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	<title>Arquivos A Ghost Story &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>A Ghost Story: ainda não sabemos o que fazer com o luto</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2020 21:19:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vitor Evangelista Minha bisavó morreu há pouco tempo. Nunca antes tinha sentido perda tão próxima, nem acolhido o vazio como um velho amigo tão rápido. Não sou chegado em críticas em primeira pessoa, mas ocasiões excepcionais demandam escolhas extraordinárias. Passei muito tempo ‘guardando’ A Ghost Story (2017) para o futuro, mesmo sem saber o porquê. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-ghost-story-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "A Ghost Story: ainda não sabemos o que fazer com o luto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_14224" aria-describedby="caption-attachment-14224" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-14224" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/1.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/1.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/1-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/1-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14224" class="wp-caption-text">A Ghost Story foi produzido pela queridinha A24, responsável por Corra! (2017) e Euphoria (2019) (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><strong>Vitor Evangelista</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Minha bisavó morreu há pouco tempo. Nunca antes tinha sentido perda tão próxima, nem acolhido o vazio como um velho amigo tão rápido. Não sou chegado em críticas em primeira pessoa, mas ocasiões excepcionais demandam escolhas extraordinárias. Passei muito tempo ‘guardando’ </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story (2017)</span></i><span style="font-weight: 400;"> para o futuro, mesmo sem saber o porquê. Agora, entendi. O conto de tempo e fantasmas chegou à </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix </span></i><span style="font-weight: 400;">e decidi assistir. Encontrei um estudo sobre a </span><a href="https://www.theguardian.com/film/2017/aug/09/a-ghost-story-interview-david-lowery-casey-affleck-rooney-mara-pie"><span style="font-weight: 400;">solidão</span></a><span style="font-weight: 400;"> e os vazios que preenchemos no mundo, uma história íntima que me ligou pro fato de que ainda não sabemos processar todas essas emoções sem remetente físico. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i><span style="font-weight: 400;">, que ganhou o título nacional de </span><i><span style="font-weight: 400;">Sombras da Vida</span></i><span style="font-weight: 400;">, conhecemos a rotina de um casal, C (Casey Affleck) e M (Rooney Mara). Longas tomadas deles vivendo numa casinha de campo, ele tocando o piano que veio na mudança e o silêncio do lar. Inesperadamente, C morre e deixa M sozinha. O filme é simples quando fala sobre o tempo e a fragilidade de tudo que nos cerca. </span><a href="https://www.theverge.com/2017/7/14/15969746/a-ghost-story-director-david-lowery-interview-casey-affleck-rooney-mara"><span style="font-weight: 400;">C vira um fantasma</span></a><span style="font-weight: 400;">. Ele vaga pela casa, com um lençol branco cobrindo seu corpo, nunca diz nada. Ele acompanha o luto da esposa, assiste atônito enquanto ela segue em frente.</span></p>
<p><span id="more-14223"></span></p>
<figure id="attachment_14225" aria-describedby="caption-attachment-14225" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-14225" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/2.jpg" alt="" width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/2.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/2-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/2-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/2-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/2-1200x675.jpg 1200w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14225" class="wp-caption-text">Mesmo sem derramar uma única lágrima, Rooney Mara convence como uma mulher desolada, seus silêncios são poderosos em cena (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Nós, como público, sentamos no banco do passageiro do fantasma C e acompanhamos os dias irem embora, enquanto ele se mantém encarcerado no ambiente que encontrava amor. David Lowery escreve e dirige sem pressa. Mesmo com uma hora e meia de duração, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i><span style="font-weight: 400;"> pode parecer mais longo. Sequências enormes são filmadas sem trilha sonora, com a câmera parada e pouca movimentação dos personagens. É quase um filme ensaio. Enquanto assistimos M comer uma </span><a href="https://www.imdb.com/title/tt6265828/trivia?ref_=tt_trv_trv"><span style="font-weight: 400;">torta inteira</span></a><span style="font-weight: 400;"> sem cortes, pensamos em nossas próprias experiências, nossos temores e fantasmas.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A canção</span> <a href="https://www.youtube.com/watch?v=GoPodac-grk"><i><span style="font-weight: 400;">I Get Overwhelmed</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que aparece ora ou outra no longa, martela as emoções quando é inserida em contextos distintos. O diretor sabe silenciar tanto seu ambiente quanto seu protagonista, sabe que não há muito a ser dito. </span><i><span style="font-weight: 400;">Is your lover there? Is she wakin up? Did she die in the night? And leave you alone?</span></i><span style="font-weight: 400;">. O longa é incisivo quando debate tempo e legado, são sequências intuitivas, terapêuticas. Até mesmo a escolha de filmar </span><a href="https://filmmakermagazine.com/103086-dp-andrew-droz-palermo-on-a-ghost-story-shooting-1-33-and-that-pie-shot/#.XwYhTG1KjIU"><span style="font-weight: 400;">usando uma escala menor</span></a><span style="font-weight: 400;">, quadrada e com as bordas arredondadas entrega ao filme uma sensação amadora, como uma filmagem caseira e sem a pompa técnica, a simplicidade é chave.</span></p>
<figure id="attachment_14226" aria-describedby="caption-attachment-14226" style="width: 1200px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-14226" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/3.jpg" alt="" width="1200" height="675" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/3.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/3-300x169.jpg 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/3-768x432.jpg 768w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14226" class="wp-caption-text">O diretor David Lowery queria usar músicas da cantora Kesha numa cena de festa, quando contatada a cantora não só topou como também apareceu no filme, como figurante (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O luto sempre foi uma incógnita na arte. A psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross c</span><span style="font-weight: 400;">onseguiu identificar a reação psíquica de cada paciente em estado terminal e elaborou as </span><a href="https://www.psicologiamsn.com/2014/09/as-5-fases-do-luto-ou-sobre-a-morte-de-elisabeth-kubler-ross.html"><span style="font-weight: 400;">cinco fases</span></a><span style="font-weight: 400;"> do luto. Por mais que acatemos negação, raiva, barganha, depressão e aceitação como verdades relativamente absolutas, a complexidade não acaba aí. Toda emoção é volátil, vai e vem. O seriado </span><a href="https://www.rottentomatoes.com/tv/six-feet-under/s01"><i><span style="font-weight: 400;">Six Feet Under</span></i></a><i><span style="font-weight: 400;"> (2001-05)</span></i><span style="font-weight: 400;">, grande sucesso da </span><i><span style="font-weight: 400;">HBO</span></i><span style="font-weight: 400;">, começa com a morte do patriarca da família dona de uma casa funerária. O desenrolar da história entoa nas notas da superação, mas não existe fórmula secreta ou remédio em gotas prescrito na farmácia. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2004, Sofia Coppola ganhou o Oscar de Roteiro Original com seu fabuloso e melancólico </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=Skit7AZtuw4"><i><span style="font-weight: 400;">Encontros e Desencontros</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, também disponível na </span><i><span style="font-weight: 400;">Netflix</span></i><span style="font-weight: 400;">. Lá, Scarlett Johansson e Bill Murray vivem dois amargurados com perdas, que encontram na companhia silenciosa um do outro o conforto momentâneo que procuravam. Assim, como em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i><span style="font-weight: 400;">, o foco é o instropecto, tornando a quietude co-protagonista da história. São filmes calmos, que enganam à primeira camada, oferecendo muito a ser dito mesmo que as cenas contem com uma porção generosa de vácuos, os vazios sendo sentidos e não falados.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">The Leftovers &#8211; Os Deixados para Trás</span></i><span style="font-weight: 400;">, livro publicado em 2011 por Tom Perrotta, busca no luto o pontapé de sua trama. Sem mais nem menos, 2% da população some do Planeta Terra, num evento que muitos acreditam ser o Arrebatamento. Ao invés de solucionar o mistério do milênio, o autor foca naqueles que ficaram por aqui. Em uma escrita densa, despretensiosa e muito envolvente, a obra é uma janela para a psique humana. Retratos sinceros são pintados, com abordagens distintas para processar essa perda gigantesca. O banal se transforma no extraordinário, pequenos detalhes protagonizam dor imensa, mas o autor se prostra inerente ao tema que defende: </span><a href="https://www.gq.com/story/the-leftovers-tom-perrotta-interview"><span style="font-weight: 400;">toda reação é válida</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<figure id="attachment_14227" aria-describedby="caption-attachment-14227" style="width: 1213px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-14227" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/4.png" alt="" width="1213" height="762" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/4.png 1213w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/4-300x188.png 300w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/4-1024x643.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/4-768x482.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2020/07/4-1200x754.png 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-14227" class="wp-caption-text">A cena da torta foi gravada numa tomada só e usando chocolate vegano,  Rooney Mara definiu a experiência como terrível (Foto: Reprodução)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Falei tudo isso para chegar em um ponto central: ainda não sabemos o que fazer com todo esse amor engarrafado. O choro abafado no travesseiro que não encontra endereço físico ou caixa postal disponível, o nosso medo de encarar o imprevisível e o frágil. Escolhi escrever sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i><span style="font-weight: 400;"> por alguns motivos. Por ter assistido num momento tão ímpar da minha jornada aqui, por conseguir me enxergar nos noventa e dois minutos, inclusive embaixo do lençol branco. E por ser um filme tão poético e despretensioso, que brinca com a morte e o apego tão vorazmente que assusta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pôster sugestivo de uma aventura de horror engana, mas é uma mentira do bem. </span><i><span style="font-weight: 400;">A Ghost Story</span></i><span style="font-weight: 400;"> é uma fábula sobre o passar do tempo, sobre o pessimismo e sobre o nosso tamanho no Universo. </span><a href="https://www.dailymotion.com/video/x6bs2o5"><span style="font-weight: 400;">Nada importa, mas tudo importa</span></a><span style="font-weight: 400;">. E acaba sendo mais um longa que não soube lidar propriamente com o luto, pois não existe jeito disso ser feito. Assim como o amor, força motriz de nós humanos, a mágoa só é passada quando sentida. E, enquanto filmes assim forem feitos, nós sentiremos tudo. </span></p>
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