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	<title>Arquivos 85 anos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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	<title>Arquivos 85 anos &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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		<title>Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível</title>
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		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 13:00:39 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Em Rebecca, A Mulher Inesquecível, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Em seu aniversário de 85 anos, o tempo prova que Rebecca é mesmo uma mulher inesquecível"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36455" aria-describedby="caption-attachment-36455" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-medium wp-image-36455" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-800x450.png" alt="Cena de Rebecca, Uma Mulher Inesquecível. Esta é uma foto em preto e branco em close-up de duas mulheres. A mulher em primeiro plano, mais jovem, olha para a esquerda (fora da câmera) com uma expressão de apreensão ou incerteza. Ela tem cabelos cacheados e presos, e usa um vestido com ombros à mostra. Atrás dela, uma mulher mais velha, vestida com roupas escuras e gola alta de renda, olha intensamente na mesma direção, com uma expressão severa e quase ameaçadora. A iluminação destaca o rosto da mulher mais jovem, enquanto a outra permanece parcialmente nas sombras." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image2-22.png 1280w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36455" class="wp-caption-text">Rebecca, A Mulher Inesquecível foi o primeiro filme hollywoodiano de Alfred Hitchcock (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=I0ibGgldi5Y"><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, uma jovem – cujo o primeiro nome nunca é revelado – e o viúvo, Maxim de Winter (Laurence Olivier), se conhecem, apaixonam e, rapidamente, se casam. Após o noivado, esta garota começa a ser conhecida por Segunda Sra. de Winter (Joan Fontaine), e é assombrada pela memória muito viva da primeira Sra. de Winter: Rebecca. A figura da mulher morta não é novidade no Cinema de Alfred Hitchcock, a maioria sempre irá se lembrar de </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1958) como o filme mais marcante nesse sentido. Entretanto, já em 1940, sob outro contexto cinematográfico, sem o peso da própria história, o maior nome do suspense do Cinema já lidava com esse mesmo tropo.</span></p>
<p><span id="more-36453"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Se no texto de </span><a href="https://personaunesp.com.br/critica-laura/"><i><span style="font-weight: 400;">Laura</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1944) há a comparação entre a obra de Otto Preminger com o clássico de 1958, concebendo a ideia de que Hitchcock poderia ser de fato um maneirista – um cineasta que sente o peso da história do Cinema e busca ‘refilmar’ as grandes obras a sua </span><i><span style="font-weight: 400;">maniera</span></i><span style="font-weight: 400;"> –, este vai por um lado diferente. Observar sobre o ponto de vista do maneirismo, requer olhar de frente para trás – pensar como uma imagem tem outra, antecessora, por baixo –, porém, agora a linha de pensamento é de trás para frente, ou seja, como esse tema parece ser ‘aperfeiçoado’ na Sétima Arte.</span></p>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1940), </span><i><span style="font-weight: 400;">Laura </span></i><span style="font-weight: 400;">(1944) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">(1958) lidam com a figura da mulher morta, cada um de uma forma diferente. Rebecca é quase um fantasma que possui os corpos de Mrs. Danvers (Judith Anderson) e Jack Favell (George Sanders); a memória de Laura (Gene Tierney) atormenta todos os homens do filme e Madeleine (Kim Novak) é revelada como uma personagem, ou seja, nunca viveu de fato. Nesse sentido, é quase um ‘aperfeiçoamento’ desse tropo narrativo, até chegar ao auge em </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo</span></i><span style="font-weight: 400;">. A conclusão de que a obra protagonizada por Kim Novak é o ápice se dá pelos longas subsequentes, como </span><a href="http://www.contracampo.com.br/94/pgobsession.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Trágica Obsessão</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1976), </span><i><span style="font-weight: 400;">Vestida para Matar </span></i><span style="font-weight: 400;">(1985) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Instinto Selvagem </span></i><span style="font-weight: 400;">(1992), três obras que bebem claramente de </span><i><span style="font-weight: 400;">Um Corpo que Caí</span></i><span style="font-weight: 400;"> (em tradução livre), escavando e deformando essas imagens.</span></p>
<figure id="attachment_36454" aria-describedby="caption-attachment-36454" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36454" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-800x608.png" alt="Cena de Rebecca, A Mulher Inesquecível. Esta é uma foto em preto e branco em close-up de um casal. Um homem, usando chapéu e um sobretudo pesado, abraça uma mulher por trás. Ambos olham para a direita (fora da câmera) com expressões sérias e preocupadas. O olhar do homem é intenso e sombrio, enquanto o da mulher parece assustado ou ansioso. Ao fundo, desfocados, é possível ver os rostos de outras pessoas, sugerindo que eles estão no meio de uma multidão." width="800" height="608" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-800x608.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23-768x584.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image1-23.png 1024w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36454" class="wp-caption-text">Rebecca baseia-se em um best-seller da escritora inglesa Daphne Du Maurier (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Entretanto, é muito simplório encontrar valor em </span><a href="https://www.focorevistadecinema.com.br/FOCO1/benard-rebecca.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">apenas a partir de seu peso histórico. Como na maior parte da filmografia de Hitchcock, a encenação e a condução da trama são o que a tornam tão genial. O engano e a distração são ferramentas muito utilizadas pelo cineasta, geralmente de forma magistral. A cena inicial, em que o casal principal se conhece, suscita no público a ideia de que Max amava sua falecida esposa Rebecca, e, ao longo do enredo, a tese é reforçada a partir do ponto de vista de vários outros personagens. Nesse sentido, o Mestre do Suspense resguarda o ‘</span><i><span style="font-weight: 400;">POV</span></i><span style="font-weight: 400;">’ do viúvo, para que na meia hora final solte um </span><i><span style="font-weight: 400;">plot twist </span></i><span style="font-weight: 400;">que irá ressignificar toda a narrativa e tensionar as cenas subsequentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A não aparição – nem sequer em um </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nMi7aHh2ytg"><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">– de Rebecca a transforma em uma figura indecifrável, cada menção ao seu nome causa uma sensação diferente: temor, respeito, admiração e leveza. O diretor permite que o público vá criando mentalmente sua própria versão dela, porém, esse fluxo narrativo é parte da sua ideia, pois, irá dar maior peso para a grande revelação – uma de suas marcas registradas –, e, a partir dela, já não será mais possível enxergá-la sob outras perspectivas diferentes da do Sr. de Winter.</span></p>
<figure id="attachment_36456" aria-describedby="caption-attachment-36456" style="width: 600px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-full wp-image-36456" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/11/image3-17.png" alt="Cena de Rebecca, A Mulher Inesquecível. Nesta imagem em preto e branco, duas mulheres estão de costas e de lado, em um grande salão ou galeria. Elas olham para cima, admirando um retrato a óleo muito grande, de corpo inteiro, de uma mulher em um vestido de gala e chapéu, emoldurado de forma ornamentada. A mulher à esquerda na imagem usa um traje escuro e formal, com o cabelo preso. A mulher à direita usa roupas mais claras, com o cabelo solto até os ombros. A cena é capturada de um ângulo médio, destacando a imponência do retrato em relação às duas espectadoras." width="600" height="437" /><figcaption id="caption-attachment-36456" class="wp-caption-text">O final do livro e do filme são diferentes por causa do Código Hayes (Foto: Selznick International Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">É muito significativo como a personagem principal não tem seu nome revelado, enquanto </span><a href="https://www.planocritico.com/critica-rebecca-a-mulher-inesquecivel/"><span style="font-weight: 400;">Rebecca</span></a><span style="font-weight: 400;">, não apenas dá nome ao filme, como também é sempre mencionada. Ela vira a figura central, mesmo sem aparecer um minuto sequer. Dessa forma, Hitchcock transforma a própria protagonista em uma intrusa, e o fantasma de sua antecessora se torna mais vivo do que ela.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O jogo de luz e sombras, os planos de </span><a href="https://letterboxd.com/cinematography/george-barnes-1/"><span style="font-weight: 400;">George Barnes</span></a><span style="font-weight: 400;">, a construção cênica (Lyle Wheeler) e toda a </span><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène </span></i><span style="font-weight: 400;">são pensados para dar vida a uma pessoa morta, ou, de maneira mais macabra, dar um aspecto fúnebre àquilo que está vivo. A residência Manderley se torna quase um personagem, mudando o tom da obra quando aparece. A mansão é quase que um castelo assombrado, sempre imponente, escuro e com capacidade de isolar seus personagens, mesmo estando sempre lotado. Nessa mesma pegada, Rebecca converte-se em um fantasma que vaga pelo castelo, possuindo o corpo de Mrs. Danvers, principalmente pela forma como Hitchcock e Barnes captam a empregada: pouco iluminada, de forma que não dê para ver o seu rosto, apenas o contorno do seu corpo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ainda que a tríade </span><a href="https://www.focorevistadecinema.com.br/FOCO6-7/brisseaupsychohitch.htm"><i><span style="font-weight: 400;">Psicose</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(1960), </span><i><span style="font-weight: 400;">Janela Indiscreta </span></i><span style="font-weight: 400;">(1954) e </span><i><span style="font-weight: 400;">Vertigo </span></i><span style="font-weight: 400;">sejam as mais celebradas do diretor, </span><i><span style="font-weight: 400;">Rebecca, A Mulher Inesquecível</span></i><span style="font-weight: 400;"> vem logo atrás junto com tantas de suas obras. Como já dito anteriormente, talvez seja possível inferir que o longa foi uma espécie de busca, do Cinema, pela narrativa perfeita sobre a figura da mulher morta. Entretanto, com o passar dos anos, é perceptível que, na realidade, Rebecca também é e sempre foi, perfeita.</span></p>
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		<title>Há 85 anos, John Ford antecipava Portinari com As Vinhas da Ira e criava uma versão norte-americana de Os Retirantes</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Apr 2025 13:36:46 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Guilherme Moraes Após a Depressão de 1929, os Estados Unidos entraram em uma crise profunda que afetou diversas áreas, dentre elas, a agrária. Nesse contexto entra As Vinhas da Ira (1939), livro de John Steinbeck que foi adaptado aos cinemas por John Ford em 1940. Ainda que seja um pouco ofuscado pela outras obras-primas do &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/critica-as-vinhas-da-ira/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 85 anos, John Ford antecipava Portinari com As Vinhas da Ira e criava uma versão norte-americana de Os Retirantes"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35198" aria-describedby="caption-attachment-35198" style="width: 768px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35198" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image3-4.png" alt="Na imagem está Tom Joad do lado esquerdo. Ele usa uma boina, uma camisa de botão por baixo e um sobretudo preto e sujo por cima. Ele está olhando para a esquerda, para algo fora do plano. Ao seu lado está Ma Joad, ela olha para Tom com uma expressão preocupada. Ela usa uma blusa velha." width="768" height="616" /><figcaption id="caption-attachment-35198" class="wp-caption-text">As Vinhas da Ira é uma adaptação do livro de John Steinbeck (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><b>Guilherme Moraes</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Após a Depressão de 1929, os Estados Unidos entraram em uma crise profunda que afetou diversas áreas, dentre elas, a agrária. Nesse contexto entra </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vinhas da Ira</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1939), livro de John Steinbeck que foi adaptado aos cinemas por </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DIrnPrApzM7/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA=="><span style="font-weight: 400;">John Ford</span></a><span style="font-weight: 400;"> em 1940. Ainda que seja um pouco ofuscado pela outras obras-primas do diretor, </span><i><span style="font-weight: 400;">The Grapes of Wrath</span></i><span style="font-weight: 400;">, no original, se consolidou na história do Cinema como uma grande análise sociopolítica, feita a partir da destruição de uma família em meio a instabilidade econômica que, de certa forma, dialoga com o quadro </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Retirantes</span></i><span style="font-weight: 400;"> (1944) de Candido Portinari.</span></p>
<p><span id="more-35195"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na trama, Tom Joad (Henry Fonda) retorna para casa depois de anos cumprindo sua pena. No entanto, o que ele encontra é um lar abandonado, com madeiras desgastadas e ambiente escuro. Dentro do local, o personagem Muley Graves (John Qualen) explica ao protagonista e a Casy (John Carradine) – ex-pregador que irá acompanhar Tom em sua jornada – que a sua família, assim como todas as outras da região, foram expulsas de suas terras. Ao encontrar seus parentes, os dois, junto com os </span><a href="https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/acervo/saiba-mais-livro-vinhas-ira-john-steinbeck-689443.phtml"><span style="font-weight: 400;">Joad’s</span></a><span style="font-weight: 400;">, saem em direção a Califórnia, em busca de oportunidades.</span></p>
<figure id="attachment_35199" aria-describedby="caption-attachment-35199" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35199" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-1-800x549.png" alt="Na imagem está Tom Joad, à esquerda, e Casy, à direita. Tom está olhando para a direita, para algo fora do plano. Casy está olhando para Tom. Uma luz que vem de baixo, ilumina o rosto dos dois." width="800" height="549" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-1-800x549.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-1-1024x703.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-1-768x527.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image4-1.png 1049w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35199" class="wp-caption-text">“Então porque está fazendo isso? Contra sua própria gente” (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">A inteligência político-social de John Ford, na década de 1940, está acima da maioria dos cineastas ‘politizados’ de hoje. Com uma cena simples ele expõe a contradição do sistema vigente. No </span><i><span style="font-weight: 400;">flashback</span></i><span style="font-weight: 400;"> em que a família está sendo despejada, eles ameaçam o informante; este, por sua vez, diz que quem está expulsando-os são as companhias donas das propriedades, que também estão recebendo ordens dos </span><a href="https://www.paulogala.com.br/da-terra-a-industria-a-concentracao-fundiaria-e-o-fim-da-agricultura-familiar-nos-eua-em-as-vinhas-da-ira/#:~:text=As%20Vinhas%20da%20Ira%2C%20de,d%C3%ADvida%20e%20%C3%A0%20mecaniza%C3%A7%C3%A3o%20agr%C3%ADcola"><span style="font-weight: 400;">bancos</span></a><span style="font-weight: 400;">. “</span><i><span style="font-weight: 400;">Devem ter um presidente. Alguém que sabe o que é uma espingarda</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Os moradores buscam a culpabilização de um indivíduo, porém, o problema está em toda a sistematização do país, Ford não cai na tentação de achar um vilão contra quem lutar, ao invés disso, aceita o futuro trágico e realista.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Na sequência, Muley relembra o momento em que sua moradia é destruída por um trator, dirigido por um conhecido, alguém da mesma classe do fazendeiro. Quando questionado o porquê de estar trabalhando contra o seu povo, a realidade recai sobre os personagens: ele é só mais um tentando salvar a sua família. O diretor sabe o que faz com a câmera para não dar a ideia errada. O jogo de luz e sombras e os contrastes são pouco dramáticos nesse momento, o </span><a href="https://cinemacao.com/2020/03/25/be-a-ba-cinematografico-o-que-e-plongee-e-contra-plongee/"><span style="font-weight: 400;">contra-</span><i><span style="font-weight: 400;">plongée</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">não empodera aquele que está em cima da máquina, a ideia não é criar vilões. Neste sentido, a técnica é utilizada para contrastar o Muley antes e depois dos acontecimentos. A perda de seu teto, também lhe tirou a vitalidade, vagando como um fantasma pelos sobrados abandonados, do qual se acostumou a ver a vida inteira.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O pessimismo toma conta do filme, da sua temática, a maneira como a história se desenvolve, até como a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sxUbMrz-wBw"><i><span style="font-weight: 400;">mise-en-scène</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">é pensada. A Fotografia, bem contrastada, evidencia os rostos tristes e desesperançosos, os infortúnios não são apenas inevitáveis, como também esperados pelos personagens. Chama a atenção o momento em que o avô da família morre e precisa ser enterrado no meio do nada, pois não tem dinheiro nem para dar dignidade aos seus mortos. Fica ainda mais melancólico quando a câmera dá um </span><i><span style="font-weight: 400;">close</span></i><span style="font-weight: 400;"> na carta que será deixada no túmulo e o escritor muda a palavra “</span><i><span style="font-weight: 400;">funeral</span></i><span style="font-weight: 400;">” por “</span><i><span style="font-weight: 400;">funerais</span></i><span style="font-weight: 400;">”, pois ele crê que haverá ainda mais mortes.</span></p>
<figure id="attachment_35196" aria-describedby="caption-attachment-35196" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35196" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-800x788.jpg" alt="Na foto está o quadro Os Retirantes de Cândido Portinari. O quadro mostra uma família com corpos desnutridos, rostos sem expressão e roupas surradas. O quadro passa a sensação de fome e seca." width="800" height="788" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-800x788.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-1024x1009.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-768x757.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-1536x1514.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5-1200x1183.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image1-5.jpg 1599w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35196" class="wp-caption-text">“O alvo da minha pintura é o sentimento. Para mim, a técnica é meramente um meio. Porém um meio indispensável” (Foto: Guilherme Moraes)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 1944, Candido Portinari pintou </span><a href="https://www.todamateria.com.br/retirantes-candido-portinari/#google_vignette"><i><span style="font-weight: 400;">Os Retirantes</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, um dos maiores quadros da pintura brasileira. A imagem representa uma família de emigrantes nordestinos que estão se mudando em busca de melhores condições de vida, fugindo da fome e da miséria. O pintor retratou memórias que tinha dos retirantes na sua infância, no contexto de grande seca na região nordeste, que levou milhares de pessoas a se deslocarem.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A Arte de </span><a href="https://www.culturagenial.com/quadro-retirantes-de-candido-portinari/#:~:text=Portinari%20fala%20como%20os%20retirantes,migrantes%20passando%20pela%20sua%20cidade"><span style="font-weight: 400;">Portinari</span></a><span style="font-weight: 400;"> conversa muito bem com a de John Ford. Apesar de não se saberem se uma influencia a outra, é possível encontrar paralelos, ainda que, em diferentes circunstâncias. </span><i><span style="font-weight: 400;">As Vinhas da Ira</span></i><span style="font-weight: 400;"> estampa a desgraça dos Joad’s de maneira muito dramática, porém, pouco apelativa. O diretor evidencia os problemas e a crise, entretanto, não força algum sentimento no espectador. Deixa que ele consiga olhar para algo maior do que a destruição e entender o panorama geral do país. O pintor já faz de forma diferente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Os Retirantes </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma obra potente, tão dramática quanto o filme, todavia, é muito mais expressivo e impactante. Ambas expõem a destruição humana, contudo, o fazem em diferentes cenários e com intenções e maneiras distintas, afinal, são linguagens diferentes.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A desenvoltura de John Ford para aplicar as técnicas cinematográficas na </span><a href="https://arthurtuoto.com/2025/03/01/o-que-foi-a-era-de-ouro-de-hollywood/"><span style="font-weight: 400;">Era de Ouro de Hollywood</span></a><span style="font-weight: 400;">, dentro de um modelo de produção que tendia a suprimir a autoria, foi muito marcante em sua filmografia. Aliás, é admirável assistir um filme tão questionador conseguir espaço em meio ao </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=TLbNGmodP50"><span style="font-weight: 400;">Código Hays</span></a><span style="font-weight: 400;">. Todavia, se engana quem pensa que seu legado se baseava em encontrar sua própria voz naquele contexto. Ainda hoje impressiona como ele discute a sociedade norte-americana de forma crítica, algo que inspirou e inspira cineastas como Clint Eastwood.</span></p>
<figure id="attachment_35197" aria-describedby="caption-attachment-35197" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35197" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/04/image2-4.png" alt="Na imagem está Tom. Ele está sozinho, no centro da imagem e olha para a direita, para algo fora do plano. Ele está se apoiando em um pedaço de madeira." width="640" height="492" /><figcaption id="caption-attachment-35197" class="wp-caption-text">O filme faz parte da Era de Ouro de Hollywood (Foto: 20th Century Studios)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Grapes of Wrath</span></i><span style="font-weight: 400;"> não esconde suas opiniões políticas, não tem medo de incomodar, inclusive, faz com muita clareza. A abordagem que tem em relação a </span><a href="https://www.migalhas.com.br/depeso/366132/policia-e-democracia-os-donos-do-poder-e-a-manutencao-do-status-quo"><span style="font-weight: 400;">polícia</span></a><span style="font-weight: 400;"> é uma boa demonstração: o policial acompanha o empresário, com a função de fazer a manutenção do </span><i><span style="font-weight: 400;">status quo</span></i><span style="font-weight: 400;">. Enquanto, o homem de negócios se aproveita da fome e desemprego em massa para gerar empregos exploratórios, o homem da lei garante a segurança e integridade física do primeiro, contendo qualquer revolta.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ademais, o longa consegue discutir conceitos apenas pela imagem, sem cair na armadilha de colocar monólogos ou conversas explicativas. Chegando à reta final, os Joad’s conseguem uma casa e um emprego que paga bem. No entanto, conforme o tempo passa, eles vão vendo a </span><a href="https://www.paulogala.com.br/conceitos-de-exercito-industrial-de-reserva-e-mais-valia-em-marx/"><span style="font-weight: 400;">remuneração diminuir</span></a><span style="font-weight: 400;">, por causa do número de pessoas que estão implorando por um trabalho. Ou seja, o salário desvaloriza e a pressão aumenta, de acordo com o aumento da procura.</span></p>
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=6aywSrXKrQo"><i><span style="font-weight: 400;">As Vinhas da Ira</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">entrou para a história do Cinema como um grande retrato da falência sistêmica. John Ford é um cineasta extraordinário, capaz de entender e representar os Estados Unidos e suas crises de maneira crítica, sem ser apelativo ou taxativo. Seus filmes não estão interessados em educar, mas sim em gerar debates sobre as profundas contradições do país em que vive. Todavia, não se pode pensar que fica apenas no discurso, Ford entende de cinema, sabe trabalhar ideias por imagens, e ninguém filma como ele.</span></p>
<p>O post <a href="http://personaunesp.com.br/critica-as-vinhas-da-ira/">Há 85 anos, John Ford antecipava Portinari com As Vinhas da Ira e criava uma versão norte-americana de Os Retirantes</a> apareceu primeiro em <a href="http://personaunesp.com.br">Persona | Jornalismo Cultural</a>.</p>
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