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	<title>Arquivos 2010 &#8211; Persona | Jornalismo Cultural</title>
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	<description>Desde 2015 provando que a distância entre Bergman, Lady Gaga e a novela das 9 nem existe.</description>
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		<title>Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now</title>
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		<pubDate>Mon, 30 Mar 2026 13:17:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Música]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Marcela Jardim Quando Speak Now chegou ao mundo, em 25 de outubro de 2010, Taylor Swift tinha apenas 20 anos, mas já parecia compreender com precisão o peso da própria voz. Em meio ao sucesso meteórico de Fearless (2008) e à transição entre o country e o pop, ela decidiu fazer um movimento arriscado: escrever &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/ha-15-anos-taylor-swift-falava-sobre-amor-maturidade-e-vinganca-em-speak-now/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Há 15 anos, Taylor Swift falava sobre amor, maturidade e vingança em Speak Now"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_37157" aria-describedby="caption-attachment-37157" style="width: 500px" class="wp-caption alignnone"><img fetchpriority="high" decoding="async" class="size-full wp-image-37157" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed.png" alt="Capa do álbum Speak Now de Taylor Swift é uma imagem impactante e elegante, centrada na figura da cantora em uma pose que sugere movimento e graça. Taylor Swift, com seu cabelo loiro encaracolado e lábios vermelhos, veste um chamativo vestido roxo sem alças, cujo tecido esvoaçante é o elemento visual mais dinâmico da cena. Ela está virada ligeiramente para a direita com o braço estendido, e sua expressão é confiante e cativante. O fundo da imagem é predominantemente branco e minimalista, servindo para acentuar o contraste vibrante do vestido roxo. A arte visual mistura elementos de fotografia e ilustração, com respingos de tinta roxa e caligrafia elegante adicionando um toque de fantasia e individualidade. Essa combinação de cores vibrantes com um cenário simples e uma iluminação suave cria uma atmosfera limpa, elegante e expressiva, reforçando o estilo romântico e criativo do álbum." width="500" height="500" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed.png 500w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 500px) 85vw, 500px" /><figcaption id="caption-attachment-37157" class="wp-caption-text">Speak Now é o terceiro álbum da cantora (Foto: Big Machine Records)</figcaption></figure>
<p><b>Marcela Jardim</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quando </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> chegou ao mundo, em 25 de outubro de 2010, Taylor Swift tinha apenas 20 anos, mas já parecia compreender com precisão o peso da própria voz. Em meio ao sucesso meteórico de </span><a href="https://personaunesp.com.br/fearless-taylors-version-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Fearless</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2008) e à transição entre o </span><i><span style="font-weight: 400;">country</span></i><span style="font-weight: 400;"> e o </span><i><span style="font-weight: 400;">pop</span></i><span style="font-weight: 400;">, ela decidiu fazer um movimento arriscado: escrever todas as faixas sozinha. O resultado foi um álbum que soa íntimo e grandioso, misturando a doçura juvenil com a consciência dolorosa de quem já se feriu pela exposição. </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> apresenta a resposta de Swift à crítica que duvidava de sua autoria e maturidade artística, tornando-se uma prova de controle criativo e vulnerabilidade, marcada por arranjos orquestrais, confissões e metáforas cintilantes.</span></p>
<p><span id="more-37155"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O disco é também um retrato de uma jovem artista lidando com as contradições da fama e da feminilidade sob os holofotes. Ao longo das 14 faixas, a loirinha transforma experiências pessoais, como amores, rupturas, críticas e arrependimentos, em narrativas universais, capazes de dialogar com diferentes gerações de ouvintes. 15 anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;"> segue como um ponto de virada em sua trajetória: é o momento em que </span><a href="https://personaunesp.com.br/ha-5-anos-taylor-swift-transformava-isolamento-em-enredo-e-silencio-em-poesia-com-folklore/"><span style="font-weight: 400;">Swift</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixa de ser apenas personagem de suas histórias e assume, de forma definitiva, o papel de narradora.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe title="Taylor Swift - Mine" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/XPBwXKgDTdE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um eixo emocional que atravessará toda a obra já aparece nas primeiras faixas: o amor como promessa e como ruína. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/0GxW5K0qzrq7L1jwSY5OmY?si=994233fb59074a6c"><i><span style="font-weight: 400;">Mine</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abre equilibrando medo e esperança, como se a ela já soubesse que finais felizes exigem reconstrução constante. Poucas faixas depois, </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/5l6GqSxplqnZbLg0LTPQeG?si=feaa8610082f4044"><i><span style="font-weight: 400;">Back to December</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">inverte a lógica tradicional de sua narrativa e apresenta um pedido de desculpas explícito, algo ainda raro naquele momento de sua carreira. Se em trabalhos anteriores, ocupava majoritariamente o lugar da ferida, aqui experimenta o da culpa – movimento que se tornaria mais recorrente em álbuns futuros. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse contraste entre acreditar apesar do trauma e reconhecer os próprios erros cria uma tensão madura para uma artista de 20 anos. Não à toa, o álbum vendeu mais de um milhão de cópias na primeira semana nos Estados Unidos, tornando-se o 16º disco da história a atingir esse feito na época – um número que consolidava não apenas popularidade, mas </span><a href="https://lorena.ig.com.br/categoria/musica/Speak-Now-album-de-Taylor-Swift-ultrapassa-os-3-bilhoes-de-streams-no-Spotify"><span style="font-weight: 400;">relevância cultural</span></a><span style="font-weight: 400;">. A obra, que estreou em primeiro lugar na </span><i><span style="font-weight: 400;">Billboard</span></i><span style="font-weight: 400;"> 200 e acumulou múltiplas certificações de platina ao longo dos anos, caminha entre o encantamento e o desencanto, entre o impulso de amar e a necessidade de sobreviver ao fim. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já o título não é à toa. Em </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/artist/06HL4z0CvFAxyc27GXpf02?si=a9340a5bd05b4667"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, há fantasia, humor e impulso: a ideia de interromper um casamento é exagerada, quase cinematográfica, porém simboliza o desejo de finalmente dizer o que ficou preso na garganta. Já </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/3K2es3gElMRJ3qvmPW442g?si=2996468e91cd4079"><i><span style="font-weight: 400;">Dear John</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> abandona qualquer verniz lúdico e mergulha em quase seis minutos de exposição crua sobre manipulação e diferença de idade em um relacionamento desigual. A pergunta</span> <span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Don’t you think I was too young?</span></i><span style="font-weight: 400;">” (“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você não acha que eu era jovem demais?</span></i><span style="font-weight: 400;">”) ressoa como marco de amadurecimento público e privado, transformando o que poderia ser mera fofoca em denúncia emocional, marcando um dos momentos mais maduros e dolorosos da carreira da artista.</span></p>
<figure id="attachment_37156" aria-describedby="caption-attachment-37156" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img decoding="async" class="size-medium wp-image-37156" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-800x400.png" alt="Uma fotografia mostra Taylor Swift, uma mulher branca, na faixa dos 20 anos, em perfil. Ela tem cabelos loiros ondulados presos em um rabo de cavalo lateral e usa um ponto de áudio discreto. Ela está vestida com um vestido roxo claro com um decote, e um colar prateado fino. Seus lábios são pintados com um batom vermelho vibrante. Ela está olhando para a direita, com uma expressão concentrada. O fundo é predominantemente azul escuro, com alguns pontos de luzes brilhantes que sugerem um palco ou show. A iluminação é forte e foca nela, e na sua silhueta. A composição é focada na mulher, com o fundo servindo para isolá-la. A atmosfera é de performance, provavelmente um show." width="800" height="400" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-800x400.png 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1024x512.png 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-768x384.png 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1536x768.png 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1-1200x600.png 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2026/03/unnamed-1.png 1600w" sizes="(max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-37156" class="wp-caption-text">Mean ganhou o Grammy de Melhor Canção Country e Melhor Performance Solo Country em 2012 (Foto: Kevin Mazur)</figcaption></figure>
<p><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/04S1pkp1VaIqjg8zZqknR5?si=cbb849b3a0234514"><i><span style="font-weight: 400;">Enchanted</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">talvez seja o coração sonhador do álbum: um encontro mágico que captura o instante exato entre o olhar e a paixão. É o ápice da cantora, das metáforas cintilantes e dos olhos brilhando sob luzes de cidade. Em contrapartida, </span><i><span style="font-weight: 400;">Last Kiss</span></i><span style="font-weight: 400;"> desmonta qualquer armadura emocional. Lenta, dolorosa e verdadeira, é talvez uma das canções mais tristes de Swift, uma despedida contida que carrega todo o peso de amar em vão. Essas canções demonstram como o álbum caminha entre o melodrama e a confissão, o início e fim da paixão.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em outra vertente, </span><i><span style="font-weight: 400;">Mean</span></i><span style="font-weight: 400;"> converte as críticas em superação, enquanto </span><i><span style="font-weight: 400;">Better Than Revenge</span></i><span style="font-weight: 400;"> revela a reação impulsiva de quem ainda busca poder através da raiva – uma resposta crua e imatura. Quinze anos depois, </span><i><span style="font-weight: 400;">Actually, Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">, faixa de </span><a href="https://personaunesp.com.br/um-espelho-quebrado-por-expectativas-a-complacencia-de-taylor-swift-em-the-life-of-a-showgirl/"><i><span style="font-weight: 400;">The Life of a Showgirl</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2025), retoma esses mesmos temas com distanciamento e autoconsciência, como se revisse o espelho emocional do antecessor. A regravação de </span><a href="https://personaunesp.com.br/speak-now-taylors-version-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now (Taylor’s Version)</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2023) já indicava esse amadurecimento: Swift reconhece os excessos sem apagar a emoção. Essa consciência se torna domínio narrativo novamente em </span><i><span style="font-weight: 400;">Actually, Romantic</span></i><span style="font-weight: 400;">: a artista encena o julgamento e transforma a vulnerabilidade em força, revisitando o processo de afirmar sua identidade.</span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="Taylor Swift - Mean" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/jYa1eI1hpDE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
<p><span style="font-weight: 400;">Um símbolo de legado e comunhão entre gerações de </span><i><span style="font-weight: 400;">swifties </span></i><i><span style="font-weight: 400;">Never Grow Up</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Innocent</span></i><span style="font-weight: 400;"> formam dois polos complementares dentro de </span><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i><span style="font-weight: 400;">, ambos marcados pela vulnerabilidade e pelo desejo de amadurecer sem perder a doçura. A primeira é um lembrete agridoce da passagem do tempo, um retrato terno da inocência que se esvai; já a segunda, lançada após o episódio humilhante no </span><i><span style="font-weight: 400;">VMA</span></i><span style="font-weight: 400;"> de 2009, é um gesto público de perdão – não apenas para </span><a href="https://personaunesp.com.br/donda-critica/"><span style="font-weight: 400;">Kanye West</span></a><span style="font-weight: 400;">, mas para si mesma, ao afirmar que ainda há pureza mesmo após o erro. Juntas, revelam como Swift equilibra fragilidade e força, sarcasmo e empatia, mostrando que crescer também é se reconciliar com as próprias falhas. Nas duas faixas, a artista traduz a dor em arte, oscilando entre o íntimo e o épico, uma sensibilidade que define o coração do disco.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O encerramento com </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/track/4ewAfHYpDTzpW1GKO44CVP?si=88281ea9e68d46ee"><i><span style="font-weight: 400;">Long Live</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é quase mítico, um tributo à própria jornada e aos fãs que a acompanharam desde o início. Ao celebrar as vitórias e as cicatrizes, a loirinha muda sua história pessoal em lenda compartilhada, uma canção sobre a glória efêmera e a memória duradoura. Mais de uma década depois, o impacto da faixa ganhou novas dimensões com a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=IppMykw4fT4"><i><span style="font-weight: 400;">The Eras Tour</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, em que Swift a incluiu como clímax emocional dos shows, transformando estádios inteiros em corais de vozes unidas por um sentimento de pertencimento e continuidade. A música, antes um agradecimento íntimo à banda e aos fãs de sua juventude, tornou-se</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">No Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Long Live</span></i><span style="font-weight: 400;"> ainda carrega um significado especial por causa da versão em </span><a href="https://youtu.be/1etzkcAo6WA?si=huLpMDbbVvEwBrAo"><span style="font-weight: 400;">parceria com Paula Fernandes</span></a><span style="font-weight: 400;">, lançada em 2012. A regravação, cantada em inglês e português, representou um raro gesto de aproximação cultural e marcou profundamente o público brasileiro, que adotou a canção como hino afetivo. A obra permanece como um testemunho de autoconfiança, mas também de crescimento. É o disco de uma jovem que aprendeu a se defender com poesia e a se reconstruir com melodia. Falar, ou cantar, foi o gesto que a libertou, e essa coragem ecoa até hoje em cada verso de sua carreira. </span><a href="https://open.spotify.com/intl-pt/album/5MfAxS5zz8MlfROjGQVXhy"><i><span style="font-weight: 400;">Speak Now</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> é sobre o poder d</span><span style="font-weight: 400;">e reivindicar o próprio enredo, mesmo quando o mundo tenta escrevê-lo por você.</p>
<p></span></p>
<p><iframe title="Spotify Embed: Speak Now" style="border-radius: 12px" width="100%" height="352" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" loading="lazy" src="https://open.spotify.com/embed/album/6Ar2o9KCqcyYF9J0aQP3au?si=kchY11j8R-uZGyUUAl9W3g&amp;utm_source=oembed"></iframe></p>
<p><span style="font-weight: 400;"> </span></p>
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		<title>15 anos de Alice no País das Maravilhas: a adaptação que firma beleza dentro da loucura</title>
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		<pubDate>Thu, 08 May 2025 22:20:04 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Livia Queiroz  “Você está maluca, pirada, mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são assim”. Esta é a última frase transmitida pelo pai de Alice (Mia Wasikowska) antes do corte temporal para mencionar sua morte na narrativa, uma referência a mesma fala dita pelo Chapeleiro Maluco à menina no livro de Lewis Caroll. &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/15-anos-de-alice-no-pais-das-maravilhas-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "15 anos de Alice no País das Maravilhas: a adaptação que firma beleza dentro da loucura"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_35218" aria-describedby="caption-attachment-35218" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35218" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image1-1-800x449.jpg" alt="Fotografia de Chapeleiro Maluco, em seu blazer turquesa, blusa engravatada em estampa de bolinhas e seus chapéu desgastado marrom com uma grande faixa rosa, ao lado de Alice, mulher branca, com feições delicadas e cabelo louro cacheado, em sua armadura prata e com os cabelos cacheados soltos, enquanto Capturandam, uma espécie de buldogue com urso, e soldados brancos estão em segundo plano." width="800" height="449" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image1-1-800x449.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image1-1-768x431.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image1-1.jpg 1003w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35218" class="wp-caption-text">Alice no País das Maravilhas venceu o Oscar de 2011 por Melhor Direção de Arte e Melhor Figurino (Foto: Walt Disney Studios Motion Pictures)</figcaption></figure>
<p><b>Livia Queiroz </b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">“</span><i><span style="font-weight: 400;">Você está maluca, pirada, mas vou te contar um segredo: as melhores pessoas são assim</span></i><span style="font-weight: 400;">”. Esta é a última frase transmitida pelo pai de Alice (Mia Wasikowska) antes do corte temporal para mencionar sua morte na narrativa, uma referência a mesma fala dita pelo </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tg7sknmf2KU"><span style="font-weight: 400;">Chapeleiro Maluco</span></a><span style="font-weight: 400;"> à menina no livro de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=O7S08_nwfGI"><span style="font-weight: 400;">Lewis Caroll</span></a><span style="font-weight: 400;">. Em  paralelo com a vida não-ficcional, quantas vezes você já se viu como diferente da maioria por pensar demais ou por sonhar além do que os outros dizem que é possível? Quantas vezes desejou viver em histórias que viu em livros e filmes ao invés da sua realidade? Há 15 anos atrás, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=We2MMrMLg3E"><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, dirigido por </span><a href="https://www.timburton.com/"><span style="font-weight: 400;">Tim Burton</span></a><span style="font-weight: 400;">, o cineasta antagônico de </span><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i><span style="font-weight: 400;">, nos apresentava por meio de um mundo extraordinário e imaginário o recorrente sentimento de estranheza com a realidade.</span></p>
<p><span id="more-35217"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Sem dúvidas, a produção da obra estava à frente de seu tempo. A qualidade das </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=aH4Dt3_N6rU"><span style="font-weight: 400;">edições e efeitos especiais</span></a><span style="font-weight: 400;"> são muito agradáveis aos olhos, bem melhores do que muitas produções atuais do mundo cinematográfico como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=1c_W_4cNLn0"><i><span style="font-weight: 400;">Thor: Amor e Trovão </span></i></a><span style="font-weight: 400;">(2022)</span> <span style="font-weight: 400;">e </span><a href="https://youtu.be/6jIz_8tokvg?feature=shared"><i><span style="font-weight: 400;">Homem Formiga e a Vespa: Quantumania</span></i></a> <span style="font-weight: 400;">(2023), especialmente quando consideramos que é uma obra de 2010. É realmente impressionante a forma como a maioria das personagens tem características fora da realidade, mas não causam nenhum incômodo à audiência, sendo possível imergir dentro da história e abraçando tais diferenças graças a falta de artificialidade visual; sem contar os cenários magníficos criados em</span> <a href="https://www.hardware.com.br/tecnologia/o-que-e-cgi-8-filmes-que-ficaram-marcados-pelo-uso-da-computacao-grafica/"><i><span style="font-weight: 400;">CGI</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> que só agregam para a narrativa. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Para que todos esses aspectos fossem completados e se tornassem positivos, foi necessário uma força de trabalho muito mais experiente e competente, graças ao </span><i><span style="font-weight: 400;">casting</span></i><span style="font-weight: 400;"> para lá de brilhante. Constituído por </span><a href="https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2010/04/fico-com-medo-de-desaponta-lo-diz-johnny-depp-de-parceria-com-burton.html"><span style="font-weight: 400;">Johnny Depp</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Chapeleiro), </span><a href="https://www.harpersbazaar.com/uk/culture/culture-news/a36058313/helena-bonham-carter-alice-in-wonderland/"><span style="font-weight: 400;">Helena Bonham Carter</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Rainha de Copas), </span><a href="https://www.revistalofficiel.com.br/pop-culture/anne-hathaway-revela-a-dificuldade-de-contracenar-com-johnny-depp"><span style="font-weight: 400;">Anne Hathaway</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Rainha Branca) e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7X_gjhZNGaI"><span style="font-weight: 400;">Mia Wasikowska</span></a><span style="font-weight: 400;"> (Alice), o longa metragem instiga diversas reflexões sobre a vida – apesar de ser direcionado ao público jovem.</span></p>
<figure id="attachment_35219" aria-describedby="caption-attachment-35219" style="width: 800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-medium wp-image-35219" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image2-1-800x450.jpg" alt="Fotografia da Rainha de Copas com a cabeleira vermelha em formato de coração, sombra azul, batom vermelho no formato de um coração e vestido vermelho, preto e dourado inspirado na era regencial na Inglaterra no século XIX, enquanto ao seu lado está o Valete de Copas, em uma roupa de couro completamente preta e capa e tampão de olho vermelhos, em um fundo com as mesmas cores e elementos da rainha, dona do castelo." width="800" height="450" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image2-1-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image2-1-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image2-1-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image2-1-1200x675.jpg 1200w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image2-1.jpg 1280w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 984px) 61vw, (max-width: 1362px) 45vw, 600px" /><figcaption id="caption-attachment-35219" class="wp-caption-text">Alice no País das Maravilhas entrou para o top 10 filmes que faturaram mais de um bilhão de dólares mundialmente, e tornou-se a 43ª maior bilheteria da história do cinema (Foto: Walt Disney Studios Motion Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">O momento mais reflexivo do filme – abordado por meio de metáforas em toda sua extensão – é, com certeza, a construção da protagonista com </span><a href="https://www.terra.com.br/diversao/cinema/infograficos/alice-no-pais-das-maravilhas-2010/alice-no-pais-das-maravilhas-personagens9.htm"><span style="font-weight: 400;">Absolem</span></a><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_8HM0d6tQA0"><span style="font-weight: 400;">Alan Rickman</span></a><span style="font-weight: 400;">) ao tratarem sobre a identidade dela. Em seu primeiro diálogo, a lagarta afirma que ela não é a verdadeira Alice mesmo com a jovem afirmando que “</span><i><span style="font-weight: 400;">sabe muito bem quem ela é</span></i><span style="font-weight: 400;">”. No decorrer da narrativa, a londrina vai se descobrindo para além de uma sonhadora e inteligente, percebendo sua coragem e determinação. Dentro dessa evolução, Alice percebe que, na verdade, não sabia de fato quem era, pois não conhecia sua capacidade para superar desafios e enfrentar quem a afronta. Nesse sentido, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas </span></i><span style="font-weight: 400;">nos ensina que só se pode conhecer a si mesmo ao aventurar-se no desconhecido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar de algumas fortes interpretações a serem absorvidas pelo público, o longa não se compara ao livro – ou até mesmo a </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_tpjRA5217g"><span style="font-weight: 400;">animação de 1951</span></a><span style="font-weight: 400;"> – que inspirou a adaptação quando o assunto é </span><a href="https://www.telavita.com.br/blog/alice-e-funcionamento-do-cerebro/"><span style="font-weight: 400;">psicologia</span></a><span style="font-weight: 400;">. Um exemplo dessa genialidade é a mais famosa passagem do livro, uma conversa de Alice com o </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=W1St7sRFEEE"><span style="font-weight: 400;">Gato de Cheshire</span></a><span style="font-weight: 400;"> na qual a jovem pergunta se ele poderia ajudá-la a achar o caminho mesmo não sabendo para onde ir. Gato termina com a icônica frase “Se você não sabe para onde ir, qualquer caminho serve”. Portanto, ele ajuda Alice a tirar suas conclusões de acordo com o que a própria responde, instigando o entendimento sobre si mesma e a necessidade de objetivos concretos. Desse modo, Tim Burton segue o modelo de Lewis Caroll, aplicando lições de vida valiosas dentro de um cenário fantasioso, ou seja, uma maneira mais divertida de aprender, este sendo com certeza o maior diferencial de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas</span></i><span style="font-weight: 400;">. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Apesar da bagagem enorme de possíveis lições a serem extraídas do filme, ele continua sendo leve, com elementos infantis que atraem o público e desenvolvem afeto pela história e seus personagens. Não à toa, 15 anos depois de seu lançamento a obra continua sendo comemorada e passada como entretenimento para as novas gerações. Alguns itens contribuintes para esse aspecto são os elementos visuais, coloridos e em formatos exagerados, o ‘</span><span style="font-weight: 400;">passo maluco</span><span style="font-weight: 400;">’ de Chapeleiro, as loucuras da </span><span style="font-weight: 400;">Lebre de Março</span><span style="font-weight: 400;"> (</span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=sFadQqrIfiQ"><span style="font-weight: 400;">Paul Whitehouse</span></a><span style="font-weight: 400;">), as breves aparições divertidas do Gato de Cheshire (</span><a href="https://www.digitalspy.com/movies/a153772/fry-talks-alice-in-wonderland/"><span style="font-weight: 400;">Stephen Fry</span></a><span style="font-weight: 400;">) e o final feliz de Alice, que deixa um mistério no ar para o segundo filme que viria a ser desenvolvido por James Bobin, </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=nNZ1LQQqHX0"><i><span style="font-weight: 400;">Alice Através do Espelho</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> (2016).</span></p>
<figure id="attachment_35220" aria-describedby="caption-attachment-35220" style="width: 640px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-35220" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2025/05/image3-1.jpg" alt="Fotografia do Gato de Cheshire, personagem-animal com pelagem fina em grande quantidade no formato listrado em cinza e azul celeste, olhos felinos azul tiffany e sorriso característico pelo formato de lua crescente e enorme quantidade de dentes que alcança todas as suas bochechas, por trás dele, um fundo cinzento repleto de galhos pretos e cinzas curvados e ramificados." width="640" height="480" /><figcaption id="caption-attachment-35220" class="wp-caption-text">No Brasil, o longa ficou em primeiro lugar nas bilheterias, com mais de 10 milhões de reais arrecadados em apenas um fim de semana e se tornou a maior arrecadação de 2010 (Foto: Walt Disney Studios Motion Pictures)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além disso, as </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=891zKx2Ffvg"><span style="font-weight: 400;">atuações</span></a><span style="font-weight: 400;"> de Helena Bonham Carter, Johnny Depp e Mia Wasikowska devem continuar sendo aplaudidas de pé. Dentro de um cenário construído quase que 100% em CGI, é de extrema importância a presença de atores qualificados e com a imaginação nas alturas para realizar um bom trabalho dentro de um ambiente completamente verde fluorescente e sem ‘pistas’ de como será o produto final. Um fator auxiliar para uma boa </span><i><span style="font-weight: 400;">performance </span></i><span style="font-weight: 400;">é, sem dúvidas, a caracterização de cada personagem. Graças ao </span><i><span style="font-weight: 400;">design </span></i><span style="font-weight: 400;">de figurino liderado por </span><a href="https://www.npr.org/2016/09/30/496119928/costume-designer-colleen-atwood-took-unlikely-path-to-hollywood-royalty"><span style="font-weight: 400;">Colleen Atwood</span></a><span style="font-weight: 400;"> e a direção de arte de </span><a href="https://www.robertstromberg.com/"><span style="font-weight: 400;">Robert Stromberg</span></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.alamy.com/stock-photo-robert-stromberg-and-karen-ohara-with-the-achievement-in-art-direction-105815525.html"><span style="font-weight: 400;">Karen O’hara</span></a><span style="font-weight: 400;">, a equipe de atores puderam ultrapassar a barreira de cenários para completar papéis que são admirados até os dias de hoje. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Portanto, em seu aniversário de 15 anos de lançamento no Brasil, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alice no País das Maravilhas </span></i><span style="font-weight: 400;">segue sendo um exemplo para a cinematografia, tornando-se uma das melhores e mais fiéis adaptações de livro para filme em </span><a href="https://institutodecinema.com.br/mais/conteudo/cinema-em-hollywood-a-historia-completa"><i><span style="font-weight: 400;">Hollywood</span></i></a><span style="font-weight: 400;">. Além de marcar a geração dos atuais jovens adultos, vive na prateleira de sucessos absolutos da </span><i><span style="font-weight: 400;">Disney</span></i><span style="font-weight: 400;">, assistido e comentado por amantes da produtora e leitores de Lewis Caroll, firmando a beleza dentro da loucura de cada um de nós. Afinal, a loucura é somente uma subjugação da falta de pensamento padrão, e deixe-me contar-lhe um segredo: as melhores pessoas são assim. </span></p>
<div class="jetpack-video-wrapper"><iframe loading="lazy" title="ALICE IN WONDERLAND | New Official Full Trailer (HQ) | Official Disney UK" width="840" height="473" src="https://www.youtube.com/embed/9POCgSRVvf0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe></div>
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		<title>O mergulho subversivo de Lygia Fagundes Telles em A Estrutura da Bolha de Sabão</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jun 2022 19:34:27 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Nathalia Tetzner O cenário é um café-da-manhã entre esposa e marido. Ele conta de um amigo físico que mora nas construções góticas de Paris e estuda a estrutura da bolha de sabão. Ela se espanta com a possibilidade de alguém se dedicar em investigar algo que conhece desde seus primeiros anos de vida e que, &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/a-estrutura-da-bolha-de-sabao-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "O mergulho subversivo de Lygia Fagundes Telles em A Estrutura da Bolha de Sabão"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_27818" aria-describedby="caption-attachment-27818" style="width: 1024px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="wp-image-27818 size-full" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS.jpg" alt="Arte em rosa claro com a imagem do livro A Estrutura da Bolha de Sabão no centro. Capa do livro A Estrutura da Bolha de Sabão da escritora brasileira Lygia Fagundes Telles. Na imagem, há uma arte com diversas texturas e formatos, entre eles, contornos de flores. A arte vibra nas cores azul, vermelho, verde, marrom, roxo e rosa. No canto inferior esquerdo, um quadro branco com o nome da autora escrito em preto, o nome do livro escrito em roxo e o nome da editora, Companhia das Letras, escrito em azul. No topo à esquerda, vemos o olho do Persona com a íris rosa e no canto inferior direito está o logo do Clube do Livro do Persona." width="1024" height="538" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS-800x420.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/AESTRUTURADABOLHADESABAO_WORDPRESS-768x404.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27818" class="wp-caption-text">A Estrutura da Bolha de Sabão foi a leitura do <a href="https://personaunesp.com.br/estante-do-persona-abril-de-2022/">Clube do Livro do Persona</a> durante o mês de abril de 2022 (Foto: Companhia das Letras/Arte: Ana Clara Abbate)</figcaption></figure>
<p><b>Nathalia Tetzner</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O cenário é um café-da-manhã entre esposa e marido. Ele conta de um amigo </span><a href="https://cultura.estadao.com.br/noticias/artes,jean-oury-fala-sobre-jean-vigo,431566"><span style="font-weight: 400;">físico</span></a><span style="font-weight: 400;"> que mora nas construções góticas de Paris e estuda a estrutura da bolha de sabão. Ela se espanta com a possibilidade de alguém se dedicar em investigar algo que conhece desde seus primeiros anos de vida e que, por isso, sabe que não possui estrutura alguma. O tempo passa e quando o gato do casal sobe na mesa dela, finalmente há uma resposta para sussurrar: </span><i><span style="font-weight: 400;">“a bolha de sabão é o amor”. </span></i><span style="font-weight: 400;">Nascia nesse momento </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">, uma coletânea de contos escrita pela dama da Literatura brasileira, Lygia Fagundes Telles. </span></p>
<p><span id="more-27768"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Lançada originalmente em 1978 sob o título de </span><i><span style="font-weight: 400;">Filhos Pródigos</span></i><span style="font-weight: 400;">, a obra foi reeditada na década de 90 quando passou a carregar o nome do texto de maior sucesso. Em 2010, ela ganhou uma nova roupagem para uma série especial da editora </span><i><span style="font-weight: 400;">Companhia das Letras</span></i><span style="font-weight: 400;">. Porém, em meio às infinitas edições disponíveis no mercado, é o conteúdo que destaca a sua singularidade perante toda a bibliografia de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=tgaX90Fo3YU"><span style="font-weight: 400;">Telles</span></a><span style="font-weight: 400;">. Dessa vez, a autora conhecida por banhar os seus romances com o realismo convida o leitor para um mergulho na fantasia onde ele é sempre o último a desvendar as nuances.</span></p>
<blockquote><p>“Inclinou-se para apanhar a bolsa que caiu. Catou vacilante o pente e o espelho, quis ainda alcançar o lápis que rolou no assoalho, desistiu do lápis, Ih!&#8230;Levantou-se apertando a bolsa contra o peito, a outra mão apoiada na maçaneta da porta. Respirou penosamente, a boca aberta.</p>
<p>Encarou a mulher. Tudo bem?</p>
<p>— Tudo bem. Adriana. Tenho é muita pena desse moço. Seu noivo. Casar com uma coisa dessas, imagine.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Repleta de fluxos de consciências e ambientada com uma dose de tensão constante, a leitura de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> não é nem um pouco confortável, consequência natural da abordagem esférica da temática feminina, fator sempre presente nos escritos da autora. Banhados por uma atmosfera misteriosa, os oito contos remetem de alguma forma ao </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-4-licoes-da-obra-da-dama-da-literatura-as-mulheres.htm"><span style="font-weight: 400;">papel da mulher</span></a><span style="font-weight: 400;"> na sociedade. Seja na materialização de uma jovem cheia de rebeldia para a sua época ou na subjetividade presente em um diálogo entre dois homens, Lygia Fagundes Telles explora todos os tons da feminilidade com a genialidade de quem está acostumada a ser uma força em sua caminhada pessoal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A terceira mulher a ocupar uma cadeira na Academia Brasileira de Letras estudou Direito e Educação Física porque acreditava que não seria capaz de viver da </span><a href="https://www.uol.com.br/universa/colunas/natalia-timerman/2022/04/03/lygia-fagundes-telles-era-uma-mulher-escrevendo-sobre-e-como-mulher.htm"><span style="font-weight: 400;">Literatura</span></a><span style="font-weight: 400;"> e se negava a depender financeiramente de um matrimônio. Ela e todo o seu lirismo foram exceção em relação ao pós-modernismo, movimento literário que se deu início na década de 70, período em que a figura masculina ainda era a maioria entre os autores de grande apelo. Assim como Adriana em </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=XyIRQJgY3a8"><i><span style="font-weight: 400;">A Medalha</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a filha subversiva à mãe e ao seu tempo farto de conservadorismos, Telles é também dona de uma trajetória transgressora e parece ter bebido da sua própria fonte para retratar com tanta fidelidade a angústia da personagem.</span></p>
<figure id="attachment_27769" aria-describedby="caption-attachment-27769" style="width: 964px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27769" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1.jpeg" alt="Fotografia de Hilda Hilst e Lygia Fagundes Telles em preto e branco. Hilst, à esquerda, segura um cigarro com a mão enquanto sorri olhando para o lado. Telles, à direita, sorri olhando para o lado oposto. As duas são mulheres brancas de cabelos escuros." width="964" height="806" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1.jpeg 964w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1-800x669.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-1-1-768x642.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27769" class="wp-caption-text">Escritora do movimento pós-modernista e amiga pessoal de <a href="https://www.opovo.com.br/vidaearte/2022/04/03/morte-de-lygia-fagundes-telles-lembre-amizade-da-escritora-com-hilda-hilst.html">Hilda Hilst</a>, Telles abordou a feminilidade como tema central de suas obras (Foto: Acervo Instituto Hilda Hilst)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Encarregado de ser o texto mais perturbador da coletânea, </span><i><span style="font-weight: 400;">O Espartilho</span></i><span style="font-weight: 400;"> faz com que o leitor se sinta sufocado pelo ambiente regrado da década de 40. Ana Luíza é o nome da protagonista que causa uma inquietação digna de filmes de terror como </span><a href="https://personaunesp.com.br/mae-filme-critica/"><i><span style="font-weight: 400;">Mãe!</span></i><span style="font-weight: 400;"> (2017)</span></a><span style="font-weight: 400;">, em que o suspense psicológico reina. O olhar de despertencimento dela ao encarar o álbum de fotos de sua família, após finalmente descobrir a verdade brutal por trás das faces pálidas apertadas por espartilhos, é estarrecedor. A experiência é um ponto fora da curva do que a escritora costuma produzir e provoca uma metáfora sensível sobre o uso de cintas modeladoras e a prisão emocional que acarreta a trama.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Quase mitológicos, os contos </span><i><span style="font-weight: 400;">A Testemunha</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">A Fuga</span></i><span style="font-weight: 400;"> começam e permanecem um mistério. </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vgMn9NjYYT8"><span style="font-weight: 400;">Lygia Fagundes Telles</span></a><span style="font-weight: 400;"> nitidamente não se importou em deixar explícito o que cada figura de linguagem significa, há de se explorar as páginas para encontrar os sentidos do livro. De fato, a confusão mental de Miguel em busca de respostas e a insistência de Rolf em afirmar não saber de nada é, por si só, uma interessante bagunça de diálogos que acorrentam em um eterno ciclo não só os dois amigos, mas qualquer um que entra em contato com as linhas de Telles. Já no segundo texto, o clima de névoa é descrito com um intenso detalhismo que tem o poder de cegar e confundir Rafael e todo o público leitor.</span></p>
<blockquote><p>“— Não vai me dizer, Rolf?</p>
<p>— Dizer o quê rapaz?</p>
<p>— O que aconteceu ontem.</p>
<p>— Ora, o que aconteceu! Mas então você não sabe?</p>
<p>— Não, não sei. Não me lembro de nada, nada.</p>
<p>— Mas como não se lembra?</p>
<p>— Não me lembro, simplesmente não lembro — repetiu Miguel torcendo as mãos muito brancas. Fechou-as contra o peito.”</p></blockquote>
<p><span style="font-weight: 400;">Não há nada tão hipocritamente perfeito quanto uma coleção de páginas em que a existência de conjuntos geniais diminuem a sagacidade de outros. Esse é o caso de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Missa do Galo </span></i><span style="font-weight: 400;">e </span><i><span style="font-weight: 400;">Gaby</span></i><span style="font-weight: 400;">, a releitura do clássico de Machado de Assis e a incoerente falta de ritmo em uma conversa de bar colocam os dois contos em uma posição menos inspirada em relação aos outros momentos de </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">. Ambos são um exagero passional e, para o bem e para o mal, somente permitem concluir que não há conclusão. A </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=vVTpCDG7LuY"><span style="font-weight: 400;">dama da Literatura brasileira</span></a><span style="font-weight: 400;"> deixa neles o dito pelo não dito.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em contrapartida, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Confissão de Leontina</span></i><span style="font-weight: 400;"> se consagra como o maior ato da obra. Longo e profundo, a narração em primeira pessoa relata o </span><a href="https://favodomellone.com.br/a-confissao-de-leontina-de-volta-o-conto-de-lygia-fagundes-telles/"><span style="font-weight: 400;">drama</span></a><span style="font-weight: 400;"> vivido por quem deixa uma cidade pequena em busca de oportunidades nas grandes capitais do país. Sempre incompreendida, a personagem principal do conto atrai todos os olhares para o seu infortúnio, o que consequentemente resulta no sentimento de identificação com o leitor. É fácil se emocionar com as palavras certeiras escolhidas pela autora, especialista em captar com excelência os aspectos do cotidiano urbano com o papel e a caneta na mão.</span></p>
<figure id="attachment_27770" aria-describedby="caption-attachment-27770" style="width: 940px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-27770" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1.jpg" alt="Fotografia de Lygia Fagundes Telles. Na imagem, os cabelos grisalhos de Telles contam que o tempo passou para a escritora. Ela, uma mulher branca de olhos claros, direciona o seu olhar para a lente de quem a fotografa. Ao fundo, o que parece ser um ambiente aconchegante, mas desfocado" width="940" height="504" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1.jpg 940w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1-800x429.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2022/06/Imagem-2-1-768x412.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-27770" class="wp-caption-text">A dama da Literatura nacional vive em seu <a href="https://www.em.com.br/app/noticia/pensar/2022/04/08/interna_pensar,1358573/escritoras-brasileiras-ressaltam-o-legado-de-lygia-fagundes-telles.shtml">legado</a> (Foto: Renato Parada)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> é, como uma coletânea de contos, a expressão artística de Lygia Fagundes Telles mais complexa e brilhante desde o lançamento de </span><a href="https://istoe.com.br/lygia-fagundes-telles-driblou-a-censura-militar-no-romance-as-meninas/"><i><span style="font-weight: 400;">As meninas</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> em 1973. Os recursos linguísticos utilizados no romance certamente continuaram a inspirá-la até a criação do conjunto de textos. Já, como um conto, </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;"> se tornou maior do que si mesmo. Afinal, a quem interessa estudar a estrutura de uma bolha de sabão? A falta de explicações uma vez questionada ganha sentido com o término pungente da obra de Telles.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A dama da Literatura brasileira descobriu em vida que a bolha de sabão é o amor e estudá-la é fundamental. Ela, incoerentemente gentil e caridosa como as ondas do mar, compartilhou a descoberta com o mundo depois de um mergulho nas profundezas do fantasioso. Lygia Fagundes Telles faleceu em </span><a href="https://jornal.unesp.br/2022/04/04/dona-de-uma-carreira-premiada-lygia-fagundes-telles-deixa-solido-legado-literario-diz-diretor-da-editora-unesp/"><span style="font-weight: 400;">2022</span></a><span style="font-weight: 400;"> e, assim como fez em </span><i><span style="font-weight: 400;">A Estrutura da Bolha de Sabão</span></i><span style="font-weight: 400;">, a sua partida do mundo material somente pode significar que ela resolveu permanecer de vez ao lado da subjetividade da vida. </span></p>
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		<title>Alan Wake Remastered é mais do que uma luz no fim do túnel</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Oct 2021 17:36:36 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>Gabriel Oliveira F. Arruda e João Paulo de Oliveira Mais de uma década após seu lançamento original no Xbox 360, o pesadelo cult da Remedy Entertainment toma nova forma em Alan Wake Remastered, entregando a experiência definitiva da obra idealizada por Sam Lake. Inicialmente amaldiçoado por um período de desenvolvimento caótico, uma janela de lançamento &#8230; <a href="http://personaunesp.com.br/alan-wake-remastered-critica/" class="more-link">Continue lendo<span class="screen-reader-text"> "Alan Wake Remastered é mais do que uma luz no fim do túnel"</span></a></p>
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										<content:encoded><![CDATA[<figure id="attachment_24228" aria-describedby="caption-attachment-24228" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24228" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1.jpeg" alt="Cena do jogo Alan Wake Remastered. Alan Wake está de costas para a câmera, no meio de uma estrada, encarando um tornado de energia escura que avança e levanta carros, barris e outros objetos. Alan possui cabelos negros e usa um paletó cinza de tweed com um capuz de moletom abaixado por cima. Na mão esquerda ele segura uma lanterna apontada para o chão. À sua esquerda está um edifício baixo envolto por uma cerca de madeira baixa. Mais a frente, a silhueta de um poste elétrico aparece contra a floresta mais a frente, iluminado por uma fonte de luz vindo de algum lugar dessa floresta. À direita de Alan, uma árvore silvestre se ergue e podemos ver outra cerca circundando o outro lado da estrada. A cena toda está ocupada por uma névoa densa e sobrenatural. " width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1.jpeg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-1-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24228" class="wp-caption-text">“O mistério sem resposta é o que fica na cabeça, e é dele que nos lembraremos no fim” (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><b>Gabriel Oliveira F. Arruda e João Paulo de Oliveira</b></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais de uma década após seu lançamento original no </span><i><span style="font-weight: 400;">Xbox 360</span></i><span style="font-weight: 400;">, o pesadelo </span><i><span style="font-weight: 400;">cult</span></i><span style="font-weight: 400;"> da </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy Entertainment</span></i><span style="font-weight: 400;"> toma nova forma em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake Remastered</span></i><span style="font-weight: 400;">, entregando a experiência definitiva da obra idealizada por Sam Lake. Inicialmente amaldiçoado por um período de desenvolvimento caótico, uma janela de lançamento inoportuna e um grande número de versões piratas, o </span><i><span style="font-weight: 400;">remaster</span></i><span style="font-weight: 400;"> chega como uma segunda chance para que a franquia alcance </span><a href="https://www.gamevicio.com/noticias/2021/10/remedy-entertainment-fala-sobre-os-motivos-que-levaram-a-volta-de-alan-wake-no-mercado/"><span style="font-weight: 400;">o sucesso que sempre mereceu</span></a><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span id="more-24227"></span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Atualizada para a nova geração de consoles com a ajuda do estúdio </span><a href="https://d3tltd.com/new-project-announcement-alan-wake-remastered-coming-october-2021/"><i><span style="font-weight: 400;">d3t</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, a remasterização é fruto de uma parceria com a </span><i><span style="font-weight: 400;">publisher </span></i><a href="https://www.epicgames.com/store/pt-BR/news/epic-games-publishing-announcement?lang=pt-BR"><i><span style="font-weight: 400;">Epic Games</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, descrita como o menor dentre dois projetos. Apesar de não haver mais informações sobre o segundo produto, é altamente provável que seja uma sequência de </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=PT5yMfC9LQM&amp;t=2s"><i><span style="font-weight: 400;">Control</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, título anterior da </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy</span></i><span style="font-weight: 400;"> que trouxe de volta o protagonista titular de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Mais do que uma segunda chance para a franquia, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Remastered </span></i><span style="font-weight: 400;">é uma reintrodução de um dos títulos mais importantes da última década, responsável por introduzir preceitos visuais e </span><a href="https://www.tweaktown.com/news/70847/alan-wake-was-originally-an-episodic-game-series/index.html"><span style="font-weight: 400;">narrativos</span></a><span style="font-weight: 400;"> que se tornaram via de regra em diversas camadas da indústria. A jornada do escritor Alan Wake por uma cidade pacata no Noroeste Pacífico lutando contra as forças sinistras da Escuridão ganha uma nova roupagem, abrindo as águas de seu profundo lago para uma nova leva de teorias e expectativas para seu futuro.</span></p>
<figure id="attachment_24229" aria-describedby="caption-attachment-24229" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24229" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2.jpeg" alt="Imagem promocional do jogo Alan Wake Remastered. Alan Wake está de pé no lado direito da imagem, virado para nós, apontando uma lanterna para a câmera com a mão esquerda e um revólver na mão direita, apontando para baixo. Alan é um homem caucasiano de cabelos pretos e curtos e uma barba rala. Ele usa um terno de tweed bege por cima de um moletom, com um capuz nas costas. Atrás dele, a silhueta de uma região montanhosa com uma floresta se estendendo à frente. Na parte esquerda da imagem, uma fumaça escura preenche o espaço." width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2.jpeg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2-800x450.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2-1024x576.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2-768x432.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2-1536x864.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-2-1200x675.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24229" class="wp-caption-text">O novo modelo do personagem principal reflete melhor a performance do ator Matthew Porretta (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Muito antes do formato episódico de jogos ser popularizado por títulos como </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=RtkkHAmgYWs"><i><span style="font-weight: 400;">The Walking Dead</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AURVxvIZrmU"><i><span style="font-weight: 400;">Life is Strange</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, Sam Lake e Mikko Rautalahti</span> <span style="font-weight: 400;">já experimentavam com uma ideia similar. É fácil ver como os roteiristas da </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy</span></i><span style="font-weight: 400;"> se inspiraram em narrativas surrealistas, a exemplo </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/twin-peaks/"><i><span style="font-weight: 400;">Twin Peaks</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Além da Imaginação</span></i><span style="font-weight: 400;">, para criar a pitoresca cidade de Bright Falls, e como o formato episódico serviu como uma luva na hora de estruturar a história do jogo.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Desenvolvido por cerca de três anos como um jogo de sobrevivência em mundo aberto, o </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;"> original foi </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=AoHkGDu0_Hw"><span style="font-weight: 400;">completamente retrabalhado</span></a><span style="font-weight: 400;"> pelo estúdio entre 2008 e 2010, de modo a construir uma experiência mais fechada e tensa do que eles planejavam. Porém, detalhes como o </span><i><span style="font-weight: 400;">design</span></i><span style="font-weight: 400;"> meticuloso da cidade e os seus arredores ainda mostram sinais das ambições de seus realizadores. Apesar de podermos apreciar a beleza rústica de Bright Falls apenas de maneira linear, a obra passa um senso de lugar bastante convincente, limitando ao máximo a quantidade de elementos não-diegéticos na tela para garantir a imersão dos jogadores. A perspectiva </span><a href="https://www.gameinformer.com/2019/03/11/how-controls-gameplay-differs-from-past-remedy-games"><span style="font-weight: 400;">não-linear</span></a><span style="font-weight: 400;"> seria mais bem desenvolvida em </span><i><span style="font-weight: 400;">Control</span></i><span style="font-weight: 400;">, que coloca os jogadores dentro de um gigantesco edifício </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=7n7ylXPueYE"><span style="font-weight: 400;">brutalista</span></a><span style="font-weight: 400;"> para batalhar contra forças extradimensionais. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;">, o terror e o sobrenatural assumem </span><a href="https://youtu.be/Iupwc2vuwxM"><span style="font-weight: 400;">formas mais arquetípicas</span></a><span style="font-weight: 400;"> e reconhecíveis, mas que nos envolvem através da maneira misteriosa com que são apresentadas. Após chegarem na cidade e conhecerem alguns de seus curiosos habitantes, Alan (Matthew Porretta) e sua esposa, Alice (Brett Madden), são atacados por uma força sombria e incorpórea que parece infectar o ambiente, arrastando Alice para dentro de um lago e forçando seu marido à mergulhar atrás dela. Depois disso, Alan acorda atrás do volante de um carro na beira de um penhasco, sem memórias do que aconteceu na última semana, mas encontrando páginas de uma história que descreve os eventos que acontecem ao seu redor, aparentemente escrita por ele mesmo.</span></p>
<figure id="attachment_24230" aria-describedby="caption-attachment-24230" style="width: 2560px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24230" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3.jpg" alt="Cena do jogo Alan Wake Remastered. Alan Wake está de costas para nós, na parte esquerda da tela, de pé na grama, olhando para uma estação de rádio à sua frente. Alan é um homem caucasiano de cabelos curtos. Ele usa um terno de tweed claro com um moletom por baixo, o capuz visível pendendo nas costas. Ele segura uma espingarda na mão direita e uma lanterna com a esquerda, apontando-a para a estação. Na parte direita da tela, a estação de rádio, um edifício de madeira branca em formato de “L”, com um letreiro em neon vermelho na parte de cima dizendo “Radio Station” em letras maiúsculas. À esquerda da estação, um pequeno outdoor com três anúncios ilegíveis se ergue, iluminado por lanternas na parte de baixo. Atrás deles, algumas silhuetas de árvores silvestres se erguem. A luz da lua ilumina parte da cena, com o astro semi-visível na parte de cima, no meio da tela." width="2560" height="1440" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3.jpg 2560w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-2048x1152.jpg 2048w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-3-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24230" class="wp-caption-text">No mundo sombrio de Alan Wake Remastered, a luz vai ser seu guia (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake </span></i><span style="font-weight: 400;">é certamente um conto de Terror (a introdução começa com uma citação do próprio mestre do gênero, </span><a href="https://personaunesp.com.br/tag/stephen-king/"><span style="font-weight: 400;">Stephen King</span></a><span style="font-weight: 400;">), colocando o  jogador no papel de alguém sem preparo e com equipamentos extremamente limitados, dando ênfase na tensão de cada encontro, e construindo aos poucos um envolvente </span><i><span style="font-weight: 400;">thriller </span></i><span style="font-weight: 400;">de ação cinematográfico. Mas ele também é, em sua estrutura e narrativa, uma história sobre contar histórias, um metatexto sobre a própria </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy</span></i><span style="font-weight: 400;"> e seu processo de reinvenção nos anos 2000.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Descrito como um escritor prolixo, Alan Wake é responsável pela saga de livros policiais estrelando o detetive Alex Casey, mas que está sofrendo com um bloqueio criativo há cerca de dois anos, desde que encerrou a série, junto com a vida de seu detetive fictício. Similarmente, a </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy </span></i><span style="font-weight: 400;">ficou famosa no início do milênio pela série de jogos de ação </span><a href="https://meups.com.br/noticias/max-payne-remedy-comemora-20-anos-da-serie/"><i><span style="font-weight: 400;">Max Payne</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, que te colocam na pele de um ex-policial obcecado por vingança. A procura de Alan por sua próxima inspiração se tornou então uma maneira do próprio estúdio lidar com seu futuro, tendo de encontrar uma nova direção para levar suas ideias.</span></p>
<figure id="attachment_24231" aria-describedby="caption-attachment-24231" style="width: 1280px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24231" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4.jpg" alt="Cena do jogo Alan Wake Remastered. Alan Wake está do lado de uma porta de madeira branca fechada, dentro de um edifício. A ponta de um machado arrebenta parte da porta, com a lâmina enferrujada soltando farpas pelo ar. A cena faz referência ao filme O Iluminado. Alan está na parte direita da tela e o machado arrebentando a porta está na esquerda, na frente dele. Alan é um homem caucasiano de cabelos pretos curtos e barba rala. Ele possui um corte na parte direita da testa que está sangrando e escorrendo pela bochecha. Atrás de Alan há uma grade quadriculada, e atrás da grade há uma janela em que vislumbramos o céu noturno." width="1280" height="720" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4.jpg 1280w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-4-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24231" class="wp-caption-text">O jogo carrega suas inspirações com orgulho (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Na transição da ação para o terror e suspense, eles trouxeram várias de suas experiências anteriores, na mesma medida que retrabalharam outras. Ao invés do infame </span><a href="https://www.bol.uol.com.br/fotos/2019/07/23/max-payne-faz-18-anos-conheca-mais-10-jogos-que-usam-efeitos-bullet-time.htm?foto=9"><i><span style="font-weight: 400;">bullet time</span></i></a><span style="font-weight: 400;"> de </span><i><span style="font-weight: 400;">Max Payne</span></i><span style="font-weight: 400;">, que permite que o jogador desacelere o tempo de modo a atirar em mais pessoas, </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;"> recompensa os jogadores com uma câmera lenta ao desviar dos inimigos ou quando um golpe especialmente bem dado atinge mais de um de uma vez.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">É tudo sobre </span><i><span style="font-weight: 400;">timing </span></i><span style="font-weight: 400;">e conservação de energia. Para lutar contra a Escuridão, Alan precisa, antes de tudo, de uma lanterna: o item mundano é um dos mais importantes e é o único que vai sendo constantemente melhorado ao longo das quase </span><a href="https://howlongtobeat.com/game?id=319"><span style="font-weight: 400;">15 horas</span></a><span style="font-weight: 400;"> do título. Para que suas armas tenham efeito contra os habitantes possuídos, ele precisa primeiro apontar sua lanterna contra eles e esperar que a camada sombria que os cobre se dissipe. Com essa fórmula, cada embate torna-se uma dança de desvios e pausas críticas onde cada movimento conta.</span></p>
<figure id="attachment_24232" aria-describedby="caption-attachment-24232" style="width: 1920px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24232" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5.jpg" alt="Cena do jogo Alan Wake Remastered. Alan luta contra os habitantes possuídos pela Escuridão no meio de um campo de exploração de madeira dentro de uma floresta. Alan é um homem caucasiano de cabelos pretos e curtos, usando um terno de tweed com um moletom por baixo, com o capuz pendendo nas costas. Ele está na parte esquerda da tela, apontando uma lanterna contra um dos possuídos com a mão esquerda enquanto a direita segura uma espingarda apontando para baixo. Na parte direita da tela, três possuídos caminham em sua direção. O mais próximo, usando um colete e um equipamento de proteção laranjas, se prepara para lançar um martelo em Alan. O segundo, em que Alan está apontando a lanterna, também usa o mesmo tipo de roupa e, onde a luz o toca, fagulhas luminescentes surgem. Um terceiro está vindo pela esquerda, usando uma camisa quadriculada e um chapéu vermelho. Atrás deles, toras de madeira cortadas estão empilhadas, com um trator estacionado à esquerda preparado para retirá-las. No plano de fundo, há uma floresta iluminada pela luz do luar e um poste de luz atrás do trator. " width="1920" height="1080" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5.jpg 1920w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5-800x450.jpg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5-1024x576.jpg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5-768x432.jpg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5-1536x864.jpg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-5-1200x675.jpg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24232" class="wp-caption-text">A luz é a sua melhor arma (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Como enfatizado pelo próprio diretor criativo da </span><i><span style="font-weight: 400;">Remedy</span></i><span style="font-weight: 400;">, Sam Lake, em um de seus comentários que podem ser habilitados dentro do próprio título, um “</span><i><span style="font-weight: 400;">remaster</span></i><span style="font-weight: 400;">” foca em melhorar graficamente um jogo, deixando sua aparência mais próxima dos jogos da geração atual, mas sem alterar aspectos da estrutura em si. </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake Remastered</span></i><span style="font-weight: 400;"> traz diversas dessas atualizações gráficas, como a resolução 4K e a tecnologia do </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=8uV83Zm745Q"><i><span style="font-weight: 400;">DLSS</span></i></a><span style="font-weight: 400;">, acessível apenas em computadores que possuem placas de vídeo da marca </span><i><span style="font-weight: 400;">Nvidia </span></i><span style="font-weight: 400;">a partir da geração </span><i><span style="font-weight: 400;">RTX</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O aumento da resolução é algo muito perceptível para quem possui um monitor com resolução maior que 1920&#215;1080 </span><i><span style="font-weight: 400;">pixels</span></i><span style="font-weight: 400;">. Em contrapartida, esse aumento gráfico acaba fazendo com que o jogo possa apresentar travamentos em computadores menos potentes. Como forma de driblar eles, a remasterização de </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;"> possui a tecnologia </span><i><span style="font-weight: 400;">DLSS</span></i><span style="font-weight: 400;">, que, de forma resumida, processa o jogo em uma resolução menor e elimina, através de inteligência artificial, o </span><i><span style="font-weight: 400;">“embaçamento”</span></i><span style="font-weight: 400;"> que a imagem teria ao ser esticada para a resolução do seu monitor, dando um produto final muito próximo do que seria a resolução se o </span><i><span style="font-weight: 400;">DLSS </span></i><span style="font-weight: 400;">não estivesse ativado, mas exigindo um menor processamento do computador.</span></p>
<figure id="attachment_24233" aria-describedby="caption-attachment-24233" style="width: 740px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24233" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-6.png" alt="Uma comparação entre as cenas de Alan Wake Remastered e o Alan Wake original. Ambas as cenas retratam Alan Wake, um homem caucasiano usando um terno tweed com um moletom por baixo, o capuz pendendo nas costas, de perfil, olhando para a direita e um carro vermelho ao fundo, com sua esposa, Alice, no volante. Alice é uma mulher caucasiana e loira, usando uma jaqueta de couro marrom. Na imagem da direita, retratando o jogo remasterização, a resolução está melhor, as texturas estão mais definidas e os detalhes da iluminação na roupa do personagem e no carro estão mais bonitos. A cena é iluminada pela luz do entardecer." width="740" height="416" /><figcaption id="caption-attachment-24233" class="wp-caption-text">Mudanças na iluminação e nas texturas fazem o título reluzir (Foto: GameRant)</figcaption></figure>
<p><span style="font-weight: 400;">Além dessas tecnologias implementadas, ganhamos muito mais profundidade no jogo pela escolha do estúdio em refazer todas as </span><i><span style="font-weight: 400;">cutscenes</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando mais </span><a href="https://segmentnext.com/face-model-alan-wake-remastered/"><span style="font-weight: 400;">expressão e vida</span></a><span style="font-weight: 400;"> para as personagens, visto que podemos perceber ainda mais a interpretação dos atores, criando uma atmosfera até mais envolvente que a presente no jogo original. Porém, é bem perceptível a falta do cuidado fora dessas cenas, onde a movimentação dos personagens ainda é travada, gerando um certo estranhamento ao passar rapidamente de uma das sequências para o jogo normal.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em termos de história, ela se mantém fiel ao original, apesar da confirmação do universo compartilhado entre </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">Control</span></i><span style="font-weight: 400;"> mudar a perspectiva que temos sobre alguns dos acontecimentos e seus personagens. Em </span><i><span style="font-weight: 400;">Control</span></i><span style="font-weight: 400;">, temos uma </span><a href="https://www.youtube.com/watch?v=qlyr-aH0ZHY"><i><span style="font-weight: 400;">DLC</span></i><span style="font-weight: 400;"> inteira</span></a><span style="font-weight: 400;"> fazendo referência aos eventos que acontecem em Bright Falls durante </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;">, mas na remasterização essa ligação é extremamente sutil e apenas perceptível para os jogadores mais atentos. Alguns</span><i><span style="font-weight: 400;"> QR codes</span></i><span style="font-weight: 400;">, que no jogo original eram simples </span><i><span style="font-weight: 400;">easter eggs</span></i><span style="font-weight: 400;">, aqui são substituídos por </span><i><span style="font-weight: 400;">links </span></i><span style="font-weight: 400;">para alguns vídeos que mostram o próprio Alan escrevendo diretamente do “</span><i><span style="font-weight: 400;">Dark Place</span></i><span style="font-weight: 400;">”, local onde ele estaria preso desde o final do jogo original, dez anos atrás , </span><a href="https://www.tecmundo.com.br/voxel/214809-alan-wake-2-remedy-epic-trabalham-juntas-sequencia-rumor.htm"><span style="font-weight: 400;">reforçando os rumores</span></a><span style="font-weight: 400;"> de que a tão esperada sequência para o título de 2010 esteja finalmente em desenvolvimento.</span></p>
<figure id="attachment_24234" aria-describedby="caption-attachment-24234" style="width: 1800px" class="wp-caption alignnone"><img loading="lazy" decoding="async" class="size-full wp-image-24234" src="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7.jpeg" alt="Cena do jogo Alan Wake Remastered. Alan Wake está sentado na frente de uma escrivaninha antiga em uma cabana, de costas para nós. Alan é um homem caucasiano usando um terno de tweed com um moletom por baixo, o capuz pendendo nas costas. A cabana, a escrivaninha e a cadeira são feitas de madeira, com a luz do dia entrando por uma janela acima dela. Em cima da escrivaninha vemos um abajur antigo, de forma quadrada, desligado. Dos lados da janela vemos cortinas azuis escuras abertas. Do lado de fora, a figura de uma montanha preenche quase toda a janela. " width="1800" height="900" srcset="http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7.jpeg 1800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7-800x400.jpeg 800w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7-1024x512.jpeg 1024w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7-768x384.jpeg 768w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7-1536x768.jpeg 1536w, http://personaunesp.com.br/wp-content/uploads/2021/10/alan-wake-7-1200x600.jpeg 1200w" sizes="auto, (max-width: 709px) 85vw, (max-width: 909px) 67vw, (max-width: 1362px) 62vw, 840px" /><figcaption id="caption-attachment-24234" class="wp-caption-text">Não é um lago, Alan (Foto: Remedy Entertainment)</figcaption></figure>
<p><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake Remastered </span></i><span style="font-weight: 400;">é um pacote bastante humilde, revitalizando um dos jogos </span><i><span style="font-weight: 400;">single-player</span></i><span style="font-weight: 400;"> mais importantes da última década e trazendo suas excelentes expansões, sem revisar a experiência, escolhendo manter ela da maneira que foi concebida. Com enfoque em atualizar seu visual para algo aceitável em consoles e computadores modernos, a remasterização está sendo vendida por um preço que reflete essa humildade, passando bem </span><a href="https://meups.com.br/noticias/alan-wake-remastered-data-preco-edicoes/"><span style="font-weight: 400;">longe do valor</span></a><span style="font-weight: 400;"> de jogos contemporâneos.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Em 2010, o mundo talvez não estivesse preparado para tudo que </span><i><span style="font-weight: 400;">Alan Wake</span></i><span style="font-weight: 400;"> almejava alcançar. Uma narrativa surreal e transmídia, contada não só pelo jogo, mas por HQs, </span><i><span style="font-weight: 400;">webséries </span></i><span style="font-weight: 400;">e até mesmo álbuns musicais, o título estava quase destinado a fracassar num primeiro momento, </span><a href="https://www.vg247.com/alan-wake-control-universe-sam-lake"><span style="font-weight: 400;">prosperando nas sombras</span></a><span style="font-weight: 400;"> conforme mais e mais pessoas descobriam o prazer dos segredos de Bright Falls e suas muitas faces, se afundando em seu oceano de teorias e conspirações.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Já em 2021, a versão </span><i><span style="font-weight: 400;">Remastered</span></i><span style="font-weight: 400;"> oferece a experiência completa e definitiva do título,  reunindo o conteúdo adicional dos episódios </span><i><span style="font-weight: 400;">The Signal</span></i><span style="font-weight: 400;"> e </span><i><span style="font-weight: 400;">The Writer</span></i><span style="font-weight: 400;">, dando à velhos fãs a chance de rever o clássico com novos olhos e possibilitando que uma nova geração de jogadores se apaixone por seu Terror atmosférico e sua narrativa episódica. Por mais que ofereça poucos novos recursos além dos comentários de Sam Lake, é um pacote que mais do que justifica seu valor e insere novas baterias na lanterna do escritor mais famoso dos </span><i><span style="font-weight: 400;">videogames</span></i><span style="font-weight: 400;">.</span></p>
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