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	<title>Arquivos Cartola 1976 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Cartola 1976 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>40 anos sem Cartola: deixe-me ir, preciso andar</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Nov 2020 03:27:58 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Caroline Campos Ainda era cedo, amor, quando, em 30 de novembro de 1980, nos deixava Angenor de Oliveira, o nosso Cartola. Com apenas 72 anos, a maior referência do samba brasileiro e fundador da Estação Primeira de Mangueira perdeu a batalha contra o câncer, deixando apenas quatro discos-solo e um legado repleto de poesia. “Cartola &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/cartola-morte-40-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "40 anos sem Cartola: deixe-me ir, preciso andar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16893" aria-describedby="caption-attachment-16893" style="width: 1086px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-16893" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/x018carnaval.jpgqposicaoFoto17.pagespeed.ic_.kijTecMrZU.jpg" alt="" width="1086" height="652" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/x018carnaval.jpgqposicaoFoto17.pagespeed.ic_.kijTecMrZU.jpg 1086w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/x018carnaval.jpgqposicaoFoto17.pagespeed.ic_.kijTecMrZU-300x180.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/x018carnaval.jpgqposicaoFoto17.pagespeed.ic_.kijTecMrZU-1024x615.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/x018carnaval.jpgqposicaoFoto17.pagespeed.ic_.kijTecMrZU-768x461.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16893" class="wp-caption-text">Cartola em desfile pela Mangueira, 1978 (Foto: Aníbal Philot)</figcaption></figure>
<p><strong>Caroline Campos</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda era cedo, amor, quando, em 30 de novembro de 1980, nos deixava Angenor de Oliveira, o nosso </span><a href="http://www.museuafrobrasil.org.br/pesquisa/hist%C3%B3ria-e-mem%C3%B3ria/historia-e-memoria/2014/12/30/cartola"><span style="font-weight: 400;">Cartola</span></a><span style="font-weight: 400;">. Com apenas 72 anos, a maior referência do samba brasileiro e fundador da Estação Primeira de Mangueira perdeu a batalha contra o câncer, deixando apenas quatro discos-solo e um legado repleto de poesia.</span><i><span style="font-weight: 400;"> “Cartola não existiu. Cartola foi um sonho bom que a gente teve</span></i><span style="font-weight: 400;">”, reflete </span><a href="https://radios.ebc.com.br/especiais/2020/07/conheca-mais-sobre-vida-e-obra-de-nelson-sargento"><span style="font-weight: 400;">Nelson Sargento</span></a><span style="font-weight: 400;">, parceiro musical do cantor. E, mesmo 40 anos depois do seu falecimento, o </span><i><span style="font-weight: 400;">sonho </span></i><span style="font-weight: 400;">ainda vive fresco na memória da Música Popular Brasileira, como se nunca tivéssemos acordado.</span></p>
<p><span id="more-16892"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascido em 11 de outubro de 1908, Angenor era para ser, na verdade, Agenor, mas o escrivão adicionou uma letra a mais e o erro ficou consolidado &#8211; erro esse que o sambista só descobriu com seus 56 anos, ao se casar pela segunda vez. Filho de Sebastião Joaquim de Oliveira e Aída Gomes de Oliveira, ele precisou se virar como pôde depois da morte da mãe e abandono do pai. Só se tornou Cartola mesmo aos 15 anos, quando trabalhava com construção civil e usava um charmoso chapéu-coco na cabeça para evitar os respingos de cimento. O apelido pegou, e Cartola, hoje, é sinônimo de genialidade.</span></p>
<figure id="attachment_16894" aria-describedby="caption-attachment-16894" style="width: 660px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-16894 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/cartola.jpg" alt="" width="660" height="365" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/cartola.jpg 660w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/cartola-300x166.jpg 300w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16894" class="wp-caption-text">Angenor só se reaproximou décadas depois do pai, que conhecia todas as suas canções (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Angenor era tricolor carioca de coração e, mesmo só estudando até o primário, dominava as nuances da Língua Portuguesa com maestria. Era um menino de apenas 11 anos quando se mudou para o Morro da Mangueira e sua bela alvorada, e, lá, foi apresentado para as rodas de samba, cultos de deuses afro e a boemia da travessa Buraco Quente. Foi Carlos Cachaça quem o instruiu pelas vielas mangueirenses e, ao lado dele, Cartola e outras figuras da comunidade fundaram o Bloco dos Arengueiros, que viria a florescer como </span><a href="http://www.mangueira.com.br/historiamangueira"><span style="font-weight: 400;">Estação Primeira de Mangueira</span></a><span style="font-weight: 400;">. Verde e rosa em mãos, nasceu a escola de samba em 1928. </span><i><span style="font-weight: 400;">Somos da Estação Primeira, salve o povo de Mangueira!</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo levando a vida a sorrir, sua trajetória foi tumultuada. Pulava de emprego para emprego, vendia composições à preço de banana. Perdeu a primeira esposa, Dona Deolinda, para um infarto e sofreu com a </span><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/rosacea/"><span style="font-weight: 400;">rosácea</span></a><span style="font-weight: 400;"> no nariz, que, no futuro, deixou uma escura marca na região, tornando-se uma de suas características. Viveu em um limbo onde era esquecido artisticamente como compositor, foi menosprezado pela escola de seu coração e, afundado na bebida, foi-se embora da Mangueira, dado até como morto pelos amigos &#8211; até ser redescoberto pelo jornalista Sérgio Porto, conhecido como Stanislaw Ponte-Preta.</span></p>
<figure id="attachment_16895" aria-describedby="caption-attachment-16895" style="width: 1902px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16895" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dona_zica_destaque.jpg" alt="" width="1902" height="1447" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dona_zica_destaque.jpg 1902w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dona_zica_destaque-300x228.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dona_zica_destaque-1024x779.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dona_zica_destaque-768x584.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dona_zica_destaque-1536x1169.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/dona_zica_destaque-1200x913.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16895" class="wp-caption-text">Dona Zica e Cartola eram o mais famoso casal mangueirense (Foto: Folhapress)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Finda a tempestade, o sol nascerá</span></i><span style="font-weight: 400;">. Mas, por sol, dizemos Euzébia Silva do Nascimento &#8211; </span><a href="https://catracalivre.com.br/samba-em-rede/dona-zica-matriarca-da-mangueira-e-idealizadora-do-zicartola/"><span style="font-weight: 400;">Dona Zica</span></a><span style="font-weight: 400;">, para os conhecidos. A mulher surgiu com a força e a bondade que o poeta das rosas precisava, ajudando-o a se reerguer e voltar para a Mangueira. A Primeira-Dama do samba, falecida em 2003, foi a matriarca da Mangueira e uma das principais lideranças femininas no morro. Cozinheira de primeira linha, idealizou e fundou, ao lado do companheiro, o que foi a primeira casa de samba do Rio de Janeiro: o </span><a href="https://riomemorias.com.br/memoria/bar-zicartola/"><span style="font-weight: 400;">Zicartola</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em apenas 20 meses de existência, de 1963 a 1965, o restaurante abrigou os principais nomes do samba e da juventude revolucionária durante os primeiros passos da ditadura militar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Localizado na Rua da Carioca, número 53, o local também era a residência do casal. No entanto, nomes como Paulinho da Viola, Nelson Cavaquinho, Nara Leão, Alcione, Beth Carvalho, Ismael Silva, Zé Kéti, Clementina de Jesus, entre muitos outros, praticamente moravam no sobrado. O samba, que já era visto com preconceito por ter vindo da periferia negra do Rio, foi ainda mais reprimido no período dos milicos, tornando o </span><a href="https://www.itaucultural.org.br/ocupacao/cartola/nos-dois/?content_link=1"><span style="font-weight: 400;">Zicartola</span></a><span style="font-weight: 400;"> um ponto de resistência política &#8211; lá, foram plantadas as sementes do </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><a href="https://www.esquerdadiario.com.br/Show-Opiniao-os-artistas-respondem-ao-golpe"><i><span style="font-weight: 400;">Opinião</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e do espetáculo </span><a href="https://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra69767/rosa-de-ouro"><i><span style="font-weight: 400;">Rosa de Ouro</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Infelizmente, problemas com a administração da casa a fecharam rapidamente.</span></p>
<figure id="attachment_16896" aria-describedby="caption-attachment-16896" style="width: 960px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16896" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1_s_e0JL3L1zJz7uC_Yp1ubA.jpeg" alt="" width="960" height="731" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1_s_e0JL3L1zJz7uC_Yp1ubA.jpeg 960w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1_s_e0JL3L1zJz7uC_Yp1ubA-300x228.jpeg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/1_s_e0JL3L1zJz7uC_Yp1ubA-768x585.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16896" class="wp-caption-text">Quando, em 1976, a polícia invadiu o ensaio da Mangueira e parou o samba, Cartola protestou sentado no asfalto (Foto: Eurico Dantas)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apenas em 1974, com 65 anos, Cartola lançou seu primeiro disco-solo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cartola</span></i><span style="font-weight: 400;">, como foi batizado, rapidamente se tornou um clássico da música brasileira. É indiscutível a sensibilidade do poeta em seu primeiro trabalho, que emplacou canções como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=lEHA2F5cmok"><i><span style="font-weight: 400;">Alvorada</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6jA9Cp8mtuw"><i><span style="font-weight: 400;">Disfarça e Chora</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=FK98wRO9Gq4"><i><span style="font-weight: 400;">Acontece</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> &#8211; esta última sendo a escolhida pelo cantor como a que queria ser lembrado na posteridade. Produzido pelo famoso </span><a href="https://jornalggn.com.br/musica/pelao-o-produtor-que-lancou-nelson-cavaquinho-adoniran-e-cartola/"><span style="font-weight: 400;">Pelão</span></a><span style="font-weight: 400;">, o disco foi elogiadíssimo pela crítica, elevando, merecidamente, ainda mais o </span><i><span style="font-weight: 400;">status </span></i><span style="font-weight: 400;">do compositor. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m-yfBR5E8hU"><i><span style="font-weight: 400;">O Sol Nascerá</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sexta faixa do álbum, foi composta em parceria com o amigo Elton Medeiros de forma improvisada e, até hoje, é entoada sagradamente em rodas de samba pelo país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois anos depois, veio mais um sucesso: </span><i><span style="font-weight: 400;">Cartola</span></i><span style="font-weight: 400;">, novamente, mas com 1976 ao lado. O segundo disco conseguiu um feito ainda mais impressionante &#8211; superar o primeiro. Facilmente uma das melhores obras da música brasileira, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cartola (1976)</span></i><span style="font-weight: 400;"> já fisga o ouvinte logo na abertura. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Cl5s55OkqFI"><i><span style="font-weight: 400;">O Mundo é Um Moinho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sufocante tamanha a qualidade da composição do mangueirense. Na letra, cavamos abismos com nossos pés enquanto Cartola suplica por atenção. Quatro faixas depois, somos arrebatados de novo. Dessa vez, a responsável é </span><i><span style="font-weight: 400;">Preciso Me Encontrar</span></i><span style="font-weight: 400;">, composição do sambista </span><a href="http://pitayacultural.com.br/musica/candeia-84-anos-relembre-sambas-do-cantor-e-compositor/"><span style="font-weight: 400;">Candeia</span></a><span style="font-weight: 400;">, ícone da </span><a href="https://www.gresportela.com.br/Historia/DetalhesAno?ano=1939"><span style="font-weight: 400;">Portela</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na voz de Cartola, impossível não associar seus acordes com a cena da morte de Cabeleira, em </span><a href="https://personaunesp.com.br/cidade-de-deus-tropa-de-elite/"><i><span style="font-weight: 400;">Cidade de Deus</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, filme de 2002 dirigido por Fernando Meirelles e Kátia Lund. </span><i><span style="font-weight: 400;">Se alguém, por mim, perguntar, diga que eu só vou voltar depois que me encontrar. </span></i></p>
<figure id="attachment_16897" aria-describedby="caption-attachment-16897" style="width: 480px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16897" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Dyt0_wNXQAI6bQT.jpg" alt="" width="480" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Dyt0_wNXQAI6bQT.jpg 480w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Dyt0_wNXQAI6bQT-300x300.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Dyt0_wNXQAI6bQT-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 480px) 85vw, 480px" /><figcaption id="caption-attachment-16897" class="wp-caption-text">Zica, que amava cozinhar, era responsável pelos pratos no Zicartola (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outra canção gigante do trabalho é, sem dúvidas, </span><i><span style="font-weight: 400;">As Rosas Não Falam.</span></i><span style="font-weight: 400;"> A mais conhecida faixa do álbum foi venerada por ser Cartola em seu estado puro de melancolia e sabedoria. </span><i><span style="font-weight: 400;">Simplesmente as rosas exalam o perfume que roubam de ti</span></i><span style="font-weight: 400;">, ele poetiza. Além das faixas, a capa do disco também se tornou um clássico. Dona Zica e Cartola na janela de sua casa, construída depois que o Estado os cedeu um terreno na Mangueira. A rua Visconde de Niterói, número 896, se tornou o endereço mais movimentado da capital carioca. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seus dois últimos </span><i><span style="font-weight: 400;">LPs</span></i><span style="font-weight: 400;"> foram produzidos por seu amigo e jornalista Sérgio Cabral e editados pela gravadora </span><i><span style="font-weight: 400;">RCA-Victor</span></i><span style="font-weight: 400;">. Para Cabral, Cartola</span><i><span style="font-weight: 400;"> “</span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JSG0m3FGlPM"><i><span style="font-weight: 400;">é o Beethoven do samba</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, revolucionário e único. Em 1977, foi a vez de </span><i><span style="font-weight: 400;">Verde Que Te Quero Rosa</span></i><span style="font-weight: 400;">, com a tão reproduzida imagem do cantor com seus óculos escuros segurando uma xícara verde e um pires rosa, ainda com um cigarro na mão. O álbum é uma ode à Mangueira e seus primeiros campeões, mas também contém uma linda homenagem a sua parceira &#8211; </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ic83eCatITw"><i><span style="font-weight: 400;">Nós Dois</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, escrita antes do casamento com Zica, em 64.</span></p>
<figure id="attachment_16898" aria-describedby="caption-attachment-16898" style="width: 517px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16898" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/EnReCblXIAEv1Mr.jpg" alt="" width="517" height="750" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/EnReCblXIAEv1Mr.jpg 517w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/EnReCblXIAEv1Mr-207x300.jpg 207w" sizes="auto, (max-width: 517px) 85vw, 517px" /><figcaption id="caption-attachment-16898" class="wp-caption-text">O verde e rosa da Mangueira foram escolhidos pelo mestre Cartola em homenagem ao rancho carnavalesco &#8220;Arrepiados&#8221;, onde seu pai desfilava no bairro das Laranjeiras (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal deixou o morro em 1978, pois precisavam de um pouco mais de paz e tranquilidade para compor, e se mudaram para Jacarepaguá. </span><i><span style="font-weight: 400;">Cartola 70 anos</span></i><span style="font-weight: 400;"> veio no ano seguinte, com um tom de despedida, já que o artista estava bem fragilizado em decorrência do câncer na tireóide. O </span><i><span style="font-weight: 400;">LP</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi lançado em comemoração aos 70 anos do poeta e, em entrevista ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Canal Brasil</span></i><span style="font-weight: 400;">, Sérgio Cabral afirma que</span><i><span style="font-weight: 400;"> “ele sabia que era o último”</span></i><span style="font-weight: 400;">. De forma mais dramática, Cartola chegou a gravar nove músicas em uma noite, batalhando pelo seu trabalho final. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Inverno Do Meu Tempo </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Cor da Esperança</span></i><span style="font-weight: 400;"> foram compostas ao lado de Roberto Nascimento, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Ciência e Arte</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto de Carlos Cachaça. </span><i><span style="font-weight: 400;">Tu és meu Brasil em toda parte, quer na ciência ou na arte, portentoso e altaneiro.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O fatídico dia veio, e Cartola partiu em um domingo, 30 de novembro. Nelson Cavaquinho já cantava que </span><i><span style="font-weight: 400;">em Mangueira, quando morre um poeta, todos choram</span></i><span style="font-weight: 400;">. E o morro chorou, com Cartola tranquilo. </span><i><span style="font-weight: 400;">Sei que alguém há de chorar quando eu morrer</span></i><span style="font-weight: 400;">. O sambista </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=p3aOw1AABn8"><span style="font-weight: 400;">foi velado</span></a><span style="font-weight: 400;"> na quadra da Estação Primeira de Mangueira, ao som de uma multidão ressoando </span><i><span style="font-weight: 400;">As Rosas Não Falam</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em 2020, 40 anos depois, as rosas seguem caladas. Apenas exalando a arte de Angenor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Três dias depois de sua partida, em 2 de dezembro, é comemorado o dia nacional do samba, gênero musical que Cartola ajudou a moldar e transformar em poesia, como ele, e só ele, soube fazer. Seguimos disfarçando e chorando sem sua presença, mas já é praxe dizer que grandes nomes nunca morrem. Quando se trata de Angenor de Oliveira, negro, sambista, poeta, boêmio, compositor, dono de um grande coração e um nariz marcado, a certeza é uma: sem ele, o mundo continua sendo um grande (e mais vazio) moinho.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Cartola e seu Pai - O Mundo é um Moinho" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/L8U1Y9PBfig?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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