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	<title>Arquivos Autoaceitação &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Autoaceitação &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>A autoaceitação é o que faz Um milhão de finais felizes</title>
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		<pubDate>Tue, 18 Jun 2024 18:19:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Jamily Rigonatto  Existir enquanto uma pessoa LGBTQIA+ é estar cercado de incertezas. Não se sabe em quem confiar, se seus comportamentos estão minimamente condizentes com o que a sociedade espera ou sequer se sua vida, antes de se descobrir, continua fazendo parte de quem você é. Apesar de acontecer de forma distinta para cada pessoa, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/um-milhao-de-finais-felizes-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A autoaceitação é o que faz Um milhão de finais felizes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33556" aria-describedby="caption-attachment-33556" style="width: 534px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-33556" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um-milhao-1-534x800.jpg" alt="Capa do livro Um milhão de finais felizes. Na imagem há o tronco de um jovem branco, ele veste uma camiseta preta e um avental com tema de galáxia, nas cores lilás, roxo e azul pastel. Há três adereços pendurados no avental, um deles é boton de um pirata branco de cabelos castanhos, o outro um boton de pirata branco de cabelos ruivos e o terceiro um pin em formato de foguete. Um dos pulsos do jovem tem uma pulseira com as cores da bandeira lgbt, enquanto na outra mão segura um caderno de anotações. Sobre o avental está escrito “Um milhão de finais felizes” em letras pretas e logo abaixo o nome do autor “Vitor Martins”. O fundo da capa é vermelho sólido." width="534" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um-milhao-1-534x800.jpg 534w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/um-milhao-1.jpg 667w" sizes="(max-width: 534px) 85vw, 534px" /><figcaption id="caption-attachment-33556" class="wp-caption-text">Lançado em 2018, Um milhão de finais felizes nos mostra que tudo passa (Editora Alt)</figcaption></figure>
<p><b>Jamily Rigonatto </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existir enquanto uma pessoa <a href="https://personaunesp.com.br/tag/mes-do-orgulho-lgbtqia/">LGBTQIA+</a> é estar cercado de incertezas. Não se sabe em quem confiar, se seus comportamentos estão minimamente condizentes com o que a sociedade espera ou sequer se sua vida, antes de se descobrir, continua fazendo parte de quem você é. Apesar de acontecer de forma distinta para cada pessoa, esse processo sempre vem acompanhado de inseguranças. Retratando esses elementos pela visão do protagonista Jonas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i><span style="font-weight: 400;"> explora isso enquanto valoriza o resultado das etapas conturbadas: a cura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Longe de se tratar de uma espécie de ‘cura gay’, essa descoberta está ligada ao próprio ser, a restauração que acontece em nós quando percebemos que não há nada de errado em ser como somos – seja na esfera da sexualidade, na forma como reagimos à vida ou até sobre a aparência física. Por meio dos receios do personagem, o autor <a href="https://vitormartins.blog/">Vitor Martins</a> renova o fôlego de uma juventude que só quer amar e ser amada, sem sentir que o peso do mundo está prestes a desmoronar sobre os seus ombros. </span></p>
<p><span id="more-33554"></span></p>
<figure id="attachment_33557" aria-describedby="caption-attachment-33557" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-33557" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-650x800.jpg" alt="Foto do autor Vitor Martins. Vitor é um homem branco de cabelos curtos castanhos e olhos também castanhos. Ele veste uma camiseta preta e está em uma pose com os dois braços cruzados, também usa um óculos preto de armação arrendondada. Ao fundo, é possível ver a copa de uma árvore." width="650" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-650x800.jpg 650w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-832x1024.jpg 832w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs-768x945.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/06/EPsj2BwX4AIK3rs.jpg 975w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-33557" class="wp-caption-text">Vitor Martins é conhecido por títulos que envolvem a vivência LGBTQIA+ (Foto: Vitor Martins)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Jonas é um jovem sonhador, deseja ser escritor e acredita que quase qualquer coisa pode dar um bom livro, pelo menos na esfera de seus pensamentos. Mas na hora de efetivamente escrever, trava por sentir que suas palavras não são boas o suficiente (mais uma de suas inseguranças). O reflexo é instintivo, afinal, filho de uma mãe <a href="https://www.cartacapital.com.br/blogs/dialogos-da-fe/estudo-inedito-aponta-a-raiz-da-violencia-contra-pessoas-lgbti-em-lares-cristaos/">crente fervorosa</a> e um pai que abomina qualquer comportamento distante da masculinidade excessiva, o protagonista se apequena diariamente na tentativa de sobreviver. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Não é como se o núcleo familiar fosse o único problema, já que a sua própria vivência dentro da Igreja também se mostra bem presente na maneira como ele lida consigo mesmo. A famosa <a href="https://prodiversidade.org.br/a-fe-crista-e-a-culpa-por-ser-lgbtqia/">‘culpa cristã’</a> dá as caras em seus pensamentos frequentemente, que voltam nas lembranças do quanto já se sentiu pertencente no lugar, no momento em que as coisas deixam de ser acolhedoras e no entendimento de que tudo isso é capaz de ferir os princípios morais nos quais foi inserido por anos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tudo narrado na primeira pessoa, fica fácil vestir a pele de Jonas e entender os motivos por trás de cada uma de suas reações desconfiadas, que surgem até mesmo com os melhores amigos, os quais ama plenamente, mas ainda sente certa dificuldade para se abrir completamente. Nesses momentos, o limbo no qual o personagem está inserido parece ser eterno e o cansaço mental ganha altas dimensões – a ponto de até mesmo o emprego em uma cafeteria na Avenida Paulista parecer mais aconchegante que os discursos da própria mente. </span></p>
<blockquote><p>“Passo quarenta minutos escutando o pastor falar sobre o plano de Deus para as famílias. Sinto a respiração da minha mãe ficar mais pesada quando ele fala sobre como devemos sempre orar pela alma dos nossos familiares que estão fora dos caminhos do Senhor. A vida inteira eu vi minha mãe orando pela conversão do meu pai, e só hoje eu percebo que provavelmente tenha me juntado a ele nessa lista de oração.”<b></b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O momento de ruptura para o ciclo complicado surge na barba de um certo garoto ruivo, que inspira o personagem a escrever e desperta sentimentos inéditos. Aos poucos, a descoberta ganha lar e é impossível não se apaixonar por cada detalhe de um processo muito maior do que o do amor romântico: a aceitação plena de quem se é. Conforme Jonas se abre a novas possibilidades, passa a hierarquizar as prioridades, começando por si mesmo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aumentando a confiança nas pessoas que realmente valem a pena e percebendo que o significado de família é múltiplo, coisas que pareciam permanentes se mostram voláteis e a vida deixa de ser um bicho de sete cabeças para se apresentar como é.  A trajetória agora se denomina como algo que conta com tantos problemas quanto soluções e, claro, mais de um milhão de possibilidades de ser recheada de felicidade. </span></p>
<blockquote><p><b>“</b>Logo ele, que queria sempre se diminuir e se esconder, acabara indo viver no maior lugar do mundo.<b>”</b></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Com uma escrita extremamente fluida, as 352 páginas de </span><a href="https://globoplay.globo.com/v/11559449/"><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> voam como os foguetes que decoram as paredes do </span><i><span style="font-weight: 400;">Rocket Café</span></i><span style="font-weight: 400;"> – nome do local de trabalho de Jonas. A narrativa não precisa de muitos trunfos ou elementos altamente ficcionais para se destacar, ainda mais quando a vida real de pessoas </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> já vem com todos os elementos de um bom enredo: drama, paixão, medo, desconfiança, amor e muito mais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nas linhas doces das descobertas, Vitor Martins, que também é autor de títulos como </span><i><span style="font-weight: 400;">Quinze dias</span></i><span style="font-weight: 400;">, dá um show no gênero </span><a href="https://personaunesp.com.br/vermelho-branco-e-sangue-azul-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Young Adult</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e compõe aquelas leituras conforto que se tornam casa e nos ensinam que nada como um dia após o outro. Expressando da dor ao amor, o livro não é um romance, mas uma carta de amor próprio capaz de ajudar quem está em uma situação parecida a não se sentir sozinho, afinal, realmente não estamos.</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Pode ser que sejam as quase </span><i><span style="font-weight: 400;">fanfics</span></i><span style="font-weight: 400;"> sobre piratas gays, o carinho na cabeça de gatos gordinhos, os lanches em carrinhos de rua que provavelmente nem tem alvará ou as caipirinhas em uma noite de balada cheia de luzes brilhantes, mas tudo na obra conspira para a vontade de ler mais e mais. Nas expectativas de quem não sente que cabe no mundo, ter </span><i><span style="font-weight: 400;">Um milhão de finais felizes</span></i><span style="font-weight: 400;"> para viver parece ser uma coisa incrível. </span></p>
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		<title>A face por trás de Confissões de uma máscara</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Jul 2022 17:06:34 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Pedro Yoshimatu “Pressenti então que neste mundo há um tipo de desejo semelhante à dor pungente. ‘Quero me transformar nele’ foi a vontade que me sufocou ao olhar para aquele rapaz todo sujo: ‘Quero ser ele’”. Publicado no Japão em 1949 pelo aclamado autor Yukio Mishima, Confissões de uma máscara é um interessante retrato de &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/confissoes-de-uma-mascara-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A face por trás de Confissões de uma máscara"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_28125" aria-describedby="caption-attachment-28125" style="width: 666px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-28125 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-666x1024.jpg" alt="Capa do livro Confissões de uma máscara, do autor Yukio Mishima, retratando um leque sobre um fundo azul com o título e o nome do autor ao centro" width="666" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-666x1024.jpg 666w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-521x800.jpg 521w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-768x1180.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-1000x1536.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-1333x2048.jpg 1333w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1-1200x1844.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem1.jpg 1666w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28125" class="wp-caption-text">De maneira bastante intimista, Confissões de uma máscara explora temas de autoconhecimento e rejeição (Foto: Companhia das Letras)</figcaption></figure>
<p><b>Pedro Yoshimatu</b></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Pressenti então que neste mundo há um tipo de desejo semelhante à dor pungente. ‘Quero me transformar nele’ foi a vontade que me sufocou ao olhar para aquele rapaz todo sujo: ‘Quero </span><span style="font-weight: 400;">ser </span><span style="font-weight: 400;">ele’”.</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Publicado no Japão em 1949 pelo aclamado autor Yukio Mishima, </span><a href="https://www.amazon.com.br/Confiss%C3%B5es-uma-m%C3%A1scara-Yukio-Mishima/dp/8535904794"><i><span style="font-weight: 400;">Confissões de uma máscara</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um interessante retrato de muitas crises. A crise de seu protagonista, certamente &#8211; Koo-chan é um jovem em processo de descoberta da sua própria homossexualidade, em constante conflito com suas crenças pessoais sobre honra, valor próprio e masculinidade -, como também a crise de seu contexto histórico, marcado pela ideologia militarista do Japão Imperial e uma herança cultural em processo de transição e ressignificação. Mas é, principalmente, um livro sobre as crises de seu próprio autor, marcado pelo tom quase biográfico, uma sincera proximidade com o leitor na prosa e uma percepção bastante honesta sobre os dilemas enfrentados por um jovem LGBTQIA+ num período de grande repressão social.</span></p>
<p><span id="more-28124"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O livro segue a história de vida de seu protagonista, desde as particularidades de seu nascimento, passando pelas primeiras memórias de infância e experiências com a puberdade, até sua idade adulta. Nela, o personagem principal se vê em meio a um cenário politicamente tenso e socialmente conturbado, com o horror da guerra pairando sobre todos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa decisão narrativa dá à trama uma cadência natural, espelhando-se, muitas vezes, em episódios da própria </span><a href="https://www.fnac.pt/Yukio-Mishima/ia99849/biografia"><span style="font-weight: 400;">vida pessoal do autor</span></a><span style="font-weight: 400;">; Koo-chan, o protagonista, tem seu nome inspirado no diminutivo de “Kimitake”, o nome de nascimento por trás do pseudônimo Yukio Mishima. Os temas de descoberta de si mesmo enquanto LGBTQIA+ perpassam esses cenários mais históricos, mas também possuem profundidade no percurso humano do próprio protagonista.</span></p>
<figure id="attachment_28126" aria-describedby="caption-attachment-28126" style="width: 632px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28126 size-large" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-632x1024.jpg" alt="Yukio Mishima segurando um microfone enquanto discursa em um palanque, em frente a um quadro negro, com uma expressão austera" width="632" height="1024" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-632x1024.jpg 632w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-494x800.jpg 494w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-768x1244.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2-948x1536.jpg 948w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem2.jpg 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28126" class="wp-caption-text">Mishima teve muito participação enquanto figura pública na política japonesa, muitas vezes de maneira controversa (Foto: Shinchosha/Japan Forward)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante pensar em como a </span><a href="https://revistas2.uepg.br/index.php/uniletras/article/view/5260"><span style="font-weight: 400;">temática e o estilo narrativo de Mishima</span></a><span style="font-weight: 400;"> se articulam. Uma questão levantada desde o início do livro é o físico do protagonista, considerado longe do modelo tido como adequado ao seu redor. Num contexto em que a masculinidade é vista como algo austero, rígido e militarizado, Koo-chan encontra grandes dificuldades em se perceber como reflexo desse ideal inalcançável. Em contrapartida, Koo-chan venera as imagens pertencentes ao tipo de masculinidade que lhe é imposto; suas primeiras experiências de atração sexual são de contemplação quase platônica de homens com corpos esbeltos e que demonstram se encaixar nesse rígido modelo de beleza e autoaceitação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um paradoxo instigante é proposto durante a sua infância: Koo-chan idealiza e se sente atraído pela imagem de um cavaleiro ocidental, vestido em uma resplandecente armadura e demonstrando, com grande ênfase, todos os </span><a href="https://www.scielo.br/j/pcp/a/7ftQZzgJTGcvJmzWDv7gD5d/?lang=pt"><span style="font-weight: 400;">valores masculinos</span></a><span style="font-weight: 400;"> repassados pela sociedade em seu entorno. Tal atração é posta em cheque quando uma de suas babás revela que o cavaleiro é, na verdade, Joana d’Arc, e a ideia de que uma mulher poderia utilizar vestes consideradas masculinas e desempenhar valores idealizados enoja e confunde o protagonista.</span></p>
<figure id="attachment_28127" aria-describedby="caption-attachment-28127" style="width: 720px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-28127 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3.jpg" alt="O autor Yukio Mishima sorri sem camisa sentado em um balcão, enquanto veste uma calça branca e revela o seu porte físico" width="720" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3.jpg 720w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/07/imagem3-640x800.jpg 640w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-28127" class="wp-caption-text">O autor trabalhou, em seus textos e em sua vida pessoal, a questão do físico e o esforço para se adequar a um padrão (Foto: Getty Images)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1970, Yukio Mishima cometeu suicídio, após uma tentativa de golpe no governo estabelecido depois da Segunda Guerra Mundial. O método escolhido é reflexo de seu percurso em vida: o autor optou por cometer </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/como-era-um-ritual-de-seppuku-em-que-o-samurai-se-matava/"><i><span style="font-weight: 400;">seppuku</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o ritual tradicional de suicídio do código de honra dos samurais. Mishima foi um grande crítico de uma ocidentalização do Japão, e um fervente crítico de ideologias estrangeiras se expandindo em seu país natal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda assim, seu contexto social é o da intensa ressignificação da identidade nacional, e nesse sentido o autor se apega a elementos fundacionais da cultura japonesa como âncoras culturais (sobretudo a tradição xintoísta, a sacralização do Imperador enquanto figura política e a valorização de ideias militares tradicionais). </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com tradução de Jaqueline Nabeta, </span><i><span style="font-weight: 400;">Confissões de uma máscara</span></i><span style="font-weight: 400;"> permite ao leitor interessado observar mais de perto os detalhes de uma mente literária imersa em muitos conflitos, assim como seus dispositivos para administrar as crises internas e externas. Mais do que uma leitura recomendada para todos os interessados em </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/lgbtqia/"><span style="font-weight: 400;">questões LGBTQIA+</span></a><span style="font-weight: 400;">, o livro debate sobre os conflitos inerentes a processos de transição, e aponta com maestria para a </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/literatura-japonesa/"><span style="font-weight: 400;">Literatura japonesa</span></a><span style="font-weight: 400;"> do século XX.</span></p>
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