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	<title>Arquivos A Morte do Demônio: Em Chamas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos A Morte do Demônio: Em Chamas &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>A Morte do Demônio: Em Chamas é fogo que não arde e nem se vê</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Jul 2026 14:55:50 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Aviso: Este texto contém spoilers Davi Marcelgo O primeiro filme da franquia, Evil Dead (1981), recebeu, no Brasil, o título de Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio propriamente, pois não só o protagonista Ash Williams (Bruce Campbell) foi levado ao limite – de covarde para bad ass na mesma madrugada – como as produções &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-morte-do-demonio-em-chamas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Morte do Demônio: Em Chamas é fogo que não arde e nem se vê"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><b><i>Aviso:</i></b><i><span style="font-weight: 400;"> Este texto contém spoilers</span></i></p>
<figure id="attachment_37394" aria-describedby="caption-attachment-37394" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-37394" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-800x492.jpg" alt="Cena do filme A Morte do Demônio: Em Chamas Na imagem, vista de cima, Alice encara o teto. Na bochecha esquerda, há gotas de sangue escorrendo. Ela está com expressão de medo e veste uma camiseta cinza escuro com marcas de suor. Seu cabelo está desarrumado e possui mechas rosa. Alice é uma mulher na faixa dos 30 anos, de origem tunisiana e europeia. " width="800" height="492" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-800x492.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-1024x629.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-768x472.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-1536x944.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF-1200x737.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXwAAX5rF.jpg 1738w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37394" class="wp-caption-text">Souheila Yacoub, de Clímax (2018), protagoniza o sexto filme da franquia (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Davi Marcelgo</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro filme da franquia, </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1981), recebeu, no Brasil, o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite Alucinante: A Morte do Demônio </span></i><span style="font-weight: 400;">propriamente, pois não só o protagonista Ash Williams (</span><a href="https://www.cnnbrasil.com.br/pop/cinema/bruce-campbell-de-evil-dead-e-diagnosticado-com-cancer-incuravel/"><span style="font-weight: 400;">Bruce Campbell</span></a><span style="font-weight: 400;">) foi levado ao limite – de covarde para </span><i><span style="font-weight: 400;">bad ass</span></i><span style="font-weight: 400;"> na mesma madrugada – como as produções sucessoras dobraram a aposta, enriquecendo a mitologia dos </span><i><span style="font-weight: 400;">deadites</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Army of Darkness </span></i><span style="font-weight: 400;">(1992), o terceiro capítulo da saga, a cabana deixa de ser o cenário e é substituída pela paisagem medieval; Williams é sugado por um portal e enviado para o período do aço e das espadas. Já a série </span><i><span style="font-weight: 400;">Ash vs. Evil Dead </span></i><span style="font-weight: 400;">(2015-2018) aproveitou o terreno construído por </span><a href="https://personaunesp.com.br/darkman-vinganca-sem-rosto-35-anos/"><span style="font-weight: 400;">Sam Raimi</span></a><span style="font-weight: 400;"> nos três longas para extrapolar tanto a </span><i><span style="font-weight: 400;">lore </span></i><span style="font-weight: 400;">quanto os temas abordados. </span><a href="https://www.denofgeek.com/tv/ash-vs-evil-dead-season-3-episode-7-review-twist-and-shout/"><i><span style="font-weight: 400;">Twist and Shout</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, sétimo episódio do terceiro ano, tateia os massacres em escolas americanas, por exemplo. Enquanto a trajetória da franquia é marcada por inovação, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> se contenta em apenas ser uma faísca. </span><span id="more-37393"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dirigido por Sébastien Vaniček, o novo filme narra o processo de luto de Alice (Souheila Yacoub) após seu marido falecer em um acidente. Além disso, ela precisa enfrentar as opressões da família do cônjuge, esta que encara questões como abandono paterno e a função de cuidadora que sobressai às mulheres. Esses três tópicos podem ser encontrados nas duas últimas obras da franquia que foram para o cinema, no </span><i><span style="font-weight: 400;">remake</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2013 e em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-morte-do-demonio-a-ascensao-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: A Ascensão</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023), já indicando que, tematicamente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> não tem frescor. Porém, não significa que o cineasta não consiga criar discursos de forma criativa, ainda que sejam breves os momentos em que essa capacidade aparece. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Dois planos chamam atenção nesse sentido, o mais marcante já havia sido revelado no </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=YXSzInyFFXQ"><span style="font-weight: 400;">primeiro </span><i><span style="font-weight: 400;">teaser</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Nele, Vaniček faz um plano sequência inspirado em filmes de guerra. Em destaque, Alice rasteja em fuga, como um soldado apoiado pelos cotovelos e antebraços, enquanto ao fundo, a família briga, trocando agressões um ao outro. Uma explosão acontece, fumaça e poeira sobem, um corpo caído no chão. Há vários elementos postos em cena que remetem ao gênero e o diretor não faz à toa. Alice é uma pessoa de fora daquela família, mas que precisa lidar com os problemas que a constituem, assim o diretor compara essa experiência à de um jovem convocado para lutar uma batalha que não é sua. </span></p>
<figure id="attachment_37395" aria-describedby="caption-attachment-37395" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37395" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i-800x335.jpg" alt="Cena do filme A Morte do Demônio: Em Chamas Na imagem, a personagem Polly está possuída por um demônio. Seus olhos estão amarelados, o cabelo desarrumado e está sem os dentes da frente. Polly é uma mulher idosa, de cabelos curtos e grisalhos. Ela veste um pijama e a fotografia da cena é acinzentada. " width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i-1200x502.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgrXEAAax0i.jpg 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37395" class="wp-caption-text">Lee Cronin, Sam Raimi e Bruce Campbell assinam a produção (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Para comentar papéis de gênero e ausência, um outro momento traz vigor à alegoria dos demônios que castigam uma família. Polly (Maude Davey), a matriarca que convive com demência, após ser possuída por um </span><i><span style="font-weight: 400;">deadite</span></i><span style="font-weight: 400;">, chama sua filha, Susan (</span><a href="https://personaunesp.com.br/pearl-critica/"><span style="font-weight: 400;">Tandi Wright</span></a><span style="font-weight: 400;">), pelo nome. Ambas fazem um pacto e a cena termina com Edgar (Erroll Shand), também com o corpo danificado pela invasão, beijando Susan, sua esposa. Ela diz: “</span><i><span style="font-weight: 400;">há anos você não me beija dessa maneira</span></i><span style="font-weight: 400;">”, transformando a cena em um comentário sobre os afetos entre homens e mulheres em um casamento heteronormativo. Enquanto todo o longa é acinzentado, o plano do beijo é bem iluminado, romântico e possui um mau gosto que é a cara de </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;">. Entretanto, as boas execuções são sufocadas por um pastiche de características da franquia, o que decepciona, pois sem essas cenas interessantes, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> apenas repetiria o que os </span><a href="https://capricho.abril.com.br/entretenimento/a-morte-do-demonio-onde-ver-todos-os-filmes-antes-de-em-chamas/"><span style="font-weight: 400;">outros dois</span></a><span style="font-weight: 400;"> filmes já haviam feito. </span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">É compreensível a guinada das produções contemporâneas, que se aproximam de pautas atuais e dialogam com o público que torce pelas </span><a href="https://personaunesp.com.br/qual-e-o-seu-filme-de-terror-favorito-definitivamente-nao-e-panico-7/"><i><span style="font-weight: 400;">final girls</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porém é desestimulante perceber que a obra se tornou apenas um espaço para famílias lavarem a roupa suja em uma espiral temática. Há possibilidade de discutir questões do nosso tempo, mas que seja longe de uma casa isolada, algo que já foi realizado em outras ocasiões. Diante de uma reprise, que pelo menos a forma seja diferente. Não é o caso daqui. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-evil-dead-criando-os-deadites/"><i><span style="font-weight: 400;">deadites</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> não são simples mortos-vivos e já assumiram formas para além do antropomorfo, como demonstraram domínio de fenômenos da natureza. O longa de 1981 possui uma cena de agressão sexual envolvendo árvores, por exemplo. Isto até poderia ser um detalhe que Vaniček está negando, no entanto, a abertura de </span><i><span style="font-weight: 400;">Em Chamas </span></i><span style="font-weight: 400;">traz uma entidade que controla varas de pesca e ferve rios. Depois dessa sequência, toda a fita afunda-se em criaturas que apenas batem ou mordem. Zumbis quaisquer. </span></p>
<figure id="attachment_37396" aria-describedby="caption-attachment-37396" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37396" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3-800x335.jpg" alt="Cena do filme A Morte do Demônio: Em ChamasNa imagem, uma deadite encara à frente através de um buraco feito em uma porta de madeira, sendo possível apenas ver metade de seu rosto. Ela possui a pele escura e olhos amarelados. Está sorrindo com uma expressão sádica. " width="800" height="335" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3-800x335.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3-1024x429.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3-768x322.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3-1200x502.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/07/HMbtfgsWoAAqIq3.jpg 1500w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37396" class="wp-caption-text">O filme faz referência a O Iluminado, longa de Stanley Kubrick (Foto: Ghost House Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A falta de criatividade não se abstém apenas no roteiro ou na direção dos planos, mas também em uma precarização da aparência dos antagonistas. Se a conjuntura da obra já entregou visuais impressionantes, de grotescos a estilizados, como o de </span><a href="https://movieweb.com/evil-dead-best-deadites-ranked/"><span style="font-weight: 400;">Henrietta Knowby</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Lou Hancock), em </span><i><span style="font-weight: 400;">Uma Noite Alucinante 2 </span></i><span style="font-weight: 400;">(1987), com seu largo pescoço e dentes afiados, a maquiagem comandada por </span><a href="https://personaunesp.com.br/ghost-in-the-shell-vigilante-do-amanha/"><span style="font-weight: 400;">Jane O’Kane</span></a><span style="font-weight: 400;"> se baseia em pele escurecida ou acinzentada e olhos amarelados. Um sangue ali, um machucado aqui. Seria passível de considerar que o visual básico para as personagens é proposital para evidenciar a aparência do </span><i><span style="font-weight: 400;">final boss</span></i><span style="font-weight: 400;"> Will (George Pullar), anunciado durante todo o enredo como alguém que está chegando – e que deve ser temido. Só que Will pouco aparece e nunca de corpo inteiro, sendo impossível ver em totalidade sua podridão. E ainda bem: ele é apenas um esqueleto defumado. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Morte do Demônio: Em Chamas</span></i><span style="font-weight: 400;"> é o filme mais preso aos dogmas da franquia ao mesmo tempo que a descaracteriza no sentido negativo, de um esvaziamento da criatividade. Um filme cinza que contenta aqueles que acham que histórias tristes precisam ser escuras. Um longa que esbanja </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vX7uxCW58IQ"><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> numa série que sempre se dedicou ao artesanal. Para quem traz fogo no título, Vaniček se esforça pouco para, de fato, fazer com que o público arda nas poltronas. Se o ato de queimar fosse um desmonte da saga, ainda que por birra, seria muito mais interessante que o genérico, algo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Evil Dead</span></i><span style="font-weight: 400;"> nunca foi. </span></p>
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