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	<title>Arquivos Andrew Jarecki &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Sistema prisional no Oscar: o documentário brutal que mostra a realidade por trás dos muros das penitenciárias no Alabama</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Mar 2026 13:00:07 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra  Qual a imagem que se tem de um presídio e da vivência dentro deles? Certamente não uma das melhores, nem das mais harmoniosas. Apesar do que parece óbvio, Alabama: Presos do sistema têm muito a dizer sobre esse contexto. A produção da HBO indicada ao Oscar 2026 na categoria de Melhor Documentário, mostra &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-alabama-presos-do-sistema/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Sistema prisional no Oscar: o documentário brutal que mostra a realidade por trás dos muros das penitenciárias no Alabama"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37081" aria-describedby="caption-attachment-37081" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37081" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-7-800x450.png" alt="Cena de Alabama: Presos do Sistema. Homens vestidos com uniformes brancos caminham em fila por um corredor ao ar livre cercado por grades e arame farpado, ao lado de um prédio carcerário." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-7-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-7.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37081" class="wp-caption-text">“Como um jornalista pode ir para uma zona de guerra, mas não pode entrar em uma prisão nos Estados Unidos da América?” disse Melvin Ray, detento no Alabama, à documentarista (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Qual a imagem que se tem de um presídio e da vivência dentro deles? Certamente não uma das melhores, nem das mais harmoniosas. Apesar do que parece óbvio, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alabama: Presos do sistema </span></i><span style="font-weight: 400;">têm muito a dizer sobre esse contexto. A produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;"> indicada ao </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/articles/c3dmm1047ndo"><span style="font-weight: 400;">Oscar 2026</span></a><span style="font-weight: 400;"> na categoria de Melhor Documentário, mostra que a realidade é muito pior do que se possa imaginar. Nesse sentido, o longa se destaca por atravessar os muros – literalmente – ao manter contato direto com os presidiários através de aparelhos telefônicos comumente contrabandeados obtidas a partir de mais de seis anos de investigação a respeito do sistema carcerário do estado do Alabama, nos Estados Unidos.</span></p>
<p><span id="more-37078"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O título traduzido carrega o posicionamento do longa: as pessoas privadas de liberdade no Alabama não estão presas a uma sentença, mas sim a um sistema, algo muito maior do que as 28 instituições estaduais. Essa ideia pode fazer sentido em muitos outros cenários carcerários, no entanto, o sistema desse estado é um dos mais polêmicos e mortais, considerado, inclusive, </span><a href="https://www.npr.org/2020/07/23/894830930/doj-alabama-prisons-for-men-are-unconstitutional-because-staff-abuse-inmates"><span style="font-weight: 400;">inconstitucional</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo</span> <span style="font-weight: 400;">Departamento de Justiça dos Estados Unidos devido às condições precárias e aos abusos de poder e violência por parte dos servidores. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Aqui se encontra o ponto chave do trabalho dos diretores Andrew Jarecki</span><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/serie-crimes-the-jinx-volta-desfecho-surpreendente/"><i><span style="font-weight: 400;">The Jinx</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">)</span></i><span style="font-weight: 400;"> e Charlotte Kaufman: se um </span><span style="font-weight: 400;">dos aspectos mais importantes da apuração jornalística é a fonte, o que fazer quando as histórias que estão sendo investigadas se passam dentro de um presídio? O que fazer quando apenas um lado consegue constantemente expor a sua versão na mídia tradicional e através das fontes oficiais? No início do longa, Jarecki demonstra dificuldades em acessar o cerne do problema e ter contato direto com os presidiários através de visitas regulares em virtude da extrema dificuldade de acesso da imprensa a esses lugares.</span></p>
<figure id="attachment_37079" aria-describedby="caption-attachment-37079" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37079" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-2-800x450.jpg" alt="Cena de Alabama: Presos do Sistema. Há um grupo de pessoas reunidas em uma manifestação. Elas seguram grandes retratos de diversos homens com expressões sérias em um fundo neutro. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-2-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-2.jpg 2000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37079" class="wp-caption-text">Os relatos dos detentos aliados as investigações paralelas dos criadores leva a exposição de casos de violência extrema, que não são isolados (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após o primeiro e </span><a href="https://youtu.be/vadQsrAHLSw?si=r3R2401oh38gBv5z&amp;t=27"><span style="font-weight: 400;">conturbado</span></a><span style="font-weight: 400;"> contato, um grupo de detentos ativistas decide pedir para que um projeto de denúncia se tornasse realidade. Assim, foi preciso pensar em algo diferente; sem câmeras profissionais, iluminação e microfones de alto nível, o conteúdo chega através de uma imagem de má qualidade, frequentemente comprometida pelo sinal de internet ou interrompida por visitas dos agentes carcerários. O amadorismo toma conta em função da necessidade, mas, no que diz respeito à condução das entrevistas e a edição do longa, o profissionalismo é muito bem executado a fim de apurar o necessário para que fosse estabelecida a tese central do documentário.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante perceber a movimentação das testemunhas – que são os câmeras e narradores ao mesmo tempo – em contribuir com a produção. É como se aquela fosse uma chance única de fazer algo inédito. Assim, surgem narrativas permeadas de violência e segredos. Além disso, as imagens mostram ambientes insalubres, extremamente lotados, homens doentes – inclusive adictos – e sem qualquer tratamento. São lugares onde a ressocialização parece não ter vez. Em alguns aspectos, lembram de </span><i><span style="font-weight: 400;">Carandiru </span></i><span style="font-weight: 400;">(2009), o filme brasileiro que retrata histórias e a </span><a href="https://youtu.be/9E8BpLo1D7g?si=UCf1YvNlrb-Hmovm"><span style="font-weight: 400;">chacina</span></a><span style="font-weight: 400;"> em uma rede prisional em São Paulo, inspirado em um livro de memórias do Dr. Drauzio Varella. São dois fatores compartilhados que evocam essa lembrança: a pessoalidade dos relatos e as cenas chocantes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenrolar do documentário acontece quase como um </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto as histórias vão chegando aos profissionais através das gravações, ligações e mensagens, o público vai tomando contato com alguns casos concretos de vítimas de violência dentro das prisões, além de conhecer de perto as </span><a href="https://youtu.be/RAo8xufzXVo?si=qHKpSjJMT1by3K-k&amp;t=126"><span style="font-weight: 400;">famílias</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se unem por justiça. Além disso, a obra aborda o contexto político dos Estados Unidos e do Alabama no que diz respeito aos conflitos entre o governo estadual e o Departamento de Justiça. O primeiro condenou qualquer tipo de intervenção do órgão federal, pois afirmou que os problemas do Alabama deveriam ser solucionados internamente, daí o título original </span><i><span style="font-weight: 400;">The Alabama Solution</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<figure id="attachment_37080" aria-describedby="caption-attachment-37080" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37080" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-1-800x533.jpg" alt="Cena de Alabama: Presos do Sistema. Vários homens usando uniformes brancos estão posicionados em um campo gramado e dão as mãos, formando um grande círculo. No fundo, aparece árvores e o céu azul." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-1-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-1-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image3-1.jpg 900w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37080" class="wp-caption-text">Os principais narradores, Melvin Ray, Robert Earl e Raoul Paul foram transferidos e colocados em solitária durante a divulgação do filme (Foto: HBO Max)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É claro que existem vítimas do outro lado da moeda, que sofreram algo que causou a prisão dos homens aos quais assistimos, no entanto, o </span><a href="https://personaunesp.com.br/pcc-poder-secreto-critica/"><span style="font-weight: 400;">documentário</span></a><span style="font-weight: 400;"> não chega nem perto e não tem a mínima intenção de inocentar nenhum dos detentos – e pressupor tal posicionamento seria de tamanha ignorância. O que importa para os envolvidos no projeto é a lei e o bem público. De um lado, os detentos cumprem a pena; a lei é seguida; de outro, a produção aponta que os criminosos estão perdendo não a liberdade, mas a dignidade. Diante dos casos letais de violência e negligência apresentados, é como se a pena de morte, legalizada nos Estados Unidos, ocupasse um papel não oficial no sistema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em entrevista, Kauffman afirmou que o estado gasta </span><a href="https://youtu.be/IuzYbR7Tn8c?si=WP2F_DqSmxIrTZVf&amp;t=335"><span style="font-weight: 400;">80 bilhões</span></a><span style="font-weight: 400;"> de dólares com a rede prisional. A co-diretora pontua que a população não sabe como esse dinheiro é investido e parte do princípio de que a transparência é essencial para determinar em que medida o sistema funciona ou prejudica ainda mais a sociedade. Nesse sentido, é construído um material sóbrio, informativo e que também provoca as mais variadas emoções em razão da progressão rítmica e temática realizada com maestria. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quanto à corrida pelo Oscar, um dos principais concorrentes foi a </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/a-vizinha-perfeita-conheca-historia-do-documentario-no-top-10-da-netflix/"><i><span style="font-weight: 400;">A vizinha Perfeita</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), que também adota um estilo diferenciado: quase todo o documentário é composto por gravações de câmeras das roupas de policiais e de segurança. Entretanto, no fim a estatueta foi para </span><a href="https://youtu.be/pd2NuCDqlRI?si=Zt2MuWBcrPNj6eck&amp;t=49"><i><span style="font-weight: 400;">Mr. Nobody Against Putin</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2025), que</span> <span style="font-weight: 400;">expõe a máquina de propaganda russa e a militarização das escolas do país. De qualquer forma, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Alabama Solution </span></i><span style="font-weight: 400;">cumpre seu papel para além das telas, e ao alçar voos tão altos na temporada de premiações, segue instigando debates múltiplos.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Perfect Neighbor | Official Trailer | Netflix" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/fNp85HGJtoo?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-alabama-presos-do-sistema/">Sistema prisional no Oscar: o documentário brutal que mostra a realidade por trás dos muros das penitenciárias no Alabama</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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