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	<title>Arquivos Brinquedo Assassino &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Chucky: sátira à sociedade americana e exaltação do terror queer dominam</title>
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		<pubDate>Wed, 04 May 2022 18:33:23 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ma Ferreira Em 1988, surgia um novo ícone do Cinema de Terror, uma figura dócil, mas, ao mesmo tempo, demoníaca: Chucky, o brinquedo assassino. Aterrorizando sonhos de muitas crianças dos anos 1990, o boneco entrou para o rol dos psicopatas da cultura pop e ganhou uma franquia de oito longas, um curta-metragem e, atualmente, uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/chucky-1a-temp-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Chucky: sátira à sociedade americana e exaltação do terror queer dominam"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27482" aria-describedby="caption-attachment-27482" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-27482" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-1.jpg" alt="Cena da série Chucky. Na imagem há um garoto, Jake, vestido com uma moletom em tom de preto manchado com branco, vestindo uma jaqueta de moletom acinzentada por cima. Em suas costas ele carrega uma mochila preta e atrás dele há a imagem de um corredor desfocado com um garoto branco, loiro, vestindo azul ao seu canto direito. Jake tem uma expressão triste. Ele é um adolescente branco, de cabelos encaracolados e médios. Ele carrega consigo um boneco de cabelos ruivos, olhos azuis, que veste uma blusa listrada em tons de vermelho e azul e veste um macacão jeans, o brinquedo Chucky." width="800" height="453" /><figcaption id="caption-attachment-27482" class="wp-caption-text">O boneco que foi o pesadelo de uma geração volta em sua melhor versão na série presente no catálogo do Syfy (Foto: Syfy)</figcaption></figure>
<p><b>Ma Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1988, surgia um novo ícone do Cinema de Terror, uma figura dócil, mas, ao mesmo tempo, demoníaca: Chucky, o brinquedo assassino. Aterrorizando sonhos de muitas crianças dos anos 1990, o boneco entrou para o rol dos psicopatas da cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> e ganhou uma franquia de oito longas, um curta-metragem e, </span><a href="https://personaunesp.com.br/as-melhores-series-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">atualmente, uma série</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já está renovada e sua segunda temporada sai este ano. A história original de Don Mancini foi ressuscitada e aprofundada no seriado </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;">, voltando às origens do assassino </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-161081/"><span style="font-weight: 400;">Charles Lee Ray</span></a><span style="font-weight: 400;">, mostrando sua trajetória até o que se tornou e seus atuais planos.</span></p>
<p><span id="more-27481"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A narrativa começa quando Jake Webber (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=KKJc-dy5q7U"><span style="font-weight: 400;">Zackary Arthur</span></a><span style="font-weight: 400;">) compra um boneco da linha </span><i><span style="font-weight: 400;">Good Guys</span></i><span style="font-weight: 400;"> em uma venda de garagem. A partir de então, acompanhamos a vida do garoto, que está imerso em problemas, como diferenças com seu pai, </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, homofobia e a dificuldade em fazer amigos. </span><a href="https://revistaquem.globo.com/Series-e-filmes/noticia/2021/10/serie-do-brinquedo-assassino-quer-que-gente-torca-para-chucky-pelo-menos-e-o-que-parece.html"><span style="font-weight: 400;">O cenário se torna ótimo para que Chucky</span></a><span style="font-weight: 400;"> se revele a Jake e tente fazer do adolescente um psicopata, convencendo o mesmo a eliminar de sua vida todos aqueles que lhe fazem mal. Apesar da grande tentação, o menino mantém sua essência, e é então que o inferno em sua rotina começa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com o uso de vários </span><i><span style="font-weight: 400;">flashbacks</span></i><span style="font-weight: 400;">, vemos Charles traçando seu caminho de crimes desde à infância, com diversos personagens que passaram por sua vida e foram extremamente importantes para a narrativa da franquia, como Andy Barclay (</span><a href="https://vejasp.abril.com.br/coluna/tudo-cinema/por-onde-anda-o-garoto-que-fez-brinquedo-assassino-em-1988/"><span style="font-weight: 400;">Alex Vicent</span></a><span style="font-weight: 400;">), grande inimigo e seu eterno antagonista, e Tiffany Valentine (</span><a href="https://cinepop.com.br/chucky-jennifer-tilly-revela-que-sua-personagem-tera-grande-importancia-na-serie-319418/"><span style="font-weight: 400;">Jennifer Tilly</span></a><span style="font-weight: 400;">), seu imortal par romântico. Não é necessário </span><a href="https://personaunesp.com.br/cineclube-persona-novembro-de-2021/"><span style="font-weight: 400;">ver os filmes para conseguir entender </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas, ao ter em mente os acontecimentos anteriores a aparição de alguns componentes e caminhos que escolhem, auxilia a trama a fazer mais sentido. Entretanto, cabe notar que o filme </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/series-e-tv/2021/11/chucky-serie-enfim-explica-ausencia-de-personagem-em-filmes#:~:text=Chucky%2C%20o%20Brinquedo%20Assassino%2C%20ganhou,essa%20nova%20s%C3%A9rie%20de%20TV."><i><span style="font-weight: 400;">Brinquedo Assassino</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">de 2019</span></a><span style="font-weight: 400;">, não é considerado canônico neste cenário.</span></p>
<figure id="attachment_27483" aria-describedby="caption-attachment-27483" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-27483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02.jpg" alt="Cena da série Chucky. A imagem apresenta à direita o boneco Chucky sentado com um controle de videogame nas mãos e ao seu lado também segurando um controle uma garotinha, a personagem Caroline. Eles estão sentados no chão feito de um carpete estampado. Ao fundo há uma escadaria. Caroline está vestida com uma roupa de urso e tênis escuro e Chucky com um macacão jeans e blusa com listras em tons de azul e vermelho. Ao fundo de ambos se encontram duas poltronas grandes, o ambiente está escuro, sendo iluminado por luzes laterais e uma luz amarela e vermelha que iluminam o fundo onde se inicia a escadaria." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Chucky-1X02-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27483" class="wp-caption-text">Chucky pretende cativar as novas gerações com seu jeito cômico e reviver o sucesso dos slashers (Foto: Syfy)</figcaption></figure>
<p><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/tela-plana/pai-de-chucky-don-mancini-transforma-sua-cria-em-arma-contra-homofobia/"><span style="font-weight: 400;">Don Mancini</span></a><span style="font-weight: 400;">, criador da saga original, conseguiu realizar nesta série o que não lhe foi permitido seguir nos filmes: a visão cômica e ao mesmo tempo profunda sobre a vida de Chucky. Mesmo não participando de continuações da franquia, o roteirista se apropriou dos escritos anteriores para dar vida e sentido ao universo de Charles Lee Ray. O seriado, que vai e volta no tempo, nos deixando migalhas sobre os acontecimentos, conta desde os </span><a href="https://nerdizmo.uai.com.br/os-psicopatas-mais-reais-do-cinema/"><span style="font-weight: 400;">assassinatos que Charles cometeu</span></a><span style="font-weight: 400;"> em sua infância e adolescência, os seus conhecimentos sobre ritual vodu que o permitiram passar a alma para o brinquedo, até os personagens que o ajudaram ou tentaram impedir seus planos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Acompanhamos também </span><a href="https://epipoca.com.br/andy-garotinho-de-brinquedo-assassino-aparece-adulto-em-novo-episodio-de-chucky/"><span style="font-weight: 400;">Andy Barclay</span></a><span style="font-weight: 400;">, que volta como caçador de Chuckys, e é interpretado por Alex Vincent, mesmo ator que deu vida ao personagem no primeiro filme. Os fãs da franquia se empolgaram com a presença de personagens icônicos da saga representados por seus intérpretes originais, além de verem cenas e discussões atuais levantadas de maneira descontraída, com </span><a href="https://www.omelete.com.br/webstories/mortes-bizarras-chuck/"><span style="font-weight: 400;">mortes no estilo característico do brinquedo assassino</span></a><span style="font-weight: 400;">, e com muitos desfechos que os longas não puderam mostrar sendo revelados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com esse clima nostálgico, a primeira temporada conseguiu cativar novos admiradores e entregar o melhor que podia aos seus antigos seguidores. </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz ótimas discussões, com críticas à hipocrisia da família tradicional americana, presente, por exemplo, na explanação do contexto familiar da personagem Lexy Cross, interpretada por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tPVXRfvbds4"><span style="font-weight: 400;">Alyvia Alyn Lind</span></a><span style="font-weight: 400;">. De modo a não se levar a sério, ela também brinca e satiriza as problemáticas, mas defende suas pautas como a autoaceitação, a amizade e discussões acerca do </span><a href="https://www.omelete.com.br/series-tv/csi-vegas-marg-helgenberger"><span style="font-weight: 400;">universo </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não podemos esperar menos da </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/chucky-segunda-temporada-confirmada"><span style="font-weight: 400;">próxima temporada</span></a><span style="font-weight: 400;"> do que mortes bizarras, falas escrachadas do boneco e muita confusão. </span></p>
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<p><span style="font-weight: 400;">A produção apresenta pontos socialmente relevantes, como a divergência de Jake e o pai, que não aceita a sexualidade do mesmo, em que ainda há a descoberta do amor que o garoto sente por um amigo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying</span></i><span style="font-weight: 400;">, a homofobia, as desavenças que o menino passa e a revolta com as ações do boneco são superados pelos laços de amizade e pela união de forças no combate ao mal. </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> é de grande relevância </span><a href="https://queer.ig.com.br/2021-10-19/filho-chucky-nao-binario-queer.html"><span style="font-weight: 400;">LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;"> e conseguiu amadurecer a discussão dessas questões, deixando o humor escrachado de alguns momentos para falar sério. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Don Mancini sempre tentou envolver a narrativa com personagens de diversas sexualidades e com diferentes expressões de gênero, sendo assim, apesar de muitos espectadores não terem se atentado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky </span></i><span style="font-weight: 400;">nunca apresentou um </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/alem-do-arco-iris-o-terror-como-fuga-da-heteronormatividade/"><span style="font-weight: 400;">discurso heteronormativo</span></a><span style="font-weight: 400;">, como algumas produções de terror costumam realizar. Ter um protagonista assumidamente gay e que sofre socialmente com isso, além de ser uma crítica à falsa ideia que se tem de que </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/internacional-49405469"><span style="font-weight: 400;">os EUA aceitam a diversidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, é também uma forma de mostrar por meio dele, e demais personagens que são do </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/almanaque/sem-mimimi-ou-lacracao-chucky-sempre-teve-personagens-lgbt-voce-que-nao-viu.phtml"><span style="font-weight: 400;">cenário LGBTQIA+ da trama</span></a><span style="font-weight: 400;">, que essa diversidade existe, deve ser respeitada e apresentada cada vez mais em grandes produções como esta.</span></p>
<figure id="attachment_27484" aria-describedby="caption-attachment-27484" style="width: 1170px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3.jpg" alt="Cena da série Chucky. A imagem apresenta dois garotos, ao fundo deles estão árvores e um céu crepuscular, também há uma torre de ferro azul. A direita está o personagem Devon, um jovem negro, vestindo uma calça e blusa preta e um casaco marrom estilo camuflagem. A esquerda está o personagem Jake, um garoto branco, vestindo uma calça jeans clara, uma blusa cinza e um blusa de manga comprida xadrez branca e azul. Cada um deles está em cima de uma bicicleta, ambas escuras e com a lanterna da frente ligada." width="1170" height="780" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3.jpg 1170w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/05/Imagem-3-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27484" class="wp-caption-text">O romance entre o protagonista Jake e o podcaster Devon se desenvolve em meio aos planos de combate ao boneco (Foto: Syfy)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma das grandes questões da franquia é a visão de que o </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é sinônimo de mal. Muitas narrativas de horror, terror e fantasia trazem os </span><a href="https://www.instagram.com/p/CVbkqnqNa0s/?utm_medium=copy_link"><span style="font-weight: 400;">personagens sombrios e bizarros</span></a><span style="font-weight: 400;"> como sendo pertencentes a comunidade LGBTQIA+, reforçando, assim, estereótipos. O que </span><i><span style="font-weight: 400;">Chucky</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz é romper com essa visão, mostrando que ambos os lados apresentam e aceitam a diversidade. É fascinante perceber como o terror se renova sempre, trazendo críticas de maneira sutil, cômica, irreverente e dialogando com aqueles que conseguem </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-babadook-critica/"><span style="font-weight: 400;">enxergar além das manchas de sangue</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ponto alto da série é a mistura do velho humor de Chucky com as discussões atuais e o retorno dos </span><a href="https://epipoca.com.br/mais-uma-personagem-de-brinquedo-assassino-aparece-em-serie-chucky/"><span style="font-weight: 400;">personagens ícones da saga</span></a><span style="font-weight: 400;">, porém esse também é seu ponto baixo, pois eles poderiam ser melhores explorados na história e não apresentados apenas como um </span><i><span style="font-weight: 400;">fanservice</span></i><span style="font-weight: 400;">. As figuras aparecem mais envoltas na narrativa nos episódios finais e com soluções rápidas que nos deixam querendo saber mais e como eles estão relacionados aos planos de Chucky. Mas resta-nos esperar que nesta segunda temporada eles retornem mais envolvidos aos acontecimentos e apresentando respostas às nossas dúvidas.</span></p>
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