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	<title>Arquivos Bobby Cannavale &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Em Blue Moon, Richard Linklater focaliza as lentes em um poeta torturado</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Nov 2025 13:28:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>As interações entre Lorenz Hart e Elizabeth Weiland representam boa parte da comédia do filme (Foto: Sony Classics) Guilherme Machado Leal   Como é ver o seu parceiro de longa data se saindo melhor sem você? Em Blue Moon, filme que acompanha a decaída de Lorenz Hart (Ethan Hawke), o público conhece a história de um &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blue-moon-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Blue Moon, Richard Linklater focaliza as lentes em um poeta torturado"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36386" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-800x390.png" alt=" Cena do filme Blue Moon. Na imagem, há uma mulher branca de cabelos louros e blusa bege. Ela olha para um homem branco de cabelos castanhos com terno. Eles estão em um bar. " width="800" height="390" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-800x390.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-1024x500.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-768x375.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-1536x750.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15-1200x586.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-15.png 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><span style="color: #686868; font-size: 13px; font-style: italic; background-color: transparent; text-align: inherit;">As interações entre Lorenz Hart e Elizabeth Weiland representam boa parte da comédia do filme (Foto: Sony Classics)</span></p>
<p><b>Guilherme Machado Leal  </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como é ver o seu parceiro de longa data se saindo melhor sem você? Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blue Moon</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme que acompanha a decaída de Lorenz Hart (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-o-telefone-preto-2/"><span style="font-weight: 400;">Ethan Hawke</span></a><span style="font-weight: 400;">), o público conhece a história de um dos letristas norte-americanos mais importantes do século XX. Ambientado em um bar na noite de 31 de março de 1943, a perspectiva de um artista derrotado pelo sucesso de seu colega, Richard Rodgers (</span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">Andrew Scott</span></a><span style="font-weight: 400;">), expõe uma mágoa para além das diferenças criativas da ex-dupla.</span></p>
<p><span id="more-36380"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escolha de </span><a href="https://personaunesp.com.br/antes-da-meia-noite-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">Richard Linklater</span></a><span style="font-weight: 400;"> de filmar em um cenário é o que torna a produção curiosa de experienciar: por se tratar de uma figura estadunidense, é compreensível que o espectador tenha falta de afinidade com o tema retratado. Entretanto, o cineasta, alinhado ao roteiro de </span><a href="https://robertkaplow.com/"><span style="font-weight: 400;">Robert Kaplow</span></a><span style="font-weight: 400;">, obtém êxito ao focalizar a câmera em um poeta que vê a vida passar diante de seus olhos. Pela vista do outro, o tempo dele já foi; mas o seu cérebro ainda permanece como uma maneira de catapultar o sucesso alheio. Após anos de parceria, o protagonista divide as feridas com o bartender, vivido por Bobby Cannavale, e outros funcionários do local.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na noite de estreia de </span><a href="https://www.britannica.com/topic/Oklahoma-musical-by-Rodgers-and-Hammerstein"><i><span style="font-weight: 400;">Oklahoma!</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, peça lançada durante a Segunda Guerra Mundial, sentimentos conflitantes surgem à cabeça do fio condutor do longa-metragem. Se por um lado ele reconhece o talento de sua alma gêmea, há também o rancor devido ao afastamento que os levaram a caminhos diferentes – tanto pessoal quanto criativamente. Em certo momento de um dos seus monólogos, o escritor propõe um debate sobre o papel da Arte: ela precisa necessariamente ser inofensiva ou pode adotar um tom provocativo?</span></p>
<figure id="attachment_36389" aria-describedby="caption-attachment-36389" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36389" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-800x640.jpg" alt="Cena do filme Blue Moon. Na imagem, há dois homens brancos. O da esquerda veste um terno preto com gravata borboleta da mesma cor. O da direita usa um terno azul com gravata vinho." width="800" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-800x640.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-1024x819.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-768x614.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000-1200x960.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/5000.jpg 1240w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36389" class="wp-caption-text">Richard Rodgers (Andrew Scott) e Lorenz Hart (Ethan Hawke) saboreiam o gosto amargo de sua relação durante os 100 minutos de Blue Moon (Foto: Sony Classics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O amor que Hart nutre por Rodgers vai muito além da relação amigável. Na verdade, a aptidão que ambos tinham com as produções musicais são daquelas </span><a href="https://www.dominicalldis.com/projects/songs-rodgers-hart"><span style="font-weight: 400;">sintonias</span></a><span style="font-weight: 400;"> vistas apenas uma vez na vida. Ao mesmo tempo que não dar o braço a torcer é uma das características que afastam aqueles ao redor de Lorenz, sua personalidade irreverente é o motivo pelo qual há o interesse de entender a cabeça de um poeta torturado pela derrocada da própria carreira. Por conta da interpretação cômica por Ethan Hawke, ter o desejo de saber mais a respeito da trajetória do letrista se torna algo natural, sem precisar de contextos externos ao filme.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Viciado no próprio sentimentalismo exacerbado – à la </span><a href="https://www.todamateria.com.br/segunda-geracao-romantica/"><span style="font-weight: 400;">geração byroniana</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Romantismo –, a encantadora Elizabeth Weiland (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-substancia-critica/"><span style="font-weight: 400;">Margaret Qualley</span></a><span style="font-weight: 400;">) é como uma inspiração para as palavras proferidas pelo homem, que a idolatra e a enxerga mais gentilmente do que a moça realmente é. Na casa dos 20 e poucos, os momentos ao lado do quarentão são um aprendizado, ou melhor, um retrato pintado à mão. Embora tenha um amor platônico pela jovem, é a distância de Rodgers que o deixa obcecado. Esses pensamentos são marcados por conversas sobre a relevância social e política de uma produção artística. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Oklahoma!,</span></i><span style="font-weight: 400;"> primeira parceria entre Richard e </span><a href="https://folhadoabc.com.br/oscar-hammerstein-ii-emerito-letrista/"><span style="font-weight: 400;">Oscar Hammerstein II </span></a><span style="font-weight: 400;">(interpretado por Simon Delaney),  possui uma conotação negativa ao protagonista: para além das críticas ao conteúdo que o poeta tem em relação ao trabalho do amigo, o sucesso da peça o afeta em níveis criativos: a audácia que caracterizava a dupla com o amado agora cede lugar à uma história mais abrangente e, pela visão do personagem, chapa branca e omissa, levando em consideração o cotidiano vivido pelos estadunidenses na década de 1940.</span></p>
<figure id="attachment_36384" aria-describedby="caption-attachment-36384" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36384" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-800x533.png" alt="Cena do filme Blue Moon. Na imagem, há um homem branco com um terno azul. Ele está na bancada de um bar, apoiando os braços no local. Ao seu lado, há flores e uma bebida alcoólica. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-1024x682.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-1536x1024.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21-1200x800.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-21.png 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36384" class="wp-caption-text">A produção é a nona parceria entre Ethan Hawke e Richard Linklater (Foto: Sony Classics)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos motivos do afastamento entre os ex-amigos é a vida pessoal do compositor de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blue Moon</span></i><span style="font-weight: 400;">: viciado em </span><a href="https://www.alcoholproblemsandsolutions.org/alcoholic-musicians-they-died-from-it-quit-or-continue-drinking/"><span style="font-weight: 400;">álcool</span></a><span style="font-weight: 400;">, a inconstância na rotina do letrista gerou o sentimento de decepção, ao passo que, profissionalmente, ele fosse inspiração para uma gama de artistas posteriores aos seus anos de ouro, que contém produções prestigiadas como </span><i><span style="font-weight: 400;">Manhattan</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Lady Is a Tramp</span></i><span style="font-weight: 400;">. Após a metade do longa, os dois se reencontram no bar e os fatores do fim da amizade se tornam ainda mais aparentes. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, o reconhecimento do papel que um teve na vida do outro continua presente no pensamento de Hart e Rodgers. Inclusive, entre conversas rápidas, a dupla combina de retomar a parceria com projetos futuros. Todavia, assim como na realidade, a sorte não acenou para Lorenz e a volta da sua relação com o ente querido nunca se consagrou: em novembro do mesmo ano, o astro morreu em decorrência de uma </span><a href="https://www.nytimes.com/1943/11/22/archives/lorenz-hart-has-pneumonia.html"><span style="font-weight: 400;">pneumonia</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do encerramento da história, frases que resumem a trajetória dos personagens abordados contam o futuro de Richard e Oscar Hammerstein II. Os dois tiveram outros sucessos, a exemplo das composições em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Noviça Rebelde</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma das narrativas teatrais mais marcantes do século XX quando se pensa no teatro norte-americano. O protagonista pode não ter sido o maior compositor de sua época ou até mesmo ter sido superado por seus contemporâneos, mas ele conquistou algo que sucesso algum compra: o </span><a href="https://miscelana.com/2025/02/23/blue-moon-o-legado-de-lorenz-hart-nas-telas/"><span style="font-weight: 400;">impacto cultural</span></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessa gerações.</span></p>
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		<title>O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Mar 2023 18:33:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio.  Giovanna Freisinger Blonde, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao Oscar. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/blonde-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O visual deslumbrante e vazio não salva Blonde do sadismo de Andrew Dominik"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em><span style="font-weight: 400;">Alerta de gatilho: abuso, violência doméstica, estupro, aborto, suicídio. </span></em></p>
<figure id="attachment_30096" aria-describedby="caption-attachment-30096" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30096" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra as costas da personagem Marilyn Monroe com a parte de baixo de seu vestido levantada, em uma interpretação de sua icônica cena no filme O Pecado Mora ao Lado. Imagem em preto e branco. " width="967" height="544" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-1-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30096" class="wp-caption-text">Em Blonde, a primeira cena sugere qual será a abordagem de Marilyn Monroe, que o levou ao Oscar (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Giovanna Freisinger</b></p>
<p><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/blonde-ana-de-armas-trailer-netflix-marilyn"><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, produção que reimagina a história de Marilyn Monroe, proporcionou a Ana de Armas sua primeira indicação ao </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Concorrendo pelo título de Melhor Atriz por sua interpretação da personagem, ela desponta como forte candidata ao prêmio. Apesar da citação não vir como uma surpresa, após indicações em outras premiações importantes, como o </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/globo-de-ouro/"><span style="font-weight: 400;">Globo de Ouro</span></a><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/indicados-sag-awards-2023-lista-completa"><i><span style="font-weight: 400;">SAG Awards</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/bafta-2023-indicados"><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, as respostas do público à essa nomeação foram divididas. Isso não em relação ao merecimento da atriz por sua performance, mas à inclusão do filme na premiação em primeiro lugar, cedendo visibilidade e prestígio à obra, que, para muitos, faria melhor ao mundo sendo esquecida.</span></p>
<p><span id="more-30092"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">60 anos após sua morte, o nome e a imagem de Marilyn Monroe ainda são distorcidos a fim de se encaixarem na fantasia de terceiros. Há uma noção sobre a qual essas pessoas se apoiam, de que elas têm esse direito, como se, por ter sido uma figura muito pública, a identidade de Marilyn estivesse disponível para quem quiser projetar seus desejos e crenças sobre ela. </span><a href="https://mubi.com/pt/cast/andrew-dominik"><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik</span></a><span style="font-weight: 400;">, diretor e roteirista de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, se provou uma dessas pessoas, demonstrando que, mesmo após pesquisar extensivamente sobre a vida da atriz, não nutre respeito algum pela sua história e identidade, ao fazer um filme de péssimo gosto, emprestando sua relevância cultural.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">não é mais um filme biográfico. É uma história de ficção, baseada no </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/sem-categoria/blonde-conheca-os-livros-que-inspiraram-o-filme-sobre-marilyn-monroe.phtml"><span style="font-weight: 400;">livro de mesmo nome</span></a><span style="font-weight: 400;">, escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2022/05/joyce-carol-oates-triunfa-ao-narrar-destruicao-de-lacos-familiares.shtml"><span style="font-weight: 400;">Joyce Carol Oates</span></a><span style="font-weight: 400;"> e publicado em 2000. A história aproveita aspectos da vida real de Monroe e a visão do público sobre ela para discutir questões psicológicas e sociais mais abrangentes. Sob esse pretexto, Dominik direciona a narrativa para servir suas intenções questionáveis. A familiarização prévia da audiência com a personagem o permite explorar apenas os aspectos mais sombrios da biografia (como uma compilação de seus piores momentos), sem oferecer contexto ou contraste com as demais partes da vida dela. O livro original tem 738 páginas, das quais muitos aspectos, reais e fictícios, foram descartados na seleção do autor do que achava relevante contar em sua obra.</span></p>
<figure id="attachment_30097" aria-describedby="caption-attachment-30097" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30097" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn de costas, do tronco para cima, olhando para trás por cima do ombro e sorrindo. Em seu vestido branco para O Pecado Mora ao Lado. Foto em preto e branco" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-2-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30097" class="wp-caption-text">Ana de Armas entrega a performance de sua carreira a uma personagem dramática, mas sem dimensões (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O problema de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> não está na ficção, mas em nenhum dos trechos inventados servir para elevar a personagem ou a narrativa além de uma representação extremamente redutora de uma mulher icônica. As cenas são resumidas à sexualização e à </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cwaCDRwHp8k"><span style="font-weight: 400;">tortura</span></a><span style="font-weight: 400;"> da protagonista, muitas vezes com essas se sobrepondo, deixando a audiência desconfortável durante toda a duração do filme, sem entregar compensação nenhuma alheia ao valor de choque. Durante todo o longa, o esforço aplicado transparece para que o espectador sinta algo. Esforço esse que não encontra resultados satisfatórios perante à abordagem rasa tomada. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com menos de 20 minutos, temos a primeira cena de abuso sexual. Ao realizar um teste de elenco, Monroe é estuprada por Sr. Z (</span><span style="font-weight: 400;">David Warshofsky)</span><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> personagem que faz referência implícita a </span><a href="https://deadline.com/2017/10/will-academy-weinstein-meeting-be-haunted-by-zanuck-ghost-1202188246/"><span style="font-weight: 400;">Darryl F. Zanuck</span></a><span style="font-weight: 400;">, então chefe da </span><i><span style="font-weight: 400;">Fox</span></i><span style="font-weight: 400;">, emissora em que conseguiu seu primeiro emprego. </span><span style="font-weight: 400;">Zanuck é, hoje, conhecidamente um agressor sexual, que violou muitas atrizes que trabalhavam para sua companhia. No entanto, não há qualquer registro de que esse tenha sido o caso de Marilyn &#8211; nem com ele, nem com qualquer outro produtor. O que há, na verdade, são diversos registros da atriz prestando um papel essencial na luta contra o </span><a href="https://observatoriodocinema.uol.com.br/famosos/2018/08/marilyn-monroe-lutou-contra-o-teste-do-sofa-em-hollywood"><span style="font-weight: 400;">teste do sofá</span></a><span style="font-weight: 400;">, prática, infelizmente, típica para a década de 50.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir daí, a narrativa se modela com base nos relacionamentos da protagonista. O </span><a href="https://epipoca.com.br/blonde-chaplin-jr-e-eddy-tiveram-mesmo-um-caso-com-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">trisal</span></a><span style="font-weight: 400;"> formado com Charlie Chaplin Jr. (Xavier Samuel) e Edward G. Robinson Jr. (Evan Williams), apesar de completamente fictício, parece apresentar um escape para a personagem, como uma forma de atribuir mais controle a ela sobre o que quer. A relação é apresentada a partir da ideia de que eles são os únicos que a veem por quem ela é, a Norma Jeane por trás do mito da Marilyn Monroe e, em retorno, ela os vê apesar do estigma de seus pais famosos. Essa talvez seja a concepção mais interessante do roteiro, mas promete algo que não entrega. O breve tempo do relacionamento na tela não é expandido para muito além das </span><a href="https://www.metroworldnews.com.br/entretenimento/2022/09/15/cenas-de-sexo-explicito-em-blonde-deixam-ate-a-critica-em-choque/"><span style="font-weight: 400;">cenas de sexo</span></a><span style="font-weight: 400;">, privando a audiência dessas facetas além da fama.</span></p>
<figure id="attachment_30098" aria-describedby="caption-attachment-30098" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30098" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Da esquerda para a direita: Edward G. Robinson Jr, Marilyn Monroe e Charlie Chaplin Jr. Edward segura o rosto de Marilyn a sua frente enquanto eles se olham e Charlie está por trás dela seu rosto encostado no cabelo dela" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30098" class="wp-caption-text">Dominik mostra, de maneira vergonhosa, o quão preso está ao corpo de Marilyn, capaz de ignorar por completo sua mente, mesmo declarando ser esse o foco de sua produção (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A violência doméstica mostrada em seu casamento com o jogador de beisebol </span><a href="https://www.mercurynews.com/2022/09/30/joe-dimaggio-is-lovestruck-controlling-and-abusive-in-new-marilyn-monroe-biopic/"><span style="font-weight: 400;">Joe DiMaggio</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Bobby Cannavale) realmente corresponde aos acontecimentos da vida real, mas, ainda assim, é impossível ignorar a fetichização da mulher fragilizada nessas cenas, o que torna essa abordagem do tema difícil de engolir. Mais adiante, sua famosa relação com o então presidente John F. Kennedy (Caspar Phillipson) é abordada brevemente, representada de forma fria e violenta, enquanto, fora da ficção, não há qualquer relato de o </span><a href="https://aventurasnahistoria.uol.com.br/noticias/reportagem/o-que-e-verdade-sobre-o-relacionamento-entre-marilyn-monroe-e-john-f-kennedy.phtml"><span style="font-weight: 400;">contato</span></a><span style="font-weight: 400;"> tenha sido abusivo ou não consensual, e esse nem é um rumor comum, o que faz a interpretação parecer, mais uma vez, as mãos de Dominik sobre ela. Ver o filme culpá-la por seu destino e retirar suas escolhas, ao mesmo tempo, é no mínimo estranho.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além da violência de seus relacionamentos e os contrapontos da fama, uma das principais questões que permeiam </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a maternidade e, como se pode imaginar, a abordagem soa terrível vindo do roteiro de um homem. A personagem passa por três abortos, todos acompanhados de sequências aterrorizantes. Os dois não espontâneos foram forçados a ela por terceiros, a colocando perante a violação das suas vontades e do seu corpo. O espontâneo é antecipado por uma simulação do feto em CGI, com um diálogo telepático bizarro que a coloca em uma espiral de culpa, diante de uma propaganda, não tão bem velada, </span><a href="https://www.vanityfair.com/hollywood/2022/10/blonde-contributes-to-anti-abortion-propaganda-says-planned-parenthood"><span style="font-weight: 400;">anti-aborto</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_30095" aria-describedby="caption-attachment-30095" style="width: 1438px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30095" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg" alt="Cena do filme Blonde. Representação virtual de um feto dentro da barriga. Tronco, mãos e rosto do feto no plano." width="1438" height="1079" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10.jpg 1438w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1024x768.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-10-1200x900.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30095" class="wp-caption-text">Durante sua vida, Marilyn sofreu pelo menos dois abortos espontaneos e uma gravidez ectópica, possivelmente por conta de sua batalha contra a endometriose; não há qualquer registro de aborto voluntário (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A frequência e a intensidade das cenas com o teor apelativo e violento tornam o filme, supostamente sobre os danos experienciados por um </span><a href="https://firstcuriosity.com/news/how-did-marilyn-monroe-become-the-ultimate-sex-symbol-did-she-like-the-title/#:~:text=She%20was%20an%20American%20actress,of%20the%20era's%20sexual%20revolution."><i><span style="font-weight: 400;">sex symbol</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em Hollywood e a psique humana, no condescendente rebaixamento de uma mulher notória, sob uma visão moralista de que sua queda é decorrência de sua promiscuidade, que arruina sua vida e seus relacionamentos. Somos, enquanto audiência, convidados a assisti-la sofrer e a alimentar essa fantasia de punição. Para um projeto que conversa com o modo como a indústria tratou a protagonista, falta autoconsciência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante dessas circunstâncias, perdemos qualquer aspecto de quem foi Marilyn Monroe além de seu rosto, seu corpo e seus traumas. Ela foi a mulher mais importante de Hollywood da sua época, </span><a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/09/24/entenda-como-marilyn-monroe-se-tornou-um-icone-da-cultura.html"><span style="font-weight: 400;">senão de todos os tempos</span></a><span style="font-weight: 400;">, e não graças a seu rosto bonito (como sempre existiram milhares), mas ao seu talento transcendente, que captava o público.</span> <span style="font-weight: 400;">Marilyn sempre soube o que estava fazendo diante das câmeras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, é tão </span><span style="font-weight: 400;">desconcertante acompanhar</span><span style="font-weight: 400;"> um filme que empresta sua imagem, se baseia em sua história e despreza o que a levou ao sucesso. Talvez, </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, como um todo, fique menos confuso diante do que o autor tem a dizer. </span><a href="https://www.estadao.com.br/emais/tv/diretor-de-blonde-e-criticado-por-fala-machista-sobre-classico-estrelado-por-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">Em entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> à jornalista Christina Newland, para a revista do Instituto de Cinema Britânico, Dominik afirma que Monroe se tornou um ícone cultural estrelando em vários filmes que “</span><i><span style="font-weight: 400;">ninguém realmente assiste</span></i><span style="font-weight: 400;">” e se referiu a </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Homens Preferem as Loiras</span></i><span style="font-weight: 400;"> &#8211; obra estimada quase que de forma unânime entre críticos de Cinema, como uma das melhores comédias já feitas &#8211; como um filme sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">vadias bem vestidas</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<figure id="attachment_30094" aria-describedby="caption-attachment-30094" style="width: 967px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30094" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg" alt="Cena do filme Blonde. A imagem mostra uma sala de cinema, escura, com a tela em posição central e para frente e a plateia de costas. A plateia está lotada. Na tela, Marilyn a frente de um fundo vermelho, com um vestido rosa, luvas rosas, uma pulseira, um colar e um brinco de diamantes e batom vermelho" width="967" height="725" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4.jpg 967w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-800x600.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-4-768x576.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30094" class="wp-caption-text">Lançado em 1953, Os Homens Preferem as Loiras foi bem-recebido pela crítica e pelo público, se tornando um dos filmes com maior bilheteria do ano (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do apelo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto à atuação incontestável da </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=LPp-Oo2t_Wo"><span style="font-weight: 400;">Ana de Armas</span></a><span style="font-weight: 400;"> na pele da protagonista, é seu visual, com imagens lindas e escolhas estilísticas ousadas de direção de câmera, responsabilidade do diretor de fotografia Chayse Irvin, e arte, graças ao diretor de arte Peter Andrus, junto a toda a equipe de efeitos visuais. Porém, não há nada para sustentá-las. Além dos jogos de câmera, luz e efeitos especiais, pode-se reparar que a proporção de tela não é estável e as cenas alternam entre coloridas e preto e branco. Quando questionado por Newland sobre o propósito dessas escolhas, o diretor explicou que não há razão para a narrativa, o que ele queria era apenas reproduzir fotografias famosas. Assim, seguiu seus formatos, como uma forma de conhecer a vida da personagem, visualmente. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, houve um empenho para adequar Ana de Armas ao papel, desde as </span><a href="https://twitter.com/netflix/status/1575878135064641541?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1575878135064641541%7Ctwgr%5E71a8f7f47f8046db67b076918358ff66c813e805%7Ctwcon%5Es1_&amp;ref_url=https%3A%2F%2Fportalpopline.com.br%2Fblonde-video-transformacao-ana-de-armas-marilyn-monroe%2F"><span style="font-weight: 400;">mudanças físicas</span></a><span style="font-weight: 400;">, com o cabelo e a maquiagem, nos departamento comandados por </span><span style="font-weight: 400;">Jaime Leigh McIntosh</span><span style="font-weight: 400;"> e </span><span style="font-weight: 400;">Tina Roesler Kerwin,</span><span style="font-weight: 400;"> até o treinamento de sua </span><a href="https://www.metropoles.com/colunas/claudia-meireles/veja-os-segredos-para-transformar-ana-de-armas-em-marilyn-monroe"><span style="font-weight: 400;">voz, sotaque e maneirismos</span></a><span style="font-weight: 400;">. O esforço de </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">para se assemelhar à realidade não é incomum em histórias biográficas &#8211; mas, novamente, não se trata de uma história biográfica. </span><span style="font-weight: 400;">Se dedicar a alcançar a memória coletiva, para então alterá-la, pintando sobre ela tragédias e misturando os </span><a href="https://veja.abril.com.br/coluna/e-tudo-historia/blonde-o-que-e-fato-e-o-que-e-ficcao-no-filme-sobre-marilyn-monroe/"><span style="font-weight: 400;">limites entre verdade e ficção</span></a><span style="font-weight: 400;">, não parece a forma mais ética de abordar uma história baseada em uma vida real, mesmo que dentro de sua liberdade criativa.</span></p>
<figure id="attachment_30099" aria-describedby="caption-attachment-30099" style="width: 728px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30099" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-5.webp" alt="À direita: cena do filme Blonde. À esquerda: fotografia real da Marilyn Monroe. Comparação lado a lado entre a releitura e a foto. Em ambas, uma mulher de cabelo curto, óculos e blusa listrada, por trás de Marilyn, ajusta a roupa da atriz. Um macacão branco curto, sem mangas e colado ao corpo. Marilyn se inclina para frente, com as mãos na cintura e olhando para o lado. Foto em preto e branco" width="728" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-30099" class="wp-caption-text">Dominik explica que a ideia visual do filme é referenciar a memória coletiva, como um “déjà vu estranho”, mas com outro sentido às imagens (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>O descaso com a representação de problemas psicológicos</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Andrew Dominik, </span><a href="https://www.bfi.org.uk/sight-and-sound/interviews/im-not-interested-reality-im-interested-images-andrew-dominik-blonde"><span style="font-weight: 400;">em sua entrevista</span></a><span style="font-weight: 400;"> com Newland, contou que, inicialmente, queria contar uma história sobre como os dramas da infância moldam a percepção de um adulto sobre o mundo e que viu em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde </span></i><span style="font-weight: 400;">essa história. Porém, ele peca no desempenho dessa ideia ao centralizar toda a narrativa nos traumas vividos pela personagem. Isso resulta em um roteiro ineficiente, já que, sem a contemplação dos contrastes e nuances, o trauma e os conflitos apresentados ficam, além de rasos, irrealistas, como uma experiência que só poderia ter sido fabricada para propósitos dramáticos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir dessa representação, o diretor cria também uma relação desonesta de dicotomia, sob a qual uma pessoa levada ao </span><a href="https://igormiranda.com.br/2022/08/marilyn-monroe-morte-ultimos-dias/"><span style="font-weight: 400;">suícidio</span></a><span style="font-weight: 400;"> não poderia ser nada além de trágica. Com isso, ele reduz a humanidade da personagem a seus problemas e a mantém refém do papel de vítima em seu roteiro, tomando dela o controle sobre sua vida. </span></p>
<figure id="attachment_30093" aria-describedby="caption-attachment-30093" style="width: 1436px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-30093" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png" alt="Cena do filme Blonde. Marilyn, já sem vida, deitada em sua cama, sem roupa, enrolada no lençol branco e com um travesseiro sobre seu braço direito. De seu lado esquerdo, um telefone desconectado, debaixo da sua mão" width="1436" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8.png 1436w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-800x602.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1024x770.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-768x578.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/03/Img-8-1200x903.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-30093" class="wp-caption-text">O pai é a última visão de Marilyn antes de morrer, atribuindo sua morte ao que a obra atribuiu à sua vida: um homem, ou a falta de um (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na conversa com Newland, ele também defende sua abordagem redutora com afirmações como “</span><i><span style="font-weight: 400;">qualquer pessoa que se mata não é uma figura de empoderamento feminino</span></i><span style="font-weight: 400;">”, demonstrando as limitações de seu ponto de vista. Marilyn foi uma </span><a href="https://www.smh.com.au/entertainment/movies/marilyn-monroe-the-unlikely-feminist-20180628-p4zo89.html"><span style="font-weight: 400;">figura de empoderamento feminino</span></a><span style="font-weight: 400;">, ao mesmo tempo que foi uma história de alerta às mulheres sobre os efeitos de uma sociedade patriarcal. Ela foi e ainda é ambos, justamente porque não era um arquétipo de personagem, mas uma pessoa real.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para um artista que se propõe desde o princípio a produzir uma obra sobre questões psicológicas, suas origens e seus efeitos na vida adulta, a representação de Dominik é fraca e caricata, ao reduzir pessoas deprimidas a indivíduos unidimensionais. A menção do longa entre os reconhecidos pelo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/oscar-2023/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar </span></i><span style="font-weight: 400;">2023</span></a><span style="font-weight: 400;"> é, realmente, impressionante quando além de ser insincero, é extremamente entediante assistir uma personagem rasa como Marilyn é em </span><i><span style="font-weight: 400;">Blonde</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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