<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Catherine Chabot &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<atom:link href="http://personaunesp.com.br/tag/catherine-chabot/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/catherine-chabot/</link>
	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
	<lastBuildDate>Fri, 31 Oct 2025 14:06:17 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=7.0.4</generator>

<image>
	<url>http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/08/cropped-icon-certo-cristo-32x32.png</url>
	<title>Arquivos Catherine Chabot &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
	<link>https://personaunesp.com.br/tag/catherine-chabot/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">119746480</site>	<item>
		<title>Loucuras mostra a poligamia como remédio para um distúrbio incurável</title>
		<link>http://personaunesp.com.br/loucuras-mostra-a-poligamia-como-remedio-para-um-disturbio-incuravel/</link>
					<comments>http://personaunesp.com.br/loucuras-mostra-a-poligamia-como-remedio-para-um-disturbio-incuravel/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 31 Oct 2025 14:06:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[Catherine Chabot]]></category>
		<category><![CDATA[cinema canadense]]></category>
		<category><![CDATA[Coop Vidéo de Montréal]]></category>
		<category><![CDATA[Éric K. Boulianne]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Diaz]]></category>
		<category><![CDATA[Loucuras]]></category>
		<category><![CDATA[Quebec]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://personaunesp.com.br/?p=36080</guid>

					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz Sob o disfarce de liberdade, ainda há a fragilidade de uma geração que tenta racionalizar o desejo. Segundo o dicionário Michaelis, a poligamia é, em essência, a união reprodutiva entre três ou mais indivíduos de uma espécie. Nos países ocidentais, especialmente no Canadá (onde o filme se originou), ela é criminalizada por ser &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/loucuras-mostra-a-poligamia-como-remedio-para-um-disturbio-incuravel/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Loucuras mostra a poligamia como remédio para um distúrbio incurável"</span></a></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/loucuras-mostra-a-poligamia-como-remedio-para-um-disturbio-incuravel/">Loucuras mostra a poligamia como remédio para um distúrbio incurável</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36081" aria-describedby="caption-attachment-36081" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36081" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-16-800x400.png" alt="Uma mulher e um homem estão muito próximos, encostados um no outro. A mulher segura o ombro do homem com as duas mãos e o observa com expressão emocionada. Ele retribui o olhar, de óculos e expressão corada. Ambos vestem roupas escuras, e o ambiente parece interno, com luz suave." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-16-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-16-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-16-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-16.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36081" class="wp-caption-text">O longa quebequense apresenta uma história de exploração e autodescoberta sexual (Foto: Coop Vidéo de Montréal)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Diaz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sob o disfarce de liberdade, ainda há a fragilidade de uma geração que tenta racionalizar o desejo. Segundo o dicionário </span><i><span style="font-weight: 400;">Michaelis</span></i><span style="font-weight: 400;">, a poligamia é, em essência, a união reprodutiva entre três ou mais indivíduos de uma espécie. Nos países ocidentais, especialmente no </span><a href="https://www.conjur.com.br/2011-nov-25/poligamia-fere-direitos-humanos-fundamentais-afirma-ministro-canada/"><span style="font-weight: 400;">Canadá</span></a><span style="font-weight: 400;"> (onde o filme se originou), ela é criminalizada por ser considerada uma ruptura da estrutura social monogâmica. Porém, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=w1ZfKWzpTt4"><span style="font-weight: 400;">Loucuras</span></a><span style="font-weight: 400;">, exibido na seção Competição Novos Diretores da </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, o conceito se converte em metáfora: não a transgressão da lei, mas a do próprio sentimento. O diretor Éric K. Boulianne, também protagonista, transforma a ideia de ‘muitos amores’ em uma tentativa desesperada de curar o vazio de um casamento esgotado.</span></p>
<p><span id="more-36080"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">François (Éric K. Boulianne) e Julie (Catherine Chabot) estão juntos há dezesseis anos, pais de duas filhas, e vivem um cotidiano regido mais por função do que por afeto. A trama se inicia com uma provocação: após ouvir experiências de casais adeptos de </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-62476758"><span style="font-weight: 400;">relacionamentos abertos</span></a><span style="font-weight: 400;">, os dois passam a se perguntar se o que sentem ainda é amor ou apenas costume. A decisão de abrir o relacionamento nasce mais da inquietação do que da coragem, tornando-se um gesto de autopreservação que acaba expondo suas fissuras mais íntimas. Dividido em seis capítulos inspirados pela </span><a href="https://ecoarte.info/rotoscopia/"><span style="font-weight: 400;">rotoscopia</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Cinema da </span><a href="https://www.oldest.org/uncategorized/oldest-animated-movies/"><span style="font-weight: 400;">animação à mão</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa opera quase como uma autópsia do amor: examina cada fragmento do que um dia foi vital, revelando que a proposta é também a causa da doença.</span></p>
<figure id="attachment_36082" aria-describedby="caption-attachment-36082" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36082" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-14-800x450.png" alt="Um casal está sentado à mesa de jantar com taças de vinho pela metade. A mulher veste uma blusa xadrez em tons de marrom e branco; o homem usa suéter escuro com camisa por baixo. Eles olham para frente, atentos a algo fora do enquadramento. O ambiente tem luz quente e uma planta no canto." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-14-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-14-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-14-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-14.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36082" class="wp-caption-text">O filme foi exibido no Festival Internacional de Cinema de Locarno (Foto: Coop Vidéo de Montréal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O grande mérito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Loucuras </span></i><span style="font-weight: 400;">está em deslocar o debate sobre a monogamia. A fragilidade não está no formato do relacionamento, porém na forma como ele é usado para maquiar o cansaço cotidiano. O que o filme questiona, ainda que sem plena consciência, é a crença moderna de que o amor pode ser reconfigurado pela via terapêutica, seguindo o </span><a href="https://mrochapsico.com.br/blog/a-teoria-do-amor-liquido-de-bauman-reflexoes-psicologicas-sobre-relacoes-e-a-modernidade/"><span style="font-weight: 400;">amor líquido</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Zygmunt Bauman – como se abrir o relacionamento fosse um remédio contra o tédio e não uma nova forma de confinamento. Julie e François fingem neutralidade diante do desconforto, mas o corpo não mente: o constrangimento durante o sexo e as conversas constroem um retrato mais sincero do que qualquer diálogo ensaiado. A indiferença que tentam performar é apenas mais uma forma de desespero.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Catherine Chabot, no papel de Julie, entrega uma atuação delicada, oscilando entre curiosidade e repressão, enquanto Boulianne constrói um François errático e teimoso, dividido entre a vaidade ferida e a carência emocional. A química entre eles não é incendiária, todavia é justamente essa ausência de fogo que torna a obra verossímil: </span><i><span style="font-weight: 400;">Loucuras </span></i><span style="font-weight: 400;">é sobre a combustão que não vem, sobre o desejo que se converte em protocolo. Constantemente, as duas filhas funcionam como espelho e alívio cômico na </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EyEpFkVlV5o&amp;t"><span style="font-weight: 400;">narrativa</span></a><span style="font-weight: 400;">, evidenciando o contraste entre a inocência infantil e a artificialidade adulta – apesar delas saberem mais o que estão fazendo do que os próprios pais. A família inteira, afinal, participa do experimento e é isso que torna a trama mais incômoda e honesta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há uma secura calculada: o longa observa o amor com a mesma frieza com que seus protagonistas vivem, de forma semelhante ao desgaste conjugal que ocorre em </span><a href="https://personaunesp.com.br/historia-de-um-casamento-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">História de um Casamento</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019). Nas cenas, Boulianne assume discretamente um ritmo que beira a lentidão, permitindo que os silêncios e os olhares sustentem o peso do roteiro. Os tons dessaturados presentes na fotografia reforçam o confinamento emocional do casal e o humor, presente em situações cotidianas, serve mais como defesa do que como alívio. </span></p>
<figure id="attachment_36083" aria-describedby="caption-attachment-36083" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36083" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-16-800x400.png" alt=" Um casal se beija em um quarto com iluminação amarelada. A mulher, de cabelo preso, segura o rosto do homem, que usa óculos. Ao fundo, há uma parede com padrão geométrico e parte de um abajur. A cena é íntima e filmada de perto." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-16-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-16-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-16-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-16.png 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36083" class="wp-caption-text">O diretor Éric K. Boulianne relata que o longa é uma reflexão sobre o casal moderno e uma ode ao amor (Foto: Coop Vidéo de Montréal)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa</span> <span style="font-weight: 400;">é uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=9AQX2sRfuW8"><span style="font-weight: 400;">comédia</span></a><span style="font-weight: 400;"> que tenta ser </span><i><span style="font-weight: 400;">sexy</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém acaba soando melancólico. A direção articula ironia e tristeza em doses desiguais, revelando um olhar que, ainda que hesitante, é profundamente humano. O que poderia ser apenas uma pseudo-infidelidade se transforma em uma reflexão sobre o medo de desaparecer dentro da própria rotina, afetando os dois simultaneamente. As ‘loucuras’ do título, afinal, não são os encontros sexuais, mas o delírio de acreditar que o amor pode ser administrado como um experimento.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu desfecho, o filme não oferece redenção e termina onde começou: na dúvida, tal qual um círculo cíclico. Aquele casal que, antes, buscava multiplicar o desejo, agora encontra apenas a confirmação de sua escassez. A poligamia, tratada como tábua de salvação, se revela apenas uma nova forma de solidão. </span><i><span style="font-weight: 400;">Loucuras </span></i><span style="font-weight: 400;">é, portanto, menos sobre liberdade e mais sobre o mal-estar contemporâneo, assim como </span><a href="https://colunastortas.com.br/o-mal-estar-na-civilizacao-sigmund-freud/"><span style="font-weight: 400;">Freud</span></a><span style="font-weight: 400;"> dizia. É sobre a tentativa de sustentar o amor com argumentos quando o corpo já desistiu de sentir, alimentando mais esse fracasso que a produção encontra sua beleza: uma crônica do esgotamento afetivo de nosso tempo, em que amar se tornou uma forma sofisticada de sobrevivência.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="FOLLIES Clip | TIFF 2025" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/EyEpFkVlV5o?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/loucuras-mostra-a-poligamia-como-remedio-para-um-disturbio-incuravel/">Loucuras mostra a poligamia como remédio para um distúrbio incurável</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>http://personaunesp.com.br/loucuras-mostra-a-poligamia-como-remedio-para-um-disturbio-incuravel/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">36080</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
