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	<title>Arquivos Bombshell &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>O Escândalo é o que acontece quando homens contam nossa história</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Feb 2020 20:25:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Ana Laura Ferreira Desde a Ilíada, com os épicos poemas escritos por Homero, a história é contada pelos vitorioso e aponta apenas uma versão dos fatos. Até hoje essa estrutura se mantém, fazendo com que os “vitoriosos” da hierarquia social falem por aqueles que foram silenciados. O Escândalo (Bombshell) segue essa mesma linha narrativa ao &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-escandalo-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Escândalo é o que acontece quando homens contam nossa história"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_13583" aria-describedby="caption-attachment-13583" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-13583" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001.jpg" alt="" width="1024" height="795" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001-300x233.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/001-768x596.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13583" class="wp-caption-text">(Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Ana Laura Ferreira</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde a </span><i><span style="font-weight: 400;">Ilíada</span></i><span style="font-weight: 400;">, com os épicos poemas escritos por Homero, a história é contada pelos vitorioso e aponta apenas uma versão dos fatos. Até hoje essa estrutura se mantém, fazendo com que os </span><i><span style="font-weight: 400;">“vitoriosos”</span></i><span style="font-weight: 400;"> da hierarquia social falem por aqueles que foram silenciados. </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">(Bombshell)</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue essa mesma linha narrativa ao pautar o assédio sexual sofrido pelas jornalistas da </span><i><span style="font-weight: 400;">FOX News</span></i><span style="font-weight: 400;"> sob a visão, roteiro e direção de homens, que jamais entenderam a situação das vítimas por completo.</span></p>
<p><span id="more-13581"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao decorrer do filme acompanhamos três importantes jornalistas do veículo, que é o principal canal de notícias dos Estados Unidos, e suas lutas internas e externas para enfrentar o assediador e diretor chefe da empresa, Roger Ailes (</span><span style="font-weight: 400;">John Lithgow</span><span style="font-weight: 400;">). São elas a âncora Megyn Kelly (Charlize Theron), a apresentadora Gretchen Carlson (Nicole Kidman) e a aspirante ao estrelato Kayla Pospisil (Margot Robbie), a única personagem fictícia relevante a trama. Com um primeiro ato longo e detalhista, demoramos a ser introduzidos devidamente no assunto principal do filme. Entretanto, esse extenso </span><i><span style="font-weight: 400;">background</span></i><span style="font-weight: 400;"> nos ajuda a entender a hierarquia profissional e moral exercida na empresa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Utilizando-se de recursos como a quebra da quarta parede, somos prontamente incluídos naquele cenário caótico. É reservada ao espectador a visão quase que de um estagiário, que está autorizado apenas a observar. O estilo de filmagem documental contribui para criarmos esse sentimento de inclusão, entretanto a câmera exageradamente tremida cansa ao decorrer do filme e traz, também, certa artificialidade. Outro recurso cinematográfico muito usado na trama é o chamado </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=93FAAdkv3bk"><i><span style="font-weight: 400;">Deus Ex-machina</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Ligado, nesse caso, a passagem abrupta do tempo, ela age como um facilitador dentro da história, cortando-a em capítulos fechados.</span></p>
<figure id="attachment_13584" aria-describedby="caption-attachment-13584" style="width: 860px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-13584" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2.jpg" alt="" width="860" height="559" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2.jpg 860w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2-300x195.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-2-768x499.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-13584" class="wp-caption-text">Além dos casos de assédio, o filme também aborda questões políticas e preconceitos enraizados na cultura americana (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de trazer qualidades técnicas pouco avançadas, o grande pesar de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é seu olhar </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2018/12/03/machismo-sexismo-e-misoginia-quais-sao-as-diferencas.htm"><span style="font-weight: 400;">machista e misógino</span></a><span style="font-weight: 400;"> sobre o caso. Dirigido por </span><span style="font-weight: 400;">Jay Roach</span><span style="font-weight: 400;"> &#8211; de </span><i><span style="font-weight: 400;">Austin Powers (1997) </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Borat (2006)</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; e roteirizado por Charles Randolph &#8211; de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Grande Aposta (2015)</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; o longa coloca suas principais funções nas mãos de homens, os quais nunca conseguiram entender, em sua completude, os medos, traumas e aflições que permeiam o assédio sexual. Essa visão robótica e masculinizada dos fatos torna o filme pouco imersivo nos sofrimentos das vítimas, abrandando a gravidade da situação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera, com planos fechados e detalhes, chega a ser conivente aos abusos feitos por Ailes, ao sexualixar suas personagens de forma a criar justificativas ao ocorrido. Uma cena em especial causa no mínimo indignação ao espectador pela duvidosa escolha de planos. Protagonizada por Margot, a direção prefere filmar suas pernas e sua calcinha durante o momento do assédio à seu rosto que transparece tremenda agonia. Em outra cena a personagem de Robbie contesta Charlize Theron por suas ações, culpabilizando a jornalista pelos atos de Roger em uma construção caricata e machista, que responsabiliza as vítimas e encobre os abusadores.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como um </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Oscar_bait"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar Bait</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> moderno, o roteiro se distancia do drama &#8211; que seria o gênero natural para tratar o assunto &#8211; e pende para um lado cômico e satírico que prejudica seu desenvolvimento ao quebrar o estilo narrativo. Essa abordagem prejudica também a expansão das personagens dentro do universo criado. Por ser baseado em fatos reais é aceitável que o filme se contenha para manter a veracidade, porém em </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> o roteirista tinha em Kayla sua </span><i><span style="font-weight: 400;">“carta na manga”</span></i><span style="font-weight: 400;">. Por se tratar de uma persona ficcional, seu espaço na narrativa poderia ter sido usado para expandir em maior potência o assunto e os assédios, entretanto, ela é reduzida a um personagem genérico e pouco expressivo, dados os traumas sofridos.</span></p>
<figure id="attachment_13585" aria-describedby="caption-attachment-13585" style="width: 512px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-13585" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/02/imagem-3.gif" alt="" width="512" height="237" /><figcaption id="caption-attachment-13585" class="wp-caption-text">Mesmo condenado pelos assédios, Roger Ailes recebeu uma indenização maior que as vítimas e se mantém como uma figura respeitada no telejornalismo (Gif: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, o longa também conta com pontos positivos, sendo o principal deles sua </span><a href="https://www.huffpostbrasil.com/entry/charlize-theron-maquiagem_br_5e318c1ec5b680b21f09a2cc?guccounter=1&amp;guce_referrer=aHR0cHM6Ly93d3cuZ29vZ2xlLmNvbS8&amp;guce_referrer_sig=AQAAADTM5aHPSXiYRFmbJnm5JwomUUVA-AXMLSlbDtq9IB0OXgbZz6kMYPnNOK2PifErm7QgzkuCumu0UMpI1YeQ8b-t4ke-QbFPCjPDGpZKZB3Ea-Lj9wB9NHt894jPUpxU7o8orUQFxioX7aa7KzL713kVq5Nm3IynCdwHABXKSnKM"><span style="font-weight: 400;">primorosa maquiagem</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao transformar Charlize em uma cópia exata da real Megyn Kelly, o filme faturou os prêmios </span><i><span style="font-weight: 400;">Critic&#8217;s Choice Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Bafta </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">. Concorrendo em outras categorias, Theron foi indicada a Melhor Atriz e Margot Robbie a Melhor Atriz Coadjuvante no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar 2020</span></i><span style="font-weight: 400;">. Outro ponto positivo é atribuído ao roteiro, que aborda as opressões vividas dentro do império </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox News</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a imposição sofrida pela equipe para apoiar Roger Ailes e invalidar as vítimas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de abordar um tema que deve ser debatido e trazer uma história que deve ser contada, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> se restringe a uma visão pouco crítica dos fatos. Diferente da minissérie</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=lAnJJHrq0Ws"><i><span style="font-weight: 400;">The Loudest Voice</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2019)</span></i><span style="font-weight: 400;">, que aborda o mesmo ocorrido, mas de maneira mais profunda, o filme se perde ao tentar ser politicamente correto e cai em contradições, culpabilizando suas heroínas. Extremamente problemático, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Escândalo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme que deve ser assistido por todos para que possam tomar consciência que certas história devem ser contadas por suas minorias, e para que entendamos que a visão masculina dos fatos é apenas um recorte mal feito e seletivo do que lhes interessa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Megyn Kelly Presents: A Response to &quot;Bombshell&quot; - Full Discussion" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/MmSz7HqkI9s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/o-escandalo-critica/">O Escândalo é o que acontece quando homens contam nossa história</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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