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	<title>Arquivos Análise &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Velhos Bandidos: os gigantes Fernanda Montenegro e Ary Fontoura salvam a si mesmos – e ao próprio filme</title>
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		<pubDate>Tue, 05 May 2026 13:00:10 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Mariana Bezerra  O filme brasileiro Velhos Bandidos, dirigido por Cláudio Torres, chega às telonas com um elenco de peso, a começar por Fernanda Montenegro, que diz esse ser o seu último filme. Inclusive, em uma de suas apresentações de Fernanda Montenegro lê Simone de Beauvoir, a atriz deixou claro &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-velhos-bandidos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Velhos Bandidos: os gigantes Fernanda Montenegro e Ary Fontoura salvam a si mesmos – e ao próprio filme"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37233" aria-describedby="caption-attachment-37233" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-37233 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/critica_velhos_bandidos-800x533.jpg" alt="Marta e Rodolfo aparecem em primeiro plano, lado a lado, olhando para a câmera. Ela tem cabelos brancos curtos, usa roupas escuras e segura as mãos próximas ao peito; ele veste terno e gravata e sorri levemente. Ao fundo, desfocados, estão Syd e Nancy, um casal mais jovem observando a cena. " width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/critica_velhos_bandidos-800x533.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/critica_velhos_bandidos-1024x683.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/critica_velhos_bandidos-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/critica_velhos_bandidos.jpg 1170w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37233" class="wp-caption-text">Fernanda Montenegro diz que a nova comédia é seu último filme (Fonte: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme brasileiro </span><i><span style="font-weight: 400;">Velhos Bandidos</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por Cláudio Torres, chega às telonas com um elenco de peso, a começar por </span><a href="https://personaunesp.com.br/?s=Fernanda+Montenegro#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Montenegro</span></a><span style="font-weight: 400;">, que diz esse ser o seu último filme. Inclusive, em uma de suas apresentações de </span><i><span style="font-weight: 400;">Fernanda Montenegro lê Simone de Beauvoir</span></i><span style="font-weight: 400;">, a atriz deixou claro que a obra não se tratava de um drama social, mas de uma comédia. Além dela, apenas para começar a citar o restante do elenco, estão em cena Ary Fontoura, Lázaro Ramos, Bruna Marquezine e Vladimir Brichta. Apesar dos estigmas existentes sobre as comédias nacionais – alguns verdadeiros, outros nem tanto – havia uma expectativa natural em relação a esse lançamento diante da força dos nomes envolvidos.</span></p>
<p><span id="more-37232"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">De fato, o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/elenco-de-velhos-bandidos-diz-se-e-mais-facil-fazer-publico-rir-ou-chorar/"><span style="font-weight: 400;">elenco</span></a><span style="font-weight: 400;"> se dá muito bem com a trama. Marta (Fernanda Montenegro) e Rodolfo (Ary Fontoura) são um casal de nonagenários que sofrem uma tentativa de assalto arquitetada por Nancy (Bruna Marquezine) e Syd (Vladimir Brichta). O plano do jovem casal parecia perfeito: invadir a casa de idosos que estavam em uma viagem de cruzeiro organizada pela própria personagem de Marquezine. No entanto, o esquema logo se revela um tiro no próprio pé. Inesperadamente, Marta e Rodolfo retornam a casa por causa de um passaporte esquecido, surpreendendo os invasores e – pasmem – sequestrando-os. A partir desse momento, a narrativa revela o seu diferencial: por trás da aparência frágil, os dois idosos subvertem as expectativas e assumem o controle da situação.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O casal mais jovem é forçado a se tornar uma engrenagem essencial em um plano mirabolante dos velhinhos: o roubo de um banco. Aqui, a trama constrói uma dimensão social com a ideia do ‘bom bandido’, quase um justiceiro à la Robin Hood. Isso porque a motivação do assalto nasce de uma injustiça sofrida pelo casal décadas antes: Rodolfo foi demitido sem receber os seus direitos trabalhistas após denunciar a corrupção dentro da construtora responsável pela obra do banco. Além disso, para completar esse arquétipo, há a figura do Osvaldo (</span><a href="https://personaunesp.com.br/medida-provisoria-critica/"><span style="font-weight: 400;">Lázaro Ramos</span></a><span style="font-weight: 400;">), um investigador da polícia, cuja filha se encontra em estado de saúde crítico e que depende de um medicamento de alto custo que demora a ser disponibilizado devido aos trâmites e burocracias do plano de saúde. </span></p>
<figure id="attachment_37236" aria-describedby="caption-attachment-37236" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37236" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-800x420.jpg" alt="Marta, uma idosa de pele e cabelos brancos, usando óculos vermelhos e roupa elegante em preto e branco, está ao lado de Rodolfo, um idoso de pele e cabelos brancos que usa um terno marrom. Os dois aparecem com expressões atentas e surpresas, em um ambiente interno bem iluminado." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-1536x806.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545-1200x630.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/fernanda-montenegro-e-ary-fontoura-chegam-as-telas0329254900202603251545.jpg 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37236" class="wp-caption-text">Os figurinos (Valeria Stephanie) do casal são importantes para a construção desses personagens (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora o tecido narrativo seja construído com alguns clichês, a história ainda consegue ser envolvente. Por um lado, o roteiro (Cláudio Torres,  Fabio Mendes e Renan Flumian) traz uma justificativa para o plano ardiloso de Marta e Rodolfo, por outro, Fontoura e Montenegro garantem que a sagacidade e a química marquem presença graças às suas performances, como sempre, brilhantes. Nesse sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">Velhos Bandidos</span></i><span style="font-weight: 400;"> contribui para uma onda ainda jovem de uma nova perspectiva sobre a </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-incrivel-eleanor-critica/"><span style="font-weight: 400;">velhice</span></a><span style="font-weight: 400;">. Enquanto esses dois personagens se mostram fortes e independentes uma série de estigmas e preconceitos é colocada à prova, haja vista a representação em tela da sexualidade dos nonagenários e a forma como são capazes de desbancar os invasores utilizando as habilidades certas, ainda que estivessem em desvantagem no que tange a força física.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para além do núcleo do casal, o filme traz outros grandes nomes brasileiros que compõem uma equipe da terceira idade dotada das mais inusitadas habilidades, como a produção de gás sonífero e um laser extremamente poderoso, que se tornam essenciais na execução do roubo. Em oposição desse frescor trazido para o público, há o casal mais jovem, que carrega clichês em excesso, ultrapassando o limite confortável e beirando uma caricatura nada relevante – a exemplo de Nancy executando o roubo em um traje de </span><a href="https://graziamagazine.com/us/articles/catwomans-catsuit-evolution/"><span style="font-weight: 400;">mulher gato</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar desse retrato desinteressante, os dois casais principais desenvolvem uma química agradável e reconfortante de se assistir enquanto planejam o grande crime. Os comparsas desenvolvem uma amizade natural e acabam compartilhando entre si questões íntimas, como o câncer raro e praticamente intratável do personagem de </span><a href="https://youtu.be/9-pRGbBvgCw?si=KXTgFsxNiSwuG12H&amp;t=70"><span style="font-weight: 400;">Fontoura</span></a><span style="font-weight: 400;">, que precisa do dinheiro do roubo para custear um tratamento experimental no exterior. Esse fator, definitivamente, traz mais uma camada de calor humano à trama e intensifica a torcida pelos personagens. </span></p>
<figure id="attachment_37234" aria-describedby="caption-attachment-37234" style="width: 650px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-37234" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/VELHOS-BANDIDOS-Credito-Laura-Campanella-Divulgacao-5.jpeg.jpg.webp" alt="Grupo de cinco idosos posa junto em um ambiente com iluminação colorida e decoração descontraída. Vestem roupas estilosas e variadas, alguns usando óculos escuros, transmitindo atitude confiante e irreverente." width="650" height="433" /><figcaption id="caption-attachment-37234" class="wp-caption-text">Tony Tornado, Vera Fischer, Teca Pereira, Hamilton Vaz Pereira e Reginaldo Faria formam um quinteto fantástico na trama (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O desenrolar do enredo é cercado de reviravoltas e culmina em um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist </span></i><span style="font-weight: 400;">sensacional: o casal de </span><a href="https://youtu.be/liiEk_MSfLc?si=BO5Ly3yT-4JFUORf"><span style="font-weight: 400;">velhos bandidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> se uniu a seus amigos de longa data e ao policial Oswaldo para darem uma lição em Nancy e Syd. Os aliados forjaram desde intrigas entre si até a morte de Rodolfo, que envolveu tiro e sangue falsos. Assim, os jovens fogem pensando ter deixado os pobres velhinhos para trás, sendo obrigados a carregar todo o ouro consigo &#8211; o que, na verdade, já planejavam fazer &#8211; apenas para descobrirem que a mala que os tornaria milionários estava preenchida com chumbo. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse final não é necessariamente cativante pela sua imprevisibilidade, mas pela carga irônica e sagaz que acrescenta, novamente, às figuras de Marta e Rodolfo. Esse aspecto reforça que o maior mérito de </span><i><span style="font-weight: 400;">Velhos Bandidos</span></i><span style="font-weight: 400;"> está nos retratos desses personagens e nas interações entre eles. Isso porque o planejamento do crime em si não faz muito sentido e recorre a todo momento às conveniências do roteiro, além de ser apresentado como simplificado demais para ser credível. Assim, o longa passa a depender inteiramente dos conflitos dramáticos, quando deveria haver um equilíbrio entre as temáticas abordadas, especialmente se tratando de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-truque-de-mestre-o-3-ato/"><span style="font-weight: 400;">filme de assalto</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_37235" aria-describedby="caption-attachment-37235" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37235" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/Velhos-Bandidos-2.jpg.jpg-750x500-1.jpeg" alt="Sid, um homem branco de cabelo curto castanho e bigode escuros e Nancy, mulher branca de cabelo castanho e ondulado, estão presas com fita adesiva envolvendo o corpo. Eles se olham e parecem confusos. Ambos usam jaquetas de tons escuros. O ambiente apresenta uma janela ao fundo e vegetação do lado de fora do ambiente." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-37235" class="wp-caption-text">Velhos Bandidos conta com um elenco renomado, o que provoca grandes expectativas no público (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Infelizmente, nem mesmo a grande e revigorante surpresa narrativa é sustentada, já que é seguida de um outro </span><a href="https://www.vogue.in/content/best-plot-twist-movies-that-will-shock-and-compel-you"><i><span style="font-weight: 400;">plot twist</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">moralmente correto – pelo menos a partir de uma perspectiva clichê e romantizada – e consideravelmente mais sem graça; após o tratamento bem sucedido do personagem de Fontoura, Marta e Rodolfo retornam ao Brasil para se reconciliarem com o casal que os enganaram e que agora espera a chegada de um bebê. Nesse sentido, há uma grande quebra de expectativas ao final. Infelizmente, Marta e Rodolfo, que mereciam um final controverso, engraçado e ambíguo, ganham um desfecho convencional e arrependido nas posições de ‘vovó’ e ‘vovô’, enquanto poderiam ter tido um ‘quê’ vilanesco mais coerente com a construção narrativa. E, claro, isso não é um demérito a essas posições familiares tão prestigiadas, mas uma ressalva as decisões contraditórias e pouco elaboradas adotadas em um momento decisivo da trama. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar dessas questões, o filme não deixa de ser agradável – pelo menos até que o clímax seja interrompido – e há espaço para o riso e a emoção diante uma obra para toda a família. Infelizmente, Velhos Bandidos cai na tediosa posição de uma produção que não é reconhecida pela primazia, mas que, com o manejo da expectativa, pode se tornar uma boa experiência. De qualquer forma, mais uma vez, os louvores aos protagonistas </span><a href="https://veja.abril.com.br/cultura/fernanda-montenegro-fala-a-veja-com-quase-cem-anos-ainda-raciocino/"><span style="font-weight: 400;">veteranos</span></a><span style="font-weight: 400;"> são mais do que necessários devido à responsabilidade que carregam consigo. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Nunca subestime os velhos</span></i><span style="font-weight: 400;">” é o que Marta diz no fim do longa. Aqui, eles – personagens e elenco – não apenas não devem ser subestimados como merecem todos os aplausos por fazerem a ida ao cinema valer a pena.</span></p>
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		<title>O Diabo Veste Prada 2 se veste de passado para se reinventar no novo</title>
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		<pubDate>Mon, 04 May 2026 14:00:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Catarina Pereira e Jhenifer Oliveira Há 20 anos, O Diabo Veste Prada marcou uma geração traduzindo os bastidores da moda de luxo ao mundo e trazendo curiosidades sobre a produção editorial. O longa se tornou icônico, atingindo uma bilheteria de enorme sucesso – 326,6 milhões de dólares – e conquistando um Globo de Ouro e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-o-diabo-veste-prada-2/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O Diabo Veste Prada 2 se veste de passado para se reinventar no novo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37273" aria-describedby="caption-attachment-37273" style="width: 646px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37273" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image2.png" alt="Duas mulheres estão lado a lado, encarando a câmera com expressão confiante. Ambas usam óculos escuros pretos e roupas em tons escuros. À esquerda, uma mulher mais velha, de cabelo curto grisalho, veste um blazer preto e brincos discretos. À direita, uma mulher mais jovem, com cabelo longo castanho ondulado, usa um colete preto com listras finas e um colar de pérolas. " width="646" height="427" /><figcaption id="caption-attachment-37273" class="wp-caption-text">A produção de O Diabo Veste Prada 2 mantém a essência e os principais criativos do original, incluindo o diretor David Frankel (Foto: Wendy Finerman Productions)</figcaption></figure>
<p><b>Catarina Pereira e Jhenifer Oliveira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há 20 anos, </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://personaunesp.com.br/o-diabo-veste-prada-15-anos/"><i>O Diabo Veste Prada</i></a></span> <span style="font-weight: 400;">marcou uma geração traduzindo os bastidores da moda de luxo ao mundo e trazendo curiosidades sobre a produção editorial. O longa se tornou icônico, atingindo uma bilheteria de enorme sucesso – 326,6 milhões de dólares – e conquistando um Globo de Ouro e inúmeras outras premiações, como BMI Film Award e Satellite Awards, além de contar com as atuações brilhantes de Anne Hathaway e Meryl Streep. Em 2026, a obra ganha uma sequência que chega aos cinemas com muita antecipação do público. </span></p>
<p><span id="more-37270"></span><br />
<span style="font-weight: 400;"><i>O Diabo Veste Prada 2</i></span><span style="font-weight: 400;"> é uma continuação satisfatória que vai contra o movimento de sequências decepcionantes lançadas nos últimos tempos, como <em>Meninas Malvadas</em> (2024). O filme ainda se baseia na história de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=dW4wpGg64pE">Anna Wintour</a></span><span style="font-weight: 400;">, ex-editora-chefe da </span><span style="font-weight: 400;"><i>Vogue </i></span><span style="font-weight: 400;">americana, trazendo conflitos e crises da transição do jornalismo impresso para o digital e da corporativização do jornalismo editorial. Tudo isso sem perder o viés pessoal da evolução das memoráveis personagens Miranda Priestly (Meryl Streep) e Andrea Sachs (Anne Hathaway).</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=H9BfS_a66sU">David Frankel</a></span><span style="font-weight: 400;"> traz novamente um olhar sensível às relações interpessoais das personagens, como a conexão entre a Miranda e Andy, que, mesmo após anos, segue sendo complexa e interessante. O filme cria uma conexão com o público transmitindo uma intimidade maior com as protagonistas, que são retratadas em suas múltiplas faces. A direção de arte assinada por Jess Gonchor é excepcional para a sequência conversar com a obra anterior, já que segue trazendo as marcas do primeiro filme, mas sendo adaptadas para o momento atual.</span></p>
<figure id="attachment_37272" aria-describedby="caption-attachment-37272" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37272" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-800x534.jpg" alt="Quatro pessoas posam em uma escadaria branca, uma mulher com um vestido preto, outra mais velha com um vestido vermelho, ao seu lado direito um homem de terno preto e ao lado dele uma mulher com uma roupa social branca. " width="800" height="534" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-800x534.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3-768x512.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image3.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37272" class="wp-caption-text">A première mundial de O Diabo Veste Prada 2 ocorreu em 20 de abril de 2026, em Nova York. (Foto: Wendy Finerman Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto essencial ao falar sobre </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Diabo Veste Prada</i></span><span style="font-weight: 400;"> é o renomado figurino. O novo longa traz para as telas uma elegância minimalista, com peças-chave de grandes marcas, como </span><span style="font-weight: 400;"><i>Chanel </i></span><span style="font-weight: 400;">e </span><span style="font-weight: 400;"><i>Dior</i></span><span style="font-weight: 400;">, sem necessitar de muito para criar looks icônicos. A responsável pelo visual é </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://stealthelook.com.br/molly-rogers-conheca-a-figurinista-que-assina-o-diabo-veste-prada-2/">Molly Rogers</a></span><span style="font-weight: 400;"> – parceira de </span><b>Patrícia Field</b><span style="font-weight: 400;">, figurinista do primeiro filme – que captou muito bem a sutileza necessária para ser extremamente sofisticado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É de se esperar que, em uma sequência, a dicotomia entre o velho e novo exista, mas em </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=3afPk3kjFTg"><i>O Diabo Veste Prada 2</i></a></span><span style="font-weight: 400;"> esses antônimos convivem entre si dentro da narrativa sem necessitar explicitamente recorrer ao anterior. A grande problemática do enredo se apoia em conciliar as mudanças sofridas através do tempo pelas relações entre os personagens e seu amadurecimento, além das formas de se compreender jornalismo e arte. </span></p>
<figure id="attachment_37274" aria-describedby="caption-attachment-37274" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37274" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-800x450.jpg" alt=" Mulher de cabelos longos e castanhos caminha ao ar livre enquanto fala ao celular. Ela usa óculos escuros, um colete preto de alfaiataria sem mangas e acessórios como colar e anéis. Sua expressão é atenta, com os lábios levemente entreabertos. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/05/image1.jpg 1366w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37274" class="wp-caption-text">A estreia de O Diabo Veste Prada 2 teve grande sucesso e vendeu aproximadamente US$ 233 milhões no mundo inteiro (Foto: Wendy Finerman Productions)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O roteiro feito por </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=xMXj7ps1Vtk">Aline Brosh McKenna</a></span><span style="font-weight: 400;"> tem enfoque crítico, abordando as mudanças do atual mercado através da ficção. A trama é surpreendente, apresentando uma não obviedade aos acontecimentos e mantendo o espectador cativado durante o filme inteiro. Os personagens são bem desenvolvidos, dando um maior espaço à novos enredos, como Nigel (Stanley Tucci) e Emily (Emily Blunt), que ganham um certo protagonismo na obra, esse teor emocional trás à produção uma nova visão da narrativa, que ganha discussões que abordam além do que foi apresentado originalmente no primeiro filme. Por outro lado, a história se perde ao propor um romance à Andy, que fica em último plano e não conversa com os outros eventos. A impressão que fica é que foi algo necessário para completar a vida da protagonista, sendo que sua carreira sempre foi o enfoque principal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O Diabo Veste Prada 2 não decepciona ao prometer uma sequência icônica com novos cenários e propostas, porém com fidelidade ao sentimento de </span><span style="font-weight: 400;"><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/noticia/2026/04/30/com-glamour-looks-impecaveis-e-humor-afiado-o-diabo-veste-prada-2-une-nostalgia-e-atualizacao-20-anos-apos-original.ghtml">nostalgia</a></span><span style="font-weight: 400;"> e apego ao antigo filme. Assim, o longa não procura apenas continuar a proposta da primeira obra, mas sim reinventá-la, e tem sucesso ao fazê-lo. Mesmo com novos enredos, os pontos de conexão entre o primeiro e o segundo exemplar de </span><span style="font-weight: 400;"><i>O Diabo Veste Prada</i></span><span style="font-weight: 400;"> mantém o espectador instigado e satisfeito com a continuação de uma história que lhe é tão íntima e adorada, não decepcionando quem vai aos cinemas buscando sentir o mesmo que sentiu há 20 anos. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O DIABO VESTE PRADA 2 | Trailer (2026) Legendado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/AhuTRF7Dz5g?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Louis Tomlinson não está com medo de sentir em How Did I Get Here?</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Apr 2026 13:00:24 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
		<category><![CDATA[Álbum]]></category>
		<category><![CDATA[álbum pop]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Stephanie Cardoso A história recente do pop tem mostrado que nem sempre a fama garante permanência. Muitos artistas descobrem, depois do auge, que sobreviver fora do fenômeno coletivo exige mais do que reconhecimento imediato. Para quem saiu de uma das maiores boybands, esse desafio se torna ainda mais visível. Louis Tomlinson, moldado pelo sucesso global &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/how-did-i-get-here-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Louis Tomlinson não está com medo de sentir em How Did I Get Here?"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37204" aria-describedby="caption-attachment-37204" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37204" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/HDIGH2-800x500.png" alt=" Fotografia de Louis Tomlinson em um ambiente interno com iluminação em tons amarelos e azuis. O cantor, um homem branco de cabelos castanhos curtos e barba rala, aparece de perfil, levemente inclinado em um balcão. Seus braços estão em cima desse balcão e ao seu redor tem uma garrafa e um copo meio cheio. Ele veste uma camisa de tricô bege com listras pretas horizontais e tem diversas tatuagens visíveis nos braços." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/HDIGH2-800x500.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/HDIGH2-768x480.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/HDIGH2.png 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37204" class="wp-caption-text">Louis Tomlinson finalmente parece se encontrar em seu mais novo álbum (Foto: BMG)</figcaption></figure>
<p><b>Stephanie Cardoso</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A história recente do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">tem mostrado que nem sempre a fama garante permanência. Muitos artistas descobrem, depois do auge, que sobreviver fora do fenômeno coletivo exige mais do que reconhecimento imediato. Para quem saiu de uma das maiores </span><i><span style="font-weight: 400;">boybands</span></i><span style="font-weight: 400;">, esse desafio se torna ainda mais visível. Louis Tomlinson, moldado pelo sucesso global do </span><a href="https://personaunesp.com.br/one-direction-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">One Direction</span></a><span style="font-weight: 400;">, passou os últimos anos tentando se desvincular da sombra de uma banda que definia tudo ao seu redor. Entre expectativas infladas, comparações constantes e uma carreira solo construída com passos cautelosos, sua identidade artística nunca pareceu totalmente resolvida. </span><i><span style="font-weight: 400;">How Did I Get Here</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce exatamente desse conflito: um álbum que questiona o percurso, revisita o passado e tenta, enfim, estabelecer um lugar próprio dentro da indústria atual.</span></p>
<p><span id="more-37203"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desde o primeiro instante, o disco nos faz ficar completamente viciados.</span> <span style="font-weight: 400;">Nele, há a sensação de proximidade: é como se o artista estivesse falando diretamente com o </span><a href="https://youtu.be/Uzx4Uc1HbHo?si=03Itz4QevCx4aZwZ"><span style="font-weight: 400;">ouvinte,</span></a><span style="font-weight: 400;"> dividindo medos, esperanças e pequenas vitórias. A obra aposta em melodias envolventes, refrões que grudam e ritmos dançantes que mantêm a energia sempre em movimento. Mesmo quando as letras se inclinam para a vulnerabilidade, a música nunca se fecha em melancolia excessiva. Pelo contrário, encontra força justamente no contraste entre batidas vibrantes e confissões emocionais, equilibrando euforia e fragilidade com naturalidade – tudo isso, com uma lente cor de rosa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://youtu.be/eKs63M1cFts?si=nmXSUWYaPwdgRVw1"><i><span style="font-weight: 400;">Broken Bones</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sétima faixa do disco, Tomlinson se revela como alguém que abraça as cicatrizes como parte inevitável de um grande desejo em viver intensamente. A canção não fala de um sofrimento passivo, mas de uma escolha: a de errar, cair e se machucar, desde que isso signifique sentir algo real. Quando ele canta sobre “</span><i><span style="font-weight: 400;">adorar uma briga”</span></i><span style="font-weight: 400;"> e preferir “</span><i><span style="font-weight: 400;">o sabor do perigo</span></i><span style="font-weight: 400;">” à segurança do tédio, fica claro que os ossos quebrados funcionam como metáfora para uma vida vivida sem anestesia. Mesmo com arrependimentos, ele faria tudo outra vez, e essa repetição funciona como um mantra, reforçando que os tropeços são apenas o preço de uma jornada que ainda vale a pena ser percorrida.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Eu me arrebentei, é, mas foda-se;</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Eu vou fazer tudo de novo, fazer tudo de novo;</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Não sei quando, mas;</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Eu vou fazer, vou fazer tudo de novo, fazer tudo de novo;</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Com você”</span></i></p>
<figure id="attachment_37205" aria-describedby="caption-attachment-37205" style="width: 681px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37205" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/HDIGH1.png" alt=" Fotografia de Louis Tomlinson em frente a um trailer, durante o dia. Na foto, ele aparece da cintura para cima, vestindo uma camisa polo vermelha e calça jeans clara. Louis está apoiado com as mãos em uma viga de madeira, olhando para o lado. Seus braços estão estendidos, exibindo várias tatuagens. Ao fundo, vê-se uma mesa vermelha" width="681" height="454" /><figcaption id="caption-attachment-37205" class="wp-caption-text">Em entrevista para a Beatroute, Louis disse que suas férias na Costa Rica foram usadas como inspiração para o álbum (Foto: Ed Cooke/Beatroute)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de seu novo trabalho, </span><a href="https://personaunesp.com.br/louis-tomlinson-world-tour-critica/"><span style="font-weight: 400;">Louis Tomlinson</span></a><span style="font-weight: 400;"> já vinha testando os limites de sua carreira solo. O caminho não foi imediato: </span><i><span style="font-weight: 400;">singles </span></i><span style="font-weight: 400;">com sucessos mornos e turnês como artista solo foram recebidos com curiosidade, mas também com expectativa crítica, em um cenário em que cada passo era comparado com o sucesso meteórico de sua antiga banda. Esse período de construção da identidade artística deixou claro que Louis precisava de consistência emocional e narrativa para que sua trajetória solo se consolidasse.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Seus trabalhos anteriores, como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4F4wlAmPyUVCyISxlePFL9?si=p5EzRIaEQqKeHjemIWxnJw"><i><span style="font-weight: 400;">Walls</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/faith-in-the-future-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Faith In The Future</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2022), já indicavam essa tentativa de equilíbrio entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">acessível e introspectivo. O primeiro transitava entre baladas sentimentais e faixas de </span><i><span style="font-weight: 400;">pop-rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> com pegada britânica, mostrando maturidade, mas também algumas hesitações em definir um estilo único. Era um disco que buscava firmar sua própria voz, mas ainda se apoiava em referências e estruturas já conhecidas. Com o álbum de 2022, Louis dá um passo adiante: seu trabalho amplia a energia e aposta em composições mais expansivas e otimistas, com refrões mais abertos e uma sonoridade que dialoga melhor com o palco e com o público. Em</span> <span style="font-weight: 400;">seu projeto atual, essa evolução parece mais consolidada, cada canção soa deliberada, com uma coerência temática e emocional que não estava tão evidente em seus últimos trabalhos, revelando um artista que aprendeu a lidar com expectativas, público e a própria vulnerabilidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Louis Tomlinson - Imposter (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/rzuD5szQhso?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Outro ponto alto do lançamento é </span><a href="https://youtu.be/pPkEU6vyJNc?si=F4OAFapX-DQW55rQ"><i><span style="font-weight: 400;">Imposter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que coloca a crise de identidade no centro da narrativa. A canção mergulha no sentimento de inadequação e na paranoia de quem não se reconhece mais no papel que desempenha. Em cada um dos seus versos tem um toque de insegurança, na qual nos é mostrado o seu desconforto de não se reconhecer mais e de sentir que está interpretando um papel que já não é seu. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://youtu.be/QD-V0Q8LjV8?si=AwC3qpH0E4g4itNW"><span style="font-weight: 400;">letra</span></a><span style="font-weight: 400;"> cria um sentimento de empatia – afinal, quem nunca se sentiu deslocado? – que nos faz perceber que nem todo artista vive em um mundo cor de rosa, apesar da fama. No entanto, mais uma vez, a produção suaviza o impacto emocional, optando por uma sonoridade que acolhe em vez de confrontar. Em vez de realmente nos fazer entender que essa sensação exista, o artista foca mais em uma mensagem superficial, como se quisesse apenas dizer que existe esse problema mas sem de fato discuti-lo. O resultado é eficaz em termos de empatia, entretanto menos incisivo do que poderia ser. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">“Acho que há um estranho na minha cama</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Meu coração está batendo mais rápido</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">Não consigo me livrar dessa sensação</span></i><i><span style="font-weight: 400;"><br />
</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">De que eu sou o impostor”</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">o longo do </span><a href="https://youtu.be/vZdny43jOyc?si=s9aCBM0roMQEHnhU"><span style="font-weight: 400;">disco</span></a><span style="font-weight: 400;">, a coerência é um dos principais méritos. As faixas se conectam por temas como amadurecimento, pertencimento e reconstrução pessoal, e a produção mantém uma identidade clara do início ao fim. Em contrapartida, também expõe um limite: poucas músicas fogem do terreno já conhecido do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. Falta, em alguns momentos, o risco que poderia transformar o álbum em um </span><i><span style="font-weight: 400;">statement</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais forte dentro da discografia do artista. Além disso, a falta de profundidade lírica é um problema recorrente, já que a mensagem da maior parte das músicas é de uma perspectiva otimista que enfraquece o que foi dito.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Louis Tomlinson - Lemonade (Official Video)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ipVl6Tw52GA?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><a href="https://youtu.be/02QyA29poAM?si=CpYULIjMz24ZWBnt"><i><span style="font-weight: 400;">Dark To Light</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">com certeza é uma das músicas de maior destaque desse trabalho. Nela, vemos uma sinceridade e honestidade diferente da apresentada até aquele momento. Na faixa, vemos o eu lírico dizendo que desejava que a pessoa a visse como ele a vê. Não existe um otimismo de que tudo vai ficar bem, só uma sensação de impotência, de que não há nada a ser feito. É uma letra sensível, que revela uma vulnerabilidade do artista, uma confissão escondida entre seus versos. Na internet, fãs teorizam que a música foi feita para Liam Payne, que também integrou o </span><i><span style="font-weight: 400;">One Direction,</span></i><span style="font-weight: 400;"> e que veio a falecer enquanto Tomlinson trabalhava neste projeto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de seu acerto lírico e conceitual, boa parte das músicas não surpreende. Diversas seguem caminhos previsíveis, oferecendo conforto onde poderia haver um risco maior – como por exemplo, nas canções </span><i><span style="font-weight: 400;">Lemonade</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Sunflower</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, a coesão do projeto compensa a falta de risco absoluto, transformando-o em uma narrativa contínua. Dentro de sua carreira solo, seu mais atual projeto marca um ponto de consolidação. O </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-away-from-home-festival-critica/"><span style="font-weight: 400;">cantor</span></a><span style="font-weight: 400;"> não tenta apagar o passado nem se dissociar de suas raízes; ele reconhece a trajetória e constrói a própria voz a partir dela. O lançamento soa como um registro honesto de amadurecimento e autoafirmação, mais seguro em seu próprio território, mas sem perder a sensibilidade que conecta artista e público. O disco soa honesto, controlado e emocionalmente consistente – qualidades importantes, ainda que não revolucionárias. </span></p>
<p><a href="https://beatroutemedia.com/cover_stories/louis-tomlinson/?fbclid=PAT01DUAPwhERleHRuA2FlbQIxMABzcnRjBmFwcF9pZA81NjcwNjczNDMzNTI0MjcAAae0DuSNeLonwSC4g9BytYnw7xuNqTASjhrzhuPK9sOLSB5oQAYbco3F3MfI9A_aem_GDzr-0ZZSvvEIDfoW4WvIg"><i><span style="font-weight: 400;">How Did I Get Here</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não muda os rumos do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop </span></i><span style="font-weight: 400;">atual, tampouco soa irrelevante. Seu valor está menos no impacto imediato e mais na construção de uma identidade que, finalmente, parece estável. É um álbum que prefere clareza a ousadia e maturidade a espetáculo – escolhas que talvez não gerem manchetes, porém sustentam uma carreira. Para Louis Tomlinson, isso não é pouco: é a confirmação de que ele sabe exatamente onde está.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: How Did I Get Here?" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5Ihp8gEWnduyUdUqcxqkzB?si=yIkoBltQRWauI2rOelA5Sw&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Dez anos depois, ANTI ainda soa como despedida e consolidação</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2026 13:00:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Sinara Martins Em 2016, depois de um período de expectativa e silêncio, Rihanna apresentou ANTI como um marco definitivo em sua trajetória. O álbum se sustenta como uma obra-prima pela segurança das escolhas e pela identidade muito bem definida. Desde a primeira faixa, fica evidente que existe uma direção artística clara e uma artista no &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-anti/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Dez anos depois, ANTI ainda soa como despedida e consolidação"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37170" aria-describedby="caption-attachment-37170" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37170" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-800x800.jpg" alt="A imagem apresenta a capa do álbum &quot;ANTI&quot;, da cantora Rihanna. No centro da composição, vemos o retrato em tons de cinza de uma criança que segura um balão preto por um fio fino. Sobre seus olhos, repousa uma coroa dourada de metal que funciona como uma venda, contendo inscrições em Braille gravadas em sua superfície. O fundo branco é interrompido por uma grande mancha de tinta vermelha vibrante, que parece escorrer do topo e cobrir a metade superior do corpo da criança, criando um contraste visual intenso. Por toda a extensão da arte, notam-se pequenos pontos em relevo, que formam um poema completo em Braille, convidando ao toque. " width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-800x800.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-1024x1024.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-150x150.jpg 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-768x768.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37170" class="wp-caption-text">Após um vazamento na internet, ANTI foi lançado antes do previsto pela equipe de Rihanna (Foto: Christopher Polk)</figcaption></figure>
<p><b>Sinara Martins</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2016, depois de um período de expectativa e silêncio, Rihanna apresentou </span><i><span style="font-weight: 400;">ANTI </span></i><span style="font-weight: 400;">como um marco definitivo em sua trajetória. O álbum se sustenta como uma </span><a href="https://billboard.com.br/rihanna-anti-10-anos/"><span style="font-weight: 400;">obra-prima</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela segurança das escolhas e pela identidade muito bem definida. Desde a primeira faixa, fica evidente que existe uma direção artística clara e uma artista no controle absoluto do que quer comunicar. É um trabalho maduro, coeso e consciente, que assume riscos com tranquilidade e confia na própria proposta.</span></p>
<p><span id="more-37168"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O reconhecimento acompanhou essa força artística. </span><i><span style="font-weight: 400;">ANTI </span></i><span style="font-weight: 400;">estreou no primeiro lugar da </span><a href="https://www.billboard.com/music/chart-beat/rihanna-reacts-anti-historic-500-weeks-billboard-200-1236125233/"><i><span style="font-weight: 400;">Billboard </span></i><span style="font-weight: 400;">200 </span></a><span style="font-weight: 400;">e se manteve por semanas entre os álbuns mais consumidos. Na </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard Hot </span></i><span style="font-weight: 400;">100, </span><i><span style="font-weight: 400;">Work </span></i><span style="font-weight: 400;">chegou ao topo e permaneceu por nove semanas na liderança, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Love On The Brain </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Needed Me</span></i><span style="font-weight: 400;"> também alcançaram posições altas no </span><i><span style="font-weight: 400;">ranking</span></i><span style="font-weight: 400;">. No </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy de 2017</span></i><span style="font-weight: 400;">, o disco recebeu indicação a Melhor Álbum Urbano Contemporâneo, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Work </span></i><span style="font-weight: 400;">venceu como Melhor Performance de Rap. Mesmo com uma sonoridade menos imediata do que os trabalhos anteriores, o impacto comercial foi expressivo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Existe também uma base conceitual forte. A própria </span><a href="https://portalpopline.com.br/entenda-o-conceito-principal-de-anti-novo-disco-da-rihanna/"><span style="font-weight: 400;">Rihanna explicou</span></a><span style="font-weight: 400;"> que o título faz referência a alguém que se posiciona contra padrões estabelecidos e escolhe não seguir automaticamente aquilo que se espera. Em seu oitavo álbum de estúdio, a cantora priorizou trabalhar com produtores negros e nomes mais ligados ao </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B alternativo</span></i><span style="font-weight: 400;"> e à cena </span><i><span style="font-weight: 400;">underground</span></i><span style="font-weight: 400;">, alguns com influências caribenhas, o que reforça sua identidade cultural e amplia as texturas sonoras do disco. Com 13 faixas, na versão Deluxe, com 16, inclui uma releitura de</span><i><span style="font-weight: 400;"> New Person, Same Old Mistakes</span></i><span style="font-weight: 400;">, originalmente do Tame Impala, que ganha nova camada dentro da atmosfera densa do projeto.</span></p>
<figure id="attachment_37171" aria-describedby="caption-attachment-37171" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37171" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-800x511.jpg" alt="Retrato em primeiríssimo plano (close-up) da cantora Rihanna contra um fundo branco infinito. Ela olha diretamente para a câmera com uma expressão serena e lábios levemente entreabertos. Seu cabelo castanho escuro está solto e bagunçado, com várias mechas sopradas pelo vento cruzando seu rosto. Ela usa brincos de argola dourados com textura trançada e uma maquiagem em tons terrosos e naturais. Parte de uma tatuagem é visível em seu ombro esquerdo." width="800" height="511" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-800x511.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1024x654.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-768x491.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1536x981.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1200x767.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4.jpg 1565w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37171" class="wp-caption-text">Kevin Parker, vocalista do Tame Impala, contou em entrevista que ouvir a própria música sendo interpretada por Rihanna foi uma experiência surreal (Foto: Paolo Roversi)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se há um </span><a href="https://www.papelpop.com/2026/01/10-anos-de-anti-album-que-redefiniu-a-carreira-e-historia-de-rihanna/"><span style="font-weight: 400;">arco narrativo</span></a><span style="font-weight: 400;">, ele passa pela frustração emocional e pela solidão que pode surgir quando as relações falham. Sob uma superfície de autoconfiança e sensualidade, existe um sentimento constante de decepção e introspecção. As letras falam de confiar e se decepcionar, abordam o ato de se fechar para evitar novas dores e exploram a dificuldade de equilibrar independência e vulnerabilidade. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Desperado</span></i><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, a ideia de ser autossuficiente aparece junto com o peso de carregar essa solidão. Essa camada emocional dá profundidade ao álbum e o distancia de um discurso superficial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que mais chama atenção é que </span><a href="https://billboard.com.br/rihanna-revela-que-anti-e-seu-unico-album-que-nao-da-vergonha-de-ouvir/"><span style="font-weight: 400;">não há música fraca. </span></a><span style="font-weight: 400;">Todas as faixas têm função dentro do conjunto e ajudam a manter a coerência sonora que atravessa o projeto. O disco funciona como experiência completa, pensada para ser ouvida na ordem, permitindo que o clima se desenvolva gradualmente. Não é apenas uma sequência de possíveis </span><i><span style="font-weight: 400;">singles</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas um corpo único.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Kiss It Better</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta uma atmosfera sensual com guitarras marcantes e influência retrô, valorizando a interpretação vocal.</span><i><span style="font-weight: 400;"> Work, </span></i><span style="font-weight: 400;">parceria com Drake, mistura </span><a href="https://spcd.com.br/verbetes/dancehall/"><i><span style="font-weight: 400;">dancehall</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> com naturalidade e consolidou mais um capítulo da colaboração entre os dois, que já haviam dividido faixas em outros momentos da carreira. A química entre eles é recorrente e sempre gera repercussão justamente pela sintonia musical que demonstram. </span><i><span style="font-weight: 400;">Yeah, I Said It</span></i><span style="font-weight: 400;"> aposta na simplicidade e na intensidade contida e </span><i><span style="font-weight: 400;">Love On The Brain </span></i><span style="font-weight: 400;">evidencia uma entrega vocal mais potente, com forte influência soul e uma das interpretações mais marcantes do álbum.</span></p>
<figure id="attachment_37172" aria-describedby="caption-attachment-37172" style="width: 642px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37172" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2.png" alt="Fotografia de perfil de Drake e Rihanna no palco do VMA. À esquerda, Drake, um homem negro com barba curta e cabelo raspado, veste um smoking preto clássico com gravata borboleta e olha para Rihanna com um sorriso leve. À direita, Rihanna, uma mulher negra com cabelos longos e lisos penteados para trás, usa um vestido longo de cetim dourado pálido e brincos de diamante pendentes. Ambos seguram juntos um troféu. O fundo é composto por linhas horizontais de luzes brancas brilhantes sobre um painel escuro." width="642" height="358" /><figcaption id="caption-attachment-37172" class="wp-caption-text">A faixa Work começou como uma demo minimalista com batida de Dancehall, que depois foi refinada até chegar à versão final (Foto: Michael Loccisano)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A </span><a href="https://www.papelpop.com/2017/10/sza-conta-que-consideration-era-para-o-proprio-album-mas-rihanna-gostou-tanto-que-pegou-para-o-anti/"><span style="font-weight: 400;">presença de SZA</span></a><span style="font-weight: 400;"> como compositora em </span><i><span style="font-weight: 400;">Consideration,</span></i><span style="font-weight: 400;"> faixa de abertura, reforça o diálogo com um </span><i><span style="font-weight: 400;">R&amp;B</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais alternativo e contemporâneo. As colaborações são pontuais e bem integradas, ampliando o alcance do disco sem comprometer sua identidade central. O </span><i><span style="font-weight: 400;">feat </span></i><span style="font-weight: 400;">traz uma energia mais introspectiva, que conversa diretamente com o clima do projeto e ajuda a estabelecer o tom emocional que se desenvolve nas faixas seguintes. A iniciativa não soa como estratégia comercial, mas como decisão artística alinhada à identidade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sonoridade é construída com minimalismo e atenção aos detalhes. Os graves são bem definidos, as batidas têm espaço, e os arranjos priorizam textura e atmosfera. O </span><i><span style="font-weight: 400;">soul</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um pilar do projeto, com influências de </span><i><span style="font-weight: 400;">reggae</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">pop alternativo</span></i><span style="font-weight: 400;"> que enriquecem o resultado final. A produção evita excessos de efeitos vocais e se concentra em </span><a href="https://youtu.be/yXvyJDqqQec?si=Uv5AccAUTvQ2XxAl"><span style="font-weight: 400;">performances</span></a><span style="font-weight: 400;"> limpas, o que valoriza ainda mais a interpretação de Rihanna. Esse direcionamento revela um lado mais alternativo da artista e demonstra evolução na forma como ela conduz a própria voz.</span></p>
<figure id="attachment_37173" aria-describedby="caption-attachment-37173" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37173" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-800x418.jpg" alt="Fotografia de plano médio da cantora Rihanna durante uma performance ao vivo. Ela segura um microfone com a mão direita e gesticula com a esquerda. Rihanna veste uma jaqueta puffer branca volumosa e uma faixa preta na cabeça com a palavra &quot;FEAR&quot; escrita em letras azuis e vermelhas com efeito de &quot;escorrido&quot;. O fundo é composto por luzes de palco vermelhas intensas e desfocadas, criando uma atmosfera quente e energética. O cabelo dela está solto, longo e cacheado." width="800" height="418" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-800x418.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-1024x535.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-768x402.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1.jpg 1050w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37173" class="wp-caption-text">A música Love On The Brain teria sido gravada em poucas tomadas, já que Rihanna queria preservar a emoção e a intensidade da interpretação vocal (Foto: Christopher Polk)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja por tudo isso que faça sentido que ela não tenha lançado outro álbum depois. Superar um trabalho tão coeso, bem estruturado e artisticamente sólido é um desafio grande. </span><i><span style="font-weight: 400;">ANTI </span></i><span style="font-weight: 400;">representa um ponto alto da carreira, um momento em que visão criativa, maturidade e execução caminham juntas. Quando um projeto alcança esse nível de qualidade e identidade, qualquer passo seguinte precisa estar à altura, e talvez seja justamente essa exigência que explique o </span><a href="https://gshow.globo.com/google/amp/cultura-pop/musica/noticia/dez-anos-do-anti-ultimo-disco-da-rihanna-veja-o-que-rolou-no-mundo-pop-desde-entao.ghtml"><span style="font-weight: 400;">intervalo</span></a><span style="font-weight: 400;"> desde então.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: ANTI" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/48i37aZTC1prDr4EcpQeEa?utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Você não imaginaria que aquele (!) seria O Drama</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Apr 2026 13:00:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Guilherme Machado Leal “O amor é cego” e “o amor vence tudo” são provérbios populares usados aos montes por aqueles que veem o romance como algo incondicional. De fato, em alguns casos, ele pode ser. Mas o que fazer quando você descobre algo problemático sobre a paixão da sua &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/o-drama-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Você não imaginaria que aquele (!) seria O Drama"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37210" aria-describedby="caption-attachment-37210" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-37210 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-4.png" alt="Cena do filme O Drama. Na imagem, há um casal posando para uma foto em um fundo cinza. Na esquerda, há um homem branco de cabelos lisos castanhos que utiliza óculos arredondados com uma camisa branca e uma mulher negra de cabelos cacheados castanhos que veste uma blusa moletom azul escuro. Ela está com a cabeça apoiada no ombro dele." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-4.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-4-768x432.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37210" class="wp-caption-text">A comédia de constrangimento é dirigida por Kristoffer Borgli, conhecido por O Homem dos Sonhos e Doente de Mim Mesma (Foto: Diamonds Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“O amor é cego” e “o amor vence tudo” são provérbios populares usados aos montes por aqueles que veem o romance como algo incondicional. De fato, em alguns casos, ele pode ser. Mas o que fazer quando você descobre algo problemático sobre a paixão da sua vida dias antes do casamento? Essa é a história que </span><i><span style="font-weight: 400;">O Drama</span></i><span style="font-weight: 400;"> pretende contar aos espectadores durante os 105 minutos que marcam o longa-metragem.</span></p>
<p><span id="more-37208"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No meio de um dia corriqueiro e cheio de afazeres, Charlie (</span><a href="https://personaunesp.com.br/mickey-17-critica/"><span style="font-weight: 400;">Robert Pattinson</span></a><span style="font-weight: 400;">) para em um café e se encanta com Emma (</span><a href="https://personaunesp.com.br/rivais-critica/"><span style="font-weight: 400;">Zendaya</span></a><span style="font-weight: 400;">), que lê um livro e aproveita o momento de descanso. Inicialmente, ele tenta falar com a moça, porém é ignorado. Isso porque ela usa fone de ouvido e por conta de sua deficiência auditiva no lado direito do ouvido. Com o objetivo de se aproximar da jovem, o rapaz finge saber sobre a obra literária e, a partir disso, os dois interagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Anos se passam e os protagonistas estão prestes a se casar. Ensaios fotográficos, criação dos discursos da noiva e do noivo e a escolha das comidas, bebidas e da música que irão tocar no dia especial preenchem a semana atarefada do casal, que tem como padrinhos a dupla Rachel (</span><a href="https://personaunesp.com.br/uma-batalha-apos-a-outra-critica/"><span style="font-weight: 400;">Alana Haim</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Mike (</span><a href="https://personaunesp.com.br/elementos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Mamoudou Athie</span></a><span style="font-weight: 400;">). Durante um dos compromissos pré casório, o quarteto decide brincar de “</span><i><span style="font-weight: 400;">Qual é a pior coisa que você já fez na vida?</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<figure id="attachment_37211" aria-describedby="caption-attachment-37211" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37211" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-2-800x450.png" alt="Cena do filme O Drama. Na imagem, há um homem branco de cabelos castanhos que usa uma camiseta branca e óculos arredondados e uma mulher negra de cabelos cacheados castanhos que veste uma blusa moletom azul. Ela está sentada no colo dele. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-2.png 1080w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37211" class="wp-caption-text">Além do filme, os protagonistas também contracenam juntos em Duna 3 e Odisseia (Foto: Diamonds Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Atos como </span><i><span style="font-weight: 400;">bullying </span></i><span style="font-weight: 400;">e artimanhas infantojuvenis marcam o papo acompanhado por doses de vinhos. No entanto, a partir da revelação de Emma, tudo até aquele momento passa a ser questionado pois, na adolescência, a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P4ke16Tpz8Yhttps://www.youtube.com/watch?v=P4ke16Tpz8Y"><span style="font-weight: 400;">protagonista</span></a><span style="font-weight: 400;"> chegou a tramar um massacre na escola que estudava, mas desistiu ao perder a audição devido ao barulho provocado pelo disparo da bala quando fazia testes. Assim que conta o maior pensamento que já passou pela cabeça, ela entende que o seu casamento e a maneira como é vista por terceiros mudará para sempre.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Embora tenha como tema central de sua narrativa a discussão sobre a política de armas dos Estados Unidos, o roteiro e direção de </span><a href="https://personaunesp.com.br/o-homem-dos-sonhos-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kristoffer Borgli</span></a><span style="font-weight: 400;"> utilizam da situação para garantir o tom cômico da história. Seja pelo uso do verbo </span><i><span style="font-weight: 400;">shoot </span></i><span style="font-weight: 400;">(atirar no inglês) em uma das cenas mais divertidas do longa – quando uma fotógrafa utiliza o verbo para falar a respeito das fotos que podem ser tiradas com parentes e amigos, mas Charlie associa a palavra ao ato de disparar uma bala – ou pela quantidade de produtos, como canecas e camisetas, que referenciam materiais de armamento, as paranóias de Charlie se alastram pelas áreas de sua vida. Antes, a noiva era sinônimo de perfeição, novidade e calmaria. Agora, ele não a reconhece, tem medo dela e pensa se algum dia conheceu aquela que será a sua esposa nos próximos dias.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Utilizada como bússola moral da produção, a personagem principal segura o tranco daqueles que tinha como família: Rachel está descontente com o que escutou e o seu futuro marido não se sente mais confortável de ficar ao seu lado. A partir dessa situação problema, há a questão que o </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/o-drama-diretor-fala-sobre-reviravoltas-no-final-do-longa/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;"> tenta solucionar: você se casaria com alguém mesmo após descobrir um segredo perturbador dessa pessoa? Em um dos papéis mais interessantes de sua carreira, Zendaya interpreta uma mulher tímida, encantadora e inexplicável. Como essa jovem adulta com o emprego e o noivado perfeitos seria capaz de entrar em uma escola e matar os colegas durante uma época de sua adolescência?</span></p>
<figure id="attachment_37209" aria-describedby="caption-attachment-37209" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37209" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-3-800x430.png" alt="Cena do filme O Drama. Na imagem, há uma mulher negra de cabelos cacheados castanhos. Ela está em uma cafeteria e veste uma blusa verde de manga longa. Ela lê um livro e toma café em uma xícara preta." width="800" height="430" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-3-800x430.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-3-768x413.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-3.png 1000w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37209" class="wp-caption-text">Zendaya faz uma das melhores performances de sua carreira em O Drama (Foto: Diamonds Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Com uma sucessão de momentos desconfortáveis, o clima é criado para ser atingido no ápice do casamento em uma das tradições mais convencionais de festas como essas: o discurso do recém casal. Aqui, a comédia de constrangimento é clássica e bem retratada. Após a destruição do que era para ser a noite mais especial de suas vidas, Charlie e Emma se encontram por acaso em uma lanchonete e se apresentam novamente como se não se conhecessem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Você não sabe se os dois terminarão juntos, se ela vai ser perdoada ou se essa marca a seguirá para sempre, mas o texto de Borgli e a química das </span><a href="https://www.vogue.com/slideshow/zendaya-robert-pattinson-the-drama-la-premiere-party"><span style="font-weight: 400;">estrelas </span><i><span style="font-weight: 400;">hollywoodianas</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">te fazem embarcar na história e pedir por mais. Sim, o que ela pensou em fazer é errado, condenatório e deve ser repreendido. Entretanto, o cineasta tenta ampliar a dicotomia provocada pelo duelo entre imaginar e de fato realizar. Emma pode ser perdoada pelo momento mais sombrio de sua vida? Dá para uma pessoa que é amada por tantos na vida adulta seguir em frente após o seu passado tenebroso marcado pela solidão?</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="O DRAMA | Teaser Trailer Dublado" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/hnl446A1Ziw?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Last of Us, a sobrevivência e o que restou da humanidade no fim do mundo</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2026 13:00:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Games]]></category>
		<category><![CDATA[2013]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Quando uma doença acometer a humanidade, o que será de nós? Em 2013, a Naughty Dog parecia muito interessada nessa questão ao lançar um dos jogos mais marcantes já feitos: The Last of Us. A história já é bem conhecida: o Cordyceps – um fungo capaz de parasitar insetos – sofreu uma mutação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-the-last-of-us/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Last of Us, a sobrevivência e o que restou da humanidade no fim do mundo"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37052" aria-describedby="caption-attachment-37052" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37052" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-800x450.png" alt="Cena de The Last of Us. Close-up do rosto de Ellie, uma jovem com sardas e cabelos castanhos, olhando para cima com uma expressão de esperança ou admiração. Ao fundo, levemente fora de foco, Joel, um homem mais velho, barbudo, com cabelo e barba preta, com algumas partes grisalhas, é visto de perfil dirigindo um veículo. A iluminação é suave, destacando o olhar de Ellie." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-us-2.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37052" class="wp-caption-text">O jogo ganhou uma continuação em 2020 (Foto: Naughty Dog)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando uma doença acometer a humanidade, o que será de nós? Em 2013, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Naughty Dog </span></i><span style="font-weight: 400;">parecia muito interessada nessa questão ao lançar um dos jogos mais marcantes já feitos: </span><a href="https://www.planocritico.com/games-the-last-of-us/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A história já é bem conhecida: o </span><a href="https://netec.org/2023/05/02/distinguishing-between-fungal-fact-and-fiction-in-the-last-of-us/"><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></a><span style="font-weight: 400;"> – um fungo capaz de parasitar insetos – sofreu uma mutação que lhe deu a capacidade de infectar corpos humanos, destruíndo o cérebro e as transformando em uma criatura agressiva. O mundo então entra em colapso, mais da metade da população foi contaminada ou morta, o exército da FEDRA tomou conta dos Estados Unidos, governando com punho de ferro e um grupo de revolucionários chamado Vaga-lumes luta contra a ditadura instaurada. O planeta virou de ponta cabeça com a doença e não há uma cura, até que surge uma pessoa imune ao fungo: Ellie (Ashley Johnson).</span></p>
<p><span id="more-37050"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse contexto entra o protagonista da história e que será o personagem controlado pela maior parte do </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">: Joel (Troy Baker), cujo objetivo é levar a garota para uma sede dos Vaga-lumes em que eles possam examiná-la. O jogo, então, é baseado em uma viagem no qual o destino não é tão bem definido. Parece um </span><a href="https://olhardigital.com.br/2024/02/04/cinema-e-streaming/os-10-melhores-road-movies/"><i><span style="font-weight: 400;">road movie</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, até mesmo pelo aspecto cinematográfico muito presente, com mais de uma hora de meia só de </span><a href="https://comandogeek.com.br/blog/glossario/o-que-e-cutscene/?srsltid=AfmBOor9C6qeRhefyALN7H6iEFmqNqY5HD7TguFQX8WhEfjNVmzB1sDB"><i><span style="font-weight: 400;">cutscenes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_37054" aria-describedby="caption-attachment-37054" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-Last-of-Us-800x449.png" alt="Cena de The Last of Us. Joel e Ellie em um cenário pós-apocalíptico iluminado pelo sol. Joel, um homem de barba com camisa de sarja verde e mochila, olha para o alto. Ellie está ao lado dele, também olhando para cima com curiosidade. Ao fundo, uma estrutura abandonada coberta por vegetação." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-Last-of-Us-800x449.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-Last-of-Us-1024x575.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-Last-of-Us-768x431.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-Last-of-Us.png 1069w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37054" class="wp-caption-text">Em 2023 a HBO Max fez uma adaptação do jogo para o formato série (Foto: Naughty Dog)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A base do jogo é a sobrevivência. Durante a viagem, a dupla precisa passar por diversos problemas com infectados, bandidos, militares ou qualquer um que ameace a vida deles. </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-ii-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não te dá alternativas, nunca há a opção de poupar uma vida, o </span><i><span style="font-weight: 400;">player </span></i><span style="font-weight: 400;">é obrigado a matar qualquer ameaça. Logo no terceiro capítulo, </span><i><span style="font-weight: 400;">A periferia</span></i><span style="font-weight: 400;">, Joel, Ellie e Tess (</span><span style="font-weight: 400;">Annie Wersching) encontram um homem vivo embaixo de escombros, o protagonista não hesita um segundo e somos obrigados a matá-lo. Entretanto, essa pouca flexibilidade não diz apenas sobre a necessidade, mas também da nossa limitação. Joel não é um avatar do jogador, ele representa a si mesmo e apenas somos permitidos acompanhá-lo e guiá-lo na jornada, no entanto, jamais o controlarmos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrabalanceando essa rigidez, os confrontos com humanos ou ‘zumbis’ são mais permissivos, o jogador pode ser mais discreto ou mais direto dependendo do objetivo, porém, isso revela outro aspecto fundamental da obra: a humanidade. Em </span><a href="https://personaunesp.com.br/ghost-of-tsushima-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Ghost of Tsushima</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020), quando é preciso ser furtivo, o jogo não te permite fazer de outra forma, o erro é zero. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us </span></i><span style="font-weight: 400;">está mais suscetível às falhas humanas, como ao tentar ser silencioso e não conseguir e ao improvisar diante do perigo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, não é só nesses momentos que a humanidade aparece. Na realidade, é mais sobre quem seremos diante de uma situação como essa. A pandemia mostrou que o </span><i><span style="font-weight: 400;">game </span></i><span style="font-weight: 400;">não estava tão distante da realidade. Produtos básicos viraram luxo para muitas pessoas, o mundo polarizado, vidas negligenciadas, muitas mortes evitáveis e a união se tornou mais utópica. Na ficção, </span><a href="https://universosagas.ig.com.br/quem-sao-os-vagalumes-em-the-last-of-us/"><span style="font-weight: 400;">Vaga-lumes</span></a><span style="font-weight: 400;"> e FEDRA se matam enquanto mais e mais pessoas são infectadas; criminosos se unem para roubar e matar; na escassez alguns se tornam canibais e as histórias trágicas se acumulam.</span></p>
<figure id="attachment_37053" aria-describedby="caption-attachment-37053" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37053" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-Us-3-800x533.png" alt="Cena de The Last of Us. Joel e Ellie escondidos atrás de uma porta de madeira em um salão luxuoso e deteriorado. Joel estende o braço para proteger Ellie enquanto observa cautelosamente um inimigo armado com uma espingarda que caminha ao fundo. Joel tem uma máscara de gás pendurada no cinto." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-Us-3-800x533.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-Us-3-768x512.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/The-last-of-Us-3.png 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37053" class="wp-caption-text">The Last of Us ganhou o prêmio de Melhor Game de 2013 pela BAFTA Games Awards (Foto: Naughty Dog)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sobrevivência e humanidade se misturam, principalmente na pele de Joel. A frieza expõe seu instinto, a raiva e a crueldade; e a memória da filha, o seu lado humano. A presença de Ellie evoca a lembrança de Sarah (</span><a href="https://letterboxd.com/actor/hana-hayes/"><span style="font-weight: 400;">Hana Hayes</span></a><span style="font-weight: 400;">), e a relação dos dois cresce cada vez mais, arranhando as ranhuras desse Joel violento e revelando aquele visto no capítulo </span><i><span style="font-weight: 400;">Cidade Natal</span></i><span style="font-weight: 400;">. A ligação entre os dois será fundamental para o encerramento da obra.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os elementos imersivos são essenciais </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. </span><span style="font-weight: 400;">Uma característica do jogo é a possibilidade de interagir com o ambiente e coletar documentos. Cada carta coletada é um conto, os cenários com prédios destruídos cheios de escombros são carregados de histórias – todas elas terminando de maneira trágica, porém, elas podem ser belas ou apenas tristes, isso depende do ponto de vista de cada um. A forma de melhorar as armas é feita de maneira rústica. O personagem modifica à mão, com uso de alicates achados no mapa. Tudo colabora para uma experiência imersiva, porém, isso não é à toa, tudo tem um propósito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da obra lidar com elementos do terror, ela pouco utiliza o </span><i><span style="font-weight: 400;">jumpscare</span></i><span style="font-weight: 400;">; o foco está na atmosfera amedrontadora e desconfortável, construída a partir dos sons dos </span><a href="https://jovemnerd.com.br/noticias/series-e-tv/the-last-of-us-tipos-infectados"><span style="font-weight: 400;">estaladores</span></a><span style="font-weight: 400;">, os esporos no ar, os corpos decompostos e os fungos nas paredes que criam uma sensação opressora. A tensão e o perigo constante são artifícios que tornam a jogabilidade interessante, e que, para além disso, serão fundamentais no encerramento.</span></p>
<figure id="attachment_37051" aria-describedby="caption-attachment-37051" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37051" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2-800x450.png" alt="Cena de The Last of Us. Retrato frontal de Ellie com uma expressão séria e melancólica. Seus cabelos estão levemente molhados e há sujeira em seu rosto. O fundo mostra uma paisagem montanhosa com árvores sob um céu nublado ao entardecer, criando uma atmosfera introspectiva." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image4-2.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37051" class="wp-caption-text">O jogo foi remasterizado para versão PS4 (Foto: Naughty Dog)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando Joel e Ellie chegam ao hospital em que os Vaga-lumes estão sediando, Marlene (Merle Dandridge) – membro do grupo – a leva para a cirurgia e revela a ele que para conseguir uma cura, é necessário matar a garota para extrair o </span><a href="https://butantan.gov.br/noticias/fungo-de-the-last-of-us-nao-e-perigoso-na-vida-real-e-alguns-do-mesmo-genero-sao-remedios"><span style="font-weight: 400;">Cordyceps</span></a><span style="font-weight: 400;"> de seu cérebro. O protagonista então decide salvar Ellie, mesmo que tenha que condenar o mundo em troca. Uma decisão egoísta, porém, muito humana. Mas o que há de tão interessante nesse final? É a falta de controle do </span><i><span style="font-weight: 400;">player</span></i><span style="font-weight: 400;"> e a autoridade do personagem. Enquanto jogamos, temos a falsa sensação de liberdade e domínio daquelas figuras, no entanto, quando Joel toma a decisão, é quase um tapa cara; o jogo se inverte, pois agora somos nós que seremos manipulado por ele, a única escolha que nos resta é completar a missão – matando todos os vaga-lumes – ou deixar de jogar. O nosso poder sobre ele era emprestado, o seu arbítrio é superior.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É interessante comparar com a </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-1a-temp-critica/"><span style="font-weight: 400;">produção da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO Max</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, pois as linguagens são diferentes e, por consequência, geram efeitos diferentes. Por mais que se esforce, uma série jamais conseguirá ser tão imersiva quanto um jogo, a capacidade dos </span><i><span style="font-weight: 400;">games </span></i><span style="font-weight: 400;">de interagir e influenciar o ambiente faz o jogador estar muito mais presente naquele mundo. O problema da adaptação é não conseguir compreender essa diferença entre as linguagens, pois, por mais que seja muito fiel, o impacto no público é diferente. A relação entre Joel e Ellie na obra original é construída a partir das interações e missões, como uma ajuda para pegar uma escada, para atravessar um lago, a necessidade de protegê-la, etc; poucas vezes se utiliza de </span><i><span style="font-weight: 400;">cutscenes </span></i><span style="font-weight: 400;">com esse intuito. No seriado, a imagem e as dinâmicas entre os personagens é soberana, logo, a conexão com Ellie é mais profunda, porém, o medo e o sentimento de responsabilidade com o mundo é infinitamente menor. A decisão do protagonista no </span><i><span style="font-weight: 400;">show </span></i><span style="font-weight: 400;">é apenas dele, mas no </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">, parece ser um pouco nossa também.</span></p>
<p><a href="https://www.planocritico.com/critica-the-last-of-us-left-behind/"><i><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não está interessado em falar sobre a humanidade como maligna, e sim falha. Há bondade, assim como há maldade; tem violência e carinho; amor e ódio. A necessidade de sobreviver não revela o lado ruim das pessoas, apenas explora todos os limites, das qualidades aos defeitos, e expõe que o humano é, acima de tudo, contraditório.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Last of Us - Story Trailer" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/W01L70IGBgE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>Há 20 anos, você também queria ser um Wildcat com a estreia de High School Musical</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Apr 2026 13:00:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal Quando chegou às telonas em 2006, High School Musical iniciava – ao lado de Hannah Montana e Zack &#38; Cody: Gêmeos em Ação, séries de 2005 – uma nova era no Disney Channel. Há 20 anos, o amor entre o capitão do time de basquete da escola East High e a aluna &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/20-anos-high-school-musical/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 20 anos, você também queria ser um Wildcat com a estreia de High School Musical"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36897" aria-describedby="caption-attachment-36897" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36897" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-5-800x450.png" alt="Cena do filme High School Musical. Na imagem, o elenco principal do filme está no ginásio da escola East High. Eles estão performando a faixa We’re All in This Together e vestem roupas como calças e regatas brancas, vestidos e roupas vermelhas. Da esquerda para a direita, há uma mulher branca de cabelo louro e ondulado, um homem negro de cabelo cacheado e castanho claro, um homem branco de cabelo liso cor de mel, um homem negro de cabelo crespo castanho escuro e uma mulher branca de cabelo castanho escuro ondulado." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-5-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image1-5.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36897" class="wp-caption-text">Hino de superação e amizade, We’re All in This Together segue como uma das canções mais potentes da trilogia (Foto: Disney Channel)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando chegou às telonas em 2006, </span><i><span style="font-weight: 400;">High School Musical</span></i><span style="font-weight: 400;"> iniciava – ao lado de </span><a href="https://personaunesp.com.br/hannah-montana-15-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Hannah Montana</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/por-onde-o-elenco-de-zack-e-cody-gemeos-em-acao,1109bc0f91c709ede1b0a8ebb77d2585uah2y4xe.html"><i><span style="font-weight: 400;">Zack &amp; Cody: Gêmeos em Ação</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, séries de 2005 – uma nova era no Disney Channel. Há 20 anos, o amor entre o capitão do time de basquete da escola East High e a aluna recém chegada na cidade de Salt Lake abriu portas para uma trilogia que abordaria o crescimento da juventude, a busca pelos sonhos e o encontro da sua melhor versão. </span></p>
<p><span id="more-36896"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um mesmo ambiente, inúmeros grupos sociais, aulas das mais variadas matérias, tudo isso compõe o cenário escolar do </span><a href="https://rollingstone.com.br/entretenimento/o-poder-magico-e-duradouro-de-high-school-musical/"><span style="font-weight: 400;">filme</span></a><span style="font-weight: 400;">. Assim como na cadeia alimentar, cada aluno foi designado a uma função. Se você gosta de esportes, tem duas opções: ser um(a) líder de torcida ou se juntar aos times do colégio. Caso sua vocação seja qualquer tipo de arte, o grupo de teatro é o ideal. E para aqueles que amam as matérias regulares, entrar em sessões de estudos garante a ida para uma faculdade de nome.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse contexto que se encontram os seis personagens principais do longa-metragem dirigido e coreografado por Kenny Ortega. Troy Bolton (</span><a href="https://personaunesp.com.br/ted-bundy-filme-critica"><span style="font-weight: 400;">Zac Efron</span></a><span style="font-weight: 400;">) é o homem mais popular do lugar. Semelhante à relação que fãs possuem com jogadores, naquele território quem manda são os Wildcats – o time de basquete. Enquanto isso, Gabriella Montez (</span><a href="https://personaunesp.com.br/tick-tick-boom-critica"><span style="font-weight: 400;">Vanessa Hudgens</span></a><span style="font-weight: 400;">) é a aluna com um desempenho acadêmico perfeito. No entanto, há um universo que foi aberto tanto para a moça quanto para o rapaz: o da música. O primeiro contato entre eles acontece na noite de Ano novo, quando os dois performam </span><i><span style="font-weight: 400;">Start of Something New</span></i><span style="font-weight: 400;">, em uma festa antes mesmo das aulas retornarem. A partir disso, um vínculo que se desenvolverá ao longo da trilogia foi criado dentro dos dois.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Troy, Gabriella - Start of Something New (From &quot;High School Musical&quot;)" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/zBG-sEGlULs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p>O <span style="font-weight: 400;">número </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=yE07FbWmew8&amp;list=RDyE07FbWmew8&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Stick To The Status Quo</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">exemplifica a máxima da obra. Embora tenha um leque de especialidades para os estudantes, entendemos que o East High é um lugar para os alunos serem quem os pais e os amigos gostariam que eles fossem. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Faça aquilo que você sabe</span></i><span style="font-weight: 400;">” é uma das traduções do título da canção e, se ancorada ao momento em que Ryan (Lucas Grabeel) e Sharpay Evans (Ashley Tisdale) gritam “</span><i><span style="font-weight: 400;">Temos que colocar as coisas de volta no lugar delas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, percebemos o padrão levado à risca naquele universo. É como se não existisse espaço para se arriscar, mesmo vivendo em um ambiente próprio para o seu desenvolvimento pessoal e profissional.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Assim como no esporte, o mundo dos talentos artísticos também possui competições. Os irmãos Evans estrelam todos os musicais administrados pela Sra. Darbus (Alyson Reed), mas têm o seu reinado ameaçado com a possível inscrição de Troy e Gabriella para a peça de inverno. Muito antes das adaptações de heróis com uma roupagem que ia à direção oposta do maniqueísmo, os ‘vilões’ de </span><i><span style="font-weight: 400;">High School Musical</span></i><span style="font-weight: 400;"> já tinham suas camadas dissecadas e eram amados justamente pelas imperfeições.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há quem considere Sharpay invejosa; há quem a veja como um ícone incompreendido. Na produção, o sexteto adota características e opiniões diferentes dos fãs dependendo do ponto de vista analisado. Aqui, os dilemas, as ações e os sonhos dos personagens estão distantes de serem retratados de maneira banal. Na verdade, o anseio pelo futuro e a forma como eles irão chegar até lá são os combustíveis dessa corrida maluca que é o ensino médio. Chad Danforth (</span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/corbin-bleu-diz-que-elenco-de-high-school-musical-possui-um-grupo-de-conversa/"><span style="font-weight: 400;">Corbin Bleu</span></a><span style="font-weight: 400;">) e Taylor McKessie (Monique Coleman), assim como os seus amigos, são de mundos diferentes, porém juntos, tentam separar Troy e Gabriella.</span></p>
<figure id="attachment_36898" aria-describedby="caption-attachment-36898" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36898" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-5-800x450.png" alt="Cena do filme High School Musical. Na imagem, há um homem branco de cabelos lisos castanhos claro olhando para uma mulher branca de cabelos castanhos ondulados. Ele veste uma camiseta branca e um moletom azul com listras por cima, enquanto ela usa uma blusa branca de renda com um cardigan azul e rosa por cima. Eles estão cantando." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/image2-5.png 960w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36898" class="wp-caption-text">Após 20 anos, a química entre Troy e Gabriela ainda é especial (Foto: Disney Channel)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">No pensamento do aluno médio do </span><a href="https://www.instagram.com/p/DQkag-aD8tx/?img_index=2"><span style="font-weight: 400;">East High</span></a><span style="font-weight: 400;">, as coisas não se misturam. Ao passo que Chad deseja ser um atleta para além das quadras da escola, Taylor tem o foco de se tornar Presidente dos Estados Unidos. A aliança incomum gera questionamentos sobre o papel da dupla enquanto amigos: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Será que eles são tão diferentes dos Evans?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A possibilidade de escolher, tentar, cair e levantar, assim como em qualquer outra época da vida, é inegociável ao ser humano. Crescer tem dessas: tentamos aqui, conseguimos ali, finalizamos um capítulo e iniciamos outro. Apesar disso, no final, podemos dizer que </span><b>vivemos</b><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dessa forma, impedir os dois protagonistas de explorarem outras áreas dentro de si mesmos é evidenciar a própria limitação dos personagens ao redor. Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0qj67KE5VXI&amp;list=RD0qj67KE5VXI&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Breaking Free</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o dueto do atleta com a estudante, os versos mostram a mudança do casal: agora, eles não têm mais medo. Pelo contrário, batem no peito e entoam no refrão: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estamos nos libertando!</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Já </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=DykVJl6wr_4&amp;list=RDDykVJl6wr_4&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">We&#8217;re All in This Together</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, faixa que encerra o primeiro filme, pontua assertivamente o aprendizado daqueles alunos.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Eu finalmente entendi (sim, sim)/</span><span style="font-weight: 400;">Que todos os nossos sonhos (uh) não têm limitações” </span><i>– We&#8217;re All in This Together</i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Após 20 anos, o legado de </span><i><span style="font-weight: 400;">High School Musical</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue memorável e fresco como um vento em um dia quente. As vocações e crises existenciais daqueles seis adolescentes dialogam com aquela geração e com as próximas. Ter obras que te ajudam a ser um jovem em construção é muito especial, mas crescer com as produções dirigidas por </span><a href="https://www.buzzfeed.com/andrewfirriolo/kenny-ortega-high-school-musical-20th-anniversary-interview"><span style="font-weight: 400;">Kenny Ortega</span></a><span style="font-weight: 400;"> é melhor ainda. Quem deles seis você é? Não importa! Nessa trilogia, há lugar para todo mundo. Como Troy Bolton, símbolo da intersecção desses dois mundos (o esporte e as artes), disse no discurso de formatura de </span><i><span style="font-weight: 400;">High School Musical 3</span></i><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">uma vez um Wildcat, sempre um Wildcat</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Nunca se esqueça, estamos juntos nessa.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="High School Musical – Original Trailer | Disney+ | Streaming November 12" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/mpgel-TjMKk?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>The Moment é uma experiência que apenas Charli XCX conseguiria criar</title>
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		<pubDate>Thu, 09 Apr 2026 13:00:57 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Isabela Nascimento Depois de anos na tentativa de alcançar o sucesso mainstream, Charli XCX desistiu de se encaixar em um formato quadrado e resolveu apostar em si mesma em seu sexto álbum de estúdio, Brat (2024). Na sua era mais honesta, a britânica explorou suas inseguranças, questões com a fama, luto e sua vida como &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-the-moment/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "The Moment é uma experiência que apenas Charli XCX conseguiria criar"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37152" aria-describedby="caption-attachment-37152" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-37152 size-medium" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-800x420.jpg" alt="Charli XCX, uma mulher branca com cabelo ondulado escuro, está virada para a esquerda enquanto fala no telefone e na outra mão tem uma taça com bebida. Ela está de roupão branco e o ambiente é escuro." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-1536x806.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3-1200x630.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image2-3.jpg 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37152" class="wp-caption-text">Em fevereiro, Charli XCX lançou a trilha sonora oficial do filme de Emerald Fennell, Wuthering Heights (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><b>Isabela Nascimento</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Depois de anos na tentativa de alcançar o sucesso </span><i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://letterboxd.com/actor/charli-xcx/"><span style="font-weight: 400;">Charli XCX</span></a><span style="font-weight: 400;"> desistiu de se encaixar em um formato quadrado e resolveu apostar em si mesma em seu sexto álbum de estúdio, </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Brat</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2024). Na sua era mais honesta, a britânica explorou suas inseguranças, questões com a fama, luto e sua vida como </span><i><span style="font-weight: 400;">partygirl</span></i><span style="font-weight: 400;">. O resultado foi um sucesso imediato e gigantesco, tornando-se uma </span><i><span style="font-weight: 400;">popstar</span></i><span style="font-weight: 400;"> internacional nos seus próprios termos. </span></p>
<p><span id="more-37144"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A fama foi uma surpresa tanto para os fãs como para a cantora. Do dia para noite, ela se tornou um nome bastante comentado em todos os lugares, até em noticiários políticos, como CNN e Fox News. Além disso, ela virou a cara de marcas famosas como </span><a href="https://www.instagram.com/p/DRzqHDkETCa/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><i><span style="font-weight: 400;">YSL</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">, </span></i><a href="https://wwd.com/footwear-news/sneaker-news/converse-charli-xcx-chuck-taylor-collaboration-1237991175/"><i><span style="font-weight: 400;">Converse</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=4djl1it4Vdo"><i><span style="font-weight: 400;">Poppi</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não demorou muito para os executivos sugerirem um documentário sobre este momento único em sua vida, porém, esta ideia não cativou a britânica. Em entrevista ao </span><a href="https://www.hollywoodreporter.com/movies/movie-features/charli-xcx-the-moment-exclusive-1236478208/"><i><span style="font-weight: 400;">The Hollywood Reporter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Charlotte Aitchison disse que este tipo de produção não representava o que ela é como artista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, a pressão de criar uma produção deste gênero inspirou a britânica a criar um filme próprio que retratasse a indústria musical do jeito mais real e verídico possível. </span><i><span style="font-weight: 400;">The Moment</span></i><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="https://letterboxd.com/director/aidan-zamiri-4/"><span style="font-weight: 400;">Aidan Zamiri</span></a><span style="font-weight: 400;"> e idealizado pela própria cantora, mostra Charli lidando com as complexidades da popularidade, ao mesmo tempo que ela está se preparando para a turnê em arenas.</span></p>
<figure id="attachment_37151" aria-describedby="caption-attachment-37151" style="width: 696px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37151" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/image1-11.png" alt="Charli XCX, uma mulher branca com cabelo ondulado escuro, está em um estúdio com um corset claro, enquanto um homem loiro e branco, vestido de jeans, está arrumando a sua roupa. Do outro lado, tem uma mulher asiática com um pacote na mão, olhando para eles. No fundo, há outras duas pessoas desfocadas." width="696" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-37151" class="wp-caption-text">Além de The Moment, a cantora já foi confirmada em mais de 5 produções cinematográficas (Foto: A24)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Classificado como </span><a href="http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0009-67252013000100024"><i><span style="font-weight: 400;">mockumentary</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o último respiro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Brat </span></i><span style="font-weight: 400;">é um retrato sobre a relação que temos com a cultura </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">. A história usa uma ‘falsa’ realidade cheia de verdades implícitas e acontecimentos clássicos na vida de uma artista feminina para representar esta relação. O longa-metragem não tem um roteiro e uma direção ambiciosa, Aidan e Charli não tentaram criar um novo movimento, e sim mostrar uma versão crua, precisa e imperfeita desse mundo paralelo que é bem similar ao dela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para ajudar na verossimilhança, a produção é cheia de humor ácido, britânico e sem intencionalidade, principalmente nas cenas da cantora com os seus coadjuvantes que sempre têm uma crítica implícita sobre a indústria. Uma dessas cenas é acompanhada pela </span><a href="https://letterboxd.com/actor/kylie-jenner/"><span style="font-weight: 400;">Kylie Jenner</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretando ela mesma, em um encontro que cria um contraste interessante com a </span><i><span style="font-weight: 400;">Grammy winner</span></i><span style="font-weight: 400;">, de como cada uma lida com os holofotes da mídia. Outro destaque do elenco é </span><a href="https://letterboxd.com/actor/alexander-skarsgard/"><span style="font-weight: 400;">Alexander Skarsgård</span></a><span style="font-weight: 400;">, interpretando o personagem Johannes, um diretor de documentário bizarro, que, durante os encontros com a cantora, rouba a identidade visual dela, transformando-a em um produto comercial.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os roteiristas Aidan Zamiri e </span><a href="https://theface.com/culture/mushpit-the-moment-bertie-brandes-interview-mockumentary-charli-xcx-aidan-zamiri"><span style="font-weight: 400;">Bertie Brandes</span></a><span style="font-weight: 400;"> também se aproveitam de alguns momentos do filme para mostrar como as produtoras lidam com o público LGBTQIAPN+. O lançamento do cartão </span><i><span style="font-weight: 400;">queer</span></i><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Brat</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o desenrolar dele pontuam muito bem isso, e é uma das provas que a figura da cantora não foi tão bem entendida pelos executivos e Johannes.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A. G. Cook - Residue (Official Video)" width="840" height="630" src="https://www.youtube.com/embed/bIk4DpJA104?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção do irlandês vem acompanhada de uma trilha sonora e uma montagem impecável que se encaixa perfeitamente com a trama e estética. O responsável pelas músicas, </span><a href="https://letterboxd.com/composer/a-g-cook/"><span style="font-weight: 400;">AG Cook</span></a><span style="font-weight: 400;">, uma figura já conhecida entre os fãs da britânica, contou em entrevistas que as faixas foram inspiradas pelo </span><i><span style="font-weight: 400;">Brat</span></i><span style="font-weight: 400;">, como se fosse uma nova versão do disco com um toque assombrado. A edição de </span><a href="https://letterboxd.com/editor/billy-sneddon/"><span style="font-weight: 400;">Billy Sneddon</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://letterboxd.com/editor/neal-farmer-2/"><span style="font-weight: 400;">Neal Farmer</span></a><span style="font-weight: 400;"> faz o mesmo, a introdução do filme é igual à da turnê, cheia de luzes e imagens piscantes, apresentando quem é a protagonista e, em momentos de tensão, consegue captar a emoção das cenas e dos personagens.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Moment</span></i><span style="font-weight: 400;"> soa como qualquer outro </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/25uiPmTg16RbhZWAqwLBy5/discography/all"><span style="font-weight: 400;">projeto de Charli XCX</span></a><span style="font-weight: 400;">, entretanto desta vez em uma mídia diferente. A produção trata das mesmas questões de </span><i><span style="font-weight: 400;">Brat</span></i><span style="font-weight: 400;">, porém de um jeito crítico e reflexivo, como se toda essa experiência tivesse sido uma lição para ela. O objetivo da obra não é a perfeição, mas retratar os anseios da fama. O longa não é feito para o telespectador gostar, e sim, viver, sentir e experienciar </span><i><span style="font-weight: 400;">The Moment</span></i><span style="font-weight: 400;">, junto com Charli.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="The Moment | Official Trailer HD | A24" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Pxqhi7Sgvu8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>25 anos de Figure 8: entre figuras, sons e despedidas que ainda reverberam</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Apr 2026 13:00:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Débora Munhoz A voz que Elliott Smith construiu e consolidou durante os anos 90, desde o lançamento de Roman Candle (1994) até a popularização de Either/Or (1997), abriu caminho para o nascimento de sua obra mais complexa: Figure 8. O álbum surge como uma espécie de síntese, mas também como um transbordamento de tudo que &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/figure-8-25-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "25 anos de Figure 8: entre figuras, sons e despedidas que ainda reverberam"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37177" aria-describedby="caption-attachment-37177" style="width: 510px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-37177 size-full" style="font-weight: bold; background-color: transparent; text-align: inherit;" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-1.png" alt="Fotografia quadrada colorida. Elliott Smith está em pé, no centro da imagem, de frente para a câmera. Um homem branco, com cabelo castanho curto e expressão neutra. Veste camiseta marrom com estampa no peito, jaqueta escura aberta e calça vermelha. Atrás dele há um grande mural pintado com faixas curvas seguindo um padrão nas cores preta, branca e vermelha, em alto contraste, que ocupam todo o fundo da imagem. O ambiente é externo." width="510" height="522" /><figcaption id="caption-attachment-37177" class="wp-caption-text">Elliott diante do mural surgiu por acaso, durante uma longa caminhada com sua amiga Autumn de Wilde por Los Angeles (Foto: Autumn de Wilde)</figcaption></figure>
<p><b>Débora Munhoz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A voz que Elliott Smith construiu e consolidou durante os anos 90, desde o lançamento de </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/0vgbFgcYqm2B0csVXvo8d5?flow_ctx=938aeb10-9eaa-4009-aa54-a79c41a58410%3A1768983167"><i><span style="font-weight: 400;">Roman Candle</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1994) até a popularização de </span><a href="https://open.spotify.com/album/5hryhrT7wEdLnZCbJX9F6L"><i><span style="font-weight: 400;">Either/Or</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1997), abriu caminho para o nascimento de sua obra mais complexa: </span><a href="https://pitchfork.com/reviews/albums/7267-figure-8/"><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O álbum surge como uma espécie de síntese, mas também como um transbordamento de tudo que ele vinha construindo, agora com um domínio mais seguro e maduro sobre sua própria linguagem. Nele, o músico se reinventa sem se afastar de si mesmo, mantendo a vulnerabilidade que sempre o caracterizou, porém a expandindo em novas direções, a tornando mais complexa. Foi o momento em que sua discografia deixou de apenas refletir o caos interno e passou a organizá-lo musicalmente, em um equilíbrio bonito entre confissão e composição.</span></p>
<p><span id="more-37175"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele nos presenteia com um trabalho praticamente intocável, cru no que diz respeito à verbalização dos sentimentos, minucioso em sua construção sonora e saudoso em relação a uma serenidade que talvez nunca tenha existido. Quando pensamos no compositor, é comum associá-lo à </span><a href="https://hazlitt.net/feature/elliott-smith-sad-you"><span style="font-weight: 400;">melancolia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e à desesperança, mas aqui, pela primeira vez, essas sombras parecem se reorganizar. Há um outro tipo de luz atravessando suas composições, uma espécie de reconciliação entre o que dói e o que permanece &#8211; como se o artista tivesse, enfim, encontrado uma forma mais precisa de existir dentro da própria confusão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Gravado majoritariamente entre o </span><a href="https://faroutmagazine.co.uk/the-10-best-albums-recorded-sunset-sounds/"><i><span style="font-weight: 400;">Sunset Sound</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e o </span><a href="https://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2025/09/08/musicas-incriveis-gravadas-estudios-abbey-road/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Abbey Road Studios</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, sem dúvidas, o seu álbum mais ambicioso em termos de produção. Ao lado dos engenheiros Tom Rothrock e Rob Schnapf &#8211; que já haviam trabalhado com ele em </span><i><span style="font-weight: 400;">Either/Or</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">XO</span></i><span style="font-weight: 400;"> -, o cancionista levou ainda mais longe o uso de camadas vocais, texturas de guitarra e arranjos orquestrais, criando um som mais denso sem perder a intimidade marcante de suas obras. E, ainda assim, nada soa distante ou impessoal. Mesmo gravando em estúdios lendários, ele mantinha o controle quase artesanal sobre cada pequeno detalhe, do timbre dos violões às suas famosas sobreposições de voz. É por isso que o disco parece respirar grandeza sem nunca perder a intimidade que Elliott sempre guiou &#8211; ou que sempre guiou Elliott.</span></p>
<figure id="attachment_37176" aria-describedby="caption-attachment-37176" style="width: 484px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37176" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1.png" alt="Fotografia retangular horizontal em preto e branco. A imagem foca em um piano ao lado direito no primeiro plano. Elliott Smith está sentado diante dele, posicionado na lateral esquerda da imagem. Ele é um homem branco, magro, com cabelo castanho curto, inclinado em direção às teclas. Sua mão direita está suspensa próxima ao teclado, enquanto seu corpo se inclina para frente. Ele veste uma camiseta escura com estampa desenhada no centro. O fundo é escuro e desfocado, sugere um ambiente de estúdio musical." width="484" height="325" /><figcaption id="caption-attachment-37176" class="wp-caption-text">Grande parte da densidade sonora de Figure 8 nasce da sobreposição manual de vozes e instrumentos (Foto: Autumn de Wilde)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A lendária capa de </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> foi fotografada por </span><a href="https://archive.org/details/elliottsmith0000wild"><span style="font-weight: 400;">Autumn de Wilde</span></a><span style="font-weight: 400;">, amiga próxima do músico e alguém em quem ele confiava tanto profissional quanto pessoalmente. A intimidade entre os dois transparece: Elliott está leve, quase absorvido pelo cenário, como se aquela parede já fosse uma velha conhecida. A imagem acabou se tornando inseparável da memória do disco, mostrando o cantor diante do </span><a href="https://laist.com/news/entertainment/photographer-describes-how-ugliest"><span style="font-weight: 400;">mural</span></a><span style="font-weight: 400;"> de faixas vermelhas, pretas e brancas na Sunset Boulevard, em Los Angeles &#8211; um local que, após sua morte, se transformou em um memorial à vida do homem por trás dessas canções. As curvas e cores do mural parecem caracterizar uma extensão dos redemoinhos e dualidade sonoras do projeto, quase como se o ambiente traduzisse a própria mente do cantor e sua obra final, eternizando visualmente sua complexidade inata.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A primeira faixa, </span><a href="https://youtu.be/afeAUndotas?si=z_R2frtAUA34-gij"><i><span style="font-weight: 400;">Son of Sam</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, nos lembra que o refinamento técnico de Elliott não sacrifica nenhuma natureza emocional. As camadas de harmonias vocais, desde delicadas e sussurradas até fortes e incisivas, criam uma densidade que pede atenção, como se cada detalhe da gravação fosse parte de uma conversa pessoal entre ele e o interlocutor. A escolha das progressões de violão, o cuidado com o tempo e a sutileza das pausas transmitem a sensação de que cada nota foi deliberadamente escolhida para provocar um efeito específico diferente em cada ouvinte, quase como pequenos presentes secretos e íntimos. É essa combinação de destreza e vulnerabilidade que define </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> e reforça a ideia de que o autor não apenas compõe canções, mas constrói experiências sonoras que se permanecem na memória e criam novas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao longo do álbum, canções como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4xfAVJL8R7mVYbDk8a9xOY?si=3b57ae2ec01b41ac"><i><span style="font-weight: 400;">Somebody That I Used to Know</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3aU2ui8JQOtmgHYH0g1qFL?si=8380386da7984c3c"><i><span style="font-weight: 400;">Happiness/The Gondola Man</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> expandem a cartela emocional do artista, rompendo com a percepção tradicional de tristeza constante. Há espaço para ironia, sorrisos contidos e reflexões que alternam e confundem nostalgia e aceitação, como quando, em </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><span style="font-weight: 400;">Eu tinha sentimentos ternos que você endureceu</span><i><span style="font-weight: 400;">”</span></i><span style="font-weight: 400;">, o eu lírico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Somebody That I Used to Know</span></i><span style="font-weight: 400;"> expõe um término com uma franqueza quase seca, revelando não apenas dor, mas uma percepção irônica das próprias fragilidades. A produção meticulosa, aliada ao apego por camadas vocais e arranjos densos, permite que a sensação de melancolia seja transformada em algo mais complexo: não é sofrimento gratuito, mas uma exploração quase científica da condição humana. A música se torna uma ferramenta de introspecção, convidando o ouvinte a perceber sutilezas que talvez tivessem passado despercebidas em trabalhos anteriores e, consequentemente, perceber suas próprias sutilezas sentimentais.</span></p>
<figure id="attachment_37178" aria-describedby="caption-attachment-37178" style="width: 349px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37178" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3.png" alt="Fotografia quadrada colorida. Elliott Smith está posicionado em uma calçada ao lado esquerdo da imagem, de frente para a câmera. Ele é um homem branco, com cabelo castanho curto e expressão alegre, com um sorriso sutil no rosto. Veste um terno cinza claro, uma camisa também cinza claro e uma camiseta branca com estampa vermelha, as mãos seguram as lapelas do paletó, abrindo-o. O homem está com o cotovelo apoiado em uma caixa de jornal azul com a frase “hate you” escrita em letras brancas, posicionada ao lado direito da imagem. Ao fundo, aparecem carros estacionados e um prédio de fachada rosada, indicando um ambiente urbano. A luz é natural e as cores são suaves." width="349" height="349" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3.png 349w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-150x150.png 150w" sizes="auto, (max-width: 349px) 85vw, 349px" /><figcaption id="caption-attachment-37178" class="wp-caption-text">Entre as camadas emocionais de Figure 8, existia também um Elliott leve e bem-humorado, como relatam amigos próximos (Foto: Autumn de Wilde)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Grande parte da essência de </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> é como Elliott domina a narrativa pessoal. Ele consegue transformar sentimentos íntimos em histórias universais, tornando cada faixa tão dele quanto nossa &#8211; como sugere o verso da canção </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6FgOoDeZOU7N6DK32ERX5R"><i><span style="font-weight: 400;">Better Be Quiet Now</span></i></a> <i><span style="font-weight: 400;">“If I didn&#8217;t know the difference, living alone would probably be okay”</span></i><span style="font-weight: 400;"> (“Se eu não soubesse a diferença, viver sozinho provavelmente estaria tudo bem”), em que a reflexão aparentemente privada carrega uma dimensão relacional incontornável: a solidão só se torna perceptível porque um dia houve presença. Ao deslocar uma experiência individual para um território de reconhecimento coletivo, Elliott constrói uma linguagem emocional que ultrapassa a autobiografia e passa a operar como espelho sensível de outras vivências. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O zelo com as letras, a escolha de palavras e a maneira como elas se entrelaçam com a melodia revelam um artista que entendeu o peso e a responsabilidade da expressão pessoal e que agora se diverte navegando entre esses mundos. Esse domínio textual não foi pontual; é a fundação sobre a qual se construiu grande parte do que é o </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporâneo. Qualquer artista </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">que se debruce sobre camadas vocais delicadas, arranjos acústicos precisos e letras introspectivas relacionáveis carrega, ainda que indiretamente, a marca de </span><a href="https://www.newyorker.com/culture/cultural-comment/the-lingering-beauty-of-elliott-smith"><span style="font-weight: 400;">Elliott Smith</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/04KHyqdGs5sVEWX6UnukF2?si=0370d7d729e44a20"><i><span style="font-weight: 400;">Mind Loaded</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, colaboração entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Blood Orange</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Lorde</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Caroline Polachek</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Mustafa</span></i><span style="font-weight: 400;">, presente no álbum </span><i><span style="font-weight: 400;">Essex Honey</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2025), o tributo a Elliott Smith é direto e preciso. </span><a href="https://personaunesp.com.br/lorde-pure-heroine-10-anos/#comment-596"><i><span style="font-weight: 400;">Lorde</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> canta o verso </span><i><span style="font-weight: 400;">“</span></i><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6YNfrgCOy1dCXZKKRUuZVq?si=971c4f17bc5143ba"><i><span style="font-weight: 400;">everything means nothing to me</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;">” </span></i><span style="font-weight: 400;">(nada parece significar algo para mim), repetindo-o no mesmo ritmo e tom da canção homônima de </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, a homenagem não se encerra na citação: a própria atmosfera da faixa &#8211; as camadas de vozes que se sobrepõem, o ritmo pausado, a entrega quase falada – carrega ecos diretos do estilo do músico. Nesse conjunto de artistas contemporâneos, sua influência não parece algo do passado, mas uma continuidade viva, uma permanência, um lembrete de que a fragilidade e a delicadeza ainda podem ser o coração de uma canção.</span></p>
<figure id="attachment_37179" aria-describedby="caption-attachment-37179" style="width: 477px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-37179" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4.png" alt="Fotografia retangular horizontal em preto e branco. A imagem mostra um close no rosto de Elliott Smith, enquadrado do nariz para cima. O foco está em seu olho direito, aberto e voltado levemente para a esquerda da imagem, com expressão concentrada. Fios da franja de cor escura caem sobre a testa. A textura da pele é visível, com poros, linhas abaixo dos olhos e pequenas marcas em destaque. A luz é suave, criando contraste delicado entre sombras e áreas claras." width="477" height="316" /><figcaption id="caption-attachment-37179" class="wp-caption-text">Elliott declarava não ter interesse em ser visto – ainda assim, Figure 8 continua nos olhando de volta (Foto: Autumn de Wilde)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao fim do álbum, na curta </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4JosyubgIpErAsvMKwph8n?si=1fb86b58bc734ac5"><i><span style="font-weight: 400;">Bye</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Elliott se despede de forma contida, porém carregado de intensidade e de mensagens que só ele seria capaz de transmitir em uma música instrumental. Nela, cada vibração parece guardar muita memória, cada nota tocada traz o peso de algo que se encerra. É impossível ouvir a canção sem sentir que ele sabia, em algum nível, que este seria seu último presente para o mundo. O piano carrega uma complexidade emocional imensa – ainda que pareça modesto –, enquanto o silêncio entre as notas nos atinge tanto quanto a própria canção. E é nessa quietude que ainda sentimos a presença do acalanto que o compositor deixou após sua partida.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O impacto da produção transcende o álbum em si, tocando a forma como a música </span><i><span style="font-weight: 400;">indie </span></i><span style="font-weight: 400;">é tratada e o funcionamento da reflexão sonora e lírica atualmente. A identidade sensível de Elliott, aliada à sua </span><a href="https://tapeop.com/interviews/4/elliot-smith"><span style="font-weight: 400;">técnica impecável</span></a><span style="font-weight: 400;">, redefiniu padrões e criou um espaço seguro para o experimentalismo emocional. Uma a uma, as faixas apresentam um compositor que rompe barreiras entre cantor e ouvinte, criando uma experiência que nasce, se repete e se multiplica na memória coletiva. A obra não é apenas um souvenir condensador do trabalho de Elliott Smith, mas um marco cultural que ainda ressoa, 25 anos depois.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao ouvir </span><i><span style="font-weight: 400;">Figure 8</span></i><span style="font-weight: 400;"> hoje, entramos num pacto silencioso: deixamos que o disco nos toque, e ele, por sua vez, mantém seu autor vivo por toda parte. O trabalho permanece como uma doce reverberação de despedida, mas também como um convite à contemplação, à reinvenção dele, de nós mesmos. A obra inteira respira, vive e nos permite atravessar suas sombras e luminosidades com o artista como guia. Ela é complexa e singela, íntima e compartilhada, e principalmente sagrada na maneira como verbaliza a existência. Ao celebrar seus 25 anos honramos a profundidade de seu legado, um </span><a href="https://www.jup.pt/cultura/artigo/jup-bau-elliott-smith-phoebe-bridgers-musica-legado.aspx"><span style="font-weight: 400;">legado</span></a><span style="font-weight: 400;"> que continua a estruturar os caminhos da música </span><i><span style="font-weight: 400;">indie</span></i><span style="font-weight: 400;">, da vulnerabilidade e da poesia em música. </span><span style="font-weight: 400;">Uma herança que nos permite ter Elliott Smith ao nosso lado, não como lembrança, mas como figura de companhia.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Figure 8" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/7DC0pE943VR5tAKIvQXHts?si=KuKm7GWHQTyMjvCD7LjjDg&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Super Mario Galaxy: O Filme não é feito para os fãs, e sim aos apaixonados</title>
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		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 13:00:01 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz Antes mesmo do primeiro teaser ser lançado, os fóruns da internet fervilhavam com muitas teorias. Entusiastas de longa data do encanador bigodudo, que cresceram com os diversos jogos da franquia, esperavam com ansiedade o que a Nintendo e a Illumination teriam para oferecer como continuação de Super Mario Bros (2023). E quando as &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-super-mario-galaxy-o-filme/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Super Mario Galaxy: O Filme não é feito para os fãs, e sim aos apaixonados"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37184" aria-describedby="caption-attachment-37184" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37184" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image5-800x420.png" alt="Cena animada colorida mostra quatro personagens voando pelo espaço em alta velocidade. Ao centro, um homem de bigode com boné vermelho e macacão azul cavalga um dinossauro verde de olhos grandes, que avança com a boca aberta. À esquerda, outro homem com roupa verde flutua com expressão determinada. À direita, uma princesa de vestido rosa e coroa dourada voa envolta por um brilho mágico. O fundo é um céu cósmico com partículas luminosas e rastros de energia em tons neon." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image5-800x420.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image5-1024x538.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image5-768x403.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image5-1536x806.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image5-1200x630.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image5.png 1920w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37184" class="wp-caption-text">Além da trama principal, a sequência expande o universo da Nintendo com participações especiais e easter eggs para todos os públicos (Foto: Universal Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Diaz</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes mesmo do primeiro </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RC56sjMdKuU"><i><span style="font-weight: 400;">teaser</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">ser lançado, os fóruns da internet fervilhavam com muitas teorias. Entusiastas de longa data do encanador bigodudo, que cresceram com os diversos jogos da franquia, esperavam com ansiedade o que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Nintendo </span></i><span style="font-weight: 400;">e a </span><i><span style="font-weight: 400;">Illumination </span></i><span style="font-weight: 400;">teriam para oferecer como continuação de </span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/entretenimento/super-mario-bros-se-torna-maior-adaptacao-de-jogo-para-cinema-da-historia/"><i><span style="font-weight: 400;">Super Mario Bros</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023). E quando as imagens chegaram, a euforia tomou conta. </span><span id="more-37183"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A apresentação de </span><i><span style="font-weight: 400;">Super Mario Galaxy</span></i><span style="font-weight: 400;"> trouxe as galáxias coloridas, o adorável Yoshi e a tão aclamada Princesa Rosalina – elementos clássicos de todo o universo do </span><i><span style="font-weight: 400;">game</span></i><span style="font-weight: 400;">. Assim como no primeiro filme, a história aposta na expansão e não se enquadra fielmente ao enredo tradicional dos jogos, especialmente a </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/minha-serie/603525-confira-as-principais-diferencas-entre-o-filme-e-o-jogo-super-mario-galaxy.htm"><span style="font-weight: 400;">inspiração</span></a><span style="font-weight: 400;"> que levou o nome do título, lançado em 2007 na plataforma do </span><i><span style="font-weight: 400;">Nintendo Wii</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se está funcionando, não há razão para arriscar e decepcionar um público fiel, seja de sua maioria infantil ou apenas quem goste dos jogos. Então, a técnica de seguir uma narrativa própria, misturando referências de diferentes títulos da franquia Mario para reinterpretá-las para o Cinema, se mantém. A proposta não é adaptar diretamente o jogo, mas executar uma releitura de uma experiência mais ampla. Além disso, o longa marca os </span><a href="https://canaltech.com.br/games/super-mario-40-anos-curiosidades-marcos-do-game/"><span style="font-weight: 400;">40 anos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de um dos personagens mais icônicos da história dos videogames. A expectativa era de uma celebração à altura. O que poucos perceberam, porém, é que essa celebração tem um destinatário muito específico; e talvez não seja quem você imagina.</span></p>
<figure id="attachment_37185" aria-describedby="caption-attachment-37185" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37185" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1-800x450.png" alt="Imagem dividida diagonalmente em duas partes. À esquerda, um homem de boné vermelho gira no espaço com o corpo inclinado, cercado por estrelas brilhantes e pequenas criaturas luminosas em formato de estrela. À direita, o mesmo personagem monta um dinossauro verde que estica a língua para pegar uma fruta vermelha enquanto flutua em um céu azul com nuvens. As duas cenas contrastam o espaço profundo e um ambiente mais claro e celeste." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image4-1.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37185" class="wp-caption-text">Por trás da inspiração, o jogo original de Wii revolucionou o mundo dos games ao apresentar novas mecânicas que redefiniram o gameplay (Foto: Nintendo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O longa propõe a missão de continuar o legado da primeira aventura de Mario (Chris Pratt) e Luigi (Charlie Day), porém a trama parte por outra premissa: Bowser Jr. (Ben Safdie), filho do grande vilão Bowser (Jack Black), sequestra Rosalina (Brie Larson) em busca de poder suficiente para impressionar o pai. Além dos irmãos principais, Peach (Anya Taylor-Joy), Toad (Keegan-Michael Key) e o recém-chegado Yoshi (</span><a href="https://cinepop.com.br/donald-glover-fez-campanha-para-dublar-o-yoshi-em-super-mario-galaxy-afirma-jack-black-725936/"><span style="font-weight: 400;">Donald Glover</span></a><span style="font-weight: 400;">) partem numa missão de resgate que os conduz por planetas aquáticos, desertos estelares e cidades espaciais.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Rosalina, que no </span><i><span style="font-weight: 400;">game </span></i><span style="font-weight: 400;">exerce um papel mais independente e enigmático, passa a ocupar a posição de ‘princesa a ser resgatada’, alterando significativamente a condução da história. Em paralelo, Peach assume uma postura mais </span><a href="https://www.nintendoblast.com.br/2023/03/super-mario-bros-o-filme-diretores-explicam-sua-abordagem-da-peach.html"><span style="font-weight: 400;">ativa</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao lado de Toad, reforçando uma abordagem mais dinâmica e atualizada dos personagens clássicos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Matthew Fogel escreveu o roteiro com a clareza objetiva de quem entende que seu público-alvo tem entre seis e dez anos de idade, pois entrega começo, meio e fim com uma eficiência quase mecânica. Entretanto, entrega alusões de jogos para os mais antigos fãs, como de </span><a href="https://gamewire.com.br/reviews/super-mario-odyssey-a-magia-de-redescobrir-mario"><i><span style="font-weight: 400;">Super Mario Odyssey</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2017), </span><a href="https://www.wired.com/2011/04/super-mario-bros-2/"><i><span style="font-weight: 400;">Super Mario Bros. 2</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1988) e até do </span><a href="https://delfos.net.br/super-mario-sunshine-de-cabeca-fria/"><i><span style="font-weight: 400;">Super Mario Sunshine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2002), na forma como Bowser Jr. empunha seu icônico pincel mágico. E diferente do primeiro filme, a sequência demonstra contenção narrativa, o que, paradoxalmente, tanto é um avanço quanto a raiz de suas frustrações mais profundas.</span></p>
<figure id="attachment_37188" aria-describedby="caption-attachment-37188" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37188" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-1-800x479.png" alt="Criatura animada semelhante a um filhote de tartaruga com corpo robusto, pele amarelada e focinho arredondado aparece em primeiro plano. Ela usa uma bandana com desenho de dentes afiados e pulseiras escuras nos braços. O personagem está sentado em uma cadeira metálica com cabos ao redor, levantando as mãos com expressão animada. A iluminação mistura tons de vermelho e azul, criando um ambiente tecnológico e levemente ameaçador." width="800" height="479" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-1-800x479.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-1-1024x613.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-1-768x460.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-1-1200x718.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image3-1.png 1340w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37188" class="wp-caption-text">Na versão brasileira, a voz do Bowser Jr recebeu a dublagem de Charles Emmanuel (Foto: Illumination Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A direção de Aaron Horvath e Michael Jelenic, os mesmos responsáveis pelo primeiro longa, encontra neste segundo capítulo uma versão de si mesma amplificada em confiança técnica. As sequências de ação são fluidas e vertiginosas, com uma câmera que mergulha na gravidade invertida dos planetas como se o espectador estivesse ele mesmo com um </span><a href="https://rewardbr.com.br/super-mario-galaxy-mudou-os-videogames-para-sempre-e-quase-ninguem-percebeu/"><span style="font-weight: 400;">controle de Wii</span></a><span style="font-weight: 400;"> na mão. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez seja importante ressaltar que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Illumination</span></i><span style="font-weight: 400;"> sempre opera com orçamentos notavelmente enxutos: cerca de 100 milhões de dólares, metade do que </span><i><span style="font-weight: 400;">Pixar</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;"> costumam investir em suas produções; e entrega resultados que desafiam e </span><a href="https://universonintendo.com/super-mario-galaxy-o-filme-ja-soma-us-1221-milhoes-em-dois-dias-apos-estreia/"><span style="font-weight: 400;">superam</span></a><span style="font-weight: 400;"> essa lógica financeira. A direção de arte, que inclui o brasileiro </span><a href="https://www.omelete.com.br/games/super-mario-galaxy-quadro-bowser-brasileiro"><span style="font-weight: 400;">Renan Porto</span></a><span style="font-weight: 400;"> na equipe, é, sem exagero, o ápice cinematográfico do longa: os planetas têm identidades visuais distintas, as paletas de cores mudam de galáxia para galáxia com uma coerência que sugere um trabalho meticuloso de </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">que vai muito além do decorativo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É possível ver numa única pincelada do pincel mágico de </span><a href="https://www.nintendoblast.com.br/2025/11/perfil-bowser-jr-super-mario-galaxy-filme.html"><span style="font-weight: 400;">Bowser Jr.</span></a><span style="font-weight: 400;"> que ali possui uma textura quase tátil, e os fantoches, que emergem em uma das cenas de ação mais inventivas do filme, revelam uma produção disposta a experimentar materiais e estilos sem medo do estranhamento. É um comportamento comum de produções de animação, mas que conseguiu superar a si próprio e atingiu cenários genuinamente impressionantes.</span></p>
<figure id="attachment_37187" aria-describedby="caption-attachment-37187" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37187" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-2-800x463.png" alt="Cena noturna mostra duas figuras de costas, um homem de boné vermelho e uma mulher de vestido longo rosa, observando o céu estrelado de cima de um telhado. O horizonte é preenchido por meteoros luminosos cruzando o céu em várias direções, deixando rastros brilhantes em tons de azul, rosa e amarelo. A atmosfera é calma e contemplativa, com iluminação suave refletindo nas silhuetas dos personagens." width="800" height="463" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-2-800x463.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-2-1024x593.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-2-768x445.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image2-2.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37187" class="wp-caption-text">O filme registrou a maior estreia de 2026 ao arrecadar US$ 34 milhões em seu primeiro dia em cartaz, superando recorde anterior da franquia (Foto: Illumination Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Brian Tyler, o mesmo do primeiro longa, é o nome da </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/4iexP0v3Nax6gDm2gkgIw8?si=mt5h95oTQWOLdJ9n7VdV_Q"><span style="font-weight: 400;">trilha sonora</span></a><span style="font-weight: 400;"> e ela foi reaproveitada em arranjos que transitam entre o sinfônico e o eletrônico, sempre encaixada com precisão cirúrgica nos momentos de ação. Se há uma crítica a fazer ao uso, é essa conexão entre música e emoção narrativa. Se no primeiro era tão marcante, com seus momentos de clímax sonoro que arrepiavam, aqui parece ligeiramente enfraquecida, como se a trilha estivesse a serviço da experiência sensorial mais do que da jornada emocional dos personagens. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O que a obra faz de melhor, e de forma absolutamente consciente, é funcionar como uma espécie de </span><a href="https://www.nintendoblast.com.br/2015/09/super-mario-maker-analise.html"><i><span style="font-weight: 400;">Super Mario Maker</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2015) cinematográfico. Para quem não conhece, este jogo era a materialização de um sonho coletivo: dar ao jogador as ferramentas de criação do próprio </span><a href="https://abra.com.br/artigos/shigeru-miyamoto-o-genio-por-tras-de-super-mario-e-zelda"><span style="font-weight: 400;">Shigeru Miyamoto</span></a><span style="font-weight: 400;"> e deixá-lo construir seus mundos livremente. No cinema, opera-se numa lógica semelhante: pega o arsenal de 40 anos de franquia e o distribui generosamente pela tela, convidando o espectador apaixonado a caçar referências como se cada quadro fosse um nível a ser explorado.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dentre as menções, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QFDEMFnfUns"><span style="font-weight: 400;">Pikmins</span></a><span style="font-weight: 400;"> aparecem em cantos discretos, </span><a href="https://ovicio.com.br/10-fatos-sobre-star-fox/"><span style="font-weight: 400;">Fox McCloud</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Glen Powell) chega com sua Arwing numa entrada épica, Birdo e Wart ressurgem como antagonistas clássicos e o guarda-chuva de Peach remete diretamente a </span><a href="https://projectn.com.br/project-retro-super-princess-peach-a-revolucao-feminina-no-reino-do-cogumelo/"><i><span style="font-weight: 400;">Super Princess Peach</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2005). Nenhum desses elementos pertencia originalmente ao universo </span><i><span style="font-weight: 400;">Galaxy</span></i><span style="font-weight: 400;">, e por isso a decisão divide opiniões.</span></p>
<figure id="attachment_37189" aria-describedby="caption-attachment-37189" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37189" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image6-800x450.png" alt="Personagem semelhante a uma raposa está em pose heroica no topo de uma estrutura futurista. Ele usa um traje tecnológico com colete azul, luvas e um dispositivo verde brilhante sobre um dos olhos. Ao fundo, o céu tem tons vibrantes de pôr do sol misturados com roxo e laranja, enquanto pequenas naves voadoras se aproximam. A iluminação destaca o personagem como protagonista em um cenário de ação e ficção científica." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image6-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image6-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image6-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image6-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image6.png 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37189" class="wp-caption-text">O anúncio prévio de Fox McCloud, da série de jogos Star Fox, sustentou perfeitamente o personagem dentro da narrativa espacial (Foto: Illumination Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para quem vê o filme como extensão da franquia, acaba soando generoso. Para quem esperava uma transposição mais </span><a href="https://www.estadao.com.br/cultura/cinema/super-mario-galaxy-o-filme-e-o-oposto-do-que-o-jogo-representou/?srsltid=AfmBOopgOx5uoopUX9SKBdm2upGBJq7EakZ9xU62TDU7Fx-1nMlWHH-u"><span style="font-weight: 400;">fiel</span></a><span style="font-weight: 400;"> ao jogo de 2007, é uma diluição. Felizmente, parece que a </span><i><span style="font-weight: 400;">Nintendo </span></i><span style="font-weight: 400;">entendeu isso e realizou um projeto de longo prazo que consegue funcionar de maneira orgânica na maior parte do tempo, sem um caos indigesto de citações sem contexto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A verdade é que quem não construiu memórias afetivas com esses personagens ao longo de décadas encontrará uma narrativa apressada, personagens subdesenvolvidos e uma quantidade de informações visuais que atordoa sem necessariamente emocionar. Pode-se usar a Rosalina, ausente no filme até o clímax, como um símbolo de desperdício desconcertante de uma personagem cuja história de origem é uma das mais tocantes de toda a franquia. A relação entre ela e Peach, reveladas como </span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/super-mario-galaxy-teoria-peach-rosalina"><span style="font-weight: 400;">irmãs</span></a><span style="font-weight: 400;"> numa das maiores surpresas narrativas do longa, é esboçada com um </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback </span></i><span style="font-weight: 400;">e depois praticamente abandonada.</span></p>
<figure id="attachment_37186" aria-describedby="caption-attachment-37186" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-37186" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-1-800x450.png" alt="Personagem feminina com traços de princesa está sentada em uma cadeira de madeira clássica dentro de uma biblioteca repleta de livros. Ela usa um vestido azul turquesa com detalhes prateados e uma pequena coroa, mantendo uma expressão serena enquanto segura um livro aberto. Três pequenas criaturas estelares e brilhantes flutuam ao seu redor nas cores amarelo, verde e branco, iluminando suavemente a cena. A composição utiliza tons quentes e luzes pontuais para criar uma atmosfera mágica, acolhedora e de fantasia." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-1-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-1-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-1-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-1-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-1-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/04/image1-1.png 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37186" class="wp-caption-text">A ausência de destaque da Rosalina foi citada como um dos problemas que contribuíram para a recepção mais fraca no Rotten Tomatoes (Foto: Nintendo)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Os cortes abruptos entre registros emocionais muito distintos também comprometem a imersão, pois, em um arco mais melancólico e potencialmente rico do roteiro como o de Bowser e seu filho Bowser Jr., não há espaço para respirar entre um </span><i><span style="font-weight: 400;">power-up</span></i><span style="font-weight: 400;"> e outro, mesmo que a cena em que Bowser conta ao filho uma lição de moral </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aqKzZLFBgb8"><span style="font-weight: 400;">paterna</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar disso tudo, a dinâmica entre Yoshi e Luigi é comédia e afeto puro, funcionando no nível humano mais simples. Que bom que existe, porém que pena que o filme passa rápido demais por ela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No fim, </span><i><span style="font-weight: 400;">Super Mario Galaxy</span></i><span style="font-weight: 400;"> se define justamente por esse equilíbrio instável entre nostalgia e inovação, nada diferente do que se esperava. Ao escolher expandir em vez de adaptar fielmente, cria-se uma identidade própria que encanta parte do público e desafia outra. Ele não é feito para quem vai ao cinema buscando a densidade de um </span><a href="https://personaunesp.com.br/texto-ghibli-fest-40-anos-do-studio-ghibli/"><span style="font-weight: 400;">Studio Ghibli</span></a><span style="font-weight: 400;">; é feito para quem, ao ouvir o tema principal da série, sente imediatamente o peso afetivo de uma infância inteira guardada naquelas notas e para as crianças que ainda estão construindo as suas</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A obra conclui mais uma etapa dentro do universo, que aparentemente está nem perto de ser finalizado. A </span><i><span style="font-weight: 400;">Nintendo </span></i><span style="font-weight: 400;">conseguiu se fantasiar de </span><a href="https://exame.com/pop/qual-a-ordem-cronologica-dos-filmes-da-marvel/"><i><span style="font-weight: 400;">Marvel</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">e criou extensões do universo, dando a entender que outros jogos poderiam estar presentes numa versão cinematográfica. Será que um possível filme da série de </span><a href="https://www.adorocinema.com/noticias/filmes/noticia-1000197784/"><i><span style="font-weight: 400;">Super Smash Bros</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> estará nas telonas nos próximos anos? Se faz sentido? Talvez não, porém o que predomina é o sentimento de fã, então seria sensacional.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Super Mario Galaxy: O Filme | Trailer final" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/HRyy_FdyieU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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