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	<title>Arquivos Charlotte Rampling &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Sem vírgula ou conectivo, Pai Mãe Irmã Irmão é sobre laços quebrados</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2025 13:00:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Um dos grandes nomes da 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, sem dúvidas, é Jim Jarmusch. O diretor de Estranhos no Paraíso (1984) e Amantes Eternos (2013) chega ao evento com seu mais novo filme: Pai Mãe Irmã Irmão, que faz parte da seção Perspectiva Internacional e conta três histórias independentes. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-pai-mae-irma-irmao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sem vírgula ou conectivo, Pai Mãe Irmã Irmão é sobre laços quebrados"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36426" aria-describedby="caption-attachment-36426" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36426" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21-800x392.png" alt="Cena do filme Pai Mãe Irmã Irmão. Três mulheres sentadas ao redor de uma mesa redonda posta para um chá da tarde elegante. À esquerda, uma mulher de perfil com cabelo rosa e suéter vermelho segura uma xícara. Ao centro, uma mulher mais velha com cabelos curtos e grisalhos sorri levemente enquanto ergue sua xícara. À direita, uma terceira mulher de camisa azul clara está de costas para o observador. A mesa está coberta por uma toalha branca e repleta de louças de porcelana florida, macarons e doces finos. O ambiente tem paredes azuis escuras e quadros ao fundo." width="800" height="392" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21-800x392.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21-1024x502.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21-768x377.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21-1200x588.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-21.png 1340w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36426" class="wp-caption-text">O produtor Atilla Salih Yücer esteve presente na Mostra como membro do júri (Foto: Mubi)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos grandes nomes da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, sem dúvidas, é Jim Jarmusch. O diretor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Estranhos no Paraíso </span></i><span style="font-weight: 400;">(1984) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Amantes Eternos </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013) chega ao evento com seu mais novo filme: </span><i><span style="font-weight: 400;">Pai Mãe Irmã Irmão</span></i><span style="font-weight: 400;">, que faz parte da seção Perspectiva Internacional e conta três histórias independentes. O cineasta estabelece apenas um ponto de conexão nessa tríade de contos: os laços familiares rompidos.</span></p>
<p><span id="more-36424"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira parte do longa foca nos irmãos Jeff (</span><a href="https://personaunesp.com.br/megalopolis-critica/"><span style="font-weight: 400;">Adam Driver</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Emily (Mayim Bialik) visitando seu pai (Tom Waits). É um momento rotineiro, e quase obrigatório, como se fosse feito, não por apego, mas apenas por serem família. O personagem de Waits vive sozinho em uma casa afastada da cidade e aparenta passar alguns perrengues por ser um adulto disfuncional com problemas financeiros. No entanto, ao final, é revelado que ele escondia um lado seu de seus filhos: confiante e independente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo enredo é sobre o encontro das irmãs Timothea (</span><a href="https://personaunesp.com.br/nao-olhe-para-cima-critica/"><span style="font-weight: 400;">Cate Blanchett</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Lilith (Vicky Krieps) com a mãe (Charlotte Rampling). Não muito diferente do primeiro conto, este coloca os personagens em uma situação desconfortável, com cada um escondendo sua verdadeira vida da família, e mantendo esses laços por obrigatoriedade. A grande diferença entre esses dois é a relação fraternal. Se no capítulo inicial, Adam Driver e Mayim Bialik eram próximos, essas duas irmãs são distantes e muito diferentes uma da outra.</span></p>
<figure id="attachment_36425" aria-describedby="caption-attachment-36425" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36425" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22-800x450.png" alt="Cena do filme Pai Mãe Irmã Irmão. Plano médio de dois jovens sentados no chão de madeira de um cômodo com arquitetura antiga. O homem, à esquerda, tem pele negra e longos dreadlocks, veste uma camiseta branca e segura atentamente um envelope aberto. A mulher, à direita, tem cabelo curto, usa uma regata vermelha e apoia a cabeça carinhosamente no ombro dele, olhando também para o papel. Ao fundo, vê-se uma lareira de mármore branco e paredes com papel de parede desgastado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-22.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36425" class="wp-caption-text">No início de sua carreira, Jim Jarmusch foi considerado um diretor maneirista (Foto: Mubi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Essas duas histórias são muito parecidas, não apenas pelo enredo, e sim, principalmente, pela execução das ideias de Jarmusch. Os silêncios constrangedores, as farpas, os segredos, a maneira como os personagens evitam o conflito e adotam uma postura passivo-agressiva e as cenas de desconforto reforçam esses laços quebrados por traumas que não são revelados, porém, são sentidas. A construção cênica (</span><a href="https://personaunesp.com.br/coringa-5-anos/"><span style="font-weight: 400;">Mark Friedberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Marco Bittner Rosser) da segunda trama é pensada exatamente sobre essa vida de aparências, em que tudo é bonito e organizado, contudo, reserva aspectos artificiais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O terceiro conto é o mais diferente dentre os três. Dois irmãos, Skye (</span><a href="https://personaunesp.com.br/escape-room-2-tensao-maxima-critica/"><span style="font-weight: 400;">Indya Moore</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Billy (Luka Sabbat) voltam ao apartamento em que passaram sua infância, antes que ele seja alugado por outras pessoas. A dupla está passando por um período complicado após a morte de seus pais, mas a ligação deles é mais sincera que as outras. Existe toque, carinho e lamento, algo que era impensável para os outros. Os cenografistas acompanham a história, transformando a casa em um espaço vazio, contudo, cheio de marcas e histórias. Não há polidez nesse capítulo, pois não há nada o que esconder.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Pai Mãe Irmã Irmão </span></i><span style="font-weight: 400;">foi um dos filmes mais aguardados na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, não apenas pelo nome de Jim Jarmusch, como também pela presença do renomado produtor </span><a href="https://personaunesp.com.br/persona-entrevista-atilla-salih-yucer/"><span style="font-weight: 400;">Atilla Salih Yücer</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar da pegada mais lenta e pausada, a obra conseguiu arrancar risos da plateia a todo instante. Mesmo que sua recepção não tenha causado grande comoção – nem para o bem, nem para o mal –, ainda vale a pena dar uma chance para esse filme tristonho e cômico.</span></p>
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		<title>Em nome de Verhoeven, todos bebem do sangue de Benedetta</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Apr 2022 18:55:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ayra Mori Intocável, a figura da freira se tornou fonte de lascivas fantasias. Cobertas pelo mistério do tecido negro de seus hábitos, enclausuradas pela solidez das paredes de pedra e tomadas pela devoção santificada por Jesus, desde a origem da Igreja Católica como organização, a silhueta inconfundível das noivas de Cristo corporificou-se, do espírito à &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/benedetta-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em nome de Verhoeven, todos bebem do sangue de Benedetta"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27355" aria-describedby="caption-attachment-27355" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27355" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está o rosto de Benedetta aproximado. Benedetta é uma freira adulta branca. Ela veste um hábito. Seus olhos e boca estão fechados. No olho esquerdo, um polegar passa água benta por cima. O polegar é de uma pessoa branca. O olho direito também está umedecido pela água." width="1920" height="797" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1-1024x425.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1-1536x638.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img1-1200x498.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27355" class="wp-caption-text">De santa imaculada à iconografia sexual, Benedetta é a falsa heroína do drama controverso de Paul Verhoeven, que após sua estreia mundial em Cannes 2021 inflamou <a href="https://twitter.com/TheNYFF/status/1442193742396465155?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1442193742396465155%7Ctwgr%5E%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fmag.sapo.pt%2Fassets%2Fstatic%2Ftwitter_embed.html%3Furl%3Dhttps%3A%2F%2Ftwitter.com%2FTheNYFF%2Fstatus%2F1442193742396465155">protestos</a> pela crítica conservadora (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Ayra Mori</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Intocável, a figura da freira se tornou fonte de lascivas fantasias. Cobertas pelo mistério do tecido negro de seus hábitos, enclausuradas pela solidez das paredes de pedra e tomadas pela devoção santificada por Jesus, desde a origem da Igreja Católica como organização, a silhueta inconfundível das noivas de Cristo corporificou-se, do espírito à carne, contra o olhar. Desse olhar reprimido emergiu uma miríade de representações cuja maior tentação se debruça no magnetismo feminino oculto dentro de um convento. No retorno de </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Paul+Verhoeven"><span style="font-weight: 400;">Paul Verhoeven</span></a><span style="font-weight: 400;"> em </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2021/07/09/cineasta-paul-verhoeven-volta-a-cannes-com-historia-de-freiras-lesbicas.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Cannes </span></i><span style="font-weight: 400;">2021</span></a><span style="font-weight: 400;">, o drama semi-biográfico </span><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta</span></i><span style="font-weight: 400;"> tateia o subgênero, revelando, por trás do protagonismo progressivo das mulheres enquadradas em cena, um agressivo observador – masculino.</span></p>
<p><span id="more-27354"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na Sétima Arte, o subgênero se popularizou em particular nas décadas de 1970 e 1980, passando a ser identificado como </span><a href="https://mubi.com/notebook/posts/the-deuce-notebook-sister-acts"><i><span style="font-weight: 400;">nunsploitation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Despertado pela obra-prima ainda censurada do diretor Ken Russell, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Demônios</span></i><span style="font-weight: 400;"> (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Devils</span></i><span style="font-weight: 400;">), assim como as demais ramificações do Cinema Apelativo (ou </span><a href="https://judao.com.br/explorando-o-exploitation/"><i><span style="font-weight: 400;">exploitation</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o tropo dos subgêneros de freiras desmascara a corrupção dos valores morais difundido pelo conservadorismo da sociedade tradicional, aqui, especialmente da Igreja Católica. Nele, a espetacularização da violência é levada ao máximo, com direito a nudez excessiva, mutilação revelada, homoerotismo e, bem, sexo.</span></p>
<figure id="attachment_27356" aria-describedby="caption-attachment-27356" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27356" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está uma parede de pedra cinza com um furo redondo no centro da imagem. Do outro lado da parede, está o olho da Abadessa Felicitá, uma freira branca de meia idade. Só é possível ver o olho verde da mulher. Na frente da parede, a parte de um aparador de madeira aparece na cena e, acima dele, um objeto metálico cilíndrico com detalhes nas laterais. A cena é escura, iluminada por uma luz alaranjada refletida nas texturas irregulares da parede e no metal do objeto." width="1920" height="803" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2-1024x428.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2-1536x642.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img2-1200x502.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27356" class="wp-caption-text">Para Verhoeven, o roteiro adaptado a partir de um livro escrito por uma mulher e a operação de mulheres em cargos de direção de fotografia, direção de arte e direção-assistente, seria o suficiente para impedir um olhar masculino fetichista sobre as cenas de sexo (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Despido de qualquer moralismo simulado, a violência posta em cena nesses filmes esteve intimamente vinculada com o </span><a href="https://periodicos.uff.br/cantareira/article/view/44237"><span style="font-weight: 400;">contexto do período</span></a><span style="font-weight: 400;">: a ascensão da contracultura concomitante à uma atmosfera selvagem dos conflitos urbanos. E em reação as forças disciplinadoras do “civilizador” branco, cristão e heterossexual, o subgênero marginal transgrediu o “</span><a href="https://maugosto.medium.com/no-escurinho-do-cinema-a-l%C3%ADngua-do-desejo-c39fa613f7d1"><span style="font-weight: 400;">bom gosto</span></a><span style="font-weight: 400;">” da indústria cinematográfica estadunidense hegemônica, pondo o sexo em posição central da trama, à semelhança de toda a filmografia do holandês Paul Verhoeven. O sexo não como ferramenta narrativa simplesmente utilitária, mas como uma linguagem simbólica autodeterminante na crítica de estruturas problemáticas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem acompanha o universo cinematográfico de Verhoeven, fica bastante evidente o apelo do cineasta sobre o subgênero. Dos filmes holandeses do início da carreira até a rejeição de seu Cinema em Hollywood, ele sempre pregou afincadamente sexo com poder. Compreendendo a hipocrisia </span><a href="https://bloodknife.com/everyone-beautiful-no-one-horny/"><span style="font-weight: 400;">puritana</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos grandes estúdios norte-americanos, a direção de Verhoeven exacerbou a violência em níveis brutais – a agressividade da força policial em </span><i><span style="font-weight: 400;">RoboCop: O Policial do Futuro</span></i><span style="font-weight: 400;">; o erotismo sadomasoquista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Selvagem</span></i><span style="font-weight: 400;">; o hiperbolismo </span><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i><span style="font-weight: 400;"> do magnífico </span><a href="https://personaunesp.com.br/showgirls-25-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Showgirls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; a sátira belicista mal interpretada de </span><i><span style="font-weight: 400;">Tropas Estelares</span></i><span style="font-weight: 400;">; e o trauma intragável de </span><a href="https://valkirias.com.br/elle/"><i><span style="font-weight: 400;">Elle</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, são exemplos do porquê Verhoeven e </span><i><span style="font-weight: 400;">nunsploitation </span></i><span style="font-weight: 400;">pareceu ser o casamento perfeito.</span></p>
<figure id="attachment_27357" aria-describedby="caption-attachment-27357" style="width: 640px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27357 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img3-640x1024.jpg" alt="Capa do livro Immodest Acts: The Life of a Lesbian Nun in Renaissance Italy, versão original de Atos Impuros: A Vida de Uma Freira Lésbica na Itália da Renascença. No centro da imagem, está um recorte de uma gravura e o fundo restante da imagem está em um tom de ocre. Nela, está a figura de duas freiras brancas. A primeira, está rezando com os olhos abertos e mãos unidas em sinal de oração. A segunda, está por trás da primeira, encarando-a, com uma mão esquerda apalpando um dos seios da outra mulher e a mão direita acima do ombro da outra mulher. Ambas vestem um hábito com tecidos branco e preto, de cima para baixo. O véu delas é coberto por um tecido acinzentado e translúcido. Ao lado das duas está o recorte de duas figuras irreconhecíveis. A figura da esquerda mostra parte de um corpo vestido de um tecido azul marinho e azul com bolinhas, de cima para baixo. A figura da direita mostra parte de um corpo vestido de um tecido branco. O fundo da gravura é um azul turquesa desbotado, com parte de uma árvore aparecendo. A gravura apresenta marcas do tempo como trincas, texturas irregulares e pontos desbotados. Nas laterais da gravura estão dois retângulos estampados por desenho florido nas cores laranja, verde e preto. Na parte superior da capa está o título do livro em fonte serifada preta e caixa alta. A palavra “Acts” é ornada por detalhes floridos em preto. Na parte inferior da capa é possível ler o subtítulo do livro, também em fonte serifada preta. E abaixo, por último, está o nome da autora Judith C. Brown, em caixa alta, na mesma fonte das demais." width="640" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img3-640x1024.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img3-500x800.jpg 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img3-768x1229.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img3.jpg 850w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-27357" class="wp-caption-text">Capa da edição original de Atos Impuros: A Vida de Uma Freira Lésbica na Itália da Renascença, que serviu de referência para a adaptação cinematográfica de Verhoeven sobre a história real de Benedetta Carlini (Foto: Oxford University Press)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta </span></i><span style="font-weight: 400;">foi baseado na história real de uma freira italiana do século XVII, cuja vida foi documentada detalhadamente pela historiadora da Universidade de Stanford, </span><a href="https://www.nytimes.com/1986/01/19/books/divine-visions-diabolical-obsessions.html"><span style="font-weight: 400;">Judith C. Brown</span></a><span style="font-weight: 400;">, no livro </span><i><span style="font-weight: 400;">Atos Impuros: A Vida de Uma Freira Lésbica na Itália da Renascença</span></i><span style="font-weight: 400;">. Publicado em 1986, o livro reuniu as transcrições do primeiro caso de lesbianismo registrado pela Igreja entre duas irmãs: Benedetta Carlini (Virginie Efira), uma jovem freira em ascensão que posteriormente tornou-se abadessa de seu convento na Pescia, em Toscana, e Bartolomea (Daphne Patakia), uma noviça incubada de acompanhar a primeira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida de uma família abastada, Benedetta ingressou na vida beata aos nove anos de idade sem grandes determinações, exceto pelo seu dom espiritual – a habilidade de ter visões sobrenaturais com Cristo. Exatamente o tipo de visões extáticas descritas um século antes por </span><a href="https://www.ihu.unisinos.br/591974"><span style="font-weight: 400;">Santa Teresa D’Ávila</span></a><span style="font-weight: 400;">, freira carmelita e exemplo máximo do poder erótico da extrema religiosidade feminina. Episódios de imensa agonia, contudo, foram descritos pela santa com forte caráter sexual.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Eu vi em sua mão uma longa lança de ouro cuja ponta parecia ser um pequeno fogo. Ele parecia penetrá-la várias vezes no meu coração e perfurar minhas entranhas; (&#8230;) deixando-me em fogo, com um grande amor em Deus. A dor era tão grande, que me fez gemer, e ainda assim foi superando a doçura desta dor excessiva, eu não pude querer livrar-me dela.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
</blockquote>
<figure id="attachment_27358" aria-describedby="caption-attachment-27358" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27358" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está a imagem de uma ferida aberta ampliada por um objeto de vidro com um líquido translúcido amarelado. A ferida mostra um corte transversal de uma pele, revelando parte da carne, ensanguentada. À esquerda, está um tecido cobrindo a pele. À direita, a pele está relevada com manchas de sangue ainda fresco." width="1920" height="797" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4-800x332.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4-1024x425.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4-768x319.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4-1536x638.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img4-1200x498.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27358" class="wp-caption-text">Além da revelação de visões místicas, Benedetta também exibiu sinais de estigmas – as feridas de Jesus Cristo crucificado (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E similar à </span><a href="https://proximarte.com/2021/10/12/o-extase-de-santa-teresa-de-gian-lorenzo-bernini/"><span style="font-weight: 400;">figura barroca</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma Santa Teresa desfalecida, as revelações místicas de Benedetta também lhe permitiram transgredir as restrições sociais de seu tempo. Quando em transe, suas visões eram embelezadas por teatralidade, sadomasoquismo e paixão. Possuída por uma divindade masculina, amar outra mulher não seria profano, pois assim era a vontade sagrada. Ela não podia responder por algo que, segundo ela, não estava consciente. Dessa maneira, enganando aos demais e a si mesma, a sexualidade de Benedetta esteve intimamente arraigada com o imaginário criado por ela, dando licença para que ela não somente amasse Bartolomea, mas que, em retrospecto, fosse igualmente amada, </span><a href="https://personaunesp.com.br/senhoritas-em-uniforme-90-anos/"><span style="font-weight: 400;">livre de culpas</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<blockquote>
<p style="text-align: left;"><span style="font-weight: 400;">“</span><span style="font-weight: 400;">Quando eu punha a mão ali, era como se um punhal a ferisse (&#8230;) e com a minha mão ali, ela parecia agitar-se menos. (&#8230;) Às vezes ela me chamava duas vezes numa noite (&#8230;) e dizia ‘Segure-me, ajude-me’ (&#8230;) logo que eu a escutava, eu colocava a mão no coração dela e a acalmava. (&#8230;) E quando Ele pôs (o coração) dentro dela, eu comecei a ver que a carne se levantava e se movia devagar, bem devagar (&#8230;) eu o toquei e parecia tão grande e tão quente que minha mão não pôde suportar.</span><span style="font-weight: 400;">”</span></p>
</blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas Verhoeven não é um romântico e sua natureza é </span><a href="https://www.apaladewalsh.com/2016/04/paul-verhoeven-e-a-critica-espectacular-do-espectaculo/"><span style="font-weight: 400;">escandalosa</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em nome da interpretação realista dos fatos históricos, somada à estimulação dos excessos comum do cineasta, a versão cinematográfica de </span><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta </span></i><span style="font-weight: 400;">permite se guiar pelas torções fantasiosas do desejo blasfemo das duas freiras, </span><span style="font-weight: 400;">sem nunca reivindicar inteiramente o potencial erótico como possibilidade revolucionária da desobediência das amantes.</span></p>
<figure id="attachment_27359" aria-describedby="caption-attachment-27359" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27359" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está Benedetta na frente e Bartolomea atrás, a segunda, mexendo no seio da primeira por trás de um véu translúcido azulado que as divide. Ambas estão deitadas na cama, divididas por esse véu. Benedetta é uma mulher adulta branca de cabelos loiros compridos. Seu rosto está voltado para cima, com os olhos fechados, boca aberta e um seio revelado. Bartolomea é uma mulher adulta branca de cabelos castanhos compridos. Ela olha Benedetta enquanto põe uma de suas mãos sobre o seio revelado de Benedetta. Ambas vestem uma camisola branca. O tecido das roupas de cama são brancas. A cena é durante a noite escura. A luz passa pelo véu que divide as duas mulheres." width="1920" height="801" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5-800x334.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5-1024x427.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5-768x320.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5-1536x641.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img5-1200x501.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27359" class="wp-caption-text">Sobre o <a href="https://oglobo.globo.com/cultura/a-franca-perdeu-barco-do-metoo-diz-atriz-adele-haenel-24299546">pretexto desonesto</a> de que na França o puritanismo age diferente de Hollywood, o diretor afirmou não contar com um coordenador de intimidade no set de filmagens, no qual as atrizes Virginie Efira e Daphne Patakia foram as responsáveis por assumir a dianteira (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Inserido no interior de uma sociedade matriarcal, longe da domesticidade compulsória da heterossexualidade, </span><i><span style="font-weight: 400;">Benedetta </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma história fundamentalmente feminina. As personagens, mulheres, enclausuradas pela repressão do convento, não conhecem nada além do feminino. Como um boneco crucificado, Jesus é uma figura andrógina, assexuada. No entanto, há um silencioso duelo entre a irmandade comunitária e o poder patriarcal. As manifestações sobrenaturais de Benedetta sinalizavam uma perigosa ameaça à </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-59750393#:~:text=O%20problema%20%C3%A9%20o%20clericalismo%2C%20utilizar%20a%20superioridade%20em%20raz%C3%A3o%20do%20cargo.%20Muitas%20vezes%20isso%20impede%20as%20den%C3%BAncias.%20Esse%20clericalismo%20foi%20incorporado%20por%20tantas%20mulheres%20que%20s%C3%A3o%20madres%20superioras%20ou%20que%20t%C3%AAm%20fun%C3%A7%C3%B5es%20de%20poder.%20N%C3%A3o%20%C3%A9%20tanto%20uma%20quest%C3%A3o%20de%20g%C3%AAnero%2C%20mas%20de%20hierarquia."><span style="font-weight: 400;">ortodoxia da Igreja Católica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Primeiro, porque existia uma hierarquia rigidamente vertical do poder eclesiástico; segundo, porque as mulheres eram sistematicamente consideradas o </span><a href="http://revistatempodeconquista.com.br/documents/RTC25/PEDROGOMESERACHELPENTEADO.pdf"><span style="font-weight: 400;">sexo mais fraco</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, como poderia Deus se comunicar com uma mulher e não com um homem? Era Benedetta uma escolhida divina ou uma vítima de </span><a href="https://www.fflch.usp.br/638"><span style="font-weight: 400;">possessão demoníaca</span></a><span style="font-weight: 400;">? Seria uma freira capaz de diferenciar a fonte dessas visões? O resultado foi o início de um julgamento liderado por um grupo de homens da fé, responsáveis por determinar o destino de Benedetta, de santa venerada à pária farsante. A partir desta metade do filme, a crítica acima da instituição católica se agudiza. Proporcionalmente à Igreja, a falsa heroína entende que sua visão lhe concede poder e emancipação da autoridade eclesiástica – nem que isso sugerisse a mutilação de sua própria carne.</span></p>
<figure id="attachment_27360" aria-describedby="caption-attachment-27360" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27360" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está Felicitá, curvada com a mão sobre a boca que derrama sangue. Ela é uma freira branca de meia idade. Ela olha para o chão. No fundo da imagem está uma cama e uma parede totalmente na sombra. A imagem é escura e a mulher é refletida por uma contraluz." width="1920" height="803" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6-1024x428.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6-1536x642.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img6-1200x502.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27360" class="wp-caption-text">Charlotte Rampling também integrou o elenco de Benedetta com sua extraordinária interpretação, sedimentada pelas nuances sutis da atriz como Abadessa Felicitá (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No filme, a dor é instrumento de elevação de Benedetta que, quando criança, aprende que “</span><a href="http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1808-42812010000300005#:~:text=Primeiramente%2C%20a%20Igreja%20recomendou%20aos,que%20todo%20crist%C3%A3o%20deveria%20almejar."><i><span style="font-weight: 400;">o seu maior inimigo é o seu corpo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">”. O corpo, como uma gaiola claustrofóbica na qual ela jamais deve se sentir confortável. Somente adulta, posteriormente à chegada de Bartolomea, um impulso desperta a castidade compulsória da freira. Diante de um objeto refletor, pela primeira vez, ela explora o próprio seio, em curiosidade. O mesmo seio que antes se espelhava em figuras não sexuais para ela – o seio do mármore leitoso de uma Virgem Maria esculpida; o seio de uma irmã freira acometida pelo câncer de mama; e o seio em lactação de uma mulher grávida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diferente dos protestos reacionários sobre a nudez excessiva das atrizes em tela, no filme, ela não é gratuita, apenas </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/diversao-e-arte/2021/11/4961797-nao-queria-causar-diz-diretor-de-filme-em-que-freiras-se-masturbam.html#:~:text=%22O%20que%20muitos%20veem%20como%20provoca%C3%A7%C3%A3o%20neste%20filme%20n%C3%A3o%20%C3%A9%20nada%20al%C3%A9m%20de%20eu%20tentando%20me%20manter%20pr%C3%B3ximo%20da%20realidade.%20E%20tendo%20respeito%20pelo%20passado%20%2D%20n%C3%B3s%20n%C3%A3o%20precisamos%20gostar%20do%20que%20fizemos%20ao%20longo%20da%20hist%C3%B3ria%2C%20mas%20n%C3%B3s%20n%C3%A3o%20devemos%20apagar%20nada%22"><span style="font-weight: 400;">cruelmente realista</span></a><span style="font-weight: 400;">. As cenas de sexo são duas: o despertar sexual de Benedetta com Bartolomea e a simulação de um instrumento erótico esculpido na estatueta de uma Virgem Maria. Não inseridos na lógica de trabalho, </span><a href="https://mulhernocinema.com/entrevistas/coordenadoras-de-intimidade-como-estas-profissionais-trabalham-nos-sets-da-era-metoo/"><span style="font-weight: 400;">segurança nos </span><i><span style="font-weight: 400;">sets</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">de filmagem e validação da misoginia, a discussão acima do </span><a href="https://www.instagram.com/personaunesp/p/CTf99zgB72l/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">sexo no audiovisual</span></a><span style="font-weight: 400;">, aqui, soa moralista e vazia. Para Verhoeven, o erotismo é grotesco, desagradável e excitante, permeando as ambivalências entre sagrado e profano, bem e mal, repressão e libertinagem, dor e prazer, indulgência e abnegação, religião e ciência.</span></p>
<figure id="attachment_27361" aria-describedby="caption-attachment-27361" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27361" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7.png" alt="Cena do filme Benedetta. Nela, está Bartolomea deitada sobre Benedetta. Embaixo, Benedetta olha para cima com seus olhos e boca abertos. Ela é uma mulher adulta branca de cabelos loiros compridos, vestida por uma camisola branca. Sua mão segura a cabeça de Bartolomea que está sobre o seu corpo. Bartolomea encara a câmera, de boca fechada. Ela é uma mulher adulta branca de cabelos castanhos compridos. Nua, ela segura o braço de Benedetta. No fundo, está uma vela acesa e a estatueta de uma Virgem Maria. A imagem é escura, refletida pelo fogo da vela em chamas." width="1920" height="802" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7-800x334.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7-1024x428.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7-768x321.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7-1536x642.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/04/img7-1200x501.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27361" class="wp-caption-text">A história real de Benedetta Carlini, condenada à prisão, é o relato mais completo entre os poucos casos de amor lésbico registrado pela Igreja Católica (Foto: SBS Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Então, ultrapassada a fronteira do carnal, Benedetta encontra, tanto no sexo, quanto na dor, a resposta de que se seu corpo é inimigo, seu corpo é também seu aparato. E aqui, o drama renascentista de Verhoeven ativa um odor putrefato. Particularmente em uma sequência questionável, ainda que não sexualizada, da punição de Bartolomea após ser acusada de sodomia, quem </span><a href="https://www.hollywoodinsider.com/final-girl-trope/"><span style="font-weight: 400;">coisifica o corpo das mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> em instrumento para a crítica de uma instituição falida, não são as personagens femininas, mas Paul Verhoeven, o cineasta holandês por trás do olho que tudo enxerga.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando aparenta transgredir as chagas das estruturas tradicionais, Verhoeven nunca chega até o fim. Sob o hábito de uma freira cheia de apetite, o cineasta gradativamente empalidece a autoexpressão das protagonistas quando converte seus corpos – </span><a href="https://garage.vice.com/en_us/article/pawmwk/revenge-review"><span style="font-weight: 400;">sobretudo, suas dores</span></a><span style="font-weight: 400;"> –, em único meio para a emancipação monástica, feminina e </span><a href="https://valkirias.com.br/a-invisibilidade-lesbica-no-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mesmo com a ressignificação de um dos subgêneros mais misóginos do Cinema pelo relato verídico de Benedetta, o diretor reafirma involuntariamente o </span><i><span style="font-weight: 400;">voyeurismo </span></i><span style="font-weight: 400;">masculino que vislumbra a atrativa dupla negação entre a “</span><i><span style="font-weight: 400;">freira intocável</span></i><span style="font-weight: 400;">” e “</span><i><span style="font-weight: 400;">lésbica inalcançável</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Passados quase quatro séculos desde o julgamento abusivo de Benedetta Carlini, em 2021, Verhoeven faz com que, mais uma vez, todos bebam do sangue dela. Somente pelo sofrimento de seu corpo, inteiramente esgotado, se atinge a libertação, à sombra de uma justificativa que soa tão dissimulada quanto a corrupção clerical criticada por ele.</span></p>
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		<title>O Duna de Villeneuve reanima a ficção científica com suas próprias raízes</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Dec 2021 20:26:06 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ernesto Rangel A mais nova adaptação da obra-prima Duna, escrita por Frank Herbert, chegou aos cinemas com uma grande responsabilidade em suas mãos: agradar aos fãs do livro, de 1965; corrigir os erros da primeira adaptação cinematográfica, de 1984; e ainda conquistar um novo público que nunca ouviu falar da saga em 2021, apesar de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Duna de Villeneuve reanima a ficção científica com suas próprias raízes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25220" aria-describedby="caption-attachment-25220" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25220" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-3.png" alt="Cena do filme Duna de 2021. Nela vemos Paul em destaque no centro, cabisbaixo, enquanto está cercado por soldados Atreides. Ao seu lado e um pouco mais a frente, uma figura dá contraste à imagem devido as cores de suas vestes esvoaçantes." width="1024" height="410" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-3.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-3-800x320.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-1-3-768x308.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25220" class="wp-caption-text">Duna chega finalmente às telonas com nomes de peso envolvidos na produção (Foto: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><b>Ernesto Rangel</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mais nova adaptação da obra-prima </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, escrita por Frank Herbert, chegou aos cinemas com uma grande responsabilidade em suas mãos: agradar aos fãs do livro, de 1965; corrigir os erros da </span><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/602376/critica-duna-1984-criatividade-esmagada/"><span style="font-weight: 400;">primeira adaptação cinematográfica</span></a><span style="font-weight: 400;">, de 1984; e ainda conquistar um novo público que nunca ouviu falar da saga em 2021, apesar de sua contribuição massiva para a ficção científica. Uma avaliação do filme deve se estender por esses três aspectos, nos quais o longa se apresenta: como adaptação de uma obra literária renomada; como </span><i><span style="font-weight: 400;">remake </span></i><span style="font-weight: 400;">de um filme falho; e como uma nova produção, lutando por espaço na cultura atual. É necessário ainda dedicar algumas passagens às qualidades necessárias para todo bom longa-metragem.</span></p>
<p><span id="more-25211"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando se trata de transportar para a telona a trama de livros renomados, os desafios são muitos. Primeiramente existem os fãs que, em suas leituras, idealizam os cenários e as personagens dentro de suas perspectivas pessoais, fazendo com que seja quase impossível agradar a mais do que uma pequena quantidade deles simultaneamente. Existe ainda a questão da arte: o diretor, como artista, deve priorizar a fidelidade com a obra original ou a sua originalidade própria? Além disso, não podemos esquecer da </span><a href="https://variety.com/2019/artisans/news/oscars-tech-nuanced-vfx-1203388900/"><span style="font-weight: 400;">tecnologia da época</span></a><span style="font-weight: 400;">, que pode ser insuficiente (e era, na primeira adaptação oficial para as telonas) para apresentar a realidade retratada em um livro (veículo que se limita apenas pela imaginação).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Até mesmo títulos que conseguiram se tornar referência no quesito, como </span><i><span style="font-weight: 400;">O Senhor dos Anéis</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Tolkien, ainda apresentam derivados (</span><i><span style="font-weight: 400;">O Hobbit</span></i><span style="font-weight: 400;">) que deixam a desejar. Além disso, existem uma gama de </span><a href="https://www.guiadasemana.com.br/literatura/galeria/15-livros-que-ganharam-adaptacoes-terriveis-nos-cinemas"><span style="font-weight: 400;">exemplos desastrosos</span></a><span style="font-weight: 400;"> disponíveis para a apreciação de todos aqueles dispostos, como as aventuras na telona de </span><i><span style="font-weight: 400;">Percy Jackson,</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Rick Riordan, ou ainda a tragédia em vinte e quatro quadros que foi a saga de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Torre Negra</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Stephen King, nas telas de cinema.</span></p>
<figure id="attachment_25221" aria-describedby="caption-attachment-25221" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25221" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-2-1.gif" alt="Gif de uma cena do filme A Torre Negra, de 2017. Em uma perspectiva vista de cima temos o Homem de Preto esticando os braços e direcionando as palmas das mãos em direção a câmera. Ao mesmo tempo uma chuva de cacos de vidros que parecem surgir de trás da câmera são parados pelo movimento." width="1000" height="412" /><figcaption id="caption-attachment-25221" class="wp-caption-text">Nem o Homem de Preto de Matthew McConaughey foi capaz de segurar a chuva de críticas da adaptação de A Torre Negra (GIF: Columbia Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os fãs podem respirar aliviados, pois por ser ele mesmo um deles, Denis Villeneuve foi extremamente fiel à obra original. É discutível se a materialização feita por ele foi aquela que agrada ao maior número de espectadores. As </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/cultura-geek/229539-duna-100-milhoes-bilheteria-quebra-recorde.htm"><span style="font-weight: 400;">bilheterias</span></a><span style="font-weight: 400;"> foram soberbas (mesmo com o lançamento simultâneo nos cinemas e nos serviços de </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming </span></i><span style="font-weight: 400;">do </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i><span style="font-weight: 400;">, que canibaliza os números angariados) e, juntamente com o </span><i><span style="font-weight: 400;">feedback</span></i><span style="font-weight: 400;"> que podemos encontrar nas redes sociais, é possível inferir que </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> atingiu uma grande aceitação entre o grande público, inclusive os fãs.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para essa adaptação em específico o diretor, com certeza, precisou evitar produzir um filme que parecesse uma cópia dos títulos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Guerra nas Estrelas</span></i><span style="font-weight: 400;">, que hoje são referência no gênero da ficção científica. </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, de fato, compartilha a temática com essas produções, porém, é ancestral delas. George Lucas é um fiel discípulo de Frank Herbert e se inspirou profundamente no livro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> para a criação de seus longas, e podemos citar muitos paralelos entre as obras, como: Arrakis, o planeta que dá o nome a </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Tatooine, o planeta natal de Anakin, são ambos desérticos; Paul Atreides e Luke Skywalker, são superficialmente ambos os </span><a href="https://www.gamespot.com/articles/dunes-paul-atreides-isnt-luke-skywalker-despite-what-the-new-movie-may-have-you-believe/1100-6497869/"><span style="font-weight: 400;">escolhidos</span></a><span style="font-weight: 400;">; O Imperium, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, e o Império Galáctico, de </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars</span></i><span style="font-weight: 400;">; entre muitos outros. Por sorte, ou mérito do diretor, Duna escapa de parecer uma cópia, mas as comparações serão inevitáveis.</span></p>
<p><figure id="attachment_25222" aria-describedby="caption-attachment-25222" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25222 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-11.jpg" alt="Imagem retangular horizontal. Montagem simples. Nela vemos, na esquerda, Paul Atreides, um homem jovem branco, e na direita, Luke Skywalker, também um homem jovem branco. Podemos ver o busto de ambos olhando para frente." width="1200" height="630" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-11.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-11-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-11-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-3-11-768x403.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25222" class="wp-caption-text">Paul Atreides (à esquerda) e Luke Skywalker (à direita) são ambos os escolhidos que ameaçam o império em seus respectivos universos [Foto: Warner Bros./Disney]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Na trama tecida por </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Cultura/noticia/2020/10/conheca-trajetoria-do-escritor-frank-herbert-autor-de-duna.html"><span style="font-weight: 400;">Frank Herbert</span></a><span style="font-weight: 400;">, temos uma ficção científica repleta de complexidade, com relações religiosas, sociais e políticas únicas. Assim como são vastas as realidades de Nárnia e Westeros, também é a de Arrakis. O livro que inspirou o filme é massivo, fazendo com que comportar a apresentação adequada de todos os componentes do universo fantasioso de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;"> em um filme de duas horas e meia de duração seja uma tarefa, no mínimo, trabalhosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama gira em torno do, já mencionado, Paul Atreides. Herdeiro de sua casa, ele acompanha a mudança da sede de seu reino (original do planeta Caladan, um paraíso tropical) para Arrakis, um planeta onde a água é tão escassa que seus habitantes desenvolveram costumes associados à mais otimizada preservação de água. A falta da substância essencial à vida humana é compensada pela abundância em mélange, também conhecido como “especiaria” (</span><i><span style="font-weight: 400;">spice</span></i><span style="font-weight: 400;">), uma substância psicoativa, coletada exclusivamente na superfície do planeta deserto, e que serve como combustível das </span><a href="https://dune.fandom.com/wiki/Category:Organizations_and_Groups"><span style="font-weight: 400;">diferentes organizações</span></a><span style="font-weight: 400;"> que controlam e exercem sua atividade através do universo. </span></p>
<figure id="attachment_25223" aria-describedby="caption-attachment-25223" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1.jpeg" alt="Ilustração feita por Marc Simonetti. Mostra uma cena nas típicas dunas de Arrakis, na parte inferior direita vemos um conjunto de figuras vestindo mantos especiais para o clima. Mais a frente deles, vindo do horizonte, ocupando a parte superior direita da imagem vemos um verme de areia gigante mostrando seus dentes." width="1366" height="665" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1.jpeg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1-800x389.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1-1024x499.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1-768x374.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-4-1-1200x584.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25223" class="wp-caption-text">A belíssima ilustração de Marc Simonetti estampa a capa do livro e nos situa no ecossistema de Duna (Foto: Marc Simonetti)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A breve descrição do enredo acima deixa de fora uma série de elementos cruciais ao universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, como os gigantes Vermes de Areia, as Bene Gesserit, a Guilda Espacial, os Harkonnen, os Sardaukar, entre muitos outros. A primeira adaptação, dirigida por </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/melhores-filmes-david-lynch-181247/"><span style="font-weight: 400;">David Lynch</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos anos 80, assumiu a responsabilidade de adaptar todo o primeiro livro em um só filme, o que foi desastroso: um roteiro confuso e mal estruturado (sendo justo, cortes na duração e no orçamento foram os culpados por esse resultado), o que reforçou o senso de que a obra de Herbert estava além da possibilidade para adaptação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No novo filme, pela felicidade dos fãs, os roteiristas Jon Spaihts, Denis Villeneuve e Eric Roth não cometeram o mesmo erro e adaptaram para as telonas apenas por volta da metade inicial do primeiro livro. Frank Herbert escreveu e publicou duas trilogias e um conto sobre o universo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, o que já é muito, mesmo não considerando os outros nove livros e quatro contos escritos por seu </span><a href="https://www.wired.com/story/dune-brian-herbert-q-and-a/"><span style="font-weight: 400;">filho</span></a><span style="font-weight: 400;"> após a morte do pai em 1986. Essa decisão foi acertada e permite um desenvolvimento mais cuidadoso da trama. Mesmo assim, uma crítica muito comum a essa nova produção é como ela deixa o espectador sem entender muito bem o que está acontecendo. Isso é natural e esperado, pois (e aqueles que leram o livro sabem) até mesmo a obra escrita apresenta essa barreira de entrada.</span></p>
<p><figure id="attachment_25224" aria-describedby="caption-attachment-25224" style="width: 1140px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5.png" alt="Fotografia em preto e branco do autor de Duna, Frank Herbert. Homem branco, barbudo e calvo, apesar do cabelo alongado. Nariz aquilino e olhos pequenos e juntos. Na foto o autor posa sentado em um sofá, com a mão esquerda, que veste um relógio, apoiada no joelho erguido." width="1140" height="712" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5.png 1140w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5-1024x640.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-5-768x480.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25224" class="wp-caption-text">O grande autor Frank Herbert (na foto) não poupou maestria em suas obras [Foto: Reprodução]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">A escolha do elenco é outro ponto a favor da obra. Principalmente por selecionar atores que possuem características físicas fundamentais aos </span><a href="https://www.omelete.com.br/duna/duna-lista-quem-e-quem"><span style="font-weight: 400;">personagens</span></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; como os traços aquilinos (finos, retangulares e que guardam muita perspicácia) de Paul Atreides (vivido por Timothée Chalamet). Mesmo assim, ainda contamos com muitas figurinhas carimbadas de Hollywood, como Zendaya, no papel de Chani, e Jason Momoa, no papel de Duncan Idaho. Esse pode ser um ponto negativo ou positivo, dependendo de quem se pergunta. Mas o fato é que a bilheteria que acompanha esses atores deveria ser muito bem vinda pelos fãs que torcem para que a obra prospere no cinema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Oscar Isaac como Duque Leto Atreides é uma das melhores atuações de todo o longa. A postura que o ator evoca ao vestir a pele do duque mais respeitado do Landsraad (o corpo formado pelas grandes casas) deixa os que assistem arrepiados em diversos momentos do filme. Rebecca Ferguson e Timothée Chalamet também merecem seu destaque. Através da tremenda atuação de Ferguson temos a sensação de ver Lady Jéssica se personificar das páginas do livro para a tela. Coroando essa demonstração das belas artes, temos Chalamet no papel de Paul, uma das escolhas mais acertadas do elenco. O próprio diretor não poupa elogios em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lCPzTNTvlAs"><span style="font-weight: 400;">entrevistas</span></a><span style="font-weight: 400;"> para a atuação do ator protagonista.</span></p>
<p><figure id="attachment_25225" aria-describedby="caption-attachment-25225" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25225" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-6-3.jpg" alt="Foto de parte do elenco durante as gravações. Podemos ver da esquerda para direita: Rebecca Ferguson (Lady Jessica), Zendaya (Chani), Javier Bardem (Stilgar) e Timothée Chalamet (Paul Atreides), todos vestindo os trajes fremen de reciclagem de água, um ao lado do outro, olhando para a mesma direção, em frente a uma parede de pedras extremamente irregular." width="960" height="540" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-6-3.jpg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-6-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-6-3-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25225" class="wp-caption-text">Da esquerda para direita: Rebecca Ferguson (Lady Jessica), Zendaya (Chani), Javier Bardem (Stilgar) e Timothée Chalamet (Paul Atreides) são parte do grande elenco do filme [Fonte: Warner Bros.]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O diretor do longa, Denis Villeneuve, manteve nessa adaptação o seu estilo característico, carimbado por filmes como </span><i><span style="font-weight: 400;">A Chegada</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016) e </span><a href="https://canaltech.com.br/entretenimento/critica-blade-runner-2049-netflix-172366/"><i><span style="font-weight: 400;">Blade Runner 2049</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019). Inclusive, é muito oportuno comparar </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">com a continuação da história do caçador de androides, visto que ambos são novas instâncias de obras cultuadas e possuem temáticas abstratamente semelhantes: um futuro distópico interplanetário, que esconde em seu cerne o aviso de uma sociedade disfuncional e levanta questões ideológicas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na direção a semelhança é ainda maior, ambos os filmes são contemplativos, o que pode ser um ponto negativo para aqueles que vão ao cinema esperando por mais uma dose de ação, como foi normalizado pela popularização dos filmes de super-herói. O foco de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">não são as cenas de ação (apesar de conter algumas de altíssima qualidade), mas sim a apresentação do extenso universo e dos acontecimentos que se passam com Paul Atreides, que levantam questões extremamente relevantes, como religião e </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/tecnologia/entenda-as-mensagens-ecologicas-de-duna-classico-do-sci-fi-que-chega-aos-cinemas/"><span style="font-weight: 400;">ecologia</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25226" aria-describedby="caption-attachment-25226" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-25226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-7.gif" alt="Gif de uma cena do filme. Primeiramente vemos, de cima, os dentes gigantes de um verme da areia engolindo uma Lagarta (um veículo do tamanho de uma fábrica que se move e extrai especiaria das superfícies de Arrakis). Os dentes parecem ser os de um buraco no chão, visto que o verme está enterrado, pois se locomove abaixo da superfície. No momento seguinte, temos um close no rosto de Paul que segura a mão de Gurney após escaparem por pouco de serem comidos pelo verme, levantando voo momentos antes do chão sucumbir." width="1000" height="422" /><figcaption id="caption-attachment-25226" class="wp-caption-text">O primeiro encontro de Paul com um verme da areia, ou apenas os dentes de um deles, é um momento memorável do filme (GIF: Warner Bros.)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o auxílio do </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/o-que-e-a-fotografia-de-um-filme"><span style="font-weight: 400;">cinematógrafo</span></a><span style="font-weight: 400;"> Greig Fraser (responsável pela fotografia de títulos semelhantes, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Star Wars: Rogue One</span></i><span style="font-weight: 400;">, e alguns episódios da série </span><a href="https://collider.com/the-mandalorian-technology-explained-greig-fraser-interview/"><i><span style="font-weight: 400;">The Mandalorian</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o diretor optou pelas cenas que não economizam na hora de impressionar. Com lindos visuais e a medida certa de cenas com enquadramentos afastados que dão ao espectador a noção da grandeza dos elementos de </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i><span style="font-weight: 400;">, o diretor nos fascina: as massivas naves utilizadas em viagens interestelares e os gigantes vermes de areia que aterrorizam o deserto são visões para nos deixar de boca aberta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra ainda é coroada pela </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8A3epBE1yjo"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora de Hans Zimmer</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já emplacou uma série de grandes obras musicais em ótimos filmes, como </span><i><span style="font-weight: 400;">Interstellar</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gladiador</span></i><span style="font-weight: 400;">, e muitos outros. O músico, desta vez, nos presenteia novamente com suas trilhas que destacam e ampliam muito bem o sentimento evocado pelas cenas, com músicas sutis e intensas, sempre quando necessário. Além disso, as sinfonias servem muito bem à temática, visto que tiram, assim como a obra original (e o filme por consequência), inspiração das culturas do Oriente Médio.</span></p>
<p><figure id="attachment_25227" aria-describedby="caption-attachment-25227" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25227" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-8-1.jpg" alt="Fotografia colorida de Hans Zimmer durante apresentação.Vemos, sentado em frente a um piano, um homem branco, calvo, de idade avançada e vestindo um terno Em sua frente, sobre o piano vemos uma taça e um misturador de bebidas. Ele olha levemente para cima e sorri." width="1024" height="576" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-8-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-8-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/Imagem-8-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25227" class="wp-caption-text">O músico Hans Zimmer (na imagem) nos presenteia mais uma vez com uma trilha sonora memorável [Foto: Reprodução]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Por último, mas não menos importante, os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uIKupTibxKQ"><span style="font-weight: 400;">efeitos especiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> são de cair o queixo. Um dos grandes defeitos de muitos </span><i><span style="font-weight: 400;">CGIs</span></i><span style="font-weight: 400;"> (inclusive os milionários dos </span><i><span style="font-weight: 400;">blockbusters</span></i><span style="font-weight: 400;">) é a falta de cuidado com a iluminação. Quando os personagens em cena são iluminados de uma maneira estranha aos olhos em relação ao fundo cheio de explosões, a cena pode parecer artificial. E não é uma questão de capacidade dos estúdios, mas a crença de que o público não liga e não percebe, o que faz que esse seja um investimento superficial, para os investidores. Esse é um dos grandes desafios da computação gráfica nas telonas. Nesse quesito, e em outros relacionados a efeitos especiais, </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">mais uma vez nos surpreende com sua qualidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esses e outros motivos </span><i><span style="font-weight: 400;">Duna </span></i><span style="font-weight: 400;">de 2021 merece ser assistido múltiplas vezes. Um filme sensacional para quem é fã do livro ou até mesmo do diretor. Uma produção refrescante para quem se decepcionou com o primeiro filme, e ainda uma ótima maneira para se gastar algumas horas, se o espectador quiser apenas o entretenimento de um filme casual. Resta agora ficar na espera da </span><a href="https://www.esquire.com/entertainment/movies/a38040674/dune-2-sequel-details/"><span style="font-weight: 400;">segunda parte</span></a><span style="font-weight: 400;">, programada para iniciar sua produção em 2022 e chegar às telonas em outubro de 2023, e nos certificarmos se toda a nova franquia vai ter o mérito da boa adaptação ou vai acompanhar, ao </span><i><span style="font-weight: 400;">hall</span></i><span style="font-weight: 400;"> dos infames, os desastres de franquias como </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/divergente-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Divergente</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e</span> <a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/instrumentos-mortais-cidade-dos-ossos-critica"><i><span style="font-weight: 400;">Os Instrumentos Mortais</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/">O Duna de Villeneuve reanima a ficção científica com suas próprias raízes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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