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	<title>Arquivos Ásia &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A valorização da cultura de origem na construção da própria identidade em A Felicidade das Pequenas Coisas</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Mar 2022 18:11:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sabrina G. Ferreira No mundo globalizado em que vivemos, cercados por diversas possibilidades de comunicação com os demais, fica difícil entender que existem outras realidades bem diversas às nossas. Essa disparidade é mostrada brilhantemente em A Felicidade das Pequenas Coisas (no inglês, Lunana: A Yak in the Classroom). Com direção e roteiro de Pawo Choyning &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-felicidade-das-pequenas-coisas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A valorização da cultura de origem na construção da própria identidade em A Felicidade das Pequenas Coisas"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26789" aria-describedby="caption-attachment-26789" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-26789" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-2-1.jpg" alt="Cena do filme A Felicidade das Pequenas Coisas. Na imagem, vemos uma garotinha de aproximadamente doze anos. Ela tem cabelos castanhos, lisos e curtos, e usa uma franja, e veste uma blusa azul, de mangas longas, com detalhes em cor de rosa nos punhos e na gola. Ela está sorrindo, e está sentada, com as mãos em cima de uma mesa de madeira, segurando nelas um papel. À direita dela, também sentada de frente para a mesa, há outra garotinha de aproximadamente doze anos. Ela está olhando para frente, e tem cabelos castanhos, lisos, com franja, e está com os cabelos amarrados. No lado esquerdo da imagem, há outra pessoa sentada, no entanto, só é possível ver as suas mãos. Ao fundo há uma parede clara, com uma janela pequena no lado direito, e bem atrás das garotas, há uma espécie de boi deitado no chão. Elas estão em ambiente interno e está de dia." width="1200" height="801" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-2-1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-2-1-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-2-1-1024x684.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-1-2-1-768x513.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26789" class="wp-caption-text">Indicado ao Oscar de Filme Internacional, A Felicidade das Pequenas Coisas evidencia a simplicidade em uma aldeia do Himalaia e o processo de transformação desse meio no protagonista Ugyen (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><b>Sabrina G. Ferreira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No mundo globalizado em que vivemos, cercados por diversas possibilidades de comunicação com os demais, fica difícil entender que existem outras realidades bem diversas às nossas. Essa disparidade é mostrada brilhantemente em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=5nZqpBCjVrY"><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade das Pequenas Coisas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (no inglês, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lunana: A Yak in the Classroom</span></i><span style="font-weight: 400;">). Com direção e roteiro de </span><a href="https://deadline.com/2022/03/lunana-a-yak-in-the-classroom-pawo-choyning-dorji-sherab-dorji-interview-contenders-nominees-1234971909/"><span style="font-weight: 400;">Pawo Choyning Dorji</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qBVE2w1YIxY"><i><span style="font-weight: 400;">Hema Hema: Sing Me a Song While I Wait</span></i></a><span style="font-weight: 400;">), o filme conta a história de Ugyen (</span><a href="https://asianmoviepulse.com/2019/10/interview-with-pawo-choyning-dorji-kelden-lhamo-gurung-sherab-dorji-and-ugyen-norbu-lhendup/"><span style="font-weight: 400;">Sherab Dorji</span></a><span style="font-weight: 400;">), um jovem professor que sonha em se tornar cantor na Austrália. Todavia, Ugyen trabalha para o governo, que lhe atribui a missão de lecionar por alguns meses em Lunana, uma aldeia no </span><a href="https://revistaunquiet.com.br/cultura/butao-jornada-rumo-a-felicidade/"><span style="font-weight: 400;">Butão</span></a><span style="font-weight: 400;">, país da Ásia Meridional, conhecido como um dos locais mais remotos do mundo. </span></p>
<p><span id="more-26788"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após uma longa caminhada de oito dias para chegar ao destino, ele se surpreende ao finalmente se deparar com uma escola sem os mínimos recursos necessários para conseguir ensinar: não existe quadro negro, o material didático é escasso e a estrutura do local é precária. Neste momento Ugyen pensa em desistir. A única coisa capaz de promover uma mudança de rumo no desmotivado protagonista é a comovente motivação das crianças, especialmente da líder da turma, </span><a href="https://www.facebook.com/humansofthimphuofficial/videos/pem-zam-from-lunana-sings-kupar-by-tandin-sonam/233524688250599/"><span style="font-weight: 400;">Pem Zam</span></a><span style="font-weight: 400;">, que com seu olhar vivaz, consegue transmitir o desejo sincero em aprender. Aliás, é visível a evolução de valores do personagem quando ele doa o papel que reveste suas janelas para protegê-lo do frio, para que seus alunos tenham onde estudar.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“A subida vai ser difícil?” – Ugyen</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“Vai ser fácil. É um passeio ao lado do rio por seis dias. Depois tem uma subidinha. Quando chegarmos lá em cima, a caminhada é ótima. Você vai querer que nunca acabe.” – Aldeão</span></p></blockquote>
<figure id="attachment_26790" aria-describedby="caption-attachment-26790" style="width: 951px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26790" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-3.jpg" alt="Cena do filme A Felicidade das Pequenas Coisas. Na imagem, vemos um jovem de cabelos castanhos, pele morena, vestindo uma roupa marrom, de mangas longas, parado em frente a oito crianças. Ele está tocando violão. Ao lado dele, à esquerda, há uma espécie de boi (iaque) preto. As crianças estão paradas na frente dele em forma de círculo. Elas têm aproximadamente dez anos de idade, e estão vestindo blusas de mangas compridas. As meninas vestem saias compridas, e os meninos estão de calças. Atrás deles há uma pequena escola feita de paredes de pedra, com portas e janelas de madeira. Há uma cerca pequena de madeira em volta deles, separando-os do campo aberto. Ao fundo, há algumas colinas. Eles estão no campo e é de dia." width="951" height="634" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-3.jpg 951w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-3-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-2-1-3-768x512.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26790" class="wp-caption-text">Em Lunana, assim como Ugyen, o espectador se depara com um local isolado e muito carente (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade das Pequenas Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;"> estreou em outubro de 2019 no</span> <a href="https://www.bfi.org.uk/"><span style="font-weight: 400;">BFI Festival de Cinema de Londres</span></a><span style="font-weight: 400;">, e até o momento, ganhou 18 prêmios, incluindo o de Melhor Filme pela audiência do </span><a href="https://cinemasia.nl/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Cinema CinemAsia</span></a><span style="font-weight: 400;">, e de Melhor Ator para Sherab Dorji no </span><a href="https://www.saintjeandeluz.fr/fr/evenements/festival-international-du-film-de-saint-jean-de-luz-2/"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Cinema Saint-Jean-de-Luz</span></a><span style="font-weight: 400;">. Neste ano, é indicado ao </span><a href="https://www.oscars.org/"><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022</span></a> <span style="font-weight: 400;">na categoria Melhor Filme Internacional, junto com outros longas asiáticos, como o japonês </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6BPKPb_RTwI"><i><span style="font-weight: 400;">Drive My Car</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que também concorre em Melhor Filme, Direção e Roteiro Adaptado. Além disso, o indiano </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nzyWNOkKnJg"><i><span style="font-weight: 400;">Writing With Fire</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> está indicado ao prêmio de Documentário. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade das Pequenas Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o segundo filme que o Butão submeteu ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;">, mais de 20 depois de </span><i><span style="font-weight: 400;">The Cup </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Phörpa</span></i><span style="font-weight: 400;">), que acabou não nomeado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É importante destacar que, apesar da temática frequentemente utilizada no Cinema – ao retratar a história de algum </span><a href="https://pedagogiaaopedaletra.com/analise-do-filme-ao-mestre-com-carinho/"><span style="font-weight: 400;">professor ou educador especial</span></a><span style="font-weight: 400;"> – </span><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade das Pequenas Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é cativante, e construído com tamanha sensibilidade que realmente proporciona momentos de inspiração, para o deleite dos amantes da Sétima Arte, ao evitar cair no melodrama barato e é extremamente bem trabalhado no quesito construção sentimental, respeitando o contexto cultural em que a história se insere.</span></p>
<figure id="attachment_26791" aria-describedby="caption-attachment-26791" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26791" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-2-1.jpg" alt="Cena do filme A Felicidade das Pequenas Coisas. Na imagem, vemos um jovem de cabelos castanhos, pele morena, vestindo uma roupa azul marinho, de mangas longas, parado de frente para uma moça. Ele tem pendurado um cesto de vime em um dos ombros. Na frente dele, à direita, há uma moça. Ela tem cabelos castanhos, lisos e longos, e estão amarrados em um rabo de cavalo. Ela veste um xale comprido listrado sobre o corpo. Ao fundo, há algumas montanhas com nuvens de fumaça e vegetação natural. Eles estão no campo e é de dia." width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-2-1.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-3-2-1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26791" class="wp-caption-text">O protagonista Ugyen aprende sobre a diferença que ele pode fazer para o mundo se assim ele desejar (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro quesito importante é o desinteresse de Ugyen nos valores da sua cultura de origem, se alinhando ao ponto de vista do espectador estrangeiro: tanto aqueles  que possuem opiniões ignorantes acerca de culturas similares a apresentada na obra, quanto aqueles vindos de locais pouco desenvolvidos (como Ugyen) e se sentem presos ali. Esse sentimento de aprisionamento do protagonista é evidenciado na cena em que ele é questionado por um aldeão sobre o motivo de querer buscar a felicidade longe do Butão, conhecido como </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/05/150504_vert_tra_butao_felicidade_ml"><span style="font-weight: 400;">o país mais feliz do mundo</span></a><span style="font-weight: 400;">; esse debate serve como um contribuinte para refletirmos sobre os motivos do personagem querer fugir do país com urgência e viver a globalização desejada.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A figura do professor é extremamente valorizada em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade das Pequenas Coisas</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ugyen é alvo de reverência pelos moradores da aldeia, pois como um aluno repete as palavras dos camponeses, o professor é capaz de tocar o nosso futuro. Há o reconhecimento de que o conhecimento vem de fora, ligando esse conceito à imagem dos professores. E eis uma das </span><a href="https://thebhutanese.bt/teachers-and-how-much-they-really-matter-to-us/"><span style="font-weight: 400;">profissões mais importantes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e honradas que existem, afinal o professor pode ser decisivo na evolução de pessoas que já nascem destinadas a serem pastores de iaques ou coletores de fungos, alcancem o sonho de serem educadas para que construam um futuro melhor naquela realidade. E isso fica ainda mais evidente em um lugar como Lunana. </span></p>
<figure id="attachment_26792" aria-describedby="caption-attachment-26792" style="width: 1636px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26792" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1-4.jpg" alt="Cena do filme A Felicidade das Pequenas Coisas. Na imagem, vemos um jovem de cabelos castanhos, pele morena, vestindo uma roupa laranja, de mangas longas, sentado em um banco de madeira, enquanto toca um violão. Atrás dele, ao fundo, há uma espécie de boi, que está amarrado no chão com algumas corrente, enquanto pasta. Eles estão em um cômodo, com paredes brancas, algumas janelas entrando luz solar, e um piso de madeira. É de dia." width="1636" height="802" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1-4.jpg 1636w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1-4-800x392.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1-4-1024x502.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1-4-768x376.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1-4-1536x753.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/03/Imagem-4-1-4-1200x588.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26792" class="wp-caption-text">A Felicidade das Pequenas Coisas foi inspirado em histórias que o diretor Pawo Choyning Dorji coletou enquanto era fotógrafo no Butão (Foto: Films Boutique)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto, a música cantada por Saldon, personagem de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=y-7UuLX3L_Q"><span style="font-weight: 400;">Kelden Lhamo Gurungm</span></a><span style="font-weight: 400;">, também se encaixa perfeitamente, já que cria uma dualidade conflituosa nas decisões que serão tomadas por Ugyen, reforçando a necessidade de fuga do protagonista como certa, e ao mesmo tempo, serve como reconexão a espiritual da qual ele tanto necessita. </span><span style="font-weight: 400;">Para nós, fica a dúvida deixada pelo filme, se é mais gratificante ir em busca de um sonho vago e incerto, ou talvez, vivenciar algo concreto, arquitetado com pequenas ambições, mas que resultam em grandes ganhos culturais para a própria identidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme </span><i><span style="font-weight: 400;">A Felicidade das Pequenas Coisas </span></i><span style="font-weight: 400;">é sobre a necessidade de encontrar um momento de paz na vida para reavaliar as prioridades e refletir sobre o real significado da consciência plena de satisfação e sua importância para nós. Trata-se de uma mensagem sobre felicidade, vinda de um lugar remoto, onde esse </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vKDj6BsuNs8"><span style="font-weight: 400;">sentimento é aclamado</span></a><span style="font-weight: 400;"> e intenta divulgar sua cultura e modo de vida para o homem moderno dos quatro cantos do mundo.</span></p>
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		<title>Em Vulture Prince, Arooj Aftab nos ensina a lidar com a dor</title>
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					<description><![CDATA[<p>Frederico Tapia Nascida em 1985 na cidade de Riyadh, na Arábia Saudita, mas criada em Lahore, no atual Paquistão, e atualmente radicada em Nova York, nos Estados Unidos, Arooj Aftab começou a ser conhecida durante os anos 2000 com rendições de músicas de outros artistas, como por exemplo Hallelujah, de Leonard Cohen. Ela se formou &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/arooj-aftab-vulture-prince-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em Vulture Prince, Arooj Aftab nos ensina a lidar com a dor"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25926" aria-describedby="caption-attachment-25926" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25926" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-01.jpg" alt="Centralizada está a cantora, com um microfone em sua mão direita, na parte esquerda da imagem. Seus olhos estão apontando para o canto inferior direito, a parte do rosto dela que está na parte esquerda da imagem não é reconhecível. No canto superior esquerdo está escrito “Arooj Aftab” com “Vulture Prince” logo abaixo." width="1200" height="1200" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-01.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-01-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-01-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-01-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Imagem-01-768x768.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25926" class="wp-caption-text">Vulture Prince, o terceiro álbum da carreira de Aftab, a vê retornar a suas raízes e lidar com a dor da perda de pessoas importantes (Foto: New Amsterdam Records)</figcaption></figure>
<p><b>Frederico Tapia</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida em 1985 na cidade de Riyadh, na Arábia Saudita, mas criada em Lahore, no atual Paquistão, e atualmente radicada em Nova York, nos Estados Unidos, Arooj Aftab começou a ser conhecida durante os anos 2000 com rendições de músicas de outros artistas, como por exemplo</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=m_Lub8LRbLo"> <i><span style="font-weight: 400;">Hallelujah</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Leonard Cohen. Ela se formou no </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Berklee_College_of_Music"><span style="font-weight: 400;">Berklee College of Music</span></a><span style="font-weight: 400;"> em Produção Musical, Engenharia de Som e Composição de </span><i><span style="font-weight: 400;">Jazz </span></i><span style="font-weight: 400;">após se mudar para os EUA em 2005. Em 2021, ela lançou seu terceiro álbum de estúdio, </span><a href="https://personaunesp.com.br/lancamentos-musicais-abril-de-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">Vulture Prince</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, e conquistou duas indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022, tornando-se a primeira mulher paquistanesa a ser indicada à premiação estadunidense. Uma das indicações é como Artista Revelação, uma das principais categorias do prêmio, e a outra como Melhor Performance de Música Global por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=iRZ98HX1MO8"><i><span style="font-weight: 400;">Mohabbat</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-25925"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aftab </span><a href="https://www.npr.org/2021/04/18/988483619/arooj-aftabs-newest-album-finds-light-in-dark-times"><span style="font-weight: 400;">dedicou</span></a><span style="font-weight: 400;"> o álbum a Maher, seu irmão mais novo que faleceu durante o processo criativo do disco. Inicialmente, ela estava buscando trabalhar com uma sonoridade mais ousada e alegre antes desta tragédia pessoal. Mas no processo de produção do novo álbum, ela agora estava lidando com a morte de seu irmão, e por isso, ela retornou à sonoridade de seu primeiro disco, </span><a href="https://open.spotify.com/album/1NAirccLvSolVSRuDNQ61R"><i><span style="font-weight: 400;">Bird Under Water</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015). Ela foi em busca dos </span><a href="https://poets.org/glossary/ghazal"><i><span style="font-weight: 400;">Ghazals</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(poemas islâmicos, muito comuns no subcontinente indiano) em </span><a href="https://www.britannica.com/topic/Urdu-language"><span style="font-weight: 400;">Urdu</span></a><span style="font-weight: 400;"> e da Poesia </span><a href="https://www.revistaplaneta.com.br/sufismo-o-lado-secreto-do-isla/"><span style="font-weight: 400;">Sufi</span></a><span style="font-weight: 400;"> para criar uma declaração sobre a sua jornada, da dor e do luto até a aceitação. Ela </span><a href="https://pitchfork.com/news/arooj-aftab-shares-new-song-last-night-listen/"><span style="font-weight: 400;">disse</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o álbum é sobre revisitar lugares que um dia ela chamou de seus, “</span><i><span style="font-weight: 400;">lugares que não necessariamente ainda existem</span></i><span style="font-weight: 400;">”. É sobre pessoas, amizades, e alguns relacionamentos que acabaram de forma abrupta, e como lidar com eles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Como dito na página do disco no </span><a href="https://aroojaftab.bandcamp.com"><i><span style="font-weight: 400;">bandcamp</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, os dois álbuns se comunicam como se fossem dois capítulos. Além dos dois nomes serem ligados a aves, também há o ritual </span><a href="https://www.britannica.com/topic/Parsi"><span style="font-weight: 400;">Parse</span></a><span style="font-weight: 400;">, chamado de </span><a href="https://www.britannica.com/topic/dakhma"><i><span style="font-weight: 400;">Dakhma</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ou Torre do Silêncio, que acontece quando deixavam os entes queridos após morrer para serem consumidos por abutres, como gesto para retomar o ciclo da vida. Aftab </span><a href="https://www.arabnews.pk/node/1883571/pakistan"><span style="font-weight: 400;">disse</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ficou pensando neste ritual, o quão belo e ao mesmo tempo sombrio é, além do papel que os abutres têm no ciclo da vida.</span></p>
<figure id="attachment_25927" aria-describedby="caption-attachment-25927" style="width: 885px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25927" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/imagem-02.jpg" alt="No fundo há uma parede de madeira, no canto superior esquerdo da imagem tem uma planta, com Aftab de cabelos lisos e Badi Assad de cabelos ondulados sentadas de forma próxima, com um violão no colo de Assad. Há outro violão atrás de Assad, na direita da imagem, e dois microfones, um na parte esquerda da imagem e outro na direita da imagem." width="885" height="557" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/imagem-02.jpg 885w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/imagem-02-800x504.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/imagem-02-768x483.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25927" class="wp-caption-text">Arooj Aftab colaborou com a virtuosa violonista e compositora brasileira Badi Assad na canção Diya Hai (Foto: Arooj Aftab/Instagram)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulture Prince</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela infunde os </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghazals</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><a href="https://www.darbar.org/article/an-introduction-to-light-classical-thumri-dadra-and-other-styles"><i><span style="font-weight: 400;">Thumri</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (estilo de canto usual no norte da India) e o </span><a href="https://www.bbc.co.uk/programmes/articles/5Plm8bBlBd7wXjZN2zdb8Fm/a-beginners-guide-to-qawwali-music"><i><span style="font-weight: 400;">Qawwali</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (uma forma de canto devocional islâmico, mais comum no subcontinente indiano) com o minimalismo de </span><a href="http://terryriley.net/biography.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Terry Riley</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (um dos pioneiros na escola do minimalismo musical). Ela abre mão de alguns instrumentos tradicionais, como o </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Sitar"><span style="font-weight: 400;">Sitar</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Bansuri"><span style="font-weight: 400;">Bansuri</span></a><span style="font-weight: 400;">. Além disso, das sete músicas do álbum, cinco não contam com qualquer tipo de percussão, com as exceções sendo </span><i><span style="font-weight: 400;">Last Night</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mohabbat</span></i><span style="font-weight: 400;">. Por isso, Aftab usa sua voz como um instrumento, sendo este provavelmente o mais proeminente ao longo dos 46 minutos que o disco percorre. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A maior parte das canções são releituras. Por exemplo, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=ofrh_v5IfmY"><i><span style="font-weight: 400;">Suroor</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> que ficou conhecida na voz do grande </span><a href="https://open.spotify.com/artist/5HcunTidTUrOaf8V0iJcvl"><span style="font-weight: 400;">Nusrat Fateh Ali Khan,</span></a><span style="font-weight: 400;"> um dos maiores cantores de Qawwali e considerado por alguns como o maior cantor Sufi nas línguas Punjabi e Urdu, chamado muitas vezes como</span><a href="https://tribune.com.pk/story/422931/shahenshah-e-qawwali-remembering-nusrat-fateh-ali-khan"><span style="font-weight: 400;"> “</span><i><span style="font-weight: 400;">Shahenshah-e-Qawwali</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;"> (“</span><i><span style="font-weight: 400;">O rei dos reis do Qawwali”</span></i><span style="font-weight: 400;">). Outro exemplo é </span><i><span style="font-weight: 400;">Last Night</span></i><span style="font-weight: 400;">, a única música cantada em inglês do disco. A canção se trata de um poema de </span><a href="https://www.rumiwasmuslim.com"><span style="font-weight: 400;">Rumi</span></a><span style="font-weight: 400;">, poeta persa do século XIII que, apesar de ser um dos mais vendidos no Ocidente, tem seu </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=cbsM0FhizaA&amp;t=201s"><span style="font-weight: 400;">contexto religioso</span></a><span style="font-weight: 400;"> retirado de seu trabalho na maior parte das traduções.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><span class="embed-youtube" style="text-align:center; display: block;"><iframe loading="lazy" class="youtube-player" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/lY9czKBv_II?version=3&#038;rel=1&#038;showsearch=0&#038;showinfo=1&#038;iv_load_policy=1&#038;fs=1&#038;hl=pt-BR&#038;autohide=2&#038;wmode=transparent" allowfullscreen="true" style="border:0;" sandbox="allow-scripts allow-same-origin allow-popups allow-presentation allow-popups-to-escape-sandbox"></iframe></span></div>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco é iniciado com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=U1wK0KwACVg&amp;t=2s"><i><span style="font-weight: 400;">Baghon Main</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">,</span></i><span style="font-weight: 400;"> uma regravação de um </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghazal</span></i><span style="font-weight: 400;"> que Arooj já havia interpretado em seu primeiro álbum, mas que aqui assume uma influência sonicamente minimalista. O álbum segue com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=oCUFC-ULdOk"><i><span style="font-weight: 400;">Diya Hai</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que foi a última música que ela cantou para seu irmão em vida, e que conta com a participação da brasileira </span><a href="https://open.spotify.com/artist/5FjCbWsyUcmYeuOweDuyqs"><span style="font-weight: 400;">Badi Assad</span></a><span style="font-weight: 400;">. A canção é uma interpretação de um </span><a href="https://www.rekhta.org/ghazals/diyaa-hai-dil-agar-us-ko-bashar-hai-kyaa-kahiye-mirza-ghalib-ghazals"><span style="font-weight: 400;">poema</span></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://indianexpress.com/article/express-sunday-eye/mirza-ghalib-a-scoundrel-who-lives-near-god-5851031/"><span style="font-weight: 400;">Mirza Ghalib</span></a><span style="font-weight: 400;">, no qual Aftab demonstra sua voz etérea junto ao virtuosismo de Assad no violão. Nos versos finais, ela canta sua sensação de estar sem palavras e isso diz muito sobre o próprio disco. Afinal, o álbum, de forma até proposital, talvez não diga tanto de forma sônica, e também talvez, nem precise dizer mais do que isso.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seguindo, a próxima canção é </span><i><span style="font-weight: 400;">Inayaat</span></i><span style="font-weight: 400;">, um </span><i><span style="font-weight: 400;">Ghazal</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><a href="https://www.rekhta.org/ghazals/kuchh-to-duniyaa-kii-inaayaat-ne-dil-tod-diyaa-sudarshan-faakir-ghazals"><span style="font-weight: 400;">Sudarshan Fakir</span></a><span style="font-weight: 400;"> que pode ser traduzido como “</span><i><span style="font-weight: 400;">Gentileza</span></i><span style="font-weight: 400;">”, e a própria cantora traduziu a letra na </span><a href="https://genius.com/Arooj-aftab-inayaat-lyrics"><span style="font-weight: 400;">página</span></a><span style="font-weight: 400;"> da música no site </span><i><span style="font-weight: 400;">Genius</span></i><span style="font-weight: 400;">. O único momento em que ela não canta em sua língua nativa é em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=F2N4M52lTkk"><i><span style="font-weight: 400;">Last Night</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, canção que evoca repetidamente a imagem da Lua, que na poesia Sufi, tende a vir de um lugar tanto de esclarecimento quanto de transcendência. Ao citar que seu amado é como a Lua, Aftab encontra uma forma para os seus sentimentos nesta situação específica. Aqui, assim como em outros momentos do disco, ela repete suas palavras várias vezes, e a cada vez que isso acontece, a artista encontra uma forma de fazer os versos chegarem até nós de uma forma diferente.</span></p>
<figure id="attachment_25928" aria-describedby="caption-attachment-25928" style="width: 1189px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25928" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/imagem-03.jpg" alt="No fundo há uma parede azul e Arooj Aftab, uma mulher paquistanesa de cabelo preto e olhos castanhos está com seu cotovelo apoiado em uma mesa de madeira, e apoiando o rosto em sua mão esquerda que possui um anel do dedo anelar, no lado direito da imagem. Ela veste um pulôver azul escuro com uma camiseta preta." width="1189" height="1486" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/imagem-03.jpg 1189w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/imagem-03-640x800.jpg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/imagem-03-819x1024.jpg 819w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/imagem-03-768x960.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-25928" class="wp-caption-text">Como processo do luto, Aftab decidiu retornar às suas raízes (Foto: Tonje Thilesen/For The Times)</figcaption></figure>
<p><a href="https://college.berklee.edu/alumni/news/arooj-aftab-mohabbat"><i><span style="font-weight: 400;">Mohabbat</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que gerou uma de suas indicações ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um poema de </span><a href="https://www.rekhta.org/poets/hafeez-hoshiarpuri/profile"><span style="font-weight: 400;">Hafeez Hoshiarpuri</span></a><span style="font-weight: 400;"> escrito na década de 1920. Existem outras versões feitas por cantores paquistaneses, como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6T6maxRCtL0"><span style="font-weight: 400;">Mehdi Hassan</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas Aftab toma outra direção em sua interpretação. Sem o uso do </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Pump_organ"><span style="font-weight: 400;">harmônio</span></a><span style="font-weight: 400;"> ou da </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Tabla"><i><span style="font-weight: 400;">tabla</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela alonga as palavras, evocando o sentimento de tristeza da separação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A tristeza disso é igual a tristeza de todo o mundo</span></i><span style="font-weight: 400;">”, ela canta, evocando algo que poderia ter vindo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GoJ9EO9CTZk&amp;list=OLAK5uy_kU_3PvHya6yBDoBsPLYdkfg-MGddcBJ84"><span style="font-weight: 400;">Abida Parveen</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de nunca chegar em um clímax propriamente dito, a canção cria camadas e camadas de sentimentos como algo que queima lentamente, e segundo </span><a href="https://www.newamrecords.com/composers/arooj-aftab"><span style="font-weight: 400;">as palavras da própria</span></a><span style="font-weight: 400;"> artista, ela quer que sua música traga sentimentos da poesia Sufi, como calma, paz, paciência, simplicidade, e depois anseio, tristeza, procura, unidade, e compreensão.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Arooj Aftab &quot;Mohabbat&quot; (Live Performance) | Open Mic" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Wu-ljkAVMhE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A penúltima canção, </span><i><span style="font-weight: 400;">Saans Lo</span></i><span style="font-weight: 400;">, é um poema composto por </span><a href="https://en.wikipedia.org/wiki/Annie_Ali_Khan"><span style="font-weight: 400;">Annie Ali Khan</span></a><span style="font-weight: 400;">, amiga da cantora que faleceu em 2018, no mesmo ano que o irmão de Aftab. Aqui, a canção nos aconselha a respirar e olhar pra frente antes de chegar ao encerramento do disco, que acontece com </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=X-rZFNTWV8g&amp;t=1s"><i><span style="font-weight: 400;">Suroor</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A música nasce de outro clássico Qawwali, mas dessa vez, ela o leva para a direção do </span><i><span style="font-weight: 400;">jazz</span></i><span style="font-weight: 400;"> e sintetiza a ideia de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulture Prince</span></i><span style="font-weight: 400;">:  mesmo retornando às suas origens, Arooj Aftab demonstra toda sua personalidade e sua identidade criativa, no fim das contas trazendo algo único.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aftab disse que esse é um álbum sobre revisitar, reviver lugares e relacionamentos que não necessariamente existem. Indubitavelmente, é um álbum extremamente pessoal, mas ao mesmo tempo, ele ultrapassa barreiras, sendo elas tanto linguísticas quanto musicais, e consegue passar sua mensagem de forma brilhante. Desta forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">Vulture Prince</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz um pouco de ar fresco ao </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy</span></i><span style="font-weight: 400;">, extremamente dominados pelos mesmos gêneros e sempre cantados em inglês.</span></p>
<p><iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Vulture Prince" width="100%" height="380" style="[object Object]" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/album/21OZptKAhVTvzKdxxtk4DT?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<pubDate>Thu, 04 Nov 2021 21:01:56 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Raquel Dutra O nome do novo filme de Kamila Andini é exclamado em muitos momentos dentro dos 90 minutos que o abrigam. Não é para menos, afinal, as reações à figura que o batiza: uma adolescente cheia de sonhos, perspicácia e incertezas que vive no interior conservador e religioso da Indonésia. Antes de chegar na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/yuni-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Yuni!"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24482" aria-describedby="caption-attachment-24482" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24482" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuniyni-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24482" class="wp-caption-text">O drama adolescente da cineasta Kamila Andini é parte da seção Perspectiva Internacional da 45ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo e a aposta da Indonésia para representar o país no Oscar 2022 (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><b>Raquel Dutra</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O nome do novo filme de Kamila Andini é exclamado em muitos momentos dentro dos 90 minutos que o abrigam. Não é para menos, afinal, as reações à figura que o batiza: uma adolescente cheia de sonhos, perspicácia e incertezas que vive no interior conservador e religioso da Indonésia. Antes de chegar na 45ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> gerou o mesmo sentimento no </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/festival-de-toronto/"><span style="font-weight: 400;">Festival de Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;"> 2021, de onde saiu com uma recepção muito positiva e agraciada com </span><i><span style="font-weight: 400;">Platform Prize</span></i><span style="font-weight: 400;">, que reconhece filmes com </span><i><span style="font-weight: 400;">“alto mérito artístico”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que também apresentam</span><i><span style="font-weight: 400;"> “uma forte visão de direção”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24481"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os aplausos para o trabalho da diretora indonésia são mais do que dignos. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um daqueles raros dramas adolescentes que sabe encontrar o lugar perfeito entre a irreverência e a seriedade, que aqui, cria uma ilustração da forma como as </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2017/11/10/o-que-esta-por-tras-da-historia-de-que-menina-amadurece-mais-cedo.htm"><span style="font-weight: 400;">normas sociais do patriarcado</span></a><span style="font-weight: 400;"> interferem na vida de meninas que são empurradas em direção ao amadurecimento precoce. Impulsionado pela ousadia e sensibilidade de sua protagonista, o filme de </span><a href="https://www.mpa-apac.org/2020/06/the-many-lives-of-indonesian-director-kamila-andini/"><span style="font-weight: 400;">Kamila Andini</span></a><span style="font-weight: 400;"> usa como cenário um dos lugares mais religiosos do país que possui a maior população islâmica do mundo, para assim tocar em questões de gênero, sexualidade e amadurecimento numa obra que vai além das narrativas </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/coming-of-age/"><i><span style="font-weight: 400;">coming-of-age</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> hegemônicas do eixo Estados Unidos-Europa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao lado de Andini, quem também assina o sucesso do filme é </span><a href="https://www.instagram.com/arawindak/"><span style="font-weight: 400;">Arawinda Kirana</span></a><span style="font-weight: 400;"> com a genialidade que dá vida à Yuni. A personagem está no último ano da escola (que tenta implementar testes de virgindade obrigatórios e proibir expressões musicais por ser algo fora da conformidade dos ensinamentos islâmicos), e sob a tutela da avó (ou do abraço aconchegante porém conservador de Nazla Thoyib) enquanto os pais trabalham na distante capital Jakarta. Ela é considerada uma das melhores alunas da turma e também vista como uma das melhores pretendentes da cidade, vivendo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=s1TgZHJgUCQ"><span style="font-weight: 400;">o auge de sua adolescência</span></a><span style="font-weight: 400;"> em meio a profundos dilemas que surgem dessa interseção de costumes tradicionais e aspirações modernas.</span></p>
<figure id="attachment_24483" aria-describedby="caption-attachment-24483" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24483" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/Yuni_05-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24483" class="wp-caption-text">O prêmio que Yuni recebeu no Festival de Toronto já agraciou obras como Jackie, de Pablo Larraín em 2016, e Martin Eden, Pietro Marcello em 2019 (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro de Kamila Andini e </span><a href="https://twitter.com/primarus"><span style="font-weight: 400;">Prima Rusdi</span></a><span style="font-weight: 400;"> não foge de nada, e a vibrância de Kirana se choca com incertezas que Yuni encontra em todos os cantos. Primeiro, o pressuposto da universidade existe desde que suas notas e seu estado civil permaneçam como estão, pois só assim ela terá a chance de conquistar uma bolsa universitária e viver sua liberdade e autonomia. No entanto, ela tem um pé atrás com a questão do casamento, já que </span><a href="https://www.brasileiraspelomundo.com/julho-indonesia-casamentos-e-suas-tradicoes-290859645"><span style="font-weight: 400;">os mitos locais</span></a><span style="font-weight: 400;"> dizem que se uma jovem rejeitar dois pedidos, será praticamente impossível ela encontrar um marido depois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A saída da personagem é manter todas as opções em aberto, e o filme concentra seu desenrolar na corrida de Yuni em direção ao seu sonho universitário antes que a terceira proposta de casamento destrua os rumos de sua vida. Na escola, a única dificuldade dela é encaixar sua mente lógica nos sentimentos aflorados pela Literatura, disciplina ministrada por Sr. Damar (</span><a href="https://www.instagram.com/dimsad77/?hl=pt-br"><span style="font-weight: 400;">Dimas Aditya</span></a><span style="font-weight: 400;">), o professor que é sua paixão secreta. Então, ela conta com a ajuda do tímido Yoga (</span><a href="https://mubi.com/pt/cast/kevin-ardilova"><span style="font-weight: 400;">Kevin Ardilova</span></a><span style="font-weight: 400;">), que direciona o encanto que tem por Yuni na poesia. A narrativa cheia de personalidade de Andini sabe usar clichês, e a paixão inicialmente unilateral floresce em algo muito mais significativo.</span></p>
<figure id="attachment_24484" aria-describedby="caption-attachment-24484" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24484" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2.jpg" alt="" width="1200" height="600" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-800x400.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-1024x512.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-2-768x384.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24484" class="wp-caption-text">O filme é dedicado à memória do mestre da poesia indonésia Sapardi Djoko Damono (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como o prêmio de Toronto bem notou, </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um trabalho de arte. Parcialmente inspirado em </span><i><span style="font-weight: 400;">Hujan Bulan Juni </span></i><span style="font-weight: 400;">(conhecido como</span><i><span style="font-weight: 400;"> A June Rain</span></i><span style="font-weight: 400;">, “chuva de junho”, numa tradução literal), o precioso poema de amor do reverenciado indonésio </span><a href="https://www.poemhunter.com/sapardi-djoko-damono/"><span style="font-weight: 400;">Sapardi Djoko Damono</span></a><span style="font-weight: 400;">, Kamila Andini cria reviravoltas trazendo a poesia para o filme, tanto na forma quanto no conteúdo, tanto objetiva quanto subjetivamente. O movimento só funciona graças à vastidão emocional, verossimilhança e simpatia que Arawinda Kirana cria para a protagonista, mesmo nos momentos em que Yuni mergulha nos momentos contraditórios orientados pela confusão sentimental da juventude.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O próprio roteiro brinca com noções estéticas, significados culturais e hábitos da adolescência com sua protagonista </span><a href="https://www.shutterstock.com/pt/blog/o-espectro-do-simbolismo-o-significado-das-cores-ao-redor-do-mundo"><span style="font-weight: 400;">obcecada por roxo</span></a><span style="font-weight: 400;"> (&#8220;</span><i><span style="font-weight: 400;">todo mundo sabe que quando uma coisa roxa some, você deve ter roubado</span></i><span style="font-weight: 400;">&#8220;, implora a diretora da escola para que Yuni deixe seus “maus” comportamentos influenciados pelas suas manias “bobas”). A cor costumeiramente associada ao poder, sabedoria e espiritualidade é amplamente conhecida na Indonésia como o tom que representa e consola as viúvas enlutadas, o que satiricamente muda os olhares direcionados à Yuni quando ela é vista dirigindo sua moto púrpura ou ostentando mechas lilases no cabelo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A câmera de Teoh Gay Hian, por sua vez, é muito bem orientada para reparar nos detalhes, e a composição de Budi Riyanto Karung sabe exatamente o que precisa expressar. Seja quando o grupo de amigas de Yuni chora pela </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/cortei-meus-pulsos-porque-nao-tinha-opcao-o-drama-das-meninas-obrigadas-a-se-casar.ghtml"><span style="font-weight: 400;">pressão do casamento</span></a><span style="font-weight: 400;"> compulsório no cenário do quarto adolescente, ou quando a protagonista explode um momento de caos emocional jogando todas as quinquilharias roxas potencialmente furtadas para fora do seu armário, ou quando todas as garotas estão apenas conversando sem rodeios sobre o que envolve </span><a href="https://azmina.com.br/reportagens/como-os-adolescentes-lidam-com-sexo-e-identidade-de-genero/?gclid=CjwKCAjwiY6MBhBqEiwARFSCPlU9Lg3T89XAray90KAbay2Wm7CQceCWzg6TKXgcJlR0zbzC0b-EFhoC1zkQAvD_BwE"><span style="font-weight: 400;">o mundo delas</span></a><span style="font-weight: 400;"> naquele momento, tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni</span></i><span style="font-weight: 400;"> existe para construir uma única mensagem que sua criadora identificou lá no início.</span></p>
<figure id="attachment_24485" aria-describedby="caption-attachment-24485" style="width: 1600px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24485" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4.jpg" alt="" width="1600" height="1100" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4.jpg 1600w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-800x550.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1024x704.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-768x528.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1536x1056.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/11/yuni-4-1200x825.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24485" class="wp-caption-text">A estreia da cineasta foi com o aclamado The Mirror Never Lies, em 2011, que a colocou no radar mundial como um dos nomes mais promissores do Cinema do sudeste asiático (Foto: Cercamon)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O tema recorrente do </span><a href="https://valkirias.com.br/greta-gerwig-lady-bird-frances-ha/"><span style="font-weight: 400;">Cinema feito por mulheres</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos últimos anos, que reflete sobre a nossa </span><a href="https://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/https://personaunesp.com.br/assim-como-no-ceu-critica/"><span style="font-weight: 400;">realidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os nossos </span><a href="https://personaunesp.com.br/lady-bird-critica/"><span style="font-weight: 400;">caminhos</span></a><span style="font-weight: 400;"> em contextos de persistência do patriarcalismo,  encontra aqui um naturalismo gracioso, despreocupado, convincente e sem julgamentos. Podemos não saber exatamente o que queremos, mas </span><a href="https://womenandhollywood.com/tiff-2021-women-directors-meet-kamila-andini-yuni/"><span style="font-weight: 400;">sabemos exatamente o que não queremos</span></a><span style="font-weight: 400;">. E quando o filme de Kamila Andini desenha isso diante dos nossos olhos através da jornada de sua protagonista, é a hora da maior exclamação de todas. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yuni!</span></i><span style="font-weight: 400;"> Apenas <em>Yuni!</em></span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="YUNI Trailer | TIFF 2021" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/s1TgZHJgUCQ?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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