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	<title>Arquivos 30PRAUM &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>XTRANHO, de Matuê, cumpre seu papel intencional e gera desconforto</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Feb 2026 13:00:33 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Diaz No começo de sua carreira, Matuê era a &#8216;cura&#8216;, representada pelo seu primeiro álbum de estúdio, Máquina do Tempo (2020). Agora, segundo suas próprias palavras, ele se torna a &#8216;peste&#8217;. É possível ler XTRANHO como uma infestação estética: um disco que deseja incomodar, provocar rejeição e instaurar ruído em um cenário cada vez &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/xtranho-de-matue-cumpre-seu-papel-intencional-e-gera-desconforto/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "XTRANHO, de Matuê, cumpre seu papel intencional e gera desconforto"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_36942" aria-describedby="caption-attachment-36942" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="wp-image-36942 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/ab67616d0000b2738d04125ccc35c6a708e932e8.jpeg" alt="Capa do álbum XTRANHO, do cantor Matuê. A imagem apresenta um rosto masculino em alto contraste, quase como um negativo fotográfico: olhos e sorriso emergem do preto absoluto, formando uma expressão ambígua entre ironia e ameaça. A estética crua e minimalista transforma o rosto em símbolo, mais ideia do que identidade." width="640" height="640" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/ab67616d0000b2738d04125ccc35c6a708e932e8.jpeg 640w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/02/ab67616d0000b2738d04125ccc35c6a708e932e8-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36942" class="wp-caption-text">XTRANHO revela os limites da ruptura prometida por um dos maiores nomes do trap nacional (Foto: 30PRAUM)</figcaption></figure>
<p><strong>Gabriel Diaz</strong></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No começo de sua carreira, Matuê era a &#8216;</span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0bV0LtjtZH76gD0ujPYS3n?si=1ebad4b5ea524bd6"><span style="font-weight: 400;">cura</span></a><span style="font-weight: 400;">&#8216;, representada pelo seu primeiro álbum de estúdio, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6ehm0SMBBoSxH8oSrFXre6?si=AkD1-VQPSmevWR8IJXgDpQ"><i><span style="font-weight: 400;">Máquina do Tempo</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2020). Agora, segundo suas próprias palavras, ele se torna a &#8216;peste&#8217;. É possível ler </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5ORsvI5ThmZw7PS1NTvZaB?si=1ffcc29d4f194dff"><i><span style="font-weight: 400;">XTRANHO</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> como uma infestação estética: um disco que deseja incomodar, provocar rejeição e instaurar ruído em um cenário cada vez mais previsível do </span><i><span style="font-weight: 400;">trap</span></i> <i><span style="font-weight: 400;">mainstream</span></i><span style="font-weight: 400;">. O lançamento foi tratado como um evento, tendo uma audição pública no </span><a href="https://portalpopline.com.br/matue-ocupa-o-anhangabau-e-revela-novo-album-xtranho-em-acao-gratuita-para-milhares-de-fas/"><span style="font-weight: 400;">Vale do Anhangabaú</span></a><span style="font-weight: 400;">, englobada à uma identidade visual agressiva com múltiplas capas e um </span><i><span style="font-weight: 400;">website </span></i><span style="font-weight: 400;">interativo (indisponível para acesso). Desde o primeiro contato, fica claro que o projeto não se limita ao som, mas extrapola além do campo musical. Ainda assim, sua principal fragilidade está na distância entre a ideia de ruptura anunciada e aquilo que efetivamente se materializa durante as faixas.</span></p>
<p><span id="more-36762"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ao revisitar o passado, a produção ocupa uma posição curiosa na discografia do artista. Enquanto </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5CP84pfi4AFe95UTACFWrk?si=xtFvv3NNQxm1YpWCJxChNQ"><i><span style="font-weight: 400;">333</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">retratava um amadurecimento artístico, com reflexões mais densas sobre fama, identidade e sucesso, </span><i><span style="font-weight: 400;">XTRANHO </span></i><span style="font-weight: 400;">parece dar o retorno na estrada – nele, opera-se um movimento regressivo, mais elementar e impulsivo, abandonando qualquer ambição racional. A sonoridade é como título promete: uma </span><a href="https://hiphopafins.substack.com/p/com-xtranho-matue-promete-revolucao"><span style="font-weight: 400;">estranheza</span></a><span style="font-weight: 400;"> que abandona boa parte da singularidade construída anteriormente e se ancora em referências já consolidadas do </span><i><span style="font-weight: 400;">trap </span></i><span style="font-weight: 400;">experimental internacional, especialmente Travis Scott, </span><a href="https://atl.clicrbs.com.br/musica/noticia/2025/04/playboi-carti-o-vampiro-do-trap-que-virou-icone-cultural-cm9lvligh01fj0150udf89xrh.html"><span style="font-weight: 400;">Playboi Carti</span></a><span style="font-weight: 400;"> e o universo do selo </span><a href="https://glamour.globo.com/moda/noticia/2023/08/opium-a-tendencia-de-moda-que-bate-de-frente-com-o-quiet-luxury.ghtml"><i><span style="font-weight: 400;">Opium</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Não há problema em dialogar com essas matrizes, até porque o </span><i><span style="font-weight: 400;">trap </span></i><span style="font-weight: 400;">sempre foi um gênero de circulação global, porém aqui a apropriação soa tardia e pouco transformadora. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O ‘estranho’ é cansativo. O sentimento prometido aparece domesticado, filtrado por fórmulas que já se tornaram comerciais, principalmente quando se trata de um artista geracional dentro do gênero. Apesar de ser caracterizado como </span><a href="https://murbbrasil.com/top10-trappers-underground-brasil/"><i><span style="font-weight: 400;">‘underground’</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o disco esvazia qualquer pretensão de ruptura, pois não ousa realmente. O álbum mostra competência, explicada pelas produções limpas, os graves bem posicionados e as texturas densas e agressivas.</span></p>
<figure id="attachment_36763" aria-describedby="caption-attachment-36763" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36763" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-4-800x450.png" alt="A imagem mostra um homem negro de cabelos longos em dreadlocks, iluminado por luz dura em um ambiente escuro de bastidores. O olhar se projeta para fora do quadro, distante e atento, como se carregasse o peso do silêncio entre o palco e a solidão." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-4-800x450.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-4-1024x576.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-4-768x432.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-4-1536x864.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-4-1200x675.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image1-4.png 1920w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36763" class="wp-caption-text">Segundo o próprio artista, o novo álbum aposta no choque estético e na provocação como discurso central (Foto: 30PRAUM)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Contudo, técnica sem propósito não sustenta uma obra. A sensação constante é de que a forma tenta compensar a ausência de conteúdo numa aposta em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=QlBkAfi2Muw"><i><span style="font-weight: 400;">beats </span></i><span style="font-weight: 400;">distorcidos</span></a><span style="font-weight: 400;"> e atmosferas sufocantes como se isso, por si só, fosse sinônimo de experimentação – e, claro, não é. A sonoridade soa atual, mas também genérica, incapaz de criar momentos e refrões verdadeiramente memoráveis: acredito que repetir ‘fogo’ por milhares de vezes não soa insano, tal como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/42VsgItocQwOQC3XWZ8JNA?si=d1d9f99b4c8044b2"><i><span style="font-weight: 400;">FEIN</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023), outra produção que, infelizmente, envelheceu mal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa fragilidade se torna ainda mais evidente no campo lírico, onde o álbum atinge seu ponto mais baixo. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/1LT3tGHfUbjrdDT5BPa1Iq?si=80568e448ceb48e3"><i><span style="font-weight: 400;">FACAS E MACHADOS</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é o símbolo mais claro do colapso discursivo desse projeto. A música constrói uma ambiência agressiva e promissora, no entanto a letra dissolve qualquer impacto ao mergulhar em um amontoado de frases desconexas, infantilizadas e sem densidade simbólica. Não se trata de fluxo de consciência sofisticado ou de nonsense intencional: é puramente vazio. São versos que conversam com o nada e não criam estranhamento poético, apenas revelam falta de elaboração. O mesmo ocorre em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4sX07T4478VYdBm0R71POZ?si=347d1a29f15a42b1"><i><span style="font-weight: 400;">ALTERADO</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que em sua ostentação deixa de funcionar como comentário social ou autorreflexão e passa a operar como fetiche. É um discurso que parece mirar um público </span><a href="https://oglobo.globo.com/cultura/noticia/2024/09/14/autor-da-musica-crack-com-mussilon-matue-fala-de-cantar-sobre-droga-e-sexo-para-publico-adolescente.ghtml"><span style="font-weight: 400;">adolescente</span></a><span style="font-weight: 400;">, reforçando a ideia de que a provocação é mais performática do que conceitual – o que, nitidamente, está acontecendo, visto a repercussão do artista diante das </span><a href="https://rollingstone.com.br/musica/matue-reage-jornalista-globo-critica-novo-album-xtranho/"><span style="font-weight: 400;">críticas</span></a><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Há um cuidado evidente na criação de texturas e ambiências, sobretudo em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5Y2QDfKgRS6lPkyVITN4P0?si=e3f38318531e43cd"><i><span style="font-weight: 400;">MEU CEMITÉRIO</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que executam sucessivamente o flerte entre o desconforto e a linguagem artística. Ainda assim, essa sofisticação instrumental nem sempre encontra correspondência na escrita. Em setembro deste ano, um </span><a href="https://www.instagram.com/reel/DObrofOiJVj/"><span style="font-weight: 400;">vídeo</span></a><span style="font-weight: 400;"> de uma garota viralizou na internet que correspondia a uma agressão ocorrida em um show do Don Toliver, durante um </span><i><span style="font-weight: 400;">moshpit </span></i><span style="font-weight: 400;">no</span> <span style="font-weight: 400;">festival The Town. Num tom satírico, Matuê inclui esse áudio em sua faixa inicial, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/6zI2BCllRpA8H8KR5v8u3v?si=fe9e7aa02e7a4c34"><i><span style="font-weight: 400;">REI TUÊ</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, o que completa a síntese dos limites éticos e estéticos do disco. O gesto se apresenta como transgressão, mas carece de elaboração crítica, pois é o tipo de recurso que gera engajamento imediato e polarização nas redes, porém dificilmente sustenta uma leitura mais profunda. Então, reforça a impressão de que </span><i><span style="font-weight: 400;">XTRANHO </span></i><span style="font-weight: 400;">confunde provocação com barulho e radicalidade com mau gosto.</span></p>
<figure id="attachment_36764" aria-describedby="caption-attachment-36764" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-36764" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-4-800x480.png" alt="A imagem é um corte de um videoclipe do cantor Matuê e mostra uma figura masculina agachada em um cemitério à noite, cercada por árvores e lápides, envolta por fumaça azulada. A cena evoca luto, introspecção e ritual, transformando o espaço da morte em território de contemplação e memória." width="800" height="480" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-4-800x480.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-4-768x461.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/01/image2-4.png 1000w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-36764" class="wp-caption-text">Visualizer da faixa MEU CEMITÉRIO, com estética sombria e agressiva, características típicas da produção (Foto: 30PRAUM)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Por outro lado, seria reducionista tratar </span><i><span style="font-weight: 400;">XTRANHO </span></i><span style="font-weight: 400;">como um fracasso artístico completo. Parte da defesa do álbum se apoia na ideia de valorização da dimensão coletiva, especialmente por meio das colaborações com artistas menos conhecidos, como </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/3Fzo07bEdiOfM1f3FX6XCF?si=jUvKo3s0SDaUJgP8spQFyg"><span style="font-weight: 400;">Kouth</span></a><span style="font-weight: 400;">, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/6vE1WHyTRdcvJx1IOUGXS9?si=G6ka9DoMSD6QZwX_XCvZuA"><span style="font-weight: 400;">Cashley</span></a><span style="font-weight: 400;"> e outros nomes da cena </span><i><span style="font-weight: 400;">underground </span></i><span style="font-weight: 400;">– o que amplia a </span><a href="https://blogs.pucpr.br/escoladebelasartes/2025/11/24/o-corre-por-tras-do-trap-como-a-cena-underground-cria-lanca-e-vive-da-musica/"><span style="font-weight: 400;">visibilidade</span></a><span style="font-weight: 400;"> de vozes marginalizadas e reforça uma ideia de bando, recorrente no discurso do cantor principal. Ainda que essas parcerias possam ser lidas como um ‘selo de autenticidade’ aplicado a um projeto </span><i><span style="font-weight: 400;">major</span></i><span style="font-weight: 400;">, elas produzem momentos de frescor e indicam uma disposição real de diálogo com a base criativa do </span><i><span style="font-weight: 400;">trap </span></i><span style="font-weight: 400;">brasileiro.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A recepção polarizada do álbum também é parte fundamental de sua leitura e revela outro aspecto crucial: o papel da </span><a href="https://www.margemnewsletter.com/p/o-matue-e-a-relevancia-da-critica"><span style="font-weight: 400;">fanbase</span></a><span style="font-weight: 400;"> como escudo crítico. Nas redes, </span><i><span style="font-weight: 400;">XTRANHO </span></i><span style="font-weight: 400;">foi simultaneamente chamado de ‘visionário’ e ‘</span><a href="https://x.com/lopeszjao/status/1998916927868305897"><span style="font-weight: 400;">confuso</span></a><span style="font-weight: 400;">’. O título opera como justificativa automática para qualquer falha, pois se algo não funciona, a resposta é simples: ‘é estranho mesmo’, como se qualquer fragilidade pudesse ser relativizada. Incrivelmente, a situação está pior que os </span><a href="https://jornalismojunior.com.br/divas-pop/"><span style="font-weight: 400;">fãs de </span><i><span style="font-weight: 400;">diva pop</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, porque assim, a defesa apaixonada do álbum se confunde com a defesa de uma identidade coletiva, em oposição à crítica especializada e à mídia tradicional. O </span><i><span style="font-weight: 400;">long-play</span></i><span style="font-weight: 400;">, nesse sentido, produz menos como obra autônoma e mais como artefato de </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing </span></i><span style="font-weight: 400;">e lealdade.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No saldo final, </span><i><span style="font-weight: 400;">XTRANHO </span></i><span style="font-weight: 400;">não falha por tentar algo novo e promete uma ruptura que não entrega. O disco é inconsistente e conceitualmente imaturo, sustentado mais por estética, </span><i><span style="font-weight: 400;">hype </span></i><span style="font-weight: 400;">e espetáculo do que por canção significativa. Para dizer que houve bons frutos, é possível dele medir o </span><a href="https://x.com/trapcit0u/status/1992822430235082969"><span style="font-weight: 400;">alcance</span></a><span style="font-weight: 400;"> simbólico do Matuê, a força de sua base e os limites entre provocação e profundidade. Dessa forma, ele expõe contradições, testa lealdades e evidencia como, no </span><i><span style="font-weight: 400;">trap </span></i><span style="font-weight: 400;">contemporâneo, </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;">, </span><i><span style="font-weight: 400;">marketing </span></i><span style="font-weight: 400;">e identidade coletiva muitas vezes se sobrepõem à música em si. Talvez, no futuro, esse trabalho seja lembrado menos pelas faixas que o compõem e mais pelo debate que instaurou e isso, querendo ou não, também é um dado crítico a ser considerado.</span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: XTRANHO" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/5ORsvI5ThmZw7PS1NTvZaB?si=Qo_7Mq_zTXmmGykQFIPK_w&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
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