A divertida impronunciabilidade de Koenjihyakkei

banda koenjihyakkei

A banda japonesa completa 25 anos, com quatro discos experimentais sem nenhuma necessidade de coerência lírica. No lugar desta, entra a transcendência com instrumentais exóticos e divertidos, como conta o tecladista da banda exclusivamente para o Persona.

Adriano Arrigo

Eu sei, eu sei. Ninguém conhece Koenjihyakkei, o estanho grupo japonês que toca estranhas músicas. Como poderiam conhecer? Nos confins da Internet, em um grupo de experimental e rock progressivo, eu os conheci. Estava lá, escrito: Koenjihyakkei. Parecia feitiço. E uma imagem com muitos seres pequenos construindo uma ponte. Músicas com títulos ainda mais bizarros. “Molavena”, “Avedumma”, “Zoltan”. Todas pertencentes a um estilo musical ainda mais enigmático, o Zeuhl.

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Para além do gênero, Laerte-se

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Laerte é uma ótima representação de como as HQs se comportaram nos últimos 30 anos no país. Ácidos e meio desengonçados, seus inúmeros quadrinhos também são palco para inúmeros personagens carismáticos em traços simples que sempre revelaram seu lado humorístico, surreal e onírico, típico do universo das tirinhas brasileiras. Com mais de 30 anos de carreira, foi somente nos últimos anos que Laerte tomou os holofotes brasileiros, porém não por causa de seu talento inquestionável, mas sim pela sua identidade de gênero. Hoje temos a Laerte que, além de cartunista, é, por bem ou por mal, um dos centros das discussões de identidade de gênero. Continue lendo “Para além do gênero, Laerte-se”

Melhores discos de Maio/2017

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Adriano Arrigo, Gabriel Leite Ferreira, Matheus Fernandes e Nilo Vieira

O ícone grunge Chris Cornell cometeu suicídio, e dois dias depois o lendário Kid Vinil (fotografado acima) faleceu. A chuva veio forte em Bauru, e o céu escureceu. É, maio foi mesmo um mês cinzento, e isso se refletiu até nas capas de nossa seleção mensal. Felizmente, o conteúdo é variado e abrangente o suficiente pra ninguém se deixar abater com essa nuvem negra. Aqui vão as nossas escolhas:

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Daniela Mercury em Bauru: o axé necessário

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Crédito: Evandro Souza

Adriano Arrigo

“Mulher arretada” é a forma como Daniela Mercury se autointitulou entre uma e outra música, dentre as vinte e três tocadas na 13º Virada Cultural Paulista, em Bauru. Mercury se ajeitava no palco, sincronizava os braços e estufava o peito. “Gosto de quando termina a música assim”, comentou em um dos inúmeros apontamentos e discursos de sua apresentação. É a famosa pose que abre espaço para chamar as mulheres com forte presença de palco: diva. Mas, se tratando de uma figura que tanto se identifica com o Brasil, seu título tem que vir à brasileira, e mais especificamente, com gosto baiano. Continue lendo “Daniela Mercury em Bauru: o axé necessário”

Olhares distantes na Exposição “Arte Contemporânea no acervo Sesc”

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Reprodução/SESC

Adriano Arrigo

Os olhos de Ana Júlia Lucarelli não paravam de acompanhar os traços de carvão que a artista Letícia Sekito desenhava no chão da entrada do Sesc Bauru. Letícia era convidada do Sesc para a abertura da mostra Arte Contemporânea no Acervo Sesc, apresentação itinerante que chegou a Bauru em 30 de Abril e permanecerá até 2 de Julho. Assim como Ana Júlia, outras crianças permaneciam no local, bem no limiar entre a performance de Letícia e o espaço dedicado ao público. Continue lendo “Olhares distantes na Exposição “Arte Contemporânea no acervo Sesc””

Melhores discos de Abril/2017

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Adriano Arrigo, Gabriel Leite, Matheus Fernandes e Nilo Vieira.

De volta do recesso com os dois pés no peito! Esprememos até a última gota, inclusive nos feriados, para trazer a seleção mais top possível. Ainda que a safra do mês anterior tenha sido mais empolgante, abril trouxe alguns dos discos mais aguardados no mainstream, além de pepitas underground. Cá vão nossos favoritos: Continue lendo “Melhores discos de Abril/2017”

O Ornitólogo e a naturalização do desejo

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Adriano Arrigo

Pouquíssimos compreenderam a performance da atriz transexual Viviany Beleboni na Parada Gay de São Paulo, em 2015. Naquele ano, ela se vestiu de Jesus Cristo para denunciar a morte e o martírio de transexuais no Brasil, o país mais letal para essas pessoas no mundo. Após sua encenação, Viviany viria a colocar sua vida em jogo, quando fora esfaqueada por dois homens ao sair sozinha de casa para ir ao supermercado. “Falavam em Romanos (o livro da Bíblia) e coisas como ‘não te deitarás com um homem, como se fosse mulher’, muitas palavras que não entendia, como se fosse em outro idioma”, contou em uma entrevista. Continue lendo “O Ornitólogo e a naturalização do desejo”