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	<title>Arquivos Anavilhana &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Suçuarana demonstra que o caminho também pode ser o destino</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Sep 2025 13:00:30 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires A estrada é sempre mais do que um caminho: é um espaço onde a permanência só existe no movimento. Em Suçuarana, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, essa imagem se alia ao próprio animal que dá nome ao filme – o felino furtivo e limítrofe, que habita territórios entre mundos, sempre à margem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Suçuarana demonstra que o caminho também pode ser o destino"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35682" aria-describedby="caption-attachment-35682" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35682" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-800x450.png" alt="Dora, uma mulher de pele escura e cabelos crespos, está sentada em um degrau de tijolos do lado de fora de uma cabana rústica. Ela usa uma camiseta de manga comprida e jeans, com as mãos cruzadas sobre os joelhos. Ao lado dela, Ernesto, um homem de pele clara e cabelos grisalhos, está sentado em um banco, comendo em um prato. A luz dourada do sol poente ilumina a cena, lançando sombras longas. Em primeiro plano, o cachorro Encrenca, de pelo marrom avermelhado, olha para Ernesto, como se esperasse um pedaço de comida." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image1-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35682" class="wp-caption-text">Estradas, encontros fugazes e paisagens em transformação constroem a jornada de Dora (Foto: Anavilhana)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A estrada é sempre mais do que um caminho: é um espaço onde a permanência só existe no movimento. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suçuarana</span></i><span style="font-weight: 400;">, de Clarissa Campolina e Sérgio Borges, essa imagem se alia ao próprio animal que dá nome ao filme – o </span><a href="https://oncafari.org/especie_fauna/onca-parda/"><span style="font-weight: 400;">felino furtivo</span></a><span style="font-weight: 400;"> e limítrofe, que habita territórios entre mundos, sempre à margem e sempre em trânsito. É nesse mesmo limiar que se encontra Dora, personagem guiada por memórias e pela insistência em seguir, mesmo quando o destino parece escapar. Mais do que narrar uma jornada, o longa se constrói como um gesto de recusa ao previsível: desloca-se entre paisagens devastadas e coletividades possíveis, tensionando o pertencimento como experiência instável, aberta e inquietante.</span></p>
<p><span id="more-35681"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os diretores são nomes já consolidados no campo do cinema brasileiro. Ambos trazem em suas trajetórias produções que recusam o óbvio e desafiam o espectador a habitar zonas de instabilidade: Campolina com </span><a href="https://embaubaplay.com/catalogo/girimunho/"><i><span style="font-weight: 400;">Girimunho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2011), obra que transitou por festivais internacionais como Veneza, Toronto e San Sebastián, e Borges com </span><a href="https://embaubaplay.com/catalogo/o-ceu-sobre-os-ombros/"><i><span style="font-weight: 400;">O Céu Sobre os Ombros</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2010), premiado em Brasília pela ousadia estética e pela mescla entre documentário e ficção. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Suçuarana</span></i><span style="font-weight: 400;">, a parceria reafirma esse gesto de risco, conduzindo uma história que se constrói tanto a partir do rigor plástico quanto da abertura ao imprevisível, onde a narrativa se dobra ao movimento dos corpos e das paisagens.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa busca estética se ancora no trabalho da </span><a href="https://www.anavilhana.art.br/"><span style="font-weight: 400;">Anavilhana</span></a><span style="font-weight: 400;">, produtora fundada em 2005 e dedicada a um cinema de fronteira, que não teme a porosidade entre realidade e invenção. É nesse território que a obra emerge, dialogando diretamente com um dos maiores traumas de Minas Gerais: a mineração que deixou atrás de si morros devastados e comunidades em ruína. “</span><i><span style="font-weight: 400;">O ferro acabou e ficou um monte de zumbi caminhando por aí</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz um dos personagens, frase que ecoa como síntese da precariedade da vida num Brasil marcado pela exaustão de seus recursos e pela negligência de seus líderes. </span></p>
<figure id="attachment_35684" aria-describedby="caption-attachment-35684" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35684" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-800x450.png" alt="O interior de uma fábrica, com o teto repleto de uma complexa rede de tubulações, vigas e dutos metálicos. A luz entra por algumas aberturas superiores, iluminando parcialmente o ambiente desgastado. Figuras humanas, pequenas em comparação com a imensidão do local, estão espalhadas pelo chão e em uma escadaria de metal no centro da cena." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image3-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35684" class="wp-caption-text">Estruturas vazias, ferro-velho e rotinas reinventadas transformam a fábrica em espaço de sobrevivência e coletividade (Foto: Anavilhana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Dora, interpretada por Sinara Teles, carrega consigo apenas uma fotografia antiga e a lembrança de um sonho compartilhado com a mãe: encontrar o </span><i><span style="font-weight: 400;">Vale da Suçuarana</span></i><span style="font-weight: 400;">. É essa imagem, ao mesmo tempo nítida e inalcançável, que conduz sua jornada por estradas onde o horizonte parece sempre se deslocar. Na primeira parte, a narrativa se estrutura como um </span><a href="https://laparola.com.br/road-movies-lista"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que atravessa paisagens marcadas pela devastação da mineração. O que a protagonista encontra são personagens que, como ela, habitam a beira do colapso: sucateiros, andarilhos, sobreviventes que orbitam entre a solidariedade instintiva e a violência latente.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse percurso culmina em um clímax, ponto de inflexão que, não apenas interrompe a linearidade da viagem, mas marca a passagem para outro tempo e outra forma de cinema. O reencontro com o cachorro Encrenca, figura de companhia e resistência, sinaliza esse renascimento da trama: do caminho árido e instável, Dora é conduzida a um espaço de contemplação e pertencimento. O gesto de atravessar o túnel é também um deslocamento que rompe com a sobrevivência solitária e abre espaço para a possibilidade de novos </span><a href="https://jornal.unesp.br/2024/02/15/estrada-da-vida/"><span style="font-weight: 400;">modos de vida</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao atravessar o túnel, Dora encontra uma vila escondida nas montanhas, onde o que antes era uma fábrica, agora se converte em um espaço de sobrevivência unida. Ali, a presença da </span><a href="https://g1.globo.com/mg/centro-oeste/noticia/2025/08/17/festa-com-realeza-batuques-e-dois-mil-dancarinos-conheca-a-tradicao-que-move-uma-cidade-no-interior-de-mg.ghtml"><span style="font-weight: 400;">Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia</span></a><span style="font-weight: 400;"> introduz um cotidiano pautado por religiosidade, música, jogos e solidariedade, em que cada gesto carrega a marca da ancestralidade. Em contraste com a ruína deixada pela mineração, a comunidade ressignifica a precariedade em convivência, transformando restos de ferro-velho em sustento e partilha. Para a protagonista, essa experiência não dissolve sua solidão nem oferece a promessa de permanência, porém abre uma fissura: a chance de pertencer sem possuir, de existir em comum sem se fixar.</span></p>
<figure id="attachment_35685" aria-describedby="caption-attachment-35685" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35685" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-800x450.png" alt="Em uma cerimônia noturna da Guarda de Moçambique Nossa Senhora do Rosário e Santa Efigênia, um participante em primeiro plano está vestido com trajes rituais. Ele usa um chapéu, uma máscara dourada que cobre a área dos olhos e um tecido de lã amarelo que esconde a parte inferior do rosto. Ao seu redor, outras pessoas mascaradas e com vestimentas tradicionais participam da celebração em um ambiente com pouca luz, criando uma atmosfera mística." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image4-1.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35685" class="wp-caption-text">Rituais, cantos e devoção cotidiana revelam a presença da ancestralidade e da coletividade na vida da comunidade (Foto: Anavilhana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de Ivo Lopes Araújo junto da colorização de Lucas Campolina exploram com força visual o encontro entre devastação e beleza natural de Minas Gerais, tornando o cenário, não apenas pano de fundo, mas um personagem ativo que dialoga com a narrativa de Dora. A direção de arte de Thaís de Campos, a montagem de Luiz Pretti e o desenho de som de Pablo Lamar reforçam essa imersão, oferecendo ritmo e textura à experiência cinematográfica. A trilha sonora original, composta por Ajítenà Marco Scarassati e Djalma Corrêa, em alguns momentos remete à grandiosidade das extrações de </span><a href="https://personaunesp.com.br/duna-2021-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Duna</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2021), enquanto a mixagem de som dá corpo à ambiência rural, às vozes e ao silêncio como espaço de escuta. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Todos esses elementos trabalham de forma integrada, estabelecendo uma relação consistente entre forma e conteúdo, capaz de transmitir sensações e emoções de maneira clara e coesa. É possível notar que todos os núcleos de produção atuaram em sintonia, articulando em um resultado uniforme e bem coordenado. Não surpreende, portanto, que o filme tenha sido reconhecido no </span><a href="https://www.cinematorio.com.br/2024/12/salome-e-sucuarana-sao-os-grandes-vencedores-do-57o-festival-de-brasilia/"><span style="font-weight: 400;">57º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro</span></a><span style="font-weight: 400;">, recebendo os prêmios de Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Fotografia, Melhor Edição de Som e Melhor Montagem.</span></p>
<figure id="attachment_35683" aria-describedby="caption-attachment-35683" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35683" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-800x450.png" alt="Na imagem, Dora, uma mulher de pele escura e cabelos cacheados, está sentada e olha para uma mulher mais velha que está em pé à sua frente. Dora veste um casaco azul estampado e um cachecol vermelho vibrante. A mulher mais velha, também de pele escura, usa um gorro macio, um suéter vermelho folgado e um cachecol brilhante, e tem a mão direita estendida sobre a cabeça de Dora, em um gesto que parece de bênção ou acolhimento. Ao fundo, caixas plásticas azuis e verdes sugerem um ambiente doméstico ou de armazenamento." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/09/image2-1.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35683" class="wp-caption-text">Entre a memória e o presente, cada gesto em Suçuarana constrói o sentido da viagem (Foto: Anavilhana)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se o arco narrativo clássico sugeriria que Dora encontrasse redenção no acolhimento da comunidade, com lar, trabalho e vínculos, </span><i><span style="font-weight: 400;">Suçuarana </span></i><span style="font-weight: 400;">prefere </span><a href="https://rollingstone.com.br/noticia/6-filmes-geniais-que-quebram-regras-basicas-do-cinema-lista/"><span style="font-weight: 400;">subverter essa expectativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao devolvê-la à procura. A escolha de partir, mesmo diante da possibilidade de permanência, reforça a recusa do final conciliador e aponta o caminho como destino em si – lugar de impermanência, liberdade e busca contínua. Nesse gesto, a produção afirma que não há uma única forma de vida capaz de oferecer respostas universais; ao contrário, abre espaço para múltiplas possibilidades, em que conexão e deslocamento coexistem como tensões inevitáveis da existência.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Suçuarana </span></i><span style="font-weight: 400;">retorna, assim, à estrada que inaugurou sua história: espaço limítrofe, como a própria onça, onde fronteiras entre mundo interno e externo, solidão e coletividade, se tornam maleáveis. O longa se afirma como um cinema atento às </span><a href="https://educasc.com.br/formacao/7-filmes-sobre-meio-ambiente/"><span style="font-weight: 400;">feridas sociais e ambientais</span></a><span style="font-weight: 400;"> do Brasil – da mineração que devasta Minas Gerais às precariedades da vida cotidiana –, mas sem perder a capacidade de vislumbrar utopias possíveis. Ao recusar finais fáceis, Campolina e Borges sugerem que a verdadeira beleza reside no movimento, na busca incessante, e que a sobrevivência pode ser tanto individual quanto compartilhada, sempre em tensão entre deslocamento e pertencimento.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Suçuarana | trailer oficial | 11 de setembro nos cinemas" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Efsh6ElwUCc?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/">Suçuarana demonstra que o caminho também pode ser o destino</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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