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	<title>Arquivos Ana Carolina Marinho &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Mãe: nas periferias de São Paulo, a ditadura nunca acabou</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Nov 2022 18:41:51 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Gomez “A ditadura nunca acabou. A ditadura só vai acabar com o fim da Polícia Militar, porque ela é muito presente dentro do cotidiano da periferia”, defende Débora Maria da Silva, fundadora do grupo Mães de Maio, em sua participação em A Mãe. Integrante da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-mae-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Mãe: nas periferias de São Paulo, a ditadura nunca acabou"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_29195" aria-describedby="caption-attachment-29195" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-29195" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1.jpg" alt="" width="1024" height="511" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1-800x399.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-1-768x383.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29195" class="wp-caption-text">Presente na seção Mostra Brasil da 46ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, A Mãe estreou nacionalmente no Festival de Gramado (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><b>Vitória Gomez</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">A ditadura nunca acabou. A ditadura só vai acabar com o fim da Polícia Militar, porque ela é muito presente dentro do cotidiano da periferia</span></i><span style="font-weight: 400;">”, defende Débora Maria da Silva, fundadora do grupo Mães de Maio, em sua participação em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe</span></i><span style="font-weight: 400;">. Integrante da 46ª </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">Mostra Internacional</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Cinema em São Paulo, na seção Mostra Brasil, o longa mescla ficção à realidade para escancará-la: para Maria (Marcélia Cartaxo), mãe solo e residente da periferia, o desaparecimento do seu filho pelas </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=uqxYLi6rLWo"><span style="font-weight: 400;">mãos da polícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a burocracia para encontrá-lo se assemelha a incontáveis outros casos do cotidiano da Grande São Paulo.</span></p>
<p><span id="more-29194"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Moradora do extremo leste &#8211; como o filho adolescente canta em suas rimas -, a protagonista sustenta a casa sozinha com o trabalho de camelô, no centro da cidade. Quando retorna ao lar, Valdo (Dunstin Farias) não voltou. Não há notícias dele na escola, entre os amigos próximos ou no boca a boca da vizinhança. Daí em diante, a personagem, interpretada visceralmente por Cartaxo, inicia uma incansável jornada de investigação e busca para encontrar o primogênito &#8211; ou, pelo menos, saber de seu paradeiro. Recorrendo até ao traficante do bairro, Maria descobre que a </span><a href="https://ponte.org/o-estado-no-banco-dos-reus-mp-pede-indenizacao-a-564-vitimas-dos-crimes-de-maio/"><span style="font-weight: 400;">polícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> pode ter sido a responsável pelo desaparecimento do filho.</span></p>
<figure id="attachment_29197" aria-describedby="caption-attachment-29197" style="width: 2362px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-29197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13.jpg" alt="" width="2362" height="1329" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13.jpg 2362w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/Marcelia-13-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29197" class="wp-caption-text">Marcélia Cartaxo já venceu o Urso de Prata de Melhor Atriz no Festival de Berlim por A Hora da Estrela, em 1986, e o Kikito de Melhor Atriz em 2019, por Pacarrete (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">não dá trégua. </span><a href="https://ponte.org/cristiano-burlan-uma-mae-que-perde-o-filho-deve-ter-direito-ao-enterro-e-ao-luto/"><span style="font-weight: 400;">Atormentada</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo desaparecimento do filho, o cotidiano de Maria se torna ainda mais cansativo com o peso esmagador da dúvida e da incerteza. A protagonista roda a vizinhança e os locais que Valdo frequentava até partir para as delegacias, onde tira as mesmas conclusões: nem a polícia, instituição supostamente encarregada de proteger o adolescente, está disposta a ajudá-la. Para piorar, denunciando à PM que a própria organização pode ter encabeçado o desaparecimento do jovem, Maria arruma um novo problema.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Graças ao </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de produção de Karla Salvoni, as residências e arredores em que </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">passa são familiares, amplificando ainda mais o desespero com os rumos que a investigação toma. Desde o centro de São Paulo, com suas inconfundíveis galerias e assentos de ônibus, até a casa da personagem principal, o cenário é o de uma família brasileira &#8211; esta, formada por mãe e filho. Quando o enquadro da polícia invade porta adentro, o refúgio em que Maria poderia encontrar paz e descanso, o único em que Valdo poderia estar a salvo, mas não está, é violado. Nem dentro de suas quatro paredes ambos estão seguros, o sentimento de impotência cresce, e o trabalho de direção de </span><a href="https://www.esquinadacultura.com.br/post/nao-podia-estetizar-a-morte-de-minha-mae-diz-diretor-cristiano-burlan"><span style="font-weight: 400;">Cristiano Burlan</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos angustia junto dà Mãe.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na pele da protagonista, </span><a href="https://www.papodecinema.com.br/entrevistas/26o-festival-de-vitoria-duas-vezes-marcelia-cartaxo/"><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo</span></a><span style="font-weight: 400;"> canaliza a inquietação e a desesperança de uma matriarca que não sabe o paradeiro da sua criança. Ela externaliza sua dor gritando com os negligentes agentes militares, desafiando os moradores locais por informações e rindo ao, de frente para um corpo morto no Instituto Médico Legal, constatar que aquele não é seu filho. Há esperança? Se sim, o sentimento está adormecido. Depois de dias sem ter sinal de Valdo, o roteiro de Cristiano e Ana Carolina Marinho faz a personagem procurar alento de outra maneira: Maria recorre às instituições de mães de </span><a href="https://www.brasildefato.com.br/2016/05/13/surgido-da-dor-maes-de-maio-se-tornam-referencia-no-combate-a-violencia-do-estado/"><span style="font-weight: 400;">filhas e filhos desaparecidos</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_29196" aria-describedby="caption-attachment-29196" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="wp-image-29196 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2.jpg" alt="" width="1200" height="617" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-800x411.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-1024x527.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-2-768x395.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29196" class="wp-caption-text">As rimas cantadas por Valdo são de autoria do seu intérprete, Dunstin Farias (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A impotência frente à atuação da polícia e a dificuldade em enfrentar as burocracias da máquina militar levam Maria e as integrantes dos grupos </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nJ1xIZr5LEI"><span style="font-weight: 400;">Mães da Sé</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Mães de Maio &#8211; e muitas outras no Brasil &#8211; a resistirem juntas à opressão do Estado em localizar essas pessoas. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Como mãe pobre e mãe negra, a gente não pode perder as forças jamais</span></i><span style="font-weight: 400;">”, diz Débora Maria da Silva, que interpreta a si mesma no longa-metragem. Símbolo de força, ambas mulheres, a fundadora da organização e A Mãe que dá nome ao filme, cutucam e lutam contra a atuação assassina da Polícia Militar nas periferias de São Paulo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Inclusive, o diretor Cristiano Burlan não surgiu com a ideia de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">da observação de outras realidades. Criado no Capão Redondo, ele próprio viu o irmão ser assassinado por agentes policiais, o que rendeu o documentário </span><i><span style="font-weight: 400;">Mataram Meu Irmão </span></i><span style="font-weight: 400;">(2013). Antes, </span><i><span style="font-weight: 400;">Construção </span></i><span style="font-weight: 400;">investigava a morte do pai, falecido em uma obra em que trabalhava por descuidos do local. Em 2017, fechando a série de produções documentais que ficou conhecida como </span><a href="https://piaui.folha.uol.com.br/trilogia-do-luto-filme-como-instrumento-de-vinganca/"><span style="font-weight: 400;">Trilogia do Luto</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">Elegia de Um Crime </span></i><span style="font-weight: 400;">reconstitui a morte da mãe, assassinada pelo parceiro. Assim como nas obras passadas, o longa mais recente de Burlan segue trazendo humanidade às populações periféricas.</span></p>
<figure id="attachment_29198" aria-describedby="caption-attachment-29198" style="width: 1000px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-29198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae.png" alt="" width="1000" height="622" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae.png 1000w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-800x498.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/11/a-mae-768x478.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-29198" class="wp-caption-text">Exibido no Festival de Málaga, A Mãe foi filmado no centro de São Paulo e no bairro Jardim Romano, na zona leste (Foto: CUP Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Se a </span><a href="https://almapreta.com/sessao/cotidiano/maes-maio"><span style="font-weight: 400;">violência policial</span></a><span style="font-weight: 400;"> nas periferias é constante no cotidiano das populações, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">escancara a realidade. O filme pouco se preocupa em mascarar a história em prol de uma narrativa facilmente digerida &#8211; a conclusão nos minutos finais é tão desesperadora quanto os primeiros 90 -, e projeta a realidade nua e crua da vulnerabilidade nas mãos daqueles que juraram proteger as comunidades. A máquina militar, além de matar, acoberta os assassinatos e as investigações em nome dos seus. Mas </span><i><span style="font-weight: 400;">A Mãe </span></i><span style="font-weight: 400;">sabe disso. E nós também.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Trailer Oficial A MÃE, de Cristiano Burlan" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/WZRMi30Q5G8?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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