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	<title>Arquivos Amin &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A vida não dá trégua nas travessias de Flee</title>
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		<pubDate>Fri, 04 Mar 2022 16:37:24 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Eduardo Rota Hilário “Vou carregar de tudo vida afora/Marcas de amor, de luto e espora/Deixo alegria e dor/Ao ir embora”. Os versos de Compasso, composição de Angela Ro Ro com Ricardo Mac Cord, podem até não aparecer na trilha sonora da produção dinamarquesa Flee (Flugt, 2021), dirigida por Jonas Poher Rasmussen; no entanto, ao serem &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/flee-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A vida não dá trégua nas travessias de Flee"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_26223" aria-describedby="caption-attachment-26223" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-26223" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos várias pessoas em uma balada gay. Amin está centralizado. Ele coloca os braços sobre o balcão do estabelecimento, veste roupas de inverno e olha para o lado direito da imagem. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-1-1200x500.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26223" class="wp-caption-text">Indicado três vezes ao Oscar 2022, Flee é um documentário que ilustra uma complexa jornada de autoconhecimento (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><b>Eduardo Rota Hilário</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Vou carregar de tudo vida afora/Marcas de amor, de luto e espora/Deixo alegria e dor/Ao ir embora</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os versos de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I8Y-DqFcBnM"><i><span style="font-weight: 400;">Compasso</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, composição de Angela Ro Ro com </span><a href="https://extra.globo.com/tv-e-lazer/musica/angela-ro-ro-celebra-musica-em-um-lugar-ao-sol-volta-fazer-show-abre-coracao-ao-falar-de-vaidade-sexo-nova-namorada-25353398.html"><span style="font-weight: 400;">Ricardo Mac Cord</span></a><span style="font-weight: 400;">, podem até não aparecer na trilha sonora da produção dinamarquesa </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee </span></i><span style="font-weight: 400;">(</span><i><span style="font-weight: 400;">Flugt</span></i><span style="font-weight: 400;">, 2021), dirigida por Jonas Poher Rasmussen; no entanto, ao serem recortados do restante da música, esses fragmentos poéticos expressam muito bem uma das inúmeras sensações que permeiam o longa-metragem estrangeiro. Afinal, em todo o filme, estamos diante de uma concretude nua e crua, e ela nunca será vivenciada da mesma forma por indivíduos minimamente diferentes.</span></p>
<p><span id="more-26222"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Antes de qualquer coisa, não é de se espantar que uma possível tradução para </span><i><span style="font-weight: 400;">flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> seja fuga. Documentário elaborado em grande parte como animação, a obra de Rasmussen narra uma vida de </span><a href="https://cinepop.com.br/critica-flee-animacao-indicada-ao-oscar-traz-belissima-historia-de-amizade-332128/"><span style="font-weight: 400;">deslocamentos constantes</span></a><span style="font-weight: 400;">. Nascido no Afeganistão, o protagonista Amin precisa escapar, logo cedo, de um cenário de guerra que vai tomando conta de sua terra natal. Realocado com a mãe e irmãos na Rússia pós-comunismo, o jovem precisa tolerar com frequência a corrupção da polícia local para com os refugiados. Como a vida torna-se inviável, a família passa a enfrentar os dilemas do tráfico humano, meio pelo qual chegará a novas nações.</span></p>
<figure id="attachment_26224" aria-describedby="caption-attachment-26224" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos uma cozinha repleta de utensílios. O casal Kasper e Amin está no lado direito da imagem. Kasper está à esquerda, usa óculos e veste uma blusa azul. Amin está à direita, tem barba, veste uma blusa vinho e segura Kasper com o braço esquerdo. Os dois se beijam. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-2-1200x500.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26224" class="wp-caption-text">Para construir um futuro ao lado de Kasper, Amin precisa aprender a lidar com as turbulências do passado (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem muitas surpresas, o destino não planejado de Amin é a Dinamarca, local onde conhecerá Rasmussen. Acontece que essa história foi, por muito tempo, um segredo </span><a href="https://variety.com/2021/film/reviews/flee-review-1234894626/"><span style="font-weight: 400;">até mesmo para Kasper</span></a><span style="font-weight: 400;">, futuro marido do protagonista. Nesse contexto, narrar uma trajetória de vida pela primeira vez, por meio de um documentário, tendo ainda receio de expor situações tão delicadas, que colocam em xeque algumas noções de legalidade, não poderia ser algo inferior à necessidade. Justamente em proteção aos agentes desta narrativa, Rasmussen age com brilhantismo ao cobri-los com pseudônimos &#8211; como é o caso do próprio “</span><i><span style="font-weight: 400;">Amin</span></i><span style="font-weight: 400;">” -, explorando também a liberdade criativa das animações para disfarçar os traços desses indivíduos. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas a animação, aqui, não é somente uma camuflagem. Trata-se, ao mesmo tempo, de um </span><a href="https://www.cineset.com.br/critica-flee-jonas-poher-rasmussen/"><span style="font-weight: 400;">recurso artístico</span></a><span style="font-weight: 400;"> por meio do qual é possível reviver o passado. Recurso esse que, com traços menos intensos, indica memórias mais vagas e confusas, enquanto os acontecimentos nítidos aparecem com detalhes precisos e diversidade de cores. É, enfim, um flerte com as ferramentas da ficção, embora isso não seja, de forma alguma, uma manipulação total ou uma atenuação dos episódios experienciados por Amin &#8211; que são dramatizados com equilíbrio ao longo do filme.   </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Partindo dessa percepção, podemos entender que a fragilidade é um dos pontos centrais de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=2Y9ZK1S7R7Q"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Algumas coisas são difíceis de falar. Ainda é difícil, mas preciso superá-las. É o meu passado, não posso fugir dele, e não quero. Eu posso conseguir em meio ano, um ano.</span></i><span style="font-weight: 400;">”, confessa Amin nos primeiros minutos do longa. Não restam dúvidas de que, na tentativa de ser o mais fiel possível à realidade, o protagonista de uma vivência repleta de prováveis traumas assume uma fragilidade necessária para não se machucar em demasia &#8211; uma fragilidade, aliás, essencialmente humana, nítida não só na fala destacada, mas também no filme como um todo. </span></p>
<figure id="attachment_26225" aria-describedby="caption-attachment-26225" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-26225" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. Ao fundo, vemos um quarto de hotel durante a noite. Rasmussen encontra-se no lado esquerdo da imagem, está de costas, sentado, tem barba e veste uma blusa preta. Amin está no lado direito da imagem, igualmente sentado, com uma leve inclinação para frente, os dedos das mãos entrelaçados, veste uma roupa cinza e também tem barba. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-3-1200x500.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26225" class="wp-caption-text">Ao ir aos Estados Unidos por conta da carreira acadêmica, Amin revela a Rasmussen que está cansado de tantos deslocamentos (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É, entretanto, na contraposição ‘ser </span><i><span style="font-weight: 400;">versus</span></i><span style="font-weight: 400;"> não ser’ que se aloja um dos maiores auges do documentário. Afastando-se das recorrentes dicotomias, Rasmussen expõe as tonalidades que afetam a identidade de Amin. Já nos minutos finais do longa, esse amigo-narrador faz uma confissão: “</span><i><span style="font-weight: 400;">começo a ficar cansado de estar constantemente em movimento.</span></i><span style="font-weight: 400;">” Ultrapassando os deslocamentos concretos mais recentes, o que está em jogo neste momento são os dilemas que sempre marcaram a vida do protagonista. As constantes mudanças de países, a vida enquanto refugiado, a orientação sexual reprimida, dentre inúmeros outros elementos, ou compõem &#8211; sem limitar -, ou colocam em crise uma existência humana inteira, o que faz jus à </span><a href="https://www.em.com.br/app/noticia/cultura/2022/02/13/interna_cultura,1344276/producao-dinamarquesa-flee-inova-ao-brigar-pela-triplice-coroa-no-oscar.shtml"><span style="font-weight: 400;">complexidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> inerente a qualquer sujeito não fictício.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Com escolhas tão sensíveis, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> curiosamente tensiona a todo momento a humanidade dos espectadores, colocando em evidência significativa, mas não exagerada, questões extremamente humanas ou desumanas. A negação da homossexualidade, por exemplo, em um </span><a href="https://observatoriog.bol.uol.com.br/noticias/mundo/lgbt-e-o-grupo-que-assumiu-poder-no-afeganistao-taliba"><span style="font-weight: 400;">país</span></a><span style="font-weight: 400;"> onde “</span><i><span style="font-weight: 400;">os homossexuais não existiam</span></i><span style="font-weight: 400;">” &#8211; isto é, eram reprimidos ao ponto de não receberem sequer uma designação &#8211; pode causar muita agonia em um primeiro momento. Por outro lado, quando alguns irmãos de Amin descobrem e aceitam essa faceta de sua realidade, incentivando uma espécie de ‘libertação’ via boate gay, certos sinais de esperança logo trazem um sorriso para os rostos outrora tensos do público.         </span></p>
<figure id="attachment_26226" aria-describedby="caption-attachment-26226" style="width: 1366px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-26226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4.jpg" alt="Cena do filme Flee. Ilustração retangular. A imagem se passa em uma possível sala de solicitação de bens e serviços. Uma janela centralizada mostra um ambiente rural. À frente dela, vemos Amin e uma mulher sentados diante de uma mesa. Amin está no lado esquerdo, de perfil, olha para baixo, usa roupa branca e está com um copo sobre a mesa. A mulher está no lado direito, de perfil, usa óculos, roupa predominantemente azulada, segura uma caneta sobre alguns papéis e olha para Amin. " width="1366" height="569" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4.jpg 1366w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-1024x427.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-768x320.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/02/Flee-4-1200x500.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-26226" class="wp-caption-text">Em um momento da vida, Amin pede remédios para não se sentir mais atraído por homens (Foto: NEON/Participant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Mas nem sempre há alívio para as questões apresentadas. Quando os detalhes do tráfico humano dominam a narrativa, o nó na garganta do espectador mais sensível pode, com certeza, marcar sua presença, tendo em vista que, em décadas, pouca coisa mudou. A guerra e seus dilemas, então, dialogam intensamente com os </span><a href="https://aovivo.folha.uol.com.br/mundo/2022/02/24/6105-putin-ataca-a-ucrania-acompanhe-ultimas-noticias-sobre-a-acao.shtml"><span style="font-weight: 400;">conflitos da atualidade</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ver vários jovens fugindo de uma obrigação desumana, ou seja, de uma luta armada, é um diálogo direto entre o filme e os </span><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2022/02/25/lei-marcial-homens-ucranianos-e-naturalizados-com-idade-de-18-a-60-anos-estao-proibidos-de-sair-da-ucrania.ghtml"><span style="font-weight: 400;">noticiários de hoje em dia</span></a><span style="font-weight: 400;">, o que gera uma aflição capaz de tangenciar ao mesmo tempo a impotência e a comoção.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Provavelmente, o que mais assusta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=wgj7DUEtfg0"><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é saber que o filme resgata uma história real &#8211; e que algumas décadas foram, com razão, incapazes de apagar o medo de quem um dia já viveu sem liberdades e dignidade. Ainda assim, é essencial ter esse dado em mente para que se obtenha uma experiência completa de humanização dos fatos históricos. Em aspectos técnicos, o filme abre espaços na animação predominante para inserir registros reais do passado mais distante ou dos anos mais recentes. Com sucesso, isso facilita o exercício da memória, lembrando constantemente que, antes de ser um conjunto de ilustrações, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um documentário.             </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No final das contas, a obra de Rasmussen tem a duração perfeita para os recortes de vida que pretende narrar, não pecando por falta de informação ou adornos sem sentido. Alcançando um </span><a href="https://www.omelete.com.br/oscar/flee-oscar-indicacoes"><span style="font-weight: 400;">feito histórico</span></a><span style="font-weight: 400;"> no </span><i><span style="font-weight: 400;">Oscar</span></i><span style="font-weight: 400;"> 2022, </span><i><span style="font-weight: 400;">Flee</span></i><span style="font-weight: 400;"> já é memorável por ser o primeiro filme a concorrer simultaneamente a Melhor Animação, Melhor Documentário e Melhor Filme Internacional. Portanto, mesmo que não receba uma estatueta em março, a produção dinamarquesa dá continuidade à sua </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/conheca-flee-primeiro-na-historia-indicado-melhor-animacao-documentario-filme-estrangeiro-no-oscar-25385301"><span style="font-weight: 400;">jornada de respeito</span></a><span style="font-weight: 400;">, que já foi vitoriosa em eventos como o Festival de Sundance, o Festival de Annecy e os Prêmios do Cinema Europeu. E quanto a Amin? Que receba, hoje e sempre, toda a dignidade do mundo.            </span></p>
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