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	<title>Arquivos Ana Endara &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Persona Entrevista: Ana Endara e Paulina García</title>
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		<pubDate>Tue, 25 Nov 2025 13:57:41 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra  Diante do lançamento de Querido Tropico no Brasil, a diretora panamenha Ana Endara e a atriz chilena Paulina García estavam reunidas para mais uma rodada de entrevistas a respeito do novo filme. Elas vêm percorrendo festivais de cinema e vários países para a divulgação do longa, que chegou a fazer parte da programação &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/persona-entrevista-ana-endara-e-paulina-garcia/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Persona Entrevista: Ana Endara e Paulina García"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36458" aria-describedby="caption-attachment-36458" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36458" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-18-800x450.png" alt="À esquerda, sobre um fundo vermelho texturizado, está o texto &quot;Persona Entrevista&quot; em letras brancas, com um ícone de olho estilizado que contém um símbolo de play. Abaixo, em letras brancas maiores, lê-se &quot;Ana Endara e Paulina García&quot;. À direita, há uma fotografia de duas mulheres sorrindo em um evento de cinema. A mulher à esquerda tem cabelos curtos e grisalhos, usa óculos redondos e uma camisa bege. A mulher à direita, com cabelos curtos e grisalhos e um casaco preto, aponta para a outra mulher com a mão direita. Logotipos do TIFF (Toronto International Film Festival) são visíveis ao fundo da fotografia." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-18-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-18-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-18-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-18-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-18-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-18.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36458" class="wp-caption-text">A atriz não conhecia a diretora antes do convite para o filme, mas logo embarcou no projeto quando assistiu a um dos documentários de Endara (Arte: Arthur Caires)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante do lançamento de </span><i><span style="font-weight: 400;">Querido Tropico</span></i><span style="font-weight: 400;"> no Brasil, a diretora panamenha Ana Endara e a atriz chilena Paulina García estavam reunidas para mais uma rodada de entrevistas a respeito do novo filme. Elas vêm percorrendo festivais de cinema e vários países para a divulgação do longa, que chegou a fazer parte da programação do Festival do Rio em 2024 e do </span><a href="https://www.tiff.net/events/beloved-tropic"><span style="font-weight: 400;">Festival Internacional de Cinema de Toronto</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2025. Essa é a primeira vez que a diretora se arrisca na direção ficcional. </span></p>
<p><span id="more-36433"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante quase 20 anos, Endara construiu sua carreira explorando temáticas como identidade e pertencimento, especialmente, dentro da sociedade panamenha. Em </span><a href="https://letterboxd.com/film/curundu/"><i><span style="font-weight: 400;">Curundú</span></i> </a><span style="font-weight: 400;">(2007), ela adentrou em um bairro da Cidade do Panamá e capturou registros íntimos da população daquela região; anos depois, com </span><a href="https://anaendara.com/Reinas-Majesty"><i><span style="font-weight: 400;">Reinas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2014), continuou a explorar tradições da cultura panamenha, mas centrado o seu olhar na realidade feminina a partir do retrato de concursos de beleza tradicionais no país. Em 2025, a diretora decide mergulhar em um pouco de tudo o que já trabalhou, no entanto, ao invés de registrar o que já existe, decidiu criar uma história que expressa sentimentos e realidades tão palpáveis quanto em seus documentários.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sua primeira obra de ficção, co-escrita por Pilar Moreno, e estrelada por Jenny Navarrete e Paulina García. A última é reconhecida internacionalmente por seus trabalhos no Teatro e no Cinema, à exemplo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Narcos</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2015) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Glória </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013), que lhe rendeu o </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/06/cultura/1396756408_303518.html"><span style="font-weight: 400;">Prêmio Platino de Melhor Atriz</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 2014. Com Querido Trópico, ela assumiu um novo desafio: interpretar Mercedes, uma senhora chilena abastada que vive no Panamá e sofre de demência, enquanto Navarrete dá vida a Ana María, uma imigrante colombiana, supostamente grávida, que se torna cuidadora da personagem de García. Apesar das realidades distintas, a vulnerabilidade de ambas e a conexão entre as duas é o suficiente para criar uma relação de amizade e confiança.</span></p>
<figure id="attachment_36436" aria-describedby="caption-attachment-36436" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36436" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-16.jpg" alt="Cena do filme Querido Trópico. Duas mulheres adultas estão lado a lado sob forte chuva. A mulher da direita é branca, de cabelos grisalhos, veste uma camiseta azul e está com os olhos fechados. Ao seu lado e com o rosto colado no seu, há uma mulher de tom de pele mais escuro e cabelos castanhos e veste uma camiseta bordô. Esta está sorrindo olhando para frente. As roupas de ambas estão encharcadas." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-16.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-16-768x480.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36436" class="wp-caption-text">Jenny Navarrete e Paulina García revelam uma química impressionante e orgânica no filme (Foto: Filmes da Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Como foi explorar esses temas tão delicados – imigração, condição feminina, maternidade, envelhecimento – mas agora dentro de uma ficção propriamente dita?</b></p>
<p><b>Ana Endara:</b> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A resposta simples seria: eu queria tentar algo diferente. Eu queria explorar esses temas sem sair pelo mundo procurando personagens que falassem sobre isso, mas escrevendo sobre eles; transformar a escrita em um exercício, transformar a filmagem e o trabalho com as atrizes em um exercício também. Então, sim, foi um exercício de sair da zona de conforto</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao assistir o filme, a sensação é que Ana decidiu se desafiar com esse projeto. No entanto, o fez sem deixar de lado as suas raízes como documentarista. A partir dos detalhes, é perceptível como a câmera se manifesta com um certo distanciamento, o que faz muito sentido nessa narrativa.</span></p>
<p><b>Este filme, Querido Trópico, tem passado por uma verdadeira jornada de distribuição. Qual foi o processo por trás desse percurso?</b></p>
<p><b>Ana Endara:</b> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">O que posso dizer é que o filme foi visto em muitas culturas e países diferentes, e eu pude testemunhar como ele se comunica com todo mundo. Ele toca as pessoas, talvez de maneiras distintas, mas ressoa com públicos muito diversos e de lugares muito diferentes</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">. </span></i></p>
<p><b>O retrato que foi construído de Mercedes é muito sensível. Ela sofre diversos efeitos da doença, mas sua personalidade, ainda assim, transparece. Como foi esse processo de co-escrita com Pilar Moreno para criar todas essas camadas em torno da condição dela e garantir que sua personalidade pudesse emergir, apesar do que ela estava enfrentando?</b></p>
<p><b>Ana Endara: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Neste roteiro, em </span></i><b><i>Querido Trópico</i></b><i><span style="font-weight: 400;">, a colaboração de Pilar pode ser percebida mais fortemente nas personagens secundárias, como Cristina, Joana ou Jimena, que aparecem pouco em cena, mas com muita verdade. Eu diria que essa foi uma contribuição muito forte de Pilar. Já a personalidade de Mercedes e de Ana María, considero que foi mais um trabalho da Paulina e da Jenny, neste caso. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O texto traz, a todo tempo, a história e ligação entre as mulheres envolvidas na história, tanto as protagonistas como as coadjuvantes, como, por exemplo, a filha de Mercedes, Jimena. Nesse sentido, apesar do menor tempo de telas, essas personagens são partes importantes da narrativa, que lida, essencialmente, com dilemas fortemente ligados às mulheres como a maternidade e o trabalho de cuidado.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Havia algumas orientações no roteiro, mas lembro-me de conversarmos muito sobre o passado da personagem, sobre quem ela era antes: de onde vinha no Chile, como chegou ao Panamá. Falamos um pouco sobre isso, mas foi Paulina quem trouxe grande parte desse caldo para a história que estávamos construindo juntas. Tentávamos entender: por que uma mulher chilena estaria perdida no Panamá? E então tentávamos compreender o que restava nela do Chile e o que ela havia aprendido a amar do Panamá”</span></i></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não se saber muito sobre o passado de Mercedes, ele é mencionado por ela de forma saudosista. Não é o suficiente para que compreendamos muito sobre aquela mulher, mas é uma forma de expandir, na tela, a sua personalidade, os seus desejos e uma breve lembrança de sua juventude.</span></p>
<blockquote><p><i><span style="font-weight: 400;">“Durante as filmagens, conversávamos todos os dias sobre as cenas que estávamos prestes a rodar, buscando movimentos internos diferentes para aperfeiçoar o trabalho diariamente. E foi isso que fizemos</span></i><span style="font-weight: 400;">”</span><i><span style="font-weight: 400;">, acrescenta a diretora.</span></i></p></blockquote>
<figure id="attachment_36437" aria-describedby="caption-attachment-36437" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36437" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-18-800x515.jpg" alt="Cena do filme Querido Trópico. Uma mulher mais velha, de cabelos presos e grisalho está usando brincos e um colar de pérola e um vestido de tons claros. Ela está diante de um bolo com velas acesas e está com as mãos erguidas como se estivesse cantando &quot;Parabéns&quot;. Ao fundo, há uma menina com cabelos escuros que observa a cena, levemente desfocada. " width="800" height="515" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-18-800x515.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-18-1024x660.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-18-768x495.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-18-1536x990.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-18-1200x773.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-18.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36437" class="wp-caption-text">Paulina recorreu à referências familiares para construir a sua personagem (Foto: Filmes da Estação)</figcaption></figure>
<p><b>A sua personagem comunica muito com os olhos. Nesse filme, a expressão e linguagem corporal parecem ainda mais significativas. Mercedes é uma mulher que está vivendo um momento tão delicado da vida, passando por todos esses desafios. Como você se preparou para essa interpretação?</b></p>
<p><b>Paulina García:</b> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Bem, eu também estou envelhecendo e tenho uma mãe que é muito idosa. Então, tive a oportunidade de observar o envelhecimento dela ao longo de todos esses anos e ela foi uma referência muito importante para que eu pudesse captar muitos pequenos detalhes, como na cena de aniversário, quando ela pula na cadeira, tão feliz por ser o dia do aniversário dela; ela quer comemorar com todos eles ali. Eu também tenho alguns amigos que estão passando por problemas mentais: grandes profissionais, atores, atrizes que acabaram entrando nesse processo, nessa doença. Então, eu tinha muitas referências diferentes”. </span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, é interessante pontuar que Querido Trópico se propõe a tratar, no que se refere a demência e ao envelhecimento, temas que, apesar de estarem ganhando notoriedade na sociedade e no Cinema, ainda são grandes tabus. Assim, Paulina assume uma posição de protagonista a partir de referências próximas, mas também reafirma o seu lugar como atriz idosa que confronta estereótipos, relacionados à idade, que muitas mulheres ainda enfrentam neste mercado.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Conversando com Anna durante os ensaios, antes das filmagens, e depois, já no set. Ela deu esse tempo para mim e para a Jenny conversarmos sobre o que estávamos buscando e até onde poderíamos levar as emoções ou a expressão dessas emoções sem perder a verdade. É isso que todos os atores procuram o tempo todo: como sermos o mais verdadeiros possível e entender o que o enquadramento permite que a gente faça”.</span></i></p></blockquote>
<p><b>O que você pensou quando recebeu o roteiro e fez a primeira leitura? Como aconteceu sua conexão inicial com o projeto?</b></p>
<p><b>Paulina García: </b><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Primeiro, Ana me enviou o roteiro, ou talvez tenha sido a Isabela, não me lembro exatamente. Eu li e pensei: &#8216;Ok, não conheço a Ana. O que ela faz?&#8217;. Então, pedi para ver um filme dela e assisti a Pela Sua Tranquilidade, Construa Seu Próprio Museu (Para Su Tranquilidad, Haga Su Propio Museo – 2021). Quando vi aquele filme incrível, eu disse para mim mesma: ‘Eu quero estar ali. Quero fazer algo com essa mulher’. Depois disso, nós nos conhecemos por Zoom e iniciamos uma espécie de amizade, uma amizade virtual. Em seguida, fomos juntas para a Colômbia em busca de Ana María. Elas me convidaram para Bogotá e ficamos lá por cerca de cinco dias. Descobrimos que nos entendíamos muito bem, e foi aí que tudo começou. Durante aqueles dias, trabalhamos bastante juntas, fizemos muitos exercícios com as outras atrizes e conversávamos o dia inteiro. Começamos a aproveitar muito a companhia uma da outra – e aqui estamos, até hoje”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Diante do filme e do que foi compartilhado pela diretora e atriz fica a sensação de que o Querido Trópico é o resultado de um trabalho íntimo, permeado por diálogos e interações produtivas que ajudaram diretamente na construção da narrativa e dos personagens. Assim, esse parece ter sido algo pensado delicadamente para que pudesse chegar a diferentes públicos, e tocá-los com a mesma intensidade.</span></p>
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		<title>Querido trópico constrói memórias sobre amizade, cuidado e envelhecimento</title>
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		<pubDate>Mon, 24 Nov 2025 13:00:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Mariana Bezerra  Imigracao e envelhecimento são temas extremamente delicados, que constroem o enredo de Querido Trópico, o filme que marca a estreia da diretora panamenha Ana Endara na ficção. O longa passou por eventos importantes como o Festival do Rio em 2024 e o Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2025 antes de chegar &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-querido-tropico/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Querido trópico constrói memórias sobre amizade, cuidado e envelhecimento"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36431" aria-describedby="caption-attachment-36431" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36431" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-10.jpg" alt="Cena do filme Querido Trópico. Duas mulheres adultas estão lado a lado sob a chuva forte. A mulher da direita é branca, de cabelos grisalhos, veste uma camiseta azul e está com os olhos fechados. Ao seu lado e com o rosto colado no seu, há uma mulher de tom de pele mais escuro e cabelos castanhos e veste uma camiseta bordô. Essa está sorrindo olhando para frente. As roupas de ambas estão encharcadas e o cenário é de chuva forte." width="800" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-10.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-10-768x480.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36431" class="wp-caption-text">“É isso que todos os atores procuram o tempo todo: como ser o mais verdadeiro possível dentro do que o enquadramento permite” – Paulina Garcia em entrevista ao Persona (Foto: Filmes da Estação)</figcaption></figure>
<p><b>Mariana Bezerra </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Imigracao e envelhecimento são temas extremamente delicados, que constroem o enredo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Querido Trópico</span></i><span style="font-weight: 400;">, o filme que marca a estreia da diretora panamenha </span><a href="https://mubi.com/en/cast/ana-endara-mislov"><span style="font-weight: 400;">Ana Endara</span></a><span style="font-weight: 400;"> na ficção. O longa passou por eventos importantes como o Festival do Rio em 2024 e o Festival Internacional de Cinema de Toronto em 2025 antes de chegar aos cinemas brasileiros. Além disso, essa foi a obra escolhida para representar o Panamá no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2026. </span></p>
<p><span id="more-36428"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A sensibilidade é o ponto chave dessa narrativa protagonizada por Mercedes (Paulina Garcia), uma senhora chilena muito privilegiada, e por Ana María (Jenny Navarrete), uma </span><a href="https://personaunesp.com.br/napoli-new-york-tenta-ser-uma-homenagem-italiana-ao-pos-guerra-mas-e-vista-pelo-olhar-de-um-cartao-postal-americano/"><span style="font-weight: 400;">imigrante</span></a><span style="font-weight: 400;"> colombiana grávida, que logo no início assume a função de cuidadora da mais velha. O abismo entre as realidades das duas mulheres se apresenta como uma forma de contar histórias de duas pessoas que saíram de seus países para o Panamá em condições muito diferentes. No entanto, o que o roteiro explora, de fato, é a amizade e cumplicidade que podem surgir de formas inesperadas. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Enquanto a personagem de Paulina atravessa a velhice e lida com a demência e suas consequências, Ana María é quase como uma âncora da realidade, alguém que a enxerga como um ser humano como qualquer outro, apesar dos cuidados extras que demanda. Esse cenário revela que Mercedes se sente acolhida e vista, talvez como nunca em muito tempo e isso permite que a sua personalidade e a sua história de vida sejam ressaltadas ainda que dentro dos limites da sua condição. Esse aspecto é o resultado de performances brilhantes e extremamente sensíveis de Paulina Garcia (</span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-narcos-terceira-temporada/"><i><span style="font-weight: 400;">Narcos</span></i></a><span style="font-weight: 400;">) e, também, de Jenny Navarrete. Por outro lado, há uma relação de hierarquia entre as duas protagonistas, que não é ignorada, mas que, na verdade, é muito mais clara entre Ana María e a filha de Mercedes, que foi quem a contratou.</span></p>
<figure id="attachment_36430" aria-describedby="caption-attachment-36430" style="width: 770px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-36430" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-17.jpg" alt="Cena do filme Querido Trópico. Duas mulheres vistas de costas estão sentadas juntas em um banco de madeira enquanto dividem um guarda-chuva grande sob uma chuva intensa. No fundo, ha uma área verde de um parque coberta por um gramado e grandes árvores." width="770" height="503" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-17.jpg 770w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-17-768x502.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36430" class="wp-caption-text">Apesar da amizade constrúida, é nítido que há uma relação de trabalho e necessidade por parte de Ana María (Foto: Filmes da Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Endara se aproveita dessas relações para explorar o tema do </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2021/03/12/dossie-fala-sobre-o-trabalho-invisivel-de-mulheres-e-meninas-de-todo-o-mundo/"><span style="font-weight: 400;">‘cuidado’</span></a><span style="font-weight: 400;"> como um assunto geracional e fortemente associado às mulheres. Apesar da função de Ana Maria ser, de fato, laboral, o roteiro (Ana Endara Mislov e Pilar Moreno) abre espaço para que se reflita sobre esse assunto de forma geral. Em determinado momento, Ana María comenta também ter cuidado de sua própria mãe durante a velhice; diante disso, Mercedes diz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Sua filha será uma mulher para que ela possa cuidar de você, assim como voce cuidou dessa senhora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse sentido, as relações de cuidado se apresentam quase como um círculo vicioso, uma vez que a responsabilidade desse trabalho parece sempre recair sobre as mulheres, o que é representado em outro momento do filme, só que, dessa vez, de forma mais sútil: na cena de aniversário de Mercedes, seus filhos se reúnem em sua casa para a comemoração e a única filha mulher é justamente a responsável por atender às suas demandas, ainda que indiretamente. Na mesma cena, Paulina transmite a alegria e a confusão de sua personagem, que parece, simultaneamente, anestesiada e em êxtase; a composição dos cenários e a coreografia criam uma atmosfera estranha. Essa, por um lado, pode expressar a dinâmica mental de Mercedes, mas também um contexto familiar que parece tornar-se cada vez mais indiferente aos indivíduos à medida que eles </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-incrivel-eleanor-critica/"><span style="font-weight: 400;">envelhecem</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_36429" aria-describedby="caption-attachment-36429" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-36429" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-800x515.jpg" alt="Cena do filme Querido Trópico. Uma mulher mais velha, de cabelos presos e grisalho está usando brincos e um colar de pérola e um vestido de tons claros. Ela está diante de um bolo com velas acesas e está com as mãos erguidas como se estivesse cantando &quot;Parabéns&quot;. Ao fundo, há uma menina com cabelos escuros que observa a cena, levemente desfocada." width="800" height="515" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-800x515.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-1024x660.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-768x495.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-1536x990.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15-1200x773.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-15.jpg 1999w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36429" class="wp-caption-text">Querido trópico faz refletir sobre como valorizamos e interagimos com as pessoas mais velhas ao nosso redor (Foto: Filmes da Estação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A lente de Endara diz muito sobre o seu histórico profissional como documentarista. As imagens são construídas a partir do que parece uma distância segura, que faz as interações parecerem orgânicas e fluídas, sem a necessidade de uma dramatização extrema, com exceção dos momentos que Mercedes apresenta </span><a href="https://vidasaudavel.einstein.br/o-que-e-demencia/"><span style="font-weight: 400;">sintomas</span></a><span style="font-weight: 400;"> de sua condição, o que por vezes, parece apenas uma repetição de uma situação constrangedora para ela e que toma espaço do que poderia ser uma cena mais importante para sua personagem. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, a natureza ganha um destaque muito grande em sua câmera; as gotas de água, os detalhes das folhas e os pequenos insetos ocupam o quadro de cena e ressaltam a atenção da diretora aos detalhes que compõem os cenários do longa.</span> <span style="font-weight: 400;">A cada momento, há a sensação de que íntimas memórias estão sendo construídas nesse universo paralelo criado pelas personagens principais. Esse aspecto rende cenas repletas de ternura como quando Mercedes descobre que, na verdade, Ana María (</span><a href="https://mubi.com/pt/cast/jenny-navarrete"><span style="font-weight: 400;">Jenny Navarrete</span></a><span style="font-weight: 400;">) não está grávida, mas usa uma barriga de enchimento ou mesmo quando elas estão passeando em um parque e uma chuva intensa banha as emoções que talvez nenhuma das duas tenha sido capaz de chorar.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa maneira de criar essa narrativa faz com que o filme pareça, de fato, passar devagar. No entanto, existe um ar de tranquilidade que, para muitos espectadores, pode se sobressair a sensação de lentidão. Assim, </span><a href="https://www.tiff.net/events/beloved-tropic"><i><span style="font-weight: 400;">Querido Trópico</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> consegue fazer um retrato de uma intimidade que simplesmente acontece, sem muita explicação, apesar de não ser imediata. Endara explora temas sensíveis que, muitas vezes, parecem intocáveis, no entanto, aqui, é a própria narrativa e as relações que orquestram as discussões sem deixar deixar de dar a devida atenção a história de amizade genuína que se desenvolve no enredo. É com coisas ditas pelo olhar e captadas sem intromissão que esse longa cativa e emociona com mensagens múltiplas sobre diversos assuntos, e sim com uma principal que trata de amor e afeto.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="QUERIDO TRÓPICO, dir. Ana Endara - Tráiler Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/Itr3j-FvAjE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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