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	<title>Arquivos Caio Ciocler &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Caio Ciocler &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Reviver Elis é melhor que sonhar</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Nov 2020 15:46:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira e Raquel Dutra A trajetória da música brasileira transpassa a história do país. Os fatos, a política e o social moldaram a forma e o conteúdo dos nossos produtos culturais, que muitas vezes combateram na linha de frente os regimes abusivos, denunciaram e registraram as experiências de cada período. No nascimento de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/elis-viver-e-melhor-que-sonhar-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Reviver Elis é melhor que sonhar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_16725" aria-describedby="caption-attachment-16725" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-16725" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1.jpg" alt="Na imagem Andréia Horta está caracterizada como Elis Regina. Ela está de lado, com a mão esquerda sobre um microfone, o qual encosta na lateral do seu rosto. Sua face está virada para a câmera e ela tem um largo sorriso estampado, olhos fechados e os cabelos castanhos escuros cortados bem curtos. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image1-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16725" class="wp-caption-text">“Porque liberdade e ar são duas coisas que a gente sente que são essenciais para a vida. Sobretudo quando fazem falta” (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><b>Ana Laura Ferreira e Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trajetória da música brasileira transpassa a história do país. Os fatos, a política e o social moldaram a forma e o conteúdo dos nossos produtos culturais, que muitas vezes combateram na linha de frente os regimes abusivos, denunciaram e registraram as experiências de cada período. No nascimento de um dos gêneros musicais mais brasileiros dentre os nascidos em terras tupiniquins não seria diferente, como ilustra a minissérie </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seu retrato da origem da Música Popular Brasileira protagonizada pela </span><i><span style="font-weight: 400;">Pimentinha</span></i><span style="font-weight: 400;"> Elis Regina. A produção indicada a Melhor Minissérie/Telefilme no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy Internacional 2020</span></i><span style="font-weight: 400;"> mergulha no cenário efervescente da música nacional entre os anos de 1960 e 1980 ao mesmo tempo em que fragmenta a gaúcha, mãe da </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, em muitas mulheres para além da artista.</span></p>
<p><span id="more-16648"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dona de um poder vocal inigualável e de canções atemporais, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/webstories/cultura/2020/10/vida-e-obra-de-elis-regina/"><span style="font-weight: 400;">Elis Regina Carvalho Costa</span></a><span style="font-weight: 400;"> iniciou sua carreira ainda criança em Porto Alegre, mas foi em 1964, aos 19 anos, que atraiu a atenção de importantes empresários do meio artístico da época. É nesse momento da vida da cantora que a minissérie se inicia, contextualizando brevemente o cenário em que o país se encontrava naquele momento: o início do regime militar. Através de depoimentos de jornalistas, recortes de jornais, falas de outros artistas e da própria Elis, a minissérie baseada na vida da artista assume também um caráter documental, que falha em alguns momentos ao ilustrar levianamente a realidade difícil que o país passava na época, mas triunfa em criar um resumo do que foi a música brasileira daquele período. </span></p>
<figure id="attachment_16649" aria-describedby="caption-attachment-16649" style="width: 1381px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16649" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972.jpg" alt="Imagem em branco e preto de Elis Regina sorrindo de perfil. Ela tem a mão direita apoiando o rosto e ao fundo a imagem desfocada de uma pessoa." width="1381" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972.jpg 1381w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-300x196.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-1024x667.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-768x501.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/Elis-Regina-1972-1200x782.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16649" class="wp-caption-text">No dia 22 de Outubro de 2020, o Ballet Stagium apresentou, no projeto Em Casa Com Sesc, o espetáculo &#8220;Sonhos Vividos&#8221; inspirado na música de Elis Regina, ex-aluna da companhia (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Destacando a identidade ousada de Elis que conflitava com os gêneros musicais bem-sucedidos na época, a trama pinta a artista com a importância devida: a mãe da Música Popular Brasileira, que na contramão do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> suave da bossa nova dominante naquele tempo, cantava com </span><i><span style="font-weight: 400;">“o coração sangrando”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Essa divergência de estilos foi inclusive motivo de desentendimento entre a cantora e Tom Jobim e Vinícius de Moraes, &#8216;os donos&#8217; do movimento que é considerado um dos mais influentes da música brasileira, produzindo uma arte que ia de encontro aos ideais desenvolvimentistas e modernos da presidência de Juscelino Kubitschek.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos os conflitos que a artista encontrava na época com o cenário musical e do próprio país e a química da cantora com a sua arte são impressos na personagem de Andréia Horta e destacados pela direção de Hugo Prata. Elis não economizava sentimentos e encontrou um povo que clamava por uma cantora de peito aberto. Junto a outros movimentos que já iam numa direção mais denunciante, como o </span><a href="https://gente.ig.com.br/cultura/2017-10-09/tropicalia.html"><span style="font-weight: 400;">Tropicalismo</span></a><span style="font-weight: 400;">, é que Elis dá vida a </span><i><span style="font-weight: 400;">MPB</span></i><span style="font-weight: 400;">, quando protagonizou o extremamente bem-sucedido programa </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=suDRd_sJxbs"><i><span style="font-weight: 400;">Fino da Bossa</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> ao lado de Jair Rodrigues (Ícaro Silva). Mesmo com uma passagem rápida pela série, a dupla revive a química espirituosa que os artistas transbordavam na televisão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sucesso esse que cobrou dela muito trabalho, e ainda reconstituindo as movimentações da música brasileira na época, o roteiro que o diretor escreveu junto de Vera Egito e Luiz Bolognesi relembra todas as vezes que a artista teve de se renovar. Assim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver É Melhor que Sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> pontua a novidade da década de 60: a Jovem Guarda. O gênero nasceu do encontro da música brasileira com o </span><i><span style="font-weight: 400;">rock’n’roll</span></i><span style="font-weight: 400;"> provocado por figuras como Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléa e roubou a atenção das gravadoras e do povo brasileiro, forçando Elis a se reinventar e repensar sua arte e sua carreira.</span></p>
<figure id="attachment_16652" aria-describedby="caption-attachment-16652" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-16652" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/unnamed.jpg" alt="Imagem da série Elis: Viver é melhor que sonhar na qual Andréia Horta, caracterizada como Elis regina aparece de braços abertos cantando em frente a um microfone antigo. Ela usa um vestido que tem a parte de cima em branco e a saia em preto, seus cabelos pretos chegam aos ombros. Ao lado dela, Ícaro Silva está caracterizado como Jair Rodrigues e usa um terno preto. Ele está de perfil com os braços abertos em direção a ela e ao fundo a imagem desfocada do baterista." width="512" height="215" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/unnamed.jpg 512w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/unnamed-300x126.jpg 300w" sizes="(max-width: 512px) 85vw, 512px" /><figcaption id="caption-attachment-16652" class="wp-caption-text">Cinco décadas depois de sua última transmissão, O Fino da Bossa voltou a ser exibido em 2018 na edição especial em comemoração aos 65 anos da Record TV (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Usando os cenários externos para mergulhar na intimidade da artista, a minissérie nos dá acesso à “Elis mãe” e à “Elis esposa”. Embarcando nos altos e baixos de seu primeiro casamento com o produtor e compositor Ronaldo Bôscoli, entre os anos de 1967 e 1972, conhecemos seu emocional e suas inseguranças ao assumir aquele novo papel. Até ingênua, de certa forma, a Elis de Andréia Horta se mostra muito menos voraz e explosiva do que ela era nos palcos. Se entregando aos vários lados da multifacetada artista é que a atriz nos leva de encontro com as inseguranças e fragilidades de Regina.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É em meio ao turbilhão de emoções que <em>Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</em> inicia um aprofundamento na realidade externa da bolha que contempla a cantora. Assim como Chico Buarque, Milton Nascimento e Gilberto Gil, Elis também foi alvo de censura por parte do regime militar. Pressionados pela ditadura, muitos artistas e intelectuais brasileiros foram obrigados a se </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2019/03/17/interna_diversao_arte,743311/artistas-exilados-ha-50-anos.shtml"><span style="font-weight: 400;">exilar fora do país</span></a><span style="font-weight: 400;">, como única alternativa para evitar a tortura. No caso de Regina, somos puxados para o drama ao qual sua vida é submetida quando ela se vê obrigada a cantar nas Olimpíadas do Exército de 1973, sob ameaça. Os atos de repúdio dirigidos a cantora a condenaram por se submeter ao &#8216;diálogo&#8217; com os militares, mas a série deixa claro como o medo falou mais alto naquela situação e em como ela se sentiu ao perceber que ele havia atropelado seus ideais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após seu </span><a href="https://vermelho.org.br/2011/01/19/sergio-luz-henfil-a-ditadura-e-os-dois-enterros-de-elis-regina/"><span style="font-weight: 400;">enterro simbólico</span></a><span style="font-weight: 400;">, desenhado pelo cartunista Henfil para o semanário alternativo </span><i><span style="font-weight: 400;">O Pasquim</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela se manteve em meio aos holofotes. Temos então, pela primeira vez em <em>Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</em>, o ponto de vista e a opinião do público quanto a cantora. As vaias que invadem o teatro e a abalam completamente se opõem a melodia entoada, e então a perspectiva da trama se altera completamente e migra de vez para o íntimo de Elis. Marcada pelo fim do primeiro casamento e o início da relação da artista com o pianista César Camargo Mariano, a calmaria toma conta da minissérie, que segue sem se preocupar em mostrar devidamente o frenesi que invadia o país. </span></p>
<figure id="attachment_16650" aria-describedby="caption-attachment-16650" style="width: 564px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16650" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elis-regina-filha-maria-rita-joc3a3o-boscoli.jpg" alt="Imagem de Elis regina com seus filhos. Ela está sentada em uma cadeira e segura Maria Rita, ainda pequena, em seu colo. Ao lado dela estão seus dois filhos mais velhos." width="564" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elis-regina-filha-maria-rita-joc3a3o-boscoli.jpg 564w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/elis-regina-filha-maria-rita-joc3a3o-boscoli-300x229.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 564px) 85vw, 564px" /><figcaption id="caption-attachment-16650" class="wp-caption-text">Em entrevista a GZH, Andréia Horta afirmou sobre Elis: “Uma das coisas que mais mexeram com a minha cabeça é essa noção tão clara diante da história dela, de que o corpo, o coração e a vida podem parar a qualquer momento” (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A madura e sossegada relação de cumplicidade entre Regina e César ganha ainda mais veracidade graças à sintonia trazida por Andréia e Caco Ciocler. Muito mais do que apenas um casal, podemos sentir e quase tocar aquela amizade pura que é acalentada por melodias como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EIyyFyZtQzE"><i><span style="font-weight: 400;">Fascinação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. De tão profunda, eles não tem escolha se não se entregarem de vez àquele amor construindo uma nova vida juntos. É a partir de então que a “Elis mãe” volta a aparecer, mas de uma forma bem diferente, mais serena e madura. Somos levados junto a ela em devaneios sobre seu papel como mulher e suas preocupações em fazer uma diferença real no mundo, agora que ela é mãe de </span><a href="http://personaunesp.com.br/segundo-maria-rita-15-anos/"><span style="font-weight: 400;">Maria Rita</span></a><span style="font-weight: 400;"> e sabe dos percalços que sua filha vai enfrentar por conta do gênero. Essa perspectiva passa a dominar outros aspectos de sua vida, como sua carreira e até mesmo sua consciência política. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa direção é que a minissérie volta a pincelar a potência política de Elis, quando chegamos na década de 70 e a ousadia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Falso Brillhante</span></i><span style="font-weight: 400;"> começa a se acender em seu coração. O </span><a href="http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra70098/falso-brilhante"><span style="font-weight: 400;">projeto</span></a><span style="font-weight: 400;"> veio num outro momento de renovação da carreira da artista, que depois de encarar duras críticas e consequências pelo episódio das Olimpíadas Militares, juntou toda sua coragem para denunciar a situação que o artista brasileiro enfrentava naquele momento. Misturando críticas sociais com a sua própria história, Regina apostou todas as suas fichas ao colocar na estrada um espetáculo circense montado a partir do disco, e Andréa Horta, mais uma vez, imprime a alegria de Elis ao ver o projeto mirabolante se transformando em um sucesso, trazendo de volta sua aura característica enquanto o hino </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2qqN4cEpPCw"><i><span style="font-weight: 400;">Como Nossos Pais</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> toca ao fundo.</span></p>
<figure id="attachment_16651" aria-describedby="caption-attachment-16651" style="width: 984px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16651" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3-.jpg" alt="Imagem da série na qual vemos Andréia Horta caracterizada de Elis. Ela está de perfil e veste um blazer preto e uma calça jeans estilo pantalona. Seus cabelos encaracolados estão soltos na altura do ombro e ela dá as mão a atriz Mel Lisboa, caracterizada como Rita Lee. A personagem de Mel está de perfil, tem os cabelos ruivos compridos e veste uma blusa vermelha e branca e uma calça marrom. " width="984" height="546" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3-.jpg 984w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3--300x166.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/rita-lee-mel-lisboa-elis-regina-andreia-horta-3--768x426.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-16651" class="wp-caption-text">Fica claro na cena em que ela e Rita Lee se encontram que a arte de Elis excede as qualidades musicais para fazer parte de toda uma geração de artistas e mulheres que lutam por seus direitos (Foto: TV Globo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas apesar das diversas facetas as quais temos acesso,</span> <i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</span></i> <span style="font-weight: 400;">peca em sua constante necessidade de se apresentar da forma mais polida possível. Sem adentrar a fundo nos vícios em álcool e drogas da cantora e no contexto político em que ela e o país viviam, a série busca ao máximo trazer ao espectador uma Elis idealizada, e portanto, irreal. Os esforços da produção para entregar uma narrativa suavizada e um ambiente estéril alongam o caminho entre o público e a protagonista, que só se conectam graças à interpretação surreal de Andréa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os lapsos de tempo que constroem a minissérie são ao mesmo tempo fluidos e abruptos, edificando uma estrutura episódica que nos leva até o trágico desfecho da vida da cantora. Infelizmente, até mesmo neste momento de caos e emoções exacerbadas, o roteiro se prende a sua polidez. O que por um lado retira a visceralidade da situação &#8211; que poderia ser muito bem empregada ao se ater ao realismo dos fatos &#8211; , por outro acrescenta uma poesia e um romantismo dignos de Shakespeare a conclusão da história.</span></p>
<figure id="attachment_16726" aria-describedby="caption-attachment-16726" style="width: 627px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-16726" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image4.jpg" alt="A imagem em branco e preto mostra Elis Regina cantando com um largo sorriso nos lábios e os olhos fechados. Seu cabelo preto está cortado bem curto e ela segura um microfone com a mão direita, na altura da boca." width="627" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image4.jpg 627w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/11/image4-300x191.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-16726" class="wp-caption-text">A versão longa metragem da minissérie ganhou 8 categorias do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro em 2017, entre eles Melhor Direção de Arte e Melhor Atriz para Andréia Horta (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Elis &#8211; Viver é Melhor que Sonhar</span></i><span style="font-weight: 400;"> funciona quase como um epílogo para a conturbada vida e carreira de Elis Regina. O recorte cintilante e envernizado entregue pela minissérie não cumpre com o acordo de veracidade firmado entre obra e espectador em seu início. A pitada de documentalismo, que é logo substituída pela licença poética, abre margem para que vejamos uma versão utópica, mas igualmente encantadora, da <em>Pimentinha do Brasil</em>, que completaria 75 anos neste ano de 2020. Mas ainda bem que nossa memória de Elis transcende qualquer retrato, se abrigando em cada verso e melodia que são até hoje criados e entoados a partir da influência de sua personalidade artística inesquecível, acendendo nossa lembrança fidedigna da artista que mudou a música brasileira para sempre. </span></p>
<p>&nbsp;</p>
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