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	<title>Arquivos A Hora da Estrela &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Lorde morre simbolicamente em Virgin só para experimentar a ressurreição</title>
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		<pubDate>Tue, 01 Jul 2025 14:25:52 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>&#160; Arthur Caires Existe algo desconfortável – e, por isso mesmo, vital – em se olhar no espelho com sinceridade. Não o reflexo rápido do dia a dia, e sim aquele olhar demorado, que tenta entender não só o que mudou, porém o que ainda pulsa por baixo da pele. Às vezes, esse exercício traz &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/lorde-morre-simbolicamente-em-virgin-so-para-experimentar-a-ressurreicao/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Lorde morre simbolicamente em Virgin só para experimentar a ressurreição"</span></a></p>
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<figure id="attachment_35434" aria-describedby="caption-attachment-35434" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-35434" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-800x800.png" alt="A capa do álbum Virgin é uma imagem de raio-X em tons de azul, mostrando uma pelve humana feminina em posição frontal. No centro da imagem, há um zíper e uma fivela metálica sobrepostos digitalmente à imagem anatômica, além da presença de um DIU (dispositivo intrauterino) visível no útero. A composição evoca temas de feminilidade, exposição e controle do próprio corpo, reforçando o caráter visceral e simbólico do álbum." width="800" height="800" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-800x800.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-1024x1024.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-150x150.png 150w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7-768x768.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image2-7.png 1080w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35434" class="wp-caption-text">Corpo como território, imagem como manifesto (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><b>Arthur Caires</b><b><br />
</b><span style="font-weight: 400;"><br />
</span><span style="font-weight: 400;">Existe algo desconfortável – e, por isso mesmo, vital – em se olhar no espelho com sinceridade. Não o reflexo rápido do dia a dia, e sim aquele olhar demorado, que tenta entender não só o que mudou, porém o que ainda pulsa por baixo da pele. Às vezes, esse exercício traz mais dúvidas do que respostas. O corpo pesa, a cabeça gira, e o que era certeza vira </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-60788360"><span style="font-weight: 400;">angústia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ainda assim, há algo de libertador em se permitir esse mergulho: abandonar o automático, a complacência. O caos, quando acolhido, pode ser mais revelador do que qualquer solução conveniente.</span></p>
<p><span id="more-35432"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É nesse lugar entre o instinto e a </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/musica/noticia/2025/06/26/lorde-se-abre-sobre-transtorno-alimentar-em-novo-disco-parte-de-mim-gritava-nao-se-exponha.ghtml"><span style="font-weight: 400;">exposição</span></a><span style="font-weight: 400;"> que </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin</span></i><span style="font-weight: 400;">, o novo álbum de Lorde, habita. Um projeto que soa como um grito íntimo, daqueles que não precisam de plateia, mas que, quando ouvidos, arrepiam. Ao invés de reconstruir uma imagem, a cantora a desmonta por completo. Sem buscar finais felizes ou metáforas rebuscadas, ela entrega um disco cru, tenso e, por isso mesmo, profundamente humano. Não é sobre ser pura, e sim sobre estar viva.</span></p>
<figure id="attachment_35435" aria-describedby="caption-attachment-35435" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-35435" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-800x548.png" alt="Lorde, mulher branca, posa parcialmente despida contra um fundo azul suave e etéreo. Seu cabelo escuro está preso em um rabo de cavalo baixo, e ela usa um brinco longo e prateado em formato de espiral. Com os braços dobrados à frente do corpo e os olhos fixos na câmera, sua expressão transmite introspecção, força e uma certa melancolia. A iluminação azulada acentua a atmosfera sensorial e aquática que permeia o conceito visual de Virgin." width="800" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-800x548.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-1024x701.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6-768x526.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image3-6.png 1122w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35435" class="wp-caption-text">Lorde se desfaz para renascer do caos e da carne (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Após quatro anos de reclusão artística, a neozelandesa retorna em um momento de ruptura e reinvenção pessoal. Desde o lançamento polarizador de </span><a href="https://personaunesp.com.br/solar-power-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> – descompassado com as ideias da época –, a artista passou por um período de profunda transformação. O que parecia distanciamento, na verdade, era ebulição interna: ela enfrentou o fim de um relacionamento, reconheceu um transtorno alimentar e passou a explorar com mais fluidez sua identidade de gênero. Não é surpresa, portanto, que </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">chegue como um trabalho denso e emocionalmente exposto.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos estopins criativos dessa nova fase foi sua inesperada participação no remix de </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-and-its-completely-different-but-also-still-brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Girl, so confusing</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, de Charli XCX. Mais do que uma colaboração no álbum </span><a href="https://personaunesp.com.br/brat-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">brat</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a faixa serviu como catalisador de um novo desejo artístico: criar algo eletrônico, dançante e ao mesmo tempo confessional. A influência da britânica paira em </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin</span></i><span style="font-weight: 400;">, mesmo sem estar diretamente nos créditos. Desta vez, Lorde deixou de lado a parceria habitual com Jack Antonoff e escolheu trabalhar com Jim-E Stack – produtor conhecido por colaborações com nomes como </span><a href="https://personaunesp.com.br/desire-i-want-to-turn-into-you-critica/"><span style="font-weight: 400;">Caroline Polachek</span></a><span style="font-weight: 400;"> e Bon Iver. A troca trouxe consequências diretas para o som do álbum: mais texturizado, dissonante e desprovido do polimento típico do </span><i><span style="font-weight: 400;">pop mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O primeiro indício dessa nova direção surgiu com </span><i><span style="font-weight: 400;">What Was That</span></i><span style="font-weight: 400;">, single de estreia do álbum. A faixa marcou o reencontro de Lorde com os sintetizadores eletrônicos de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-lorde-melodrama/"><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, mas agora com ainda menos controle e mais caos. As letras lembram a franqueza adolescente de </span><a href="https://personaunesp.com.br/lorde-pure-heroine-10-anos/"><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, no entanto, agora reconfigurada por uma maturidade que se expressa por meio de reações quase primitivas: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estamos em uma tempestade de areia e isso me nocauteia</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A artista faz disso uma exposição sem filtros, pulsante, contraditória e quase animalesca.<br />
</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Lorde - What Was That" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/1UpoZpMBM9Y?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de soar provocativo à primeira vista, o título </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">está longe de reforçar noções tradicionais de pureza. Lorde deixa isso claro em diversas faixas – em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=EV5GGEkavLo&amp;list=RDEV5GGEkavLo&amp;start_radio=1&amp;pp=ygUPY2xlYXJibHVlIGxvcmRloAcB"><i><span style="font-weight: 400;">Clearblue</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, por exemplo, ela canta sem rodeios: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu sentei em você até eu chorar</span></i><span style="font-weight: 400;">”. A ideia de virgindade aqui é ressignificada: aponta para um estado de descoberta, onde o instinto guia mais do que a razão, e onde o corpo, as emoções e os impulsos são ferramentas de aprendizado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa entrega aparece simbolicamente na capa e no encarte do disco, que exibe um raio-X de uma pélvis adornada com zíper, fivela e um DIU. A imagem, desconcertante e direta, sintetiza o espírito do álbum: corpo como território, feminilidade como força bruta. A metáfora visual conversa com a própria fala de Lorde sobre o </span><a href="https://www.instagram.com/p/DLaoe4izPo5/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">processo criativo</span></a><span style="font-weight: 400;">: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Este álbum me quebrou e me transformou em uma nova criatura. Tenho orgulho de estar diante de vocês como ela</span></i><span style="font-weight: 400;">”.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Lorde - Man Of The Year" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/ynrSkSYirB0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">A busca por experiência e expressão plena de identidade aparece já na faixa de abertura, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=P7xnBdx70GU&amp;list=RDP7xnBdx70GU&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Hammer</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, quando ela canta “Alguns dias eu sou uma mulher, outros dias eu sou um homem”. Essa fluidez – de gênero, de emoção, de linguagem – atravessa todo o álbum e ganha corpo na belíssima </span><i><span style="font-weight: 400;">Man Of The Year</span></i><span style="font-weight: 400;">, um dos momentos mais introspectivos e reveladores do projeto, em que Lorde se questiona “</span><i><span style="font-weight: 400;">Quem irá me amar desse jeito?</span></i><span style="font-weight: 400;">”. </span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">é, de certa forma, o ponto de interseção entre os caminhos que Lorde percorreu ao longo de sua </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/as-melhores-musicas-de-lorde-segundo-rolling-stone/"><span style="font-weight: 400;">discografia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Se </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;"> a apresentou como uma observadora precoce e cética do mundo ao seu redor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Melodrama </span></i><span style="font-weight: 400;">a transformou em cronista das emoções adultas com uma intensidade quase operática e </span><i><span style="font-weight: 400;">Solar Power</span></i><span style="font-weight: 400;"> tentou encontrar uma espécie de fuga: menos sobre sentir, mais sobre respirar. Porém, foi no quarto disco da cantora que todas essas versões finalmente colidiram – não para formar uma síntese pacífica, mas para abrir espaço ao conflito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse sentimento aparece com força em faixas como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6msW1iM7GFI"><i><span style="font-weight: 400;">Favourite Daughter</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=0-W6AQ0J1Zc&amp;list=RD0-W6AQ0J1Zc&amp;start_radio=1"><i><span style="font-weight: 400;">Shapeshifter</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Na primeira, Lorde canta sobre sua relação com a mãe, a poeta Sonja Yelich, e questiona se sua carreira seria, no fundo, a realização dos sonhos maternos: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Ataque de pânico só para ser sua filha favorita</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Há uma doçura ali, porém também uma exaustão que parece ecoar as pressões invisíveis da performance afetiva. Já em </span><i><span style="font-weight: 400;">Shapeshifter</span></i><span style="font-weight: 400;">, parente próxima de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IXwVSUexFyM&amp;pp=ygUJI2xvcmRlZmFu"><i><span style="font-weight: 400;">The Path</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela escancara a desconexão com a própria imagem pública: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu estive no pedestal, mas esta noite eu só quero cair</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Em ambas, o que emerge é o peso de sustentar papéis – de filha exemplar, de artista bem-sucedida – e a vontade de simplesmente poder ser, mesmo sem forma definida.<br />
</span></p>
<figure id="attachment_35433" aria-describedby="caption-attachment-35433" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35433" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-800x548.png" alt="Lorde, mulher branca, aparece em close-up, vestindo um moletom cinza com capuz puxado sobre a cabeça. Seu cabelo preto está levemente bagunçado pelo vento e seus olhos encaram diretamente a câmera, transmitindo uma expressão séria e vulnerável. O fundo metálico e prateado cria um contraste frio com o tom da sua pele clara, reforçando a estética crua e intimista associada à era Virgin." width="800" height="548" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-800x548.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-1024x701.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5-768x526.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/06/image1-5.png 1122w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35433" class="wp-caption-text">“Estou orgulhosa e com medo deste álbum, não há onde se esconder” (Foto: Republic Records)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nessa nova fase, Lorde abandona a postura de quem tem todas as respostas para assumir a dúvida. Aos 28 anos, já distante da adolescente sabe-tudo de </span><i><span style="font-weight: 400;">Pure Heroine</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela se apresenta mais vulnerável do que nunca. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Estou pronta para sentir que não tenho as respostas</span></i><span style="font-weight: 400;">”, declara, abrindo um disco que não busca soluções, e sim a liberdade de sentir sem censura. O álbum revela uma artista que não teme mais se perder – e que entende que o </span><a href="https://www.rnz.co.nz/life/music/lorde-s-ride-of-existential-crises-can-finally-come-to-an-end"><span style="font-weight: 400;">inacabado</span></a><span style="font-weight: 400;"> também tem valor.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aqz3PJFeMRM"><i><span style="font-weight: 400;">If She Could See Me Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, ela se orgulha dessa coragem: “</span><i><span style="font-weight: 400;">Eu nado em águas que afogariam tantas outras</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Há beleza no desconforto, e </span><i><span style="font-weight: 400;">Virgin </span></i><span style="font-weight: 400;">é, antes de tudo, um retrato de quem escolhe continuar mesmo sem saber o destino. Como escreveu Clarice Lispector em </span><a href="https://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> sobre a personagem Macabéa: “Se ela não era mais ela mesma, isso significava uma perda que valia por um ganho”.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Virgin" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/28bHj2enHkHVFLwuWmkwlQ?si=2-W30vZcR3iZwlhzW8SdFw&#038;utm_source=oembed"></iframe></p>
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		<title>Em A Hora da Estrela, Macabéa representa a busca da própria identidade</title>
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		<pubDate>Thu, 16 May 2024 18:15:26 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Machado Leal A Hora da Estrela, filme de 1985 baseado no livro homônimo escrito por Clarice Lispector, conta a história da datilógrafa Macabéa, que pouco da vida conhece, mas vive com o mínimo porque foi ensinada dessa maneira. Dirigido por Suzana Amaral, o longa-metragem ganhou uma nova versão remasterizada com o apoio da Sessão &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-hora-da-estrela-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em A Hora da Estrela, Macabéa representa a busca da própria identidade"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_33407" aria-describedby="caption-attachment-33407" style="width: 750px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33407" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image3-3.png" alt="Foto da atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Ela está correndo e usa um vestido branco. A foto está em preto e branco." width="750" height="452" /><figcaption id="caption-attachment-33407" class="wp-caption-text">Marcélia Cartaxo dá vida à Macabéa, protagonista do livro e da adaptação cinematográfica de A Hora da Estrela (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Machado Leal</b></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;">, filme de 1985 baseado no livro homônimo escrito por Clarice Lispector, conta a história da datilógrafa Macabéa, que pouco da vida conhece, mas vive com o mínimo porque foi ensinada dessa maneira. Dirigido por </span><a href="https://jornal.usp.br/cultura/a-trajetoria-de-suzana-amaral-no-cinema-e-na-usp/"><span style="font-weight: 400;">Suzana Amaral</span></a><span style="font-weight: 400;">, o longa-metragem ganhou uma nova versão remasterizada com o apoio da Sessão Vitrine Petrobras como distribuidora e foi lançado nos cinemas em 2024, sendo a chance do público brasileiro conhecer ou revisitar uma das histórias nacionais mais emocionantes já feitas. </span></p>
<p><span id="more-33404"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A trama da narrativa escrita pela ucraniana é simples: a protagonista alagoana vai para o Rio de Janeiro trabalhar como datilógrafa, algo comum no século XX, visto que o trabalho daria chances de melhores condições de vida para a migrante. Após o falecimento da tia, Macabéa vai morar em uma espécie de pensão com outras três mulheres. Com 19 anos, um estômago ruim e uma alimentação que nada a favorece, a jovem apenas existe sem entender a tamanha dificuldade que a permeia. Nos cinemas, a personagem é vivida brilhantemente pela atriz </span><a href="https://www.nexojornal.com.br/entrevista/2024/05/10/marcelia-cartaxo-eu-estava-fresquinha-assim-como-macabea"><span style="font-weight: 400;">Marcélia Cartaxo</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esguia, desnutrida e curiosa são três das palavras que definem a protagonista e, infelizmente, a forma como a veem. Mesmo não tendo terminado a escola, Macabéa arruma um emprego como datilógrafa, que dá a ela algo menor do que um salário mínimo. No entanto, embora esteja cercada por inúmeros obstáculos, há algo que desperta chamas em seu coração, a </span><a href="https://memoria.abert.org.br/radio-relogio-voce-sabia/"><span style="font-weight: 400;">Rádio Relógio</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ao ouvir os ensinamentos da programação radiofônica, a alagoana aprende os significados daquilo que tanto a aflige: as palavras.</span></p>
<figure id="attachment_33405" aria-describedby="caption-attachment-33405" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33405" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2.png" alt="Foto da atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Ela veste uma blusa bordada com as cores cinza e branco e utiliza uma presilha branca no lado esquerdo do cabelo. Ela está cabisbaixa e olha com tristeza para baixo." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2.png 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image1-2-1200x675.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-33405" class="wp-caption-text">A primeira edição de A Hora da Estrela foi publicada em 1977, mesmo ano da morte de Clarice Lispector (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Um dos pontos cruciais para o entendimento da história é a identificação do público com sua protagonista. Dessa forma, o trabalho de Cartaxo é fundamental para que o espectador entenda a nordestina e, assim, tenha empatia por ela. Macabéa não é exclusiva, nem apenas uma persona evocada por </span><a href="https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/verso/por-que-obras-de-clarice-lispector-continuam-sendo-adaptadas-para-o-cinema-e-seguem-relevantes-1.3511543"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;">. A alagoana é como todo e qualquer ser humano que já se sentiu minimamente descartável e perdido no mundo. A vida, para ela, é normal. Entretanto, para aqueles que a acompanham nas telas do Cinema, a jovem possui um passado trágico, um presente cinza e um futuro assustador. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em certo ponto da trama, a protagonista conhece o operário Olimpo de Jesus (José Dumont), por quem ela prontamente se apaixona. Com anseio de viver e sentir algo diferente de sua vida monótona, a garota sente as primeiras faíscas do amor (não correspondido). No diálogo de Macabéa com o pretendente, há o desenvolvimento dela enquanto </span><a href="https://vermelho.org.br/coluna/a-estrela-e-a-invisibilidade-social/"><span style="font-weight: 400;">ser pensante</span></a><span style="font-weight: 400;">: à medida em que entende-se a ganância do metalúrgico, compreende-se a inocência da personagem, uma vez que, por não ter acesso a direitos básicos – como educação, saúde e alimentação – pouco do mundo ela conhece.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Virgem, fã de coca-cola e datilógrafa, Macabéa não tem tempo de se sentir triste. No sistema capitalista, pensar em sentimentos é um luxo que ela não se pode deixar levar, ainda mais aqueles que a mostrariam a situação deplorável em que a alagoana vive. Além de suas colegas de pensão, a jovem possui uma amiga no trabalho, a carioca Glória, vivida por </span><a href="https://tvhistoria.com.br/musa-anos-80-anima-festas-infantis-sobreviver/"><span style="font-weight: 400;">Tamara Taxman</span></a><span style="font-weight: 400;">, que é tudo o que ela não é: provocativa, desejada por homens e namoradeira. Viciada em superstições, a coadjuvante rouba o namorado da protagonista a fim de ter o homem que realmente ama. Após a atitude, a loira sugere que a personagem principal faça o mesmo para que sua vida mude.</span></p>
<figure id="attachment_33406" aria-describedby="caption-attachment-33406" style="width: 700px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-33406" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2024/05/image2-2.png" alt="Foto da atriz Fernanda Montenegro, uma mulher branca de cabelos cacheados, e a atriz Marcélia Cartaxo, uma mulher branca de cabelos cacheados e castanhos. Elas estão sentadas olhando para as cartas que estão na mesa." width="700" height="466" /><figcaption id="caption-attachment-33406" class="wp-caption-text">Com um trabalho de tirar o fôlego, Fernanda Montenegro é a coadjuvante perfeita para A Hora da Estrela (Foto: Sessão Vitrine Petrobras)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A partir da ida da datilógrafa à cartomante Madame Carlota, interpretada pela brilhante </span><a href="https://www.folhabv.com.br/variedades/conheca-cinco-filmes-que-marcaram-carreira-de-fernanda-montenegro/"><span style="font-weight: 400;">Fernanda Montenegro</span></a><span style="font-weight: 400;">, Macabéa entende a sua própria vida e existência. Nunca foi amada e muito menos desejada, mas aprendeu a viver assim, pois pensava que esse era o normal: não ser. Em uma interpretação caricata na dose certa, Montenegro traz mais uma carta de humor utilizada pelos escritos de Lispector e pelo roteiro adaptado de Alfredo Oroz e Suzana Amaral. Através da consulta, a alagoana confessa que tem medo de palavras, mas escuta atentamente todas as previsões feitas pela ex-prostituta. Assim, a percepção da protagonista de sua humanidade representa o ponto mais alto da narrativa</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Por esse lado, o filme apresenta um dos diálogos mais importantes da história: a análise da vida trágica de Macabéa. A cena reúne tudo o que o público viu ao longo da trama e, com as atuações de Cartaxo e Montenegro, há um anseio por um futuro menos amargo para a protagonista. Após o término da sessão com a profissional, Macabéa se despreende do presente e do passado terrível e olha em direção ao futuro. Vívida por sensações novas e experiências que possam tirá-la do estado automático em que permaneceu por 19 anos, a recém descoberta de sua autonomia serve como a ‘cereja do bolo’ do desenvolvimento perfeito da personagem enquanto arco narrativo. Ancorada na maestria dos </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/12/10/cultura/1544426497_594113.html#:~:text=Clarice%20Lispector%20%C3%A9%20considerada%2C%20junto,a%20primeira%20pessoa%20na%20narrativa."><span style="font-weight: 400;">escritos</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Clarice Lispector, o longa-metragem dá um ‘gostinho de quero mais’, levando o espectador a consumir a obra original para entender ainda mais a datilógrafa.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Baseando-se em um clássico nacional, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela</span></i><span style="font-weight: 400;"> é competente ao adaptar uma das histórias mais cruas e delicadas escritas pela ucraniana. Ao mesmo tempo em que Macabéa tem a Rádio Relógio como sua melhor amiga, sempre aprendendo um termo novo e informações que não conhecia, a datilógrafa possui medo dessas próprias palavras. Traçando um paralelo com o amargor e doçura que é viver, o longa-metragem escancara os dilemas da vida humana: com medo de não ter sido ninguém, a protagonista foi e muito, assim como Clarice Lispector significou tanto para a </span><a href="https://www.portugues.com.br/literatura/clarice-lispector.html#:~:text=Clarice%20Lispector%20(1920%2D1977),as%20mais%20lidas%20no%20pa%C3%ADs."><span style="font-weight: 400;">Literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;">.  </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="A HORA DA ESTRELA | Trailer Oficial" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jCVVei38HZs?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>A Paixão segundo G.H. é um passeio por nós mesmos</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Dec 2021 22:36:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[1961]]></category>
		<category><![CDATA[A Hora da Estrela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitória Silva Nascida em 1920, Clarice Lispector é um dos nomes intocáveis da nossa Literatura. A ucraniana, batizada como Haya Pinkhasovna Lispector, chegou ao Brasil aos dois meses de idade, com seus pais de origem judaica que fugiram do país devido à perseguição durante a Guerra Civil Russa. Inicialmente residente em Maceió, em sua infância &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-paixao-segundo-gh-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Paixão segundo G.H. é um passeio por nós mesmos"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_25054" aria-describedby="caption-attachment-25054" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25054" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-800x420.jpg" alt="A imagem é uma arte com fundo vermelho com a capa do livro A Paixão segundo G.H. ao centro e um selo escrito Clube do Livro Persona no canto direito inferior e o logo do Persona no canto esquerdo superior. A capa tem um fundo na cor creme com linhas de distorção, é possível ver no canto superior direito dunas de areia e edifícios que remetem à arquitetura árabe. Abaixo, está escrito Clarice Lispector em letra cursiva e na cor vermelha e o título do livro em caixa alta e na cor bege. No canto inferior esquerdo, abaixo do título, há o desenho de uma moça branca, com cabelos castanhos longos presos em um rabo de cavalo baixo; ela veste uma blusa azul clara de mangas compridas. " width="800" height="420" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh-768x404.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/wp-gh.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25054" class="wp-caption-text">Com 165 páginas, A Paixão segundo G.H. foi a primeira leitura do Clube do Livro do Persona (Foto: Reprodução/Arte: Jho Brunhara)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitória Silva</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nascida em 1920, </span><a href="https://www.ebiografia.com/clarice_lispector/"><span style="font-weight: 400;">Clarice Lispector</span></a><span style="font-weight: 400;"> é um dos </span><a href="https://www.bbc.com/portuguese/geral-55251307"><span style="font-weight: 400;">nomes intocáveis</span></a><span style="font-weight: 400;"> da nossa Literatura. A ucraniana, batizada como Haya Pinkhasovna Lispector, chegou ao Brasil aos dois meses de idade, com seus pais de origem judaica que fugiram do país devido à perseguição durante a Guerra Civil Russa. Inicialmente residente em Maceió, em sua infância e pré-adolescência, a autora passou por Recife e pelo Rio de Janeiro, e, por onde trilhava seu caminho, carregava consigo sua paixão pelos livros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após ingressar na Faculdade Nacional de Direito, em 1941, trabalhou como redatora da Agência Nacional e, posteriormente, do jornal</span><i><span style="font-weight: 400;"> A Noite</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando seus primeiros passos no universo da escrita. Não demorou muito para que mergulhasse de vez nele, e publicou seu primeiro romance em 1944, com o título</span> <a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/perto-do-coracao-selvagem/"><i><span style="font-weight: 400;">Perto do Coração Selvagem</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. A obra estreante retrata uma perspectiva sobre o período da adolescência e, logo de cara, fez com que Clarice abrisse novos horizontes na Literatura nacional. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quebrando todo e qualquer paradigma literário da época, Lispector abandona noções de ordem cronológica e funde um lirismo único a sua forma de representar ações e emoções humanas, traços que se tornaram mais do que característicos de toda a sua carreira. Não à toa, a produção foi agraciada pelo Prêmio Graça Aranha, e, mais tarde, a autora colecionaria outros títulos de referência, como</span> <a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/lacos-de-familia/"><i><span style="font-weight: 400;">Laços de Família</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1960) e </span><a href="https://site.claricelispector.ims.com.br/livro/a-hora-da-estrela/"><i><span style="font-weight: 400;">A Hora da Estrela </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(1977), em que este último ainda ganhou uma </span><a href="https://www.adorocinema.com/filmes/filme-15146/"><span style="font-weight: 400;">adaptação para as telonas</span></a><span style="font-weight: 400;">, em 1985.</span></p>
<p><span id="more-25043"></span></p>
<figure id="attachment_25044" aria-describedby="caption-attachment-25044" style="width: 800px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25044" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-800x523.jpg" alt="A imagem é uma foto em preto e branco da escritora Clarice Lispector. Nela, Clarice está sentada em um sofá com as pernas cruzadas e os braços abertos. Ao seu lado esquerdo, ela acaricia um cachorro, e no direito, segura um cigarro entre os dedos. Clarice era uma mulher branca, de cabelos curtos e lisos, ela veste um vestido com mangas compridas e usa um colar de pérolas em seu pescoço." width="800" height="523" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-800x523.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2-768x502.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-2.jpg 1024w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25044" class="wp-caption-text">Clarice Lispector publicou 18 livros, entre romances, contos e crônicas (Foto: Arquivo Pessoal)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> nasce em 1961. Uma das produções menos chamativas de toda a sua obra, mas que, de forma subestimada, carrega uma das viagens mais acalentadoras que Clarice conseguiu nos deixar em vida. Ambientada num apartamento no Rio de Janeiro, a história segue a narradora-protagonista, e única personagem, caracterizada pelas iniciais presentes no livro (se é que pode-se afirmar que essas letras dizem respeito a ela). Pertencente à classe alta, após demitir sua empregada, ela decide organizar o quarto da mesma.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao exercer o que parece ser uma tarefa simples e comum, e mais do que rotineira para qualquer um, a protagonista desencadeia uma série de reflexões, enquanto também se depara com a insignificância que a funcionária tinha para ela até o momento. Sem demais componentes atuando, a narrativa é uma imersão no seu próprio pensar, em que a solidão da atividade desempenhada leva a um diálogo com si própria. A estrutura textual evidencia o fluxo de pensamento, com capítulos que não possuem títulos ou marcações numéricas, mas se iniciam com a mesma sentença que encerrou o anterior, ilustrando sublimemente a constância da reflexão humana. </span></p>
<figure id="attachment_25045" aria-describedby="caption-attachment-25045" style="width: 768px" class="wp-caption alignleft"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-25045" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-3.jpg" alt="A imagem é uma cena do filme A paixão segundo G.H.. Nela, é possível ver o reflexo da atriz Maria Fernanda Cândido em um espelho em formato redondo. Ela está virada de perfil e com as palmas das mãos levantadas próximas ao seu queixo. Maria é uma mulher branca, com cabelos castanhos presos em um coque alto bagunçado. Ela veste uma blusa branca de mangas compridas e usa brinco em sua orelha. " width="768" height="512" /><figcaption id="caption-attachment-25045" class="wp-caption-text">Em 2020, a obra foi adaptada para o Cinema, com direção de Luiz Fernando Carvalho e protagonizada por Maria Fernanda Cândido (Foto: Paris Filmes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de não trazer nenhum personagem dialogável, se precisássemos eleger uma espécie de antagonista em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.,</span></i><span style="font-weight: 400;"> com certeza, seria a barata. Ao arrumar o armário do quarto, a protagonista se depara com o inseto, e, no comum ato de esmagá-la, aprofunda-se ainda mais em uma viagem que transcende o tempo e o espaço de sua memória.</span></p>
<blockquote><p><span style="font-weight: 400;">“Meu ciclo era completo: o que eu vivia no presente já se condicionava para que eu pudesse posteriormente me entender. Um olho vigiava a minha vida. A esse olho ora provavelmente eu chamava de verdade, ora de moral, ora de lei humana, ora de Deus, ora de mim. Eu vivia mais dentro de um espelho. Dois minutos depois de nascer eu já havia perdido as minhas origens.”</span></p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">O monólogo interior gerado pela autora ecoa questionamentos psicológicos da personagem, ao passo que dialoga com obras da também genial </span><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/25/cultura/1516835051_025456.html"><span style="font-weight: 400;">Virginia Woolf</span></a><span style="font-weight: 400;"> e nos faz pensar se Lispector não seria capaz de ter escrito </span><a href="https://personaunesp.com.br/fleabag-2a-temp-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fleabag</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">nos dias atuais. Sempre se apoiando muito em metáforas, a ucraniana ainda domina as palavras com a maior leveza e facilidade possíveis, conduzindo-as de maneira a traduzir sentimentos dos mais banais, mas que acendem uma luz na mente de quem lê: </span><i><span style="font-weight: 400;">“Detalhadamente não sendo, eu me provava que — que eu era”</span></i><span style="font-weight: 400;">; </span><i><span style="font-weight: 400;">“Solidão é ter apenas o destino humano. E solidão é não precisar”</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_25046" aria-describedby="caption-attachment-25046" style="width: 800px" class="wp-caption aligncenter"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-25046" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-800x450.jpg" alt="A imagem é uma foto da escritora Clarice Lispector. Nela, Clarice está sentada de lado em frente a uma estante de livros. Clarice era uma mulher branca, de cabelos castanhos claros, curtos e lisos. Ela veste um vestido vermelho de mangas compridas com detalhes pretos espalhados, e usa braceletes nos dois pulsos. " width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/12/imagem-4.jpg 976w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-25046" class="wp-caption-text">“Amor é quando não se dá nome à identidade das coisas?” (Foto: Editora Rocco/Divulgação)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Perdida em seus próprios pensamentos, volta e meia a protagonista retorna para a realidade e seu conflito em relação à barata. O clímax de <em>A Paixão segundo G.H.</em> se dá de forma um tanto inesperada, quando, ao inseto expelir um líquido branco, a narradora decide engoli-lo, entrando em total estado de epifania. Ingerir um dos bichos mais asquerosos presentes na superfície terrestre causa uma autorevelação, em um ato perfeitamente simbólico. A mesma figura da barata também é subentendidamente retratada em </span><a href="https://www.culturagenial.com/livro-a-metamorfose-de-franz-kafka/"><i><span style="font-weight: 400;">A Metamorfose</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (1915), de Franz Kafka, que aborda sobre a perda da dignidade humana e caminha de mãos dadas com o presente romance, tendo até seu título ressoado nas entrelinhas. </span><i><span style="font-weight: 400;">“É uma metamorfose em que eu perco tudo o que eu tinha, e o que eu tinha era eu — só tenho o que eu sou”.</span></i></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem um desfecho necessário para uma obra que percorre o mais íntimo do ser humano sem nem precisar sair das paredes de um apartamento, a protagonista não alcança uma devida conclusão. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Paixão segundo G.H.</span></i><span style="font-weight: 400;"> tem como ponto de chegada o mesmo de sua partida, com questionamentos sem resposta para essa personagem sem rosto e sem nome, na forma mais poética que alguém poderia pensar para retratar a essência daqueles de </span><i><span style="font-weight: 400;">alma já formada</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ainda bem que tivemos uma Clarice Lispector para fazer isso. </span></p>
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