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	<title>Arquivos Ariano Suassuna &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>25 anos de O Auto da Compadecida: humor, tradição e cultura nordestina</title>
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		<pubDate>Fri, 28 Nov 2025 13:00:25 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Sinara Martins Baseado na obra de Ariano Suassuna, O Auto da Compadecida é considerado um clássico do cinema nacional não à toa. Lançado em 2000, o filme une a cultura popular nordestina, a literatura de cordel e tradições religiosas para contar as aventuras de João Grilo e Chicó. Entre astúcias, trapalhadas e denúncias sociais, a &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/25-anos-de-o-auto-da-compadecida-humor-tradicao-e-cultura-nordestin/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de O Auto da Compadecida: humor, tradição e cultura nordestina"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35966" aria-describedby="caption-attachment-35966" style="width: 737px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-35966" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image3-1.jpg" alt="Obra de arte de estilo sacro representando uma cena celestial. No centro, a Virgem Maria aparece de pé, vestida com túnica vermelha e manto azul, irradiando luz dourada. Acima de sua cabeça, dois anjos seguram uma coroa dourada. Ao redor, há santos e figuras religiosas com auréolas douradas, entre eles homens e mulheres em posição de oração ou contemplação. Dois anjos de túnicas vermelhas, posicionados abaixo, empunham lanças contra figuras demoníacas monstruosas que surgem em meio às chamas, com dentes afiados e expressões agressivas. O fundo é azul, repleto de estrelas douradas, reforçando a atmosfera celestial e simbólica de vitória do bem sobre o mal." width="737" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-35966" class="wp-caption-text">A narrativa aclamada alcança uma harmonia única entre a cultura popular e a riqueza da criação literária (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Sinara Martins</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseado na obra de Ariano Suassuna, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecid</span></i><span style="font-weight: 400;">a é considerado um clássico do cinema nacional não à toa. Lançado em 2000, o filme une a cultura popular nordestina, a </span><a href="https://www.educacao.sp.gov.br/voce-conhece-a-literatura-de-cordel/"><span style="font-weight: 400;">literatura de cordel</span></a><span style="font-weight: 400;"> e tradições religiosas para contar as aventuras de João Grilo e Chicó. Entre astúcias, trapalhadas e denúncias sociais, a narrativa conquista o público ao mesmo tempo em que valoriza a identidade cultural do Nordeste, faz críticas e reafirma a força do imaginário popular brasileiro.</span></p>
<p><span id="more-35962"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama é dividida em três atos: a apresentação, o conflito e o julgamento. O roteiro equilibra a comédia e a emoção, que se junta com a essência do Nordeste. É o tipo de filme que grita ‘Brasil’. A desigualdade está nas falas e trejeitos dos personagens, tão inesquecíveis. Expressões populares, </span><a href="https://portal.unit.br/blog/noticias/fala-nordestina-e-preconceito-linguistico/"><span style="font-weight: 400;">sotaques</span></a><span style="font-weight: 400;"> marcados e gestos simples refletem a vida de quem precisa improvisar para driblar as injustiças sociais, tornando o humor também um retrato crítico das desigualdades do país.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como na </span><a href="https://www.todamateria.com.br/comedia-dell-arte/"><i><span style="font-weight: 400;">commedia dell’arte</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – um tipo de teatro popular surgido na Itália no século XVI, em que os atores interpretavam personagens fixos e usavam muita improvisação, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz figuras do povo que enfrentam os poderosos com astúcia e humor. Ariano Suassuna adapta essa tradição ao sertão nordestino: João Grilo é o malandro esperto que se salva pela inteligência, enquanto Chicó é o sonhador medroso e ingênuo. Essa influência dá ritmo e leveza à obra, unindo o riso popular italiano ao humor criativo e tipicamente brasileiro.</span></p>
<figure id="attachment_35965" aria-describedby="caption-attachment-35965" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35965" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-800x450.jpg" alt="Cena em ambiente árido do sertão, com chão de terra seca e vegetação esparsa ao fundo. Dois homens vestidos com roupas simples e gastas aparecem em primeiro plano. O da esquerda, João Grilo, sorri e segura um galho de madeira em forma de cruz acima da cabeça do companheiro. O da direita, Chicó, está ajoelhado, com expressão séria e olhar voltado para cima, também segurando um pedaço de madeira em formato de cruz. Atrás deles há uma carroça de madeira puxada por um animal, sugerindo um contexto rural e de pobreza." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image2-2.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35965" class="wp-caption-text">Grande parte das cenas foi gravada em Cabaceiras (PB). Depois do sucesso do filme, a cidade virou praticamente um cenário fixo de produções brasileiras e ganhou fama nacional (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">João Grilo, interpretado de forma brilhante por </span><a href="https://www.adorocinema.com/personalidades/personalidade-28570/filmografia/"><span style="font-weight: 400;">Matheus Nachtergaele</span></a><span style="font-weight: 400;">, é sagaz e irresistivelmente carismático. Sua inteligência perspicaz o ajuda a superar situações complicadas e a enganar figuras poderosas, como o severo padre e o arrogante major. Já Chicó, vivido por </span><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/selton-mello-sobre-chico-de-auto-da-compadecida-papel-mais-popular-da-minha-vida-24174625.html#:~:text=%E2%80%9CUm%20trabalho%20que%20at%C3%A9%20hoje,antes%20e%20depois%20de%20Chic%C3%B3%E2%80%9D.&amp;text=%E2%80%94%20%C3%89%20algo%20t%C3%A3o%20poderoso%2C%20que,minha%20vida%20%E2%80%94%20declara%2Dse."><span style="font-weight: 400;">Selton Mello</span></a><span style="font-weight: 400;">, é covarde e sentimental, oferecendo alívio cômico em momentos de tensão. A química entre os dois protagonistas é vibrante e memorável. Esse contraste de personalidades enriquece a obra com leveza e dinamismo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que simples cenários, o filme traz uma representação autêntica do Nordeste. As paisagens áridas e as </span><a href="https://pointer.com.br/blog/a-historia-e-as-caracteristicas-da-arquitetura-nordestina/amp/"><span style="font-weight: 400;">casas humildes</span></a><span style="font-weight: 400;"> revelam tanto as dificuldades econômicas quanto a força e a beleza de um povo resistente. A fotografia, sempre cuidadosa, valoriza os detalhes culturais e transforma cada plano em uma imersão na vida sertaneja.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o roteiro se destaca pela inteligência e pelo equilíbrio entre humor e crítica. Os diálogos espirituosos, que mesclam poesia com linguagem popular, dão ritmo à narrativa e aproximam o público da cultura regional. Situações absurdas e mal-entendidos garantem risadas, mas também abrem espaço para reflexões sobre</span><a href="https://vendoteatro.com/criticas/sobre-a-moral-e-os-bons-costumes-critica-de-o-auto-da-compadecida/2020/02/13/"><span style="font-weight: 400;"> moralidade</span></a><span style="font-weight: 400;">, justiça e religião, usando o riso como ferramenta para questionar preconceitos e hierarquias sociais.</span></p>
<figure id="attachment_35964" aria-describedby="caption-attachment-35964" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-35964" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/10/image1-2.jpg" alt="Imagem de uma cena teatral com dois personagens em trajes elaborados. Um personagem, representada pela Compadecida, veste uma túnica azul com detalhes brancos e vermelhos, segurando o rosto do outro personagem. O segundo personagem, representado por Jesus, está vestido com uma túnica branca adornada com ouro e um coração vermelho no peito, usando uma coroa de espinhos. O fundo é amarelo com ornamentos arquitetônicos, sugerindo um ambiente de palco." width="750" height="375" /><figcaption id="caption-attachment-35964" class="wp-caption-text">A obra foi a primeira produção realizada integralmente pela Globo Filmes, desde a concepção da ideia até sua execução (Foto: Diocese de Crato)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desfecho, por sua vez, surpreende pela carga simbólica. Fé, justiça e humanidade se encontram na figura da Compadecida, interpretada por Fernanda Montenegro, que representa misericórdia e equilíbrio diante das falhas humanas. A jornada de João Grilo e Chicó se encerra com valores de astúcia, solidariedade e compaixão, num final que mistura emoção, crítica social e </span><a href="https://pt.linkedin.com/pulse/n%C3%A3o-sei-s%C3%B3-que-foi-assim-um-breve-passeio-pela-obra-de-silva-7iynf"><span style="font-weight: 400;">comédia refinada</span></a><span style="font-weight: 400;"> – deixando no espectador a sensação de encantamento e reflexão duradoura.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Considerado um marco do </span><a href="https://infograficos.oglobo.globo.com/cultura/top10-filmes-brasileiros.html"><span style="font-weight: 400;">cinema brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida</span></i><span style="font-weight: 400;"> permanece vivo no imaginário coletivo. Sua mistura de comédia, drama e fantasia consegue ser leve e profunda ao mesmo tempo, enquanto revela um retrato afetuoso e crítico do povo nordestino. Produzida como minissérie em 1998 na </span><i><span style="font-weight: 400;">Rede Globo</span></i><span style="font-weight: 400;">, a produção fez tanto sucesso que ganhou versão para o cinema, com 100 minutos a menos que a original. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2024, a obra ganhou uma continuação – </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-auto-da-compadecida-2-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Compadecida 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A estreia do novo filme confirma a força e o impacto duradouro da criação de Ariano Suassuna. Passados 25 anos do lançamento original, a história segue emocionante e necessária, ao tratar de temas universais como desigualdade, fé, justiça e sobrevivência, que continuam a dialogar intensamente com a sociedade brasileira.</span></p>
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		<title>Como comédia, O Auto da Boa Mentira é uma ótima homenagem a Ariano Suassuna</title>
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		<pubDate>Sun, 30 May 2021 03:14:33 +0000</pubDate>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_20856" aria-describedby="caption-attachment-20856" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20856" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1.-PU.jpg" alt="Cena do filme O Auto da Boa Mentira. A imagem traz o personagem de Jackson Antunes caracterizado de palhaço, com gravata grande, roupas de cores fortes e maquiagens extravagantes. " width="1000" height="563" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1.-PU.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1.-PU-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-1.-PU-768x432.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20856" class="wp-caption-text">Cena do filme O Auto da Boa Mentira, onde retrata o palhaço Romeu, vivido por Jackson Antunes (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Teixeira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span><a href="https://youtu.be/R1IUt-CAgSw"><i><span style="font-weight: 400;">“Eu gosto do mentiroso que mente por amor à arte&#8221;</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, declarou nosso saudoso Ariano Suassuna (1927-2014) no trecho de uma entrevista inserida logo no início do filme que tem como base, a mentira. Dirigido por </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=zMzqWDEmZeU&amp;t=286s"><span style="font-weight: 400;">José Eduardo Belmonte</span></a><span style="font-weight: 400;"> e saudando as boas histórias do escritor pernambucano,</span><i><span style="font-weight: 400;"> O Auto da Boa Mentira</span></i><span style="font-weight: 400;"> conta em quatro esquetes, as histórias de Helder (Leandro Hassum), Fabiano (Renato Góes), Pierce (Chris Mason) e Lorena (Cacá Ottoni). O que eles têm em comum? A mentira. A boa mentira. Os quatro contos mostram as diferentes maneiras com que a lorota atua na vida de cada personagem individualmente. O time que forma o elenco do filme ainda conta com Nanda Costa, Cássia Kis, Jesuíta Barbosa, Luís Miranda e outros grandes nomes da Arte brasileira.</span></p>
<p><span id="more-20855"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro enredo que nos é apresentado é o do subgerente de RH Helder (</span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/2021/03/19/leandro-hassum-e-vacinado-contra-covid-19-nos-estados-unidos.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Leandro Hassum</span></a><span style="font-weight: 400;">), que é confundido com o famoso humorista Paulo Mendonça. Deslumbrado com a fama e o assédio dos fãs, Helder assume a identidade do artista e tira vantagens em cima disso. Contudo, ele não imaginava que Paulo estava na mira de Caetana (Nanda Costa), filha de um ex-rival de profissão do humorista. </span><span style="font-weight: 400;">Quando Helder, se dizendo Paulo, conhece a atraente moça num bar de hotel, logo é seduzido pela mesma, que posteriormente o dopa e tenta matá-lo sufocado com um travesseiro no quarto do hotel. Algemado na cama e prestes a morrer asfixiado, o subgerente assume sua verdadeira identidade e consegue se salvar. Uma mentira que quase lhe custou à vida, literalmente. Logo após descobrir o engano, Caetana se desculpa pelo engano, desata a chorar e vai embora. </span></p>
<figure id="attachment_20857" aria-describedby="caption-attachment-20857" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20857" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-2.-PU.jpg" alt="Cena do filme O Auto da Boa Mentira. A imagem mostra uma mulher branca de cabelos loiros seduzindo um homem branco de cabelo baixo. A frente deles há drinks em que estão bebendo e uma bolsa dourada no formato de uma concha." width="750" height="380" /><figcaption id="caption-attachment-20857" class="wp-caption-text">Caetana (Nanda Costa) seduz Helder (Leandro Hassum) no bar de um hotel (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim do conto, um misterioso assassinato ocorre no hotel e um segurança define a causa da morte por </span><a href="https://www.dicionarioinformal.com.br/significado/caetana/37855/"><span style="font-weight: 400;">“Caetana”</span></a><span style="font-weight: 400;">, e segundo Suassuna, essa mulher é a Morte. Um fato interessante sobre essa esquete é que os fãs, ao abordarem o farsante, enfatizam de que o humorista mudou muito fisicamente após emagrecer, fazendo uma alusão a </span><a href="https://catracalivre.com.br/saude-bem-estar/leandro-hassum-revela-o-que-motivou-sua-perda-de-peso/"><span style="font-weight: 400;">perda de peso significativa do intérprete</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O segundo esquete do filme conta a história de Fabiano, um rapaz que, ao lado de sua mãe, exuma os ossos de seu falecido pai, com quem nunca se deu bem. Dias depois, um profeta o aborda na rua dizendo que seu pai estava com medo de morrer, porém, Fabiano rebate dizendo que seu pai havia morrido há mais de trinta anos. A surpresa do personagem acontece quando o profeta afirma que quem morreu foi o marido de sua mãe, e não o seu pai. Intrigado com as profecias que ouviu, o filho de Luzia (Cássia Kis) pressiona sua mãe até que a viúva, em um diálogo comovente onde vale ressaltar a maestria e o talento da atriz, confessa o adultério com um palhaço de um circo regional que frequentavam especificamente no dia dos pais.</span></p>
<figure id="attachment_20858" aria-describedby="caption-attachment-20858" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20858" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3.-PU.jpg" alt="Cena do filme O Auto da Boa Mentira. À direita, temos mulher de cabelos grisalhos e roupas azul e bege, encostada no ombro de seu filho à esquerda, um homem branco de alta estatura, de cabelos e barba castanha e vestindo uma camiseta xadrez num tom escuro de verde." width="1024" height="682" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3.-PU.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3.-PU-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-3.-PU-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20858" class="wp-caption-text">Fabiano (Renato Góes) e sua mãe Luzia (Cássia Kis), após um diálogo emocionante sobre o verdadeiro pai do rapaz (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Disposto a encontrar o palhaço Romeu (</span><a href="https://tribunaonline.com.br/jackson-antunes-a-arte-salva-vidas-estou-aqui"><span style="font-weight: 400;">Jackson Antunes</span></a><span style="font-weight: 400;">) – assim se chamava seu suposto pai, Fabiano vai até o circo e flagra o homem sendo ameaçado por um agiota que quer o espaço como forma de pagamento de uma alta dívida. Sensibilizado com angústia de seu pai e agindo com impulsividade, Fabiano entrega a ele um relógio de grande valor financeiro sem consultar sua mãe, que pretendia empenhar o relógio para reformar a jazida de seu falecido. Contudo, o mocinho revela que deu a herança familiar a seu pai e sua mãe se desespera, pois na verdade, o palhaço Romeu era uma franquia de palhaços e o verdadeiro já havia morrido. O mentiroso foge com a joia.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de ser o melhor dos quatro contos, uma gafe é cometida e passa quase despercebida: O protagonista possui um sotaque nordestino no qual os demais personagens (inclusive sua própria mãe) não aparentam ter. Não houve explicações para essa variação, que soma pontos negativos de coerência para </span><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Boa Mentira</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Logo após, o público conhece a história de Pierce (</span><a href="https://www.uol.com.br/splash/noticias/2021/05/06/gringo-mas-brasileiro-astro-de-riverdale-vira-carioca-malandro-em-filme.htm"><span style="font-weight: 400;">Chris Mason</span></a><span style="font-weight: 400;">). Conhecido por integrar o elenco de séries americanas como </span><a href="http://personaunesp.com.br/riverdale-4a-temporada-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Riverdale</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> e </span></i><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wUZXF76_YYs"><i><span style="font-weight: 400;">Pretty Little Liars: The Perfectionists</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><span style="font-weight: 400;">o ator britânico tem contribuído com a audiência do filme, levando o público </span><i><span style="font-weight: 400;">teen </span></i><span style="font-weight: 400;">à frente das telonas. A mentira que cerca Pierce é criada quando o </span><i><span style="font-weight: 400;">bon vivant</span></i><span style="font-weight: 400;"> tenta explicar sua ausência no aniversário de seu amigo Zeca (Sérgio Loroza), dono de um bar onde os turistas do mentiroso frequentam.</span></p>
<figure id="attachment_20859" aria-describedby="caption-attachment-20859" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-20859" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-4.-PU.jpg" alt="Cena do filme O Auto da Boa Mentira. Caminham pelo calçadão da praia em sentido esquerdo, dois homens e duas mulheres utilizando roupas claras e trajes adequados para o calor, como chapéus e chinelos." width="650" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-20859" class="wp-caption-text">O guia vivido por Chris Mason caminha pelo Rio de Janeiro com seus turistas (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para não se indispor com seu amigo e colega de negócios, o gringo inventa que foi assaltado na comunidade, o que indigna o dono de bar. Revoltado com a falta de segurança na comunidade, Zeca procura o chefe da favela, vivido por Jesuíta Barbosa, para encontrar o ladrão. Durante um encontro com Chefia, Pierce inventa características aleatórias para despistar qualquer suspeita, afinal, o assalto era uma farsa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas, o “pai” da comunidade assimila as características com um rapaz que por mais inocente que fosse, leva a culpa e quase perde a vida por isso. Sensibilizado com a confusão que acabara de arrumar, o guia mentiroso confessa a mentira, mostrando no fundo, ser uma boa pessoa. Vale destacar a excelente pronúncia do ator europeu em seu primeiro trabalho em português.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Encerrando o ciclo das </span><a href="https://youtu.be/00xVCMF_sqk"><span style="font-weight: 400;">boas mentiras de Suassuna</span></a><span style="font-weight: 400;">, a personagem Lorena (</span><a href="https://www.portalmultiplix.com/noticias/caca-ottoni-participa-de-novo-filme-brasileiro"><span style="font-weight: 400;">Cacá Ottoni</span></a><span style="font-weight: 400;">) vive uma situação muito conhecida no cotidiano brasileiro. A fim de se enturmar com seus colegas de trabalho, a estagiária inventa uma série de mentiras, como conhecer e entender a literatura francesa e outras lorotas para impressionar seus superiores. O clímax da mentira acontece quando a jovem escuta uma conversa particular entre seu chefe e sua namorada.</span></p>
<figure id="attachment_20860" aria-describedby="caption-attachment-20860" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20860" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5.-PU.jpg" alt="Cena do filme O Auto da Boa Mentira. A imagem retrata a personagem Lorena, uma jovem branca e de cabelos ruivos, utilizando roupas neutras e apoiando o rosto sobre sua mão, expressando estar pensativa" width="1000" height="667" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5.-PU.jpg 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5.-PU-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-5.-PU-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-20860" class="wp-caption-text">Lorena (Cacá Ottoni), a protagonista do último conto do filme (Foto: Globo Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa conversa, Felipe (Johnny Massaro) usa uma expressão francesa usada como apelido interno do casal. A estagiária então, se deslumbra com a elegância da frase e reproduz na frente do grupo em uma típica festa de fim de ano da empresa, crendo ser uma expressão popular entre os </span><a href="http://personaunesp.com.br/emily-em-paris-critica/"><span style="font-weight: 400;">franceses</span></a><span style="font-weight: 400;">. Essa mentira acaba criando uma histeria entre todos na festa. Mediante a toda confusão que acabara de criar, Lorena se embebeda e dá seu vexame final na confraternização, pedindo demissão em público e quebrando um valioso prêmio de cristal. O filme encerra com Lorena sentada na rua absorvendo o surto que acaba de ter e Felipe lhe faz companhia, confessando também não entender nada sobre a literatura francesa e os demais assuntos elitistas.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">O Auto da Boa Mentira</span></i><span style="font-weight: 400;"> deixa a desejar no ponto que devia ser seu principal foco: a risada. Dá para contar em uma única mão a quantidade de vezes que o telespectador ri, o que não favorece muito um filme classificado como comédia. O silêncio na sala perdurou até o início do segundo esquete, onde ainda criança, o personagem salta de um telhado acreditando ser um pássaro. Depois disso, algumas cadeiras começaram a esvaziar – fora as cochiladas tentadoras no escuro do cinema, uma lástima para um projeto que conta com nomes do alto escalão da dramaturgia brasileira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A escalação e o texto de João Falcão, Tatiana Maciel e Célio Porto são impecáveis, contudo, peca no exagero do humor refinado e conceitual ao abordar uma cultura onde a “farofa” reina. Entretanto é injusto pontuar as falhas do longa-metragem e não exaltar o tributo a um dos maiores escritores do Brasil e suas inúmeras facetas, mostrando sempre ser um mentiroso do bem. Em tempos onde a cultura e o Cinema brasileiro </span><a href="https://www.upespr.org.br/post/a-desvaloriza%C3%A7%C3%A3o-do-cinema-brasileiro"><span style="font-weight: 400;">são tão desvalorizados</span></a><span style="font-weight: 400;">, mergulhar em um universo tão mágico e tão fértil como o de Suassuna, nos faz lembrar do que temos de melhor no Brasil, a Arte e o “jeitinho brasileiro” de levar a vida. </span></p>
<figure id="attachment_20861" aria-describedby="caption-attachment-20861" style="width: 672px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-20861" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-6.-PU.jpg" alt="A imagem mostra o escritor Ariano Suassuna, homem branco, idoso, de cabelo e sobrancelhas grisalhas, vestindo uma camiseta vermelha e uma jaqueta preta por cima." width="672" height="672" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-6.-PU.jpg 672w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/05/Imagem-6.-PU-150x150.jpg 150w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-20861" class="wp-caption-text">Ariano Suassuna, o grande mestre por trás das boas mentiras (Foto: Felipe Rau/Agência Estado)</figcaption></figure>
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