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	<title>Arquivos a Névoa &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Depois, a Névoa revela o que resta quando o tempo se dissolve</title>
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		<pubDate>Mon, 10 Nov 2025 13:00:21 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Arthur Caires Há algo de ritualístico em Depois, a Névoa, segundo longa-metragem de Martín Sappia, exibido na 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, na categoria Competição Novos Diretores. O filme se inscreve na tradição do cinema cordobês – vertente argentina que há anos busca capturar a serenidade e o isolamento de personagens mergulhados &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/depois-a-nevoa-revela-o-que-resta-quando-o-tempo-se-dissolve/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Depois, a Névoa revela o que resta quando o tempo se dissolve"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36233" aria-describedby="caption-attachment-36233" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36233" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-5-800x450.png" alt="Um plano médio de César (Pablo Limarzi) no filme 'Depois, a Névoa'. Ele é um homem de meia-idade com barba e cabelo grisalhos, vestindo um casaco de couro escuro e um cachecol marrom grosso. Ele olha diretamente para a câmera com uma expressão séria, em um ambiente externo à noite, com luzes de rua ou carros desfocadas ao fundo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-5-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-5-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-5-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-5-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-5-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-5.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36233" class="wp-caption-text">A travessia de César é também a travessia do olhar (Foto: Punto de Fuga Cine)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há algo de ritualístico em </span><i><span style="font-weight: 400;">Depois, a Névoa</span></i><span style="font-weight: 400;">, segundo longa-metragem de Martín Sappia, exibido na </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/49a-mostra-internacional-de-cinema-em-sao-paulo/"><span style="font-weight: 400;">49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo</span></a><span style="font-weight: 400;">, na categoria Competição Novos Diretores. O filme se inscreve na tradição do cinema cordobês – vertente argentina que há anos busca capturar a serenidade e o isolamento de personagens mergulhados em paisagens interiores tanto quanto geográficas. No entanto, Sappia não apenas revisita esse território: ele o observa como se fosse a primeira vez, como se cada névoa, cada pedra e cada sopro de vento ainda tivessem algo a revelar sobre o que significa existir no mundo.</span></p>
<p><span id="more-36231"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nos primeiros minutos, acompanhamos César (</span><a href="https://letterboxd.com/actor/pablo-limarzi/"><span style="font-weight: 400;">Pablo Limarzi)</span></a><span style="font-weight: 400;">, um segurança de uma fábrica de produtos químicos, imerso na repetição silenciosa de uma rotina que já dura mais de duas décadas. O longa começa na escuridão da madrugada, quando as luzes industriais se acendem e o corpo já trabalha, maquinal, dentro de um tempo que parece suspenso. A quietude se rompe quando ele recebe uma carta da irmã informando que o terreno da família nas montanhas foi vendido, e com ele, o local onde estão as cinzas de Elena, uma mulher de seu passado. O gesto de partir, então, é inevitável: César deixa o emprego e se lança em uma jornada que só poderia ser feita a pé.</span></p>
<figure id="attachment_36232" aria-describedby="caption-attachment-36232" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7-800x450.png" alt="Um plano geral de César (Pablo Limarzi) no filme 'Depois, a Névoa'. Ele é visto de costas, caminhando sozinho para longe da câmera por uma longa estrada de terra que sobe uma colina. A estrada é ladeada por uma floresta densa de pinheiros e vegetação rasteira seca." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-7.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36232" class="wp-caption-text">Cada passo de César parece pesar como a lembrança de um tempo perdido (Foto: Punto de Fuga Cine)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A caminhada é o eixo que move </span><a href="https://cinemacordoba.com/"><i><span style="font-weight: 400;">Depois, a Névoa</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. O corpo, antes enclausurado na rigidez da fábrica, torna-se o instrumento do luto. Cada passo é uma tentativa de reorganizar o tempo; cada paisagem, um espelho do que foi perdido. O filme compreende que o luto não existe sem o corpo, que é preciso sentir a dor para atravessá-la. Ao longo da jornada, a voz da irmã surge como um eco, entre cartas e memórias, costurando passado e presente enquanto César percorre estradas, cidades e campos onde a infância já não encontra abrigo. </span></p>
<p><a href="https://mostra.org/diretores/martin-sappia"><span style="font-weight: 400;">Sappia</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o diretor de fotografia Ezequiel Salinas criam uma câmera que parece respirar junto ao protagonista: rasteja entre as ervas, ergue-se às copas das árvores, aproxima-se do fogo e de suas brasas. Não há pressa em narrar, há desejo em observar. Os planos longos e o ritmo letárgico compõem uma espécie de comunhão sensorial. Assistir a</span><i><span style="font-weight: 400;"> Depois, a Névoa </span></i><span style="font-weight: 400;">é compartilhar esse estado de presença: estar junto de outros seres, consciente da coexistência.</span></p>
<figure id="attachment_36234" aria-describedby="caption-attachment-36234" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36234" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/fotos-textos-persona-800x450.png" alt="" width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/fotos-textos-persona-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/fotos-textos-persona-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/fotos-textos-persona-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/fotos-textos-persona-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/fotos-textos-persona-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/fotos-textos-persona.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36234" class="wp-caption-text">Conforme o filme avança, as figuras humanas deixam de ocupar o centro da narrativa e começam a fazer parte de um horizonte maior (Foto: Punto de Fuga Cine)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Talvez o poder oculto da obra resida justamente em sua capacidade de dissolver fronteiras: entre o humano e o não humano, entre o corpo de César e a matéria da paisagem. Há algo mineral em seus olhos rochosos, algo de vegetal em sua quietude. Sappia reconhece o peso das dores humanas, mas também as inscreve num </span><a href="https://personaunesp.com.br/sucuarana-demonstra-que-o-caminho-tambem-pode-ser-o-destino/"><span style="font-weight: 400;">horizonte mais amplo</span></a><span style="font-weight: 400;">. À medida que o longa se expande, as figuras humanas deixam de ser o centro e passam a integrar um ciclo que as inclui e as ultrapassa.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Depois, a Névoa</span></i><span style="font-weight: 400;"> é um filme maduro e, por isso mesmo, silencioso em seus triunfos. É delicado e simples, não busca ostentar suas descobertas. Flui como quem entende que a profundidade não precisa de ruído, e que a melancolia pode ser também um modo de reconciliação. No fim, resta a sensação de que o cinema de </span><a href="https://www.lavoz.com.ar/espectaculos/cine-series/martin-sappia-director-de-despues-la-niebla-me-importa-dar-cuenta-del-lugar-en-el-que-vivo-y-en-el-que-filmo/"><span style="font-weight: 400;">Sappia</span></a><span style="font-weight: 400;"> alcança aquilo que muitos perseguem: transformar o olhar em gesto, e o gesto em permanência.</span></p>
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