weight: 400;">Sófocles</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a vomitar na cara do espectador em forma de espetáculo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer </span></i><span style="font-weight: 400;">homicida e</span> <span style="font-weight: 400;">pornográfico, ao mesmo tempo que não se propõe a ser um estudo de personagem. O que interessa aqui é o choque, como bem explica a frase do cineasta lituano </span><a href="https://jonasmekas.com/bio.php"><span style="font-weight: 400;">Jonas Mekas</span><span style="font-weight: 400;">, </span></a><span style="font-weight: 400;">proferida por Guevara (Toyosaburo Uchiyama) em uma cena que retrata Eddie e seus amigos assistindo a um filme experimental. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Todas as definições de Cinema foram apagadas</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<p><a href="https://www.otaquest.com/funeral-parade-of-roses-japanese-film-insight-10/"><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> utiliza sexo, violência urbana e as transformações no imaginário japonês do século XX, elementos que consagraram a </span><i><span style="font-weight: 400;">Nouvelle Vague</span></i><span style="font-weight: 400;"> no país, de uma forma única e transgressora, ao permitir que um grupo de personagens marginais se apoderem da narrativa, como se eles e o próprio  diretor também experimentassem a linguagem audiovisual. Ele não se reduz a pecha de filme </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> ou documental sobre a vida dos homossexuais e transgêneros nos subúrbios de Tokyo, e rejeita nossa vontade de enxergar com nossos próprios olhos. No alto de seus 53 anos, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Funeral das Rosas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é apenas mais um título parte de um movimento, mas é ponto de virada na história do Cinema. Prossiga por sua conta e risco!</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Funeral Parade of Roses - trailer | IFFR 2018" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Q3XhYY9Ll0k?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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