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	<title>Arquivos Aaron Taylor-Johnson &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Extermínio: A Evolução encontra beleza ao contemplar a morte</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Jun 2025 15:49:43 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: O texto contém alguns spoilers Marcos Henrique Através do cenário político dos EUA nos anos 60 e de referências do folclore eslavo, George Romero, o ‘pai dos zumbis’, desenvolve conceitos que desenharam o que hoje conhecemos como apocalipse zumbi: um cenário onde os mortos se levantam de suas covas famintos por carne humana e &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-exterminio-a-aevolucao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Extermínio: A Evolução encontra beleza ao contemplar a morte"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso: </i></b><i><span style="font-weight: 400;">O texto contém alguns spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_35423" aria-describedby="caption-attachment-35423" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35423" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-2-800x450.jpg" alt="Cena do filme Extermínio: A Evolução Ao centro da imagem, existe uma pilha de crânios humanos reforçada por hastes de madeira horizontais. Ao fundo, há uma floresta densa e diversas colunas, também feitas de ossos. O céu está parcialmente nublado, compondo uma atmosfera sombria e perturbadora." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-2-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-2-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-2.jpg 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35423" class="wp-caption-text">Danny Boyle e Alex Garland retornam para a franquia depois de 23 anos (Foto: Sony)</figcaption></figure>
<p><b>Marcos Henrique</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Através do cenário político dos EUA nos anos 60 e de referências do folclore eslavo, </span><a href="https://averdade.org.br/2020/10/os-zumbis-politizados-de-george-romero/"><span style="font-weight: 400;">George Romero</span></a><span style="font-weight: 400;">, o ‘pai dos zumbis’, desenvolve conceitos que desenharam o que hoje conhecemos como apocalipse zumbi: um cenário onde os mortos se levantam de suas covas famintos por carne humana e sem nenhum resquício de humanidade. Apesar de, ao longo das décadas, o </span><a href="https://www.omelete.com.br/terror/filmes-de-zumbis-essenciais"><span style="font-weight: 400;">subgênero</span></a><span style="font-weight: 400;"> ter se modificado para algo muito mais ‘pipoca’ e focado no horror — o que não é negativo —, é importante lembrar que ele sempre foi rico em pautas sociais, procurando, em meio a um mundo dominado por seres canibais, criticar a sociedade materialista e, principalmente, o instinto de sobrevivência dos seres humanos, que os tornava tão violentos quanto aqueles que combatiam.</span></p>
<p><span id="more-35421"></span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Em 2002, Alex Garland (</span><i><span style="font-weight: 400;">Ex_Machina: Instinto Artificial</span></i><span style="font-weight: 400;"> – 2014) escreveu a história de </span><i><span style="font-weight: 400;">28 Days Later</span></i><span style="font-weight: 400;">, erroneamente traduzido no Brasil como </span><a href="https://www.corposamarelos.com.br/filme-exterminio-um-olhar-renovado-sobre-o-genero-zumbi"><i><span style="font-weight: 400;">Extermínio</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O roteirista resgata as raízes do subgênero estabelecidas por Romero, mas também utiliza o horror como peça fundamental na construção da ambientação. Ao lado de </span><a href="https://rollingstone.com.br/artigo/danny-boyle-e-sua-mente-brilhante/"><span style="font-weight: 400;">Danny Boyle</span></a><span style="font-weight: 400;">, que, mesmo com limitações técnicas e um baixo orçamento, dirige como um mestre do Cinema, experimentando novos estilos de filmagem que moldaram o que o longa viria a se tornar. A produção recebeu uma continuação em 2007, chamada </span><i><span style="font-weight: 400;">28 Weeks Later</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Extermínio 2</span></i><span style="font-weight: 400;">, que não contou com o envolvimento dos criadores originais da franquia. Até que, em 2025, Boyle e Garland retornam para um terceiro longa: </span><i><span style="font-weight: 400;">28 Years Later</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Extermínio: A Evolução</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma continuação direta do primeiro filme, que promete resgatar a franquia e os zumbis de forma tão inovadora quanto na obra original.</span></p>
<figure id="attachment_35424" aria-describedby="caption-attachment-35424" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35424" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-1-800x448.jpg" alt="Cena do filme Extermínio: A Evolução Na imagem, há um infectado de aparência cadavérica encarando a câmera, com olhos arregalados e expressão perturbadora. A figura tem o corpo extremamente magro e ossudo, com marcas de sangue seco e machucados. Ao fundo, há um campo com flores amarelas desfocadas sob um céu claro." width="800" height="448" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-1-800x448.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-1-1024x574.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-1-768x430.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-1-1536x861.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-1-1200x672.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-1.jpg 1999w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35424" class="wp-caption-text">O título 28 Years Later, ou 28 Anos Depois em português, faz referência a passagem de tempo em relação ao surto do vírus (Foto: Sony)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">28 anos após a infestação da variante do </span><a href="https://screenrant.com/28-days-later-rage-virus-explained/"><span style="font-weight: 400;">vírus da raiva</span></a><span style="font-weight: 400;"> pela Grã-Bretanha, acompanhamos a história de Spike (Alfie Williams), um garoto de 12 anos, e seus pais: Jamie (Aaron Taylor-Johnson), um homem violento e impulsivo, e Isla (Jodie Comer), uma mulher em condição de saúde delicada. A família vive em uma lugar isolado, onde sobreviventes conseguiram encontrar refúgio e começar uma nova sociedade. Isso se deve ao abandono da ilha, que foi colocada em quarentena e deixado à mercê da própria sobrevivência, gerando um cenário propício para o surgimento de diferentes comunidades e para a adaptação dos infectados. A trama gira em torno do amadurecimento de Spike, que, para salvar sua mãe, precisa confrontar o pai e partir rumo ao território proibido, onde acredita poder encontrar ajuda médica.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se, em 2002, a franquia reinventou o gênero e abriu um novo caminho para as obras de zumbis, agora é ela quem se beneficia dos conceitos desenvolvidos por suas sucessoras, como </span><a href="https://personaunesp.com.br/twd-10a-temporada-critica/#google_vignette"><span style="font-weight: 400;">The Walking Dead</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2010) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/the-last-of-us-ii-critica/"><span style="font-weight: 400;">The Last of Us</span></a><span style="font-weight: 400;"> (2013), em um processo de retroalimentação. A escolha de ambientar a história anos à frente, em um mundo apocalíptico dominado por infectados e diferentes grupos de resistência, além de um maior cuidado com a psique dos personagens humanos, são bons exemplos dessa influência. A evolução dos infectados, que passaram a se adaptar ao ambiente e se dividir em diferentes classes, como rastejantes e alfas, é resultado direto da abordagem biológica introduzida por The Last of Us em seu universo.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Boyle, mais uma vez, inova em suas técnicas de condução de histórias, ao mesmo tempo em que homenageia sua trajetória no início da franquia. Se em 2002 as filmagens foram feitas com uma Canon XL1, que deu ao longa aquela ambientação suja e desagradável, no de 2025 o diretor optou por utilizar o </span><a href="https://sempreupdate.com.br/iphone-15-filma-sequencia-28-anos-depois/"><span style="font-weight: 400;">iPhone 15 Pro Max</span></a><span style="font-weight: 400;">. Na verdade, vários deles, adaptados com lentes DSLR e combinados com câmeras tradicionais e GoPros, o que dá um senso de continuidade e evolução em relação ao original, além de criar um estilo bruto de extremo bom gosto. Dizer que </span><i><span style="font-weight: 400;">Extermínio: A Evolução</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um </span><a href="https://arthurtuoto.com/2021/02/22/o-que-e-um-filme-experimental/"><span style="font-weight: 400;">filme experimental</span></a><span style="font-weight: 400;"> talvez seja um exagero, no entanto, a inventividade da direção na realização das cenas e na forma como são testados movimentos de câmera e enquadramentos deixa claro que o longa flerta com essa ideia.</span></p>
<figure id="attachment_35422" aria-describedby="caption-attachment-35422" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35422" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-800x420.jpg" alt="Cena dos bastidores de Extermínio: A EvoluçãoNo centro da imagem, um ator caracterizado como infectado aparece com o corpo coberto de sangue e lama, cercado por uma estrutura semicircular equipada com vários iPhones 15 Pro Max, usados para capturar imagens em 180 graus. Técnicos de produção ajustam o equipamento enquanto capturam a cena de perseguição em uma floresta sombria, cercada por árvores altas." width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-1024x538.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-768x403.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-1536x806.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3-1200x630.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-3.jpg 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35422" class="wp-caption-text">O diretor utilizou cerca de 20 iPhones 15 Pro Max simultaneamente, apoiados em estruturas customizadas para criar cenas de ação em 180° com uma pegada visceral (Foto: Sony)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A fotografia de Anthony Dod Mantle (</span><a href="https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/127-horas-critica"><i><span style="font-weight: 400;">127 Horas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – 2010), parceiro de longa data de Boyle, passeia por uma Grã-Bretanha devastada e, ao mesmo tempo, deslumbrante. Em meio a toda a sujeira, violência e perigo, excepcionalmente ambientados ao longo de locações reais, encontramos momentos de contemplação genuína, desde as montanhas da Escócia a lugares intimidadores, como o templo de ossos criado por um dos sobreviventes na ilha dos infectados. Um local que, a princípio, é nojento e perturbador, mas que, com o desenrolar da trama e o aprofundamento da mensagem, revela-se como um espaço de aprendizado e esperança. É nessa sensibilidade escondida em um universo tão violento que encontramos o coração da história.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Garland desenvolve bons personagens, resultados claros de um mundo pós-apocalíptico e de uma sociedade preparada para o pior, mesmo após terem encontrado conforto em suas vidas na ilha. Spike é um retrato vivo do afeto camuflado dentro da narrativa, um personagem cuja criação se deu a partir de uma masculinidade opressora que o pressiona a se tornar homem por meio da violência. No entanto, ele não aceita que, para amadurecer, precise se submeter a tamanha escuridão. É a partir desse confronto interno que Spike se conecta com a fotografia de Dod Mantle, pois, assim como ela, encontra forças em sua sensibilidade, provando a si mesmo que o amadurecimento também pode vir da compaixão. O roteirista ainda foi capaz de encaixar temas como a </span><a href="https://viventeandante.com/critica-exterminioa-evolucao-tem-memento-mori/"><span style="font-weight: 400;">inevitabilidade da morte</span></a><span style="font-weight: 400;">, cravada em fortes mantras estoicistas, e críticas às forças militares corrompidas pelo poder.</span></p>
<figure id="attachment_35425" aria-describedby="caption-attachment-35425" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35425" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-3-800x303.jpg" alt="Cena do filme Extermínio: A EvoluçãoNa imagem, vemos um campo aberto com uma enorme árvore ao centro, posicionada ao fundo. Ao redor dela, várias silhuetas de infectados aparecem ao longe, correndo em direção à câmera. O céu azul claro ocupa grande parte da composição, reforçando o contraste entre a serenidade do ambiente e a ameaça iminente." width="800" height="303" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-3-800x303.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-3-1024x388.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-3-768x291.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image4-3.jpg 1167w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35425" class="wp-caption-text">Em uma entrevista à Empire, Jodie Comer revelou o terror que sentiu ao gravar as cenas de fuga no set, segundo ela, os intérpretes dos infectados não aliviaram na velocidade (Foto: Sony)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Extermínio: A Evolução</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um ótimo retorno para a franquia e um resgate necessário dos zumbis nas telonas. Alex Garland assinou o roteiro para uma trilogia de filmes; a sequência, </span><i><span style="font-weight: 400;">28 Years Later: The Bone Temple</span></i><span style="font-weight: 400;">, ou </span><i><span style="font-weight: 400;">Extermínio: O Templo de Ossos</span></i><span style="font-weight: 400;">, está prevista para o primeiro semestre de 2026, com direção de Nia DaCosta (</span><a href="https://personaunesp.com.br/a-lenda-de-candyman-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Lenda de Candyman</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – 2021). Um terceiro capítulo, com o retorno de Danny Boyle, será lançado caso os dois primeiros sejam bem recebidos. Se as continuações seguirem o caminho de uma narrativa rica em temas humanitários e ousadia técnica, como neste primeiro, já se pode considerar a trilogia um dos maiores acertos do cinema de horror.</span></p>
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		<title>Gatos, Fios Dentais e Amassos: Há 15 anos, Angus desaparecia pela primeira vez</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Dec 2023 19:47:30 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Ludmila Henrique A juventude é um tema indispensável no audiovisual. As inúmeras questões sobre esse momento singular de nossas vidas é, sem dúvidas, um prato cheio de possibilidades para os cineastas explorarem a sua criatividade e levantarem discussões pertinentes a respeito da adolescência, que muitas vezes são desconsideradas no mundo real. Há 15 anos, Gurinder &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/gatos-fios-dentais-e-amassos-15-anos/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Gatos, Fios Dentais e Amassos: Há 15 anos, Angus desaparecia pela primeira vez"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_32157" aria-describedby="caption-attachment-32157" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image3-4.jpg" alt=" Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Jas (Eleanor Tomlinson), uma jovem branca, de cabelo loiro preso em uma trança. Ao seu lado está Rosie Barnes (Georgia Henshaw), uma jovem branca, loira em uma tonalidade mais clara que a de Jas e com franja. No meio está Ellen (Manjeeven Grewal), uma jovem com ascendência indiana, de cabelo preto longo. Por fim, Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Todas estão vestindo o uniforme escolar, composto por uma saia xadrez, um casaco verde, um colete cinza, uma camiseta branca e uma gravata vermelha listrada. Elas estão ao ar livre, sentadas na grama." width="750" height="500" /><figcaption id="caption-attachment-32157" class="wp-caption-text">Se o inferno é uma garota adolescente, Georgia Nicolson está vivenciando seu próprio pesadelo (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><b>Ludmila Henrique</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A juventude é um tema indispensável no audiovisual. As inúmeras questões sobre esse momento singular de nossas vidas é, sem dúvidas, um prato cheio de possibilidades para os cineastas explorarem a sua criatividade e levantarem discussões pertinentes a respeito da adolescência, que muitas vezes são desconsideradas no mundo real. Há 15 anos, Gurinder Chadha, diretora renomada por suas adaptações contemporâneas de livros para filmes &#8211; como o longa-metragem </span><i><span style="font-weight: 400;">Noiva e Preconceito (2004)</span></i><span style="font-weight: 400;">, inspirado na literatura de Jane Austen -, retornava às telas do Cinema com o clássico</span><i><span style="font-weight: 400;"> cult</span></i> <a href="https://letterboxd.com/film/angus-thongs-and-perfect-snogging/"><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008)</span><span style="font-weight: 400;">, filme sobre o amadurecer de uma garota e que marcou uma nova geração de adolescentes. </span></p>
<p><span id="more-32154"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Adaptando os livros de Louise Rennison, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=eVkflcpw-yc"><i><span style="font-weight: 400;">Angus, Thongs and Perfect Snogging</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> narra a trajetória de Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem de 14 anos experienciando, ou melhor, suportando pela primeira vez, todas as emoções efervescentes que surgem na vida de mulheres durante a juventude. Sendo a única passando por esse momento dentro de casa, Georgia se sente incompreendida pelos familiares e encontra todo o apoio necessário no seu grupo de amigas, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Ace Gang</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_32156" aria-describedby="caption-attachment-32156" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Jas (Eleanor Tomlinson), uma jovem branca, de cabelo loiro preso em uma trança. Ela está vestindo uma blusa listrada rosa e cinza, um colar e uma jaqueta jeans azul. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma camiseta polo na cor magenta e uma jaqueta de algodão na cor cinza. Elas estão em uma loja de produtos orgânicos, em volta tem prateleiras com chás naturais, mesas e cadeiras para os clientes se servirem." width="1280" height="532" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-800x333.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1024x426.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-768x319.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image2-4-1200x499.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32156" class="wp-caption-text">O filme é uma adaptação dos livros Gatos, Fios Dentais e Amassos e Ok, Estou Usando Calcinhas Gigantes (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Georgia quer três coisas. Agir e ser respeitada como uma mulher adulta, realizar uma festa interessante para garantir status social dentro de sua escola e, por fim, conseguir um namorado bonitão. As coisas passam a ficar mais interessantes na vida de Nicolson quando ela se apaixona perdidamente por Robbie (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Ck2zVeH3eGQ"><span style="font-weight: 400;">Aaron Taylor-Johnson</span></a><span style="font-weight: 400;">), um dos novatos que chegaram de Londres para o seu colégio. Obviamente, ela vai elaborar um plano, envolvendo seu gato Angus, calcinhas fios dentais e bons beijos para conquistar o rapaz.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O filme é como um clássico bolo de chocolate: não é exatamente revolucionário e inovador, mas ainda é o favorito de muitos dentro do gênero </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/entertainment/movies/g33624238/best-rom-com-movies-early-2000s-aughts/"><span style="font-weight: 400;">comédia romântica</span></a><span style="font-weight: 400;">. Apesar de Gurinder Chadha garantir um roteiro mais do mesmo, </span><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i><span style="font-weight: 400;"> se distancia de outras dramédias clássicas dos anos 2000, por não se preocupar em parecer bobo ou até mesmo vergonhoso. A composição do longa-metragem é essencialmente brega e sabe transitar perfeitamente entre momentos cômicos e de amadurecimento da protagonista, colaborando para que cada situação constrangedora vivenciada pelos personagens fossem devidamente lembradas a longo prazo pelo público. </span></p>
<figure id="attachment_32159" aria-describedby="caption-attachment-32159" style="width: 930px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32159" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.png" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta branca, um colete de tricô preto, uma jaqueta preta de couro e uma calça jeans. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma blusa branca, um moletom de zíper roxo e uma saia jeans amarrada com um cinto também na cor roxa. Eles estão ao ar livre, em um parque, com várias árvores e arbustos." width="930" height="389" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2.png 930w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-800x335.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image5-2-768x321.png 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-32159" class="wp-caption-text">“Hold my hand, you muppet” (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Robbie, assim como boa parte dos galãs de filmes </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;">, tem um toque de doçura e de mistério. Novo na cidade, mora com seu irmão gêmeo Tom (Sean Bourke) e com a mãe, que apesar de ser mencionada diversas vezes, nunca apareceu em tela. O rapaz poderia tranquilamente agir como um garoto problema, que guardou o rancor do mundo por conta do divórcio dos pais, pela mudança repentina que esse acontecimento gerou e, claro, descontar todo esse ódio nas melodias de sua banda de </span><a href="https://www.masterclass.com/articles/alternative-rock-guide"><i><span style="font-weight: 400;">rock</span></i><span style="font-weight: 400;"> alternativo</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, segue um caminho totalmente contrário ao esperado. Na verdade, ele é uma figura surpreendentemente madura, protetiva com a família, e que gosta de gatinhos e de bebericar chás.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa pessoalidade ambígua de Robbie, de ser um cara profundo e muitíssimo </span><i><span style="font-weight: 400;">gentlemen</span></i><span style="font-weight: 400;">, configurou Aaron Taylor-Johnson como um dos deuses gregos em 2008, não apenas pela aparência angelical, mas também pelo seu talento como intérprete e que hoje é visível em grandes obras como </span><i><span style="font-weight: 400;">Anna Karenina</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2012) e </span><a href="https://personaunesp.com.br/tenet-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Tenet</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020). Um aborrecimento do roteiro é que incorpora Robbie apenas para ocupar o lugar de interesse amoroso da protagonista, sendo que a trajetória do personagem é intrigante e poderia ser mais trabalhada pelos escritores. </span></p>
<figure id="attachment_32155" aria-describedby="caption-attachment-32155" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32155" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta listrada cinza e preta, um casaco azul escuro e uma calça jeans, ele está segundo um caderno de anotações em suas mãos. Ao seu lado está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo uma blusa e um casaco listrado nas cores cinza, preto e verde, ela também está vestindo uma calça jeans azul claro. Os dois estão sentados ao ar livre, na frente de uma praia." width="800" height="533" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image1-4-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-32155" class="wp-caption-text">Ultraviolet atingiu a 41 posição nas paradas da Billboard Reino Unido (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A trilha sonora é ditada sobretudo pelos The Stiff Dylans, grupo musical do Reino Unido originado para ser a banda de Robbie no longa-metragem. Pensada inicialmente para ser fictícia, eles atingiram um grande público com as canções </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kCOvld3nh7I"><i><span style="font-weight: 400;">Ultraviolet</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008), música tema do filme, e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aUVVRyjiVzo"><i><span style="font-weight: 400;">Ever Fallen in Love</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1978), cover dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Buzzcocks</span></i><span style="font-weight: 400;"> que também foi sonorizada nas gravações. Embora o tão sonhado álbum dos </span><i><span style="font-weight: 400;">Stiff Dylans</span></i><span style="font-weight: 400;"> permaneceu apenas no papel, o refrão “</span><i><span style="font-weight: 400;">Queima quando estou ao seu lado, sua luz é ultravioleta</span></i><span style="font-weight: 400;">” sempre estará fixado no imaginário popular.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Contrária a Robbie, Georgia Nicolson vive de urgências. Urgência em ser boa em todos os aspectos possíveis, na popularidade, na vida pessoal e amorosa. Nicolson é a típica </span><a href="https://www.cosmopolitan.com/uk/entertainment/a44610881/angus-thongs-and-perfect-snogging-15th-anniversary/"><span style="font-weight: 400;">adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;"> que considera cada detalhe como importante e significativo. O problema dessa perfeição toda é que ela vem acompanhada de ações que a jovem considera interessante para as outras pessoas e não exatamente para ela mesma. Esse agir gera inúmeras adversidades ao longo do filme, não apenas na autoestima da garota, que configura o fato das pessoas não gostarem dela a algum ataque pessoal e não aos seus erros cometidos, mas também pela perda de confiança por parte de quem foi magoado por suas ações.</span></p>
<figure id="attachment_32158" aria-describedby="caption-attachment-32158" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-32158" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2023/12/image4-3.jpg" alt="Cena do filme Gatos, Fios Dentais e Amassos. Da esquerda para a direita está Georgia Nicolson (Georgia Groome), uma jovem branca, de cabelo castanho escuro e com franja. Ela está vestindo um vestido tomara que caia roxo. Ao seu lado está Robbie (Aaron Taylor-Johnson), um jovem branco, de cabelo liso castanho e olhos azuis. Ele está vestindo uma camiseta branca. Os dois estão se abraçando e olhando um para o outro. Eles estão em um ambiente fechado, com paredes escuras. " width="750" height="499" /><figcaption id="caption-attachment-32158" class="wp-caption-text">Georgia Nicolson correu para que Devi Vishwakumar pudesse voar (Foto: Paramount)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Georgia é quase uma versão inglesa de Devi Vishwakumar, do seriado da </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://personaunesp.com.br/eu-nunca-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Eu Nunca</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2020). Além das personalidades fortes e imaginativas, o arco das personagens é quase idêntico, tirando o fato de que Georgia não está inserida em nenhum triângulo amoroso. Ambas também se aproximam pelas várias questões familiares enfrentadas por elas. Nicolson vivencia o medo constante do divórcio de seus pais, Connie (Karen Taylor) e Bob (Alan Davies), após a transferência de emprego de seu pai para a Nova Zelândia. Inicialmente, acreditava que poderia ser interessante não ter um deles por perto, mas a ausência de Bob favoreceu para os momentos de solidão e exclusão da garota fossem aos extremos, quando, na verdade, ela apenas precisava de um conselho paterno. </span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=OjVL-Dd5SFA&amp;t=20s"><i><span style="font-weight: 400;">Gatos, Fios Dentais e Amassos</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é um filme colegial clássico, porém muito britânico. Embora bobo e descontraído, a trama é dominada pela nostalgia do início ao fim, transportando a lembrança de vivenciar novamente a época do primeiro amor, das revistas </span><i><span style="font-weight: 400;">teens</span></i><span style="font-weight: 400;"> e dos pôsteres de </span><i><span style="font-weight: 400;">boybands</span></i><span style="font-weight: 400;"> na parede. Há 15 anos, o longa-metragem, que hoje é um adolescente, capturava em tela os anseios da juventude com um humor bobo, brega e descontraído, assim como a nossa adolescência deveria ser.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/gatos-fios-dentais-e-amassos-15-anos/">Gatos, Fios Dentais e Amassos: Há 15 anos, Angus desaparecia pela primeira vez</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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