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	<title>Arquivos Bill Camp &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Identidade: quanto vale o pertencimento?</title>
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		<pubDate>Wed, 09 Mar 2022 16:29:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Em uma sociedade que precifica os seres humanos e os valoriza de forma desigual, vale a pena vender sua própria veracidade por dignidade plastificada? Caso esse não seja o principal questionamento inspirado por Passing – traduzido no Brasil como Identidade – com certeza é um de seus pilares. O longa-metragem lançado em novembro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/identidade-passing-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Identidade: quanto vale o pertencimento?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26407" aria-describedby="caption-attachment-26407" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-26407 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01.jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na imagem aparecem os rostos das personagens Irene Redfield, interpretada por Tessa Thompson, e ao seu lado Clare Bellew, interpretada por Ruth Negga. A fotografia é em preto e branco e as duas estão de perfil, Irene usa um chapéu com tons escuros e Clare usa um com cores claras, ao fundo a comunidade do Harlem aparece embaçada. " width="770" height="578" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-01-768x576.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26407" class="wp-caption-text">Identidade foi lançado pela Netflix em 2021 e marca a estreia de Rebecca Hall como diretora (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma sociedade que precifica os seres humanos e os valoriza de forma desigual, vale a pena vender sua própria veracidade por dignidade plastificada? Caso esse não seja o principal questionamento inspirado por </span><i><span style="font-weight: 400;">Passing </span></i><span style="font-weight: 400;">– traduzido no Brasil como </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade </span></i><span style="font-weight: 400;">– com certeza é um de seus pilares. O longa-metragem lançado em novembro de 2021 na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um retrato delicado do quanto a sua própria pele pode ser sufocante em uma sociedade estruturada pelo racismo. O filme é a adaptação audiovisual do </span><a href="http://ovelhamag.com/ultrapassando-os-limites-da-cor/"><span style="font-weight: 400;">livro</span></a><span style="font-weight: 400;"> de mesmo nome escrito por </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2020/11/negra-que-se-passa-por-branca-move-as-tensoes-do-romance-identidade.shtml"><span style="font-weight: 400;">Nella Larsen</span></a><span style="font-weight: 400;">, e é também o trabalho de estreia da atriz </span><a href="https://www.npr.org/2021/11/30/1059824073/passing-rebecca-hall-film#:~:text=Music%20Of%202021-,'Passing'%20filmmaker%20Rebecca%20Hall%20shares%20the%20personal%20story%20behind%20her,mother%20also%20passed%20as%20white."><span style="font-weight: 400;">Rebecca Hall</span></a><span style="font-weight: 400;"> como diretora.</span></p>
<p><span id="more-26406"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ambientada na Nova York de 1929, a produção nos coloca entre a dualidade de Irene Redfield (</span><a href="https://variety.com/2021/tv/features/tessa-thompson-passing-subtext-viva-maude-1235099237/"><span style="font-weight: 400;">Tessa Thompson</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Clare Bellew (</span><a href="https://stylecaster.com/ruth-negga-passing/"><span style="font-weight: 400;">Ruth Negga</span></a><span style="font-weight: 400;">), duas amigas de infância que se reencontram de maneira inesperada em uma parte da cidade dominada pela elite branca. O que Irene não esperava é que esse momento nostálgico vem acompanhado de uma mentira: a amiga tem apagado sua própria identidade e </span><a href="https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/opiniao/2020/07/18/internas_opiniao,873201/ancestralidade-africana-e-apropriacao-cultural.shtml"><span style="font-weight: 400;">ancestralidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> enquanto finge ser uma mulher branca. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Passing | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/trwq3CNCMkU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais aparente que seja a felicidade de Clare por desviar da discriminação e </span><a href="https://jornal.usp.br/atualidades/exclusao-social-do-negro-nao-pode-ser-ignorada-no-brasil/"><span style="font-weight: 400;">exclusão social</span></a><span style="font-weight: 400;">, isso tira dela o que realmente a faz feliz, sua </span><a href="https://racismoambiental.net.br/2020/04/23/a-cultura-negra-para-alem-da-escravidao/"><span style="font-weight: 400;">cultura</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto frequenta os melhores hotéis, bebe os champagnes mais caros e faz viagens pelo país, ela vive de modo artificial, e encontrar Irene revela um íntimo misto de esperança e tentação. Deslumbrada com a possibilidade de recuperar o tempo perdido longe das </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/materia/a-destruicao-do-harlem/"><span style="font-weight: 400;">comunidades negras</span></a><span style="font-weight: 400;">, ela passa a se inserir na vida de Irene de forma transgressora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personalidade marcante de Clare é perfeitamente moldada por Ruth Negga, que carrega em cada gesto a singularidade da personagem, sua postura e risada sempre extrovertidas revelam o quanto passar tantos anos vivendo como uma pessoa branca deram a ela uma confiança inabalável. Amparada por uma falsa segurança, ela afirma o que há de audacioso em si na circunstância de ser vista como parte de um privilégio em que a opressão nunca sequer foi uma possibilidade. Irene contraria esse comportamento – ainda que, coragem e confiança fossem características fortes dentro dos </span><a href="https://www.politize.com.br/movimento-negro/"><span style="font-weight: 400;">movimentos negros</span></a><span style="font-weight: 400;">– quando está em espaços intolerantes, anda com a cabeça baixa e faz gestos suaves e comedidos. Mesmo com a capacidade de se passar como branca, ela transborda um </span><a href="https://revistaperiferias.org/materia/que-se-afaste-o-medo/"><span style="font-weight: 400;">medo</span></a><span style="font-weight: 400;"> que Tessa Thompson sabe traduzir de maneira impecável.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com a escolha de uma fotografia (responsabilidade de Eduard Grau) em formato quadrado e em </span><a href="https://screenrant.com/passing-movie-black-white-cinematography-story-why/"><span style="font-weight: 400;">preto e branco</span></a><span style="font-weight: 400;">, a direção de arte nos leva a uma verdadeira viagem no tempo e, em paralelo, concretiza as sensações de tensão e angústia que permeiam a narrativa. Os tons de cinza, preto e branco conferem aos personagens contrastes únicos e bastante simbólicos, as protagonistas aparecem em tons claros, o que reforça a questão da </span><a href="https://www.intrinseca.com.br/blog/2021/06/a-passabilidade-e-a-politica-de-embranquecimento/"><span style="font-weight: 400;">passabilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e capacidade de camuflagem dentro da sociedade.</span></p>
<figure id="attachment_26408" aria-describedby="caption-attachment-26408" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26408" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2..jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na fotografia aparecem os personagens Clare Bellew, interpretada por Ruth Negga, e ao lado direito da imagem o marido, John Bellew, interpretado por Alexander Skarsgård. A cena é em preto e branco, ela aparece com os cabelos soltos e expressa um sorriso, ele está com os cabelos penteados para trás e usa uma barba curta. " width="800" height="519" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2..jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-2.-768x498.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-26408" class="wp-caption-text">O filme foi lançado durante o Festival de Sundance de 2021, e logo na sequência adquirido para distribuição pela Netflix (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A dinâmica da casa da família Redfield no </span><a href="https://amsterdamnews.com/news/2021/11/11/passing-brings-harlem-in-the-20s-to-netflix/"><span style="font-weight: 400;">Harlem</span></a><span style="font-weight: 400;"> muda após a chegada de Clare e traz à tona sensações de desconforto em Irene, que aos poucos começa a se incomodar com os sentimentos dos filhos e do marido Brian Redfield (</span><a href="https://www.instyle.com/celebrity/andre-holland-interview-passing-2021"><span style="font-weight: 400;">Andre Holland</span></a><span style="font-weight: 400;">) em relação a amiga. Como a própria Clare diz em um certo ponto do longa, ela faria de tudo para recuperar o que perdeu e isso dá a entender que roubar a vida de Irene para si é uma possibilidade. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo que o enredo deixe a </span><a href="https://www.pondoascartasnamesa.com/post/rivalidade-feminina-quem-ganha-com-isso"><span style="font-weight: 400;">rivalidade feminina</span></a><span style="font-weight: 400;"> entre elas em foco na história, </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> acaba desencadeando em suas entrelinhas a interpretação de que a relação delas poderia ser mais que apenas amizade. Os olhares e a inquietação presente nas cenas em que as duas interagem, deixam no ar a possibilidade de uma </span><a href="https://divamag.co.uk/2021/11/12/review-passing-netflix/"><span style="font-weight: 400;">atração romântica</span></a><span style="font-weight: 400;">. A hipótese parece ainda mais viável quando em um diálogo com o amigo Hugh (</span><a href="https://personaunesp.com.br/o-gambito-da-rainha-critica/"><span style="font-weight: 400;">Bill Camp</span></a><span style="font-weight: 400;">), Irene fala sobre o efeito de curiosidade que Clare causava nas pessoas.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma vez que a palavra passabilidade é sobre a capacidade de se encaixar em uma identidade diferente da originária, tanto o título original quanto o traduzido adquirem um significado ideal para a trama e todas as suas possibilidades. Da vida falsa que Clare leva a todas as camadas que Irene esconde, elas se passam, e misturadas ao preto e branco da tela se encontram em seus tons de cinza em comum. A leitura de terceiros e o que enxergam nas personagens não as faz menos pertencentes à racialidade negra, ainda assim, as coloca em uma posição em que partilham de vivências carregadas de incertezas sobre si mesmas. </span></p>
<figure id="attachment_26409" aria-describedby="caption-attachment-26409" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26409" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03.jpg" alt="Fotografia dos bastidores do filme Identidade. Na imagem aparecem as atrizes Ruth Negga e Tessa Thompson e a diretora Rebecca Hall. As três estão no cenário do café, Ruth é uma mulher negra e veste um vestido rosa e um sobretudo preto, Tessa é uma mulher negra e usa um vestido cinza e um chapéu bege, Rebecca é uma mulher de pele branca e veste um moletom vinho e uma saia preta. É possível ver o microfone e plantas ao fundo da foto. " width="2560" height="1707" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1536x1024.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-2048x1366.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/imagem-03-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26409" class="wp-caption-text"><i>Rebecca Hall </i><a href="https://www.rogerebert.com/chazs-blog/passing-director-rebecca-hall-learns-the-truth-of-her-family-history-on-finding-your-roots"><i>contou</i></a><i> que escolheu produzir, escrever e dirigir Identidade por causa de suas raízes afro-americanas (Foto: Netflix)</i></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto ao racismo, este poucas vezes precisa ser dito em palavras para fazer parte do contexto, com comportamentos de personagens secundários e diálogos rápidos a história revela o quanto a </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2016/11/01/internacional/1478010009_616978.html"><span style="font-weight: 400;">segregação racial</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos Estados Unidos construiu uma vivencia temerária para a população negra. Os espaços ainda inacessíveis para os afrodescendentes e os </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2016/01/160110_eua_segregacao_fn"><span style="font-weight: 400;">bairros</span></a><span style="font-weight: 400;"> habitados exclusivamente por um grupo racial mostram o preconceito como uma parte natural da vida norte-americana. Além disso, brancos dizerem abertamente que odiavam pessoas negras era normalizado, e é algo que o próprio marido de Clare declara. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da discriminação, Irene se mostra totalmente alheia ao estado político e social alarmante em que vive, talvez por estar em um estado de apatia em que imagina que o máximo que pode acontecer é ser chamada pela </span><a href="https://www.efigenias.com.br/2010/10/n-word-o-que-e-afinal.html"><i><span style="font-weight: 400;">n-word</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Brian contraria esse comportamento e se mostra muito preocupado com a segurança da família, mas toda vez que tenta contar aos filhos sobre as mortes e torturas, é cortado por Irene e seu ideal de que proteger as crianças é omitir o que acontece. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto presente na trama que chama atenção, é a relação da senhora Redfield com a empregada de sua casa. Quase todas as interações entre elas são ordens em cenas que sempre vêm acompanhadas de um serviço doméstico. O foco da filmagem nesses momentos, inconscientemente nos leva a questionar sobre a desigualdade existente dentro das </span><a href="https://www.politize.com.br/o-que-sao-minorias/"><span style="font-weight: 400;">minorias sociais</span></a><span style="font-weight: 400;">. Zu (Ashley Ware Jenkins) é uma mulher retinta que está em um lugar de menos oportunidades em relação à pessoas negras de pele clara, essa perspectiva evidencia a disparidade inserida nos grupos minoritários e a habitualidade que coloca pessoas mais distantes das camadas dominantes proporcionalmente distantes da ascensão e aceitação social.</span></p>
<figure id="attachment_26410" aria-describedby="caption-attachment-26410" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26410" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5.jpg" alt="Cena do filme Identidade. Na imagem aparece Irene parada em frente a um ônibus, a  fotografia é em preto e branco. A personagem usa um chapéu e uma blusa de manga três quartos em tons claros, usa uma bolsa de mão e um colar de contas e segura sacolas de compras. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26410" class="wp-caption-text">“É fácil para um negro se passar por branco, não tenho certeza se seria simples um branco se passar por negro” (Foto: Netflix)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao contrário do que era esperado, </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi esnobado pelo </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60303561"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a><span style="font-weight: 400;">: a expectativa era a de que Tessa e Ruth recebessem indicações de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. Entretanto, a presença do filme não foi esquecida por outras premiações. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Gotham Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2021, recebeu cinco nomeações, assim como apareceu na lista de vencedores do </span><i><span style="font-weight: 400;">Black Film Critics Circle Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> do mesmo ano. No </span><i><span style="font-weight: 400;">BAFTA Awards</span></i><span style="font-weight: 400;"> e no </span><i><span style="font-weight: 400;">SAG</span></i><span style="font-weight: 400;"> (Sindicato dos Atores), Negga foi lembrada, assim como no Globo de Ouro. </span><i><span style="font-weight: 400;">Passing </span></i><span style="font-weight: 400;">também apareceu nas listas do </span><i><span style="font-weight: 400;">Film Independent Spirit Awards</span></i><span style="font-weight: 400;">, premiação independente mais importante dos EUA, e Negga venceu o prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante</span><span style="font-weight: 400;">. Rebecca Hall ainda apareceu na prestigiosa lista do Sindicato dos Diretores, na categoria de Estreante.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;"> abandona a ideia de uma narrativa impetuosa e direta e escolhe retratar a temática racial com suavidade, constituindo uma atmosfera que carrega muito de si dentro das entrelinhas e permite uma pluralidade de percepções admirável. Ao ser desenvolvida um momento temporal que ao mesmo tempo nos parece tão distante e – infelizmente – tão próximo, a produção abraça uma reflexão sobre </span><a href="https://cienciahoje.org.br/artigo/a-relacao-entre-branquitude-e-privilegio/"><span style="font-weight: 400;">privilégios</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://www.politize.com.br/colorismo/"><span style="font-weight: 400;">colorismo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="http://jornalismojunior.com.br/a-descoberta-da-negritude/"><span style="font-weight: 400;">pertencimento</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim, a obra cumpre seu propósito de uma maneira muito bem aplicada enquanto passa longe de reconfortante, aliás, é aflita. A ausência de uma abordagem enérgica faz com que, como na vida, não consigamos julgar as atitudes dos personagens de forma extrema ou bem definida, afinal, cada um tem suas razões e não há como simplesmente escancarar o que é certo ou não. Ao fim, entre sobreviver pela metade ou viver inteiro e acompanhado pelo medo, em </span><i><span style="font-weight: 400;">Identidade</span></i><span style="font-weight: 400;">, nenhuma das opções parece contemplar o mínimo de justiça.</span></p>
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