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	<title>Arquivos Aniversário 35 anos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos Aniversário 35 anos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Quando o camp é vitalício: os 35 anos de Darkman &#8211; Vingança sem Rosto</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Aug 2025 13:00:35 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo Entre as discussões sobre as produções da Marvel Studios, há aquelas que apontam o cinismo como principal característica dos longas. Um desprezo em abraçar o estilo cafona e ingênuo dos gibis, material base dessas adaptações. Ao contrário de Kevin Feige, chefe por trás do maquinário, o diretor Sam Raimi é alguém que jamais &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/darkman-vinganca-sem-rosto-35-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Quando o camp é vitalício: os 35 anos de Darkman &#8211; Vingança sem Rosto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35567" aria-describedby="caption-attachment-35567" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35567" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/darkman-liam-neeson-1990-800x441.jpg" alt="Cena do filme DarkmanNa imagem, o personagem Darkman olha para frente com expressão de desespero. Ele possui o rosto desfigurado, com cicatrizes na região da boca, bochechas e olhos, com exceção do lado esquerdo do rosto e o nariz. Na face, há ataduras. Darkman é um homem de pele branca e olhos azuis. Ele veste um paletó preto. " width="800" height="441" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/darkman-liam-neeson-1990-800x441.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/darkman-liam-neeson-1990-1024x565.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/darkman-liam-neeson-1990-768x424.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/darkman-liam-neeson-1990-1200x662.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/darkman-liam-neeson-1990.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35567" class="wp-caption-text">Darkman possui duas sequências, mas com Raimi fora da direção (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Entre as discussões sobre as produções da </span><a href="https://personaunesp.com.br/capitao-america-admiravel-mundo-novo-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Marvel Studios</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, há aquelas que apontam o cinismo como principal característica dos longas. Um desprezo em abraçar o estilo cafona e ingênuo dos gibis, material base dessas adaptações. Ao contrário de Kevin Feige, chefe por trás do maquinário, o diretor Sam Raimi é alguém que jamais renegou a natureza barata das histórias de super-heróis, presente, principalmente, na sua obra mais popular: a trilogia </span><a href="https://personaunesp.com.br/homem-aranha-2-20-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Homem-Aranha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Porém, 12 anos antes do lançamento da primeira teia, o americano criou seu próprio (anti) herói e assumiu o espírito cartunesco como ninguém em </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkman &#8211; Vingança sem Rosto (1990).</span></i><span id="more-35564"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, o cientista Peyton (Liam Neeson) pesquisa uma fórmula que seja capaz de criar pele artificial, mas tudo muda quando ele é atacado por uma gangue, que o deixa com cicatrizes no rosto. Agora ele é Darkman, um ser deformado em busca de vingança. Inspirado no personagem radiofônico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PadfTjF4cjY"><span style="font-weight: 400;">O Sombra</span></a><span style="font-weight: 400;">, que logo virou estrela da literatura </span><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/pulp-a-inspiracao-para-os-quadrinhos/"><i><span style="font-weight: 400;">pulp</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> dos quadrinhos, a história escrita por Raimi segue à risca o modelo de criação de um mito: um trágico acidente que dá poderes ao indivíduo, porém com um preço a ser pago. Peter Parker sobe as paredes, no entanto, carrega a culpa da morte de inocentes; Bruce Banner possui força sobre-humana e convive com um duplo monstruoso, por exemplo. Peyton teve seus sentidos ampliados, inclusive a força; o revés, sua aparência. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante disso, fica bem claro o que o cineasta quer reproduzir: as convenções dos quadrinhos. Para transpor isso para a tela, ele faz &#8211; como todo bom profissional &#8211; pela forma e conteúdo. Porém, para entender as inspirações dele, é preciso considerar as condições de trabalho do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GPwccrLXNMY"><span style="font-weight: 400;">início</span></a><span style="font-weight: 400;"> da filmografia de Sam Raimi, assim como sua própria infância. O artista teve uma proximidade ferrenha com as publicações de banca quando criança, o que ocasionou o interesse nas transposições para o Cinema.</span></p>
<figure id="attachment_35568" aria-describedby="caption-attachment-35568" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35568" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-2-800x450.jpg" alt=" Cena do filme DarkmanNa imagem, a personagem Julie (à esquerda) e Peyton (à direita) estão em um parque de diversões. Ela segura a blusa dele, na região da barriga, e está com expressão de mágoa enquanto conversa com Peyton. Ele olha para a frente com expressão de dúvida. Julie é uma mulher branca, de cabelos loiros e ondulados, de altura baixa, na faixa dos 30 anos. Ela veste uma blusa de frio na cor preta, com o zíper aberto, revelando uma camiseta branca por baixo. Peyton é um homem branco, de cabelos lisos na cor castanho claro. Ele é alto e veste uma blusa de frio verde e uma camisa de botões na cor laranja. Ele apoia a mão direita em um dos estandes do parque de diversão. A estrutura é na cor amarela e possui riscos vermelhos, assim como sinais de desgaste, como arranhões e rachaduras. Ao fundo, pendurado no teto, há bonecos de palhaços de pelúcia. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image2-2.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35568" class="wp-caption-text">A vencedora do Oscar, Frances McDormand, dá vida a Julie, uma advogada que descobre um esquema de suborno (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Aos 19 anos, o jovem alucinado por Terror, concebeu seu curta-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Within the Woods </span></i><span style="font-weight: 400;">(1978) e, a partir daí, suas produções seriam marcadas pelo baixo orçamento durante um período. Essa característica foi incorporada por ele, mesmo quando associado a um estúdio maior, criando um estilo de artesanato nas obras. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981), por exemplo, uma bicicleta era usada como apoio de câmera; já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Darkman &#8211; Vingança sem Rosto</span></i><span style="font-weight: 400;">, o </span><i><span style="font-weight: 400;">stop motion </span></i><span style="font-weight: 400;">(já familiar nas obras de Raimi) surge em uma cena e sempre há a presença de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=j48Y4H4atuQ&amp;t=371s"><span style="font-weight: 400;">efeitos práticos</span></a><span style="font-weight: 400;">, como próteses e maquiagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui, não se trata de um argumento vazio sobre a superioridade deste tipo de trabalho e a inferioridade do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?app=desktop&amp;v=hKqd8gqBzpI&amp;t=0s"><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, até porque a funcionalidade das escolhas artísticas depende do contexto e de que maneira se alinham à unidade do filme. Justamente pelo cenário, que a forte presença dos aparatos físicos se torna um ponto bom, uma vez que a impressão que o longa quer passar é o sentimento de uma literatura mais barata e simples. Sobretudo, é uma produção que acredita fielmente em seu material e nas emoções que quer passar ao público, por mais piegas que possa soar. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em uma cena, Darkman diz “</span><i><span style="font-weight: 400;">Lar</span></i><span style="font-weight: 400;">” de uma forma extremamente séria e melancólica para um galpão sujo e escuro, logo após perder sua casa e a vida anterior. A construção da cena dramatiza o sentimento através da composição de </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2024/07/12/exibicionismo-difamacao-e-acordos-compositor-danny-elfman-e-denunciado-por-abuso-sexual.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Danny Elfman</span></a><span style="font-weight: 400;"> e do plano aberto de Raimi, que impacta por meio do vislumbre da aparência do ambiente. Dessa forma, a fita acredita no que as personagens sentem e assim, o espectador também. É o tipo de abordagem que os filmes de super-heróis atuais costumam ignorar &#8211; ou tratam como piada, a exemplo de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-thunderbolts/"><i><span style="font-weight: 400;">Thunderbolts*</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, com a casa do Guardião Vermelho (David Harbour). Até James Gunn, que mergulhou em uma ingenuidade ao trazer cores e a presença do cachorro Krypto para seu </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-superman/"><i><span style="font-weight: 400;">Superman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), não conseguiu renunciar o cinismo em algumas cenas.</span></p>
<figure id="attachment_35569" aria-describedby="caption-attachment-35569" style="width: 540px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-35569 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/08/image1.gif" alt="Cena do filme DarkmanNo GIF, o ator Bruce Campbell está de cabeça baixa, com uma das mãos no rosto. Então, ele se vira e olha para trás, em direção à câmera. Campbell é um homem branco, na faixa dos 30 anos, de cabelo preto, liso, com franja. Ele veste uma jaqueta azul. O cenário é uma rua, há muitas pessoas andando. " width="540" height="460" /><figcaption id="caption-attachment-35569" class="wp-caption-text">Amigo e estrela dos primeiros filmes de Sam Raimi, Bruce Campbell faz um cameo em Darkman (GIF: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme</span> <span style="font-weight: 400;">é estruturado para transmitir a ideia do </span><i><span style="font-weight: 400;">pulp </span></i><span style="font-weight: 400;">e da honestidade. Seja na fotografia sombria, que remete ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6HaWB1pAV7E"><i><span style="font-weight: 400;">noir</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">O Sombra</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou nos cenários precários, como becos ou instalações e moradias comuns. Peyton é um cientista pobre, com seu laboratório anexado no segundo andar de outro estabelecimento, e seus inimigos são ricos canastrões, que querem fazer uma limpeza na cidade para criar outra. O protagonismo, centrado em personagens de classe baixa, evoca a forma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por mais que as linhas de texto dita pelos atores e cada atitude caricata dos vilões que possuem um visual com a cara dos 1990, com suas jaquetas de couro e visual de frequentadores de bar de motoqueiros possa ser irreal, a direção, fotografia, trilha, entre outros elementos em cena, estão dispostos a crer. Afinal, como se compadecer com o herói trágico, se quem está por trás das câmeras não tiver o mesmo sentimento? Eles adotam a sensibilidade excessiva para gerar emoções que a ensaísta Susan Sontag vai definir como </span><a href="https://arthurtuoto.com/2025/02/10/o-camp-no-cinema/"><i><span style="font-weight: 400;">camp</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pois é um filme que acredita em absolutamente tudo que está em tela, sem querer soar engraçadinho com o ridículo e o exagerado. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Darkman &#8211; Vingança sem Rosto </span></i><span style="font-weight: 400;">não quer corresponder a uma lógica mercadológica pensada por uma corporação. Ele está mais interessado na história, personagens e nos quadrinhos que se inspira, e claro, no brega e na excessividade que estão em torno desse tipo de contar história. Sam Raimi cresceu em uma época de heróis coloridos e momento em que o Batman, como no filme de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=t0c3sSlL-bo"><span style="font-weight: 400;">1966</span></a><span style="font-weight: 400;">, enfrentava tubarões e carregava uma bomba prestes a explodir na mão. O cineasta firmou seu estilo de filmar no sub gênero </span><a href="https://www.cinealerta.com.br/filmes/fome-animal-a-evolucao-do-gore-no-cinema-de-peter-jackson/"><i><span style="font-weight: 400;">trash</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. No contexto atual, o longa surge como a perfeita antítese de tudo feito depois que Christopher Nolan trouxe sua visão realista e sóbria ao homem-morcego.</span></p>
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		<title>Há 35 anos, Cazuza mostrava sua cara no icônico Ideologia</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Jul 2023 17:06:49 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Davi Marcelgo O primeiro álbum solo de Cazuza, Exagerado, exala a essência ultrarromântica e boêmia, cravando o status de poeta ao cantor. Em Ideologia, o eu-lírico estende a linguagem poética para criticar a sociedade – e a si mesmo. No disco, que completou 35 anos no dia 21 de Abril de 2023, o artista remove &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ideologia-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 35 anos, Cazuza mostrava sua cara no icônico Ideologia"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><figure id="attachment_31239" aria-describedby="caption-attachment-31239" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31239" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/1-800x800.jpg" alt="[Descrição de imagem: Capa do disco Ideologia, ilustração quadrada com o fundo branco repleto de caixas de som e pedaços de objetos aleatórios. Em destaque e em cores, o nome Ideologia, separado por três linhas, em cada uma delas há três letras do nome Ideologia, em sequência. Cada letra representa símbolos, como judaísmo, Jesus Cristo, Comunismo, Capitalismo e Hippie." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/1-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/1-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/1-768x767.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/1.jpg 946w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31239" class="wp-caption-text">A capa do disco Ideologia brinca com símbolos antagônicos (Foto: Universal Music)</figcaption></figure><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro álbum solo de Cazuza, </span><a href="https://open.spotify.com/album/6WvN5lJoLYNXc8HYLuxjeX?si=SW7jB1VDTi2QeieQWIhp1g"><i><span style="font-weight: 400;">Exagerado</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">exala a essência ultrarromântica e boêmia, cravando o </span><i><span style="font-weight: 400;">status</span></i><span style="font-weight: 400;"> de poeta ao cantor. Em </span><a href="https://youtu.be/IDmvFqWVMis"><i><span style="font-weight: 400;">Ideologia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">o eu-lírico estende a linguagem poética para criticar a sociedade – e a si mesmo. No disco, que completou 35 anos no dia 21 de Abril de 2023, o artista remove sua face e a costura nas linhas territoriais tupiniquins, marcando definitivamente a história da música brasileira. </span></p>
<p><span id="more-31235"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a segunda metade do século XX, houveram os movimentos da contracultura, mergulhados no desejo de desconstruir dogmas sociais a partir de ideais de liberdade – principalmente a sexual, que foi impulsionada pela invenção do </span><a href="https://revistagalileu.globo.com/Revista/noticia/2015/05/55-anos-da-pilula-anticoncepcional-como-ela-moldou-o-mundo-em-que-vivemos-hoje.html"><span style="font-weight: 400;">anticoncepcional</span></a><span style="font-weight: 400;"> – e guiados por estrelas do </span><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em contrapartida, os ídolos se foram, o mundo era afetado por polarizações e a América Latina tomada por regimes ditatoriais. Nos anos 80, </span><a href="https://personaunesp.com.br/pose-3a-temporada-critica/"><span style="font-weight: 400;">descobre-se o HIV e a Aids</span></a><span style="font-weight: 400;">, freando a corrida do sexo libertino. De repente, tudo que se acreditava desmorona e as incertezas surgem: o que fazer? Cazuza respondeu.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O álbum se inicia com o eu-lírico incerto à realidade: na música </span><a href="https://youtu.be/F12aTYUiu90"><i><span style="font-weight: 400;">Ideologia</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ele questiona suas crenças, ídolos e estilo de vida em um Brasil quebrado pós-ditadura militar e carregado pelo</span><a href="https://www.google.com/search?q=filme+carta+para+alem+dos+muros&amp;client=firefox-b-d&amp;source=lnms&amp;tbm=isch&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwj6xLPj-tH-AhWpIbkGHRAVCYgQ_AUoAnoECAEQBA&amp;biw=1366&amp;bih=643&amp;dpr=1#imgrc=j5Fyms1DYfpQsM"> <span style="font-weight: 400;">ódio à</span></a> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=qL9tE2FIny0"><span style="font-weight: 400;">comunidade</span></a><a href="https://www.google.com/search?q=filme+carta+para+alem+dos+muros&amp;client=firefox-b-d&amp;source=lnms&amp;tbm=isch&amp;sa=X&amp;ved=2ahUKEwj6xLPj-tH-AhWpIbkGHRAVCYgQ_AUoAnoECAEQBA&amp;biw=1366&amp;bih=643&amp;dpr=1#imgrc=j5Fyms1DYfpQsM"><span style="font-weight: 400;"> de pessoas</span> <span style="font-weight: 400;">soropositivas</span></a><span style="font-weight: 400;">, tecendo uma persona desconfigurada a procura de algo para acreditar. Porém, o cantor carioca assume o inerente Cazuza, fisgando seu ideal por todo resto do disco.</span></p>
<figure id="attachment_31238" aria-describedby="caption-attachment-31238" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31238" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/2-800x495.jpg" alt="Fotografia do cantor Cazuza em um show, ele é um homem branco. A foto é preta e branca, o cantor está com o rosto de perfil, do lado direito da imagem. Ele está com uma faixa branca na testa. À sua frente há um microfone. Atrás dele, ao lado esquerdo, há silhuetas das luzes do show. " width="800" height="495" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/2-800x495.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/2-768x475.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/2.jpg 970w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31238" class="wp-caption-text">Ideologia foi vencedor do prêmio Sharp de 1989 na categoria Melhor disco de pop/rock e o single Brasil também garantiu um troféu de Melhor canção (Foto: Masao Goto Filho)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mesmo após um período de vulnerabilidade física em que ficou entre a vida e a morte, o poeta não renega sua ideologia, apenas a afirma numa contínua exaltação da vida. Em certos momentos, comemora a existência com uma guitarra frenética e um incrível jogo de rimas metafóricas e contraditórias. </span><a href="https://youtu.be/5X7v6-atTi0"><i><span style="font-weight: 400;">Blues da Piedade</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> escarra desprezo por “</span><i><span style="font-weight: 400;">essa gente careta e covarde</span></i><span style="font-weight: 400;">”, com a mescla do discurso hedonista aos arranjos instrumentais, enquanto alude os opostos do </span><i><span style="font-weight: 400;">blues</span></i><span style="font-weight: 400;"> com o uso de corais &#8211; que lembram músicas cristãs &#8211; à maneira que faz uma prece a Deus para perdoar aqueles que não souberam viver de forma exagerada e efêmera. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto o mundo o condenava e desejava sua morte, Cazuza nadava contra a corrente. Ele entregou uma obra prima da música nacional. </span><i><span style="font-weight: 400;">Ideologia </span></i><span style="font-weight: 400;">é um álbum coeso e coerente, que brinca com opostos, seja na mistura de gêneros, ou na oposição de letras e ritmo &#8211; como o cinismo de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aH9bp03sjus"><i><span style="font-weight: 400;">Faz parte do meu show</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Porque a vida de Caju &#8211; era chamado assim pelos seus amigos &#8211; foi feita de antagonismos: um cantor que não sabia cantar, compositor que chamavam de poeta, um burguês que queria frequentar endereços mais quentes, mas que depois sentiu-se como só mais um que mergulhou no egoísmo e não contribuiu em nenhuma grande mudança e que, ao fitar a morte, comemora. </span></p>
<figure id="attachment_31237" aria-describedby="caption-attachment-31237" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-31237" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/3-800x495.jpg" alt="Fotografia do cantor Cazuza e mais dois amigos. A foto é preta e branca, no centro vemos Cazuza (ao lado esquerdo), no meio uma mulher e à direita outro homem. Cazuza é branco, seu cabelo está curto e liso, ele veste uma jaqueta jeans com botões, na mão ele segura uma garrafa de vidro. Ele posa para foto com os olhos abertos e a boca aberta, como se estivesse surpreso. A moça ao lado também é branca, de cabelos escuros e cacheados, ela veste uma roupa comum, com gola redonda. Ela sorri para a foto e abraça os amigos. O homem da direita é branco de cabelo preto e cacheado, veste uma jaqueta de couro. No fundo da foto, no lado direito, há um homem branco de cabelo escuro, ele não era o objetivo da foto, apenas compõem o cenário. " width="800" height="495" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/3-800x495.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/3-768x475.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/3.jpg 970w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-31237" class="wp-caption-text">Em 2004, Caju ganhou uma cinebiografia “Cazuza &#8211; O tempo não pára” (Foto: Cristina Guerra)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas não ficou somente nisso. Para se tornar uma lenda na história da Música nacional, não basta cantar sobre si, é preciso berrar as dores da nação. Enquanto a faixa-título concilia pessoalidade com o geral, outras canções aprofundam a época, revelando a realidade proletária das classes pobres do país, o desamparo e a rotina exaustiva – que continua a mesma –, além do movimento Diretas Já e o processo de redemocratização brasileira. Sem abandonar o lirismo para fazer suas críticas ao governo brasileiro. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A faísca do estrondo que aconteceria no mesmo ano de 1988 com </span><a href="https://youtu.be/_Jcn10Iiuu4"><i><span style="font-weight: 400;">O</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">tempo não pára</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, foi acendida nesse álbum e continua inflamando até hoje, seja em regravações das músicas de denúncia ou como os versos estão na ponta da língua e no imaginário brasileiro. O refrão “</span><i><span style="font-weight: 400;">Brasil, mostra tua cara</span></i><span style="font-weight: 400;">” virou hino de torcidas em jogos da seleção e “</span><i><span style="font-weight: 400;">A tua piscina tá cheia de ratos</span></i><span style="font-weight: 400;">”, pichado em muros.</span></p>
<figure id="attachment_31236" aria-describedby="caption-attachment-31236" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-31236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/07/4.png" alt="Fotografia de Cazuza cantando em um show. A foto é preta e branca, o cantor está no canto centro com o microfone na mão direita. Ele veste uma camisa larga e usa uma gravata bagunçada, também está com uma faixa amarrada na testa. Cazuza é um homem branco de cabelo escuro cacheado. " width="640" height="424" /><figcaption id="caption-attachment-31236" class="wp-caption-text">A música  “Brasil” foi tema da abertura da novela Vale Tudo (1989), na voz de Gal Costa (Foto: Jorge Marinho)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Ideologia </span></i><span style="font-weight: 400;">é um disco extremamente pessoal, embora ressoe gritos de uma geração inteira: é fruto de uma época vulnerável e de uma vida sem limites; o elixir do herói que o eterniza no palco e na memória. Não que os outros álbuns de Cazuza não sejam ótimos e de certa maneira íntimos, como </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/blog/mauro-ferreira/post/2020/06/18/discos-para-descobrir-em-casa-burguesia-cazuza-1989.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Burguesia</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><span style="font-weight: 400;">mas o de 1988 é a sua persona do começo ao fim, com todas características que o definem e nos lembram quem é, pertencentes à obra também. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cazuza foi o primeiro artista brasileiro a revelar que tinha o vírus HIV, sendo uma representatividade gigantesca para tantos que, se não bastasse o sofrimento gerado pela sentença de morte, ainda conviviam com o abandono e o preconceito. Sua ideologia foi não ficar em cima do muro, mas derrubá-lo e construir uma porta. Ele escolheu um lado da história e difundiu sua ideia pelo país, mostrando todas as suas facetas: o burguês, o amante pela louca vida e o romântico; eternizando suas letras no imaginário brasileiro e tornando seu amor palco de dedicatórias a tantos outros exagerados que </span><a href="https://youtu.be/-YmhWG1UtW4"><span style="font-weight: 400;">abrem e fecham a geladeira a noite inteira</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito obrigado, Cazuza.</span></p>
<p><a href="http://iframe%20style=border-radius:12px%20src=https://open.spotify.com/embed/album/0EeQ43GyKU8pVTULAlx5be?utm_source=generator%20width=100%%20height=352%20frameBorder=0%20allowfullscreen=%20allow=autoplay;%20clipboard-write;%20encrypted-media;%20fullscreen;%20picture-in-picture%20loading=lazy/iframe"><iframe loading="lazy" style="border-radius: 12px;" src="https://open.spotify.com/embed/album/0EeQ43GyKU8pVTULAlx5be?utm_source=generator" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen="allowfullscreen"></iframe></a></p>
<p>&nbsp;</p>
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