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	<title>Arquivos Ben Stiller &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 20 anos, Madagascar se remexia muito pela primeira vez</title>
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		<pubDate>Wed, 02 Jul 2025 12:39:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Em 2005, Madagascar chegou aos cinemas com uma proposta ousada: transformar a história de quatro animais em uma jornada existencial sobre liberdade, identidade e pertencimento. Alex (Ben Stiller), Marty (Chris Rock), Melman (David Schwimmer) e Glória (Jada Pinkett Smith) viviam no conforto do Zoológico do Central Park, cercados de comida, cuidados veterinários e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/madagascar-20-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 20 anos, Madagascar se remexia muito pela primeira vez"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35440" aria-describedby="caption-attachment-35440" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35440" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-1-800x450.jpg" alt="Cena do filme Madagascar. Na imagem, os quatro personagens principais — Alex, o leão; Marty, a zebra; Melman, a girafa; e Gloria, a hipopótamo — estão em uma praia tropical. Eles estão lado a lado, parecendo surpresos e confusos. Ao fundo, há um mar azul brilhante e céu limpo. A areia é clara, a iluminação é forte e ensolarada, transmitindo o clima de um ambiente quente. Os personagens estão posicionados de frente, encarando algo fora da imagem." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-1.jpg 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35440" class="wp-caption-text">Madonna, Jennifer Lopez e Gwen Stefani chegaram a ser cotadas para dar voz à personagem Glória. (Foto: DreamWorks Animation)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2005, </span><i><span style="font-weight: 400;">Madagascar</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou aos cinemas com uma proposta ousada: transformar a história de quatro animais em uma jornada existencial sobre liberdade, identidade e pertencimento. Alex (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-2a-temporada-de-ruptura/"><span style="font-weight: 400;">Ben Stiller</span></a><span style="font-weight: 400;">), Marty (Chris Rock), Melman (David Schwimmer) e Glória (Jada Pinkett Smith) viviam no conforto do Zoológico do Central Park, cercados de comida, cuidados veterinários e aplausos diários. Mas quando Marty decide fugir do seu lar para conhecer o mundo real, a sua fuga desencadeia uma série de eventos que os levam até a ilha de Madagascar. Lá, eles têm contato com seu habitat natural pela primeira vez e começam a repensar o que é ter uma vida ‘normal’. O filme, com sua leveza, toca em temas mais profundos do que aparenta.</span><span id="more-35439"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A crítica aos zoológicos é sutil, mas presente. Mesmo que bem alimentados, os animais vivem enjaulados e têm suas personalidades moldadas por expectativas humanas. Marty pressente que algo está errado, mesmo sem saber explicar o real problema. Sua vontade de correr livremente é reprimida por olhares bem-intencionados, porém controladores. Em contraponto</span><span style="font-weight: 400;">,</span><span style="font-weight: 400;"> Alex é um símbolo do animal domesticado, um predador que virou atração turística, condicionado a saborear bifes e posar para fotos. Quando o instinto aparece, o leão entra em colapso, revelando a contradição entre o que ele é e o que esperam dele. A “</span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/ckrrlm44r5mo"><span style="font-weight: 400;">jaula dourada</span></a><span style="font-weight: 400;">” do parque se mostra, afinal, apenas uma cela disfarçada. </span></p>
<p><figure id="attachment_35441" aria-describedby="caption-attachment-35441" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35441" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-2-800x485.jpg" alt="Cena do filme Madagascar. Na imagem mostra Alex, parte do corpo de Melman e Glória no metrô de Nova York. Eles estão com a expressão de entediados, esperando chegar no destino final. Os tons ao fundo são quentes, com bancos amarelos e vermelhos, propagandas e outdoors." width="800" height="485" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-2-800x485.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-2-1024x621.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-2-768x465.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-2-1536x931.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-2-2048x1241.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-2-1200x727.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35441" class="wp-caption-text">Os dubladores brasileiros dos personagens são: Alexandre Moreno (Alex), Felipe Grinnan (Marty), Ricardo Juarez (Melman) e Heloísa Périssé (Glória) [Foto: DreamWorks Animation]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">O longa deixa claro que conforto não é sinônimo de felicidade. A rotina do</span><i><span style="font-weight: 400;"> zoo</span></i><span style="font-weight: 400;"> é segura, ainda assim também anestesiante. Ao sair para o mundo, os protagonistas se deparam com o caos, o medo e a falta de controle – no entanto também com a descoberta, a empolgação e a liberdade. A mudança de ambiente, tão rejeitada inicialmente, passa a ser uma oportunidade de crescimento. Não é à toa que, ainda que podendo voltar para </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-ultima-noite-critica/"><span style="font-weight: 400;">Nova York</span></a><span style="font-weight: 400;">, os personagens escolhem continuar na selva. A ideia de que romper com a rotina é um risco necessário para se viver plenamente aparece com força, especialmente no arco de Alex, que precisa reaprender a ser ele mesmo longe dos holofotes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A rejeição ao cárcere de animais é reforçada quando percebemos que a domesticação do leão fez dele um ser incapaz de lidar com sua própria natureza. Ele não sabe caçar, teme machucar os amigos e se culpa por sentir fome. A animação propõe uma reflexão sobre o impacto psicológico do cativeiro, apesar de quando ele vem embalado em luxo. A sociedade que o reverencia também o castra, impedindo que ele viva sua verdadeira essência. É essa contradição que torna sua trajetória tão interessante. </span><a href="https://herois.fandom.com/pt-br/wiki/Alex_(Madagascar)"><span style="font-weight: 400;">Alex</span></a><span style="font-weight: 400;"> não quer ser selvagem, mas também não quer ser mais uma farsa. Sua transformação se dá no encontro entre os dois mundos e na escolha de construir uma nova forma de existir. </span></p>
<figure id="attachment_35443" aria-describedby="caption-attachment-35443" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35443" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar.jpeg" alt="Cena do filme Madagascar. Na imagem mostra os quatro pinguins do filme: Kowalski, Capitão, Recruta e Rico. Os animais estão tomando sol, segurando uma placa de alumínio para se bronzearem, seus rostos já vermelhos. Eles estão sentados em cadeiras de praia improvisadas e estão acenando para algo." width="600" height="323" /><figcaption id="caption-attachment-35443" class="wp-caption-text">Os pinguins fizeram tanto sucesso que ganharam um filme próprio em 2014 (Foto: DreamWorks Animation)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto isso, os coadjuvantes trazem energia e ‘absurdo’. Os </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4jsFpmFWOSs"><span style="font-weight: 400;">pinguins</span></a><span style="font-weight: 400;">, com sua rebeldia organizada, funcionam como uma sátira ao espírito militar norte-americano: agem como uma tropa de elite, com hierarquia rígida, missões secretas e confiança exagerada, mesmo quando suas ações beiram o absurdo. Sua busca por autonomia — como na fuga meticulosamente planejada para a Antártida — expõe a contradição de certas utopias, mostrando que o ‘lar’ idealizado também pode ser inóspito. Julien e os lêmures representam uma fauna que, mesmo livre, vive sob regras próprias e delírios de grandeza. Essas interações reforçam a mensagem de que liberdade não é fazer o que se quer, ainda que entender as consequências disso. Cada grupo simboliza um tipo de prisão: física,  mental e  cultural. E escapar delas exige mais do que uma fuga – exige consciência.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Visualmente, o longa-metragem aposta no contraste: os cenários tropicais e realistas contrastam com os animais de traços caricatos e movimentos exagerados. Essa escolha reforça a sensação de deslocamento dos personagens, que parecem alienígenas em seu próprio habitat. A trilha sonora – com destaque para </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PLEQRIisP_Q"><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">I Like to Move It</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span></a><span style="font-weight: 400;"> – dá o tom festivo, mas também esconde as tensões em jogo. A comédia se sustenta nas situações absurdas, mas é no subtexto que o filme se torna relevante. Ao rir dos dilemas dos animais, o público é convidado a refletir sobre sua própria relação com a rotina, controle e liberdade. E nesse momento, </span><i><span style="font-weight: 400;">Madagascar</span></i><span style="font-weight: 400;"> vai além do entretenimento. </span></p>
<figure id="attachment_35444" aria-describedby="caption-attachment-35444" style="width: 686px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35444" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/07/madagascar-4-1.jpg" alt="Cena do filme Madagascar. Na imagem tem foco em Rei Julien e Maurice, dois lêmures. Ao fundo, Martin parece feliz, assim como Glória, já Alex e Melman parecem confusos e desconfiados. Os animais se encontram na floresta." width="686" height="386" /><figcaption id="caption-attachment-35444" class="wp-caption-text">Os lêmures do filme são inspirados em animais endêmicos de Madagascar (Foto: DreamWorks Animation)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo com sua estrutura simples, o filme acerta ao propor que o conforto da rotina nem sempre é sinônimo de vida plena. O medo da mudança é real, mas a repetição eterna de dias previsíveis pode ser ainda mais limitante. A selva, com seus perigos e incertezas, se mostra um espaço fértil de transformação. </span><a href="https://madagascar.fandom.com/wiki/Alex"><span style="font-weight: 400;">Alex</span></a><span style="font-weight: 400;"> e seus amigos descobrem que é possível se reinventar fora das jaulas – físicas ou emocionais – e que a vida, embora imperfeita, precisa ser vivida em movimento. Ao longo da história, todos aprendem que mudar não é apenas uma possibilidade, mas uma necessidade para crescer e se conhecer.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Passadas duas décadas, </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-madagascar/"><i><span style="font-weight: 400;">Madagascar</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> continua relevante por falar de um dilema que ainda enfrentamos: viver confortavelmente preso ou arriscar-se em busca de algo autêntico. A crítica ao aprisionamento – dos animais e das pessoas – ganha força em tempos que se discute o bem-estar animal, saúde mental e propósito de vida. O longa nos lembra que não basta sobreviver: é preciso viver com intenção. E que, às vezes, para descobrir quem somos, é preciso abrir a jaula, mesmo que ela pareça segura.  </span></p>
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		<title>2.ª temporada de Ruptura atualiza o conto de Orfeu e Eurídice enquanto lida com a crise existencialista</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Apr 2025 17:55:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Depois do grande sucesso da temporada de estreia, a expectativa para a sequência de Ruptura era enorme. No entanto, apesar da ansiedade dos fãs, Severance (no original) retornou três anos depois, um tempo considerável levando em conta a velocidade com que se produz séries atualmente para agradar a demanda do público. Contudo, se &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-2a-temporada-de-ruptura/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "2.ª temporada de Ruptura atualiza o conto de Orfeu e Eurídice enquanto lida com a crise existencialista"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35163" aria-describedby="caption-attachment-35163" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35163" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1-800x450.webp" alt="Em primeiro plano está Mark, coberto de sangue em seu rosto e sua gola. Ao fundo, desfocada, está Hellen. Ambos estão em um corredor iluminado de vermelho. Mark esta de costas para Helen, que olha em direção a Mark." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-1.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35163" class="wp-caption-text">A série revigora o conto de Orfeu e Eurídice (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois do grande sucesso da temporada de estreia, a expectativa para a sequência de </span><a href="https://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> era enorme. No entanto, apesar da ansiedade dos fãs, </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance</span></i><span style="font-weight: 400;"> (no original) retornou três anos depois, um tempo considerável levando em conta a velocidade com que se produz séries atualmente para agradar a demanda do público. Contudo, se o preço para uma produção de qualidade é o tempo, então que se espere mais alguns anos para a continuação, pois a 2.ª temporada mantém o nível, ao colocar Mark S. (Adam Scott) e outros internos em crise existencialista, sem perder de vista as críticas ao sistema capitalista e as jornadas de trabalho.</span></p>
<p><span id="more-35158"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira cena, em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PNBoiETT4SA"><i><span style="font-weight: 400;">Olá, senhora Cobel</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, já nos apresenta a uma das características dessa </span><i><span style="font-weight: 400;">season</span></i><span style="font-weight: 400;">. Como a anterior</span> <span style="font-weight: 400;">se encerra no clímax, era esperado que retornasse naquele exato momento. Ledo engano. Ben Stiller e Dan Erickson deslocam o espectador com um suposto salto temporal. Desta forma, temos a mesma sensação dos internos, enclausurados, ansiosos, e, ao mesmo tempo, entediados, pois, intencionalmente, o capítulo joga um balde de água fria e quebra o ritmo que estava se construindo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quebra de expectativa é fundamental na construção de uma ideia: qualquer luta que permita a manutenção do </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ruptura-1a-temporada/"><span style="font-weight: 400;">sistema</span></a><span style="font-weight: 400;">, será uma luta apenas pelos direitos básicos. Apesar de todo o esforço do quarteto, suas grandes conquistas foram necessidades imprescindíveis no ambiente de trabalho, mas nenhuma mudança significativa quanto a vida e a existência. Ao final da revolta e tudo o que vivenciaram, eles devem voltar ao serviço imediatamente.</span></p>
<figure id="attachment_35161" aria-describedby="caption-attachment-35161" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35161" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2-800x450.webp" alt="Na imagem estão Mark e Helen em um corredor branco. Mark está à esquerda, usando um terno azul, segurando Helen pelos ombros e olhando fixamente para ela. À direita está Helen, ela está com uma blusa azul claro. Ela segura Mark um pouco acima da cintura e olha para os olhos dele. Ambos expressam certa preocupação no olhar." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2-800x450.webp 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2-1024x576.webp 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2-768x432.webp 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2-1200x675.webp 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-2.webp 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35161" class="wp-caption-text">Ruptura foi lançada em 2022 (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A despeito dessas críticas, a temporada vai para um lado muito mais existencialista. Os internos começam a ter suas ‘primeiras vezes’, começando na </span><i><span style="font-weight: 400;">season finale </span></i><span style="font-weight: 400;">e tendo continuidade durante os novos 10 episódios; a primeira vez que viram o céu, que beijam, que dormem, que fazem sexo, que se apaixonam, que vivem de verdade. Todavia, junto com a vida, vem a morte. Após experimentarem serem humanos e voltarem à condição normal, ver seus desejos e necessidades serem negados faz eles optarem pela morte. Chocante é o momento em que Irving (John Turturro) é ‘assassinado’ em frente aos seus amigos, ou que Dylan (Zach Cherry) pede demissão, o que para os internos é sinônimo de suicídio. Os roteiristas e os diretores dos episódios </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ruptura-2x04-woes-hollow/"><i><span style="font-weight: 400;">Vale da Aflição</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=klq8dnKz0S4"><i><span style="font-weight: 400;">Depois do Expediente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, são muito precisos em representar de maneira forte e melancólica, enquanto os funcionários da LUMON lidam com normalidade, causando uma certa estranheza.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro do contexto geral, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vale da Aflição</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o capítulo que melhor integra o existencialismo com as críticas ao sistema, além de fazer essa ponte entre essa mudança de foco temático. Ben Stiller lida com a solidão e a falta de amor dentro do capitalismo. O foco é colocar os personagens em um contexto desconfortável, jogando um contra o outro. Nesse sentido, Helena e Irving são o destaque, por meio da rivalidade estabelecida desde </span><i><span style="font-weight: 400;">Ola, senhora Cobel</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos se sentem sozinhos, por diferentes motivos: Helena (Britt Lower) não recebe amor do pai, demonstrando como as relações familiares se tornam palco para negócios – ao estilo </span><a href="https://personaunesp.com.br/succession-4a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Succession</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2018) –, e Irving perde Burt para a aposentadoria, evidenciando o descaso das empresas com seus funcionários. Enquanto a primeira finge ser o seu duplo (Helen) para receber afeto de Mark, Irving transforma seus sentimentos em revolta, culminando em um sacrifício em prol dos seus amigos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De maneira gradual, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i><span style="font-weight: 400;"> sedimenta o caminho para a revolta dos internos. A partir de </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ruptura-2x05-trojans-horse/"><i><span style="font-weight: 400;">Cavalo de Troia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Mark S. começa a se enxergar cada vez mais como uma pessoa, aceitando seus sentimentos por Helen e tentando viver, ainda que em um contexto desfavorável. Existe uma certa ironia, muito bem trabalhada sobre o fato de que, apesar de todas as críticas ao ambiente de trabalho, é nele em que aprendemos a viver um pouco. Conhecemos outras pessoas, fazemos amizades, namoramos e criamos laços. Enquanto isso, os externos não conseguem tocar a sua vida. Mesmo para Dylan que tem mulher e filhos, ele aparenta ser muito infeliz. Todos os ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">out</span></i><span style="font-weight: 400;">’</span> <span style="font-weight: 400;">estão muito sozinhos, não importa quantas pessoas o cercam. Paralelamente, os seus duplos conseguiram criar vínculos muito fortes entre si.</span></p>
<figure id="attachment_35162" aria-describedby="caption-attachment-35162" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35162" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-3-800x450.jpg" alt=" Na imagem estão Helen, Mark, Irving e Dylan, nesta exata ordem. Helen está mais ao fundo e Dylan mais próximo da imagem. Os quatro estão com blusas de frio pretas e um gorro da mesma cor. Todos olham para algo fora do plano, à esquerda." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/ruptura-3.jpg 882w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35162" class="wp-caption-text">A série já está renovada para a terceira temporada (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A segunda temporada aposta cada vez mais no mistério, parecendo, em certos momentos, </span><a href="https://www.planocritico.com/especial-lost/"><i><span style="font-weight: 400;">Lost</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, só que um pouco mais galhofa. Antes de falar sobre o que o suspense constrói, é preciso dar o contraponto. Por vezes, a série se perde demais criando suspense para manter uma atmosfera interessante, mas vazia; suspense pelo suspense. Contudo, isto ocorre em episódios muito específicos, durante os dez capítulos, essa construção é muito bem pensada na concepção do universo, como se a LUMON conferisse a si mesma um valor de cultuação. Os gestos e falas cadenciados dos funcionários de alto escalão da empresa, a mitologia ao redor do Kier, as fantasias pagãs e as cabras transmitem uma religiosidade, que é adotada por algumas pessoas, como visto em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IzUDYw1BFaI"><i><span style="font-weight: 400;">Doce Vitríolo</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentro dessa perspectiva, </span><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i><span style="font-weight: 400;"> lida com o quanto as marcas influenciam em nossas vidas. </span><i><span style="font-weight: 400;">McDonald&#8217;s</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Nike</span></i><span style="font-weight: 400;"> e diversas outras, são direta e indiretamente influentes na maneira como enxergamos e experimentamos o mundo. O </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz essas críticas a partir dos exageros, porém, é muito preciso em sua abordagem. Não há cinismo na paródia, nem mesmo um ar de superioridade, há apenas a representação por meio do escárnio. Talvez, esta seja a melhor forma de ilustrar a realidade insana, na qual empresas tentam se humanizar a partir de perfis </span><i><span style="font-weight: 400;">online</span></i><span style="font-weight: 400;">, de uma busca por autoridade própria – como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=J9YBhdAoJSk"><i><span style="font-weight: 400;">A24</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">–, enquanto os trabalhadores são cada vez mais desumanizados.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda nessa linha, é interessante o arco de Milchick (Tramell Tillman). A busca pelo reconhecimento do conselho. As cobranças em cima de acontecimentos que estavam fora de seu controle e a tentativa de maquinizá-lo, o levavam a jornadas abusivas e acabavam com o seu psicológico. A grande mudança vem em </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-ruptura-2x09-the-after-hours/"><i><span style="font-weight: 400;">Depois do Expediente</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando Mark não vai ao trabalho, sem dar grandes explicações, apenas dando a entender que tinha algo mais importante para fazer. Esse acontecimento cai como uma grande revelação, fazendo com que o personagem continue sua jornada sob outra perspectiva.</span></p>
<figure id="attachment_35164" aria-describedby="caption-attachment-35164" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35164" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-800x450.jpeg" alt="Em primeiro plano está Mark, caminhando em direção a câmera, com um terno, uma camisa branca e uma gravata. Ele está com o rosto e as roupas ensanguentadas, e olha fixamente para algo fora do plano, iluminado por uma luz branca. Ao fundo desfocado, sob uma luz vermelha está uma porta, com uma pequena janela nela. Gemma está atrás desta janela. Ela está com as mãos e o rosto ensanguentados e grudados na porta, olhando desesperadas para Mark." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4-1200x675.jpeg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/Ruptura-4.jpeg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35164" class="wp-caption-text">⁠”Acho que esquecê-la durante oito horas do dia não é a mesma coisa que superar” (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na mitologia grega, </span><a href="https://educacao.uol.com.br/disciplinas/artes/orfeu-e-euridice-mitos-inspiram-a-arte.htm"><span style="font-weight: 400;">Orfeu</span></a><span style="font-weight: 400;"> foi ao submundo em busca de seu amor, Eurídice. Na tentativa de trazê-la de volta ao mundo dos vivos, o filho de Apolo faz um acordo com Hades e Perséfone: ele deve sair do submundo sem olhar para trás. Próximo a saída, Orfeu não resiste a tentação e ao olhar para trás, define o destino de sua amada ao mundo inferior.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i><span style="font-weight: 400;"> revigora o conto – assim como fez Céline Sciamma em </span><a href="https://www.planoaberto.com.br/critica/retrato-de-uma-jovem-em-chamas/"><i><span style="font-weight: 400;">O Retrato de Uma Jovem em Chamas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019) – ao colocar Mark como Orfeu, Gemma (Dichen Lachman) como Eurídice e Reghabi (Karen Aldridge) como Perséfone. Entretanto, é adicionado um novo elemento nesta história: Helen. Se Mark Scout ama Gemma, seu duplo é apaixonado por Helen. Por meio de muitas brigas, os dois Marks entram num acordo de salvar a personagem de Dichen Lachman, no entanto, quando eles resgatam ‘Eurídice’, é o interno quem está no comando. Ao olhar para trás, Mark S. encontra Helen. Ele rejeita seu criador e, de mãos dadas, volta para o inferno junto a sua amada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se tem algo que chama a atenção para o seriado, é a capacidade de entender o humano e seus sentimentos. Muitas séries se perdem ao colocá-los de lado para focar em um ‘evento maior’, mas </span><a href="https://www.planocritico.com/lista-ruptura-2a-temporada-os-episodios-ranqueados/"><i><span style="font-weight: 400;">Severance</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">entende como parte fundamental da construção do mundo e da tomada de decisões frente a estes grandes acontecimentos. Ainda que tenha morte, revoltas e outros assuntos grandiosos, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">opta por encerrar a temporada com o principal casal de mãos dadas correndo para o caos. Desta vez, foi Orfeu quem caiu no submundo.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=-m_DPp0Ht0o&amp;t=18s"><span style="font-weight: 400;" data-rich-links="{&quot;fple-t&quot;:&quot;Ruptura — Trailer oficial da 2.ª temporada | Apple TV+&quot;,&quot;fple-u&quot;:&quot;https://www.youtube.com/watch?v=-m_DPp0Ht0o&amp;t=18s&quot;,&quot;fple-mt&quot;:null,&quot;type&quot;:&quot;first-party-link&quot;}">Ruptura — Trailer oficial da 2.ª temporada | Apple TV+</span></a></p>
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		<title>Severance: pane no sistema, alguém me desconfigurou</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Jun 2022 16:40:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Veiga Burnout. Substantivo masculino. Palavra derivada do inglês, da junção de burn, “queima” mais out, “exterior”. Distúrbio psíquico ocasionado pelo excesso de trabalho, sendo capaz de levar alguém a exaustão extrema, estresse generalizado e esgotamento físico, comumente conhecido como Esgotamento Profissional ou Síndrome do Esgotamento Profissional. Em função do estrangulamento de tempo causado pelo &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ruptura-severance-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Severance: pane no sistema, alguém me desconfigurou"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27873" aria-describedby="caption-attachment-27873" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27873" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-1-definitiva.jpg" alt="Cena da série Severance. Nela estamos vendo os personagens Mark, Dylan e Irving. Eles estão nas repartições do escritório, dividido em quatro partes. A câmera mostra a divisória que está vazia,composta de uma mesa branca e um computador antigo nas cores branca e azul, uma cadeira cinza e duas divisórias verdes. Mark, um homem branco de cabelos pretos está de frente para essa mesa vazia e de costas para a câmera, enquanto olha para ela. Ele veste um terno cinza e em sua testa há um band-aid azul. Irving, um homem branco de cabelos brancos está de frente para Mark, e olha para câmera pela fresta das divisórias. Dylan, um homem branco de cabelos pretos cacheados, está à esquerda da mesa vazia e aparece somente da testa para cima." width="1200" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-1-definitiva.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-1-definitiva-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-1-definitiva-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-1-definitiva-768x320.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27873" class="wp-caption-text">A ficção científica da Apple TV+ se prova o maior acerto do streaming e do gênero em anos (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Veiga</b></p>
<p><a href="https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/sindrome-de-burnout-esgotamento-profissional/"><i><span style="font-weight: 400;">Burnout</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">.</span></i><span style="font-weight: 400;"> Substantivo masculino. Palavra derivada do inglês, da junção de </span><i><span style="font-weight: 400;">burn</span></i><span style="font-weight: 400;">, “queima” mais </span><i><span style="font-weight: 400;">out</span></i><span style="font-weight: 400;">, “exterior”. Distúrbio psíquico ocasionado pelo excesso de trabalho, sendo capaz de levar alguém a exaustão extrema, estresse generalizado e esgotamento físico, comumente conhecido como Esgotamento Profissional ou Síndrome do Esgotamento Profissional. Em função do estrangulamento de tempo causado pelo mundo moderno, o termo é muito discutido e recentemente, saídas vêm sendo postas a prova, como o debate acerca de uma implementação da </span><a href="https://economia.ig.com.br/parceiros/edicase/2022-05-09/semana-de-trabalho-com-4-dias-tem-ganhado-espaco-em-empresas.html"><span style="font-weight: 400;">redução da carga horária para quatro dias</span></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i><span style="font-weight: 400;">), a nova queridinha do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, a alternativa é bem mais distópica.</span></p>
<p><span id="more-27872"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A série acompanha o departamento de Mark (Adam Scott) em uma empresa onde é possível, através do processo de ruptura, separar sua vida pessoal do seu “eu” do trabalho, criando personalidades e consciências distintas para a mesma pessoa. Você, trabalhador que chegou até aqui, já deve ter discordado e achado essa ideia na verdade bem utópica. E isso é totalmente compreensivo, porque o próprio criador </span><a href="https://www.instagram.com/instadan360/?hl=pt"><span style="font-weight: 400;">Dan Erickson</span></a><span style="font-weight: 400;">, estreando no formato televisivo, desenvolveu a ideia enquanto estava no porre do escritório. Porém, o </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, como uma das melhores ficções científicas do audiovisual nos últimos tempos, extrapola o conceito ao máximo, invertendo todo esse mar de rosas.</span></p>
<figure id="attachment_27875" aria-describedby="caption-attachment-27875" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27875" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/severance-dance.gif" alt="GIF de uma das cenas de Severance. Nele, Milchik e Mark aparecem dançando. Milchik é um homem negro de cabelos pretos. Ele veste uma calça social e um suéter branco de gola alta. Mark veste um terno cinza com camisa branca. A câmera gira por eles e o escritório está emitindo luzes azuis e vermelhas." width="800" height="534" /><figcaption id="caption-attachment-27875" class="wp-caption-text">Milchik aqui funciona como uma personificação da positividade tóxica de Byung-Chul Han (GIF: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O criador, aqui, desenvolve uma camada própria de seu “Inferno de Dan” ao desvirtuar completamente as relações trabalhistas as quais inconscientemente aceitamos. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i><span style="font-weight: 400;"> inovou ao trazer humor ao mundo corporativo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance </span></i><span style="font-weight: 400;">inova ainda mais ao trazer um suspense de ficar na ponta do sofá e um sentimento de estranhamento para esse meio. Na série, a burocracia, corporativismo, monotonia e as frias relações entre departamentos assustam. E tudo isso piora com uma ambientação desconfortavelmente minimalista e milimetricamente planejada em um molde meio </span><a href="http://lounge.obviousmag.org/guilhotina/2014/03/wes-anderson-simetria.html#:~:text=Era%20a%20elegante%20simetria%20de,toda%20a%20filmografia%20do%20diretor."><span style="font-weight: 400;">Wes Anderson de ser</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aliás, é bem interessante notar como a série consegue agregar vários conceitos da ficção científica de uma forma extremamente original que façam com que a comparação com outras obras não seja nem um pouco contundente. Desde elementos de </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/brilho-eterno-de-uma-mente-sem-lembrancas#:~:text=Para%20quem%20gosta%20de%20colocar,)%20e%20pensar%20(muito)."><i><span style="font-weight: 400;">Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças</span></i></a><span style="font-weight: 400;">,</span> <span style="font-weight: 400;">com essa espécie de “perda de memória”, até mesmo à questão de se estar em um ambiente extremamente controlado trazida de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-show-de-truman-20-anos-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Show de Truman</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, tudo é construído de uma forma muito engenhosa e rica em detalhes, fugindo assim da mesmice de conceitos já apresentados anteriormente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Porém, uma das ideias mais frescas que a série traz são as de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3s4QSgKrTaw"><i><span style="font-weight: 400;">Backrooms</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O termo surgiu em meados de 2019 para identificar um gênero de lenda urbana de fóruns, assim como aconteceu com o Slenderman, e se trata de lugares </span><i><span style="font-weight: 400;">“entre realidades”</span></i><span style="font-weight: 400;"> simbolizados por salas —</span> <span style="font-weight: 400;">geralmente escritórios — desconfortáveis e intermináveis e já foi abordado principalmente em jogos como a </span><i><span style="font-weight: 400;">demo</span></i><span style="font-weight: 400;"> de Kojima e Del Toro, </span><a href="https://jovemnerd.com.br/blogs-e-colunas/escreve-mais-joga/por-que-o-p-t-e-melhor-que-muitos-jogos-de-terror/"><i><span style="font-weight: 400;">P.T</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e o </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">The Stanley Parable</span></i><span style="font-weight: 400;">. E logo nos primeiros minutos do piloto </span><i><span style="font-weight: 400;">Good News About Hell</span></i><span style="font-weight: 400;"> já é possível perceber isso através de um ótimo e angustiante plano-sequência e, futuramente, isso se intensifica com as bizarrices que os corredores da empresa </span><a href="https://www.linkedin.com/showcase/lumon-industries/"><span style="font-weight: 400;">Lumon</span></a><span style="font-weight: 400;"> escondem.</span></p>
<p><figure id="attachment_27876" aria-describedby="caption-attachment-27876" style="width: 1400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27876" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva.jpg" alt="Cena da série Severance. Nela, Irving e Burt, um homem branco de meia idade e de cabelos brancos, estão próximos, com as cabeças encostadas uma na outra. Burt veste uma roupa azul similar a um jaleco com uma camisa branca por baixo. Irving está com um terno preto, camisa azul clara e gravata azul. Eles estão rodeados por folhas verdes." width="1400" height="700" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva.jpg 1400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva-768x384.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-3-definitiva-1200x600.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27876" class="wp-caption-text">A relação entre Irving (John Turturro) e Burt (Christopher Walken) é uma grata surpresa da trama [Foto: Apple TV+]</figcaption></figure><span style="font-weight: 400;">Tal riqueza só se dá através de um trabalho cuidadosamente minucioso feito tanto por criação como produção. Dan Erickson desenvolve um texto extremamente complexo, que consegue incorporar questões filosóficas sobre o ser e lampejos religiosos à ficção científica. Já na produção, Ben Stiller (</span><a href="https://seriemaniacos.tv/escape-dannemora-historia-desespero/"><i><span style="font-weight: 400;">Escape at Danemmora</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://cinemacomrapadura.com.br/criticas/315142/a-vida-secreta-de-walter-mitty-2013-autoajuda-simpatica-por-ben-stiller/"><i><span style="font-weight: 400;">A Vida Secreta de Walter Mitty</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), que também assina parte da direção, comanda um </span><i><span style="font-weight: 400;">dream team </span></i><span style="font-weight: 400;">que consegue dar corpo a toda a grandiosidade do projeto. E um dos corações da série está no </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção, encabeçado aqui pela diretora de fotografia Jessica Lee Gagné.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gagné, que já tinha trabalhado com Ben Stiller em obras anteriores, a princípio nem queria assumir o posto em </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance</span></i><span style="font-weight: 400;">, tamanha a dificuldade de imprimir algo em um ambiente tão monótono. Porém, a fotografia por si só é um deleite à parte e te faz mergulhar naquele ambiente claustrofóbico. Uma das assinaturas da fotógrafa na série são as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=jtJzPp9wCFE"><span style="font-weight: 400;">transições</span></a><span style="font-weight: 400;"> dos externos (</span><i><span style="font-weight: 400;">outies</span></i><span style="font-weight: 400;">, as personas reais) para internos (</span><i><span style="font-weight: 400;">innies</span></i><span style="font-weight: 400;">, as personas do escritório) no elevador da empresa. Para isso,  é usada a técnica de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=u5JBlwlnJX0"><i><span style="font-weight: 400;">Dolly Zoom</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ou Efeito Vertigo, imortalizado por Alfred Hitchcock. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Ruptura</span></i><span style="font-weight: 400;">, a composição de um local apertado como o elevador faz com que o efeito distorça os próprios personagens ao invés do fundo, deixando assustadoramente nítida essa troca de consciência.</span></p>
<figure id="attachment_27877" aria-describedby="caption-attachment-27877" style="width: 2400px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27877" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva.jpg" alt="Cena da série Severance. Nela, Helly, uma mulher branca de cabelos ruivos aparece desacordada em uma mesa de reuniões, filmada de cima. Ela veste um vestido azul e está de bruços. A mesa é de madeira, tem doze cadeiras verdes e está sobre um tapete verde." width="2400" height="1350" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva.jpg 2400w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-4-definitiva-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27877" class="wp-caption-text">Com um dos melhores ganchos dos últimos tempos, a série já está renovada para uma segunda temporada (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Fechando os pilares por trás das câmeras, é impossível não dar os méritos para a direção. A função aqui é dividida entre Aoife McArdle (</span><i><span style="font-weight: 400;">Admirável Mundo Novo</span></i><span style="font-weight: 400;">) e Ben Stiller e os dois são um ingrediente crucial da obra. Mesmo o ator sendo extremamente ligado à comédia, na direção ele já mostrava que levava jeito para outras vertentes e </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance </span></i><span style="font-weight: 400;">é seu TCC com nota máxima. Em um universo de </span><a href="https://thesquad.com.br/space-force-netflix-review/?amp=1"><span style="font-weight: 400;">histórias com potencial</span></a><span style="font-weight: 400;"> que a indústria desperdiçou, a dupla consegue fazer com que a premissa interessante vá se desenvolvendo e se enriquecendo com paciência, para chegar ao </span><i><span style="font-weight: 400;">season finale</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">The We We Are</span></i><span style="font-weight: 400;">, sendo estarrecedor, de forma a parecer ser muito mais longo que seus 40 minutos, tamanha a sensação de sufocamento que eles conseguem imprimir no clímax da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">E aqui eles vão no cerne da ficção científica ao cultivar um existencialismo típico do gênero para conduzir suas questões éticas e morais. Desde a melancolia dos exteriores, que a princípio aceitaram o processo por questão de qualidade de vida, até mesmo a adaptação moderna do </span><a href="https://mundoeducacao.uol.com.br/filosofia/mito-caverna.htm"><span style="font-weight: 400;">Mito da Caverna</span></a><span style="font-weight: 400;"> que é feita com os internos, tudo é apresentado de uma forma muito sútil, concisa e cadenciada. Isso faz com que os questionamentos do espectador venham aos poucos com o desenvolver da história, de forma com que seja nutrida uma empatia com as personagens em seus dois &#8220;núcleos&#8221;, pois ambos espelham perguntas sobre nós mesmos, gerando um engajamento orgânico por parte de quem assiste.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por isso, você não deve maratonar </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em um mundo onde o </span><a href="https://www.inglesnapontadalingua.com.br/2018/08/o-que-significa-binge-watching.html"><i><span style="font-weight: 400;">binge-watching</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, graças à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, reinou por anos, e, assim como ela, </span><a href="https://blogs.correiobraziliense.com.br/proximocapitulo/maratonas-perdem-forca-no-streaming-e-episodios-semanais-estao-de-volta/"><span style="font-weight: 400;">está entrando em decadência</span></a><span style="font-weight: 400;">, a obra da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;"> é talvez a maior cabo eleitoral do </span><i><span style="font-weight: 400;">“reject modernity, embrace tradition”</span></i><span style="font-weight: 400;"> nessa questão. Seus episódios, mesmo que com ganchos fenomenais, são concebidos de maneira a serem digeridos um por vez, pois a série te joga no meio de duas realidades totalmente distintas e não se apressa para explicar as coisas, fazendo com que a confusão e os questionamentos dos dois mundos se repliquem em quem a assiste só que de forma muito mais potencializada. Além disso, a construção de mistérios dela é feita de forma única nos últimos anos, emulando o que a geração passada sentia acompanhando </span><i><span style="font-weight: 400;">Lost</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_27878" aria-describedby="caption-attachment-27878" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27878" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-5.gif" alt="GIF da série Severance. Nele, aparece uma televisão antiga com o personagem de Eagan em formato de um desenho pixelado. Ele é representado por um homem velho de barba volumosa branca e cabelo branco. Ele está falando com Mark, que observa a televisão" width="800" height="800" /><figcaption id="caption-attachment-27878" class="wp-caption-text">O culto a Eagan tem tudo para colocar alguns Emmys em seu altar (GIF: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para que tudo isso funcione no produto final, é necessário que a atuação esteja a altura. E grande parte do elenco entrega aqui o trabalho de suas carreiras. Interpretar mais de um papel é uma tônica até que recorrente, que vai desde viver gêmeos antagônicos em narrativas novelescas, troca de corpos feitas por artefatos mágicos e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yt8AX2PvB0U"><span style="font-weight: 400;">vilões com 27 personalidades</span></a><span style="font-weight: 400;">. Mas o trabalho que Adam Scott (</span><i><span style="font-weight: 400;">Parks and Recreation</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/big-little-lies-s2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Big Little Lies</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) desempenha aqui é surreal e vai além. Ele consegue transmitir a carga de estar sobrecarregando o corpo com duas personas distintas e transitar muito bem entre seus personagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O restante do departamento também não fica atrás. A Helly R. de Britt Lower (</span><i><span style="font-weight: 400;">Man Seeking Woman</span></i><span style="font-weight: 400;">) funciona aqui como o contraponto da história e a forma com que ela imprime o estranhamento do escritório faz com que seja a personagem mais próxima do público. Zach Cherry (</span><i><span style="font-weight: 400;">You</span></i><span style="font-weight: 400;">) desenvolve aos poucos um funcionário exemplar que começa a cair na real e é o que consegue imprimir os debates éticos imputados ao telespectador. E John Turturro (</span><a href="https://personaunesp.com.br/batman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Batman</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Grande Lebowski</span></i><span style="font-weight: 400;">) junto com Christopher Walken (</span><i><span style="font-weight: 400;">Click</span></i><span style="font-weight: 400;">) transmitem em tela um dos relacionamentos afetivos mais singelos dos últimos tempos. Já o Milchik de Trevor Tillman (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Godfather of Harlem</span></i><span style="font-weight: 400;">) e a Cobel de Patricia Arquette (</span><i><span style="font-weight: 400;">The Act</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Boyhood</span></i><span style="font-weight: 400;">) estão assustadoramente bens na composição de funcionários que não medem escrúpulos para fazer a empresa funcionar.</span></p>
<figure id="attachment_27879" aria-describedby="caption-attachment-27879" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27879" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Severance-Imagem-6.jpg" alt="Cena de Severance. Nela, Helly, uma mulher branca de cabelos ruivos aparece em uma tv antiga. Ela veste um vestido azul e a tv está sobre um carrinho em uma sala branca." width="700" height="291" /><figcaption id="caption-attachment-27879" class="wp-caption-text">O trabalho dos seus sonhos também pode ser o de seus pesadelos (Foto: Apple TV+)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Severance </span></i><span style="font-weight: 400;">é extremamente inventiva em seus conceitos e os executa de maneira primorosa. Sua escolha de se estruturar de uma forma intrigante é um de seus maiores acertos, fazendo uma crítica bem sutil, porém certeira, da sociedade cosmopolita e da máquina de moer silenciosa do capitalismo. Como uma ótima ficção científica, a série traz a distopia tão próxima do espectador e o encara até ele ficar desconfortável e começar a repensar a si próprio diante de uma realidade que, mesmo com a bagunça dos aparelhos oitentistas em conflito com o cenário futurista, é </span><a href="https://epipoca.com.br/atriz-comenta-como-serie-severance-se-conecta-ao-mundo-real/"><span style="font-weight: 400;">mais atual do que nunca</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inteligente e audaciosa, </span><i><span style="font-weight: 400;">Severance </span></i><span style="font-weight: 400;">é minimalista ao mesmo tempo que gigantesca e não se prende a um formato, transitando do humor ácido para o </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;"> de forma imperceptível e impecável. Belamente fotografada e narrativamente instigante, a obra, que apesar do lançamento modesto, conquistou seu espaço no boca a boca como nos velhos tempos, merece ser falada muito mais do que já é, até porque, em questão de série, não estamos falando apenas da funcionária do mês, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=JQxXn2kYqw0"><span style="font-weight: 400;">mas sim a do ano</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Severance — Official Trailer | Apple TV+" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/xEQP4VVuyrY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>25 anos depois, já podemos parar de falar sobre Friends</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Oct 2019 16:28:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista  Friends é a grande série do século XX. A comédia sobre os seis amigos de Nova Iorque que conquistou a cultura pop num solavanco, hoje se prostra como uma das maiores produções televisivas da história. A sitcom comemorou vinte e cinco anos no fim de setembro e fãs mundo afora celebraram o legado &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/friends-25-anos-aniversario/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos depois, já podemos parar de falar sobre Friends"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_12916" aria-describedby="caption-attachment-12916" style="width: 1799px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12916" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1.jpg" alt="" width="1799" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1.jpg 1799w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1-300x200.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/um-1-1200x800.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12916" class="wp-caption-text"><em>I’ll be there for you (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista </strong></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/09/19/friends-25-numeros-explicam-o-sucesso-da-serie-apos-25-anos.ghtml">grande série</a> do século XX. A comédia sobre os seis amigos de Nova Iorque que conquistou a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;"> num solavanco, hoje se prostra como uma das maiores produções televisivas da história. A </span><i><span style="font-weight: 400;">sitcom</span></i><span style="font-weight: 400;"> comemorou vinte e cinco anos no fim de setembro e fãs mundo afora <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-150887/">celebraram o legado</a> e as piadas de Rachel, Joey, Phoebe e companhia. Mas, tanto tempo depois da estreia,</span><i><span style="font-weight: 400;"> Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> deveria deixar os holofotes de lado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">buzz</span></i><span style="font-weight: 400;"> do seriado vem da exibição <a href="https://www.omelete.com.br/friends/fora-da-netflix-brasil">global</a> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. O fácil acesso aos 236 episódios exibidos originalmente pela </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;"> entre 1994 e 2004 é primordial para manter acesa a chama de discussão da série. Todavia, com todas as portas que </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> abriu, carreiras que lançou e conteúdos que originou, o grande público pode voltar atenções a outras grandes produções lançadas de lá para cá. E não há problema algum nisso.</span></p>
<p><span id="more-12915"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nenhuma série é eterna. Ciclos se findam e novos caminhos são traçados. Desde aquele 22 de setembro de 1994, quando a </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;"> exibia o clássico </span><a href="https://screenrant.com/friends-show-pilot-episode-perfect-reason/"><i><span style="font-weight: 400;">The Pilot</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (também conhecido como </span><i><span style="font-weight: 400;">The One Where Monica Gets a Roommate</span></i><span style="font-weight: 400;">), a televisão se reinventou uma centena de vezes. Renovações e cancelamentos, </span><a href="https://www1.folha.uol.com.br/podcasts/2019/05/expresso-ilustrada-debate-como-cultura-de-remakes-e-spinoffs-acabou-com-os-finais.shtml"><i><span style="font-weight: 400;">reboots</span></i><span style="font-weight: 400;"> e</span><i><span style="font-weight: 400;"> revivals</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Mas existe uma certa aura ao redor da concepção de </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;">. Um senso de grandeza e genialidade que seus criadores, Marta Kauffman e David Crane, provavelmente não tinham planejado logo naquele início.</span></p>
<figure id="attachment_12917" aria-describedby="caption-attachment-12917" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12917" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis.jpg" alt="" width="2000" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis-300x216.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis-768x553.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis-1024x737.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/os-seis-1200x864.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12917" class="wp-caption-text"><em>Friends recebeu mais de trinta indicações a categorias de atuação no Emmy (Foto: Reprodução)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Uma cafeteria e um sofá laranja. Jovens adultos recém saídos da faculdade e muito, mas muito, tempo livre. A <a href="https://www.youtube.com/watch?v=sLisEEwYZvw">cena de abertura</a> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> logo esboça seu esqueleto. Enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Seinfeld</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1989 &#8211; 1998) extraia situações cômicas de momentos banais, sua sucessora natural buscava cavucar as nuances de seus seis protagonistas, sempre indo mais fundo na criação de humor físico, piadas recorrentes e, é claro, o talento absurdo de seus intérpretes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A começar pela queridinha da América, <a href="https://www.ofuxico.com.br/noticias-sobre-famosos/jennifer-aniston-admite-que-sente-saudades-de-friends/2019/08/06-355474.html">Jennifer Aniston</a>. Sua Rachel Green, a </span><i><span style="font-weight: 400;">friend</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais bem desenvolvida e multifacetada, esbanjava um fascínio cínico e, por ora, incompreendido. As caras e bocas, os penteados e a <a href="https://www.independent.co.uk/life-style/fashion/ralph-lauren-friends-anniversary-rachel-green-collection-2019-a9111431.html">paixão por moda</a> são alicerce seguro de uma personagem que tomava para si as situações a seu redor. Lizzo, a sensação da </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;">, já entoava em sua </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P00HMxdsVZI"><i><span style="font-weight: 400;">Truth Hurts</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">‘Yeah, I got boy problems, that&#8217;s the human in me </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Bling bling, then I solve &#8216;em, that&#8217;s the goddess in me’</span></i><span style="font-weight: 400;">, e Rachel transmuta essa máxima em sua complicada relação com Ross.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ross Geller, o <a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/news/friends-reunion-netflix-david-schwimmer-interview-cast-ross-rachel-a9039566.html">brilhante</a> David Schwimmer, já é outro caso. Os comportamentos sexistas do paleontólogo representam todo o ideal arcaico que o personagem leva nas costas. Com isso em mente, a performance de Schwimmer é a que melhor flui ao longo das 10 temporadas do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. E, por mais que doa admitir, é também o irmão de Monica que coleciona os melhores pedaços do roteiro da série. Destacados ficam a canção da <a href="https://www.youtube.com/watch?v=K9ZX61c4CcI">gaita de fole</a>, a conversa com o vizinho pelado e, não podendo deixar de ser citados, o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=4JTrdKFUP1I">bronzeamento artificial</a> e o clareamento dental.</span></p>
<figure id="attachment_12919" aria-describedby="caption-attachment-12919" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12919" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/maxresdefault-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12919" class="wp-caption-text"><em>Unagi (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Monica Geller é o <a href="https://www.etonline.com/courteney-cox-has-a-friends-reunion-with-lisa-kudrow-at-central-perk-118377">coração do grupo</a>. Cuidadosa, forte e se apoiando no brilho de Courteney Cox, a irmã mais nova de Ross era a cola que mantinha os seis unidos. Não à toa seu <a href="https://www.fastcompany.com/1682531/an-interior-designer-explains-the-unlikely-apartments-of-friends-how-i-met-your-mother-and-m">enorme apartamento</a> servia de cenário para a maioria das aventuras dos amigos. É um pecado sem igual o trabalho da atriz nunca ter sido reconhecido pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Dentre os protagonistas, Cox foi a única a <a href="https://tvseriesfinale.com/tv-show/friends-courteney-cox-emmy-20134/">nunca receber</a> sequer uma nomeação a categoria de Melhor Atriz Coadjuvante em Comédia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Voltando ao lado masculino do elenco, Matt LeBlanc performava um magnético Joey Tribbiani. Descendente de italianos, bronco, o <em>friend</em> sempre revelava seu lado sensível. O ator de novela, mulherengo e com <a href="https://bookwormsdiary.com/2013/10/21/how-joey-and-rachel-read-each-others-books/">pavor da literatura de Stephen King</a> chegou a ganhar um seriado pra chamar de seu. Fracasso tanto de crítica quanto de público, o autointitulado </span><i><span style="font-weight: 400;">Joey</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2004 &#8211; 06) conseguiu durar duas temporadas, mas foi logo <a href="https://www.express.co.uk/celebrity-news/318648/Matt-LeBlanc-opens-up-about-Joey-struggle">esquecido</a>. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse fator corrobora a máxima de que, em seriados e filmes de grupos de pessoas, é muito difícil derivar e separar personagens para conceitos isolados. A saga juvenil </span><i><span style="font-weight: 400;">High School Musical</span></i><span style="font-weight: 400;"> já provou deste gostinho quando produziu (e fracassou com) </span><a href="https://filmow.com/a-fabulosa-aventura-da-sharpay-t28524/"><i><span style="font-weight: 400;">A Fabulosa Aventura de Sharpay</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em 2011. Todavia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Cheers</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1982-93) gerou </span><i><span style="font-weight: 400;">Frasier</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1993-04), </span><i><span style="font-weight: 400;">spin-off </span></i><span style="font-weight: 400;">de sucesso estrondoso, <a href="https://www.vulture.com/2013/03/the-rise-and-fall-of-dr-frasier-crane.html">marcando recordes</a> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;">. Não vivemos de mesmices.</span></p>
<figure id="attachment_12920" aria-describedby="caption-attachment-12920" style="width: 2000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12920" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler.jpg" alt="" width="2000" height="1347" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler.jpg 2000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler-300x202.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler-768x517.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler-1024x690.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mondler-1200x808.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12920" class="wp-caption-text"><em>Friends foi sempre certeira ao criar momentos românticos entre seus personagens (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Chegamos em Phoebe Buffay, a loira cantora de baladas cafonas, ex-moradora de rua. A excentricidade de Lisa Kudrow talvez seja o traço que mais marcou</span><i><span style="font-weight: 400;"> Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> mundo afora. Phoebe sempre foi a personagem mais fora do eixo do </span><a href="https://player.whooshkaa.com/shows/central-perk"><i><span style="font-weight: 400;">Central Perk</span></i></a><span style="font-weight: 400;">; sua bagagem fora do convívio com os </span><i><span style="font-weight: 400;">friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> no passado criava uma pequena barreira entre eles. Numa produção com tantas caricaturas pé-no-chão, a figura que tinha uma <a href="https://www.comedycentral.co.uk/news/ursula-buffay-was-in-another-sitcom-set-in-the-friends-universe">irmã gêmea atriz pornô</a> e era amiga de assaltantes sem dúvida chamaria atenção. E a atriz consegue fazer malabarismo com todos os estranhos trejeitos da mulher, nunca caindo em <a href="https://www.express.co.uk/showbiz/tv-radio/1177758/Friends-Lisa-Kudrow-struggle-Phoebe-Buffay-video">mesmices</a> ou chavões batidos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É um consenso o favoritismo de Chandler Bing em </span><i><span style="font-weight: 400;">rankings</span></i><span style="font-weight: 400;"> de popularidade entre os protagonistas do seriado. Provindo do carisma de Matthew Perry, aliado ao texto ágil e sarcástico do personagem, o futuro publicitário poderia muito bem viver sorrindo frente às câmeras mas, quando a claquete parava de bater, a história era outra. Recentemente, diversos portais noticiaram a <a href="https://catracalivre.com.br/entretenimento/matthew-perry-o-chandler-de-friends-vive-isolado-e-irreconhecivel/">condição de saúde</a> de Perry.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Matthew Perry sofre de depressão. Desde as gravações do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">, já era perceptível a condição física do ator, passando por repentinas <a href="https://mixdeseries.com.br/por-dentro-da-tragica-vida-de-matthew-perry-o-chandler-de-friends/">perdas de peso</a>, além de <a href="https://veja.abril.com.br/entretenimento/matthew-perry-o-chandler-nao-se-lembra-de-tres-anos-de-friends-por-causa-das-drogas/">não se lembrar</a> de ter gravado várias temporadas da série. Esse tipo de situação abre margem para a questão do comediante na mídia e sua incessante (e doentia) <a href="https://www.hypeness.com.br/2019/04/nao-sinto-tanta-vontade-de-viver-whindersson-nunes-fala-de-depressao-e-preocupa-fas/">necessidade de sempre parecer feliz</a>. Jim Carrey, astro de</span><i><span style="font-weight: 400;"> Kidding </span></i><span style="font-weight: 400;">(2018), já comentou sobre <a href="https://www.contioutra.com/em-luta-contra-depressao-jim-carrey-resume-perfeitamente-o-que-doenca-faz-no-paciente/">depressão e suicídio</a>, reafirmando o papel desgastante que quem faz comédia é obrigado a desempenhar fora dos </span><i><span style="font-weight: 400;">sets </span></i><span style="font-weight: 400;">de gravação.</span></p>
<figure id="attachment_12944" aria-describedby="caption-attachment-12944" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12944" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/janice-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12944" class="wp-caption-text"><em>Janice (Maggie Wheeler) em cena; OH MY GOD (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo contando com tramas contínuas que percorriam temporadas inteiras, o foco e a graça de </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre foram seus personagens. Não só os seis amigos, mas também os coadjuvantes que enfeitavam episódios notáveis. O cinismo de <a href="https://www.youtube.com/watch?v=o_0koHYfgkw">Susan</a> (Jessica Hecht), as complicadas irmãs de Rachel, <a href="https://www.youtube.com/watch?v=PdVDyq8yqhg">Jill</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=9BmjbBDQTzo">Amy</a> (Reese Witherspoon e Christina Applegate, hoje dois grandes nomes de </span><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span><span style="font-weight: 400;">). Até o Mike (<em>Crap Bag</em>) de Paul Rudd, mesmo aparecendo pouco, cria uma dinâmica quase <a href="https://www.bustle.com/p/paul-rudd-gets-asked-this-friends-question-all-the-time-itll-have-you-saying-um-same-9625939">fantabulosa</a> com Phoebe; e a sequência do casamento na temporada final é disparada uma das melhores do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda se esbaldava em convidados especiais. Quase todo o alto escalão norte-americano da época fez uma pontinha no seriado </span><i><span style="font-weight: 400;">hit</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;">. Bruce Willis se surrupiou pra dentro do café por uma <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-138520/">aposta</a> com Matthew Perry. E a lista de celebridades continua: Ben Stiller, Robin Williams, George Clooney, os hilários <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-126060/">Brad Pitt</a> e Danny DeVito, Charlie Sheen, Alec Baldwin, Anna Faris, Ellen Pompeo, Hugh Laurie, Susan Sarandon. A maioria destes, aliás, protagonizava ou viria a estrelar séries próprias em outros canais.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em seu ano final, o elenco de </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> desembolsava a bagatela de <a href="https://www.bbc.com/portuguese/cultura/020205_friendsrg.shtml">1 milhão de dólares por episódio</a>. Número exorbitante na época, passados quinze anos de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last One: Part 2</span></i><span style="font-weight: 400;"> esses salários mostram um retorno inimaginável para quem distribui o seriado. Esse ano, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;"> pagou <a href="https://www.nytimes.com/2018/12/04/business/media/netflix-friends.html">cem milhões de dólares</a> para manter os direitos do </span><i><span style="font-weight: 400;">show</span></i><span style="font-weight: 400;">. Além, é claro, das antigas cláusulas contratuais que garantem pequenas parcelas dos lucros até o presente, ajudando Jennifer Aniston a se manter no topo da lista das <a href="https://epocanegocios.globo.com/Mundo/noticia/2019/08/sete-das-10-atrizes-mais-bem-pagas-do-mundo-em-2019-estao-frente-de-suas-proprias-producoes.html">mais bem pagas</a> de </span><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span><span style="font-weight: 400;">, mesmo sem trabalhar tanto quanto no passado.</span></p>
<figure id="attachment_12922" aria-describedby="caption-attachment-12922" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12922" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/jill-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12922" class="wp-caption-text"><em>Bruce Willis e Christina Applegate (na foto) venceram o Emmy de Melhor Ator e Atriz Convidado em Comédia (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem só de lagostas e lasanhas congeladas vive o homem. </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi precursora, sim, em <a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/series/primeira-serie-exibir-casamento-lesbico-na-tv-friends-proibiu-beijo-gay-22298">quebrar tabus</a>, discutir assuntos importantes e dar protagonismo a quem não tinha voz naquela época do <em>show business</em>. Esses fatores são inegáveis, imutáveis. Em contrapartida, a criação de Marta Kauffman e David Crane certamente </span><a href="https://www.independent.co.uk/arts-entertainment/tv/friends-netflix-sexist-racist-transphobic-problematic-millenials-watch-a8154626.html"><span style="font-weight: 400;">deslizou</span></a><span style="font-weight: 400;"> tanto em texto quanto em abordagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A personagem de Rachel sempre diminuída frente à traição (de confiança) de Ross, a caricatura da <a href="https://www.popsugar.com/entertainment/photo-gallery/46071047/image/46071048/Problem-Fat-Monica">Monica gorda</a> na adolescência que beirava o cômico-ridículo e o <a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2019/09/18/friends-e-politicamente-incorreto-questoes-sobre-sexismo-e-homofobia-continuam.ghtml">tratamento desnutrido</a> ao público negro e </span><span style="font-weight: 400;">LGBT+</span><span style="font-weight: 400;">, quase sem nenhuma representatividade dentro do <em>show</em>, são apenas três focos de discussão de quem avalia o seriado em 2019. São pequenas arestas de uma produção de mais de duzentos episódios que, revistas num período regado a <a href="https://www.estudopratico.com.br/o-que-e-o-movimento-metoo/">movimentos sociais</a> e <a href="https://www.nytimes.com/2019/09/22/arts/television/michelle-williams-emmys-acceptance-speech.html">equidade</a> dentro da indústria, mancham em parte a aura do programa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é nada que arruíne por completo os anos dourados de </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> no ar, pelo contrário. O ideal nesse tipo de leitura é aprender com os equívocos, reconhecer falhas e imprecisões. Usar do arcabouço teórico de agora para não deixar que as ranhuras aumentem, ou se repitam. Ainda é útil reforçar que </span><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span><span style="font-weight: 400;"> é dominada por homens e, vinte e cinco anos atrás, a situação era mais assustadora ainda.</span></p>
<figure id="attachment_12923" aria-describedby="caption-attachment-12923" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12923" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mães.jpg" alt="" width="1200" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mães.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mães-300x225.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mães-768x576.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/mães-1024x768.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12923" class="wp-caption-text"><em>Friends representou diversos tipos de mães ao longo da série: Rachel ficou grávida por meios convencionais, Phoebe foi barriga de aluguel e Monica adotou seus filhos (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> é a mãe de muitas séries de comédia. Grande parte do sucesso do seriado deu o gás para produções como</span><i><span style="font-weight: 400;"> Two and a Half Man</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2003-15) e </span><a href="http://personaunesp.com.br/cineclube-persona-maio2019/"><i><span style="font-weight: 400;">The Big Bang Theory </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2007-19), ambas de <a href="http://personaunesp.com.br/o-metodo-kominsky-critica/">Chuck Lorre</a>. Lado a lado, o <em>show</em> da </span><i><span style="font-weight: 400;">NBC</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda inflou sucessos como </span><i><span style="font-weight: 400;">The Office</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005-13) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Parks and Recreation</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009-15), do mesmo canal, que caminham com a audiência para <a href="https://newrepublic.com/article/113226/office-finale-and-future-mockumentary-sitcom">outros territórios cômicos</a>. Outros seriados que ainda ecoam influências dos seis amigos são </span><i><span style="font-weight: 400;">30 Rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2006-13), </span><i><span style="font-weight: 400;">2 Broke Girls</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2011-17) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mom</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2013). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2019, como muito bem <a href="http://www.adorocinema.com/noticias/series/noticia-150923/">refletiu o </a></span><i><span style="font-weight: 400;">Emmy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e suas estatuetas de comédia, o gênero vive um momento de explosão e <a href="http://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/">autenticidade</a>. Seriados autorais, propostas inovadoras e muitas piadas <em>gourmetizadas</em>. A </span><span style="font-weight: 400;">TV</span><span style="font-weight: 400;"> americana deixou de ser abastecida por </span><a href="https://www.tricurioso.com/2017/12/13/voce-sabe-o-que-e-sitcom/"><i><span style="font-weight: 400;">sitcoms</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> simples de vinte e dois minutos para dar espaço para propostas horizontais, cheias de <a href="https://personaunesp.com.br/atlanta-critica/">pompa e forma</a>. Prova disso é a ascensão do mercado do </span><i><span style="font-weight: 400;">streaming</span></i><span style="font-weight: 400;">, as séries </span><i><span style="font-weight: 400;">on-demand</span></i><span style="font-weight: 400;"> e as temporadas mais curtas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A década de 2010 diminuiu suas temporadas de comédia. Mais de vinte episódios por ano se tornaram inviáveis para uma audiência sedenta pela maratona. </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends </span></i><span style="font-weight: 400;">não foi a primeira (nem a última) grande série no <a href="http://personaunesp.com.br/this-is-us-1-temporada-critica/">pacote </a></span><span style="font-weight: 400;">TV</span><span style="font-weight: 400;"> aberta. O que difere os seis amigos do </span><i><span style="font-weight: 400;">Central Perk</span></i><span style="font-weight: 400;"> de todo o resto é o prestígio pela nostalgia e pelo texto bem escrito. A atemporalidade das dez temporadas ecoa quase trinta anos depois. E muito provavelmente continuará a fazê-lo.</span></p>
<figure id="attachment_12924" aria-describedby="caption-attachment-12924" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-12924" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2019/09/revival-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-12924" class="wp-caption-text"><em>Rumores de um possível revival de Friends sempre rondam Hollywood, mas os criadores insistem em negar tais boatos (Foto: NBC)</em></figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">E não, deixar de maratonar </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> diariamente não será o fim do mundo. Na verdade, prestigiar outras produções das mentes por trás do seriado pode ser tão bom quanto. A criadora Marta Kauffman é responsável por </span><a href="https://exame.abril.com.br/estilo-de-vida/grace-and-frankie-e-renovada-para-setima-e-ultima-temporada-na-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">Grace and Frankie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015); Lisa Kudrow fez </span><i><span style="font-weight: 400;">The Comeback</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2005), David Schwimmer esteve em </span><i><span style="font-weight: 400;">American Crime Story: The People vs. OJ Simpson</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016). Já Courteney Cox estrelou </span><i><span style="font-weight: 400;">Cougar Town</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2009-15) e Matt LeBlanc é o astro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Man With a Plan</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2016). Jennifer Aniston vai voltar às séries de TV com </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt7203552/"><i><span style="font-weight: 400;">The Morning Show</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2019), original da </span><i><span style="font-weight: 400;">Apple TV+</span></i><span style="font-weight: 400;">, ao lado de Reese Witherspoon e Steve Carell.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que o amor a </span><i><span style="font-weight: 400;">Friends</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja enorme, não medido e sem limites, parte da jornada é o fim. As piadas continuam lá, as palmas batidas na abertura chiclete também. Até mesmo os episódios de <a href="https://www.housebeautiful.com/lifestyle/g23000527/friends-thanksgiving-episodes/">Ação de Graças</a> permanecerão intocados. E, por mais que os seis amigos estejam lá para nós, isso não significa que devemos fazer o mesmo por eles. Mesmo que a chuva caia.</span></p>
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